Clara entrou no quarto do tio Ubaldo sorrateiramente. Precisava roubar um dos seus livros. Iria provar aos primos que tinha coragem e podia brincar com eles, mais velhos.
O quarto cheirava a poeira e mofo, com a cama desarrumada e prateleiras repletas de livros antigos, até que um finalmente chamou a sua atenção.
Ao pegar e olhar a capa, viu uma ilustração de si mesma, mas com articulações extras, membros sinuosos e olhos que não eram olhos.
Ao deixar cair o livro, sentiu a coluna estalar em novos ângulos. Sem dor, ela apenas lembrou aquilo que sempre foi.
Senti falta apenas de saber quem ela sempre foi. Mas muito bom.
Ótima ideia Clara. Gostei da dinâmica. Final seco, fecha bem o conto. Apenas um detalhe me incomodou: na frase “O quarto cheirava a poeira e mofo, com a cama desarrumada e prateleiras repletas de livros antigos, até que um finalmente chamou a sua atenção” faltou a ligação entre as duas orações.
Gostei muito do seu micro conto. O tema da metamorfose aparece quando a personagem principal se transforma em sua versão verdadeira. O microconto trata também no autoconhecimento e do auto-reconhecimento muito interessante a ideia de que podemos nos auto reconhecer por meio dos livros.
Consegui sentir o espanto e o reconhecimento de quem Clara sempre foi.