Insônia castigando, viro o celular e me levanto. Piso frio fervendo. Sou engolido, despenco. Desmaio.
Acordo bidimensional, fino como asa de borboleta. Sons agudos, ar insuflado, odores plásticos. Perplexo. Informações perpassam por meu corpo. Escorrem para vizinhos desconhecidos. Totalmente conectado, em rede, nada absorvo, apenas processo.
Fervendo, me apagam. Volto ao trabalho. Tudo se repete.
Começo a perceber fragmentos. Injustiças, trapaças, negociatas, futilidades…
Travo. Interrompo o fluxo. Sou substituído.
Obsoleto, desfuncional, com vagas memórias, termino empilhado num lixão. Naturalmente.
Que força! Esse texto consegue transmitir exaustão e despersonalização de forma intensa; a escrita prende e provoca desconforto, no bom sentido.