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Detox Literário.

Que nem bicho (Monarca)

O pai cambaleia. Sorri vermelho e moído, realizado. Quer mais. Entre sangue e dentes, cospe as malditas palavras:

— Bate que nem homem.

O filho obedece. E bate, bate, bate, cada vez menos homem, cada vez mais bicha.

6 comentários em “Que nem bicho (Monarca)

  1. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Excelente o seu microconto. Excelente porque consegue ser impactante em três linhas. Esse efeito é muito difícil de conseguir. Quando começamos a ler, não temos a menor ideia do que se tratava a briga. Só na última palavra entendemos. Na última palavra, forma-se um retrato de uma relação doentia, de um pai que detesta o filho pelo que ele é; de uma briga sem sentido que aprofunda as diferenças entre os dois. Quanto mais bate, mais bicha é. E mais e mais ficam iguais bichos, os dois, remetendo-se ao título. Uma crítica contundente a várias formas de relação familiar pautadas em preconceito, ignorância e desequilíbrio. Marcante! Gostei demais. Parabéns!

  2. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    Um microconto que nem precisou de muitas palavras para passar a sua contundente mensagem: o perigo de despertar o desumano em nós. Aqui, bicho é sinônimo de selvagem, bruto, avesso ao diálogo. Também a palavra bicho foi escolhida para fazer par com bicha. Palavras tão semelhantes e com significados tão distantes.

    “Bata como um homem” é um comando que já foi ouvido por muitos meninos, junto ao famigerado “Homem não chora”, levando alguns a crer que ser homem é sinônimo de insensível, covarde e bruto. Triste isso, mas ainda muito presente na nossa humanidade.

    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso. O sujeito sofreu uma (infeliz) metamorfose.

    Não encontrei falhas de revisão, somente muito sangue e indignação.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  3. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Um pai descobre que o filho é homossexual, fica indignado e o ofende com palavras que o ferem como lâminas incandescentes. O filho, sendo bicha, se transforma em bicho e dá uma surra no pai que não revida e fica satisfeito por ele mostrar aquele lado bruto. Acho que o contrário da narrativa, o filho mostra o lado selvagem que todo ser humano tem oculto. Muito bom, parabéns.

  4. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Gostei bastante do seu microponto. O tema da metamorfose está bem claro na homossexualidade do filho. Ele ficou bem curtinho, mas não ultrapassando o limite de palavras está valendo. A leitura nos leva a refletir imediatamente sobre o machismo e a homofobia. É uma temática bastante atual.

  5. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Aqui a violência e o peso da relação entre pai e filho me deixaram sem fôlego. É cruel, mas escrito de um jeito que não dá para parar de ler. Parabéns!

  6. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Muito, muito bom!
    Parabéns

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Informação

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026.