EntreContos

Detox Literário.

[EM] Loteria do Fim do Mundo (Davenir Viganon)

Não seja aquele garçom. Era o mantra que repetia há bastante tempo. Sempre que o pessoal do trabalho abria um bolão acumulado da loteria, no fim do ano, eu corria desesperadamente para participar. Não era uma questão de ter fé, apenas o medo de ser um novo “garçom mais azarado do mundo”. A história, que já virou lenda, conta que ele faltou um dia qualquer de serviço, no mesmo dia em que seus colegas fizeram um bolão. Todas as estrelas se alinharam, mas o garçom não estava alinhado com os astros. Ele teve de ver todos os seus colegas ganhando o prêmio. Apenas imagino o terror de ver seus colegas pedindo demissão. O primeiro dia no trabalho, depois de saber que era o único que tinha de continuar indo para continuar quitando seus boletos.

Imagino, também aquele chefe, tendo uma bruta dor de cabeça. Praticamente toda a equipe para contratar, apenas um infeliz garçom, sem ter o que servir. Nada em comparação a ver aqueles vários milionários, ex-colegas, sem nem se dar ao trabalho de assinar seu aviso, sumindo para o conforto. O motivo de sua falta, certamente o assombrará pela vida toda. A mim é apenas a perspectiva de ser o garçom. Então, reafirmo: Nunca seja aquele garçom!

*

Um belo dia, eu me tornei aquele garçom. Tive uma bruta caganeira e, meus colegas sabendo do meu grande medo, fizeram um bolão naquele fim de ano e não me convidaram, os filhos da puta. Os dias que se passaram foram do mais puro pavor. A sombra do garçom bafejou na minha nuca. Ofereci o dobro, o triplo, o quádruplo do valor da cota para alguns dos meus colegas e nada. A graça era me ver apavorado. Mas deus ajuda a quem cedo madruga.

Em um outro belo dia, acordei muito cedo, se é que posso chamar aquela noite de noite de sono. Deixei a televisão ligada naquele jornal modorrento da manhã, esperando que meu dia fosse iluminado e de certa forma, ele foi.

Aquela vinheta do plantão, interrompendo a propaganda meio, tem a capacidade de frear a cueca de qualquer corajoso. Antes da vinheta terminar, me perguntei: Uma bomba explodiu, matando centenas? Uma nova guerra, imagens de tanques avançando? Ok, agora Silvio Santos morreu? Antes fosse as três coisas juntas. Eram imagens de grandes naves circulares sobre o céu de grandes cidades do mundo: Nova Iorque, Paris, Cidade do México, Tóquio, Moscou, Nova Deli, Pequim, São Paulo e Borá (interior de São Paulo), entre outras. Esta última por engano, soubesse mais tarde, para tristeza do prefeito da cidade. Pensei que seria o fim do mundo, então, terminei meu café da manhã e fui trabalhar certo de que agora estava tão fodido quanto meus colegas, aqueles otários. Com o trânsito tranquilo, uma vez que a maioria achou que era feriado, fui trabalhar feliz. Regozijei no pensamento do canhão de partículas dos ETs dividindo todos os átomos daqueles imbecis ao meio. O meu também, mas com sorte eu veria eles sendo pulverizados antes de mim. No escritório, fui o primeiro a chegar. Liguei a televisão e continuei vendo a cobertura da chegada dos ETS, porém agora sem novidades. Parece que o jogo virou, não é? Nesta loteria do fim do mundo, ninguém fica de fora, igual ao garçom infeliz.

*

Minha alegria durou até perto do horário de almoço. Primeiramente porque nossa civilização, especialista em ferrar com a vida deste pobre contribuinte, ainda não fora varrida do mapa pelos recém chegados. Segundo, porque eu não havia trazido meu almoço. Esperava uma demonstração de força daqueles ETs cabeçudos. Eles ainda não haviam mostrado a cara, os safados, então a versão cabeçuda e magrinha dos ufologistas ainda estava valendo.

O pior estaria por vir.

– Jairo! Você madrugou aqui, inocente?!

– Não, eu cheguei no horário, como sempre, Edivaldo. – Estavam todos vivos demais para minha paciência.

– Ainda quer comprar minha cota no bolão?

– Enfia ela na bunda!

– Eita! Parece até que é o fim do mundo.

– Antes fosse. Espero que ainda dê tempo de vocês ganharem na loteria e morrer logo depois.

– Obrigado, otário. Desejo o mesmo para você, menos o prêmio.

– Enfia… – Parei e achei melhor não dar corda. É melhor parar de fingir que me importo com o bolão, porém até os ETs atirarem com seus canhões de laser, eu vou ter que fazer um lanche.

*

Gostaria que essa história terminasse aqui, mas além do almoço, tive de engolir o café da tarde e o jantar. As notícias continuaram a não informar nada, pelo simples fato de que não havia nada para informar, além do óbvio: eles, os ETs, não estavam fazendo nada. O dia seguinte veio e a ansiedade geral arrefeceu um pouco a cada dia. Logo, a cobertura extensa na televisão, viraram informes pela manhã, tarde, noite e madrugada. Enquanto os cientistas estavam de braços cruzados, sem nada a dizer. A única fonte de informação eram alguns sites que ainda tentavam divulgar algo com conteúdo. No meu celular, entrei em alguns grupos onde recebia algumas dicas do que poderia estar acontecendo. Um dos textos dizia que o fato dos cabeçudos possuirem naves em forma de disco era uma prova de que a Terra era plana, pois eram a única forma que seu alto conhecimento permitiu conceber uma nave foi no formato de seu “planeta”, porém o autor (não estava assinado) não conseguiu determinar se eles vieram de Marte e se lá era plano também. Já outro texto, também sem crédito, afirmava que o universo era como uma competição de frisbee, onde os “planetas” eram arremessados por Deus e que giravam em torno do Sol por causa do “Efeito Friesbee”. O nome se deve ao fato de este ser o primeiro texto apresentando a teoria. Um outro texto, afirmava que as naves discóides eram as unhas da tartaruga que segura o mundo, segundo uma filosofia oriental qualquer. Contudo, o autor não conseguiu bolar uma teoria, do porque uma tartaruga possuiria 23 unhas, muito menos porque uma dessas unhas sobrevoaria a pequena Borá, com seus quase 800 habitantes, por engano.

*

O pesadelo apocalíptico da população mundial, que resolveria meus problemas de relacionamento no trabalho, tonrou-se um pesadelo para mim. Depois de alguns dias, a população pareceu se acostumar às naves paradas nos céus das cidades mais atoladas de gente do planeta. O noticiário ficou cada vez mais frio. O aplicativo de mapas atualizou as naves como atrações turísticas. Áreas turísticas propagandeavam uma boa visão das naves. menos para Borá, que viu sua nave sair sem aviso, poucos dias depois de aparecer. Ficaram no prejuízo, uma vez que já tinham contratado um show do Sambô, que provavelmente não teria público. O disco foi parar em Chicago, onde já se reclamava a ausência de uma terceira nave nos Estados Unidos. Os ETs não comentaram o engano. Enquanto isso, o governo passou a data do sorteio para a semana seguinte. Garantia de mais uma semana de que o fantasma do garçom azarado rondaria minha longa vida pós-apocalipse fursutrado, em outras palavras, o novo normal.

Foi quando os rumores de comunicação dos ETs começaram a circular naqueles canais mentirosos da televisão. Já estava farto deles. Algumas notícias apareceram nos meus grupos. Desaparecimentos atribuídos aos ETs pipocavam, alguns se diziam novos profetas, incluindo um da cúpula governamental. Estes, obviamente, entrou em choque com os pastores da bancada evangélica. Eram os responsáveis imbuidos pelos governo federal para espantar o demônio dos fieis inadimplentes e desprotegidos. Fiquei emocionado com o testemunho intitulado “A chama do senhor me livrou do cativeiro dos ETs”, onde aprendi que eles não descem a terra firme, pois precisam possuir alguns corpos de membros da igreja para depois dominar o mundo.

Os ufologistas estavam mais preocupados em conectar monumentos da antiguidade clássica, com os discos parados no céu. Então, quando um gringo de cabelo loiro, começou a convencer o governo de que estava de fato em contato com os ETs, e que o nome da mídia (Senhores Supremos) não era muito do seu agrado, foi motivo de chacota de grande parte da internet. Esta não perdoa, meus amigos. Deus também, afinal o loiro maconheiro, não tinha nenhuma chaga de Cristo, como o pastor que queimou seus captores demoníaco-alienígenas.

Dias depois, no meu trabalho, fui esquentar meu almoço congelado no micro-ondas. Milagrosamente não havia fila. Logo entendi, pois todos combinaram de comer longe de mim.

– Que restaurante vocês encomendaram essas marmitas?

Edivaldo, logo tratou de limpar a boca suja de molho e explicou.

– Eu que te pergunto, porque não pediu comida pelo aplicativo? Tá uma delícia!

– Que aplicativo? Estou sem grana, mas se tivesse uma promoção podiam ter me avisado.

– Eu ia te mandar mensagem ontem, mas achei que tinha visto na televisão. Um aplicativo que entrega refeições, de grátis, que saem para entrega direto da nave dos ETs! Pelo visto você não baixou.

– Vocês estão malucos? Isso pode estar contaminado! Vocês sabiam?

– Porque eles fariam isso, podiam ter jogado um raio na nossa cabeça há duas semanas?

– Não existe almoço grátis, seus panacas. Eles vão cobrar de alguma forma. Com seus corpos, ou, pior ainda, com suas almas!

Antes de caírem na risada, houve um segundo de silêncio em que achei que seria ouvido.

Restou a raiva que joguei na lasanha do almoço, quase quebrou o garfo. Precisou de mais quatro minutos no micro-ondas.

*

A economia estava em colapso, o mercado financeiro estava apavorado. O ministro da viu a expectativa de vida subir exponencialmente depois das notícias de um hospital, montado pelos ETs, onde os doentes saiam completamente curados de lá, até de câncer. As ações das farmacêuticas falindo já colocariam o mercado em polvorosa. Para piorar, havia os almoços sendo servidos grátis. O absurdo chegou a fazer com que os motoboys também não precisassem trabalhar mais, pois agora eram servidos. Os pastores ainda conseguiram preservar alguma parte do rebanho, perdida para os demônios, mas a perda de fiéis era significativa.

A mamata patrocinada pelos ETs não parou por aí. Abrigos aos sem-teto, aquecedores para as regiões frias do planeta – que é plano, não se esqueçam – , e o sistema de entrega de comida, que provavelmente estava contaminada com algo que dominava as pessoas. Era o caos. Os governos não faziam muita coisa. Afinal, estavam economizando horrores com hospitais e qualquer outro auxílio emergencial que prestavam.

O Brasil ainda se mantinha firme e forte. Foram usados muitos recursos com propaganda, aplicados para disseminar a verdade sobre esses “ETs”, com aspas mesmo, pois o cheiro de enganação era evidente. Só quem está alienado, com a barriga cheia de mortadela defumada e quer viver na preguiça não percebeu. Os tais aliens são comunistas! CO-MU-NIS-TAS, entenderam? As semelhanças no modo de agir estão claras e patentes. Só não vê quem não quer. Já mobilizei alguns grupos e marquei um protesto contra esses comunas e talvez devemos usar a força bruta. Em breve o Brasil ia tremer com os cidadãos de bem, contra esse disparate.

*

Ao menos não nos forçaram a ir com eles. Os comunistas pareciam satisfeitos com a quantidade que levaram. Todos foram atraídos para aquelas naves brilhantes. Várias outras apareceram para dar conta de tantos que foram cooptados a ir com eles. Como disse, para um valoroso grupo de bravos:

– Pareciam mariposas voando para aquela armadilha elétrica. Meu otimismo não arrefeceu, tampouco permitiu lamentar-me, pois no fim das contas ficaram apenas os fortes e os bravos que não sucumbiram ao comunismo. O mundo ficou vazio, alguns disseram. Eu digo que está cheio de bravos e puros. Vamos reconstruir e repovoar a Terra, quando acharmos uma mulher por aqui. Pela pátria, por Deus e pela Liberdade!

Os exatos trinta e sete presentes no protesto, marcado antes dos comunas irem embora, vibraram com meu discurso. Mais por dentro do que por fora, verdade, mas eu enxergava um futuro brilhante. Agora, era irmos todos para Brasília, encontrar o presidente que certamente nos aguardava. E é assim que decidi sair em expedição, destinado a não ser o garçom da loteria. Não ser mais um medroso e fazer minha própria sorte.

*

O presidente deve estar em um bunker, muito bem protegido, conduzindo o país em um gabinete de crise. Não o encontramos na cadeira presidencial e nem em nenhum lugar em Brasília. Confesso que isso abalou um pouco o moral dos bravos e puros, que ainda me acompanhavam, após semanas de caminhada.

Subimos a rampa do planalto. Naquele momento, vem do céu, uma outra nave, em forma cilíndrica, cheia de saliências que pareciam armas. Estava parado e planando na nossa frente. Um holofote azul ilumina o fim de tarde. Será que era uma arma secreta do presidente? Ou seriam os ETs de verdade, não os comunistas, mas os que vieram nos salvar dos vermelhos? Um arrebatamento dos justos e puros, só pode! Difícil saber ao certo sem verificar o grupo no celular. As armas eram um bom sinal.

Uma nova luz sai do meio da nave. Estava pronto para o arrebatamento. Não entendi o motivo dos outros começarem a correr, até aquela luz da nave ficar quente demais.

27 comentários em “[EM] Loteria do Fim do Mundo (Davenir Viganon)

  1. Ana Carolina Machado
    12 de junho de 2021

    Oiiii. Abaixo falarei um pouco mais dos seguintes elementos:
    Ambientação: A ambientação se passa em um ambiente cotidiano que se ver diante de uma invasão alienígena.
    Enredo: A história acompanha um garçom que morria de medo de ser excluído do bolão e ser o único a não ficar milionário entre os colegas de trabalho, mas ocorre uma invasão alienígena e ele ver nesse acontecimento uma forma de se livrar dos colegas que não o chamaram para o bolão. Porém os aliens se mostram muito diferente do que ele esperava e no fim ele virou o garçom da história, pois uma parte da humanidade foi com os aliens e ele ficou na Terra que provavelmente ia ser destruída pela nave que apareceu no final.
    Escrita: A escrita é boa e tem um tom bem do cotidiano.
    Considerações finais: É um conto criativo que apresentou um tipo de alien muito pacífico, que além de não fazer mal ainda construía abrigos e dava comida. Acho que o protagonista começou a criar raiva dos ets no momento em que eles não fizeram o que ele esperava.

    Boa sorte no desafio!

  2. Bruno Raposa
    12 de junho de 2021

    Ambientação: Boa. A princípio é apenas o nosso mundo sofrendo com uma invasão alienígena. Depois vem as consequências dessa invasão. E aí as coisas ficam um pouco confusas. São muitas informações sendo jogadas, a narrativa acelera bastante no último terço e nem sempre dá pra entender as novas configurações do cenário. Esse problema é atenuado pela atmosfera cômica, absurda. Não chega a comprometer, mas gostaria de ver o mundo sendo construído de forma mais coesa.

    Enredo: Gosto muito da mistura de FC com comédia e gosto particularmente quando o enredo abraça o absurdo. Logo, sou exatamente o público-alvo desse texto aqui, rs. Gostei da ideia, da escalada de acontecimentos, da sátira ao mundo atual e, particularmente, ao nosso momento político. O problema é que faltou equilíbrio. O início do texto é mais lento, construindo o personagem e seu cotidiano. O que é um ponto positivo. Mas, talvez justamente por esse início mais cadenciado, do meio pro fim o texto acelera muito, tornando a jornada um pouco confusa. A transição do personagem pareceu um tanto brusca. De início ele é meio ranzinza, mas nada que indique que se tornaria o que se tornou. Não vejo problemas com a transformação, mas creio que ela foi um pouco abrupta. Como o narrador morre no fim, talvez fosse mais interessante que o texto se passasse no presente. Ou ao menos que o fim fosse no presente, em forma de epílogo, talvez. O curioso é que o último parágrafo começa assim, mas logo retorna ao passado, num erro de variação temporal. Então não sei bem qual era sua intenção com ele. De toda forma, ficou estranho ver a narração no passado de alguém que está morto no presente, sem nenhuma justificativa. Apesar dessa críticas, eu gostei do enredo, achei divertido, tem umas sacadas muito legais. Até por ter gostado é que gostaria de vê-lo um pouco melhor estruturado.

    Escrita: O calcanhar de Aquiles do conto. Passaram muitos erros de revisão, até mesmo uma palavra faltando, um “ministro da” que não se completa. Também algumas repetições que incomodaram. Logo no primeiro parágrafo tem um “tinha de continuar indo para continuar quitando” que salta aos olhos. Algumas frases soam estranhas, precisei ler mais de uma vez para apreender o significado exato. Mas não parece falta de habilidade do autor, a narrativa é segura na maior parte do tempo. Ficou mais uma sensação de pressa, de falta de uma revisão mais acurada. Uma pena, mas a escrita fica um degrau abaixo do enredo.

    Considerações gerais: É bom conto, ainda que um tanto irregular. Se destaca pela inventividade e pelo ar cômico – um diferencial no desafio. O resultado final ficou um pouco abaixo do que poderia, mas o saldo final é bastante positivo. Gostaria de ver essa ideia desenvolvida com mais calma, talvez mais espaço. Mas foi uma leitura prazerosa, divertida. Fica entre meus favoritos.

    Desejo sorte no desafio.

    Abraço.

  3. Fabio D'Oliveira
    12 de junho de 2021

    O medo do garçom é tão real. Eu entendo ele, hahaha.

    AMBIENTAÇÃO

    Eficiente.

    É retratado numa realidade próxima da nossa. Não existe a ambientação de cenários específicos, mas sim num aspecto macro, focando sempre nos alienígenas. Não entrega muitos detalhes, nem é desenvolvido com mais atenção, porém, serve a proposta do conto.

    ENREDO

    Bom.

    É uma história legal, mesmo seguindo um humor que não costumo gostar muito. Escrachado e exagerado, meio clichê (dado a situação atual, o pessoal adora escrever textos com essa temática, criticando a polarização política atual e afins).

    Eu gostei mais da primeira parte, antes de entrar na questão dos alienígenas-comunistas, principalmente pela coerência apresentada nessa parte. Depois, tudo desanda e não adianta pensar muito.

    ESCRITA

    Madura.

    Não encontrei grandes erros. A narrativa se desenvolve tranquilamente, sem entraves, mostrando que o autor tem domínio sobre a arte da escrita. Não tenho do que reclamar sobre esse quesito. Foi uma leitura agradável.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    É um bom conto.

    Não me cativou, infelizmente, mas comédia é assim mesmo. Sempre depende da pessoa. Conto bem escrito, está entre os melhores, de certeza.

    Parabéns!

  4. Victor O. de Faria
    10 de junho de 2021

    Ambientação: Um “Fim da Infância” às avessas. Gostei! Alguém tentou emular o Fabio Baptista aqui. Tem um jeitão de texto mais mundano, caricato, bem humorado. Parece quem não gosta de futebol em dia de Copa – fica sozinho, isolado, trabalhando numa praça e num prédio vazio (aconteceu comigo). Muito bem representado!

    Enredo: Uma comédia/drama de alto nível. As peripécias convencem.

    Escrita: Notei apenas algumas vírgulas fora de lugar e certas palavras escritas de forma errada, mas nada que uma boa revisão não resolva. Também achei meio inconstante a troca de tempos verbais do passado para o presente, o tempo todo. Tirando isso, foi bem competente.

    Considerações gerais: Estava um pouco cansado dos textos sérios e melancólicos. Estava fazendo falta a boa e velha comédia da vida cotidiana. Não que fim de mundo possa ser esperançoso, mas é possível, com bastante criatividade. Ando cansado desses sci-fi depressivos. Como faz falta um Arthur Clarke e seus contos otimistas!

    (Obs. essencial: não leio os outros comentários antes de comentar).

  5. Nelson Freiria
    8 de junho de 2021

    Ambientação: ficção científica contemporânea, fez lembrar Independence Day em sua forma visual com as naves sobre as capitais e a arma no final. A ambientação do conto é brasileiríssima.

    Escrita: mto bem adaptada a proposta do conto e do personagem. Fiquei pensando que esse conto não teria o potencial que tem se tivesse usado terceira pessoa para narrar. Há uns errinhos que me fizeram tropeçar, dar aquela paradinha e retomar a leitura.

    Enredo: uma mistura de comédia em forma de sátira e coisas sem noção de absurdas numa salada tropical. Interessante e bem-vinda a temática do desafio. O protagonista é desenvolvido de forma limitada propositadamente, ele é o exemplo do tiozão negacionista dos grupos de zap. O conto não entrega em suas primeiras linhas a que veio, mas quando isso acontece ele não perde o tom de humor, não se torna mais sério, apenas vai descambando em situações cada vez mais absurdas enquanto cria um conjunto de críticas sobre nossa atualidade. Há um peso maior sobre elas diante da situação atual de crise sanitária, a intenção desse enredo é entreter, divertir e fazer pensar. Creio que deu certo, mas humor é algo bem relativo pelo que pude constatar pelo desafio de comédia do EntreContos. Confesso que não dei mta risada, mas como dizia o poeta “o importante é aquilo que importa”.
    Há algumas questões que faz parar pensar, tipo ele não comer da própria cozinha ou então suas ações em relação ao trabalho após a chegada das naves, mas são coisas contornáveis, o que realmente me incomodou foi a falta de cola entre as naves estarem lá paradas não fazendo nada num instante e no outro já existe um app para pegar comida grátis e só o narrador achar isso esquisito, como se ele não fosse o lunático dentro da história.

    Ambientações gerais: o conto tem humor, o que tá sendo raro nesse desafio, só por isso acaba chamando um pouco de atenção, pois já li tanto sobre meteoro a essa altura, que qnd paro para pensar nas leituras, é mais fácil lembrar dessa. Conversar com a atualidade é mto bom para a ficção científica, eu gosto, apesar de preferir um tom um pouco mais científico. Nessa questão o conto não apresenta preocupação alguma e mesmo assim sua proposta é bem válida, mas com relação a fim de mundo, achei que ficou um pouco sutil.
    Apesar de haver um posicionamento político nas entrelinhas, o texto me deixou meio sem entender se o “comunismo alienígena” também está sendo criticado ou se a capacidade cognitiva do narrador me impede de saber tais detalhes, já que ele desconhece qualquer teoria político-econômica. Como as soluções entregues aos problemas humanos são feitas de forma quase mágica, pensei que isso poderia ser uma crítica tbm. Afinal, é assim que o narrador-personagem enxerga as benfeitorias alienígenas. Enfim, não dá para confiar em personagens negacionistas kkkk.

  6. Natália Koren
    7 de junho de 2021

    – Ambientação: Um cenário atual e familiar, o que dá uma atmosfera quase de crônica no início do texto. Com a narrativa em primeira pessoa, vemos os acontecimentos através da lente do protagonista e sua visão de mundo.
    – Enredo: Uma invasão alienígena com tons de absurdo, que na verdade serve como pano de fundo para outra história: o desenvolvimento desse personagem obtuso e sua perspectiva limitada das coisas. Acompanhamos seus pensamentos, desejos e atitudes em relação a essa situação, sem necessariamente termos (ou precisarmos) de uma explicação maior do que está realmente acontecendo em volta. Mesmo assim, fiquei intrigada para entender o que iria acontecer com os ETs, quais seriam as suas intenções, até entender que o conto não era sobre isso. E depois senti que não fez falta uma grande explicação, quando o personagem simplesmente se volta para as próprias ideias e perde um pouco a noção clara do que está acontecendo. Achei uma evolução muito condizente com o que estamos vendo e vivendo atualmente.
    – Escrita: Clara e simples, com toques de ironia que me lembram um pouco Luis Fernando Veríssimo (pode ser pelo clima geral de crônica). Gosto da transição entre a descrição dos acontecimento e a interpretação que o protagonista dá a eles. Tem uns poucos errinhos que escaparam à revisão, mas nenhum gritante.
    – Considerações Gerias: Um conto que não é pra todos, tanto em formato quanto em ideias e posicionamentos. Eu, particularmente, adorei. Gosto do absurdo, gosto das reflexões, gosto da ironia, gosto da subversão de valores e até das lacunas deixadas. Não acho que precise entregar nada mastigadinho. Parabéns!

  7. jeff A Silva
    31 de maio de 2021

    Olá caro autor ou autora.

    Ambientação: Um ponto positivo é essa ambientação tão próxima da realidade. Com tudo caminhando pelas desventuras do garçom azarado.

    Enredo: Estou sendo sincero ao dizer que com certeza esse tipo de texto não é pra mim. Comédias (mesmo criativas) como essa não fazem meu estilo. Então isso é tudo que posso dizer sobre o enredo

    Escrita: Não encontrei erros que interferissem no andamento da leitura.

    Considerações gerais: É um texto criativo e fora da caixinha (dado o tema previsto) com uma escrita leve e informal. Foge bastante do esperado de um fim de mundo, mas é aí que ganha pontos positivos. Um ponto negativo é a respeito de seu tamanho (um tanto longo para mim)

    Parabéns pelo trabalho e sorte pra você.

  8. Dayanne de Lima Pinheiro
    23 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO: uma sátira bem humorada dos nossos tempos, com “ET’s comunistas” nos salvando de nós mesmos. Adorei, diga-se de passagem!

    ENREDO: de um fino humor, me fez lembrar muito o estilo de Luís Fernando Veríssimo. É uma sátira muito ácida e bem conduzida, com um protagonista e um conflito bem desenvolvidos. Bom ritmo, não se perdeu em devaneios e pormenores.

    ESCRITA: muito bem conduzida, o texto dividido em pequenos trechos deu fluidez à leitura.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS: esse texto até agora foi o que mais me fez rir e o que mais gostei. Um apocalipse à brasileira! Excelente!!! “Iremos reconstruir a humanidade – assim que encontrarmos alguma mulher” Foi o auge! Parabéns, autor!

  9. Fheluany Nogueira
    21 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO
    A atualidade cotidiana é retratada e, quando ocorre a invasão de naves espaciais, fi ca iminente o fim-do-mundo.

    ENREDO –
    Um tipo de comédia de urdidura simples, mas de intensa movimentação, em que um garçom se envolve em cenas típicas de manhas, subtilezas, explorando motivos de riso fácil e gosto discutível; sarcasmo contra tudo e todos.

    ESCRITA –
    O texto merece uma revisão, nada que prejudique a compreensão. O texto em primeira pessoa e linguagem próxima à fala aproxima autor e leitor.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS –

    A premissa é interessante, bem-humorada, mas provoca uma certa estranheza. O conto tem alguns cortes abruptos e somos jogados de uma cena para outra, o que o torna um pouco confuso. Admiro a iniciativa de buscar o novo, mas receio que me perdi um pouco em alguns momentos. Essas partes ficaram na suposição, pelo contexto, mas quebrando o fluxo natural da leitura.

  10. Ângelo Rosa de Lima
    19 de maio de 2021

    Ambientação: Bem executada no início e se perdeu pro final
    Enredo: Quando o protagonista para de se preocupar com a loteria e tudo muda pra ser um panfleto anti-bolsonarista, há uma quebra de expectativa pra pior.
    Escrita; Perfeita e bem executada, ponto forte do texto.
    Comentários adicionais: Nota 9+ pois nos deixa presos do início ao fim, tem ficção científica, tem duas raças de alienígenas se aproximando da Terra; é um bom conto.

  11. ANDERSON APARECIDA DA CONCEIÇÃO ROBERTO
    17 de maio de 2021

    Ambientação: sair da mesmice e do pensamento da maioria, de que aliens chegariam sempre ao mesmo lugar é o melhor! A cidade de Borá deve ter ficado satisfeita de ter sido lembrada.

    Enredo: o contraponto do sofrimento e pensamento do garçom com a chegada dos aliens estava muito interessante até antes do final, só que a partir daí ficou muito partidário.

    Escrita: os textos com uma linguagem informal e simples dão a tônica de uma leitura clara e inteligente.

    Considerações gerais: o fim poderia ser alterado, de forma a mostrar com mais clareza o impacto que os aliens teriam na vida do garçom, mas isto é somente uma sugestão.

  12. Jorge Santos
    16 de maio de 2021

    Ambientação:

    Mais uma invasão alienígena que primeiro corre bem, depois começa a correr mal. Nítida alegoria ao governo de um determinado país da América do Sul cujo nome começa por B e acaba em L.

    Enredo:

    A trama é lenta e confusa. Anda sempre à volta dos mesmos temas e faz com que a leitura não seja fluída.

    Escrita:

    Razoável. Poderia ter sido simplificada de forma a aumentar a fluídez.

    Considerações gerais:

    Texto sem grandes ideias, que cai no lugar-comum das invasões alienígenas, não trazendo nada de novo. O final é confuso.

  13. Alessandra Cotting Baracho
    13 de maio de 2021

    Ambientação: A terra co.o cenário de uma invasão alienígena. Gostei do cenário interiorano cono palco para os acontecimentos.

    Enredo: O enredo é interessante e foge dos clichês. Gostei do narrador ser o Garçom, O que apresenta uma visão difusa da história.

    Escrita: Fluida, apesar de simples. A forma como as ações são relatadas aproxima o leitor dando verossimelhanca à narrativa.

    Considerações finais: Gostei bastante. A dualidade entre a simplicidade e o absurdo me cativa.

  14. davenirviganon
    8 de maio de 2021

    [EM] Loteria do Fim do Mundo (Garçom)

    Ambientação=Nosso mundo, invadido por naves alienígenas. Algo como o Fim da Infância do Arthur C. Clarke.

    Enredo= Um trabalhador comum que alimenta as próprias paranoias. Antes dos ETs, com o medo de ser o único a não ser sorteado num bolão da Mega da Virada, e depois, quando os ETs chegam pacificamente e ele alimenta a paranoia anticomunista, não desconfiando apenas quando encontra algo que se alinha com sua ideologia.

    Escrita= Simples, direta e eficiente. Relato em primeira pessoa, na qual podemos duvidar do seu relato e, no fim das contas, é a única visão que temos desse mundo.

    Considerações gerais= Gostei das críticas, pois obviamente esse carinha paranoico vê comunismo (na visão mais tosca possível) uma ameaça em todas as dimensões. Deve ser um cara muito difícil de dialogar. A escrita é fluida mas não tão fluida, devido a erros de digitação, mas que não fazem perder a leveza do texto que é claramente cômico. Pois os ETs pacíficos foram desprezados por ele, enquanto os ETs predadores, foram confundidos com um arrebatamento divino.

  15. Luis Fernando Amancio
    7 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO
    O Brasil atual, com a adição de naves extraterrestres nas mais importantes cidades do planeta, dentre elas Borá, no interior paulista.
    ENREDO
    Garçom narrador não participa do bolão da loteria de seus colegas. Teme ficar de fora da partilha de um bilhete premiado. Quando os noticiários anunciam a chegada de naves alienígenas ao redor do planeta, ele se sente melhor: sem mundo, não haverá vantagens em ser milionário. Só que os ETs agem de forma inesperada, não destroem o planeta, e nosso garçom se vê diante da temida ameaça comunista.
    ESCRITA
    Envolvente. O autor escolhe um modelo simples e seguro: a narração em primeira pessoa no clássico formato “relato”. A ironia do personagem narrador é um fio condutor que seduz o leitor. Mas há problemas, que trabalharei no próximo tópico. O texto merece uma revisão, nada que prejudique a leitura.
    CONSIDERAÇÕES GERAIS
    A ideia do texto é muito boa. Ele é leve e crítico. Ficção especulativa não pode ser só especulação: é importante que, em suas alegorias, a gente perceba o nosso mundo na fantasia. Nisso, o texto é pródigo. Parabéns ao autor pela criatividade e pela escrita afiada.
    Como eu disse acima, o formato de narração é um clássico, simples e eficaz. Mas quando o texto propõe mostrar a transformação do personagem, que vai ficando paranoico e se torna, de fato, “o garçom da loteria do fim do mundo”, isso fica um pouco mais complexo. Na minha opinião, houve uma falha aqui: a mudança é brusca. Não há muita progressão nessa “escalada da paranoia”. Também acredito que o ritmo do texto se perde um pouco no final. Da falta de ação, os Ovnis, de repente, já estão com hospitais, entrega de comida e todo tipo de “serviço assistencialista”. Creio que a parte final ficou um pouco descompensada.
    Ainda assim, um texto que parece ser superior à maioria dos concorrentes. Parabéns!

  16. Anderson Prado
    5 de maio de 2021

    Ambientação: É boa, desde que ressalvado que o autor optou por ambientar seu conto no cotidiano, sem pirotecnias científicas ou fantásticas (as naves são descritas de passagem).

    Enredo: O enredo é divertido, mas o humor me soou escrachado demais em alguns momentos (comédia pastelão). Prefiro um humor sutil, sagaz, espirituoso. A sátira aqui me pareceu excessiva.

    O autor optou por tecer críticas à religião e à política. Para criticar a segunda, parece ter empregado uma metáfora. Pois bem, essa metáfora me escapou, prejudicando meu entendimento (portanto, pode ter sido apenas burrice minha). Porém, quando se escreve uma sátira, corre-se o risco do leitor desconhecer o elemento satirizado (hipótese em que o texto se torna, para aquele leitor, despropositado).

    O agir completamente errático dos alienígenas também me criou uma enorme confusão. Oferecer comida gratuitamente por um aplicativo? Como assim? Seriam as naves alienígenas o elemento “estrangeiro”, “estranho”, “exótico”, “desconhecido”? Seriam as teorias comunistas, por exemplo? Ou sociais-democratas? Assistencialistas? Seriam as naves metáforas? Mas metáforas do quê? (O comunismo é um conceito ultrapassado, fracassado e completamente estranho à natureza humana. Os homens são desiguais e como tais devem ser tratados. Uma coisa é amparar os desfavorecidos; outra coisa totalmente diferente é tentar igualar desiguais.) Pois bem, se os alienígenas ofereciam comida indiscriminadamente, eles representavam uma ideia bem simplória de igualdade. Enfim, essas divagações só servem para ilustrar o quanto eu não entendi esse texto, o quanto ele me escapou e o quanto eu vou precisar relê-lo. Vários dos entrecontistas são mais inteligentes ou melhor formados do que eu. Então, depois vou querer também ler os comentários dos demais colegas para tentar me ambientar neste conto.

    Outra coisa, o que aconteceu no desfecho? O narrador em primeira pessoa foi “fritado”? Então quem foi que me narrou a história? Textos em primeira pessoa narrados por defuntos têm de ser muito bem pensados, sob pena de serem rejeitados por alguns leitores. Exemplo de textos de narradores defuntos bem bolados: “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “O Coronel e o Lobisomem”.

    Escrita: É boa, porém o texto merece revisão atenta, já que erros tolos escaparam (por exemplo, há um bom número de sujeitos separados de seus predicados por vírgulas).

    Considerações gerais: Apesar do estranhamento que o enredo me causou, foi uma leitura agradável, fluida. O senso de humor, a divisão em capítulos, os capítulos curtos, a presença de alguns diálogos e a escrita de boa qualidade tornaram a leitura bastante prazerosa. Nota 9,9.

  17. Kelly Hatanaka
    5 de maio de 2021

    Ambientação:
    Excelente. É o nosso mundo, cotidiano. A vida de uma pessoa como qualquer outra, que trabalha em um escritório como qualquer outro e enxerga, na chegada dos ETs a possibilidade de um fim que não parece tão ruim. Um fim com cara de vingança. Mas, que coisa, os ETs não se portam como deveriam. Muito fácil de visualizar e de entrar na história.

    Enredo:
    Um homem comum vê a chegada dos ETs com expectativas de que tragam um fim a seus problemas. Mas os ETs não agem como ETs normais. São suspeitos, fazem boas ações. Neste mundo aqui? Ah, claro que só podem estar tramando algo, esses comunistas!
    É muito fácil se colocar na pele do protagonista e entender suas ações. É tudo muito bem desenvolvido e coerente.

    Escrita:
    Escrita segura, clara e que conduz o leitor com tranquilidade. Fui seguindo a narrativa, completamente imersa na história. As ironias finas, sobre almoços grátis, as igrejas e a conclusão de que os ETs eram comunistas, foram excelentes, e muito bem utilizadas, sem pesar a mão.

    Considerações gerais:
    Adorei! Tudo. A abertura, o desenvolvimento e o final. Tudo muito bem amarrado, coeso, claro, correto. Uma leitura

    • Kelly Hatanaka
      5 de maio de 2021

      A última frase do meu comentário ficou cortada. O certo é:
      Uma leitura divertida e, ao mesmo tempo, muito crítica, o que não é nada fácil de obter. Parabéns!

  18. opedropaulo
    4 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO: É o nosso mundo, ele ainda não acabou, mas é aí que está: é iminente. E isso é parte do que faz do texto tão instigante.

    ENREDO: Achei que duas histórias seguiram paralelas e com arcos bem fechados aqui: por um lado, há o protagonista em seu constante esforço para manter seu orgulho de que nunca será o deixado para trás e que sairá por cima; por outro lado, há a invasão dos alienígenas cujos intentos não se esclarecem de imediato. Há a forte sugestão de uma analogia que pinta o conto de uma ironia gostosa de saborear, especialmente por aludir a um contexto próximo que, embora trágico, também tem a sua comicidade. Nesse sentido, se há duas histórias que cativam, o texto se fortalece pela mensagem que quer passar, em sua crítica ao quixotesco.

    ESCRITA: É acertada na escolha de palavras e na forma como é narrada, com um uso desinibido da primeira pessoa que empresta ao conto leveza e bom-humor, nos fazendo acompanhar com interesse e até simpatia a trajetória sofrida do protagonista negacionista. Entretanto, há vírgulas em excesso e frases que poderiam ter sido construídas de modo que fluíssem melhor, aspectos que atrapalham a leitura.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS: Duas histórias, uma mensagem, escrita agradável e tudo em comunhão com o que propõe o tema. Há melhoras a serem feitas, é claro, sobretudo na escrita e, talvez, na dimensão mais apocalítica que o conto poderia ter tomado, dado o que propõe o tema. Apesar disso, não achou que a temática ficou abandonada, só poderia ter sido mais presente.

    Boa sorte!

  19. Marcia Dias
    3 de maio de 2021

    Ambientação: Aparições de naves que invadem nossa vida HOJE são uma ótima ideia! Gostei bastante!

    Enredo: Pegando a carona do Danilo Heitor, também achei que talvez tenha trama demais para o pouco espaço do conto. Você poderia desenvolver uma delas para aproveitarmos melhor sua viagem, que é muito engraçada. Dei risadas também. Mas de fato, achei o enredo um pouco confuso e truncado por essa falta de coesão(?) na costura das tramas.

    Escrita: Precisa de revisões gramaticais (pontuação, repetição). Isso pode atrapalhar a fluidez da leitura.

    Considerações gerais: Não acho que deve ser fácil misturar os tons de ironia e catástrofes. A sua escolha foi desafiadora! Parabéns pela ousadia!

  20. antoniosbatista
    3 de maio de 2021

    Ambientação= Gostei da forma como os alienígenas chegaram aparentemente amigáveis e depois se tornaram hostis. As descrições foram perfeitas, criaram uma atmosfera de suspense.

    Enredo= Mistura de Humor e Ficção Científica. Não é ruim, também não é nada espetacular, original, diferente. Existem muitos filmes de FC com o Gênero Humor, inclusive adaptados de livros.

    Escrita= Boa, mas algumas falhas passaram na revisão.

    Considerações Gerais= Achei um conto médio, uma sátira. Acho temerário quando Humor não é o tema principal, quando compete com dramas carregados de emoções.

  21. Thiago de Castro
    2 de maio de 2021

    Ambientação: Nosso mundo sendo sondado por Et’s pelo ponto de vista de um garçom ressentido. Quando feita pelos olhos do personagem, a ambientação não pode fugir muito de suas características, pela sua forma de enxergar o mundo, o que é um ponto positivo do texto.

    Enredo: Cômico, bastante antenado e cheio de ironia. Você construiu um caminho que, apesar de linear, é gostoso de atravessar. Era como se estivesse assistindo o filme A Chegada, mas de outro ponto de vista. O final é ótimo, pois o garçom vê os amigos partindo, felizes e abastecidos, enquanto ele é fulminado pelo aliens. Perdeu na loteria duas vezes.

    Escrita: Muito boa! Estilo despojado, como disse, respeitando o personagem que conta a história. O texto tem um jeito de crônica e os cortes, encurtando as partes, torna o drama, que é simples, bem econômico e direto naquilo que quer contar.

    Considerações finais:

    Não sei mais o que dizer, gostei de praticamente tudo por aqui. Conto leve, direto no ponto, boas sacadas políticas e críticas sem didatismos ou panlfetarismo. Quando percebi, cheguei ao final sorrindo. Parabéns, camarada!

  22. Danilo Heitor
    2 de maio de 2021

    Ambientação: boa, o mundo é o nosso aqui mesmo, inclusive com as questões políticas de atualmente.

    Enredo: eu gostei, mas achei que tem coisa demais. São praticamente 3 conflitos se desenrolando (a loteria, os ETs e depois a questão política), e a ligação entre eles foi um pouco forçada em alguns momentos. Alguns não se desenrolaram tão bem, o da loteria principalmente. O mundo pós-chegada dos ETs também ficou um pouco confuso. Gostei do final.

    Escrita: alguns problemas de vírgula e de repetição de palavras, mas, no geral, muito bem escrito!

    Considerações gerais: ri demais com a nave em Borá por engano, hahahaha. Tem algumas ironias também muito boas. Acho só que a história poderia estar um pouquinho melhor organizada e, talvez, centrar em um conflito só.

  23. Ana Caroline de Arimathea
    2 de maio de 2021

    Ambientação: Muito boa, da pra se imaginar neste mundo

    Enredo : Achei excelente, me diverti muito lendo a trama me lembra um pouco as histórias do Douglas Adams

    Escrita: Excelente

    Comentários gerais: Você é muito criativo, gostei demais, como disse me diverti muito e notei varias criticas sociais que se aplicam aos dias atuais Muito bom, parabéns

  24. Tolbert Dzowo
    2 de maio de 2021

    Ambientação: muito boa
    Erendo : começou meio parado, e os ets chegando e ele indo trabalhar tranquilo me deixou confuso.
    Escrita : boa e simples
    Comentários gerais : gostei muito do trabalho, foi bem desenvolvido, de acredito que você estará entre os melhores

  25. Lucas Julião
    1 de maio de 2021

    Ambientação: Perfeita
    Enredo: Um pequeno problema, se ele era garçom poderia comer a comida feita pelo cozinheiro.
    Escrita; Tem um pequeno erro, tu esqueceu de digitar do que era o ministro. Fora isso percebi pouca coisa.
    Comentários adicionais: Cara, tô bolado com o seu texto. até agora eu achava que ia levar essa tranquilo. Aí vi que tu é brabo! Como vida de peão não é fácil vai 9,0/10

  26. Ana Lúcia
    1 de maio de 2021

    Ambientação: dentre os contos que li até agora(não foram muitos) foi um dos meus favoritos. Achei interessante o mundo, ou melhor a ideia da loteria e tudo.
    Enredo: no início achei meio confuso o jeito que o narrador fala sobre as coisas, porém depois comecei a pensar que talvez isso tenha sido uma jogada de mestre já que com o passar do tempo a sanidade do narrador vai lentamente definhando, com o medo do desconhecido.
    Escrita: achei normal, o estilo meio informal do texto me agradou e me fez sentir um pouco mais próxima do personagem principal.
    Considerações gerais: Foi um conto bom pra passar o tempo, a ideia do pseudônimo ser “garçom” que lembrou de livros como desventuras em série do Daniel Handler que publicou eles pelo pseudônimo de Lemony Sniket, isso ajuda o leitor a se sentir imerso enquanto lê.

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Informação

Publicado às 1 de maio de 2021 por em EntreMundos - Fim do Mundo e marcado .