— Coelho.
— Dragão.
Ventos, minutos.
— Cavaleiro.
— Dragão.
Meses, solstícios.
— Virgem nua.
— Dragão.
Anos, amores.
— Dragão.
— Dragão, ora.
Guerras, décadas.
— Amantes enlaçados no leito.
— Hesitei, mas, hoje, dragão.
Vidas, nuvens; o crepúsculo recai nos rostos do mestre e do aprendiz, irreconhecíveis sob a marca do tempo.
— Homem desiludido. E dragão, dirás. Jovem, busquei-te para aprender a arte da metamorfose. Agora sou velho. Minha vida foi te ouvir ver dragões celestes. Em vão: o senhor não muda.
— Tens razão: digo dragão. Mas, perante a permuta contínua das nuvens, o que me restava, senão ver mudar, nelas, o mesmo dragão dentro de mim?
Gostei!
Fiquei preso à cadência e às repetições, e senti o tempo e a transformação junto com o texto.