Nadava a braçadas, mas foi-se fluída com a correnteza, sem brigar.
Já no sol escaldante, subiu às nuvens sem ser vista, leve e dançante. Lá de cima, sentiu tudo, viu o mundo. Virou asas de anjo em sete cores, prometendo um pote de ouro.
Desceu ao solo com as gotas da chuva, com o peso do granizo e a leveza do floco de neve. Retorna sempre de um jeito ou de outro.
Linda, sem gênero, era apenas forma e sofria metamorfoses todos os dias – com ela, todos os tipos de vida se desenvolviam.
Sem ela, seríamos grão.
Gostei bastante do seu microconto. O tema da metamorfose está bem claro nas mudanças de estado da água. Pelo menos eu imagino que seja sobre as mudanças de estado da água. A ambientação fantástica ficou muito legal. Eu pessoalmente gosto muito deste estilo. A personificação da molécula de água ficou bastante interessante. Só não entendi muito bem o final a alusão a que sem ela somos apenas grão não ficou muito clara esta ideia para mim, Mas isso não invalida a boa qualidade do microconto. Nadava a braçadas, mas foi-se fluída com a correnteza, sem brigar. Fora da lista. Janela Chrome: Trans-forma-ações (Miranda Magenta) | EntreContosNeste trecho precisa ser feita uma pequena correção. Ou você usa nadavam abraçadas, ou nadava abraçada.
Vou meter o bedelho no seu comentário, Leo: sobre o grão sem água, imagino que seja pelo fato de que sem ela, ele não germine. Logo nunca será árvore. Sobre nadar abraçada/abraçadas, creio que seria ‘ nadar à braçadas’. Faltou um acento ali.
Opa, vi que o correto é “a braçadas” mesmo. Então é isso. Embora “nadar de braçadas ” seja mais comum, acredito que ali foi um jogo poético bem sucedido.
Olá, Miranda!
Esse aqui me pegou de jeito logo na ideia: usar a água como metáfora pra identidade e mudança foi uma sacada brilhante.
O texto abraça o tema da metamorfose de um jeito natural, quase poético, e ainda consegue tocar em algo bem contemporâneo, que é a fluidez do gênero, sem soar panfletário.
A construção das imagens também funciona super bem: dá pra sentir o movimento, a transformação constante.
O problema vem no final — aquelas últimas frases quebram o ritmo delicado que o texto vinha mantendo. Se terminasse um ou dois períodos antes, teria fechado com mais força, deixando o leitor na maré certa de reflexão.
Ainda assim, é um conto bonito, leve e cheio de inteligência simbólica. Parabéns!
Poético e ao mesmo tempo, cheio de vida.
Fluído! Gostei