EntreContos

Detox Literário.

Viajante do Tempo (Alexandre Leão)

Os passos do bispo são rápidos enquanto desce a Nove De Julho em São Paulo. A chuva fina daquela manhã de janeiro de 1974 e o frio intenso lhe feriam os ossos desgastados pelo tempo. À noite, uma chuva torrencial abalara a cidade, levando os moradores ao desespero. Naquele momento, poças d’água ocupavam avenidas e ruas e por todo lado, homens, mulheres e crianças, descalços, calças dobradas à altura dos joelhos, vassouras nas mãos, retiravam a lama que invadira comércios e residências. Miguel esperava estar em São Paulo há dois dias. Porém em Roma o tempo também era ruim e os voos para vários países haviam sidos cancelados. Somente na tarde anterior conseguira chegar à capital paulista e exausto, achou por bem descansar até a manhã seguinte. Fez um rápido lanche no saguão do hotel e se recolheu ao seu quarto. Deitado, adormeceu pensando em como seu velho amigo Camargo reagiria ao saber o motivo da sua visita. Havia estudado com Camargo uma vida inteira, até se formarem e ele seguir a vida eclesiástica, enquanto o outro seguia a física. Escolheram bem seus caminhos e se deram bem; Porém, nunca mais se encontraram. À custa de qualquer artifício, o bispo sonhava ser eleito Papa, enquanto Camargo se contentava em correr mundo promovendo conferências, fazendo pesquisas e apenas sonhando inventar algo que revolucionasse a humanidade. Foi em uma conferência exibida pela tevê que soube que seu amigo trabalhava e segundo ele, criara um software que permitiria viajar no tempo e corrigir erros passados. Não dera detalhes; Mas foi o suficiente ao bispo saber dessa maravilha e se locomover para conseguir o endereço e procurá-lo. Descobrir pessoas, no vaticano era tarefa fácil. Nada estava oculto aos interesses eclesiásticos. Poucos dias antes, o filho de Camargo, também sacerdote, fora acusado na Geórgia, de estrupo seguido de morte e estava sob averiguações. O Vaticano se moveu para levá-lo em segurança para Roma. De lá, iria ministrar em outra paróquia. Miguel usaria tal episódio para forçar o amigo a ajudá-lo a se eleger papa, sem saber que de qualquer forma o vaticano libertaria seu filho.

Finalmente chega, encharcado, ao prédio comercial de vinte e cinco andares, onde Camargo mantém escritório. Após limpar os pés no tapete à entrada do Joelma, caminha em direção a um dos quatro elevadores disponíveis, pressionando o botão do 12° andar indicado no papel que traz nas mãos. No andar desejado, para em frente a uma porta, voltando a conferir o endereço. Bate suavemente e sem esperar resposta, gira a maçaneta e entra. A sala ampla é dividida ao meio por uma parede de madeira, pintada de branco. Aos lados, estantes ocupando toda extensão das paredes vergam sob o peso dos livros. À frente, apenas duas cadeiras e uma mesa. Sobre esta, um telefone, um velho computador, algumas revistas de modas cuidadosamente empilhadas e um copo cheio de lápis e canetas. A divisória ao fundo tem a porta fechada, ocultando a parte interna. Miguel caminha em sua direção, quando ela se abre deixando passar um homem pequeno, calvo, extremamente magro, idade similar à sua, ostentando enormes óculos de armação prateada que lhe cobre quase todo o rosto.

-Como vai, Camargo?…

Parado, o homem ajeita os óculos com a mão direita, tentando reconhecer a voz do sacerdote. Por fim seu rosto reluz num sorriso feliz, enquanto abraça Miguel.

-Meu Deus!… Se não é meu amigo Miguelzinho!…

Após efusivos tapinhas nas costas, Camargo se afasta. Porém permanece de frente para o visitante, as duas mãos sobre seus ombros, olhando-o de cima a baixo como a medir os efeitos dos anos no outro.

-Não sabia que havia voltado para o Brasil…

-Não voltei. Estou apenas de passagem e resolvi cumprimentar meu velho amigo.

– Fez muito bem. Estou muito feliz em te reencontrar.

-Também estou feliz por ter vindo…

-Vamos lá para dentro. – Diz, enquanto caminha para a porta por onde saiu. -Toma um cafezinho, enquanto conta o verdadeiro motivo dessa visita.

Miguel ri-se. Recorda que seu amigo sempre fora desconfiado e por isso, chamado de “Bagre Ensaboado” pela turma. Nunca conseguiram pegá-lo em qualquer pegadinha.

-Pois então, “o bagre ensaboado” ainda permanece vivo ai dentro?…

Rindo do antigo apelido, que já havia esquecido, Camargo revida:

-Não! O bagre ensaboado morreu! Quem está aqui hoje é uma velha raposa que não crê que a “Tartaruga de Ressaca” apareceu após tanto tempo, apenas para admirar a cor dos meus olhos.

Miguel também se diverte com seu apelido. A turma da faculdade era animada: Sempre se divertiam da maneira que fosse e só ele preferia ficar em casa, assistindo velhos filmes sobre monarcas, sonhando ser rei e ter o mundo rastejando aos seus pés. Pensavam que era preguiça dele. Mas eram sonhos de grandeza latejando em suas veias. Após tanto tempo, ainda não era nenhum Nabucodonosor ou Zeus… Mas chegaria lá. Com a ajuda de Camargo seria Papa: Senhor absoluto de todas as riquezas reveladas ou ocultas do vaticano. Entram na sala interna e Camargo admirado, para nos próprios passos: Ali há uma infinidade de computadores. Mais do que preciso num escritório com meia dúzia de funcionários. Todos ligados e curiosamente, mostram apenas mapas e números similares à horas em seus monitores.

-Pra que tudo isso?

-Meu trabalho…

-A máquina do tempo?…

Camargo se volta, como que picado por uma serpente.

-O que sabe sobre a máquina?- Pergunta aborrecido.

-Nada. Apenas o que você disse na conferência.

-O vaticano te mandou?

-Calma!… Ninguém me mandou.

– Diz logo o que quer, Miguel…Ordena, irritado.

-Não fique aborrecido. Na verdade vim falar com você em nome do vaticano… Mas… Sobre “seu” filho.

-Que aconteceu com ele?

Camargo se transforma ao ouvir falar do filho.

-Calma! Seu filho está bem. Venha se sentar para conversarmos.

Camargo mais tranquilo se dirige a uma mesa no canto da sala, onde há duas garrafas térmicas e alguns copos. Coloca dois cafés e pegando a segunda garrafa, despeja leite quente em um deles.

-Puro ou com leite?

-Com leite.

-Açúcar?

-Não, obrigado! Só café e leite para espantar o frio!

Entregando o copo ao amigo, Camargo senta ao seu lado.

-Desculpe, Miguel. Não queria ser grosso com você.

-Tudo bem. Entendo sua preocupação.

-Que houve com meu filho?…

Sorvendo primeiro um gole do café com leite, o sacerdote estala a língua, desfrutando ao máximo o calor reconfortante que o líquido lhe proporciona ao correr dentro de si.

-Seu filho está sob investigação nos EUA- Geórgia…

-Meu Deus! Por quê?

-Suspeita de estrupo, seguido de assassinato…

Camargo fica mais branco que urso polar com acromatose oculocutânea. Sabe que na Geórgia, tal crime é punido com a morte. Queda-se na poltrona, rosto enterrado nas mãos. Miguel permite que a notícia surta o efeito desejado e só então coloca a mão em seu ombro:

-Não precisa ficar assim, meu amigo! Seu filho é um sacerdote de Deus e todos sabem que os sacerdotes são perfeitos, não?… O vaticano irá ajudar seu filho.

Camargo sente ascender dentro do peito uma ponta de esperança. Cheio de gratidão, afirma:

-Pelo amor de Deus, Miguel, ajude-o! Serei eternamente grato.

-A vida do seu filho está dependendo de você…

-Como?…Farei o que for preciso.

-O vaticano precisa de você…

-Por favor… Diga o que preciso fazer.

-Recorda-se do trabalho que fizemos sobre o “CONCÍLIO 1545”?

-Claro! Promulgamos uma interrogação sobre o que o Concílio teria a ver com a “Caça às Bruxas”.

-Exato. E quase fomos excomungados pelo Padre Gregório.

-Aquilo foi ideia sua…

-E eu estava certo…

-Como?…

-No concílio de 1545, muita coisa foi dita além do que é fartamente divulgado. Não entrarei em detalhes. O fato é que existe uma encíclica desaparecida e o vaticano precisa recuperá-la.

-Uma encíclica?

-Um documento pontifício contendo dogmas importantíssimos e altamente comprometedores para a igreja e que jamais poderão ser revelados… Ou a igreja tombará.

-E onde eu entro…

Ignorando a interrupção, Miguel continua.

-A última vez que se teve notícias do documento foi após o papa Inocêncio VIII emitir a “Summis Desiderantes Affectibus”, onde reconhece a existência de bruxas. Tal reconhecimento foi apenas um pretexto, seguido de ordens expressas para caçar e queimar a todos os senhores de terras que se opunham aos desatinos e explorações monetárias da igreja. Logo após o concílio de 1545, os documentos desapareceram.

-Continuo sem entender o que posso fazer…

-Você vai viajar no tempo, pegar esses documentos antes de sumirem e trazê-los para mim.

-Você está brincando…

-Não e a vida do seu filho está dependendo da sua boa vontade.

-A igreja não pode me obrigar a fazer uma loucura dessas! A máquina está em fase experimental. Jamais alguém fez uma viagem dessas. É simplesmente impossível saber o que pode acontecer… –Disparou –

-Opa!… Calma! Vamos por partes: A igreja não está te obrigando a nada! É você que está se oferecendo para ajudar, em troca de livrarmos seu filho da morte por estrupo e assassinato. Além do mais, você está louco de vontade para testar seu invento e obter fama. É claro que a igreja não aprova tal viagem. Mas você é obstinado e quer a todo custo ser perpetuado como o primeiro homem a viajar no tempo. Nós fizemos de tudo para demovê-lo desta ideia. Mas não conseguimos…

Camargo tenta absorver os fatos.

-Preciso de tempo para programar tudo…

-Por favor, meu amigo… Não se apresse. Faça como achar que deve ser feito. Mas não demore muito. Ignoramos o que seu filho pode estar passando nas mãos daquela gente enfurecida… Sabe?… Eles estão revoltados com o estrupo e assassinato daquela pobre mocinha de treze anos…

-Meu filho jamais faria uma coisa dessas e vocês sabem disso…

-Claro! Mas os homens são maus. Não são perfeitos como nós, sacerdotes de Deus. Homens comuns gostam de sangue, de ver as pessoas se contorcer na cadeira elétrica…

Camargo estremece. Sente o estômago dar voltas dentro de si ao imaginar esse fim para o filho.

– Vou precisar de detalhes. –Balbucia –

Retirando de dentro da batina um canudo de papeis amarrados por uma fita verde, o bispo esclarece:

-Aqui tem tudo que precisa e também meu telefone. Qualquer dúvida, não se acanhe em me ligar… Ficarei muito feliz em falar contigo.

Camargo prefere ignorar o sarcasmo do outro. Aquele homem, antes seu amigo, passou a ser o que ele mais desprezava na vida. Sabe que não pode confiar nele, mas não há alternativa… A vida do seu filho está em jogo.

-Se não tem mais nada a dizer, pode ir. Preciso trabalhar agora.

-Claro, meu amigo. Foi muito bom te reencontrar.

Cinicamente abraça Camargo que se mantém estático. Ao se afastar, ainda lhe deseja:

-Que Deus abençoe você! Que te dê forças para suportar esta prova que seu filho coloca em suas costas. Que Ele guie você em sua viagem.

Parando à porta, acrescenta:

-E não deixe de ligar. Quero estar presente quando trouxer meus documentos.

Deixa o prédio, contente com os resultados da visita. O vaticano desconhece o porquê da sua visita ao Brasil. Os enviados à Geórgia já haviam cuidado da transferência do padre acusado e trabalhavam com afinco nas investigações. Descobriram que as testemunhas de acusação eram homens de reputação duvidosa e estavam a serviço de um estrangeiro desconhecido. As investigações continuariam, mesmo depois da transferência do padre para Roma. Jamais suspeitariam que o bispo era o mandante do crime, para forçar o amigo a buscar os documentos para ele. Esses, apresentados ao papa, o forçariam a deixar a cátedra e entregá-la a ele, ou aqueles papéis, provas de que a caça às bruxas foi ordens do vaticano em prol de si próprio, seriam entregues ao povo. A “Summis Desiderantes Affectibus”, juntamente com a ordem, foi urdida aproveitando a ignorância épica e, diferente de outras encíclicas, que ficavam na biblioteca do vaticano, esses ficavam no cofre forte do quarto papal. Era impossível burlar o sofisticado esquema de segurança do cofre. Porém, até o dia 05 de dezembro de 1484, quando a ordem foi emitida, ficava tudo na biblioteca e só depois foram transferidos aos aposentos papais. Camargo deveria viajar para logo após serem assinados e antes de serem transferidos.

*****

Sete dias de intenso trabalho, configurando softwares, acertando relógios e datas, relendo informações, Camargo vê tudo pronto para a viagem no tempo. Ignora se a máquina funciona e seu peito palpita de medo e ansiedade. Porém procura não pensar nos perigos, focando-se apenas no filho e na missão imposta. À noite do dia 31 de janeiro de 1974 -Quinta-feira- liga para Miguel, avisando que na manhã seguinte partirá na máquina do tempo. O bispo promete estar lá no horário marcado e ordena que dispense a secretária. Ele mesmo o ajudará. Às sete horas ele entra no Joelma e junto com Camargo, finalizam os preparativos.

-Ficarei lá por 20 minutos. Neste tempo, o ar condicionado tem que se manter em temperatura negativa ou a máquina irá superaquecer. Quando este relógio aqui – A cada parte que mencionava, ia apontando com o indicador – chegar nos 19 minutos e 59 segundos, esta tecla precisa ser pressionada e eu estarei de volta. Por esta tela verá tudo que se passa comigo e ouvirá tudo que se fala por lá. Ou seja: Eu falarei contigo, mas não poderei te ouvir.

-Compreendido. –Pausa – Não falhe.

-Espero que as informações que me passou estejam corretas.

-Estão.

-Bem, vamos lá então! Quando eu fizer sinal, pressione esta tecla. Para retornar, a mesma tecla.

-Certo.

-E sempre de olho no ar condicionado. Sempre gelado…

Camargo se senta em frente ao computador, coloca os fones nos ouvidos e certifica-se de que está tudo em ordem. Faz então sinal para Miguel agir. Quando a tecla é pressionada, um forte zumbido de motor de dentista –caneta de alta rotação- se faz ouvir pela sala, uma onda de intenso calor se espalha pela sala, como se uma bomba houvesse explodido a poucos metros dali e Camargo simplesmente desaparece. Miguel corre e se posiciona em frente ao monitor, de onde acompanhará tudo.

*****

Camargo sente a onda de calor e de repente vê-se em uma imensa biblioteca, rodeado por diversas mesas, livros e vários pequenos baús. Havia viajado no tempo. Fica por breves instantes absorto em sua glória, mas logo procura conter-se e procurar o baú de carvalho, coberto por uma pequena tiara de ouro e pedras preciosas fixada na tampa. Nele, estariam os documentos que procurava. O coração aos saltos, temeroso que chegue alguém, se põe a procurar pelas prateleiras. Depois de vários minutos, o tempo se escoando, procurando em vão, percebe um couro de tigre pendurado na parede ao fundo. Caminha para ele. O afastando para o lado, dá com uma rústica abertura, em forma de cofre e dentro dela, reluzente e imperial, o procurado baú. Deposita o couro curtido no chão e estende a mão direita para pegá-lo, mas no instante em que roça a mão direita na peça, ouve o ruído atrás de si. Camargo sente o sangue gelar nas veias e por instantes, fica paralisado, sem forças para se voltar. Então, tentando se acalmar, se volta e dá de frente com uma ratazana, que feliz, se banqueteia com um resto de pão e queijo abandonados sobre uma mesa. Sorri aliviado. Retira o baú e abre para ver se é o mesmo que procura.

*****

No escritório, Miguel vê o tempo correr. Observa Camargo no monitor, se locomover pela biblioteca. Percebe antes do outro, o couro de tigre na parede e gesticula para ele, apontando a parede ao fundo. Vê também a ratazana e percebe o tremor do outro, quando o rato faz barulho. Olha sobre seus ombros quando ele encontra o baú e se enche de euforia. Camargo se volta de frente para ele como à dizer que havia encontrado os papéis, mas antes de ficar de frente, se abaixa e recolhe um pequeno rolo de papel caído no chão. Vira-se novamente para o cofre e após uns segundos de costas para Miguel, se abaixa e pega o couro para repô-lo no lugar. Dezenove minutos e cinquenta e nove segundos. Indica o relógio no monitor. Miguel então pressiona a tecla e Camargo surge à sua frente. Traz nas mãos… o seu baú.

-Você conseguiu, Camargo! Conseguiu pegar meus documentos…

-Sim. Agora cumpra sua parte e tire meu filho daquele lugar.

-Claro! Mas antes você deve retornar lá e pegar um outro documento.

-Você está louco? Logo vão estar acordados e me pegarão.

-Calma! Dá tempo. E você pode também voltar o relógio e estar lá no mesmo horário. Ou não?

-Porque não disse antes de outro documento?

-Só ontem à noite recebi ordem do papa e me esqueci de lhe passar.

-Droga! Voltar o relógio consiste em mudar várias configurações na máquina…

-Faça isso então. Não tenho pressa.

Irritado, Camargo se senta ao computador e depois de alguns instantes, declara:

-Tudo pronto… De novo! O que devo buscar agora?

– Todos os documentos que estiverem naquele buraco da parede.

-Ok!

Repete todo o processo anterior e espera que Miguel o envie novamente ao passado. Escuta o ruído estridente, sente a fonte de calor e desaparece da sala.

Miguel então caminha para o ar condicionado e chegando a ele, o desliga. Pega então o baú em cima da mesa onde o deixou, olha o monitor onde vê Camargo andando pela biblioteca, a procura de outro baú que não existia e sorrindo, murmura olhando para a tela:

-Imbecil. Pensou que eu o deixaria aqui, para depois usar a máquina contra mim? Obrigado pela ajuda, meu amigo e fique com Deus… Aí no passado.

Abandona a sala e deixa o Joelma no momento em que fortes ondas de fumaça saem pelas janelas de um escritório do 12° andar, provenientes de um ar condicionado em chamas. Ao virar na esquina levando o baú, as chamas já devoram as paredes do prédio e os gritos de horror se ouvem por toda parte.

EPÍLOGO.

No passado, quando os Bispos entram na biblioteca do vaticano, encontram um louco homossexual, certamente abandonado por seu amante, gritando a plenos pulmões:

-Miguel, seu desgraçado… Volta! Tira-me daqui, Miguel! Não me abandone, Miguel. Faço tudo o que você quiser…

Jamais descobriram como ele entrou ali.  Acusado de possessão e homossexualidade, queimam-no em uma fogueira e mesmo no momento em que ardia em chamas, continuava gritando pelo suposto amante:

-Miguel… Pelo amor de Deus… Volta, Miguel!…

*****

Miguel não se elegeu Papa. Ao apresentar-se à “Sua Santidade” aos berros e exigindo sua saída, tentando chantageá-lo com uma receita de broa de fubá, foi preso e transferido para uma cadeia no Brasil. Condenado à 135 anos de reclusão, ficou pouco tempo na Carandiru. No dia 02/10/1992 moveu uma rebelião, iniciada com uma falsa briga de detentos no pavilhão nove, por causa de um “Consolo de Viúva”, incitou aqueles anjinhos, levando-os de encontro a um massacre. Após o controle da situação e devido aos seus dotes de ladrão, anarquista e incendiário, -belo currículo para trabalhar na política- o governo brasileiro concedeu-lhe liberdade, levando-o para ocupar uma cadeira no senado, em Brasília. Lá ele fundou o partido PVRS – Partido “Vade retro Satana“… – e espera eleger-se presidente desse país nas eleições 2014 com grandes probabilidades de ganhar, já que conta com o apoio do atual governo.

*****

Uma cópia do software da máquina do tempo foi salva, juntamente com um mine- computador e confiada a mim por seu criador em uma fuga estratégica ao passado antes de fazer essa viagem descrita, para que eu lhes narrasse essa história. Usando-os, também viajei no tempo e tomei conhecimento de todos os fatos. Com ele também viajei até aqui –Outubro de 2013- setenta anos adiante da minha época e deixo tudo registrado. Pretendo, assim que tornar ao meu tempo, iniciar uma perigosa e longa viagem de retrocesso ao ano 69 A.C.. Destino: Alexandria- capital do Egito ptolemaico. Missão: Tentar um possível relacionamento com a rainha Cleópatra, me tornar rei e parar com essas viagens malucas. Assim também, fugirei ao meu destino de morrer em um campo de deportados na Alemanha no ano vindouro -1945- para morrer nos braços de uma bela rainha que está sempre sequiosa de um novo macho para casar. Porém, tenciono ainda ir ao futuro, quem sabe, no ano 5.000?… O que haverá por lá?… Talvez lá, eu me decida e lhes contarei mais histórias.

45 comentários em “Viajante do Tempo (Alexandre Leão)

  1. Andrey Coutinho
    29 de outubro de 2013
    Avatar de Daryen

    Como já foi dito nos comentários, há muitas incongruências temporais. Mas a narrativa em si teve um ótimo desenvolvimento… o ritmo foi frenético, e misturar conspiração no Vaticano, um vilão que quer se tornar papa e uma viagem no tempo relacionada à história da Igreja são elementos que combinam muito bem. Difícil não chover no molhado quando se é o último a comentar, mas também captei uma “vibe Dan Brown” no texto. Com alguns reparos, dá pra transformar isso num excelente thriller sci-fi conspiratório. Parabéns e abraço!

  2. Thata Pereira
    29 de outubro de 2013
    Avatar de Thata Pereira

    Gostei muito da história em si. Senti vontade de ler mais algum livro do Dan Brown, li apenas um até hoje. Mas como foi dito, o conto falha em revisão, pesquisas, lapidações… absorva todo o feedback que recebeu aqui e reescreva o conto. É uma história muito interessante!

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Obrigado, Thata. Pode acreditar que o faria de toda forma, mas após os feedbacks, a coisa fica mais fácil de se ir sobre o assunto e corrigir. Abraços.

      • Thata Pereira
        29 de outubro de 2013
        Avatar de Thata Pereira

        Boa Sorte! Tem tudo para ser excelente! 😉

  3. Juliano Gadêlha
    29 de outubro de 2013
    Avatar de Juliano Gadêlha

    A ideia é bacana, gostei da presença do Vaticano (sim, com “V” maiúsculo) em uma trama sobre viagem no tempo, é uma boa premissa a ser explorada. A execução deixou um pouco a desejar. Achei os personagens um pouco caricatos, e acho que faltou uma descrição mais detalhada sobre a máquina do tempo. Penso que no epílogo a coisa degringolou de vez. Era perfeitamente dispensável, o texto poderia ter acabado antes dele. Por fim, o conto possui alguns de escrita, como já foi apontado. Faça sempre uma boa revisão antes. Abraço.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      O Vaticano minúsculo foi proposital (talves birra). O restante, está anotado. Valeu.

  4. Isabella Beatriz Fernandes Rocha
    28 de outubro de 2013
    Avatar de Isabella Beatriz Fernandes Rocha

    A palavra “estrupo” soou como unhas no quadro nas duas vezes que foi escrita errada. É estuprar, com o r depos, ok? Fora isso, a história até que estava boa, mas o personagem principal nao inspira nenhum sentimento bom, e não tem nada na história que dompense o rombo de caráter dele. O final também poderia ter sido cortado. Acho que o último parágrafo ficou desnecessário.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Vixe! Li,li e li e não percebi. Só agora, aqui, por seu comentário. Valeu! kkkkkkk

  5. José Geraldo Gouvêa
    28 de outubro de 2013
    Avatar de José Geraldo Gouvêa

    E por fim o parágrafo final: “que merda é essa?” Foi a minha reação ao ler isso. Totalmente em descompasso com o resto.

  6. José Geraldo Gouvêa
    28 de outubro de 2013
    Avatar de José Geraldo Gouvêa

    “Todos ligados e curiosamente, mostram apenas mapas e números similares à horas em seus monitores.”

    nenhum computador com display gráfico é anterior a 1981

  7. José Geraldo Gouvêa
    28 de outubro de 2013
    Avatar de José Geraldo Gouvêa

    “À frente, apenas duas cadeiras e uma mesa. Sobre esta, um telefone, um velho computador”

    Já de cara um problema sério. Em 1974 não existiam computadores que pudessem estar sobre uma mesa, que fossem “computadores” e que fossem vendidos para fora dos parques industriais das industrias de tecnologia americanas ou das universidades. Havia terminais burros, havia produtos de pequena escala, como o Xerox Alto.

    Então esse primeiro pecado, pela falta de pesquisa, depõe muito contra a verossimilhança do texto.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Não irei responder às suas 3 observações, Geraldo. (ocupa muito espaço). Agradeço a informações e digo que irei aproveitá-las. Sobre as falhas do meu pc( o do conto) digo que sou um asno ignorante nessa área e julgava que esses já estavam bem adiantados na época citada. Não tive tempo para pesquisa alguma. Obrigado pelas dicas. Abraços.

  8. Sérgio Ferrari
    28 de outubro de 2013
    Avatar de Sérgio Ferrari

    Eu demorei pra tirar “chuva torrencial” das minhas descrições…rsrsrs É só um pequeno detalhe. Acho legal a ideia papal. Mas foi indo, indo, indo e não foi. Sacou? Sou a favor de sempre extrapolar as coisas. Se vc perde o gás, como vi nos comentários….PIRE. Desvirtue seu conto….jogue ele nas beiras da loucura…ai quem sabe vc recupera o tesão e abre uma nova janela criativa.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Valeu, Sérgio. Como percebi que está acompanhando aos comentários também, inútil dizer mais. Abraços.

  9. Frank
    28 de outubro de 2013
    Avatar de Frank

    Gostei do conto. Só não gostei do final…acho que poderia ser suprimido. As referências à história da Igreja são outro ponto forte. Só tem de corrigir as pequenas deslizadas como a do computador pessoal…rs. Abc.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Agradecendo à todos os companheiros pelos comentários e dicas que não serão dispensadas. Modéstia a parte,gostei da ideia e tentarei aproveitá-la a contento, com a ajuda de todos vocês. Abraços e a todos os participantes, desejo-lhes boa sorte.

  10. Bia Machado
    28 de outubro de 2013
    Avatar de Amana

    Concordo com o que o pessoal falou, com relação às falhas apontadas. Estava interessante no começo, mas depois a coisa parece que foi tomando um rumo, como se o autor estivesse perdendo o fôlego, sei lá… O negócio, então, é reescrever, reescrever, pensar melhor… E refletir sobre os comentários do pessoal, o que pelo visto você já está fazendo. É isso aí!

  11. patriciario
    27 de outubro de 2013
    Avatar de Patricia Rio

    Gostei do conto, mas preferia que ele fosse escrito no passado. Além disso fiquei um pouco perdida a partir do momento em que Miguel deixa o “amigo” preso no passado. Adoro as introgas religiosas e senti uma pitada de Dan Bronw aparecer no seu texto, mas acredito que ele ficaria muito melhor se tivesse deixado de fora as referências históricas. Eu, pelo menos, ficaria menos perdida com isso.
    Mesmo assim gostei…

  12. Marco Nazar
    25 de outubro de 2013
    Avatar de Marco Nazar

    Acredito na sua idéia, Régis; o conto tem tudo para tornar-se muito bom, os elementos, as personagens… O vilão está bem interessante, capaz de tudo para atingir seu objetivo. Penso eu que o essencial para um autor seja sua criatividade e a originalidade de suas idéias; a técnica poderá ser desenvolvida ao longo dos anos. Não me sinto suficientemente gabaritado para avaliar seu conto como tantos outros aqui, pois sou iniciante (imagino que você também seja). Porém, como já foi dito, escreva seus textos no passado; acredito ser a melhor forma de não errar. Pesquise os elementos de seu conto para que seu texto não apresente inconsistências e caia em descrédito. A ironia poderia mais sutil, e no caso do seu conto, não era necessária. Se suas idéias forem tão promissoras quanto esta, aconselho você a absorver as dicas e persistir. Parabéns pelo conto.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Obrigado, Marco. Fica tudo anotado aqui e irei aproveitar ao máximo as dicas. Abraços e boa sorte.

  13. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    24 de outubro de 2013
    Avatar de Claudia Roberta Angst - C.R.Angst

    Escrever é um exercício que pode dar prazer, mas é sempre exige disciplina. Entendo a impulsividade de soltar a ideia como veio, porque também sou um pouco assim (ou muito, sei lá…rs). O título fico mesmo um pouco banal demais, poderia ter usado um pouco mais de criatividade aí. Gosto dos diálogos, sou fã de diálogos, dão dinamismo ao texto. Conto a ser lapidado, mas com potencial.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Foi tudo corrido, de última hora. Confesso que o título ainda seguiu, porque peguei qualquer coisa que veio à cabeça. Mas valeu. Já fico com as falhas mais mastigadas por vocês para a hora da correção. Abraços e boa sorte.

  14. Gustavo Araujo
    23 de outubro de 2013
    Avatar de Gustavo Araujo

    O escritor Walter Tierno, ao dar algumas dicas a escritores iniciantes disse que uma das mais interessantes é “que o autor suprima do texto sua parte favorita”. Creio que isso se encaixa bem neste conto. Ao tentar vincular o famoso incêndio do Ed. Joelma, em 1974, a um ato de vingança (aqui, o fogo ateado à máquina do tempo), e imaginando que isso seria um fator que iria surpreender o leitor, o autor tornou-se refém de uma ideia rasa. Esse mesmo gancho forçado se repete quando se menciona o Carandiru. Se tais fatos fossem limados da história, talvez, o conto ganhasse outro fôlego. A ideia não é ruim. Lembra um pouco os livros do Dan Brown, com aspectos interessantes relacionados à Igreja Católica, o que poderia gerar uma expectativa apropriada. No entanto, o resultado não agrada, especialmente por conta do aspecto panfletário e supostamente irônico. Não funcionou. Por certo, todo o “epílogo” deveria ser retirado. O destino de Camargo na Idade Média beirou o infame, evidentemente pensado e escrito às pressas. De qualquer maneira, fica a dica para que o autor prossiga na missão. Ler e escrever, sempre.

    • Régis Messaco.
      23 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Obrigado, Gustavo. Sabe quando você não sabe como iniciar a primeira linha de uma história e tudo dá em nada? Aconteceu comigo no final deste. A saída( Bastante frustrada) foi o epílogo. Estou imprimindo todas as críticas e sugestões, para um futuro trabalho. Valeu e abraços.

  15. fernandoabreude88
    23 de outubro de 2013
    Avatar de fernandoabreude88

    Tinha lido esse texto, mas tive que reler mais uma vez algumas passagens. O que é ruim, pois não reli por uma questão de entender ideias concatenadas num jogo interessante, mas pq estava realmente confuso. Tentei relevar, pois gostei do começo, mas a confusão que se segue atrapalha até o leitor mais corajoso. Curti não…

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Desculpa, Fernando. Tentarei nos próximos, me adiantar no prazo de entrega para não enviar sem correções. Abraços e boa sorte.

  16. charlesdias
    22 de outubro de 2013
    Avatar de Charles Dias

    Gostei muito desse conto em tom humorístico. No começo a sensação é de “esse cara está quebrando todas as regras de contos de viagem no tempo” e então se nota que o tom é de brincadeira. Gostei mesmo.

    • Régis Messaco.
      23 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Valeu, Charles! Ao menos um eu fiz rir, pois todos que leram o conto até agora, no mínimo choraram, ao verem a decadência da literatura. Abraços.

  17. mportonet
    22 de outubro de 2013
    Avatar de mportonet

    O conto sofre demais com a falta de cuidado.

    Reitero o que já foi dito, seria inviável um computador pessoal em 1974, vários computadores então, totalmente inverossímil!

    Nessa época um computador era um investimento colossal e ocupavam pelo menos uma sala do Joelma, sem contar que eram programados em cartões de papelão perfurados, acondicionados em gavetas para serem “lidos” a cada compilação de software. Imagine quantas gavetas seriam necessárias para um programa que viaja no tempo?

    Sem contar a parte física da máquina, a desintegração e a reintegração do viajante. Ou seja, impossível num prédio comercial comum.

    A necessidade de vincular a história ao incêndio do Joelma criou um serio problema cronológico e físico na sua narrativa.

    A premissa envolvendo a Igreja é garantia de atenção, se bem estruturada, o que não foi o caso, os clichês permearam história.

    Já foi dito em outra resenha, pelo próprio Rubem Cabral, que escrever às vezes se resume a reescrever várias vezes. Talvez este tenha sido o seu maior engano, escreveu uma vez só e achou que estava pronto.

    Você já foi batizado. Poucos têm a oportunidade do feedback que você está recebendo neste concurso, não desista!

    • Régis Messaco.
      23 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Você pode pensar que não, mas gostei mesmo dos teus comentários. Talvez porque de todos você foi o que mais deu explicações dos meus erros, apontando as falhas. Só errou ao dizer que eu pensei estar ele(o conto) pronto. Não pensei, não. Acabei de passar a idéia para o word e postei, por estar sem tempo para correções e não querer perder o prazo. Esses apontamentos de erros, facilita quando se vai pegar novamente o mesmo texto, caso se pense que vaila a pena. A você e a todos, agradeço as dicas e reverei principalmente o caso do pc. Isso aprendi agora: Não pensei que em 74 a tecnologia ainda estava no pé que você explicou. Pensei estar um pouco mais adiantada( no Brasil). Abraços.

  18. Régis Messaco.
    22 de outubro de 2013
    Avatar de Régis Messaco.

    Turma, não dá para responder a todos os comentários. Então, fica o: “todos são muito bem vindos sim. São eles que me farão observar as falhas, me permitindo algumas ressalvas e explicações.

    RUBEM CABRAL: o “VELHO” Camargo não é um paladino ou um policial de 22 anos. É um pai. “NÃO HOUVE PREOCUPAÇÃO COM O IDIOMA FALADO À EPOCA”-Isso, porque não houve diálogo nessa época. Apenas comentários do narrador, bem no fim, contando o que o personagem gritava enquanto era queimado. Quanto ao softweare do tempo, acho que quaisquer máquina, exigiria um grande esforço. Tipo a 500 anos atrás, se alguém escrevesse, sobre um avião ou um simples antibiótico, diriam que exigiriam grande esforço, não? Não sei se acompanhei seu raciocínio direito. Mas vou revisar tudo e usar suas dicas. Abraços.
    MARCELLUS; Adorei cada minúcia tua. e vou aproveit-a-las. Sou não concordo com o espaço oupado pelas fitas magnéticas. Mas também não vou ignorar este comentário. Vou revia-lo. Abração; Ah! O VELHO computador, talvez tenha sido comentário do narrador. Não sei. Mas foi bem vindo este detalhe. E também “a infinidade de computadores, seria talvez uns seis ou dez, para apenas dois trabalhando ali. Mas caiu mal mesmo. Ah! E ainda: Não houve contradição. Quem disse que os sacerdotes são perfeitos, foi um sacerdote falando de si mesmo e dos companheiros e não foi uma afirmação. Mas sim, uma zombaria cínica ao Camargo.
    Como falei, não dá para citar todos. AOs outros ficam meu agradecimento aos comentários e a todos, o meu obrigado. Tudo aqui será absorvido e aproveitado.

    • rubemcabral
      22 de outubro de 2013
      Avatar de rubemcabral

      Régis, se o velho Camargo foi ao passado recuperar um documento para salvar o filho, pq ele não poderia ter ido ao passado mais recente para evitar os eventos que colocaram seu filho sob a acusação de estupro e assassinato qdo foi chantageado pelo Miguel? Ele precisaria ser um paladino?

      Como os bispos romanos de 1545, que certamente falariam algum dialeto antigo do italiano, entenderam a fala do Camargo (Miguel, seu desgraçado… Volta! Tira-me daqui, Miguel! Não me abandone, Miguel. Faço tudo o que você quiser…) e concluíram que ele gritava por seu amante homossexual?!

      Por fim, suspensão de descrença é o que um texto fantástico precisa fazer, convencer o leitor de que algo improvável possa acontecer. No entanto, uma máquina do tempo só de software é um conceito tão extravagante que é difícil de se acreditar, pois software sozinho não modifica nada do mundo real. Foi isso o que eu quis dizer.

      • Régis Messaco.
        22 de outubro de 2013
        Avatar de Régis Messaco.

        Ah! Sobre a viagem do Camargo ao passado, o que eu pretendia explicar sobre ele, é que ele, além de velho, um sujeito de vida pacata, naquele instante, só pensaria em proteger o filho. Eu acho que eu também agiria assim; Uma solução mais comodista. Pois eu sou comodista. Mas verei o conto também com os teus olhos.

  19. Ricardo
    22 de outubro de 2013
    Avatar de Ricardo

    Assim como uma máquina do tempo deve transportar o viajante para diferentes épocas, um texto literário tem como diretriz principal transportar o leitor para dentro da história.

    #totalfail! 😛

  20. Gina Eugênia Girão
    21 de outubro de 2013
    Avatar de Gina Eugênia Girão

    Em minha opinião, um escrito com ação focada no presente do indicativo torna-se inacabado se não contiver outras amarrações (trama paralela, por exemplo – e isso seria o esperado, dado o tema). Não gostei quando o autor expôs de cara as arquiteturas mentais e intencionais da personagem. Também senti falta de coerência e as tentativas de ironia não me convenceram. A ideia era bem boazinha… Talvez valha uma edição.

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Obrigado, Gina e Ricardo. Gina, pensarei com carinho no seu feedback. Abraços e boa sorte à ambos.

  21. selma
    21 de outubro de 2013
    Avatar de selma

    digo “amem” aos comentarios acima. concordo com tudo que disseram. mas não desista, aproveite as criticas e escreva mais.

  22. rubemcabral
    21 de outubro de 2013
    Avatar de rubemcabral

    Não gostei: há muito o que acertar no texto e a história está cheia de “plot holes”. Se Camargo quisesse poderia ir ao passado para salvar o filho e não precisaria ceder à chantagem do Miguel, por exemplo. Não houve preocupação com o idioma falado à época, máquina do tempo de “software” requer um enorme esforço de suspensão de descrença, etc.

    O final, tentando arrancar graça à todo custo, soterrou o conto com cal.

    • Régis Messaco.
      22 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Como já disse, todos os comentários estão guardados aqui e serão revistos para análise do conto. Muito bem colocado sua explicação do dialeto, Rubem. Rubem Cabralx Régis. Placar 1a0. Abraços.

  23. Marcellus
    20 de outubro de 2013
    Avatar de Marcellus

    Espero que autor entenda que uma crítica é, na verdade, um incentivo e deve ser vista como tal. Os parágrafos enormes me preocuparam de início mas a repetição de “estrupo” foi letal: tirou totalmente minha empolgação com a história.

    Sei que é difícil revisar os próprios textos, alguma coisinha sempre passa. Mas um erro grotesco desses afugenta os leitores.

    Outro ponto: faltou um pouco de pesquisa. Em 74 não poeria haver um “velho computador” na escrivaninha de ninguém simplesmente porque os microcomputadores ainda eram novidade. O autor, possivelmente, fez referência a um terminal de texto. Além disso, só as unidades de fita magnética ocupariam um espaço muito maior que a média das salas de um edifício comercial da época, quanto mais uma ‘infinidade de computadores’. Pode parecer tecnicidade, mas como o conto é de FC, os leitores têm um certo nível técnico e esse detalhe quebra a ambientação.

    O autor entra em contradição, ora dizendo que os sacerdotes não são perfeitos, para daí a alguns parágrafos afirmar justamente o contrário… a crítica política ao final é completamente desnecessária… enfim, o acúmulo de pequenos erros foi letal.

    Ou talvez eu esteja ranzinza demais com o horário de verão. 😎

    • Régis Messaco.
      29 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Comentei lá no alto, Marcellos. Já havia lido aqui, li meu conto e não percebi ( mesmo você dizendo) sobre “ESTRUPO”. Só percebi agora. As dicas serão aproveitadas. Abraços e boa sorte.

  24. Elton Menezes
    20 de outubro de 2013
    Avatar de Elton Menezes

    Sobre a história… O início do texto seguiu um caminho bem interessante, misturando acontecimentos históricos com discussão religiosa bem atual. Mas o final do texto simplesmente destroi tudo que foi feito antes. Você começou com uma narrativa, e acabou com um noticiário, que quebra a sequência dos acontecimentos. Esse final realmente precisa ser revisto, porque acaba com seu texto.
    Sobre a técnica… Existe um grande erro temporal no início do seu texto. Ele se mescla a todo instante entre narrativa no passado e no presente. Isso tem que obrigatoriamente ser corrigido, porque é fator de anulação em qualquer concurso. Escrever no presente é gostoso, e surpreendente, mas nos leva a cair no passado ocasionalmente. Outra coisa… Você coloca muitos diálogos sequenciados sem narrativa, e isso tende a confundir o leitor. Interrompa mais os diálogos com narração, mesmo que simples.
    Sobre o título… Nada poderia ser mais óbvio. O tema é viagem no tempo, e o título “Viajante do Tempo”. Repense.

    • Régis Messaco.
      20 de outubro de 2013
      Avatar de Régis Messaco.

      Obrigado, Elton! Realmente, eu também percebi as mudanças temporais. Não deu tempo para uma revisão e eu só não queria deixar de participar. Tive pouco mais de um dia para digitar e cheio de interrupções. Título também já não dava para pensar e empurrei qualquer coisa que veio à cabeça. Mas de toda forma, como sempre faço, teu comentário será imprimido para futura correção. Obrigado pela leitura e comentários.

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Publicado às 19 de outubro de 2013 por em Viagem no Tempo e marcado .