Sinto o frisson carnavalesco. Empertigado, Fernando vem pelo corredor.
A pele negra reluz com a mistura de maquiagem e glitter. Os lábios carnudos são
destacados por um batom vermelho-biscate. As laterais dos olhos castanhos ostentam uma
fina linha dourada. A regatinha branca, cheia de furos, exibe o tronco peludo, enquanto o
short curto completa o visual. A bota alta torneia suas pernas.
Perigosamente lindo.
— Bença, mainha!
— Deus lhe abençoe!
Lá vai ele pelas vielas.
Apoio-me no batente da janela e entrelaço o terço nas mãos.
“Ó Minha Senhora, que minha prece seja mais forte que a maldade dos Homens!
Olá, autor(a), tudo bem?
O tema proposto pelo desafio foi abordado por meio da metamorfose de Fernando, fantasiado de mulher para o carnaval. Não sei se seria o caso de uma mulher trans, pois a narradora o chama de Fernando e diz que ele “exibe o tronco peludo”, logo não havia iniciado qualquer transição.
Talvez fosse apenas uma brincadeira, sair em algum bloco, fantasiado de mulher. Aqui em Santos, havia um bloco As Raparigas do Último Gole, que durou 30 anos junto com o famoso Banho da Doroteia.
O que não me pareceu uma brincadeira foi a prece da senhora rogando por proteção de Fernando, pois ela conhece bem a maldade dos homens.
Não encontrei falhas de revisão.
Parabéns pela participação e boa sorte.
AMEI!! Falar de homofobia (transfobia), de prece de mãe de um jeito tão sútil, que sensibilidade. Parabéns.
Muito bom! A forma como os detalhes e o clima são descritos me pegou de imediato.