EntreContos

Detox Literário.

Miguel e o Caldeirão (Thiago Barba)

Quando pulou no caldeirão do inferno, Miguel não sabia que seria tão bom.

Lhufas ao que sua mãe dizia, “Não seja mal educado.”, “Você precisa respeitar os mais velhos.”, “Seja gentil com as meninas”. Miguel perdeu preciosos dias de sua vida querendo se enquadrar no padrão do bom mocismo. Quantos amantes de suas amadas desperdiçou excitação ao deixá-lo viver. Quantas mulheres lhe deram o fora e ele a amaldiçoou sem ao menos dar-lhe uma boa surra. Conheceu até três políticos que foram honestos, não lhe pagaram propina. Filhos da puta. Miguel poderia muito bem ter ferrado com a vida deles. Miguel, que burro Miguel, olha só o que você perdeu, Miguel. Pensava ele enquanto mergulhava no caldeirão e sua pele semi derretia com a água borbulhando em sua nuca. Livre.

Nos anos finais de sua vida, não. Ali Miguel foi Miguel. Miguel foi mau. Miguel foi pau no cu pra caralho. Miguel foi tarado, aloprado, bandido, mal cheiroso, ladrão. Coçava o cu e enfiava o dedo no nariz dos outros. Miguel garantiu sua vaga no inferno sendo o melhor (ou o pior) que poderia ser. Miguel foi Miguel, o cuzão.

Miguel começou de leve. Um dia Miguel cansado do trabalho, olhou pra cara do patrão e disse, não. Aquele não, foi tão bom, mas tão bom que Miguel sorriu maliciosamente, pegou suas coisas deu as costas e nunca mais voltou. A partir daquele dia, Miguel pensava no não e se masturbava. Igual agora, Miguel urrava de prazer enquanto tocava uma dentro do caldeirão. Seu pênis já quase sem pele sentia um prazer inigualável. Pequenos instantes após o orgasmo, o membro se separou do corpo e Miguel berrou com o maior tesão inimaginável de sua pós vida, “Aos diabos, Seu Diabo.” E o caldeirão borbulhava feito banheira de hidromassagem para Miguel, só que melhor.

Miguel era um menino franzino, zoado por todos os meninos da escola. Miguel era rejeitado até mesmo pelas crianças mais novas. Miguel não tinha nada de errado, era o errado que se agarrava a Miguel. O corpo de Miguel era feito um imã de obscenidades. Miguel nunca usava cuecas, o suor lhe causava fissuras nas virilhas, e incrivelmente, braguilha nenhuma permanecia fechada frente ao pênis de Miguel. “Miguel pinto de fora, Miguel pinto de fora…” dançavam e cantavam em coro os meninos ao redor de Miguel. Enquanto ele tentava fechar o zíper, o fecho comia-lhe um pedaço da pele. “Miguel pinto de fora, Miguel pinto de fora”. Miguel vertia lágrimas e sangue entre os dedos.

Vez ou outra, também, Miguel era perseguido por cachorros, bastava o fato de um cachorro latir e Miguel se transformava a isca. Miguel corria e os cachorros açodavam atrás. Começava com um, dois, três e cada tanto mais cursava, mais cães enfrentava. Miguel era feito cadela no cio, aliciava os caninos que distavam quilômetros. Uns cachorros pulavam muros, outros tanto roíam as correntes para escapar e vociferar atrás de Miguel. Ao final de cada corrida dessas, Miguel levava em torno de vinte arranhões e pelo menos três mordidas. Exaustos, após vinte minutos de perseguição, a matilha sempre virava as costas ao Miguel e aquelas dezenas se desfaziam aos poucos voltando às suas casas.

“Aqui não tem cachorros? Quero comer um cachorro quente enquanto cozinho, ô diabrete”. Quanto mais ele ria, mais os guardas dos caldeirões de castigo ficavam endiabrados pra encher Miguel de porrada, mas não sabiam ao certo como se portar, nunca viram alguém tão feliz dentro daquela água fervendo. Cento e vinte graus de pura felicidade. “Ah! É mesmo, meu pau caiu. Me vê um pedaço de pão aí, ô do chifrinho”. E exibia balançando, na ponta de seus dedos, os restos de seu pênis.

“Miguel, Miguel. O que eu vou fazer com essas suas notas, Miguel?”. Miguel não sabia o que dizer à sua professora, possivelmente ela não acreditaria que ele sabia de tudo o que caia nas provas, mas de alguma forma, na hora de colocar no papel, Miguel esquecia tudo. Miguel nunca acertou sequer uma questãozinha durante os testes, mas era de longe o aluno mais inteligente. Foi o primeiro a aprender ler, e as contas, sabia fazer qualquer uma de cabeça. Miguel era também muito bom de conversa, mesmo sem nunca praticar, mesmo sem ninguém nunca querer falar com ele.

“Ô do chifrinho, é contigo mesmo que estou falando. O chifre desse tamanho, diminuto, é porque tem o mesmo tamanho do teu pau? Ou porque ainda não descobriu que tua mulher tá chupando o pau de outro?”

Gusf, o demônio de chifres menores entre os guardas, enfurecido, jogou seu arpão atravessando o pescoço de Miguel, escorrendo sangue e carne em suas costas. Miguel continuou “Ai, ai, ui, ui! Fica usando esses arpõezinhos se achando macho. Tem esse arpão aí só pra compensar o tamanho pequeno do pau”. E gargalhava. Enquanto gargalhadeava, o sangue jorrava do pescoço com a pressão das risadas. “Agora minha banheira tem essência e fragrância”. E ria que ria.

A primeira vez que Miguel matou alguém, foi quando decidiu bater na porta da vizinha. Tesuda, ele pensava enquanto esperava abrir. Quando abriu, Miguel pulou pra cima dela e foi lhe beijando a boca. A princípio ela se assustou, mas em poucos segundos estava tirando a roupa e os dois transaram ali mesmo, na sala, de porta aberta. No meio do ato, o marido chegou. Ao ouvir o carro ela pediu que Miguel parasse. Miguel não gostou. Miguel, com as duas mãos, sufocou seu pescoço e sufocando ejaculou enquanto sentia a morte se adentrar em seu sexo. Ao chegar na porta, o marido viu Miguel colocando as calças. “O que tá acontecendo aqui?”. Miguel apontou pro corpo no sofá “Desculpa aí, foi sem querer, eu ainda não tinha gozado”. O marido desnorteado correu pra cima dele, enquanto Miguel rapidamente colocou a mão esquerda pra frente e atingiu o pescoço do marido que ficou sem ar e quase sem ação. “Olha, foi sem querer…” Enquanto Miguel tentava argumentar, o marido tentava lhe atacar. Miguel pegou um abajur ao lado do sofá e acertou no lado da cabeça do homem que caiu ao chão. “Eu tô tentando falar, você não tá ouvindo?”, Miguel ainda deu outras dezessete pancadas na lateral da cabeça do corpo já sem vida, desfigurando todo o lado do rosto do cadáver. Miguel pega a orelha caída no chão, “Acho que você devia limpar os ouvidos”, limpa o sangue da orelha com a calcinha da mulher, cheira a calcinha uma última vez, joga no chão e guarda a orelha no bolso antes de ir embora. A partir daquele dia, toda mulher com quem Miguel transava, morria um novo casal. Os maridos sempre e sempre chegavam no meio do ato.

Sabendo da bagunça na sala dos caldeirões de castigo, entra imponente o Diabo. Olha para o arpão no pescoço de Miguel. Analisando percebe que era de Gusf, olha para o demônio, caminha lentamente até ele e coloca o dedo indicador em sua cabeça. Lê a mente de seu subordinado e depois olha para Miguel. Numa longa pausa, todos na sala observam ao Diabo apreensivos por seu próximo passo. Ele estala os dedos e Gusf começa a queimar por dentro, até se fazer em pó e fumaça. “Porque se importar se vocês demônios não tem mulheres?”. Miguel nunca teve mulheres. Sua primeira mulher foi também sua primeira morte. E assim seguiu com todas as outras mulheres. Cada mulher uma morte. Duas mortes. Miguel sorria com todas as mortes. Era gostoso sentir a vida se esvaindo diante do seu próprio poder. Miguel gostava dessa pela palavra. Poder. Ter a vida do outro em suas mãos era o poder. Ter o controle de causar a morte quando bem entendesse era um poder esplêndido. Miguel se sentia deus. Ele tinha o poder de fazer os outros transitarem entre esses dois estranhos mundos. A vida e a morte. Miguel sentia prazer de ver o demônio morrer. Saber que foi por sua causa que alguém virou fumaça, lhe deu uma sensação de poder incomensurável.

O Diabo vendo tamanha felicidade de Miguel, do caldeirão e de Gusf, sem encostar, arrancou num solavanco o arpão do pescoço. Voou junto um bolo de carne, e agora, podia-se ver através do pescoço perfurado. “Este é o pior dos nossos castigos e você continua sorrindo.” Miguel morde o seu próprio braço e arranca um pedaço da pele. Mastiga. “Sempre gostei de canibalismo, Seu Belzebu. E podes crer, sou uma delícia”.

O Diabo faz Miguel levitar pra fora do caldeirão.

– Uou! Agora eu sou o Superman. – Brada Miguel fazendo pose.

– Não gosto de felicidade aqui dentro. – Diz calmamente o Diabo.

– Já tentou parar de dar o cu? – e gargalha vitorioso de debochar do tinhoso.

– Não. É gostoso.

– Seu babaca. Me coloca lá dentro agora. – Perdendo o controle pela primeira vez.

– Tenho algo melhor pra você. Você lembra de sua mãe? – Comemora silenciosamente o Diabo com os instantes de silêncio de Miguel – Você lembra do seu pai?

No silêncio, Miguel teve flashes da noite em que dormia e acordou ouvindo no quarto de seus pais, sua mãe chorar. Miguel se levantou e foi até o quarto. A porta estava entreaberta.

Miguel vê seu pai segurando sua mãe à força. Ela implora que ele pare, implora que não quer mais, implora que ela só quer ir embora. Miguel a vê chorando. Miguel também a vê virando o rosto para a porta. Miguel a vê olhando nos seus olhos de criança. E a vê agora chorando ainda mais. Miguel sai da porta dando alguns passos para trás. Lentamente. E ouve a mãe gritando “não”. O grito explode na cabeça da criança. Ele sai correndo pra fora de casa. E fora de casa Miguel ouve um último estrondo vindo do quarto.

– Então você consegue lembrar de seu amado pai.

O pequeno Miguel saiu correndo pela rua e pela primeira vez, das tantas vezes em sua vida, a braguilha se abriu. Miguel corria e seu pênis balançava para um lado e para o outro. Miguel aos berros despertava a ira de todos os cães da vizinhança. Eles saíam correndo atrás de Miguel, também pela primeira vez. Miguel foi arranhado e mordido, mas Miguel não se importava, Miguel não se cansava, Miguel só corria e chorava. Suas lágrimas escorriam e logo evaporavam ao tocar as bochechas do seu corpo quente. Ele corria e ouvia sua mãe falando “Seja gentil com as meninas” e quase ouvia um eco de ‘assim como seu pai não foi’. O pênis de Miguel balançava e ele ouvia “Não seja mal educado.”, Miguel era mordido e ouvia “Você precisa respeitar os mais velhos.”, e, na cabeça de Miguel, ecoava de todas as formas a voz de sua mãe. Ressoava ela chorando, ela gritando e implorando “não”. E Miguel ficou por anos sem conseguir falar não. E Miguel não sabia disso, pois correu até parar de correr. Até não saber mais porque estava correndo. Ele correu até esquecer.

O pequeno Miguel não soube porque nos dias seguintes levaram ele para um orfanato. Miguel não sabia que seu pai tinha sido preso, que sua mãe havia sido morta. Miguel não sabia mais nem ao menos que um dia tivera pais, mas toda vez que ouvia a palavra mãe, Miguel não entendia o por que sentia seu corpo queimar, arder, parecia até cozinhar.

– Lembrou da mamãe? Ela eu não tenho como trazer pra cá. Papai também não, mas só porque ele continua vivo. Na cadeia. Acredito então, que pra te ajudar, o melhor é eu te levar até ela.

Miguel começa a sentir seu corpo esquentar, ainda mais quente que o caldeirão. O diabo estala os dedos e numa fração de segundos ele está no céu, dentro de uma bolha, próximo a sua mãe. Ela não o consegue ver, mas ele a vê sorrindo. E Miguel vê as pessoas a quem matou. Cada uma delas. E Miguel começa a sentir raiva porque todos estão sorrindo. E Miguel grita. “Não, vocês não podem.”. E Miguel lembra do seu pai. E lembra daquela noite. E Miguel chora, enquanto ao seu redor todos dançam e sorriem. E por quinhentos e trinta dois anos eles não param de sorrir. E seguem como uma faca, sorrindo.

Anúncios

11 comentários em “Miguel e o Caldeirão (Thiago Barba)

  1. Givago Domingues Thimoti
    12 de março de 2019

    Olá, tudo bem?

    Esse conto foi um dos designados para eu ler e tecer um comentário, com o objetivo de melhorar o trabalho do autor.

    Notei alguns pontos nos quais é preciso trabalhar um pouco. Primeiramente, esse conto parece apostar na comédia-fantasiosa, com algumas cenas escrachadas e o uso excessivo dos palavrões. Talvez nem tenha sido sua intenção fazer esse lado humorístico. Ainda assim, esse fato acabou prejudicando bastante o conto.

    Também, o conto é bastante explícito, principalmente na parte em que mostra a vida de Miguel, um homem sádico, sem nenhuma consideração com a vida dos outros. Na minha opinião foi gráfico demais, ao ponto de provocar incômodo ao leitor. O negativo aqui é essa “explicitude” toda, sem muito sentido. Me soou desnecessário. (Perdão se isso o aflige, caro autor ou autora).

    O conto possui alguns erros gramaticais, o alguns erros de vírgula e muitas repetições, especialmente do nome Miguel. Isso vai causando a trava na leitura, prejudicando a fluidez do conto.

    Se o autor melhorar esses pontos, tenho certeza que ocorrerá uma melhora significativa do conto em questão.

  2. Mc
    10 de março de 2019

    O conto descreve Miguel e sua passagem no inferno .
    Não gostei! Pesado, com passagens obscenas e chocantes.

  3. Elisabeth Lorena Alves
    10 de março de 2019

    Miguel e o Caldeirão
    Resumo:
    É um conto sobre a chegada de um assassino meio idiota ao inferno e suas taras. A vingança de satanás por sua alegria, afinal, o caldeirão não é um lugar para a felicidade.

    Comentário:
    Não é o tipo de texto que gosto, mas, dentro do que o autor propõe pelo título, cumpre bem e a linguagem é adequada para a narrativa proposta.
    Não tem suspense, é de uma obviedade e de uma narrativa cortante, provocante, de linguagem próxima ao caráter do personagem, percebe-se, pela estrutura do texto, que é proposital e, por isso, acertada.
    Eu não sei classificar humor negro.

  4. Fabio Monteiro
    8 de março de 2019

    Resumo: Um cara que cometeu muitas atrocidades em vida e senti prazer nos seus atos.
    O inferno era incapaz de julgá-lo. Foi no céu que ele viu sua grande dor.
    Enquanto queimava no Caldeirão miguel era pior que um demônio.
    Dentro de uma bolha no céu ele contemplou o sorriso das pessoas que matou.
    Este fora o seu pior castigo.

    Comentários: Excelente narrativa com pontos de muita interação.
    Não esperava um final infeliz para o miguel. O cara era o demônio em todos os aspectos. Ficou claro que sua mente fora conturbada pelas ações do pai. Mistura de enredos entre fantasia e comédia. Excelente texto.
    Ponto negativo , teria explorado menos algumas partes, por ex: ser seguido por cães. Acredito que sendo ele tão ruim, estes cães pagariam com suas vidas.

  5. anasophyalinares
    8 de março de 2019

    Miguel é um jovem rapaz maltratado por seus colegas apenas e só por não usar cueca. Maltratado por cães por ter medo deles. Maltratado pelo pai… Ele observou seu pai maltratando sua mãe, que acabou por falecer nessa mesma noite. Talvez o facto o tenha traumatizado tanto que ele começou a matar, da mesma forma que vira seu pai maltratar sua mãe. Agora, dentro de um caldeirão, castigo do próprio diabo, ele recorda todas as maldades que fez, sem ressentimento. Mas, quando o diabo lhe proporciona uma pequena viagem ao céu para rever sua mãe sente raiva e tristeza por todas, sua mãe e as mulheres que matara, estarem felizes.
    Adequação ao tema: Muito bom, ao de fantasia.
    Aplicação de idioma: Muito bom.
    Técnica: Gostei.
    Trama: Muito interessante.
    Impacto: Muito bom.
    Nota 5

  6. LUCIANO
    7 de março de 2019

    RESUMO:
    A condenação, punição e tortura de Miguel, um assassino psicopata que matava a mulher enquanto transava ou estuprava, e em seguida matava os maridos, que curiosamente chegavam no meio do coito. Narra também alguns momentos da infância dele e o coloca como vítima do que ele é, por um trauma vivido ao presenciar o estupro e morte de sua mãe pelo marido, seu pai. O cenário aparentemente é alguma antecâmara do inferno, onde há a presença de alguns serviçais do diabo e o próprio, que participam do castigo infringido a Miguel, no momento em que é colocado e ferido em um caldeirão ao fogo, seguido de outras torturas que acabam partindo, por intermédio do Diabo, para o campo psicológico.

    CONSIDERAÇÕES:
    A ideia é muito bacana, o início sugere muito deboche e astúcia de Miguel. É um texto corrido, e mesmo com a divisão em partes que retratam momentos da infância dele, ainda mantém um unidade.
    O clima é tenso, com tendência ao terror, e apesar de ter algum humor sarcástico caminha para um desfecho mais dramático, quase trágico.

  7. Cirineu Pereira
    3 de março de 2019

    Resumo
    Conta a história de Miguel que, desde a infância, teria sido “condicionado” a ser mau e, após sua morte, vai parar no caldeirão do inferno. Para escândalo do demônio e seus asseclas, no entanto, Miguel sente prazer no terrível caldeirão e zomba de seu anfitrião.

    1. Aplicação do idioma
    Bom domínio do idioma, apesar de alguns pequenos erros de concordância.

    2. Técnica
    Uso de linguagem marginal, bem contextualizada, conferindo estilo narrativo próprio, boa verve narrativa, misturando a voz do narrador às conjecturas do protagonista de forma natural e fluída.

    3. Título
    Ingênuo, quase infantil, não faz jus ao teor intrigante do roteiro.

    4. Introdução
    “Quando pulou no caldeirão do inferno, Miguel não sabia que seria tão bom.” Perfeito. O autor contextualiza imediatamente o conto e surpreende contradizendo o preceito comum de que o inferno é algo ruim. Como assim, perguntaria o leitor, ávido por entender.

    5. Enredo
    Original e criativo, porém pouco complexo.

    6. Conflito
    Interessante, porém perde força à medida em que é transferido para um personagem secundário, ou seja, neste conto o problema a ser resolvido não pertence propriamente ao protagonista, mas a seu anfitrião.

    7. Ritmo
    Abre com bom ritmo, pois apesar de apresentar imediatamente o contexto e cenário, o autor logo retrocede no tempo, apresentando o protagonista e justificando seu destino pós morte. Em suma, o autor desperta o interesse do leitor e logo trata de retê-lo, não indo imediatamente ao que de fato interessa.

    8. Clímax
    Bom, porém mal apresentado, as supressões psicológicas de Miguel são utilizadas pelo demônio para reverter a situação e lhe incutir sofrimento, porém tais “traumas” não são apresentadas de forma bastante plausível e convincente.

    9. Personagens
    Personagens coerentes com o contexto proposto, Miguel é particularmente debochado, enquanto ao demônio é conferido um ar mais circunspecto e até profissional.

    10. Tempo
    Bem aplicado, com alternâncias de cenário e interrupções remontando à infância e outras fases da vida terrena do protagonista.

    11. Espaço
    Bem utilizado, ainda que algumas breves descrições pudesse ser adicionadas para solidificar o cenário infernal no imaginário do leitor.

    12. Valor agregado
    O autor satiriza o conceito cristão de inferno, bem como suscita questionamentos pertinentes ao comportamento humano enquanto resultado do caráter individual e/ou influências do meio.

    13. Adequação ao Tema
    Cômico e fantasioso, provavelmente com maior inclinação para o primeiro e então, nem tão eficaz, para esse leitor ao menos.

  8. Roque Aloisio Weschenfelder
    1 de março de 2019

    Miguel, no inferno, repassa sua vida. O diabo lhe mostra o pai quando da concepção de Miguel e da morte da sua mãe depois. O pai, vivo ainda, na cadeia; a mãe, morta, no céu onde também estão todas as vítimas de Miguel. De repente todo o tesão de matar e de putear de Miguel começam a cessar. consciência de verdade do inferno.

    O conto seria bom se o vocabulário fosse mais ameno e a construção das frases não deixasse bastante a desejar. .

  9. Vera Marta Reis.
    28 de fevereiro de 2019

    Miguel e o caldeirão. Domínio Ballês.
    Resumo:
    Miguel se vê no caldeirão do inferno.
    Lembra de ser franzino, rejeitado, zoado.
    Do sofrimento da mãe, das maldades do pai.
    Do orfanato, e xinga, fala palavrões.
    Apronta tanto que é levado ao céu.
    Vê a mãe e as pessoas que matou felizes.
    Então chora enquanto os outros sorriem.

    Considerações: Adequado, só que
    tive a impressão que usou as cenas e palavrões na intenção de
    deixar o texto mais interessante ou chocante.
    Personagem muito negativo, mas o texto é bem elaborado.

  10. Virgílio Gabriel
    24 de fevereiro de 2019

    Miguel é uma criança cheia de traumas, principalmente por parte da família (mãe morta e pai preso). Na fase adulta, deixa de ser um rapaz quieto e passa a cometer todos os tipos de atrocidades. Assim, quando morre vai para o inferno. Zomba dos demônios e do próprio Diabo, que não conseguem fazer ele sofrer, mesmo em um caldeirão fervente. O Diabo tem uma ideia, e deixa ele invisível, dentro de uma bola, no céu. Lá ele sofre ao ver todos aqueles que matou, sorrindo.

    Olha, vou torcer do fundo do coração que isso não tenha sido uma tentativa de fazer comédia, pois soaria extremamente sádico. Então vou entender o conto como “Fantasia”, ok? O conto é bem escrito, mas com algumas pequenas falhas técnicas. Claramente Miguel não falaria a palavra “diminuto”, não condiz com o restante de suas falas. Entre outras questões pequenas.

    Me incomodou isso de não sentir dor. Até achei que surgiria uma explicação plausível, mas não teve. Por mais traumática que tenha sido a infância do rapaz, é óbvio que sentira dor. Poderia até forçar uma risada depois, mas a ausência de expressão nesse sentido, não me pareceu algo normal.

    Até gostei do conto, tem boas sacadas, principalmente na criação se detalhes (pênis saindo para fora, cachorros mordendo, o caldeirão…). Mas poderia ter sido bem melhor. Desejo boa sorte!

  11. Felipe Takashi
    20 de fevereiro de 2019

    Sinopse: Miguel está sendo torturado no inferno, mas ao invés de sentir remorso, ele cada encontrando satisfação em cada ato sórdido e sádico que executou. Para torturá-lo de verdade, o próprio Diabo vem até ele.

    Considerações: não sei o que ocorre com os escritores brasileiros de hoje, quando eu pego um texto pra ler, eu espero ver mais que um desfile de pênis e vaginas, ou pessoas com problemas psicossexuais. A pessoa perdi tempo para escrever algo assim num desafio literário deve estar muito empolgado com algum livro de Bukowski e até ele tinha um modo de abordar o erótico que soava mais irônico que prazeroso. Não é o tipo de coisa que busco ler como leitor, nem sinto nada e só li até o fim para garantir um julgamento do texto como me comprometi ao me inscrever.

    Nota: 1

Deixe uma resposta para Vera Marta Reis. Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série C2 e marcado .