Resultados do Desafio Microcontos 2026
Caros EntreContistas, amigos e curiosos de sempre. Um desafio disputadíssimo, em que o vencedor foi definido apenas com o último voto. Com 37 contos inscritos, tivemos apenas UMA desistência, o … Continuar lendo
Avaliação – Desafio Microcontos 2026
Caros EntreContistas, Agradecemos mais uma vez a presença de todos por aqui. No total 37 (trinta e sete) microcontos inscritos neste desafio aberto! Agora é hora de ler, escrever nossas impressões … Continuar lendo
(re)viver (Fabio D’Oliveira)
O tempo congelou de súbito. Tudo. Pessoas, animais, carros, televisão. Menos ele. Mas a vida continuou. Passeando pelas ruas, ele observava tudo. Beijos intermináveis, despedidas incompletas, abraços impossíveis. Caminhou por … Continuar lendo
Outro olhar (Claudia Roberta Angst)
Observa os olhinhos. Assustadores, mas também belos. O sabor na ponta da língua, o desaprovado sentido. Quase doce, algo marinado no salgado das lágrimas e no amargo do desconhecido. Cheiro … Continuar lendo
Só anjos (Nilo Paraná)
O jovem demônio passou por uma transformação inusitada. Parou de cumprir sua cota de maldades. Seus pares notaram que não cheirava mais a enxofre. Passaram a olhá-lo com certa indiferença. … Continuar lendo
Voo Solo (Bia Machado)
Ainda tentava entender a esposa abrindo a janela e esticando os braços: um estalo leve e as asas dela surgindo, brilhantes, enormes, sem pudor de serem exibidas. Ela lançou um … Continuar lendo
Que nem bicho (Anderson Prado)
O pai cambaleia. Sorri vermelho e moído, realizado. Quer mais. Entre sangue e dentes, cospe as malditas palavras: — Bate que nem homem. O filho obedece. E bate, bate, bate, … Continuar lendo
Trans-forma-ações (Ana Paula Benini)
Nadava a braçadas, mas foi-se fluída com a correnteza, sem brigar. Já no sol escaldante, subiu às nuvens sem ser vista, leve e dançante. Lá de cima, sentiu tudo, viu … Continuar lendo
Paçoca (Alexandre Parisi)
Mariana adorava aquele cãozinho vira-lata. Paçoca era o nome. Naquela tarde, saiu à rua com ele, apressada. Tome cuidado na rua, mamãe disse. Tem muita gente ruim nesse mundo! A … Continuar lendo
Outra metamorfose (Rodrigo Vinholo)
Quando certa manhã Gregório Souza acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado em um proletário miserável. Não conseguia se levantar, mas teve que fazê-lo. Não conseguia pegar o … Continuar lendo
O Último (Kelly Hatanaka)
Caçava vampiros por mais tempo do que conseguia se lembrar. Seu único objetivo era livrar a humanidade desses monstros, banir o mal e as trevas, sempre, incansável, totalmente alheio a … Continuar lendo
O Laboratório (Antonio Stegues Batista)
Em um prédio cinzento e sinistro, sem janelas no andar térreo, a porta de madeira antiga parecia uma cicatriz na parede de tijolos escuros. Naquele ponto da rua estreita, o … Continuar lendo
O Livro (Fabiano Dexter)
Clara entrou no quarto do tio Ubaldo sorrateiramente. Precisava roubar um dos seus livros. Iria provar aos primos que tinha coragem e podia brincar com eles, mais velhos. O quarto … Continuar lendo
O canto (Leandro Vasconcelos)
Foi colocado em um canto, de cara na parede. Ah! Que vergonha ficar ali, no escanteio do mundo. Logo ele, centroavante de voleios curvos, agora reduzido a quadrado substituto. No … Continuar lendo
Metafísica, Metalinguagem… Metamorfose! (André Lima)
Observou-se no espelho. Este o devolveu uma forma. Lembrou-se de quando era marujo. Agora, estava transformado, nos fios brancos, nas rosáceas. Ainda era o mesmo. A aniquilação não mais se … Continuar lendo
No Escarlate do Beijo Borrado (Luis Guilherme)
Inclinou-se em direção a Catarina, boca sedenta, costas rangendo ao peso do tempo e destino. Ao toque, lábios explodiram, lábios assimétricamente explosivos, vida e morte – beijo que encerrava em … Continuar lendo
Luz sobre a água (Renata Rothstein)
Flutuava no lago, o corpo pesado de memórias de voo. Olhos refletindo nuvens que ninguém via. Agitou-se; nada mudou, e a penumbra se adensou. Subitamente, a água o engoliu. Algo … Continuar lendo
Nuvens (Martim Butcher)
— Coelho. — Dragão. Ventos, minutos. — Cavaleiro. — Dragão. Meses, solstícios. — Virgem nua. — Dragão. Anos, amores. — Dragão. — Dragão, ora. Guerras, décadas. — Amantes enlaçados no … Continuar lendo
Metamorfose não é mutação (Daniel Reis)
Eu tinha seis anos quando meu primeiro dente caiu. Chorei. Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo. Mamãe me disse: — Fique quietinha, que é assim mesmo. Escove os … Continuar lendo
O Preço (Sarah Nascimento)
Era um pontinho no monitor: “Parabéns, é uma menina.” Aprendeu a brilhar através da dança e das aulas de canto… “Minha neta vai ser famosa!” Catorze anos: já podia fazer … Continuar lendo
Matéria restante (Leila Patrícia)
A sombra de Inácio começou a se mover sozinha quando alguém batia à porta. Primeiro só observava. Depois respondia. Com o tempo, passou a resolver tudo por ele, discutir, pedir … Continuar lendo
Esquálidos (Cyro Fernandes)
Insônia castigando, viro o celular e me levanto. Piso frio fervendo. Sou engolido, despenco. Desmaio. Acordo bidimensional, fino como asa de borboleta. Sons agudos, ar insuflado, odores plásticos. Perplexo. Informações … Continuar lendo
Despedidas (Gustavo Araujo)
Um, dois, três passos. Não vou chorar. Solto sua mão. Tenho medo de ficar sozinho… Viro para trás, lá está você, saia rendada, camisa branca. Coragem, você diz. No rosto … Continuar lendo
Antes do Vinco (Antonio Luis Mendes)
Habitava o silêncio entre as cartas do que foi. A pele, exausta de tato, secou em pergaminho. O sangue escureceu em nanquim, vazando pelos poros para narrar ausências em cada … Continuar lendo
Cores em fuligem (Lucas Santos)
À sua época, pálidos fantasmas revistavam arbusto por arbusto, empilhavam cestos abarrotados de crisálidas e cuspiam cólera nas pilhas, para a impavidez assistir às labaredas e, então, virar temor. O … Continuar lendo
Bença (Givago Thimoti)
Sinto o frisson carnavalesco. Empertigado, Fernando vem pelo corredor. A pele negra reluz com a mistura de maquiagem e glitter. Os lábios carnudos são destacados por um batom vermelho-biscate. As … Continuar lendo
Apartamentos (Maquiam Mateus)
Eu morava sozinho. Não gostava de sair. Amava minhas rotinas secretas, rotinas que desapareceram depois do fato… Uma noite, saí do banho e, nu diante do espelho, senti uma mordida … Continuar lendo
Anete (Felipe Rodrigues)
Anete cantava no vagão E cantava muito bem E salvou o dia de muita gente Tirou pessoas da tristeza De pensamentos suicidas Mas cantar no trem era proibido Mesmo para … Continuar lendo
Crachá (Wilian Cândido)
Em casa, ria com dentes; o espelho confirmava. No trabalho, o rosto aprendia economia, um músculo por vez. Chamaram para a foto do crachá, e ele sorriu para a câmera … Continuar lendo
Casulo (Fernando Cyrino)
Criança modelo, adolescente tranquila, jovem estudiosa. Formou-se em medicina e partiu para disputada especialização na América. O consultório lotado provava seu reconhecimento. Solteira, no Natal foi cutucada pela madrinha por … Continuar lendo
Atitude (Léo Tarilonte)
Chenille era uma adolescente que estudava magia na capital. Ela almejava por aceitação. Devido a ser vegana, seus colegas apelidaram-na de lagarta. Então, a menina passou a andar cabisbaixa. Certo … Continuar lendo
Farol (Priscila Pereira)
Encaro o céu escuro, à deriva em plena calmaria. Paro de contar o tempo. A fome é eterna e a sede, desespero. Quando estou prestes a desistir e fechar os … Continuar lendo
A história de James McMurphy, empresário petrolífero renomado que certo dia acorda transformado em albatroz, tornando-se irreconhecido pela esposa e pelos filhos, embarcando, então, numa jornada para encontrar o Velho Sábio, figura envolta em mistério, supostamente capaz de conversar com animais e forte candidato a ajudá-lo a recuperar família, fortuna e respeito dos pares, com quem arquiteta um plano para fazer riqueza auxiliados por Peter Leroy – ex-braço-direito, ex-amigo pessoal e gênio da matemática especialista em contagem de cartas -, de quem havia se afastado por uma briga e a quem agora precisa abrir o coração com o intuito de convencê-lo a um último trabalho: usar o dinheiro de um cassino para recuperar a Corporação McMurphy, ao mesmo tempo dando um jeito de voltar ao normal (ou ao menos mudar para um animal mais confortável); tudo isso em uma história comovente, eletrizante e, por que não dizer, repleta de reflexões acerca de identidade, direitos dos animais, proteção ao meio ambiente, o lado perverso da humanidade e a banalidade do mal, além de referências sutis a Kafka, Ovídio e Virginia Woolf (Thiago Amaral)
– Chefe – disse Leroy, suando antes de entrar no cassino – acho que isso pode ser considerado trapaça. Mas vai que dá certo?
(Micro)conto nas mãos (Pedro Paulo)
Mamãe cambaleou dois passos sob a mão espalmada de papai. O barulho foi de um estalo que doeu ouvir, seguido das sandálias dela chocando contra o piso. Nossas mãos contavam … Continuar lendo
A santa no altar (Mariana Carolo)
Nicete desejava saber se Litério, seu marido, ainda tinha quentura nos lábios. Da boca dele, só recebia resmungos e reclamações. A solidão dela transbordou em um aneurisma; no velório, Litério … Continuar lendo
(In)visível (Alexandre Moraes)
Eu segurava as paredes frágeis do cenário. Era o caçula invisível de um drama familiar em cartaz. Minha mãe dirigia com régua: marcava posições e esbravejava. Meu pai pagava a … Continuar lendo
Desafio Aberto de Microcontos 2026 – Regulamento
Desafio Microcontos 2026 Limite de palavras 99 (noventa e nove) Tema Metamorfose Prazo para envio 07/02/2026, às 23h59 Postagem dos contos concorrentes Todos ao mesmo tempo, em 08/02/2026 Sistema de … Continuar lendo