EntreContos

Detox Literário.

Cores em fuligem (Honório Navarro)

À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor. O calendário saltava de um século para o outro, e as primaveras desabrochavam sempre anêmicas, enquanto a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas. Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos. Assim, se não me trai a memória, relatou minha bisavó, abanando suas asas queimadas.

12 comentários em “Cores em fuligem (Honório Navarro)

  1. Nilo Paraná
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Olá Honório,

    Sobre seu conto: Frases longas tornam a leitura mais lenta, mas não mais clara. Calendários saltando séculos, primaveras anêmicas, a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas. São frases bonitas, mas confusas. Li e reli, muitas vezes, mas não consegui seguir sua linha de raciocínio. Vileza das caretas, pensei naquelas borboletas que parecem ter olhos desenhados nas asas. Crisálidas, asas queimadas da avó (borboletas, mariposas?). Realmente não consegui entender. Boa sorte. Depois, gostaria muito de uma explicação sua.

  2. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Entendi que é como uma história de fantasmas contando das mudanças de séculos passando por seus pós-vidas, denotando o marasmo da metamorfose de quem já se foi. Achei que a maneira como o micro foi escrito esboça um plano de fundo e uma premissa interessantes: enquanto tudo muda sempre, nada muda para quem morreu. Mas o espaço é curto, a construção vai por uma poética que afasta mais do que atrai, e mal sobra enredo, aludido no final, quando se revela o narrador. Então sai sem muito impacto, como a apresentação de uma ideia.

  3. Leandro Vasconcelos
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor? Seu conto é um daqueles que a princípio soa hermético, mas que, depois de algumas leituras, se torna um testemunho de genialidade, pois abre vários caminhos na mente do leitor.

    A interpretação que fiz é que você descreveu o desaparecimento das mariposas brancas, e demais insetos de cor, selecionados para extinção em países industriais. É um fenômeno que foi estudado já no Século XIX por entomologistas na Inglaterra. A poluição por fuligem das fábricas enegreceu os troncos das árvores naquela época, tornando as mariposas brancas visíveis aos predadores e as pretas (mutantes) camufladas, o que levou à predominância destas últimas. É o que é descrito, no seu conto, por uma mariposa anciã e sobrevivente a um bisneto. Daí que vem a adequação ao tema do certame. A metamorfose das novas gerações em mariposas negras, em virtude da própria transformação do ambiente.

     Bem, minha interpretação pode parecer um pouco exótica. Mas é o que me sugeriram algumas passagens. “À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor.” Este trecho deixa transparecer que as mariposas brancas (os pálidos fantasmas) deixavam seus ovos por aí, enquanto observavam as labaredas das chaminés, revoltadas e temerosas de seu destino.

    O calendário saltava de um século para o outro, e as primaveras desabrochavam sempre anêmicas, enquanto a esperança, abraçada à ingenuidade, procurava voos de aquarelas.” Descrevem-se estações cada vez mais acinzentadas. A esperança aqui é o inseto. Buscava as cores da primavera, sem conseguir, pois o cenário estava coberto de fuligem.

    Não raros eram os sustos mútuos, não pela vileza das caretas, mas pela hipérbole das semelhanças — espectros tornados reflexos.” Este é excerto mais enigmático. Compreendi que se refere a algumas mariposas brancas que, cobertas de fuligem, se assemelhavam aos seus pares negros.

    Enfim. Caro autor, será que você está se revirando com essa interpretação do seu conto? Pensando assim: “Esse cara viajou na maionese! Não entendeu nada…” É uma possibilidade. Mas a culpa é sua, caro autor! Hahaha… pessoalmente me agradam contos assim, como já tive a oportunidade de dizer outras vezes. Então: parabéns!

  4. Antonio Stegues Batista
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Eu estava no meio do conto e me perguntado, cadê a história? A resposta estava no final, lá estava o mote. Pelo que entendi, a avó do protagonista/narrador, é uma fada, ou outro ser mítico que possui asas e ela conta a história, a saga da família, as provocações, brigas e batalha campal entre os clãs, quando viveu há muitos anos na Fairyland. Sim, eu imagino coisas absurdas que às vezes não é.Nem sempre acerto na interpretação das metáforas.. Gostei do conto. Parabéns.

  5. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Não entendi muita coisa. Entendi que uma avó conta histórias ou conta o passado ao neto, mas não fui muito além disso. O vocabulário é estranho ao meu repertório, me soando até um pouco antiquado.

  6. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Meu caro Honório Navarro, aqui você me traz umas pitadas das memórias da sua bisavó à beira do fogo a contar para o Honório criança das suas lembranças infantis. A velha que traz para a criança suas experiências, medos e vivências de menina na roça… Até que um dia ela ganhou asas e como todas as bisavós e avós, partiu… Ou viajo demais nas maioneses da sua história, amigo? Pois é, foi o que sua narrativa me trouxe. Fica com o meu abraço e votos de sucesso no Desafio. 

  7. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Honório Navarro!

    Tudo bem?

    Esse é um conto que desafia a própria lógica do Microconto. Enquanto os micros prezam pela concisão nos elementos da narrativa para passar/sugerir nuances para os leitores, seu microconto é extremamente recheado de palavras rebuscadas, imagens e ideias. Pareceu-me uma opção pelo estilo do próprio autor/ própria autora.

    Para mim, a narrativa ficou em segundo plano, o que é uma pena. Há um quê de realismo fantástico muito bem vindo na literatura. A história que percebi nos conta o relato de uma bisavó para o seu descendente sobre um período político social turbulento o qual viveu. E, pode ser que esse período retorne.

    Infelizmente, essa história foi soterrada pela hipérbole rebuscada. Uma pena; com menos, estaria garantido no meu top 10.

    Atenciosmente,

    Givago

  8. Mariana
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Olá. A linguagem está poética, mas prejudica a compreensão do texto. A proposta de um microconto pode ser pensada como algo no estilo “geração z, tiktok” – mensagem clara, pegar o leitor rápido. Lembrando que clareza e rapidez não significam falta de profundidade… Enfim, entendi que a história é o relato de uma avó sobre a sua história. Algo no sentido “somos netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar?”. Boa sorte no desafio.

  9. cyro eduardo fernandes
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Conto usa uma prosa poética. Imagens fortes, metáforas abundantes, deixam o texto muito aberto. Acompanhei, gostei, mas acabei me perdendo. Sucesso no desafio.

  10. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Seu microconto é interessante. A temática da metamorfose parece estar presente na mudança entre os séculos. Confesso que não compreendi muito bem a mensagem que você quis transmitir em sua narrativa. Fiquei bastante confuso ao ler.

  11. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Memória e partida. Lindo.

  12. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Que texto! Fiquei preso à musicalidade das palavras; a escrita pulsa e envolve.

Deixar mensagem para Leandro Vasconcelos Cancelar resposta

Informação

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026.