EntreContos

Detox Literário.

The Ecstasy of Gold (Willians Marc)

John Silver voltava do Sallon onde havia ido comprar leite. Usando sua roupa velha e sob seu chapéu preto, ele se mantinha de cabeça baixa, caminhando lentamente. Mesmo que John não gostasse daquele lugar, seu pequeno filho, que ainda nem sabia falar, obrigava ele a ir até lá. As lágrimas de Kyle escorriam sobre o seu rosto, como a chuva escorrendo lentamente por uma janela, enquanto ele era levado no colo por seu pai.

Novos ventos vinham do leste e incontáveis redemoinhos se formavam e se desfaziam tão rapidamente quanto um homem pode sacar sua Colt 45 para matar seu inimigo. A terra parecia se levantar ao ser convidada para uma dança com o vento e o céu observava tudo de forma nítida e clara, sem ser atrapalhado por nenhuma nuvem de chuva.

Vendo tudo isso, estava Margaret Kunis, uma senhora que sempre usava vestidos longos e marrons, e tinha tantas rugas na cara quanto cabelos na cabeça. Todos os dias ela ficava sentada em uma cadeira na frente de seu hotel. Essa mulher era os olhos da cidade, ela sabia de tudo que aconteceu ou deixou de acontecer.

– Bom dia Senhora Kunis – cumprimentou John Silver, ele sabia que o melhor a fazer era ser o mais educado possível com ela. Se não, todo tipo de boatos poderiam chegar à sua vida, mais rápidos do que uma bala.

– Bom dia! – respondeu ela de modo ríspido – esse bebê chora cada dia mais! Será que ele nunca vai crescer?

– Ele tem apenas um ano e sente muita falta da mãe dele.

– Humpf, claro, claro – lembrou-se ela, cuspindo tanto que parecia que havia começado a chover no deserto – o senhor já havia me contado da triste morte de sua esposa. Assassinada por um fora-da-lei que confundiu ela com uma prostituta. Isso é o fim do mundo! Enquanto ele está solto por aí ameaçando outras pessoas, o senhor sofre para criar os seus três filhos…

John Silver não sabia o que dizer à ela, ele nunca havia visto o homem que matara sua esposa e não sabia o que faria se visse.

– Nós continuamos tentando achá-lo senhora Margaret Kunis – afirmou o Xerife James Gold, que passava por lá naquele momento – Entretanto, esse tipo de mau caráter se esconde bem.

– Humpf! O senhor está fazendo um excelente trabalho – ironizou a Senhora Kunis, de braços cruzados, fechando os olhos levemente e virando o rosto de lado.

– Bom… se me derem licença eu preciso ir – disse John, incomodado com a situação – Kyle não para de chorar e ele realmente precisa comer, até logo.

– É o melhor que o senhor pode fazer senhor Silver – respondeu a Senhora Kunis.

– Até mais ver senhor Silver – despediu-se o Xerife.

***

John pensou ter caminhado quilômetros entre o Sallon e sua casa, mas na verdade eram apenas algumas centenas de metros. Quando estava se aproximando de sua casa, viu que Judy Rose também passava por lá. Judy Rose era uma senhorita que trabalhava no Sallon, era realmente uma mulher muito bela, com cabelos dourados como os raios de sol, seios fartos que destacavam-se ainda mais devido ao grande decote do vestido que ela usava, um vestido azul, assim como seus olhos.

– Bom dia Senhor Silver – cumprimentou ela parecendo surpresa.

– Olá Senhorita Rose, posso ajuda-la em alguma coisa?

– Não… – respondeu ela – recebi um recado para encontrar um senhor na saída da cidade, mas ele ainda não chegou.

– Entendo – John sentia-se atraído por aquela mulher, porém não sentia-se confortável em saber com o que ela trabalhava, na verdade não sentia-se confortável com quase nenhum bela mulher, sua esposa era uma amiga de infância e fora sua primeira e única mulher – A senhorita vai… prestar… fazer… algum tipo de… serviço a esse senhor?

– Não! Não! O bilhete dizia apenas que eu devia encontrar um homem aqui.

– Entendo, desculpe pela intromissão. Preciso entrar para dar leite ao meu filho. – O bebê já estava sem folego de tanto chorar.

– Claro senhor, fique à vontade. – disse ela fazendo um leve cumprimento abaixando a cabeça, o movimento deixou seus seios ainda mais expostos e John, ainda mais constrangido.

– Papai! – gritou Sarah, a filha mais velha de John, que tem apenas sete anos e cabelos compridos e negros como petróleo, assim como sua mãe tinha – você demorou muito, já estávamos morrendo de fome quando você saiu, poderíamos comer um cavalo.

– Sim papai – confirmou Robert, o outro filho de John, que tem 5 anos – o que você trouxe pra nós?

– Infelizmente não pude trazer muita coisa – Respondeu John – o dinheiro que tínhamos guardado está acabando e ainda não consegui achar um trabalho desde que nos mudamos para esta cidade.

Ele colocou o bebê no seu berço e as crianças, extremamente desanimadas, foram cada uma se sentar em um lugar diferente da pequena casa. John foi direto à cozinha para ferver o leite de Kyle. Colocou o leite no fogão a lenha e ficou com o bebê no colo, tentando acalma-lo. Mesmo com o bebê no colo, John foi até o seu quarto e pegou a sua arma, verificou que estava sem nenhuma bala carregada, buscou as balas em um armário próximo de onde estava e armazenou paulatinamente cada uma das balas. Quando foi colocar a sexta e última bala, Kyle começou a chorar novamente e se mexeu com tanta força que John deixou uma das balas cair no chão, ela caiu em um pequeno buraco do piso de madeira. Ele colocou o bebê no chão e olhou pelo pequeno buraco, não conseguia ver onde a bala estava. Quando John foi se levantar novamente, viu que sua filha Sarah estava na porta vendo o que ele estava fazendo. Ela olhou com cara de incerteza, pois nunca tinha visto essa arma antes.

– Papai, por que você tem uma arma em casa?

– Precisamos saber nos defender nesse mundo filha.

– Você também deu um nome à sua arma? Como os fora-da-lei fazem?

– Não filha, essa arma não tem nome, mas muitos chamam esse tipo de arma de Peacemaker. – disse ele, e depois de pensar um pouco pediu para que ela fosse para a cozinha com ele.

Ao chegar na cozinha, John ouviu gritos de uma mulher, pareciam ter vindo de algum local não muito longe de lá.

– Sarah e Robert fiquem aqui dentro aconteça o que acontecer. Sarah cuide dos seus irmãos.

Sarah colocou Kyle no berço, John pegou a sua arma e saiu para ver o que havia acontecido. Desceu os degraus de sua casa lentamente, tentando achar algo de incomum na paisagem. Nesse momento, John ouviu um tiro vindo quase do fim da cidade. Ele começou a correr, a arma já estava engatilhada, o coração estava disparado antes mesmo do primeiro passo ser dado, ele nunca havia sentido esse tipo de emoção. Depois de ter corrido algum tempo, viu um corpo no chão e esse corpo estava vestido de azul.

No horizonte podia ser visto alguém fugindo a cavalo, mas, como John havia esquecido de colocar o seu chapéu ao sair de casa, o sol impediu que John visse quem fugia. Ao chegar no corpo de Jude, ele viu um buraco no peito dela, ele segurou ela nos braços e ela disse:

– Procure o meu pai… – Foram as últimas palavras de Jude, porém John não sabia quem era o pai de Jude.

Após ela dizer essas palavras, John percebeu que muitas pessoas vinham em sua direção, inclusive a senhora Kunis, ela olhou para a arma nas mãos de John e para o corpo de Jude e rapidamente concluiu:

– Senhor Silver! O senhor matou a senhorita Jude!

Naquele momento John não soube o que dizer, apenas se levantou e recuou lentamente para o lado oposto de onde a multidão vinha. Todos olhavam para ele com olhar acusador. Não diziam nada, mas os pensamentos da multidão podiam ser ouvidos por qualquer um.

Instantes depois, o Xerife chegou a cavalo até o local, parecia estar cansado e tinha um olhar desconfiado diante daquela situação.

– O que aconteceu aqui senhores?

– John Silver matou a senhorita Jude – Afirmou com toda convicção o dono do Sallon.

– Sim! Foi ele! – concordaram inúmeras outras pessoas.

– Não fui eu! – defendeu-se John – Eu apenas ouvi os gritos e decidi ver o que estava acontecendo, quando eu cheguei aqui, Jude já tinha sido ferida e alguém estava fugindo a cavalo!

Todas as pessoas começaram a falar ao mesmo tempo, cada um dizia uma coisa diferente, porém, todos afirmavam que John era culpado pelo assassinato.

– Senhoras e senhores, por favor, fiquem calmos! – exigiu o Xerife – vamos investigar o caso. Senhora Kunis, a senhora viu John Silver com a senhorita Jude Rose hoje?

– Sim! – confirmou ela – vi eles juntos mais cedo! Provavelmente eles estão tendo um caso amoroso! Mas os dois brigaram hoje e John perdeu a cabeça!

– Não! – gritou John – isso não é verdade, eu apenas vi ela hoje por acaso!

Mais gritos e acusações foram direcionados a John, mas ele não sabia o que falar, nunca tinha passado por uma situação como aquela em toda a sua vida.

– Peço silencio a todos! – pediu novamente o Xerife – John, você chegou a disparar algum tiro em direção ao fugitivo?

– Não, eu não consegui mirar nele por que o sol atrapalhou a minha visão já que eu estou sem chapéu.

– Entendo – disse o Xerife – tenho apenas mais uma questão a você; se você não disparou nenhum tiro em direção ao fugitivo e, acredito eu, você não tenha usado a sua arma recentemente, podemos concluir que sua arma está com todas as balas carregadas, estou certo John?

– Sim, claro! – respondeu John, sem pensar, naquele momento tudo o que ele queria era provar sua inocência e voltar para sua casa e seus filhos.

– Muito bem John – falou o Xerife, ele desceu do cavalo, arrumou o seu cinto, onde estava a sua Colt 45 e, a passos curtos, caminhou em direção a John – Deixe-me ver a sua arma senhor Silver.

Rapidamente, John entregou a arma ao Xerife. Ele pegou a arma, verificou quantas balas estavam carregadas e olhou novamente para John.

– Senhora Kunis – chamou o Xerife – quantos tiros a senhora ouviu serem disparados hoje?

– Apenas um! – respondeu ela – acredito que os dois estavam próximos! E o tiro tenha sido certeiro!

– Entendo – o Xerife olhou mais uma vez para a arma – John, o senhor está preso pelo assassinato de Jude Rose, temos muitas testemunhas do seu crime e a sua arma está com apenas cinco balas carregadas.

– O que? – questionou John instintivamente – mas… não pode ser… eu não disparei nenhum tiro…

A cidade inteira estava no local, a mente de John já não estava mais em lugar nenhum, ele conseguia pensar apenas nos seus filhos. E foi pensando neles que John se lembrou do que havia acontecido.

– Xerife! A bala que falta na minha arma caiu em um buraco do chão da minha casa quando eu carregava a arma antes do incidente! Se o senhor for comigo até a minha casa eu posso provar isso!

– Eu espero que você não me cause mais problemas – respondeu o Xerife – está comprovado que foi você quem disparou o tiro e não farei nada do que você pedir. Eu vou prendê-lo até amanhã e, amanhã, ao meio-dia, você será enforcado no centro da cidade, para que isso sirva de exemplo de que, na minha região, todos que infringem a lei são severamente castigados!

Todos da cidade estavam fora de si, precisavam culpar alguém pela morte de Jude e John estava no lugar errado e na hora errada, mas as últimas palavras dela não o haviam ajudado a descobrir nada.

***

John Silver estava preso, o sol tinha acabado de nascer e ele não sabia o que seria de sua vida e de seus filhos a partir de então. A cela onde ele estava tinha apenas uma cama velha e a única companhia que ele tinha, eram as grades da porta e da janela.

– Ei, você – disse uma voz, que ele não sabia de onde vinha – você é o John Silver certo?

– Sim – respondeu ele, olhando para os lados, tentando descobrir de onde vinha a voz – e quem é você?

– Eu sou Jimmy Trujillo, pai de Jude – respondeu ele, John sentiu um calafrio e lembrou-se das últimas palavras dela – e eu sei que não foi você quem matou a minha filha, mesmo estando preso aqui a dois dias.

– O último pedido da sua filha, foi para que eu procurasse o senhor…

– Imagino que sim, nós sabemos de algumas coisas que muita gente não gostaria que soubéssemos. Mas antes de falarmos disso, preciso esclarecer algumas coisas ao senhor.

– Como assim? – questionou John – eu não conheço o senhor, que assuntos temos em comum?

– A morte da sua esposa.

Um período de silencio pairou sobre o local, era um momento de tensão, tal como uma águia voando sobre sua presa. John não sabia o que dizer, estava imobilizado. A morte de sua esposa sempre foi um mistério pra ele, porém ele nunca havia tentando descobrir o que havia acontecido.

– Eu sou o fora-da-lei que foi acusado de matar a sua esposa.

– Como você veio parar nessa cidade? Eu vim pra cá há alguns meses para que as crianças não lembrassem tanto de sua mãe. Tudo na casa onde morávamos lembrava ela. Como você me encontrou aqui?

– Venho te seguindo há algum tempo, precisava esclarecer toda essa história com você, mas eu também estou sendo vigiado e não pude me aproximar de você desde então. A verdade é que a sua esposa descobriu um segredo a respeito do Xerife dessa cidade. Ele estava cobrando algumas taxas dos fora-da-lei para que eles pudessem realizar todos os crimes sem se preocupar em serem presos e executados. Eu mesmo era um desses criminoso. Certo dia, ela me ouviu conversando com o Xerife quando voltava para casa após ir comprar leite no Sallon e, por essa coincidência, o Xerife matou ela. Entretanto, obviamente, ele colocou toda a culpa em mim, mesmo que, nesse caso, ninguém tenha sido testemunha do que ocorreu, ele forjou provas contra mim e eu fui obrigado a aceitar isso, para que eu pudesse continuar com os meus trabalhos e o Xerife não me prendesse. Entretanto, ele havia pedido para que eu nunca mais aparecesse na região dele, o que eu desrespeitei e por isso estou preso há dois dias.

Todo sangue pareceu ter fugido de John ao ouvir essas palavras, ficou completamente pálido, como algodão. Estava suando frio e continuava imobilizado. Muita coisa havia sido explicada, mas ele não podia aceitar que sua esposa tivesse morrido por um simples acaso do destino. Jimmy se manteve quieto por alguns minutos para que John pudesse digerir as palavras que ele havia soltado de sua boca.

– Mas se você é apenas um fora-da-lei – disse John, recobrando um pouco de sua consciência – Por que decidiu me contar tudo isso? Não tem medo das autoridades ou de que eu decida matá-lo por vingança?

– John, assim como você ama os seus filhos, a única coisa importante para mim era a minha filha, porém eu sou apenas um mestiço de inglês com índio e vivi minha vida inteira como criminoso, já que nenhuma das minhas famílias me aceitou por completo. Minha filha também aprendeu a viver sozinha, pois eu só conseguia ver ela algumas vezes por ano.

– Entendo – balbuciou John tão baixo que quase não era possível ouvir.

– E agora John – disse Jimmy – vamos voltar ao assunto da minha filha. Há dois dias atrás eu vim visita-la e contei a ela a história de sua esposa, ela ficou indignada com a ganância e falta de caráter do Xerife, mesmo que eu seja um fora-da-lei, tenho as minhas próprias regras e não mato inocentes. Mas não podíamos fazer nada para ajuda-lo naquele momento. Eu já havia enviado um pedido de ajuda a alguns amigos meus, mas eles só chegarão hoje nessa cidade, não consegui fazer nada antes disso e, pelo o que eu imagino, o Xerife deve ter matado Jude para que ela não contasse esse segredo para ninguém. Mas é com a ajuda desses meus amigos que pretendo me redimir dos erros que cometi durante toda a minha vida.

***

John e Jimmy já estavam com a corda amarrada no pescoço e de mãos atadas, sentados em cima de dois cavalos pretos e esperando a hora em que esses cavalos seriam assustados pelo tiro do Xerife Gold. Todos os tipos de pessoa estavam no local, desde algumas crianças até a senhora Kunis, estavam enfileirados em dois lados opostos, para que os cavalos pudessem correr assim que os tiros fossem feitos. Parecia que todos queriam ver sangue naquele dia, a vida monótona da cidade havia sido rompida quando o Xerife disparara um tiro contra Jude e, somente com a execução de John, tudo voltaria ao normal.

– Hoje estamos aqui reunidos para que a justiça seja feita – afirmou o Xerife Gold – esses dois homens cometeram crimes bárbaros. Jimmy Trujillo é um fora-da-lei que tem cometido crimes por toda região e merece morrer por isso. Já John Silver, assassinou friamente a senhorita Jude Rose, que Deus a tenha, sem nem sabermos os motivos, já que não podemos acreditar nas palavras que saem dessa boca mentirosa.

John viu os seus filhos a alguns metros dele, estavam perto de uma carroça com um grande dente em cima, John não entendeu o que um dentista fazia na região, nunca havia visto um naquela cidade, perto da carroça também estava um homem branco extremamente bem vestido e um homem negro, tão bem vestido quanto o outro, mas John ignorou tudo isso. Estranhamente, seus filhos estavam com malas nas mãos, pareciam que estavam prontos para fugir, mas John não sabia como isso poderia acontecer, Jimmy achou melhor não explicar o seu plano a John.

– John – disse Jimmy olhando para ele e com a voz bem baixa – espero que você consiga se virar daqui pra frente, se tudo der certo, a morte de Jude e da sua esposa não terão sido em vão, sei que nada trará elas de volta, mas talvez o mundo fique melhor daqui pra frente, sem o Xerife Gold.

– Fiquem quietos seus bastardos! – xingou o Xerife sem deixar ser percebido pelo público – em poucos minutos vocês estarão mortos.

– Que seja Xerife Gold – falou Jimmy, calmamente.

– Termine logo com isso Xerife! – gritou a senhora Kunis, antes de dar uma série de tossidas que pareciam que ia matá-la.

Ele ficou de frente para público, engatilhou a arma, apontou para cima e disparou. Nesse momento, três tiros foram ouvidos. Um havia ido em direção ao céu, fora disparado pelo Xerife. Os outros dois haviam partido dos dois homens que estavam perto de seus filhos. Um dos tiros havia atingido a corda que amarrava John pelo pescoço; o cavalo em que ele estava galopou por um tempo mas John conseguiu controlar ele. Já o cavalo em que Jimmy estava, correu de forma descontrolada e o pai de Jude acabou morto. O outro tiro que havia sido disparado atingiu o Xerife, o sangue fez um círculo vermelho no seu peito e, após alguns instantes sem entender o que havia ocorrido, ele caiu no chão, primeiro de joelhos e depois batendo a cara no chão.

– Senhoras e Senhores, meu nome é… – disse de forma hesitante o homem branco que havia disparado o tiro – meu nome não precisa ser dito. Mas hoje a justiça foi realmente feita, vocês não sabem de nada, mas esse Xerife que vocês respeitavam, era um criminoso também, ele cobrava taxas dos criminosos da região para que eles não fossem presos e executados. Em breve um novo Xerife chegará à cidade. Nós iremos levar o corpo do Xerife, um boa recompensa será paga por ele. Quanto ao Senhor John Silver e sua família, eles irão para uma outra cidade e espero que nenhum de vocês persigam eles. Até nunca mais, senhoras e senhores.

Enquanto o homem branco discursava, o homem negro havia soltado a corda do pescoço de John e cortado as cordas das suas mãos. John já estava junto de seus filhos e um cavalo havia sido preparado para eles.

– Vocês não conseguiram salvar Jimmy? – questionou John.

– Ele não queria ser salvo – respondeu o homem branco – não tinha mais motivos pra viver e deu a vida dele para que você pudesse viver a sua.

– Obrigado senhores – disse John, sem perguntar o nome dos dois, isso não era necessário.

John e seus filhos saíram da cidade, cavalgando pelo deserto, sob um sol escaldante. Kyle estava no colo de John, dormindo tranquilamente, enquanto seus dois outros filhos montavam o outro cavalo. A família cavalgava para uma nova vida e todos eles esperavam que fosse uma vida melhor.

20 comentários em “The Ecstasy of Gold (Willians Marc)

  1. Willians Marc
    26 de maio de 2014
    Avatar de Willians Marc

    Olá a todos, quero agradecer a todos os comentários e criticas feitas ao conto, com certeza me ajudarão muito a melhorar os meus textos daqui pra frente. Ter um publico para ler textos de autores iniciantes é muito importante e acho que esse é o principal mérito desse desafio.

    No mais, tenho a dizer que esse foi apenas o primeiro conto (espero que de muitos) que eu escrevi em toda minha vida e, por esse motivo, acho que ocorreram os erros apontados por todos. Ter tentado escrever ele em apenas quatro dias (durante o feriado de primeiro de maio) também colaborou muito para que o texto tivesse vários erros que eu não esperava cometer.

    Talvez tenha escolhido um desafio com nível elevado demais para mim, entretanto dizem que se você não conviver com pessoas melhores que você não é possível crescer, então é isso que estou buscando aqui, ajuda de pessoas com mais experiencia em escrita do que eu.

    Obrigado a todos e até o próximo desafio!

  2. Tom Lima
    24 de maio de 2014
    Avatar de Tom Lima

    Novamente a falta de espaço.
    A história funcionaria melhor num formato maior, com mais tempo para explorar os personagens, que são muitos.

    Boa sorte.

  3. vitorts
    24 de maio de 2014
    Avatar de vitorts

    O conto está bem escrito, mas falta um pouco de dinâmica. Não entendi o motivo da referência aos personagens de Django. Pareceu gratuita e um pouco deus ex machina. Mas reafirmo, está bem escrito e merece uma revisada.

    Boa sorte no desafio!

  4. Bia Machado
    24 de maio de 2014
    Avatar de Bia Machado

    Bem, comigo não funcionou. Os diálogos me incomodaram, muita coisa por fazer, não consegui criar empatia, infelizmente. É um material a ser trabalhado.

  5. Brian Oliveira Lancaster
    24 de maio de 2014
    Avatar de Victor O. de Faria

    Curti o tom “paternal” do conto e dos eventos inusitados. Gosto de textos que começam direto ao ponto e vão explicando-se os fatos somente no decorrer da história. Um errinho temporal aqui e ali não atrapalhou minha experiência. Só achei meio anticlimático o final. Mas senti umas doses dos bons e velhos filmes do “Trinity”.

  6. Thata Pereira
    23 de maio de 2014
    Avatar de Thata Pereira

    Bom, vou contradizer o pessoal aqui: eu gostei da maior parte do conto. Até a conversa na prisão ele funcionou para mim. É claro que não deixei de reparar na proximidade de palavras repetidas, na falta dos acentos e a fala do menino de 5 anos não me convenceu. Mas se for analisado de uma maneira geral, gostei da história. Fugiu do senso comum. Não há duelo e há uma prostituta, só que implícita.

    Eu ia (e até posso pensar) em votar neste conto, até o momento que chegou no final. Fiquei incomodada, pois, sinceramente, esperei a morte dos dois homens. Não acreditei que uma história que buscou fugir do roteiro comum iria terminar em um clichê. Não que eu me incomode com isso, mas foi muito superficial. Do nada chegou um “super-herói” e salvou o ator principal. Quando os três tiros foram disparados eu ainda terminei de ler o conto na esperança de que John morresse e Jimmy sobreviesse.

    Por fim, a fala do homem que não quis se identificar: “Senhoras e Senhores, meu nome é…”, é superficial. Senhoras e Senhores é formal demais! Pareceu apresentação técnica. Já que o cara não se identificou (para entendermos quem ele é), preferiria que ele desse meia volta e fosse embora após salvar John.

    Boa sorte!

  7. Srgio Ferrari
    22 de maio de 2014
    Avatar de Srgio Ferrari

    Falaram que a história é boa. Não é. Peacemaker mais uma vez dá as caras. Apenas, parem! 🙂 No more Peacemaker! Achei curioso que na maioria dos contos o pseudônimo é um nome americano e o titulo em português. Este foi ao contrário. Intencional? Eu achei que ia ler algo em inglês e seria realmente uma sacada.

  8. rubemcabral
    22 de maio de 2014
    Avatar de rubemcabral

    Eu não gostei: há muitas falhas na narração e os diálogos, em especial, estão muito, muito ruins e artificiais, explicando coisas que as personagens já sabem apenas para posicionar o leitor.

    As repetições de algumas palavras próximas também foram um incômodo na leitura. Repare quantas vezes “bala” ou “balas” aparece em

    “John foi até o seu quarto e pegou a sua arma, verificou que estava sem nenhuma bala carregada, buscou as balas em um armário próximo de onde estava e armazenou paulatinamente cada uma das balas. Quando foi colocar a sexta e última bala, Kyle começou a chorar novamente e se mexeu com tanta força que John deixou uma das balas cair no chão, ela caiu em um pequeno buraco do piso de madeira. Ele colocou o bebê no chão e olhou pelo pequeno buraco, não conseguia ver onde a bala estava.”

  9. Pétrya Bischoff
    20 de maio de 2014
    Avatar de Pétrya Bischoff

    Alguns “probleminhas técnicos”, como muitas vezes a palavra “ela”, entre outros, travaram um pouco a leitura. Achei estranho os bandidos bonzinhos, slá… Essa estória não funcionou comigo, mas desejo-lhe sorte 😉

  10. Felipe Moreira
    20 de maio de 2014
    Avatar de Felipe Moreira

    O conto tem uma ideia interessante, mas seria melhor explorado com uma narrativa densa, focada no John e com menos personagens que subdividiram o trabalho. Por conta disso, ficou um pouco longo pra mim.

    De todo modo, parabéns e boa sorte. =)

  11. Leandro B.
    19 de maio de 2014
    Avatar de Leandro B.

    Olá, Paulo Torres.

    Camarada, o conto não funcionou para mim também. Vou tentar apresentar o motivo e, quem sabe, isso ajude em um próximo trabalho seu.

    Para começar, acho que você fez a parte mais difícil. Você criou o conto, do início ao fim. Faltou, depois disso, a parte mais chata, que seria tornar a história coerente e, na medida do possível, interessante.

    Na parte técnica, acho que o que mais atrapalhou foram a ausência de algumas vírgulas nos diálogos e, principalmente, a quantidade de palavras repetidas muito próximas ao longo de todo o texto.

    Na parte da história existe o grande problema da previsibilidade. Assim que a personagem Jude surge para encontrar um misterioso homem nos limites da cidade fica bem claro que ela não iria durar muito tempo, por exemplo.

    O excesso de conveniência também incomoda um pouco. Ele chega bem a tempo de ouvi-la para falar com o pai, o pai estava acessível na cadeia, os mocinhos chegariam no dia da execução…

    Há outro problema gritante de coerência que diz respeito à morte da esposa. Se eles foram para a cidade depois da morte da mulher para esquecer dela, como que a esposa soube o que o xerife da cidade fazia?!

    Achei a referência à Django interessante, mas, como está, continua existindo de maneira extremamente conveniente.

    Acho que é isso. Creio que valeria a pena rever esses pontos. Como disse, acho que talvez tenha faltado um pouco de paciência para refazer a história depois que ela foi acabada.

    boa sorte!

  12. Rodrigo Arcadia
    11 de maio de 2014
    Avatar de Desconhecido

    Pois é. o enredo é bem inocente, de conclusão fácil, por assim dizer. devia ter algum suspense. bom, é isso, lia os comentarios pra saber onde voce deve melhorar.
    Abraço!

  13. Claudia Roberta Angst
    10 de maio de 2014
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    A ideia foi boa, mas precisa de ajustes. Muitos entraves na narrativa, falhas na linguagem, erros que podem ser corrigidos. Fabio Baptista já elencou boa parte dos deslizes. Ler, revisar e escrever muito, este é o meu conselho. Aproveite as dicas dos colegas e siga em frente. Boa sorte!

  14. Fabio Baptista
    8 de maio de 2014
    Avatar de Fabio Baptista

    Coisas que soaram estranhas:

    – Comprar leite no saloon?
    – “obrigava ele”
    – Aliás… tem vários “ele”s e “ela”s esquisitos espalhados pelo texto.
    – Aliás [2]… 90% desses “ele”s e “ela”s poderiam ser excluídos do texto.
    – “Até mais ver senhor Silver – despediu-se o Xerife” – Era senhora Kunis aqui, não?
    – nenhum bela
    – folego
    – Oscilações de tempo de narrativa.
    – Repetição de palavras (Exemplo: “nenhuma BALA carregada, buscou as BALAS em um armário próximo de onde estava e armazenou paulatinamente cada uma das BALAS. Quando foi colocar a sexta e última BALA, Kyle começou a chorar novamente e se mexeu com tanta força que John deixou uma das BALAS cair no chão, ela caiu em um pequeno buraco do piso de madeira. Ele colocou o bebê no chão e olhou pelo pequeno buraco, não conseguia ver onde a BALA estava”).
    – “havia esquecido de colocar o seu chapéu ao sair de casa, o sol impediu que John visse quem fugia” (não bastava cobrir o sol com a mão?)
    – vi ela (Cacofonia)
    – preso aqui a dois dias (há)
    – um desses criminoso

    Parece que o autor sentiu a necessidade de colocar uma figura de linguagem a cada frase. Acabou, infelizmente, ficando enfadonho. Seria melhor limar boa parte desses comparativos e trabalhar mais em alguns que deixassem o texto marcante, não que dessem a impressão que foram colocados só por colocar.

    A trama é bem “inocente”. Lembrou um texto do desafio passado, que se passava num assalto “O que vale o dinheiro no final?”.
    As soluções são muito simples e os personagens aparecem do nada, sem motivos ou motivações palpáveis.

    Talvez por essa inocência, até que a leitura fluiu. Isso é um ponto bem positivo.

    Mas existe muito a ser melhorado. Coisas que só a prática constante da escrita pode resolver.

    Abraço!

  15. R.Sollberg
    6 de maio de 2014
    Avatar de R.Sollberg

    Gostei de algumas analogias. Achei que faltou certo ritmo, muitos personagens, muitas tramas. Algumas descrições ficaram bacanas, outra foram muito explicativas.
    De qualquer modo, boa sorte no desafio.

  16. Swylmar Ferreira
    6 de maio de 2014
    Avatar de Swylmar Ferreira

    Confesso que não entendi o enredo e a inclusão de certos personagens. Na narrativa tem momentos estranhos já citados por colegas.
    De qualquer forma dou os parabéns pelo conto, sei como é difícil escrever.
    Continue firme.
    Boa sorte!

  17. JC Lemos
    5 de maio de 2014
    Avatar de JC Lemos

    Uma trama que ficaria mais aceitável se narrada de uma forma diferente. Do jeito que está, as repetições e a forma “seca” como foi contada, deixaram a leitura cansativa demais. Fiquei meio desanimado antes mesmo de chegar ao meio.

    O conselho que posso dar, é escrever bastante e ler muito também. Não é porque o desafio nos dá 3500 palavras, que devemos escrever todas elas só para ter um texto grande. Qualidade é melhor do que quantidade.
    Mas é isso, acho que o amigo Eduardo Selga já falou basicamente tudo o que poderíamos dizer. haha

    De qualquer forma, parabéns por “colocar a cara a tapa”, deixando seu texto aqui para “julgarmos”. Aprendi muito equanto estive participando do Entre Contos, e mesmo quando não tinha bons resultados, sempre consegui coisas boas.

    Boa sorte no desafio!

  18. Anorkinda Neide
    5 de maio de 2014
    Avatar de Anorkinda Neide

    Pois, a história é boa, mas cansativa.
    Continue escrevendo bastante, para pegar os macêtes.. rsrs como não fazer diálogos tão explicativos e longos.. a verdade poderia aparecer em pequenas revelações ao longo da história.
    Fiquei curiosa para saber quem era os dois homens bem vestidos, os salvadores…
    Acho que o conto começou bem mas perdeu o fôlego já na metade… escreva com mais calma, desenhando os parágrafos, como fizestes nas duas primeiras partes deste conto.
    Boa sorte e
    Abração

  19. Eduardo Selga
    4 de maio de 2014
    Avatar de Eduardo Selga

    Escrever um conto, acredito, não pode ser apenas elencar uma série de fatos que acontecem em torno de um protagonista, nUm lugar e num tempo determinados. Isso é a “contação”, é a fabulação, é a estorinha. E isso é muitíssimo menos relevante que o modo de contar. Isso é o que de fato conta. Eu posso fazer de “Alice no País das Maravilhas” uma coisa insuportavelmente cansativa ou deliciosa, sendo ou não o enredo bom. Esse efeito depende de como eu narro.

    O narrador que vemos no presente conto, como noutros desse desafio, faz a estória se arrastar numa sequência de fatos que não têm o ritmo inerente ao conto (mais ágil por se ater a um instante da “vida” do personagem), e sim da novela ou do romance. Estas, sim, dispõem de espaço para uma evolução mais lenta.

    Se novela e romance fossem comparados ao todo de uma escola de samba, o conto seria apenas o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

    Quando se inicia o texto tem-se a impressão de que Margaret Kunis terá um papel preponderante na trama. Mas ela se revela apenas uma “pessoa” que presta falso testemunho quanto ao protagonista e depois desaparece para reaparecer lá no final, quase uma sombra. É mesmo essencial que essa personagem seja tão bem descrita, se ela não tem maior importância? Qualquer voz que viesse da multidão poderia fazer o papel dela. Mas, como o narrador tem vocação para o romance, ele entra em detalhes de roupa e rugas.

    O modo como os personagens dos westerns morre é quase sempre estetizado, e até mesmo um pouco coreografado. Hollywood adora isso. Mas não creio que um conto que aborde o western precise repetir essa estetização, porque, como já disse noutro conto, não estamos a falar de um gênero cinematográfico e sim do que ele abordava e aborda. Assim, a morte do xerife é profundamente cinematográfica quando ele primeiro cai de joelhos, e só depois vai ao solo. Assim como a morte da senhorita Jude (o último e dramático recado dito nos braços de quem a socorre e o posterior falecimento).

    Não estamos fazendo roteiros de bang-bang.

    Parece-me que se o conto todo se concentrasse na conversa entre os dois homens na cadeia o resultado seria muito melhor. Teria-se evitado, provavelmente, a explicação do bandido, longa demais e soou um tanto artificial. Ficou parecendo um modo encontrado para equalizar a peripécia, amarrar o enredo.

    Saindo da narrativa e entrando em questões ortográficas e gramaticais, o(a) outor(a) usa crase onde não cabe (“John Silver não sabia o que dizer à ela”); usa o pronome reto ELA como predicado (“…ir comprar leite no Sallon e, por essa coincidência, o Xerife matou ela”), quando deveria usar o pronome oblíquo; usa “POR QUE” separado quando deveria ser junto (“- Não, eu não consegui mirar nele por que o sol atrapalhou a minha visão já que eu estou sem chapéu”); repete palavras em demasia, como acorre abaixo com a palavra VOCÊ:

    “(…)tenho apenas mais uma questão a VOCÊ; se VOCÊ não disparou nenhum tiro em direção ao fugitivo e, acredito eu, VOCÊ não tenha usado a sua arma recentemente(…)”.

  20. mariasantino1
    4 de maio de 2014
    Avatar de mariasantino1

    Quando vi a prisão do John, pensei comigo: Que droga de xerife! Nem ao menos sentiu o cheiro da pólvora e viu se a arma estava quente… Mas, depois diz aqui que era tudo parte dos planos do próprio xerife. Bem, ainda assim não gostei do conto. Desculpe, a trama não me cativou.

    Desejo boa sorte.

E Então? O que achou?

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Publicado às 4 de maio de 2014 por em Faroeste e marcado .