Inclinou-se em direção a Catarina, boca sedenta, costas rangendo ao peso do tempo e destino. Ao toque, lábios explodiram, lábios assimétricamente explosivos, vida e morte – beijo que encerrava em si desejo impossível. Descerrou o véu daqueles olhos ocos que então miravam o vazio. Partiu. Um suspiro escapou do escarlate borrado pelo beijo. Simultâneo, o estrondo de um corpo que despencara, despido da alma que, a custo impossível, rumava à danação que do amor se corrompe. Do ventre, instantes atrás vazio, agora à luz era dado um algo. Não um alguém, mas a mistura infame do que outrora fora puro.
Olá, Nygaard! (Gosto de pesquisar o significado dos pseudônimos e o seu é um sobrenome escandinavo, interessante…) Tudo bem?
‼️Alerta de “possível” spoiler‼️
Nossa, que micro profundo! Conta uma história toda, com tão poucas palavras… vou te contar o que entendi e vc me fala se acertei, ok? Parece que um homem está abusando da Catarina, repetidas vezes, e ela prepara um “beijo explosivo” para ele, então ele morre envenenado, mas não antes de deixar uma “semente do mal” dentro dela. É isso?
As imagens que você criou são bem marcantes e impactantes. Uma história toda de terror, abuso e talvez algo sobrenatural no meio, escrita de forma tão suscinta, é bem difícil fazer isso e você fez muito bem! Parabéns
Boa sorte no desafio!
Até mais!
Bem poético, me senti em mistura entre significados e adjetivos.
A força das imagens e do beijo borrado me deixou sem fôlego.