EntreContos

Detox Literário.

Corações Negros no Desfiladeiro do Diabo (Marcellus Pereira)

– B’noite, meu bom homem! Onde um servo de Deus pode conseguir uma caneca de Arbuckles’ por aqui?

Herman Wolfe encarou o homem sorridente, de sobretudo preto e colarinho branco, que entrava pela primeira vez em seu armazém. Não estava coberto de poeira, então só poderia ter vindo pelo trem de serviço, que a Companhia despachava quinzenalmente.

– B’noite! Não é todo dia que a gente vê um pregador por aqui. Batista?

– Da Primeira Igreja Batista de Flagstaff, pois é.

Herman considerava-se um homem temente a Deus. Soprou a poeira de uma caneca esmaltada e serviu o café ao forasteiro. Mas não conseguiu segurar o sorriso ao perguntar:

– E o que o senhor veio fazer justo aqui, em Canyon Diablo, pastor?

O Pastor já esperava por aquilo. Sabia o que ia encontrar naquela cidadezinha entregue ao pecado.

– Ajudar, irmão. Todo homem, mulher e criança merece a chance de ser salvo pelo poder de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo os que vivem em Canyon Diablo.

Sem tirar o sorriso do rosto, Herman retrucou:

– Boa sorte, Pastor. Mas duvido muito que o senhor salve alguma das duas mil almas que temos por aqui. Acho até que não vai conseguir tirar nenhuma delas dos salões ou dos bordéis.

– Morrerei tentando.

– Provavelmente.

– Desculpe, não me apresentei. Vi seu nome na porta do estabelecimento. Wolf, certo? O meu é…

– Não importa, Pastor. Não acho que o senhor vá durar o suficiente para que eu precise me lembrar.

Depois de alguns instantes de estupefação, o Pastor soltou uma sonora gargalhada. Limpando as lágrimas com as costas das mãos, continuou em tom bem-humorado:

– Tenho Deus ao meu lado, Sr. Wolfe. Conhece a passagem do Vale da Morte, eu presumo.

– Conheço, sim. Mas os últimos três xerifes estão de mãos dadas com o Todo-Poderoso. E nosso pequeno cemitério não tem uma única alma que não tenha sido despachada para o Paraíso por uma bala. O povo aqui não gosta de forasteiros. E a delegacia mais próxima está em Winslow, a vinte e seis milhas de distância. Aliás, nem temos uma igreja!

– Mas foi justamente o motivo que me trouxe aqui: erguer um templo.

– Parece que o senhor precisa de mais e mais sorte, Pastor…

– Nada… tenho fé, irmão. E isso me basta.

Herman não respondeu. Limitou-se a encarar, sorridente, o forasteiro.

– Bem, irmão, estou cansado da viagem. Pode me dizer onde encontrar um quarto barato e um prato quente?

– Não temos hotéis por aqui, Pastor. Os homens da Companhia, quando vêm fiscalizar as obras da ponte, ficam em algum dos salões… não é algo que sirva a um homem de Deus, é claro…

Com outra gargalhada, o Pastor completou:

– Já tive minha cota de prazeres mundanos, Sr. Wolfe. Hoje em dia, nenhuma tentação é capaz de me tirar do caminho do Senhor.

– Nesse caso, qualquer salão da rua principal vai servir, Pastor. Mas não demos o nome de “Hell Street” por acaso.

Herman Wolfe ficou olhando de trás do balcão, enquanto o forasteiro se despedia. “Um pastor em Canyon Diablo, era só que faltava!”.

Havia chegado ali logo no início da construção da ponte, há vinte anos. Tinha visto os atrasos, os problemas, as viúvas da Califórnia chegando, os homens de bem partindo, os pistoleiros, os vaqueiros, os poucos xerifes, as mortes… mas nunca um pastor.

Naquele pedaço violento do Arizona, curiosamente, ele havia conseguido um pouco de paz. Tinha seu armazém, não procurava confusão e uma ou duas vezes por mês ia até um dos salões tomar um copo de uísque barato ou ver as meninas. Ou ambos. Gostava daquela vida simples.

Tinha um dom especial para contornar os problemas e, talvez por isso, mesmo nunca tivesse tido uma única briga por ali. Sabia que era algo raro. Entre o ego dos pistoleiros, a impaciência dos vaqueiros e o ódio confesso dos navajos, viver ali era mais que uma aventura: era uma arte.

Nenhum dos estabelecimentos da Hell Street fechava, exceto, talvez, durante um tiroteio. Por isso ele havia construído um pequeno quartinho nos fundos, onde podia tirar um cochilo e cozinhar alguma coisa. Estava ficando tarde e seu estômago reclamava.

Tinha alguns ovos frescos e uma lata de feijão, que estava guardando há algum tempo. Imaginar aquela lata fervendo enquanto cozinhava os ovos fez salivar sua boca e, enquanto virava-se rumo ao quartinho, ouviu o ranger do assoalho de madeira. “Noite movimentada”, pensou, voltando para a encarar o freguês.

Era um homem alto, de compleição forte, mas ao mesmo tempo magro. Vestia uma calça de couro e um sobretudo do mesmo material. As luvas brilhavam, com a aparência de serem recém-fabricadas. E caras. Herman jamais conseguiria vender um par daquelas luvas pelo preço justo. Não ali.

O forasteiro tinha os cabelos negros e escorridos, encimados por um chapéu escuro. Os olhos verdes e amendoados. Era obviamente um mestiço. Seu rosto era marcado pelo que pareciam ser sulcos de varíola e deveria ter chamado a atenção das moças, antes disso.

A grossa fivela prateada indicava o porte de apenas uma arma, do lado direito. As botas lustrosas não tinham nenhuma indicação de poeira. As esporas brilhavam. Aquele homem parecia ter acabado de sair de uma loja fina. E o cheiro? Que cheiro era aquele? Um cheiro que lembrava… lembrava… os momentos antes de uma tempestade.

Conhecer as pessoas era essencial no ramo de Herman. Um erro de julgamento colocaria a perder uma venda. Ou sua vida. Diante dele, estava um pistoleiro. Não daquele tipo que se gabava de saber manusear uma Colt. Mas do tipo mais perigoso: daquele que não se gabava de nada.

– B’noite, forasteiro. Em que posso ajudar?

O homem limitou-se a tocar a aba do chapéu. Parecia estudar o rosto de Herman, enquanto caminhava lentamente em sua direção, os passos ecoando alto.

Herman sabia que não havia a fazer. Reconhecia gente perigosa há jardas de distância e aquele era, sem dúvida, o sujeito mais perigoso que já encontrara. Engoliu em seco, petrificado, aguardando que o pistoleiro dissesse algo.

– Wolfe, hein?! Herman Wolfe, não é isso?

A voz era grave e decidida. A voz de um homem que conhecia a morte.

Herman aprendera há muito tempo que o melhor a fazer, nesses casos, era simplesmente concordar. Nada de perguntas. Nada de questionar de onde o pistoleiro saberia seu nome. “A curiosidade matou o gato”, era o ditado mais certo contado por sua mãe.

– Sim, senhor, esse sou eu.

O Pistoleiro pareceu satisfeito. Sua expressão aliviou-se um pouco e ele continuou:

– Você vem comigo.

Aquilo não era um pedido e Herman sabia. Contornou o balcão, sem nem cogitar a hipótese de pegar sua Winchester, presa por dois ganchos, ao lado do tampo de madeira que servia de porta. Nunca fora um bom atirador e não teria a menor chance. Herman era um homem inteligente. Um sobrevivente, por assim dizer.

O Pistoleiro, apesar de tudo, mostrava-se quase cordial. Não elevou o tom de voz e nem sacou a arma para obrigar Herman a segui-lo. Era algo na sua voz, um tom de comando que não deixava dúvidas sobre quem mandava ali.

Do lado de fora do armazém, iluminados por uma imensa Lua cheia, Herman viu o maior e mais belo cavalo que seus olhos tiveram a sorte de encarar. Um enorme corcel, negro como um corvo. Nele, o mesmo cheiro, o que prenunciava uma enorme tempestade.

O Pistoleiro montou o corcel, mas não fez menção de ajudar Herman. Ao contrário, apontou a Hell Street com a cabeça e disse:

– Você vai me levar até Nathaniel Barclay Masterson.

O coração de Herman deu um salto. O problema não era desconhecer o sujeito chamado “Masterson”. O problema era como dizer isso ao Pistoleiro.

O Pistoleiro levantou uma sobrancelha, claramente impaciente:

– Ele esteve no seu estabelecimento há pouco tempo. Pode ter se apresentado com outro nome.

– A única pessoa que atendi hoje e não é daqui foi um Pastor…

Com escárnio, o Pistoleiro retrucou:

– Agora ele é pastor, então? Isso só melhora as coisas. Onde ele está?

– Eu… bem… ele queria um quarto. Disse que fosse até um dos salões, mas não sei qual.

– Qual deles é o mais caro?

– O “Bible Bump”.

– Vamos até lá – disse o Pistoleiro, sem esconder um sorriso no canto de boca.

 

Andaram até pouco antes do fim da rua, de onde era possível ver um pequeno cemitério. O “Bible Bump” era mesmo o maior prédio da cidade, feito de madeira lustrosa e exalando Bourbon.

O Pistoleiro apeou do cavalo, mas não o amarrou. Gentil, mas firmemente, segurou Herman pelo ombro, com a mão esquerda, enquanto entravam no salão.

A balbúrdia cessou de imediato. O pianista e os violeiros, curiosos, espicharam os olhares para o forasteiro. O garçom, com um pano roto no ombro direito, levou a mão abaixo do balcão. Todos os jogos de vinte-e-um foram instantaneamente paralisados.

Aparentemente apático ao efeito de sua presença, o Pistoleiro seguiu com Herman até o balcão, passando por entre as mesas sem encarar os clientes. Seus olhos estavam fixos no andar superior.

– B’noite, Theo. Esse homem, ele está procurando por um… amigo. O Pastor.

– Olhe, Herman, não queremos problemas. Você, melhor que ninguém, sabe disso.

Tirando a mão do ombro de Herman, o Pistoleiro levou calmamente a mão por dentro da parte superior do sobretudo. O garçom arregalou os olhos, mas o Pistoleiro fez um muxoxo com a boca, indicando que não havia perigo.

Pegou uma moeda de prata e colocou sobre o balcão.

– Eu só preciso saber onde ele está.

O que se seguiu aconteceu em frações de segundo. Um dos jogadores, sentado numa mesa de canto, levantou rápido, derrubando a cadeira enquanto sacava sua arma.

O Pistoleiro, olhando para o enorme espelho que ficava atrás do balcão, sacou seu enorme revólver e atirou, antes mesmo que o pobre jogador tivesse colocado o dedo no gatilho.

O estrondo ensurdeceu a todos por vários minutos. No chão, jazia um homem sem parte do crânio, tendo pequenos espasmos.

Herman, com as mãos nos ouvidos, não conseguia tirar os olhos do revólver: uma peça maravilhosa, com cabos de sândalo finamente trabalhados, detalhes em marfim e aço polido, reluzente. A arma de um Pistoleiro.

Em segundos o saguão estava vazio. Algumas garotas subiram rapidamente as escadas e o Pistoleiro seguiu-as. Sabia que avisariam quem quer que estivesse no quarto com o “Pastor”. Mas antes, advertiu Herman para que não saísse dali.

Chutou cada uma das portas, encontrando casais aterrorizados, damas sozinhas, bêbadas ou transtornadas pelo ópio e, no último quarto, um homem. Sozinho. Sentado em sua cama, lendo a Bíblia.

Sem levantar os olhos, o Pastor falou, como se comentasse sobre o tempo:

– Então, finalmente você veio.

Os olhos do Pistoleiro faiscaram:

– Faz muito tempo, Masterson.

– Não o suficiente.

– Para você, talvez. Vamos, chegou a hora.

– Eu sei. Eu tentei. Me redimir, você sabe. Eu tentei como todas as minhas forças.

– As pessoas não mudam.

– Eu mudei! Encontrei minha fé! Vivo cada dia pagando por meus pecados, acredite.

– Comovente. Pena que minha mãe não possa te ouvir falar. Porque ela foi comida pelos coiotes, depois que você nos abandonou no deserto.

Uma lágrima escorreu pelo rosto do Pastor.

– Se você soubesse o quanto eu me arrependo…

– Por todo esse tempo, eu só tive uma curiosidade: quanto havia no baú? Quanto valeu a morte da minha mãe?

O Pastor, encarando os próprios pés, balbuciou:

_ Cinquenta e sete dólares.

O Pistoleiro não pareceu chocado.

– Mas você precisa entender. Precisa! Eu era outra pessoa, então! E sua mãe… sua mãe era só uma índia! Uma índia que engravidou para tentar me prender!

O Pistoleiro empunhou seu enorme revólver de aço e sândalo, apontando para a cabeça do Pastor.

– Se o que te espera não fosse muito pior que uma bala, eu juro que descarregava todas nessa sua carcaça imunda…

O Pastor, aos prantos, caiu de joelhos.

– Eu tenho orado tanto, filho… tanto! Eu me arrependo amargamente daquilo… foi um erro. O meu maior erro! Mas todo homem pode ser perdoado!

– Não existe perdão, pai. Existe o equilíbrio. Você vai voltar comigo para onde isso tudo começou. Sabia que aquele é um lugar sagrado para os Navajos? É lá que voltaremos a nos reunir. Uma família feliz… no Inferno! Voltei especialmente para buscá-lo. Seja homem uma vez na vida. Vamos!

 

O Pastor parecia conformado e caminhava a passos arrastados, pouco à frente do Pistoleiro. Enquanto desciam as escadas, sob os olhares esbugalhados de Herman, o garçom puxou levemente sua Winchester de sob o balcão.

Do meio da escada, sem alterar o passo e nem mesmo olhar para ele, o Pistoleiro disse:

– Pense bem no que vai fazer.

Herman só entendeu quando olhou para o garçom e viu que ele segurava a arma de cabeça baixa. Aos poucos, soltou-a no chão.

– Bom garoto.

O Pastor olhava para a porta, mas sem a menor indicação de que fugiria. Era um homem visivelmente prostrado.

– Herman, vamos. – chamou o Pistoleiro.

Saíram do salão e a Lua parecia mais brilhante que antes. Seu reflexo nos olhos do enorme corcel causou uma profunda impressão em Herman.

O Pistoleiro montou e esticou a mão para o Pastor. Este agarrou-se firmemente e, num impulso, montou também.

Tocando a aba do chapéu, o Pistoleiro agradeceu a ajuda de Herman:

– Obrigado, Sr. Wolfe. Por sua ajuda, de todas as almas desgraçadas deste lugar, a sua será a única a ter descanso. Viva sua vida como bem entender e tenha uma morte tranquila. É um presente.

Atônito, Herman viu os dois homens afastarem-se enquanto o cavalo galopava cada vez mais rápido. Não pode ver, mas ouviu os enormes estrondos de tiros do Pistoleiro, cada vez mais longe. E, por fim, o retumbar de um trovão, lá pelos lados da Cratera Barringer.

Uma tempestade se aproximava.

26 comentários em “Corações Negros no Desfiladeiro do Diabo (Marcellus Pereira)

  1. Marcellus
    25 de maio de 2014
    Avatar de Marcellus

    Muito obrigado, pessoal, pelos comentários, críticas e elogios.

    Desde o começo do desafio eu já queria escrever uma história de vingança, por achar que é o tipo de história que mais combina com o “Velho Oeste”. Mas a inspiração não aparecia e já quase desistindo, no último dia… veio a a ideia do filho, que se torna um pistoleiro, no encalço do pai, que havia abandonado a família. O clima “fantasmagórico” ficou meio dúbio propositalmente.

    Foi escrito na correria e, por isso, peço desculpas pela quantidade absurda de erros.

    Ainda assim, alguns pontos interessantes:

    * a cidade de Devil Canyon existiu de fato, sendo considerada uma das mais violentas do Oeste Estadunidense;

    * a cidade existiu, basicamente, devido ao atraso na construção de uma ponte ferroviária. A tal ponte, comprada pronta de artesãos italianos, foi entregue menor que o vão do rio e durante o tempo da reconstrução, os funcionários da ferrovia construíram o pequeno vilarejo;

    * de fato, o primeiro xerife local foi empossado à tarde e morto, baleado, antes do sol cair;

    * algumas referências que usei:

    http://www.truewestmagazine.com/jcontent/history/history/classic-gunfights/3639-devil-canyon-shoot-out

    http://freepages.genealogy.rootsweb.ancestry.com/~poindexterfamily/OldWestSlang.html

    http://en.wikipedia.org/wiki/Canyon_Diablo,_Arizona

    http://en.wikipedia.org/wiki/Coconino_County,_Arizona

    http://www.neatorama.com/2011/11/21/the-meanest-towns-in-the-west/#!IiHyH

    “A Torre Negra”, do King, é claro…

    É isso aí. Até a próxima!

  2. vitorts
    24 de maio de 2014
    Avatar de vitorts

    Muito bom! Os nomes próprios escolhidos foram ótimos. As descrições e a narrativa revestiram o conto de um tom lúgubre que ficou ótimo. Com certeza estará elencado na minha lista.

    Parabéns!

  3. Tom Lima
    24 de maio de 2014
    Avatar de Tom Lima

    Conto bem interessante.

    Acho que não entendi o final, mas isso é problema meu. 🙂

    “Um cheiro que lembrava… lembrava… os momentos antes de uma tempestade.”
    Gostei muito disso.

    Parabéns e boa sorte!

  4. Bia Machado
    24 de maio de 2014
    Avatar de Bia Machado

    Gostei. Soube prender minha atenção e achei bem bacana. Há algumas coisas para arrumar, mas parece que o pessoal já comentou. 😉

  5. Pedro Luna
    23 de maio de 2014
    Avatar de Desconhecido

    Eu gostei muito. Personagens interessantes que me fizeram seguir a trama com gosto. O pistoleiro realmente pareceu um pistoleiro dos bons, frio e determinado. E a ideia inicial do pastor, de construir um templo no local, me deu um milhão de ideias de escrever um conto, se você, claro, já não tivesse escrito esse..hahaha. Parabéns.

  6. Thata Pereira
    23 de maio de 2014
    Avatar de Thata Pereira

    Muito bom! Pareceu o roteiro de um filme. Gostei muito!

    Boa Sorte!

  7. Srgio Ferrari
    22 de maio de 2014
    Avatar de Srgio Ferrari

    Eu confesso que já tinha lido esse conto, mas não comentei pra não sair da minha ordem (senão me perco) e repassando alguns pontos, só posso dizer que é bem divertido de ler. 😉

  8. rubemcabral
    22 de maio de 2014
    Avatar de rubemcabral

    Bom conto: bem escrito, com poucos erros – só reparei no “há jardas de distância” e nos “cabos” do revólver.

    Interessantes as personagens, intrigante a figura do pistoleiro mestiço e a escolha de uma personagem neutra feito o Herman ao redor da qual a história parece se desenvolver.

    Só senti falta de um tanto mais de história, talvez a limitação de caracteres tenha nos levado um tanto mais sobre a história pregressa do “pastor” e até do pistoleiro. Também teria gostado de um tanto de fantástico, que o conto apenas insinua, sem no entanto realmente explorar.

  9. Felipe Moreira
    21 de maio de 2014
    Avatar de Felipe Moreira

    Seria um conto de realismo fantástico?

    “Tocando a aba do chapéu, o Pistoleiro agradeceu a ajuda de Herman:

    – Obrigado, Sr. Wolfe. Por sua ajuda, de todas as almas desgraçadas deste lugar, a sua será a única a ter descanso. Viva sua vida como bem entender e tenha uma morte tranquila. É um presente.”

    Gostei da dúvida, afinal, ela não escapa muito do próprio realismo. No geral, o conto é muito bom. Tecnicamente muito eficiente, sob o ponto de vista do Herman, que levantou as mesmas questões que os leitores, como uma testemunha e não um protagonista.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte.

  10. Leandro B.
    20 de maio de 2014
    Avatar de Leandro B.

    Achei bacana.

    Outro conto que sai do lugar comum ao trabalhar com a perspectiva de um personagem que, por infeliz coincidência, se pega no meio de uma busca de vingança. Herman não foi um justiceiro, não foi um vilão, foi apenas um inocente que se viu no meio de uma tempestade. Gostei disso.

    Não consegui perceber a dualidade que alguns colegas comentaram. Talvez minha leitura tenha sido limitada, mas a impressão que tive é que a história se trata de forças humanas. Os nomes e sacadas relacionadas à bíblia pareceram-me existir apenas para reforçar a ideia de pecado/castigo.

    Não vi nenhum erro que tenha dificultado a leitura. Só recomendo que modifique essa pequena virgula na revisão final:
    “Tinha um dom especial para contornar os problemas e, talvez por isso, mesmo nunca tivesse tido uma única briga por ali. ”

    Bom conto. Parabéns.

  11. Thiago Lopes
    20 de maio de 2014
    Avatar de Thiago Lopes

    Gostei muito desse conto. Com diálogos apenas, o autor conseguiu caracterizar as personagens, dar-lhes personalidade. Ciosa difícil. Um conto simples e modesto – por isso mesmo bom. Ganhou minha simpatia. Esses diálogos foram bem trabalhados e verossímeis.

  12. Pétrya Bischoff
    16 de maio de 2014
    Avatar de Desconhecido

    A estória em si é bem simples, mas foi tão bem desenhada, apresentando e nos fazendo sentir empatia por Hermam; seduzindo com o Pistoleiro; intrigando com o Padre… O final tanto me pareceu que o filho que realmente veio buscar o pai para matá-lo, quanto pensei que o filho é meio uma alma pecaminosa/demônio que veio levar o cara para o inferno. Gostei 😉
    Boa sorte e parabéns.

  13. williansmarc
    15 de maio de 2014
    Avatar de williansmarc

    Um bom conto. Narrativa simples e que se conduz de forma tranquila e direta. Não tenho nada a acrescentar que poderia melhorá-lo.

    Parabéns e boa sorte!

  14. Rodrigo Arcadia
    12 de maio de 2014
    Avatar de Rodrigo Arcadia

    achei que teria uma disputa com anjo e demônio, mas me encanei. era um problema de pai e filho. Não tinha pescado que o pastor era um homem mais velho, ou por não ver um homem sendo pastor, velho. Bom é isso.

    Abraço!

  15. Ricardo Gondim
    12 de maio de 2014
    Avatar de Ricardo Gondim

    Mais do que a história em si, o que me agradou foi o rigor narrativo. Conto conduzido com segurança, bem escrito. Gostei muito.

  16. Fabio Baptista
    8 de maio de 2014
    Avatar de Fabio Baptista

    Gostei.

    Uma história relativamente simples e bem contada. Com tudo bem dosado.

    Pequenos deslizes de revisão / frases que me incomodaram:
    – Herman sabia que não havia a fazer
    – Reconhecia gente perigosa há jardas de distância
    – enorme espelho / enorme revólver
    – Não pode ver

    Essa frase aqui ficou muito boa:
    Mas do tipo mais perigoso: daquele que não se gabava de nada.

    Bom conto!

    Abraço.

  17. Swylmar Ferreira
    6 de maio de 2014
    Avatar de Desconhecido

    Muito bom seu conto sr Papaco (rs rs).. O enredo foi o que mais me chamou a atenção, muito bem costurado, sem pressa de terminar.
    Parabéns e boa sorte.

  18. Anorkinda Neide
    6 de maio de 2014
    Avatar de Anorkinda Neide

    Muito bom. Muito bom de ler.
    Eu vi assim, que pai e filho já estavam mortos e aquela cidade era como um ‘meio-caminho’ para o Inferno. Enfim, tudo ali era sobrenatural.
    Apesar de muito bom, me faltou alguma coisa que me satisfizesse plenamente a leitura… Acho que a submissão do Pastor ou a forma mesmo de como ele foi ‘capturado’ pelo filho, foi um pouco fraco, pra mim, dae não me conquistou, sabe como é? rsrsrs
    Mas, de qualquer froma, parabenizo pela qualidade do texto e do enredo!
    Boa sorte
    🙂

  19. rsollberg
    6 de maio de 2014
    Avatar de rsollberg

    Um conto muito bom. Como ressaltou o colega J.C. Lemos, quando li a primeira metade achei que se tratasse de um fanfiction da Torre Negra: um pistoleiro alto com um revólver ornamentado, um pastor errante (só faltava a cicatriz)… Mas não, a segunda metade revela uma estória interessante de acerto de contas. Os diálogos são rápidos e intensos.
    A escolha do título também foi muito feliz.
    Parabéns e boa sorte!

  20. Brian Oliveira Lancaster
    5 de maio de 2014
    Avatar de Victor O. de Faria

    Bem diferente. Não encontrei tantas referências como os colegas, até porque não é muito minha praia, mas gostei do inusitado no jogo de palavras e descrições, quase caindo várias vezes em terras polêmicas, mas conseguindo se equilibrar na corda bamba ao final.

  21. Davi Mayer
    5 de maio de 2014
    Avatar de Davi Mayer

    Muito massa o conto. As descrições, a trama, as falas… tudo na medida certa. Só senti falta de algo mais no final, mas que não tira o brilho de ter ficado como ficou. Parabens.

  22. Eduardo Selga
    5 de maio de 2014
    Avatar de Eduardo Selga

    Um conto interessante em sua organização. Até o fim ele segue os protocolos realistas (prefiro não usar a palavra “realismo” para não confundir com a escola literária do séc.XIX), mas nos três últimos parágrafos surgem informações que podem fazer o leitor crer que o Pistoleiro é criatura que não parece estar no mesmo plano de existência dos outros personagens, seja pela fala do personagem, seja pelo som de trovão, anunciando a tempestade já pressentida por Herman quando da presença do Pistoleiro (título de uma obra de Stephen King). Mas esse lado por assim dizer sobrenatural do personagem é apenas uma sugestão no texto, há margens para dúvida e outras interpretações. O que, em se tratando de conto, é ótimo por abrir possibilidades.

    Após o término do texto, percebe-se que essa interpretação ganha força se nos atermos a alguns nomes que aparecem no desenvolvimento do enredo:

    Wolfe – Em inglês “Wolf” significa “lobo”, uma das imagens que remetem ao Diabo;
    Canyon Diablo- Canyon Diabo
    Hell Street – Em inglês, “Rua do do Inferno”
    Bible Bump – Choque (colisão) com a bíblia (ou da bíblia)

    Seguindo essa linha de interpretação, não é gratuito o fato de a relação entre os dois personagens centrais ser de pai e filho. O pastor, assassino arrependido a ponto de voltar-se à luz divina, é resgatado pelo filho, que afirma que inexiste perdão e que serão “Uma família feliz… no Inferno!” Uma alma infernal levando de volta seu rebento? Bom, a Cratera Barringer, citada no texto, existe de fato e é próxima ao Canyon Diablo, que por sua vez está localizada em território da reserva indígena dos navajos, local onde o pastor assassinou a mãe do Pistoleiro.

  23. Claudia Roberta Angst
    5 de maio de 2014
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    Uma trama bem elaborada,com personagens que interagem bem: o pastor, o pistoleiro, o homem pacato. Quase uma trindade perfeita. Gostei bastante da caracterização e ambientação. Os diálogos bem construídos agilizam a leitura. Boa sorte!

  24. JC Lemos
    5 de maio de 2014
    Avatar de JC Lemos

    Caramba, que final legal!
    Na verdade, o conto todo é bom, muito bem narrado e descrito. Os diálogos então… quisera eu poder escrever diálogos assim. hehe
    Gostei da história de vingança. E mais uma vez (pela décima vez) me lembrei de A Torre Negra. Nesse mais do que nos outros, principalmente pela descrição do revólver do Pistoleiro.

    Enfim, gostei bastante, e o final foi o melhor. Pensei que o cavalo ia começar a pegar fogo, tipo um Ghost Rider. hahahaha

    Parabéns e boa sorte!

    • Leandro B.
      20 de maio de 2014
      Avatar de leandrobarreiros

      Também lembrei de “A Torre Negra”, mais pela perseguição de um pistoleiro a uma figura mística.

  25. mariasantino1
    5 de maio de 2014
    Avatar de mariasantino1

    O finalzinho foi muito bom. O pastor é um molha calças, o pistoleiro ( filho do Masterson) é cheio de marra e o Herman Wolfe é uma ponte que conduz a trama. Pensei que teríamos aqui um conto que envolvesse mais a religião, mas temos uma vingança. Um bom conto, parabéns!

    Boa sorte.

E Então? O que achou?

Informação

Publicado às 4 de maio de 2014 por em Faroeste e marcado .