Criança modelo, adolescente tranquila, jovem estudiosa. Formou-se em medicina e partiu para disputada especialização na América. O consultório lotado provava seu reconhecimento. Solteira, no Natal foi cutucada pela madrinha por não apresentar namorado. “Fica escondendo o gato.” Ansiava pelo ano novo, tempo de férias que eram planejadas com carinho. Importava conhecer de antemão o submundo das cidades a serem visitadas. Local do hotel, lugares a serem frequentados. Tudo meticulosamente preparado. Vestidos sensuais, lingeries provocativas, cremes e perfumes, tudo na mala. Embarcada ela riu imaginando o avião como casulo. Enfim liberta, estava pronta para a metamorfose.
Anais,
Seu conto tem um texto claro e eficiente, linear. A metamorfose é sugerida (uma promessa) podendo ocorrer, ou não. Pouca dúvida ou espaço para interpretação. Até o “ponto de rutura” é seguro, ocorre nas férias e poderá ser apagado no retorno. A história é coerente e bem escrita.
Liberta do que, exatamente? Há no texto uma identificação (bastante chocante, a meu ver) entre liberdade e poder aquisitivo. Pode ser que, lá adiante, nossa mocinha quebre a cara (e espero sinceramente que quebre). Mas por enquanto temos apenas a transformação de uma patricinha numa patricinha que transa (ou almeja transar).
Meu caro Martim,
Como fez uma pergunta concreta, como autora apresso-me em responder e faço isto cheio de pontas, pois que a obra é aberta e passa ‘a propriedade do leitor assim que publicada. Liberta de quê? Ah, liberta da vida certinha e pequeno burguesa. Quis que a personagem por mim criada se libertasse a partir da opção de se prostituir nas férias, para em seguida retornar à vidinha feijão com arroz de “Patricinha”. Se ela será feliz se estará mesmo liberta, aí já serão outros quinhentos. Beijos
Gosto quando a metamorfose é uma escolha. Gosto muito.
Ei, Ana Paula,
que bom que compreendeu a liberdade da nossa personagem. E ela opta por ela. Se isto a fará feliz, a realizará, eu não sei. Obrigado por ter lido, analisado o conto e também por ter gostado dele. Beijos.
Achei marcante!
Ei, Willian, confesso para você que fiquei curiosa para saber que marca o conto deixou em você. Conta pra a gente, conta! Não seja assim tão conciso. Ou seria timidez? Beijos.