EntreContos

Detox Literário.

(re)viver (Tempus)

O tempo congelou de súbito.

Tudo.

Pessoas, animais, carros, televisão. Menos ele. Mas a vida continuou.

Passeando pelas ruas, ele observava tudo. Beijos intermináveis, despedidas incompletas,
abraços impossíveis.

Caminhou por muito tempo. Estava cansado. Tinha visto tudo. Sentido tudo.

Um dia, encontrou uma praia virgem. Nenhuma viv’alma por perto, apenas uma natureza
infinita. Então se lembrou de tudo. Da despedida, das lágrimas. E também da companhia, dos
sorrisos, do calor.

O coração disparou junto com o quebrar das ondas nas pedras.

14 comentários em “(re)viver (Tempus)

  1. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Olá, Tempus. Tudo bem? Gostei de como seu microconto deixa muito em aberto para a imaginação do autor. Ao usa rbem as entrelinhas, você acaba contando muito mais do que está escrito, e dessa forma valoriza o uso do limite de palavras. Sobre as possibilidades em aberto a que me refiro, acredito que o conto trate do luto, mas de dois lutos possíveis: o luto causado pela morte de alguém amado, ou o luto causado pela morte da vida como se conhecia, o luto que não é causado por uma morte literal, mas pela perda, pelo fim de algo a que se apegava desesperadamente. De todo modo, seja qual for o tipo de ‘morte’ que fez com que o tempo parasse para o protagosnita, o conto trabalha a ideia de ‘reviver’ de forma lúdica, com uma longa trajetoria do protagonista até encontrar a paz do espírito que fez o mundo voltar a girar. Só não acho que a forma mais poetica, com as quebras, tenha necessariamente contibuido para o conto. Ainda que nao atrapalhe, nao me parece haver uma função tecnica aqui. Parabens pelo trabalho!

  2. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Considero que o sucesso de um microconto está na capacidade de síntese: incluir o máximo de informação no mínimo possível de palavras. Há técnicas para se fazer isso. Figuras de linguagem, ambiguidades, variação de forma etc. É o que dá alma ao texto. Aqui, vejo esse tipo de recurso. É um microconto que, no fim, nos impele à indagação: “há algo de diferente, algo escondido”. O que há de escondido? Cabe ao leitor decifrar o mistério. Parece-me que este conto é uma alegoria da memória de um amor, do primeiro amor, da primeira vez… Quando o personagem se lembrou disso, foi como se o tempo tivesse parado, e ele passou a reviver momentos marcantes desse amor, para, ao final, desbravar a natureza crua da juventude inocente, onde tudo começou. Daí percebeu o quanto mudou, o quanto se tornou outro. As ondas vinham e vinham, levando a virgindade. É a interpretação que fiz do seu texto, e é a que julguei adequada ao tema do concurso. Gosto quando o texto nos chama a refletir desse modo, e o escritor não o entrega de mão beijada ao leitor. Provavelmente será bem debatido pelos colegas.

    Há alguns elementos, porém, que não compreendi. Cito a disposição anormal dos parágrafos. Não consegui identificar o papel que isso desempenhou na narrativa. Há também alguns pequenos detalhes que não apreciei. Por exemplo: “de súbito” é um tanto batido. Se você tivesse suprimido esse lugar-comum, o efeito seria idêntico, dado o corte seco entre os parágrafos. “Mas a vida continuou”: a conjunção adversativa é igualmente desnecessária, pois você já tinha dito que o personagem não congelara, ou seja, já havia exposto a contradição com o restante do período.

    Você pode alegar que isso são minudências, detalhismo exagerado. Talvez. Mas, nos microcontos, o diabo está nos detalhes! De todo modo, parabéns pela proposta! Me fez refletir um bocado.

  3. andersondopradosilva
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    No contexto do desafio, tão somente, não gostei do microconto. Ele não me contou uma história, ao menos não sem mais esforço do que seria razoável esperar de um microconto. Também o julguei demasiado adjetivado e um tanto antiquado no uso da linguagem. Por fim, não me ficou claro o motivo das quebras de texto, da escrita em versos – me soou forma pela forma, algo de que não gosto (pra mim, a forma tem de se prestar a um fim minimamente claro). Acho que este micro corre o risco de soar mais poesia do que prosa.

  4. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Adoro microcontos devido à facilidade de leitura e à riqueza de interpretações possíveis.

    Li e reli, acabei chegando a uma conclusão bastante subjetiva. Imaginei o(a) protagonista enfrentando algum tipo de demência, Alzheimer, algo assim. Por isso, tudo congelou, tudo a sua volta paralisou, o tempo parou. A vida continuou. Sim, ele ou ela continuava vivo(a). A descoberta da praia – um oásis – é um dos poucos momentos em que recupera a lucidez e se lembra de tudo o que viveu. E por isso é tão triste. Sinceramente, acho que não foi bem isso que você quis transmitir, mas gostei dessa ideia, então…

    Outra interpretação possível pode ser um momento pós apocalipse, onde só ele(ou ela) sobreviveu. Depois de um período de amnésia, lembra-se das despedidas… alguém partiu ou morreu? Quem sabe a(o) próprio(a) protagonista?

    Acho que está dentro do tema proposto.

    Quanto à revisão, não encontrei grandes falhas, só não entendi o deslocamento nos parágrafos. Foi proposital?

    Gostei do exercício de imaginação que o seu texto me provocou.

    Parabéns pela participação e boa sorte!

  5. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Ótima sua descrição. Consegue transmitir bem a solidão do personagem. Deixa pontos abertos para reflexão, como todo bom micro conto deve ser. Merecia um conto maior e desenvolver o tema. Parabéns

  6. Priscila Pereira
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Tempus! Tudo bem?

    Eu vi o luto no seu micro. O tempo parou para todos, menos para ele, mas e se for ao contrário? Todos estão em movimento, mas é ele quem está congelado no tempo, revivendo infinitas vezes o que poderia ter sido e não foi, mas em algum momento, o luto se torna mais suportável, e as lembranças trazem um fechamento necessário, aí o tempo volta a passar para ele. A solidão, a melancolia, e um amor interrompido, mas eterno. Amei o micro! 💖

    Parabéns! Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  7. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    O tempo congelou de súbito, como as imagens, os lugares, as lembranças que foram sumindo aos poucos numa lenta transformação e de repente tudo pára. Poucas lembranças afloram à mente. O tempo nubla as ideias. Um dia encontrou um lugar de seu passado, onde esteva há anos e ali se sentia vivo e apaixonado, um lugar de encontros, mas também de despedida. Muito bom

  8. Nipar
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nipar

    Ótima sua descrição. Consegue transmitir bem a solidão do personagem. Deixa pontos abertos para reflexão, como todo bom micro conto deve ser. Merecia um conto maior e desenvolver o tema. Parabéns

  9. Kelly Hatanaka
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    O tempo para e o protagonista observa todas as cenas da vida e sente tudo. Cansa-se e, depois de muito tempo, encontra uma praia deserta e o vazio o faz se lembrar de tudo o que havia visto e, então, se comove.

    Este é um microconto muito bonito e poético, com imagens ricas. Porém, cadê a metamorfose?

    Entendo que houve uma mudança de estado. Ele passa de cansado para emocionado. Mas é uma passagem sutil, uma pequena mudança. Penso que numa situação como esta, de solidão e observação, muitas cosias poderiam mudar dentro da pessoa, grandes, significativas. Mas o que o conto mostra não é isso.

    Meu questionamento aqui não é sobre o tema. É só que, se a transformação fosse mais intensa, o texto ganharia força.

    Agora, uma coisa muito interessante e que exigiu bastante habilidade do autor é o formato do texto. Ele tem uma estrutura que lembra ondas no mar. Um pequeno movimento, mudanças que dão caminho a mais movimento, um movimento que recua, para que venha o novo e tudo isso dialoga lindamente com o conteúdo.

  10. Rangel
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rangel

    Olá, Tempus,

    Sua escrita é bastante poética e reflexiva. A repetição de palavras e dos fonemas T e V trazem uma ideia de que embora o tempo tenha parado, há algo cíclico nessa ausência de movimento. 

    Como sou um chatinho vou deixar uma observação: no segundo parágrafo é dito que ele observava tudo, incluindo as despedidas incompletas, mas no penúltimo parágrafo, após encontrar uma praia virgem, ele se lembra da despedida. Imagino que aqui ele tenha se lembrado de uma despedida específica (a morte, talvez?). Ainda assim me pareceu um descuido não intencional.

    Agora, sobre o final, quando o coração dispara, as ondas quebram. Pensei, se tudo estava parado, como as ondas quebraram? Será que o movimento retorna quando ele se recorda? Me lembrou um pouco a ideia reencarnacionista (re-viver). A praia virgem como esse novo corpo. O coração como o de um bebê que um dia dispara e então um novo movimento se reinicia. Me pareceu uma ideia muito bonita. Parabéns!

  11. toniluismc
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Tempus!

    O conto tem uma escrita fluida e uma atmosfera interessante; essa ideia do tempo congelado é sempre instigante. Mas aqui ela acaba soando meio batida, porque o texto não traz um olhar novo pra situação.

    A repetição do esquema “tudo ou nada” enfraquece o ritmo, e a tal “metamorfose” do personagem não convence, parece acontecer mais por força do tema do que por coerência interna. No fim, fica bonito de ler, mas um pouco vazio de sentido.

    De todo modo, parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  12. Léo Augusto Tarilonte Júnior
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Léo Augusto Tarilonte Júnior

    Achei seu microconto bastante interessante. O tema da metamorfose está bem claro na paralisia do mundo, que obviamente anteriormente estava em movimento. Sua ideia é bastante interessante. Ela nos leva a refletir sobre a solidão que vivemos hoje mesmo estando entre todas as pessoas. Me parece uma crítica a vida moderna onde vemos tudo pela tela do celular. Nessa cultura das postagens intermináveis de fotos de todos os lugares onde estamos. Um dia, encontrou uma praia virgem. Nenhuma viv’alma por perto, apenas uma naturezainfinita. Então se lembrou de tudo. Da despedida, das lágrimas. E também da companhia, dossorrisos, do calor.Nesse trecho acima eu trocaria apenas uma natureza por por apenas a natureza. Parabéns por este microconto bastante reflexivo e filosófico. Espero que minha pequena crítica ajude a melhorar de alguma forma a sua forma de escrever. Nos veremos futuramente em outros desafios.

  13. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gostei!!! Dá para sentir cada momento, cada emoção, como se estivesse junto com ele.

  14. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    ”despedidas incompletas” – amei.

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Informação

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026.