Caçava vampiros por mais tempo do que conseguia se lembrar. Seu único objetivo era livrar a humanidade desses monstros, banir o mal e as trevas, sempre, incansável, totalmente alheio a si mesmo.
Até que, finalmente, fincou a última estaca no último demônio.
Olhou ao redor, digerindo a estranha sensação de missão cumprida. A um canto, um móvel coberto por lençol chamou sua atenção. Descobriu-o. Era um espelho. Intrigado, percebeu que seu reflexo não estava lá.
Livre de qualquer emoção, só pode pensar:
“Quando foi que me transformei?”
Boa noite, Lestat,
Sinto que seu texto depende totalmente da revelação final. Em si isso não é um problema. Mas se torna um problema quando o leitor já consegue prever a revelação antes da hora (aconteceu comigo e com o colega Nipar, acima).
De todo modo, há uma relação bem interessante entre o espelho e a transformação do herói naquilo que ele mais odiava (conforme o colega acima destacou). É particularmente rico, do ponto de vista literário, que essa relação se dê por meio de uma imagem ausente: o herói não vê o vampiro ao espelho, e por isso sabe-se vampiro. Alguma coisa me diz que essa relação poderia estar mais bem construída (quem sabe omitindo informações, pois aqui se trata justamente de uma imagem omissa, chave da revelação).
Poderia ser algo assim: “Olhou ao redor, digerindo a estranha sensação de missão cumprida. A um canto, um móvel coberto por lençol chamou sua atenção. Descobriu-o. Era um espelho. Nele, nenhum vampiro. Desesperou-se.”
Gostei da ideia. Gramática 100%. Mas após a segunda frase já se percebia o final. Não acho que o erro foi do escritor, mas o tema nos leva a pensar na transformação
Adorei, mas pararia em “sua sombra não estava lá”. Já dá entendimento da transformação e não cai no óbvio.
Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece no momento que o caçador de vampiros percebe sua própria transformação quando não vê seu reflexo no espelho. É bem comum nos transformarmos naquilo que mais odiamos muitas vezes sem perceber. Um ótimo exemplo de quando a fantasia é utilizada como instrumento de auto-reflexão.
Gostei da ideia. Gramática 100%. Mas após a segunda frase já se percebia o final. Não acho que o erro foi do escritor, mas o tema nos leva a pensar na transformação.
Que intensidade nessa metamorfose silenciosa; me marcou de verdade.