EntreContos

Detox Literário.

Memórias (Eduardo Matias)

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Rios de sangue quente corriam, espumando, por entre as rochas negras do deserto. Um vento morno, carregado de notas pútridas embalava minha alma. Eu via guerras e nações lutando entre si. Em morte e desespero, infantes ceifavam aos seus iguais com o aço frio de suas armas. Eu via fogo e via um imenso mar a ebulir constante, o cheiro de enxofre acalmava minha mente.

Meus sonhos doces deram lugar a um frio terrível, a fome invadira meu corpo e pensamentos de morte tomaram minha mente. Não a morte alheia, com a qual me delicio, mas a minha e esta eu temo. Meus olhos se lançaram por terras distantes e eu o vi. Aquele que me procurava incessantemente. Um jovem, com certeza, entre os muitos que me buscavam.

Suas carnes macias me saciavam e o sangue doce dos moços matava minha cede. Não seria agora diferente. Por séculos tenros rapazes, por entre as montanhas andavam. Um rito estranho de povos estranhos. Para estes seres, nenhum jovem se tornaria homem se não deitasse nas areias do Deserto Amarelo o sangue negro das temíveis bestas das montanhas.

E eu sou, de fato, o alvo de suas empresas. É verdade que muitos de meus irmãos e irmãs morreram pelas lanças destes assassinos, mas nenhum que se atrevesse a erguer peleja contra mim voltou ao seu lar.

Seus coraçõezinhos tolos se apegam tão intensamente ao desejo de ceifar-me a alma que acabam por tocá-la e eu posso senti-los e aguardá-los. Sou um excelente anfitrião, lhes ofereço um ventre quente e úmido por moradia eterna.

E o meu banquete adentrou nos meus domínios, não me preocupo em imaginar quanto tempo levou. Em meus sonhos não sinto o tempo, mas apenas a vida em meu redor e aqueles que me temem e me buscam. O mancebo de doze invernos desceu o árido despenhadeiro que guarda a entrada de meu refúgio. Seus cabelos dourados refletiram o último raio de sol e ele penetrou as sombras.

Pude ver sua repulsa ao pisar os ossos calcinados do seu povo, meu pavimento nunca agradou a nenhuma de minhas visitas, até elas o integrarem, é claro. Se há algo que eu aprecio na morte é o silêncio. No túmulo não há murmúrios e nem intrigas, mesmo que este seja o chão da caverna de uma fera.

Dragon. Sua voz estridente riscou as letras de uma palavra não desconhecida a este que vos fala. De fato, muitas palavras foram ditas pelos que morreram aos meus pés. Behemoth, leviathan, tiamat, saurus… Porém, tenho um gosto especial por este nome, dragon. Confesso que o tomo pelo meu, não que isso importe a qualquer criatura.

Os olhos da cria de homem me encararam lívidos, vi uma luz diferente nas joias verdes daqueles olhos, ali não havia medo. Nem em seu cheiro, nem em seu coração. Meu adversário não me temia. Não fora o desejo de glória ou de aceitação social que levara o moço ao meu covil, mas um motivo infame…

Amor, sem dúvida. Já li muitos corações. O desejo pela mão de uma dama motiva qualquer loucura, até mesmo o disparate de tentar matar-me. Pois venha jovem homem, levante esta lança tosca e venha receber sua morte. Como se me ouvisse, ele veio.

Por hora dançamos uma dança magnífica. Minhas correntes de fogo paravam em seu escudo e sua lança jamais chegara perto, até mesmo de riscar, uma de minhas escamas polidas. Eu só queria que ele permanecesse ali. Queria sentir eternamente o cheio almiscarado da coragem pura. Para mim, que sempre estive alheio às grandes mudanças de estações e às longas eras que se passavam, foi curioso sentir o peso adamastórico de um segundo.

A euforia me amortecia e meus sentidos se turvaram ante o êxtase da batalha, meus olhos vermelhos, vidrados ao contemplar o tempo passar manso, deitavam águas, até que sentiram o trespassar de uma lança e eu senti a vida deixar-me.

Pude ver, de uma vez, o frio real da morte. Não o arremedo que eu sentia ao temê-la ou o calor reconfortante de provocá-la, mas o frio gélido e ingrato de se achar em seus braços. O tempo se foi e lá estava eu a me refestelar na escuridão eterna.

36 comentários em “Memórias (Eduardo Matias)

  1. Pétrya Bischoff
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Pétrya Bischoff

    Há alguns erros gramaticais, mas nada que estrague o conto. Adorei a estória, achei uma narrativa sedutora e as descrições bem vívidas. A escrita apresenta muito potencial e o tamanho está perfeito. Até que a criatura se revelasse um dragão, eu poderia jurar se tratar do próprio deserto. De maneira geral, gostei de tudo, parabéns e boa sorte.

  2. Miguel Bernardi
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Miguel Bernardi

    É… este conto não me agradou muito. Gosto de contos pequenos, como este, mas aqui não foi o caso…

    Talvez a rapidez que tanto me agrada tenha sido prejudicial para com a ideia apresentada, ainda que bem narrada. A troca de perspectivas caiu muito bem: trabalhe-a melhor! Bem, é o que tenho a dizer… gostei de alguns pontos, não de outros. Aumentar as palavras para trabalhar melhor, acredito, é o que dará um brilho maior ao conto.

    Boa sorte no desafio!

  3. Fil Felix
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Fil Felix

    Esquema do comentário + nota: 50% Estética/ Tema e 50% Questões Pessoais

    = ESTÉTICA/ TEMA = 3/5

    Conto bem conciso, sem muitas delongas. Confesso que fiquei meio perdido no início, mas logo consegui me recuperar. A história pelo ponto de vista da criatura também é interessante e, de certa maneira, inova dentro do desafio. Só fiquei com a impressão de acabou muito rápido, mal começou e bum, acabou. Ah, isso aqui precisa de uma correção: “Por hora dançamos uma dança magnífica”, fica redundante.

    = PESSOAL = 3/5

    Não achei ruim, mas também não achei extraordinário. Cumpriu seu papel, li o conto sem me cansar, porém acho que caberia algo a mais. Principalmente no embate com o dragão, quem sabe ele poderia falar?

  4. Sidney Muniz
    11 de janeiro de 2015
    Avatar de Sidney Muniz

    Mas esse foi tão rápido. Poxa, acho que esqueceu de nos contar muito aqui.

    Não sei se foi a falta de tempo, mas sinceramente não gostei do conto, tampouco da narrativa e me desculpe se estou sendo pouco compreensivo, mas não me vejo na obrigação de ser, até mesmo por mérito de uma melhor análise desse conto.

    A narrativa me pareceu tão crua que não me cativou.

    Espero que na próxima trabalhe melhor seu texto e se arrisque um pouco mais!

    Boa sorte!

  5. rsollberg
    9 de janeiro de 2015
    Avatar de rsollberg

    Normalmente gosto de contos curtos, mas esse não me fisgou.
    Achei a trama muito simples e ó único recurso que chamou minha atenção foi a narrativa pelo ponto de vista do dragão.

    Algumas frases foram muito bem construídas , como essa, por exemplo: “Se há algo que eu aprecio na morte é o silêncio. No túmulo não há murmúrios e nem intrigas, mesmo que este seja o chão da caverna de uma fera.” Outras escaparam a revisão. como já apontado, exaustivamente, pelos colegas.

    Penso que o final foi muito abrupto, mas talvez fosse essa a intenção do autor.
    Não tenho muito o que sugerir, Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Esturius Klein
    7 de janeiro de 2015
    Avatar de Esturius Klein

    Belíssimo conto Annacletus.
    Rápido conciso prende a atenção do início ao fim, a estrutura é objetiva, tem ,boa criatividade com enredo imaginativo, onde você conta sua história do ponto de vista do dragão. A linguagem usada está ótima (poucos erros ortográficos). Linda a imagem escolhida.
    Valeu bastante por apresentar o ponto de vista da criatura.
    Parabéns!

  7. JC Lemos
    7 de janeiro de 2015
    Avatar de JC Lemos

    Sobre a técnica.
    Apesar daquele “cede”, ficou muito bem escrito. Com algumas belas passagens que formaram imagens formidáveis. O tom empregado pelo narrador me fez ler como se fosse a voz do Smaug narrando.

    Sobre o enredo.
    Inovador. Bom no que diz respeito ao fato de realmente entrarmos na pele do dragão. Gostei disso. Entretanto, a trama é simples demais. Não há nada de extraordinário que aconteça e para um dragão tão galático uma morte assim é desprezível. Esperava muito mais do desenvolvimento.

    Sugiro um melhor trabalho no momento em que o rapaz entra no recanto do dragão. Talvez uma luta mais detalhada, um monólogo do dragão e uma narração dos sentimentos que o rapaz sente ao enfrentá-lo.

    De qualquer forma, ficou legal.
    Parabéns e boa sorte!

    • Annacletus Kokkinos
      9 de janeiro de 2015
      Avatar de Annacletus Kokkinos

      Fazer com que o leitor se visse dentro do dragão era a minha intensão, por isso, muitas vezes as imagens podem parecer menos precisas, mas na minha concepção da fera, sentimentos, cores, cheiros, são mais importantes que os fatos vistos em uma lógica de tempo exato. Obrigado.

  8. Marcellus
    6 de janeiro de 2015
    Avatar de Marcellus

    Muito bom conto! Pequeno demais para o meu gosto, mas ganhou pontos pelo narrador inesperado.

    Carece da pequena correção de praxe (“…sangue doce dos moços matava minha cede…”, por exemplo), mas nada que uma segunda leitura não resolva.

    Boa sorte no desafio!

  9. bellatrizfernandes
    6 de janeiro de 2015
    Avatar de isabellafernandes

    Gostei.
    É curto, vai direto ao assunto e é muito interessante ver a batalha ponto de vista do dragão.
    Tem algo a ver com São Jorge?
    Achei o herói meio jovem tanto para matar o dragão quanto para estar tão apaixonado a ponto de tentar matar um dragão. Além disso, o instante da morte tão cheia de presságios foi um pouco brochante.
    Parabéns e boa sorte!

    • Annacletus Kokkinos
      9 de janeiro de 2015
      Avatar de Annacletus Kokkinos

      Não tem nada a ver com São Jorge, mas talvez com a concepção judaica de dragão. Julieta tinha 12 anos quando morreu “por amor” e um velho dragão orgulhoso gosta de dar algumas desculpas antes de admitir sua morte. Obrigado Bellatriz, você tocou em pontos contundentes, que mereciam esclarecimento

  10. Laís Helena
    6 de janeiro de 2015
    Avatar de Laís Helena

    Gostei do conto. Adoro dragões e o fato de a história ser contada do ponto de vista de um deles a tornou interessante. Todavia, notei alguns deslizes, tanto na revisão quanto na construção do conto.
    Ele se inicia com uma introdução em que o dragão fala sobre a própria morte, depois divaga sobre as mortes que causou e sobre o quanto era soberbo. Até aí, nenhum problema; as divagações até foram necessárias para que você pudesse passar ao leitor sua mensagem. Porém, você simplesmente emendou os acontecimentos do presente às divagações. Não chegou a ficar confuso para o leitor, porém, o impacto seria maior se a separação entre as duas “partes” fosse mais evidente; se, por exemplo, você tivesse explicitado em qual parte do conto chega o último adversário do dragão.
    O impacto também foi diminuído pela maneira apressada como foi descrita a luta. Mais detalhes teriam tornado o final mais verossímil; não acho plausível que um jovem que nada tem de diferente dos demais vença um dragão tão poderoso de maneira tão fácil. Se não quisesse detalhar a luta, deveria ter dado um motivo para o dragão sucumbir: estava ficando velho, julgava-se invencível e relaxou na defesa, etc.
    Tem uma parte em que você menciona que o adversário entra na caverna e sente repulsa ao pisar nos ossos dos que foram mortos antes dele; uma descrição mais detalhada dessa caverna teria reforçado a personalidade do dragão e tornado a leitura um tanto mais interessante.

    • Annacletus Kokkinos
      9 de janeiro de 2015
      Avatar de Annacletus Kokkinos

      Os fatos parecem confusos devido a, como já disse em outros comentários, minha concepção da mentalidade da fera. Dragões se importam com sensações, cheiros, cores, e não com uma descrição exata de tempo. Por isso pode parecer um pouco “embolado”. Creio que alguns esclarecimentos melhorariam a obra, e fiz isso em algumas revisões. Mas discordo que o garoto não tenha nada de diferente de outros jovens, sua diferença foi citada pelo dragão e, eu não falarei muito sobre isso, pois ela trás uma parte da história um tanto quanto complicada, que pode trazer muitas interpretações…

  11. piscies
    5 de janeiro de 2015
    Avatar de piscies

    TRAMA 3/5
    Gostei muito da narrativa do dragão. Os pensamentos da criatura foram bem apresentados, com personalidade característica e ao mesmo tempo inovadora. Todas as imagens que tomaram forma na minha mente foram como se eu realmente fosse o dragão. Achei isso bastante interessante.

    No entanto, achei a trama sem conteúdo. É uma narrativa interessante de ler, mas sem muita pretensão. Não surpreende. Também achei estranho um garoto de 12 anos derrotar um dragão, especialmente um assim tão prepotente.

    De qualquer forma, foi uma boa leitura.

    TÉCNICA 4/5
    O autor escreve muito bem, mas percebi uma série de deslizes que poderiam ser evitados com mais revisões. Um parágrafo em particular me chamou a atenção por ter muitos pontos passíveis de melhoria:

    “Suas carnes macias me saciavam e o sangue doce dos moços matava minha cede. Não seria agora diferente. Por séculos tenros rapazes, por entre as montanhas andavam.”

    – cede = sede.
    – “Não seria agora diferente” – “Não seria diferente agora”. A mudança na ordem das palavras aqui não deixa o discurso mais pomposo, apenas o torna mais estranho.
    – “Por séculos tenros rapazes, por entre as montanhas andavam.” – “Por séculos, tenros rapazes andavam entre as montanhas”. Ou então, se quiser manter as palavras que usou, ao menos acertar a vírgula: “Por séculos, tenros rapazes por entre as montanhas andavam”.

    Abraços e boa sorte no desafio!

  12. Lucas Rezende
    5 de janeiro de 2015
    Avatar de Lucas Rezende

    A linguagem usada pelo dragão está bem desenvolvida, embora em alguns trechos ela dê uma desacelerada na leitura, nada muito grave.
    O conto é curto e direto ao ponto, gostaria de uma descrição da luta entre os combatentes. O dragão me pareceu “fodão” demais para ser simplesmente trespassado pela lança do jovem lutador.
    Como o conto é narrado pelo dragão, pensei que ele venceria no final (o que eu ia adorar). Fica a sensação de ele estar psicografando a sua morte do além.
    Sem mais, uma boa história.
    Boa sorte!!!

  13. Jowilton Amaral da Costa
    5 de janeiro de 2015
    Avatar de Jowilton Amaral da Costa

    É, eu gostei. Curto e direto ao ponto, no entanto um dragão que tanto se gabou durante o decorrer da narrativa morreu fácil demais, talvez por se achar invencível tenha dado mole. O estilo usado na escrita me incomodou um pouco, achei meio pernóstico, mas, deve ter sido para se enquadrar a personalidade pedante do Dragão. Boa sorte.

  14. Brian Oliveira Lancaster
    4 de janeiro de 2015
    Avatar de Victor O. de Faria

    Interessante proposta ao mudar o ponto de vista. Curto e direto. O personagem descrevendo o que sentia tornou a leitura ágil e fluída. Não há um início propriamente dito, mas o texto parte do inconsciente coletivo (todos sabem o que são dragões, apesar dos originais serem mais parecidos com cobras).

  15. rubemcabral
    2 de janeiro de 2015
    Avatar de rubemcabral

    Então, achei que faltou desenvolvimento. O dragão até expõe um tanto de sua personalidade orgulhosa, mas é só. A trama ficou muito simples.

  16. Ana Paula Lemes de Souza
    31 de dezembro de 2014
    Avatar de Ana Paula Lemes de Souza

    Olha, que conto doido…
    Também sou suspeita, pois sou aficionada por dragões.
    Queria comentar algo: no começo fiquei com a impressão de que o ser fantástico era a morte, depois que notei que era o dragão.
    Gostei da narrativa, das palavras escolhidas. Só senti falta de um final melhor desenvolvido, gostaria de ver o golpe final mais explorado, pois é o ápice do conto. Outra observação, no lugar de cede o correto é sede, já que pelo contexto dá a entender que o dragão tem saciada vontade de beber o sangue.
    Abraço e boa sorte!

  17. williansmarc
    30 de dezembro de 2014
    Avatar de williansmarc

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 8
    Técnica: 7
    Impacto: 7
    Inovação: 7

    Minha opinião: Gostei da utilização do ponto de vista a partir do dragão. Acho que a batalha poderia ser mais aproveitada, já que é o clímax do conto. Apesar da morte do dragão ao fim do conto, não senti grande impacto com o texto.

    Boa sorte no desafio.

  18. Claudia Roberta Angst
    27 de dezembro de 2014
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    Gosto de contos curtos que desenvolvem a narrativa sem dar muitas voltas. Narrar na primeira pessoa é bastante arriscado, mas dá úm tom mais intimista à trama. Gostei da linguagem poética e da coesão do desenvolvimento. Por ser curto, o conto não cansa o leitor nem o confunde com informações supérfluas. Boa sorte!

  19. daniel vianna
    25 de dezembro de 2014
    Avatar de daniel vianna

    Texto muito bem escrito. Boa linguagem, poética. Entretanto, escrever um monólogo é sempre algo muito difícil e arriscado (e muita gente acha que é simples, ledo engano). Há sempre o risco de se tornar cansativo e monótono. O escritor de monólogos deve se utilizar de artifícios narrativos que o ajudem a manter o interesse de um expectador que fica, do início ao fim, ouvindo apenas aquele intérprete. Sinto que aqui algo deveria ser feito nesse sentido. Enfim, o escritor demonstrou uma boa escrita. De todo modo, está de parabéns.

  20. Fabio Baptista
    23 de dezembro de 2014
    Avatar de Fabio Baptista

    ======== TÉCNICA

    Cumpre o papel da ambientação e da definição da personalidade do dragão.

    Não muito mais que isso.

    – até mesmo o disparate de tentar matar-me
    >>> algumas sentenças, onde o dragão tentou falar de um jeito mais empolado, me incomodaram um pouco.
    Eis um exemplo.

    – Por hora dançamos uma dança magnífica
    >>> horas

    – eternamente o cheio almiscarado
    >>> cheiro

    ======== TRAMA

    O maior mérito desse conto é a concisão.

    Situou o leitor no contexto, definiu a personalidade do dragão, lutou, morreu, acabou.

    Mas sei lá… se o dragão vencesse ficaria mais legal 😀

    ======== SUGESTÕES

    Dar um ar mais malicioso ao dragão.

    Fritar o sujeito que ousou enfrentá-lo! 😀

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: ***
    Impacto: ***

  21. Gustavo de Andrade
    23 de dezembro de 2014
    Avatar de Gustavo de Andrade

    Boa!
    Conto curto que não perdeu valor pela extensão. Parabéns!
    Achei bem legais as imagens construídas. Talvez gostasse mais se o desafiante tivesse morrido… com certeza gostaria mais rs
    Boa escrita!

    • Gustavo de Andrade
      23 de dezembro de 2014
      Avatar de Gustavo de Andrade

      Parece meio preguiçoso este comentário, mas eu de fato achei interessante o conto e ele cumpre satisfatoriamente o que ele se propõe. Não tenho muito mais a adicionar, talvez justamente pelo tamanho 😉

  22. Leonardo Jardim
    22 de dezembro de 2014
    Avatar de Leonardo Jardim

    Não lembro se já disse aqui, mas tenho certa obsessão por dragões desde que eu era bem novo, dos tempos do primeiro D&D. Acho que aquela capa foi a culpada e a imagem deste conto me lembra muito ela. Por isso, sou suspeito para dizer que adorei o conto sob o ponto de vista de um desses terríveis répteis.

    A técnica está muito boa, demonstra que o autor possui domínio sobre as palavras (a já citada frase do “peso adamastórico de um segundo” comprova isso). O único problema que encontrei é o uso do tempo verbal, que às vezes escapuliu para o presente (o texto foi contado em sua maioria no pretérito).

    Sobre a trama, ela é boa, mas simples. Conta a morte já anunciada do dragão (no momento em que ele diz que teme a morte, eu soube que ia morrer). O motivo encontrado para a morte foi boa (inebriado pela coragem), mas faltou um pouco mais de desenvolvimento. Em um parágrafo ele lutava há horas sem ao menos ser atingido, mas no seguinte a lança o atinge e ele morre. Se a morte fosse mais elaborada, ficaria muito melhor. Senti falta também da famosa baforada de fogo 🙂

    Afora isso, um conto muito bom. Parabéns e boa sorte!

  23. Andre Luiz
    21 de dezembro de 2014
    Avatar de Andre Luiz

    Olá Annacletus, seu conto é fantástico até o final. Sim, nos três últimos parágrafos senti que algo iria correr desfiladeiro abaixo. Isto porque o dragão não poderia simplesmente matar mais um humano que viera caçá-lo, então, deduz-se que é o dragão quem será morto. Talvez, se a narrativa for alongada um pouco mais, com alguma história a que se agarrar, tudo se encaixe como deveria ser. No mais, achei a ideia muito boa e a execução também. Parabéns e sucesso!

  24. Virginia Ossovsky
    20 de dezembro de 2014
    Avatar de Virginia Ossovsky

    Gostei da trama e da escolha de palavras. Penso que a história poderia ser mais explorada, não gostei muito do dragão ser morto no final, rsrs, acho que poderia haver um pouco mais de luta. A narrativa do ponto de vista do dragão me agradou, talvez por isso tenha achado o final meio injusto.

    Esta frase ficou bem legal, me chamou a atenção: “Para mim, que sempre estive alheio às grandes mudanças de estações e às longas eras que se passavam, foi curioso sentir o peso adamastórico de um segundo”. Parabéns e boa sorte !

  25. mariasantino1
    20 de dezembro de 2014
    Avatar de mariasantino1

    Olá! Tudo bem?
    Então, gosto de diversos tipos de narrativas. Das que dizem muito em vasto espaço por exagerança do autor (termo mostrado a mim por um amigo), ou das que dizem muito em curto espaço — O que conta é o modo de narrar, a segurança. Não achei seu conto ruim, gostei. Temos dois contos de Dragões aqui (até onde li) O filosófico Yume e o seu (perverso, meio prepotente, né?). Gostei da inserção de amor a trama, e do combate de ambos. Fui dá uma pesquisada “no peso adamastórico” e encontrei isso — Relativo a Adamastor, personagem lendária referida nos Lusíadas, de Camões. Colossal, gigantesco… (bacana!) A ambientação é legal também, só não gostei muito da escolha das palavras, pois sendo um conto curto, o uso de alguns termos acaba soando repetitivo. Tem alguma mistura de tempo verbal, que não mancha, mas é bom polir.
    Bem, é isso, com alguma encorpada, termos distintos, mais sinônimos, uma narrativa mais instigadora, ficaria muito melhor, pois achei bom.
    Boa Sorte no desafio. Abraço!

  26. Tiago Volpato
    20 de dezembro de 2014
    Avatar de Tiago Volpato

    Bem interessante essa mudança de ponto de vista, a história contada pelo dragão. Mas acho que me interessaria mais. Mas acho que me interessaria mais por outro momento da vida do dragão. Mas isso é gosto meu. Abraço.

  27. Sonia
    20 de dezembro de 2014
    Avatar de Sonia

    o sangue doce dos moços matava minha cede.
    quero crer que foi erro de digitação.

    tem alguns errinhos bens bobinhos, poucos, como esta frase:
    mas o frio gélido e ingrato de se achar em seus braços.
    Se está escrevendo em primeira pessoa, “achar-me em seus braços.”

    A idéia de colocar o ponto de vista do dragão foi interessante, mas eu não me convenço muito com contos em primeira pessoa escritos por criaturas mortas, sempre fica irreal, tipo como é que este escrito chegou até mim, se o escritor morreu?

    Muito curto. Poderia desenvolver mais o personagem. Ficou só ação e pouco sentimento.
    Quando a gente começa a sentir o impacto, acaba.

    • Anorkinda Neide
      20 de dezembro de 2014
      Avatar de Anorkinda Neide

      Oi Sonia, esta questão ‘de como o personagem conta sua historia se ele morreu’, sempre é levantada.. mas eu, pessoalmente, considero que se o texto é escrito no tempo presente, vale encarar como um relato ‘ao vivo’ e ‘in loco’ dos fatos.. hehehe Portanto, cabe entrar na mente do protagonista e viver com ele o seu fim.
      Assim me parece 😉

      Abraço

    • Annacletus Kokkinos
      9 de janeiro de 2015
      Avatar de Annacletus Kokkinos

      Creio que, de qualquer modo, mesmo que o dragão sobrevivesse, não faria sentido o texto, pois feras não são letradas e meus dragões nem mesmo falam. Entretanto, não sabia que textos post mortem traziam confusão, sigo a inspiração do mestre Machado de Assis, que usou a técnica algumas vezes e com louvor. Porém, obrigado pelo comentário!

  28. Anorkinda Neide
    20 de dezembro de 2014
    Avatar de Anorkinda Neide

    Olá autor!
    Eu gosto de contos curtos e este achei muito bom. Gosto da narrativa na primeira pessoa também. Gostei de ver que a falta de medo venceu, enfim, acho que a arma fatal mesmo foi o cheiro almiscarado da coragem pura, ela entorpeceu a fera,, hehehe muito simbólico isso 😉
    foi curioso sentir o peso adamastórico de um segundo. foi curioso mesmo e grandioso, Parabéns!
    Eu ia dizer que o final, o golpe fatal foi pouco explorado, que havia espaço para tal, mas ao comentar sobre cheiro da coragem, percebi que o rapaz só pode alcançar seu intento justamente pq a fera estava entretida com as sensações deste inédito combate.
    Enfim, um excelente conto, repleto de nuances.
    Obrigada por esta leitura.

    • Annacletus Kokkinos
      9 de janeiro de 2015
      Avatar de Annacletus Kokkinos

      Talvez você tenha entendido a real fraqueza do dragão, Anorkinda, e, me permita dizer, nossos nomes são um tanto parecidos…

      • Anorkinda Neide
        11 de janeiro de 2015
        Avatar de Anorkinda Neide

        hauhua Do mesmo planeta, será?
        abraço e boa sorte, Annacletus Kokkinos
        :p

E Então? O que achou?

Informação

Publicado às 19 de dezembro de 2014 por em Criaturas Fantásticas e marcado .