Um, dois, três passos. Não vou chorar. Solto sua mão. Tenho medo de ficar sozinho… Viro para trás, lá está você, saia rendada, camisa branca. Coragem, você diz. No rosto jovem, os olhos marejados. Vai, Toninho, você incentiva, acenando de longe. E eu, engolindo o choro, mergulho corredor adentro.
Um, dois, três passos. É como um longo túnel.
Sentada, você se vira para trás. Camisola desbotada, o corpo que fenece. Perguntas transbordam pelos olhos. Sou eu, mãe, sussurro, segurando sua mão.
Um, dois, três passos, avançamos passadiço afora. Não quero ficar sozinho. Não chore, você diz. Não chore.
Olá, autor(a), tudo bem?
Há nítida metamorfose na relação entre filho e mãe. Primeiro, o filho não quer ficar sozinho, provavelmente na escolinha, mas a mãe o incentiva a seguir em frente. Anos mais tarde, o medo da separação ressurge, desta vez pela provável morte (ou esquecimento) da senhora que se apresenta envelhecida e talvez até seriamente doente (Alzheimer?). E a mãe continua a consolar o menino, já homem agora.
Não encontrei falhas de revisão. Linguagem limpa e belas construções.
Parabéns e boa sorte no desafio. Grande chance de ir para o pódio, hein?
QUE LINDO!! A metamorfose de feto para recém-nascido … LINDO!
Que sensibilidade! Esse texto realmente me tocou.