EntreContos

Detox Literário.

A Alma da festa – Resenha de Marcia H. Saito

Alexandre Soares Silva

Editora Realejo – 236 pgs.

Romance humorístico

Alma_FestaUma história nem um pouco ingênua, que fala sobre amizade, povoado de personagens deslocados socialmente. Até aí poderia ser confundido até com um romance juvenil com uma escrita mais apurada, mas entra o enfoque nonsense sofisticado em sua trama, apimentado com um humor leve e deliciosamente inesperado . A trama gira em torno da busca de uma amigo há muito perdido (no sentido de ter perdido contato). O Barão João Maxmilliano de Juquinha-Fortescue (8º Barão de Guisnay vel Quisney e último descendente de sua família) contrata um detetive para encontrar esse amigo querido. Até aí nada demais, apesar dos nomes exóticos e de pronúncia engraçada, vinda das pessoas e lugares visitados. Como toda investigação, reserva-se revelações inusitadas que espantam tanto o detetive, assim como o Barão. As revelações iam desde a descoberta de inúmeras relações pessoais com pessoas do mundo todo, uma fortuna de origem inexplicável a até a estranha constatação de que era a reencarnação de um Deus egípcio do Charme, um tal de Sinufer.
Em suma, a busca de momentos perdidos em uma época dada como felizes, seriam para contrabalancear a melancolia dos tempos recentes do personagem. Essa busca trouxe à tona detalhes e pessoas que há muito esquecidas e outras desconhecidas, mas devido à passagem de tempo, já não se mostravam ou espelhavam a mesma alegria de antes.
Não estranharia que se alguém pouco ambientado a esse tipo de leitura, achá-lo no mínimo inusitado e de entendimento incompreensível em alguns trechos.
Houve momentos de humor simplesmente deliciosos, como as situações com o auxiliar Hiroshi (rolei de rir na verdade), e de genialidade por parte do autor como a inserção do Livro de Sinufer, o Deus Egípcio do Charme. Fiquei hipnotizada nessa parte pois achei-a inteiramente hilária.
Tanto me agradou que fez-me lembrar de outro autor: o Barão de Itararé. Tinha um livro dele (que me foi roubado por amigos, é claro) e me deu saudade deste tipo de literatura com humor sofisticado, sem cair na escrachação burra, o que é irritante. Rir sem precisar parecer bobo.
Apenas duas situações que me distraíram durante a leitura:
1) Os erros de revisão (viúvas, órfãs, hifenizações erradas – mas por culpa de minha função de diagramadora e revisora, um sentido que não se desliga nunca);
2) Achei que a parte dois do livro destoou um pouco da primeira parte da história (do tipo, perder o ritmo e entusiasmo na escrita, como se foram escritos em épocas diferentes, por exemplo).
Por causa do interesse em ver até o fim da história, de como se desfecharia, ignorei essas duas situações. O que foi ótimo pois não ignoraria um livro como esse por causa de coisas facilmente transponíveis.
No final de tudo, foi uma leitura interessante, com momentos de diversão despreocupada e desfile de nomes engraçados. Tudo proporcionado pela escrita inteligente e apaixonante do autor Alexandre, que agora sigo-o como o cara com o “quê a mais”, em falta em muitos autores nacionais.

Sobre Marcia Saito

Escrever e desenhar são os sentidos que fazem o meu caminho. Criar sempre. Desistir jamais.

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