EntreContos

Detox Literário.

Ramiro Adotesilé (Lector)

Cecília secava as mãos e preparava-se para montar a mesa do jantar quando a campainha tocou. Chegava alguém de suma importância visto o súbito silêncio que contaminou os convidados; até a pianista calara o riso frouxo. E seria sempre desconfortável, refletiu a empregada, a ideia de um conviva inédito. Passara por muitos saraus naquela antiga cobertura, quase sempre surgiam novas figuras, e sempre era desconfortável, como se os convivas tivessem visão raio-x, pois sentia-os elétricos em sua o ele; era como se apaixonar: todas as vezes seria como a primeira vez. O roteiro ordinário de tal situação passou rapidamente pela cabeça de Cecília assim que ela fez menção de ir à sala-de-jantar começar o serviço. Sempre em sua maioria eram homens. Variados na aparência e nas dimensões do corpo, todavia sempre brancos, e as reações, mesmo quando foram mulheres as novas comensais, eram as mesmas: um olhar incisivo, um favor pedido em tom de ordem, uma correção…Aqui, Cecília alcançou o corredor, teria de passar pelo umbral da sala-de-recepção como um fantasma, porém daria para verificar a nova figura, ela pensou. Passou. Passou e não acreditou no que viu. 

Reconheceu alguns rostos, observou vultos ao fundo, viu o senador ao lado da pianista, o cientista, de pé, conversando com dona Dafny e seu Apolinário e o novo conviva que caminhava vindo do hall, um homem alto e retilíneo, com uma pele de ébano retinta que contrastava com a camisa branca e o paletó cor de gelo. Era o primeiro homem negro que a empregada via ali. 

. . .

O historiador agradeceu pelo uísque e continuou seu raciocínio: 

“— … e ele próprio pode não saber disso, mas, de fato, toda a figura heróica que pintou na campanha (com clara referência ao Super-Juíz) se encaixa no padrão do que pode ser considerado sebastianismo.”

O senador, após concordar com um balanço da redonda cabeça, replicou:

“— Exatamente. Sem saber ele foi acoplando detalhes arcaicos como o próprio sebastianismo. Ele soube convencer muito bem de que era um robusto e invencível guerreiro. Um outsider-insider como diz um colega meu da República. Ultimamente tem se apegado à origem italiana, tem visto? Imagine quando chegar a Nero e companhia.”

O filósofo interpelou:

“— Mito.”

“— Pois não?”

— Mito. Os senhores não falavam de sebastianismo? esqueceram desse intragável detalhe. 

O historiador e o senador concordaram sumariamente. O filósofo se juntou a eles:

“— Não duvido que realmente se torne um mito ou protagonista de um. É capaz que, em oitenta anos, nossas biografias estejam nas prateleiras mais altas da livraria e a dele esteja na oitava edição, ao lado da de Getulio, na seção dos mais procurados. É possível, bem possível, que fique marcado na “mitologia” que o senhor — reverenciou o historiador —, indiscutivelmente, domina muito bem; que é o que chamamos de História, com H maiúsculo. Pode ser que a figura em questão se fixe, como um mal exemplo, um conto-de-fadas ruim, mas se fixe. Não é para isso que servem os mitos?”

Recepcionado pela primeira vez, o psicanalista era apresentado à larga varanda enquanto fumava um cigarro. Quando decidiu retornar à sala, a certa distância, acabou ouvindo de chofre a segunda metade da fala do filósofo. Instigado, sentou-se na poltrona oposta, a pianista veio da varanda e depositou as mãos em seus ombros. Assim que cruzou as pernas e suspirou pelas narinas, o psicanalista indagou ante uma pausa do filósofo:

“— Então o senhor resume a função da mitologia a apenas narrativas exemplares ou educativas marcadas na memória coletiva de gerações?”

  “— Poderia dizer que sim. Tanto dizer que sua função seja essa quanto afirmar seu maior defeito: de que, no fim, não ensinam nada. O helenismo de Adriano não impediu a guerra, os valores dos mitos gregos serviram mais aos atores de Euripedes como referência de ensaio do que aos pobres pagãos que repetiam os mesmo erros retratados na mesma mitologia.”

“— Justamente aí vejo uma fresta — continuou o psicanalista. O restante parecia não respirar de tanta atenção. — À sua maneira, meu caro: fundindo mitologia e História numa mesma disciplina, coloquemos assim. Não seria então o erro, a guerra, a violência a produção da mitologia? Afinal, sob seu ponto-de-vista a mitologia se retroalimenta. Não obstante, vejo uma tese totalmente válida. Só há uma coisa que me incomoda.”

“— Pois bem.” O filósofo retribuiu com um cumprimento solene. Baixara a guarda. 

“— A generalização. Como definir isso mitologia sem antes olhar a todas? Não podemos empreender tal antes de nos dispor de todas as mitologia jogadas para debaixo do tapete da Academia. — o psicanalista tornou o olhar ao historiador — Creio que o senhor saiba mais do que eu acerca disso. Entretanto, a verdade é que há mitologias que vêm até nós e há mitologias que temos de encontrar.”

Aqui, um círculo se fez ao redor da cena. Iniciado por seu Apolinário que, ao captar a frequência com que a palavra mitologia fora utilizada, fez questão de se aproximar e esperar por um instante propício para uma ponderação sobre o assunto que mais o fascinava. 

“— Bem — começou o filósofo (agora todas as atenções estavam nele. Houve até quem contasse os goles que dera no uísque), sem olhar para seu interlocutor —, também não posso, obviamente, desvalidar sua antítese; pelo contrário, sinto que agora a noite começou, sinceramente até agradeço sua ponderação. Mas, bem: à dialética. É fato que há mitologias que não estão na mesma estante da Ilíada, nem mesmo que são tratadas e respeitadas como tal. Sobretudo para nós, ocidentais, que raramente nos livramos da política de massas (já que quem consegue de verdade fugir da política de massas é ou porque tem tempo ou porque não se convence com a ficção da propaganda). Se a Netflix lançar um filme sobre mitologia Inca e este filme ficar no “hype” logo é possível dessa mitologia se ver em ascensão. Fora isso, ninguém revisitaria seus livros de escola atrás de informações sobre a mitologia na América do Sul, sabe? Eu vejo mais ou menos por aí. No nosso devir pouco importa nossa paixão individual, a não ser que os Estados Unidos percam força política do dia para a noite — o que penso como inverossímil. Portanto, num futuro, talvez, após uma bibliografia considerável (pelo menos equivalente àquela correspondente aos mais estudados) e fomentação cultural, teremos um imaginário que aporte os valores das mitologias orientais, africanas, etc. Aí, podemos analisar o que a sociedade absorveu disso, como o senhor disse. Mas, por enquanto: agora? No XXI? Acho desinteressante nos preocuparmos demais com esse detalhe. Não cabe a nós.”

O filósofo arrematou com um trago em seu copo. 

“— Presumo — retomou o psicanalista — que o movimento de massas seja, de fato, um obstáculo a mais na luta-de-um-homem-só (Apesar que vejo tal obstáculo como qualquer outro visto a vida ser feita disso) mas ainda assim consigo observar que, ao juntar um certo número de lutadores solitários algum barulho pode ser feito. Não é desta maneira que se dão correntes filosóficas? Pois bem…”

Seu Apolinário, narcisista empenhado, aproveitou o respiro para chamar o psicanalista pelo nome. Costumava não aguentar por muito tempo o papel de plateia. 

“— Com licença, mas — o anfitrião passou o olhar por todos os convidados mas, por um instante mais longo, pausou o olhar na mesma direção que o psicanalista virara a cabeça: então viu o olhar da empregada furtivamente projetado de trás de um umbral. Só tornou a cabeça ao dizer: — Penso que estamos tendo uma oportunidade de ouro. Eu li seu livro, meu caro e, confesso que fiquei apaixonado pelo capítulo em que faz um panorama da mitologia da Costa Oeste africana que se infiltrou na cultura brasileira. Não é todo dia que temos acesso a tais tesouros apresentados e analisados por um intelectual de porte como o senhor. Discorra um pouco sobre seu pensamento, peço que discorra.”

Os convivas corroboraram tanto com o elogio quanto com o pedido, com o excessão do filósofo que permanecera entretido com os gelos que afundavam no uísque. 

“— Fico lisonjeado, Apolinário. Mas, não posso tomar crédito sendo que Costa e Silva, Verger, Carneiro e Bastide já falaram tanto antes de mim. Tomo o crédito de ser o primeiro negro a tomar proporções equivalentes. Realmente, o interesse pela mitologia africana vem crescendo, o que tem como consequência a inclusão desses referenciais na Arte, o que também não posso atribuir somente a meus livros, já que isso é mérito dos negros e negras que tomaram força política na década de 70, iniciando o que hoje podemos chamar decolonialidade. Contudo, ainda vejo muitos olhando tal mitologia “infiltrada” sob um verniz pitoresco, até folclórico em certo ponto, se atentando somente a detalhes de entretenimento contidos nos itãs, negligenciando totalmente as guerras, os tantos mitos com mulheres como suas protagonistas, os incestos, as rusgas familiares, a homossexualidade, a transexualidade, o caráter filosófico, político, o caráter psicanalítico. Detalhes que passaram por um obscurantismo no século passado, a não ser aqueles que levam os mitos como epistemologia religiosa e não humanística notam e pensam sobre tais aspectos ignorados pelos entusiastas contemporâneos. Seguindo: tudo isso é facilmente encontrado na mitologia africana, sobretudo na iorubá e fón (o que me leva a um erro que, infelizmente, percebera tarde: o de que, nos últimos livros que escrevi, abordei demasiado os iorubás e os daomenianos cuja escravização alcançou o cume no século XIX, ignorando totalmente os congoleses e malês, por exemplo, povos que já haviam plantado santo nos séculos anteriores. Mas isso é assunto para um próximo livro.) Agora, seguindo verdadeiramente: bem, tudo o que podemos entender os humano lendo Homero, Ovídio, Shakespeare, As mil e uma noites, a Divina Comédia podemos entender lendo os itãs africanos. Uma das minhas primeiras interrogações, o senhor — tornou a cabeça a seu Apolinário — que lera meu livro deve se lembrar, foi a de que todo o complexo edípico pode muito bem ser encontrado num itã em que Xangô se apaixona pela própria mãe ou, em outro, onde Exu estupra a própria mãe. E essa reflexão me levou a escrever tudo o que publiquei. Todavia, chegou um momento em que a bibliografia de Freud, Jung, Lacan não eram-me mais suficientes; assim como Freud recorreu à mitologia grega devido a bibliografia escassa de seu tempo eu recorri à mitologia de meus antepassados. E a grande conclusão que toda a minha obra e pensamento pode ter é inevitável. A Ilíada fora cantada assim como os itãs, mas a primeira foi quem sobreviveu a ponto de ser considerada a parteira da literatura ocidental. Podemos supor que isso seja culpa da escrita, porém, o Egito já era vanguarda no assunto, a questão é que a oralidade permaneceu vigente na costa africana e, essa permanência na transmissão oral de suas mitologias fora determinante para o “apagamento” destas. No fim, o grego foi sempre o texto impresso para ser lido em silêncio e o lá-de-baixo o audiobook. E ambos são literatura. Para concluir, digo que meu intuito vai além de infiltrar africanidades na epistemologia acadêmica, sobretudo a brasileira, meus escritos, peço que eles provem que tínhamos Homeros e Ovídios indo e vindo e outros muitos criando raiz por aqui; que provem que sacerdotes, oraculistas, preceptores poderiam facilmente ser encontrados entre os escravizados pelos portugueses, que sua literatura oral tem tanta grandeza quanto a alfabética — aliás, a grande virtude destes oradores era o gato de serem analfabetos: eles vinham de terras mais antigas que o sistema alfa. Bem, Apolinário, aqui tentei esboçar uma fala que acudisse tanto o senhor quanto nosso amigo filósofo. É de meu conhecimento que o senhor, seu Apolinário, se autointitula neohelenista, o que vejo como algo até pertinente já que as humanidades eram um pouco mais saudáveis naqueles tempos. Entusiasmo seu interesse pela mitologia africana, quanto mais pessoas, intelectuais ou não, se interessarem, mais histórias podem ser desenterradas de um esquecimento provocado.”

. . .

Esse recorte de dez minutos seria visto e revisto mentalmente por Cecília na volta para casa. Deveria ser por volta das onze da noite, as ruas foram esvaziando conforme a escuridão causada pelo descaso da prefeitura engolia o ônibus. E no chacoalhar do cansado corpo, Cecília sorria boba, olhando pela janela seu reflexo como se ele logo se diluísse no retrato do psicanalista sentado na poltrona e gesticulando, sempre dardejando-a quando se deparava com um ponto final em seu discurso, voltando o olhar à roda de pessoas no início da frase seguinte. Cecília ria. Ria pela semelhança física que aquele homem compartilhava com seu filho Sócrates. Ria por ter entendido a mensagem a despeito de tantas palavras difíceis, bastou saber que a tal mitologia mencionada o tempo todo pelo homem era africana e negra como a cor de sua pele. Sorria agora por ter lembrado da efêmera despedida que teve com o psicanalista. 

Alguns segundos antes de realmente seguir rumo ao hall para ir embora ele estava na cozinha, segurando suas mãos após tê-la presenteado com um de seus livros. 

“— Isso aqui não é para eles — disse, com os olhos dentro dos dela. — Isso é para você, isso é para mim, isso é para quem é preto. É a nossa história que toma vida com esse livro. É a prova de que podemos reclamar por nossos antepassados. Esqueça que o negro só consegue ascender detendo um diploma. Isso é importante, é claro, não é em vão que temos defendido tanto a política de cotas. Porém, o que quero dizer mesmo, porque estou atrasado e devo ir é que, o estudo por si só, individualmente, por si mesmo, também tem sua vantagem, também é válido. Eu não terminei o colégio e acabo de ser recepcionado por seus patrões. A senhora tem filhos? — em prantos, Cecília disse sim com a cabeça. — Quero que seus filhos caminhem o mesmo que eu caminhei, pois justamente para isso que caminhei. Há um mito de Criação que conta que Ogum um dia desceu dum dendezeiro aqui para a terra e desbravou todos os caminhos na mata, deixando livre para os orixás o acompanharem na sequência. É isso que quero para seus filhos.”

“— Meu Deus, obrigada, moço. Mas eu nem sei seu nome.”

O nome dele era Ramiro Adotesilé. Cecília lembrou do nome e o repetiu, baixinho, mal movendo a boca. Então retirou o livro da bolsa, olhou-o em meio a um choro alegre, determinada a presentear seu filho com ele assim que chegasse em casa.

5 comentários em “Ramiro Adotesilé (Lector)

  1. Kelly Hatanaka
    28 de novembro de 2021

    Oi Lector.
    Minha avaliação será feita com quatro critérios: tema (2 pontos), correção/escrita (2 pontos), criatividade (3 pontos), personagens (3 pontos).
    Tema (1): As pessoas em um sarau discutem e discutem e discutem um punhado de coisas, entre elas, mitologia.
    Correção/escrita(1): Correta, mas um tanto hermética. A ideia, penso, era mostrar a erudição dos personagens. Porém, resulta num texto um bocado cansativo de ler. Desde o primeiro parágrafo, achei difícil entender o que pensavam os personagens, e quem era quem.
    Criatividade(2): Posso não ter sido cativada pelo texto e tê-lo achado difícil de ler, mas é um conto criativo.
    Personagens(1): Todos são muito parecidos, de forma que, no todo, estava difícil identificar quem era quem e quem pensava o que. Isto, junto do linguajar erudito e empolado, dificultou a compreensão do texto.
    Geral: Personagens eruditos, linguagem afetada, um caminhão de informações despejadas num borbotão, nada disso favoreceu à história. Reconheço a qualidade da escrita e a cultura do autor. Mas, infelizmente, a história não me cativou. Gostaria de saber mais sobre Cecília, o único personagem que parecia ser humana, real, e sobre Ramiro, para além do seu conhecimento. Sentimentos. Senti falta de sentimentos.
    Boa sorte.

  2. Lucas Suzigan Nachtigall
    27 de novembro de 2021

    Sem querer repetir as informações já citadas por Antonio e Emanuel, vou me ater a algumas percepções quanto ao conto:
    1-Acho que alguns aspectos do diálogo estão bastante ultrapassados. Quero dizer, ele me soa um pouco academicismo da Belle Époque, com algumas discussões do século XIX e início do XX, mas utilizando elementos do século XXI. Da segunda metade do século XX para cá, tivemos formulações estruturalistas muito relevantes a respeito de mito, rito e cultura, bem como uma série de críticas a essas formulações, como de muitos pós estruturalistas. Isso na área da filosofia, mas principalmente da história. A Ilíada não é mitologia grega em si. Ela é uma fonte, com certeza, mas não um retrato da prática religiosa popular grega. Os romanos não acreditavam na mitologia como se ela fosse um manual, como a leitura de Ovídio nos levaria a crer. E o mesmo vale para outras culturas europeias, africanas, americanas, asiáticas, polinésias, e por aí vai. A cultura, as crenças, desses povos, são muito mais ricas do que o mero recorte de um livro (Metamorfoses, por exemplo). E mais plurais. Toda cultura passa por mudanças e intercâmbios, e é plural. Isso se dava com os gregos, com os iorubás, com os tupis, com os coptas, egípcios, cherokees,… E esses modelos de acadêmicos de compreensão não são capazes de dar conta dessa pluralidade e dos processos que essas culturas passam.
    2- A forma como o diálogo é construída, eu fico com sérias dificuldades em saber quem está falando o quê; Quem é Apolinário? É o senador? É o historiador? E a Dafny? Quantos são os personagens no diálogo? Três? Quatro? Ficou um pouco confuso. Eu cheguei a voltar a leitura para entender isso, mas tive dificuldades..
    3- O modo como a discussão é tocada é bastante elitista, e incluo aqui todos os personagens do diálogo. Me pareceu, novamente, aqueles clubes de homens do final do XIX/começo do XX. O filósofo, no diálogo, aborda pontos essenciais para se compreender o brasil, e também o mundo, de hoje, mas eu não sei se esse modelo de diálogo, com todas as pessoas se reunindo em torno de diálogo erudito (erudição não é uma coisa ruim, de forma alguma), consiga dar conta desses assuntos dentro da atenção que eles merecem.
    4- É claro, para mim, que o autor conhece os assuntos de que ele abordou (sexualidade, persistências culturais diante da massmedia e do masscult, intercâmbios culturais África-América, ou, mais especificamente, África-Brasil), mas não sei se o método em torno da construção do diálogo é adequado para trazer essa abordagem.

  3. Antonio Stegues Batista
    22 de novembro de 2021

    Pelo que entendi, o conto é a história de Cecília, empregada em uma residência, onde os patrões recebem para jantar, um grupo de intelectuais, entre políticos, cientistas, médicos e escritores, que discutem sobre mitologia. No texto há muitas informações sobre vários assuntos além da mitologia, ou em torno dela. Alguns trechos são divagações dos personagens que, chegando quase ao final do conto, perdi a meada, eu já tinha esquecido. O mote do conto está centrado em um escritor negro que escreveu um livro sobre mitologia africana e ele dá para a empregada, Cecília, um exemplar do livro. Me pareceu que há um significado nesse trecho que não entendi. São três ações do conto, a apresentação de Cecília, empregada, discurso dos intelectuais sobre mitologia e a entrega de um livro a ela, empregada. Gosto de mitologia, já li muito sobre os mitos africanos, asiáticos, nórdicos, brasileiros, etc. Alguns trechos me soaram meio vagos, até dispensáveis, outros foram precisos na comunicação e me proporcionaram um bom entendimento. Apesar disso gostei da história. Muito bem escrita.

  4. Emanuel Maurin
    19 de novembro de 2021

    Olá Ramiro Adotesilé, tudo de bom para você.
    O conto fala sobre o filosofo Ramiro Adotesilé, que chega num reunião e começa a palestrar para uma plateia de eruditos. A empregada fica encantada por descobrir que Ramiro foi o primeiro preto a entrar naquela casa.
    Autor, o primeiro parágrafo do seu conto tem similaridade com o conto Contrapartida de James Joyce, e num modo geral vi alguns nuances com o conto de Joyce. Está bem escrito, passa uma mensagem de luta e tem grande teor filosófico. Não encontrei erros, a temática está em acordo com as regras do certame. A descrição do cenário e dos personagens me agradaram. O texto é fluido e gostoso de ler. Boa sorte no desafio.

    • Emanuel Maurin
      19 de novembro de 2021

      Autor, desculpe, o conto que me refiro do Joyce é Os Mortos e não Contrapartida.

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Publicado em 16 de novembro de 2021 por em Mitologias.
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