A sombra de Inácio começou a se mover sozinha quando alguém batia à porta. Primeiro só
observava. Depois respondia. Com o tempo, passou a resolver tudo por ele, discutir, pedir
desculpas, trabalhar, decidir o que comer e quando dormir. Inácio achou prático poder
desaparecer um pouco todos os dias.
Numa manhã, a sombra se levantou, vestiu Inácio e foi viver. No chão, ele virou carne mole
ainda respirando.
Gostei do conto, embora não tenha compreendido o motivo da paragrafação exótica ao estilo Aline Bei. Quanto ao enredo, para além de um terror muito bom, pode também ser tomado como uma alegoria, inclusive para a super contemporânea inteligência artificial, a se ocupar de tantas tarefas humanas.
Forte, a sombra ganha uma personificação e o homem uma desmaterialização .
Gosto.
Gostei muito do seu micro conto. O tema da metamorfose aparece na gradual assimilação que a sombra faz do personagem humano. Confesso que me lembrou um pouco a história de Peter Pan quando ele perseguia a própria sombra. Também me parece uma crítica ao tipo de vida onde vivemos com uma máscara deixando de viver aquilo que é autêntico para nós.
Gostei por ficar intrigado com a sensação de perder o controle e sentir uma liberdade diferente.