Foi colocado em um canto, de cara na parede. Ah! Que vergonha ficar ali, no escanteio do mundo. Logo ele, centroavante de voleios curvos, agora reduzido a quadrado substituto.
No encontro das linhas, porém, fixou seu olhar. Convergiam, se uniam: dois rios desaguavam no oceano. Tomou a canoa e foi. Lá, na foz das almas, fincou o remo, ergueu cabana, arrumou um canto. Só dele.
A maré cobriu tudo, recuou. Cobriu e recuou mais uma vez. Então ele voltou, mesmo contra a corrente. Indagaram: quem é que vem? Irreconhecível. Os pássaros lhe faziam companhia. Ele assobiava. Todos cantavam.
Ante o evidente talento literário e poético de seu autor, eu queria ter gostado mais do microconto. Julguei o enredo vago e algumas construções não me fizeram sentido (por exemplo, o que significaria, o que seria um “quadrado substituto”?). Não obstante o evidente talento poético do autor, justamente esse poético me soou mal colocado (talvez encontrasse mais espaço na poesia do que na prosa, sobretudo a prosa de microcontos, os quais, na minha opinião, deveriam prezar pela objetividade e pelos fatos, ocupando eventual poesia papel secundário). Por fim, me desagradou o desfecho excessivamente açucarado e a superficialidade com que o tema metamorfose apareceu. Inicialmente, o protagonista me pareceu uma criança posta de castigo, depois o micro se dedicou a tantas abstrações que eu acabei sem saber mais que idade teria o personagem ou, mesmo, se isso seria relevante dado o excesso metáforas a ocuparem o texto.
Entendi uma metamorfose mais psíquica do que corpórea. Gostei
Seu microconto é interessante. O tema da metamorfose aparece no momento da transformação do personagem de goleiro em barqueiro. Confesso que fiquei um pouco confuso. Não entendi muito bem o que você quis transmitir por meio de seu microconto.
Achei bom! O texto transmite liberdade e pertencimento de forma marcante.