Anete cantava no vagão
E cantava muito bem
E salvou o dia de muita gente
Tirou pessoas da tristeza
De pensamentos suicidas
Mas cantar no trem era proibido
Mesmo para aquela grande voz
Anete não ganhava nada com isso
Umas moedinhas talvez
Vejam só, cantar na porra do trem era proibido!
E certa vez tiraram Anete do vagão
E Anete ficou tão zangada que pensou
Nunca mais canto merda nenhuma!
E virou Uber.
Um conto crítico e bem humorado, mas alguma coisa não funcionou bem comigo.
Acho que o fato de ser mencionado que Anete não ganhava nada pelo canto (talvez umas moedinhas) e que se tornou Uber ao fim (apontando que havia uma necessidade financeira ali) deu um pouco de curto na minha cabeça.
Virar Uber, por exemplo, não impede Anete de cantar, ainda mais se ela, de fato, cantava não pelo dinheiro, o que parece ser importante para a mensagem crítica da narrativa.
Isso que vejo como contradição, que, aliás, pode ser que esteja só na minha cabeça, não tira o resto do brilho do conto. É criativo, em forma e conteúdo, e cativante.
Olá! Maravilhosa reflexão no seu microconto! Essa questão de ser proibido, mas olha o bem que a moça podia fazer aos outros apenas cantando? É meio injusto quando ela é tirada do trem. Acho que me senti revoltada junto com a Anete. Essa parte dela ir trabalhar de Uber dá um desfecho triste, porque é tipo: “ninguém vai ouvir minha voz agora” ela ia ganhar mais dinheiro, porém poderia não ter essa conexão legal que tinha antes com a galera. Ótimo microconto! E esse nome Anete… tem algum clássico que tem uma personagem com esse nome, ou estou viajando? Sei lá, me fez pensar aqui. Enfim, bem legal teu microconto viu!
É um microconto provocativo em forma e conteúdo. Na forma, por motivo óbvio: foi escrito em verso. Tudo o que é escrito em verso é poema? Um conto pode ser escrito em verso? Enfim… No conteúdo, uma denúncia social. A própria protagonista é provocadora, cantando no ônibus, uma atitude que certamente não agrada a todos. A metamorfose é bem concreta, hiperrealista: transforma-se em motorista de Uber. Gosto muito da literatura que pensa o social contemporâneo e acho que essas provocações formais são sempre benvindas num grupo de aspirantes a escritores e escritoras. Mas o texto não ganhou muito minha simpatia, provavelmente por essa mesma atitude provocadora. Sinto que, para colocar esse microconto no meu ranking, eu teria que defender uma tese de mestrado em Literatura Contemporânea na USP ehehe. Quem escreveu esse texto, certamente sabe disso: assim como mamilos, microcontos escritos em verso são polêmicos.
Achei ruim. O poema tem uma ideia interessante ao mostrar o conflito entre a arte e a proibição, mas peca pela falta de elaboração poética; além disso, a narrativa escorrega ao não desenvolver a tensão entre a beleza do canto e a violência da repressão, deixando a transformação de Anete em motorista de aplicativo como um desfecho que mais parece um abandono da história. Esse autor precisa de mais referências, por isso digo que primeiro precisamos ler muito, depois escrever.
Oi, Astrongo!
A ideia é sagaz e traz uma crítica ácida. Anete tem um dom que alivia o sofrimento dos outros mas esbarra na regra do trem e, de tanto apanhar da realidade, resolve assumir uma “função” mais… aceita.
Só que o texto fica mais perto de um poema em linha reta do que de um micro com cena e virada com subtexto, e isso enfraquece a metamorfose (que soa mais como desistência prática do que transformação).
A última frase é um bom golpe, mas reverbera uma “solução” meio revoltada, um clichê dos tempos modernos: virar Uber.
Sem dúvidas, você tem ousadia.
Parabéns e boa sorte no desafio.
Oi, Astrongo! Teu texto é um dos mais anárquicos e corajosos do desafio. Adorei a sátira social: a arte que “salva o dia” sendo esmagada pela burocracia fria. A Anete gera empatia imediata, e essa metamorfose forçada para motorista de Uber é um sarcasmo triste sobre como o sistema apaga o brilho individual.
O formato em versos deu um ritmo de cantiga que casa bem com a protagonista. Porém, sendo direto, os palavrões no meio soaram um tanto deslocados, quebrando a “magia” da narrativa. Além disso, o final é tão abrupto que parece um “disco arranhado”. A metamorfose aqui soa mais como uma desistência do que uma evolução.
No geral, é uma obra com uma mensagem poderosa e necessária sobre a sobrevivência do artista no cotidiano.
É um poema, hehe.
Não sei muito bem o que pensar sobre esse texto. Bem, certamente não é um microconto. Anete é uma menina que tenta trazer felicidade, mas é vista apenas como uma perturbação. Revoltada com a ingratidão dos outros, ela decide mudar. Vira aquilo que queria alegrar, mas não foi capaz. É uma metamorfose negativa, mas acontece muito. Acredito que é mais normal isso do que o contrário.
O problema é que o texto é um poema. Vai totalmente contra a proposta desse desafio.
O texto tem uma ideia divertida e crítica, mas a forma de poema livre acaba deixando a metamorfose menos impactante do que poderia. A narrativa aposta no humor e na quebra de expectativa. Anete canta bem, ajuda pessoas, mas é reprimida por uma regra absurda, e sua transformação final é abandonar o canto e virar motorista de aplicativo. A graça está justamente no contraste entre o dom quase salvador e a reação mundana, porém a construção é linear demais. Funciona como sátira social, mas a metamorfose soa mais como desistência do que como revelação.
Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):
Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?
Vamos à análise:
Seu texto foi, a meu ver, um dos mais anárquicos e corajosos deste desafio. Não vi problema em ser em frases apartadas, quase como versos, já que ele realmente conta uma história bem-humorada. Por curiosidade, recomendo procurar no youtube a história de quando o professor Clóvis de Barros estudava na Sorbonne com um bolsa de estudos miserável e decidiu cantar “Trem das Onze” em francês no metrô, todos os dias, para fazer um dinheirinho – mesmo sem ser um grande cantor. Seu texto tem ritmo, história, entrelinhas e humor. Gostei! Parabéns!
Um microconto em forma de verso livre, o que foi ousado. Como conta uma história e a não há preocupação com a rima, considero que entra dentro do formato estabelecido. É a história de Anete, que imaginei como a Piaf, cantando para as pessoas no trem. Por não ser permitido, ela desiste e vira uber (Acredito que resida aqui a metamorfose). Acredito que os dois palavrões no meio da história ficaram deslocados, não combinaram com o estilo quase cantiga de roda. Parabéns e boa sorte no desafio
Oi, Astrongo. Tudo bem?
Então, seu microconto constrói uma metamorfose de vida e escolhas de forma divertida e crítica. A personagem passa de cantora talentosa e altruísta para motorista de aplicativo, mostrando como circunstâncias externas podem transformar trajetórias de forma inesperada.
O que funciona: a narrativa é humorística, direta e envolvente, com ritmo que prende o leitor; a indignação de Anete e a conclusão abrupta reforçam o contraste entre talento e regras sociais. O final é surpreendente e provoca riso e reflexão ao mesmo tempo.
O que poderia melhorar: algumas pausas ou pequenas variações de ritmo poderiam enfatizar ainda mais o impacto da transição; se quisesse aumentar a carga crítica, poderia incluir pequenas nuances sobre o efeito dela nos passageiros antes de virar Uber.
No geral, é um microconto divertido, inteligente e crítico, que trabalha metamorfose de vida e adaptação de forma leve e eficaz.
Desejo boa sorte no Desafio. Beijos
Estou repostando meu comentário por erros de digitação ( escrevo no celular, e às vezes algo passa batido, me desculpe.)
Oi, Astrongo. Tudo bem?
Eu não vi nenhum problema nos parágrafos de uma linha, como outros colegas comentaram. Para mim funcionou muito bem dentro da sua proposta.
O conto é uma mistura de humor e frustração. A Anete faz algo bonito, cantar para aliviar o dia das pessoas, mas esbarra numa regra burocrática que não enxerga isso. No final, quando ela vira Uber, tem um sarcasmo triste, como se a realidade sempre empurrasse a arte para fora.
Na minha leitura o conto funciona mais pela voz indignada do narrador do que pela cena em si. A repetição de que “cantar no trem era proibido” marca bem essa revolta. Só acho que a parte sobre salvar pessoas de pensamentos suicidas fica grande demais para o tamanho do conto e acaba perdendo força. Boa sorte no desafio.
Oi, Astrongo. Tudo bem?
Eu não vi nenhum problema nos parágrafos de uma linha, como outros colegas comentaram. Para mim funcionou muito bem dentro da sua proposta.
O conto mistura de humor e frustração. A Anete faz algo bonito, cantar para aliviar o dia das pessoas, mas esbarra numa regra burocrática que não enxerga isso. No final, quando ela vira Uber, tem um sarcasmo triste: a realidade sempre empurrasse a arte para fora.
Na minha leitura o conto funciona mais pela voz indignada do narrador do que pela cena em si. A repetição de que “cantar no trem era proibido” marca bem essa revolta. Só acho que a parte sobre salvar pessoas de pensamentos suicidas fica grande demais para o tamanho do conto e acaba perdendo força. Boa sorte no desafio.
Oi, Anete! Tudo bem? Um conto bastante diferente, tanto na forma, como no conteudo (diferente do resto do desafio, no caso). Li algo sobre esse conto no grupo, algo sobre o formato não ser compativel com conto, mas nao me parece ter muita procedencia. Aqui, não temos uma poesia. Temos apenas umas estrutura mais experimental que casa perfeitamente com o tom ritmado proposto no enredo. Acho que funciona muito bem. Por algum motivo, a leitura, e isso é merito seu, flui de forma muito rapida, quase cantada. A história é um pouco tragicomica: Anete só queria fazer os outros se sentirem bem, mas, dentro de uma estrutura cujas regras se baseam na ordem, e nao no bem estar, vê a esmagadora estrutura social amassar seus sonhos e formata-los de acordo com a norma vigente. É um conto sobre a pureza e a boa vontade sendo esmagados pela fria estrutura social. E bem feito. Só não achei que a ultima linha tenha combinado com o resto. Se o conto soava como musica, a ultima linha foi como um disco arranhando. Nao estraga o conto, mas poderia brilhar ainda mais com um final mais inspirado. AParabens!
Me parece um conto com vários parágrafos de uma linha. Não vejo como poema, e nem linguagem poética tem. É bastante simples, talvez até demais. Mas, influenciado pela Kelly, estou vendo com bons olhos, como a letra de uma música.
Concordo também com quem disse que o parágrafo final traz uma parada brusca, daqueles que todo mundo voa pro fundo do veículo. Se era essa a intenção, então funcionou. Mas achei um pouco estranho, assim como a escolha por ela virar uber. Talvez outra escolha poderia ter sido mais engraçada, ou trágica, ou se encaixar melhor. Isso apens a autoria poderá saber.
Astrongo,
Relendo Anete com mais calma, e depois de acompanhar os comentários, fiquei pensando que o ponto central aqui não é só o humor ou a crítica, mas a lógica da adaptação. Anete transforma o ambiente enquanto canta. Ela altera o humor coletivo, cria um desvio na rotina, quase reorganiza aquele espaço pela força da presença. Quando a proíbem, a metamorfose acontece. Não é mágica, é social. Ela se desloca para outro papel, outra função, outro enquadramento.
Isso me fez lembrar de outro micro do desafio em que o personagem também ajusta a própria identidade para caber numa estrutura formal de trabalho. São textos diferentes em tom e construção, mas dialogam nesse ponto: ambos mostram personagens que modulam quem são para sobreviver dentro de um sistema.
A diferença, para mim, está na forma como cada texto conduz essa transformação. Em Anete, a mudança é mais alegórica, mais visível, quase uma parábola contemporânea. No outro, ela é mais íntima, mais silenciosa. Não é uma questão de um funcionar melhor que o outro, mas de intensidade e de efeito. Em um eu observo a crítica; no outro eu sinto mais o deslocamento interno.
Talvez por isso Anete não tenha entrado no meu Top 10. Eu reconheço a construção, o ritmo, a personagem forte e memorável. Mas, na minha leitura, a transformação aqui opera mais no plano da ideia do que no da experiência sensorial. Ainda assim, é um micro que cumpre o que se propõe e provoca reflexão sobre até onde uma voz pode ecoar antes de ser enquadrada.
Gostei, boa sorte no desafio!
Parágrafos curtos que remetem a um poema. Mas, claro, não é poema. Digo até que nem prosa poética é… Mas é uma história interessante: a cantora de trem que, proibida de cantar, vira uber.
Não sei se curti esse final, já que ele parece desconectado da atmosfera mais, como direi, melodiosa de tudo que o antecede. Há uma espécie de magia na contextualização, que é bruscamente interrompida pela, me desculpe dizer, pela lacração do fim. Bem, talvez a vida seja assim mesmo, sonhos são costumeiramente destruídos por uma realidade insensível. Ainda assim, penso que mesmo no uber, ou em outro lugar, deveria ter havido algo que ligasse Anete à música, nem que fosse um assobio.
Em suma, queria ter gostado mais. Talvez outras pessoas tenham uma ideia diferente da minha — o que é bem provável, aliás — apreciando melhor o conto.
De qualquer forma, parabéns e boa sorte no desafio.
É poema? É conto? Vale? Não vale?
Na minha modesta opinião, o conto se utiliza de um recurso metalinguístico. Anete canta no trem e o conto tem o formato de uma letra de música. Curti a audácia. Também na minha modesta opinião, se fosse um poema não teria problema nenhum, contanto que contasse uma história.
A narrativa é simples e direta. Talvez um pouco plana demais. Mas há uma graça nesta escolha do autor (além de ser um alívio conseguir ler e entender, no meio de tantos contos herméticos). Como disse, o conto tem o formato de uma letra de música, singela e engraçadinha. E, ainda assim, muito verdadeira.
Mesmo dentro dessa simplicidade, há um subtexto. O conto fala de Anete e de como ela decidiu virar Uber, mas nos faz pensar nas coisas que são proibidas e na importância da rebeldia. Há uma razão para proibições. Se fosse permitido cantar no trem, as viagens seriam insuportáveis, cheias de centenas de Anetes disputando a cada decibel os ouvidos dos passageiros. Mas o que seria da vida sem uma Anete que se rebelasse e salvasse um dia cinzento?
Só um monte de Ubers.
Ola Astrongo,
Achei bem interessante a ideia das frases no micro, dando a ideia de uma poesia ou, ao ler o texto, da letra de uma música.
O conto é bem dividido e conta a história de Anete que gostava de cantar no trem mas, por ser proibido, decidiu virar Uber após ser expulsa. Ou decidiu abandonar seus sonhos depois de uma decepção.
Gostei bastante da ideia e da forma como aproveitou as palavras.
Parabéns!
Astrongo,
Eu tenho mania de querer reescrever o conto dos outros. Me desculpe de antemão se isso te ofende, mas aqui não vou resistir mais uma vez.
Olha, achei que a forma em versos tem um grande potencial. De certo modo ela alude ao próprio canto da nossa querida Anete (personagem por quem tenho particular simpatia, pois os músicos do transporte já salvaram meu dias várias vezes). Justamente essa relação da forma com o conteúdo poderia ser mais bem explorada. O que imaginei é que o conto todo poderia estar rimado, como se fosse a própria canção que a Anete está nos apresentando (não tem problema que ela narre sua própria história em terceira pessoa, isso dá até um charme). Algumas expectativas de melhora de vida para Anete seriam construídas e apoiadas pela confirmação das rimas, até que no desfecho os seguranças pegariam e ela e pimba! – a rima não acontece, no último verso (que é quando ela vira Uber). O que me diz?
Olá, Astrongo!
Seu texto tem uma premissa divertida e contestadora, usando a metamorfose de Anete, de cantora vibrante no trem pra motorista de Uber calada, pra cutucar as regras rígidas de espaços públicos, onde uma voz que “salva o dia” é barrada por normas.
A forma em versos livres reforça a rebeldia, como se o texto em si se recusasse a seguir as “proibições” de pontuação e prosa regrada, alinhando forma e conteúdo numa crítica irônica ao burocrático.
Tenho uma visão diferente da sua, pois considero que a convivência coletiva precisa de limites e respeito mútuo, senão vira caos, e o conto romantiza um pouco o “salvou o dia” sem mostrar o outro lado dos passageiros incomodados. Ou você realmente acha que todo mundo gosta de música no trem?
Como melhoria, adicionaria pontos ou vírgulas para dar fluidez sem perder o ritmo oral, e talvez um detalhe concreto da voz dela (uma nota alta ecoando) a fim de aumentar o impacto emocional. De todo modo, é uma história cativante que provoca debate, provando que até um “poema-proibido” pode virar carona.
Parabéns pela ousadia e boa sorte!
Olá, autor(a), tudo bem?
Antes de mais nada, já digo que o formato do seu texto em nada me incomoda. Liberdade para nossas palavras!
Quanto ao conteúdo, achei a mensagem válida e poderosa. Não se pode nem mesmo cantar para alegrar a travessia tão entediante do dia a dia? Gente chata!
A metamorfose pode estar tanto na estruturação do conto quanto na transformação de Anete – de passageira de trem a motorista de uber.
Não encontrei falhas de revisão.
Parabéns pela participação, irmã cigarra e boa sorte ao lidar com essas formiguinhas insuportáveis.
É uma história com uma moral interessante, mas reta demais. Não há brilho narrativo, poética ou uma linguagem literária mais refinada. A escolha de uma escrita mais “dura” não funcionou com a estrutura em versos, para mim.
É uma história criativa, mas com pouco brilho literário.
Gosto bastante da sua história, dos caminhos abordados e do desfecho, mas tenho algumas questões com a execução dela. A forma meio poema, meio prosa acabou ficando um pouco desconexa para mim. Do mesmo modo, a metamorfose como tema, primeiro de Anete mudando as pessoas e depois Anete sendo mudada pelo mundo, até funciona, mas creio que poderia ser amplificado (ao menos na primeira metade).
Olá, Astrongo
O seu texto é bom, trata de do proibido, das regras que nem sempre fazem sentido. Não pode porque não pode…
Apesar de ter separado as frases em linhas distintas, não vejo cada uma delas como um verso. Não me pareceu um poema. Não entendi a escolha pelo formato. Talvez tenha sido justamente para brincar com essa questão do que pode e o que não pode. Se fica bom, por que não?
O tema metamorfose passou meio longe, na minha opinião.
Achei o final um pouco bobinho. Uber para ter seu próprio veículo e cantar aos passageiros? Blz, mas não encantou.
Parabéns pelo texto.
Pelo título e introdução, achei que seria um conto sobre uma garotinha pobre que se transforma em uma estrela, em uma cantora de fama mundial, mas aí é difícil escrever uma biografia dessas em 99 palavras, né. E você resolveu transformar Anete em motorista de Uber! Acho que faltou inspiração. Alguns autores com bloqueio criativo permanecem sentados diante de suas escrivaninhas por tanto tempo com olhar no horizonte que seus pés acabam por criar raízes. Eles se transformam em vegetais. Que tal essa ideia?
Olá, autor. Como vai? Acho que todo mundo vai te falar que esse teu conto parece um poema, porque, óbvio, graficamente se assemelha a um. Não vejo problema nisso, pois sou filiado à Associação Forma Livre. Realmente parece um poema no início, que depois toma as feições de uma crônica de humor. É uma mistura. Acho que esse é o principal problema: o texto não define o que quer ser! Há uma crise de identidade, principalmente porque a versificação aqui não ajuda muito. Olha, eu gostei da ideia, do conteúdo. Coitada de Anete! Quantas Anetes não vemos por aí todo o dia? A criatividade do brasileiro destruída por conta de burocracias, regulamentos, normas que ninguém conhece e que são criadas por gente inescrupulosa e imbecil. O Estado aqui serve mais para encher o saco do que qualquer outra coisa. E você expôs essa crítica de uma forma leve, cômica. Então, acho que se essa ideia do texto tivesse uma roupagem mais adequada, poderia desfilar na Paris Fashion Week! Mas você colocou a pobre coitada de biquíni cavadão no trem! Aí fica difícil! Kkk…
O conto tem um tom de cantiga – apropriado, tendo em vista a personagem – cuja alegria da cantoria dá lugar a uma revolta que fica bastante cômica com o texto, retendo sua transformação até o final. Entretanto, o micro fica fortalecido mais pela narração do que pela metamorfose a que foi desafiado apresentar, perdendo em relação a outras abordagens do certame. Talvez mais nuances enriquecessem a personagem em sua nova posição como uber, se houvesse mais espaço.
Ei, Astrongo, achei que você, pela própria formatação dada, criou um poema, uma poesia bonita, sabe? Ao final meteu algo que quebra tudo, faz sorrir. Ela virar motorista de Uber. Achei que está um tanto fora do que foi pedido aqui. Meu abraço e tomara que só eu tenha visto assim, né?
Olá, Astrongo!
Tudo bem?
Bom, é difícil ler seu micro e não cair no dilema de comentar sobre a questão poesia ou microconto? Tem um quê de quadradismo, de uma mania de querer encaixar algo numa caixinha. Pessoalmente, não levei muito isso em conta na hora de avaliar.
Vou comentar apenas uma coisa relacionado a isso; qualquer que tenha sido a estrutura que tenha escolhido, penso que faltou o lúdico, o lírico, a arte de brincar com as palavras, a musicalidade. Do jeito que li, me pareceu mais um grito de guerra de uma tropa militar. Duro e com um ritmo só.
No mais, eu gostei da narrativa. Temos uma metamorfose, uma involução. Toda vez que alguém se deixa perder seu lado artístico, o mundo fica mais cinza. Fui tocado por isto!
Atenciosamente,
Givago
Gostei do formato poesia. Gostei da história. Anete nos conta muito, sua interação, seu desprendimento. Será que alguém sentirá falta de Anete, chorará pela sua ausência? Anete foi um momento que passou, acabou. Deve ter mudado de nome. Quando pegar um uber, fique atento, se cantar, pode ser Anete.
Parabéns pela participação, Astrongo!
O microconto, com estrutura de poema, não só tem um final infeliz para Anete — que se metamorfoseou em motorista de Uber —, mas também para os passageiros que apreciavam e até mesmo dependiam de sua arte. E agora? O que será das pessoas tristes, dos potenciais suicidas? Além disso, Anete mal se preocupava com os cifrões: sinal de que cantar para seu público era, por si só, gratificante. Sabendo disso, o final torna-se ainda mais cruel, real, mas tão real que a sensação que fica no leitor é a de que conhece a cantora.
Como se trata de um desafio de microcontos, a escrita em prosa é preconizada. Em razão disso, acredito que a disposição em versos do seu texto, nesse contexto, encontre resistência. Não obstante, as expressões curtas aceleraram o ritmo, o que, a meu ver, é um ponto positivo, porque facilita a leitura e torna a obra mais concisa.
Uma poesia que começa bela e termina em uma espécie de piada, que começa poética e termina realista. Não vi microconto, portanto é um texto estranho ao desafio, fora de lugar.
O microconto/poema cumpriu seu papel. Nos apresentou a Anete. Bom final contemporâneo, como outros tantos personagens reais que estão lutando contra as adversidades. Sucesso no desafio.
Olá, Astrongo! (Gosto de pesquisar os pseudônimos e o seu parece ser um programa pra facilitar jogos.. alguma coisa assim 😁) Tudo bem?
Seu micro parece mais um poema! Uma estrutura de linguagem mais condizente com a poesia… eu gosto.
Anete foi proibida de cantar no trem e decidiu virar uber. O micro mostra muito mais do que isso, como a injustiça e incoerência do sistema que oprime, a desesperança de quem é oprimido, e a transformação que muitas das vezes é forçada pelos outros. Enfim, gostei!
Parabéns e boa sorte!
Até mais!
Gostei muito do seu microconto. O tema da metamorfose aparece na mudança que a música que a personagem principal canta no trem opera sobre os sentimentos dos passageiros. aparece também no final da narrativa quando a personagem para de cantar e decide trabalhar com Uber. Também achei o texto bastante engraçado. A narrativa é bastante atual tratando de temas como a violência institucional e o preconceito contra os artistas populares de rua.
Gosto, mas não vejo uma metamorfose, vejo uma mudança de lugar … posso estar errada.
Adorei! O texto tem humor e revolta na medida certa; Anete é impossível de esquecer.