EntreContos

Detox Literário.

O corretor (André Brizola)

A noite de quinta-feira estava perfeita. O céu, carregado de nuvens, escondia a lua, deixando tudo mais escuro e apropriado. As pessoas estavam fechadas em suas casas, fugindo da garoa, fria e persistente, que perturbava os moradores do bairro Laranjeiras desde o final da tarde. Mensageiros do vento entoavam uma melodia descompassada, que acompanhava os uivos e assovios do ar se deslocando com ferocidade.

Hércules já vestia roupas escuras. Colocou ainda uma blusa preta e puxou o capuz por cima da cabeça. Na mochila levava pouca coisa. Eram três serviços, o primeiro na casa do Seu Manuel, o segundo, no posto de saúde, e o terceiro, que era o mais importante, no colégio. Imaginava que até as três da madrugada todos estariam já concluídos.

Antes de sair de casa, conferiu a avó, que dormia tranquilamente. Saiu pela porta dos fundos e pulou o muro, de forma que os rangidos do portão não denunciassem aquela atividade tão fora do comum. A vizinhança podia ser de uma gentileza desmedida, mas tinha lá seus problemas com a privacidade. Qualquer desvio de hábito já era assunto para conversas pela manhã, enquanto se varria a calçada, ou no balcão da padaria, onde a comunidade invariavelmente se encontrava.

Respirou fundo. Era sua primeira vez e estava tenso. A inexperiência poderia ser um problema, mas mantinha a confiança em seu planejamento. Tudo havia sido repassado mentalmente, e as arestas estavam muito bem aparadas. Precisaria, entretanto, contar com a sorte, aquele fator aleatório, incontrolável, que poderia colocar tudo a perder. Saiu do beco para a rua escura e chuvosa, e encaminhou-se para a primeira parada.

Quando chegou à casa de Seu Manoel, Hércules abriu a mochila e pegou a lata. Pensou que deveria ter se familiarizado com o uso, antes de qualquer coisa. Imaginava que era só apontar e apertar para fazer a tinta sair, mas, ali, diante de seu primeiro trabalho, a dúvida o atormentou. Resignado, então, sacudiu a latinha com cuidado, como já havia visto fazerem na televisão, levantou a mão para o lugar ideal e comprimiu o disparador. A tinta vermelha espirrou na parede, e ele foi movimentando o braço para conseguir o que desejava.

Menos de vinte segundos depois e Hércules já encarava o feito. Sorriu. Foi exatamente da forma como havia idealizado. Chegou perto novamente, concluiu o trabalho com mais um jato, guardou a lata na mochila e caminhou em direção ao posto de saúde. Estava exultante.

*

Seu segundo trabalho também foi extremamente tranquilo. Era um muro baixo, voltado para outro prédio comercial que, àquela hora, estava totalmente vazio. Fez o que precisava e caminhou em direção ao próximo com um misto de euforia e apreensão. Tudo correra bem até ali, mas o serviço no colégio seria muito mais complicado.

Chegou até a rua e vislumbrou o muro ainda distante por entre as gotas da garoa, que já se convertia em chuva. Seguiu a passos decididos e, na calçada do outro lado, analisou o serviço antes de começar a trabalhar. Estava tremendo de frio e medo. Não queria ser visto pelos moradores. Opostas ao muro estavam casas de pessoas que conhecia. Ali vivia Dona Rita, muito amiga de sua avó. Também o Valdemar, seu professor de matemática, e Elvira, sua colega de classe, a garota mais bonita da sala.

Com cuidado, e o coração acelerado, atravessou a rua já abrindo a mochila. As luzes dos postes falhavam, e a brancura do muro gerava um contraste com a figura esbelta e escura, de lata na mão. A chuva só aumentava, então ele não perdeu mais tempo.

O braço foi exigido muito mais desta vez. Diversos jatos vermelhos encontravam a parede, que parecia até satisfeita em recebê-los. A tinta pouco escorria e Hércules ia pintando, da esquerda para a direita, conforme a necessidade. Alguns traços inspirados, e algumas curvas razoáveis, e estava pronto.

Ainda com a latinha na mão, afastou-se aos poucos para conseguir ver o trabalho por completo. E estava perfeito. A sensação de dever cumprido aquecia o corpo, e punha a mente em disparada. Já começava, até, a imaginar que poderia fazer daquilo uma rotina. Seria uma espécie de anti-herói, ajudando a comunidade de uma forma distorcida e irregular.

A euforia, entretanto, foi quebrada pelo brilho vermelho e azul que coloriram muro e poças d’água. Muito silencioso, o carro de polícia foi parando devagar, próximo de Hércules. E não houve reação. Pego com a lata de tinta na mão, diante daquele que havia sido seu trabalho mais amplo e intenso, o anti-herói, de repente, viu-se como vilão. Não precisou que lhe falassem nada. Largou a lata e a mochila e levantou as mãos. Pensou que, de todos os fatores, o único que não podia controlar era a sorte. E ela havia resolvido não lhe favorecer naquela noite.

Os policiais o colocaram no banco de trás e, então, reassumiram suas posições nos da frente. Logo o carro começou a se deslocar. Ali, em uma das casas, uma cortina, segurada aberta em uma fresta, fechou-se num movimento brusco. Poucos minutos depois, impulsos telefônicos invadiram os cabos de cobre dos postes, em uma rede que avançou pela madrugada.

*

O tenente Mendonça chegou à delegacia antes das sete horas. Carregava uma sacolinha plástica com a marmita e um pastel comprado na feira, minutos antes. Passou pela entrada e deu um bom dia geral aos poucos que já haviam chegado. Encheu um copo plástico com café e avançou adentro, em direção à sua sala. Viu num banco afastado, destinado aos detidos ainda não processados, um rosto conhecido. Era Hércules, o Herculinho, neto da Dona Emília. O garoto estava sentado de forma curvada, claramente embaraçado. As mãos juntas, cotovelos apoiados nos joelhos, numa súplica inconsciente. Olhava para baixo, com olhos vermelhos e cansados, de quem não dormiu, e de quem chorou.

– Chefe, bom dia. Aquele ali é o rapaz das pichações. Enfim o pegamos. Parece um bom menino, não resistiu, não xingou, e está ali paradinho desde a madrugada. Já é maior de dezoito, mas precisamos da sua assinatura na papelada antes de prender.

O policial diante de Mendonça segurava um papel preenchido com garranchos de letras duras. Era um bom homem, mas vinha de uma região rígida e violenta, e não tinha a sensibilidade que o bairro das Laranjeiras exigia.

– Sim, claro, claro. Mas quero conversar com o garoto antes. Leve-o para a sala A.

– Tudo bem. Estou terminando de redigir a confissão dele, o senhor pega a assinatura?

– Sim, deixe comigo. Ah, e dê isso a ele, sim? E também um copo de chá. – Mendonça entregou o pastel ao policial. – É só um garoto, não vamos deixá-lo com fome.

O chefe de polícia entrou em seu escritório, viu os recados e guardou suas coisas. Não gostava dessa parte do serviço, confrontar alguém que sabia ser boa pessoa, mas que havia deslizado, e agora estava ali, como um malfeitor. Pichação era um delito pequeno, mas para um menino pobre, negro, e pego em flagrante, o destino invariavelmente seria a prisão. Esperava, entretanto, encontrar uma forma de aliviar a situação do garoto.

Antes de entrar na sala A, pegou a confissão datilografada com o policial da apreensão. Dentro, o garoto, sentado, com um pedaço de pastel na boca, levantou para ele olhos assustados.

– Pode comer em paz. Quando terminar, vamos bater um papo.

Hércules assentiu, engoliu, bebeu do chá e terminou o pastel.

– Doutor Mendonça, sei como funciona. Fui pego cometendo um crime. Sei que fiz errado. Não vou negar nada, não. Poderia pedir desculpas à minha avó, por mim? O senhor sabe, ela não anda, então não vai poder vir aqui antes de me levarem para a prisão.

– Calma. Quero, antes de qualquer coisa, conversar. Tentar entender o que aconteceu. Ouvir o seu lado da história. E não precisa me chamar de doutor. Não sou médico.

Hércules assentiu balançando a cabeça em movimentos curtos e rápidos.

– Certo, estamos nos entendendo. Conte-me o que houve.

– Eu pichei o muro do Seu Manoel, do posto de saúde e do colégio, senhor.

Mendonça conferiu o boletim de ocorrência e não havia relato algum sobre outros lugares, além do colégio.

– E por que você pichou, Herculinho? Qual era o seu objetivo?

– Senhor, eu só queria arrumar as coisas.

– Como assim? Você tinha alguma mensagem a passar? Você se vê como uma espécie de rebelde?

– Não, senhor. É que as coisas estavam erradas, então eu queria corrigi-las.

Mendonça não entendeu a motivação do garoto. Iria levar a conversa para outro caminho quando a linha de raciocínio foi cortada por duas batidas fortes na porta.

– Entre.

Um policial colocou a cabeça pela fresta.

– Senhor, está aí um Manoel, que insiste em falar com o chefe.

Mendonça suspirou. Conhecia Seu Manoel. Um torcedor fanático pelo Corinthians. E dono da casa pichada por Herculinho.

– Peça a ele que aguarde. Logo irei vê-lo.

Voltou-se a Hércules, que ainda estava assustado. Pegou o documento com a confissão e passou os olhos por cima. Colocou-o, então, na mesa, e empurrou-o em direção ao garoto.

– Herculinho, essa aqui é uma confissão. Um documento em que você concorda que os atos descritos foram cometidos por você, entendeu? Leia, por favor, e me diga se vai assinar.

Hércules pegou o papel e começou a ler. Depois o empurrou de volta ao policial.

– Senhor, não posso assinar.

Mendonça não esperava por isso.

– Mas você disse que cometeu esses atos, não disse? Por que não pode assinar?

– Senhor, cometi quase tudo que está no papel, sim. Mas eu só pichei em vermelho, em preto não. Em preto já estava tudo lá. E não posso assinar um papel que diz que eu estava pichando, escrito com X. E os plurais estão todos errados. Tem muito erro. Não posso assinar isso. Tem como corrigir? Aí eu assino, sim.

Mendonça, de boa aberta, permanecia sem entender os motivos do garoto. Mas nem pôde terminar o raciocínio, pois novamente bateram à porta.

– O que é?

O mesmo policial de antes, mas bastante encabulado, apareceu na fresta da porta.

– Chefe, chegou aí também uma senhora bem idosa chamada Margarete. Insistiu para que eu dissesse ao jovem Mendoncinha, exatamente nesses termos, que está aí. Quer falar com o senhor. Parece bem severa.

O chefe de polícia passou a mão na cara, desconsolado. Dona Margarete havia sido sua professora no primário, três décadas atrás. E ainda lecionava, naquele mesmo colégio. No mesmo em que Hércules, à noite, deveria ter aulas. E no mesmo em que foi pego em ação, naquela madrugada.

– Diga, com toda a educação do mundo, que logo irei vê-la.

– Certo.

Mendonça encarou Hércules. Checou o relógio de pulso. Não tinha chegado ainda nas sete e meia da manhã, mas já estava cansado.

– Parece que seu trabalho atingiu a comunidade, garoto. – O policial pegou a confissão. – Vou pedir para corrigirem. – Saiu da sala.

Foi até o balcão de atendimento, onde Seu Manoel e Dona Margarete já estavam acompanhados também pelo pastor Antunes, Valdemar, o professor de matemática, e mais alguns moradores do bairro. Todos, quando viram Mendonça se aproximando, começaram a falar ao mesmo tempo, em volumes, tons, velocidades e afinações diferentes.

– Isso é um absurdo! Prender o Herculinho, com tanto bandido aí na rua!

– Não está certo, não está certo!

– Vocês querem matar a Dona Emília do coração? Solta logo o rapaz!

Mas uma voz, dentre aquelas, sobressaiu-se aos ouvidos de Mendonça. Aquela que o havia acompanhado durante vários anos. Que o pegou como um garotinho e o transformou num jovem correto.

– Mendoncinha, seu cabeça dura, o Herculinho tem aula comigo hoje à noite. Se ele não estiver lá quando eu entrar naquela sala, eu volto aqui com a régua, entendeu? Com a régua!

– Professora, eu sou o chefe de polícia!

– Eu não quero saber! Vocês vão soltar esse menino agora mesmo. Vocês não sabem nem porque o prenderam!

– Professora, ele foi pego em flagrante. E confessou. – Mendonça tentava argumentar com sua voz mais conciliadora. – Ele mesmo disse! Que pichou a casa do Seu Manoel, inclusive!

– Sim, de fato, na minha casa. Mas, mesmo assim, ele só arrumou o que vândalos tinham feito antes. O que o menino fez, fez por bem.

– Vocês não saberiam o que é errado, nem que o errado viesse bater com um pedaço de pau nas suas cabeças. Você foi lá ver o que o menino fez, foi? – A professora tinha uma voz rouca e aguda, que se assemelhava a uma dor de cabeça.

– De fato, ainda não fui. Mas não foi preciso. Dois dos meus melhores policiais viram o dano ao patrimônio público.

– Deixe de ser tapado, Mendoncinha, aquele muro lá é pichado toda semana! O que o Herculinho fez foi só corrigir o que estava errado.

Mais uma vez Mendonça ouvia falar em correção. – De novo isso? Esclareçam, por favor.

– Se me permitem – o professor Valdemar deu um passo à frente do grupo e ficou de frente para o policial –, acho que posso elucidar melhor. Veja bem, senhor Mendonça, as pichações em tinta preta já estavam lá antes, sabe? Mas estavam erradas.

– Como assim?

– O português empregado, senhor, não era o correto. Não era a norma culta. O que o garoto Hércules fez, de forma muito precisa, foi acrescentar acentos, letras faltantes e arrumar os plurais. E o fez com tinta vermelha. Por exemplo, onde estava escrito “Vai Timao!”, acrescentou a vírgula e o til.

– Isso! Foi na minha casa.

– Onde estava escrito “Fe em Deus”, no posto de saúde, ele também acrescentou o acento. E no colégio foram muitas correções, veja só. O “Ninguém vai cuidar dos pobre nao?”, recebeu a vírgula, além do til e do S faltante no “pobre”. Também arrumou o “elvira nós te ama”, transformando o E de “elvira” em letra maiúscula, colocando vírgula, e mudando o “nós te ama” para a forma correta, “nós te amamos”. Todas as outras pichações também foram corrigidas!

– Como um professor faria, seu cabeça de camarão!

Mendonça, então, entendeu. O garoto não era um vândalo. Sua intenção havia sido boa, embora tenha adotado o meio errado para executá-la. Percebeu que ainda segurava a confissão datilografada. Olhou para o papel e depois para o grupo à sua frente. Não queria prender ninguém por aquilo.

– Peço a paciência de vocês. Podem ficar aqui. Tenho que resolver um detalhe urgente.

Mendonça virou, sob protestos e ameaças de reguadas, e avançou adentro. Sua linha de conduta sempre foi a de que o certo seria o certo, mesmo que por linhas tortas. Soltou o papel em uma lata de lixo e foi em direção à sala A. Garantiria que, mais tarde, naquela noite, quando Dona Margarete entrasse para dar aula, Herculinho estaria em sua carteira costumeira.

39 comentários em “O corretor (André Brizola)

  1. misapulhes
    9 de outubro de 2021

    Olá, Lobato.

    Resumo: O jovem Hércules é preso por pichar os muros da vizinhança.

    Comentários: poxa, que conto legal hahaha. Via ficar no meu top 5. É muito bom, claro, que no meio de tantas abordagens mais óbvias ao tema, alguém tenha se aventurado no humor, que nunca é fácil executar.

    A narração é muito competente, mas talvez o gênero humorístico exija alguns ajustes, como o não levar a série demais a coisa toda após a revelação. Explico: “Mendonça, então, entendeu. O garoto não era um vândalo. Sua intenção havia sido boa, embora tenha adotado o meio errado para executá-la. Percebeu que ainda segurava a confissão datilografada. Olhou para o papel e depois para o grupo à sua frente. Não queria prender ninguém por aquilo”. Este parágrafo, além de exageradamente explicativo (já havíamos entendido isso que se relatou), parece querer dar uma lição de moral que não cabe ao humor (“Sua intenção havia sido boa, embora tenha adotado o meio errado para executá-la”).

    Mas o trabalho foi muitíssimo bom. Parabéns e boa sorte!

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu pela crítica, Misael! E você está certo! De fato o parágrafo que citou ficou bem explicativo. Minha intenção é reformular esse final, pois não fiquei satisfeito com ele. Quando terminei o conto não conseguia encerrar de forma satisfatória e acabou ficando desse jeito.

  2. Jowilton Amaral da Costa
    9 de outubro de 2021

    Ambientação: Boa. conseguimos nos situar numa história que ocorre nos dias atuais em ambiente urbano.

    Enredo: Muito bom. A ideia é bastante original, os personagens são bons. A história é bem leve e divertida e tem algum suspense também, Só achei que, por mais que conhecem o chefe de polícia há muito tempo, não falariam daquela forma com ele dentro de uma delegacia, deu um ponto cômico, mas, me pareceu forçado.

    Técnica: Boa. A leitura fluiu sem problemas.

    Considerações Gerais: Um bom conto, leve, original e divertido.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Jowilton! A conversa com o o chefe de polícia seguiu esse caminho porque a intimidade ali era muito grande por todos serem de uma mesma pequena comunidade, cuja inspiração veio do bairro do Limoeiro, da Turma da Mônica! Na versão original do conto essa relação era melhor explicada, mas tive que cortar muita coisa para conseguir encaixar no limite de palavras. Agradeço o comentário!

  3. Bruno Raposa
    9 de outubro de 2021

    Olá, Lobato das Laranjeiras.

    Numa vã tentativa de ser mais objetivo, resolvi, para este desafio, pegar emprestado o modelo de comentários do EntreMundos. Então vou dividir meu comentário em ambientação, enredo, escrita e considerações gerais.

    A eles.

    Ambientação: Bem construída. Começa estabelecendo um clima de suspense, então vai tirando o peso, diminuindo a tensão, plantando a dúvida e termina num registro cômico. As transições são muito sutis, guiando o leitor sem sobressaltos. É uma ambientação discreta, que pode não brilhar, mas que envolve com facilidade. É um conto com um ritmo suave. Gostei bastante.

    Enredo: Foi uma grata surpresa. Um enredo leve, divertido, um diferencial dentro do certame. Infelizmente, a virada final fica comprometida pelo título do conto e a imagem escolhida para ilustrá-lo, que acabam entregando a surpresa. Durante a leitura, em algum ponto, fiquei com a impressão de que a narrativa já havia se tornado previsível, e que assim seria mesmo sem a imagem. É impossível saber ao certo, mas, infelizmente, essas escolhas estragaram um pouco a experiência.

    Deixando isso de lado, eu curti a história. Os personagens são carismáticos e facilmente relacionáveis. Talvez tenha faltado dar um pouco mais de desenvolvimento para Hércules – aliás, ótima escolha de nome, rs -, mas entendo que mantê-lo como uma figura discreta era importante para o mistério proposto pela trama.

    O conto cresce bastante em sua parte final, com a entrada dos demais personagens em cena. A professora pode soar um tantinho caricata mas, dentro do contexto estabelecido pelo conto, cabe perfeitamente. Me diverti com a parte da régua, rs.

    Só acho que o humor poderia vir um pouquinho mais cedo, talvez encaixar algumas situações engraçadas antes mesmo da virada principal. Mas entendo a opção em fazer o texto parecer sério até então.

    Escrita: Boa. Limpa de erros, algumas construções interessantes, boas descrições. Os diálogos funcionam bem, o que é sempre um desafio. É uma escrita segura, tranquila. Só não consegui entender a última frase do primeiro parágrafo, rs.

    Considerações gerais: Quase não tenho apontamentos a fazer, o que é sempre um bom sinal, rs. É um conto simples, mas nem por isso menor. É cativante, bem humorado, atual. E aborda o tema do desafio de uma maneira inesperada, o que é sempre muito positivo. Ganha pontos pela originalidade. Gostei bastante. 🙂

    Desejo sorte no certame.

    Abraço.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Bruno! Minha ideia era realmente me afastar dos crimes hediondos e dos criminosos bandidos de fato. Minha inspiração para tudo aqui foi a Turma da Mônica. O erro com o título e a imagem foi a grande falha notada por quase todos os comentaristas. Falha minha, falha minha. Valeu pelo comentário!

  4. Kelly Hatanaka
    7 de outubro de 2021

    Oi Lobato!

    Achei seu conto original, leve e gostoso de ler.

    Os personagens são bem desenvolvidos, o enredo é simples e bem conduzido. Ele tem humor, coisa difícil de se fazer dentro do tema “Fora da lei” e foi um respiro bem vindo no meio de tantos assassinos, serial killers e afins. Gostei, do Hercules, um menino com nome e motivações tão originais, mas gostei, ainda mais, do delegado gente boa e da comunidade que soube apreciar o trabalho de Hercules.

    A escrita é muito boa, correta, fluida e poética.
    Parabéns!

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Kelly! Fui atrás de um enredo simples mesmo. Era uma história que estava na minha cabeça a bastante tempo, e dessa vez coincidiu com o tema do desafio. Como disse aí em cima, minha inspiração foi a Turma da Mônica, por isso a ideia era um conto leve e mais bem humorado. Muito obrigado pelo comentário!

  5. opedropaulo
    5 de outubro de 2021

    O conto tem uma sacada muito boa que o distingue entre s demais deste desafio. O tema é trabalhado por através de uma história quase anedótica em que o certo é feito de forma errada e inusitada, parecendo um causo de bairro. A maneira como o texto é escrito, misturando a narração com a introspecção das personagens, dá certa vitalidade ao que se lê, pois se percebe o domínio da autoria ao escrever por meio de dois personagens tão diferentes quanto o delegado e o jovem infrator, além de manter a leveza que é cabível ao que se narra. Os pontos fracos são o clímax, que é simplesmente o policial se dando conta do mal-entendido que ocorre, e a escolha da imagem para o conto, que entrega totalmente o enredo. Não seria tão ruim se não ficasse evidente a tentativa de justamente encobrir o feito do protagonista, revelando aos pouquinhos a verdadeira natureza de sua ação. Todo o suspense se perde com a imagem do conto explicitando as correções.

    É um bom conto, que se desenvolve bem e tem originalidade, enfraquecendo somente em sua conclusão.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Pedro! O erro com a imagem e o título foi o apontamento que quase todos os comentaristas fizeram. E estão certos, claro. Foi uma falha minha. Legal você ter notado as diferenças entre as narrações entre os dois personagens, pois eu queria mesmo simular dois tipos de comportamento que, mesmo que diferentes, se encaixassem na leveza que eu tinha me mente. E é realmente um causo de bairro, como você citou. Minha inspiração foi na Turma da Mônica, e a ideia era ser exatamente isso, um causo de bairro. Muito obrigado pelo comentário!

  6. Fabio D'Oliveira
    2 de outubro de 2021

    Buenas, Lobato!

    Nesse desafio, irei avaliar três fatores: aparência, essência e considerações pessoais.

    O que ele veste, o que ele comunica e o que eu vejo.

    É uma visão particular, claro, mas procuro ser sincero e objetivo. E o intuito é tentar entender o texto em sua totalidade, mesmo falhando miseravelmente, hahaha.

    Vamos lá!

    APARÊNCIA

    O conto possui uma linguagem interessante: ao mesmo tempo que é bem simples, seguindo uma linha bem objetiva, ainda carrega um tom poético no fundo, que não se sobressai, mas pinta alguns contornos da narrativa.

    Aparenta ser uma escrita bem madura.

    Não encontrei nenhum erro ou entrave na leitura, o que reforça ainda mais o pensamento que revelei acima.

    Agora discutiremos o maior problema do conto: o título e a imagem. Ambos denunciam o conflito primário da trama. E, o que era pra ser um bom artifício, acabou sendo o maior defeito: você demora para revelar o que Hércules realmente estava fazendo, criando uma narrativa de desmanche, onde a verdade é revelada aos poucos. Porém, o leitor já sabe o que é, então, essa revelação lenta acaba deixando a leitura cansativa e entediante.

    Eu apostaria em outra imagem e outro título. O seu pseudônimo, por exemplo, daria um título excelente para o conto, ainda mais se fizesse alguma ligação do menino com a escrita, com o desejo de ser escritor.

    É um problema incomum, na verdade. O artifício é bem utilizado no conto. Se o leitor pegasse apenas o corpo do texto, sem o título e a imagem, teria uma impressão completamente diferente. Isso só mostra como a capa e o título são importantes, também.

    ESSÊNCIA

    É um conto simpático.

    Acho que isso resume bem.

    Ele pega um tema negativo e pesado e, habilmente, o transforma em algo bom e bonito. Eu gosto disso. Acabei de ler um conto que faz algo semelhante, mas sem abrir mão da violência. Aqui, ao contrário, você abre mão dessa face da criminalidade.

    Admirável.

    No entanto, a idade do Hércules acabou me incomodando um pouco. Não estou questionando a veracidade da situação: talvez um rapaz mais velho faria a mesma coisa. Porém, a inocência da situação combina muito mais com uma criança ou pré-adolescente. Além de sustentar a solução simplista e inocente, ainda daria um charme extra ao conto, com aquela imagem do menino que quer mudar o mundo do jeitinho dele. Seria ainda mais simpático, sabe?

    É um conto bom, mas que, por causa de algumas decisões, talvez apressadas, acabou perdendo a oportunidade de fazer algo sensacional.

    CONSIDERAÇÕES PESSOAIS

    Não adianta fingir o contrário: a situação da imagem e do título realmente impactaram negativamente a leitura. Foi uma leitura um pouco cansativa e despropositada. Eu queria ter tido a sensação da descoberta naturalmente, no decorrer da leitura e na hora que era pra ter sido, mas, com a imagem do conto e o título na cabeça, assim que a cena do rapaz pichando apareceu pela primeira vez, já percebi toda a trama.

    Isso me faz pensar: uma coisinha tão simples e pequena pode estragar toda a experiência da leitura. Coisa estranha. Escrever não é fácil, hein.

    Parabéns pelo trabalho, Lobato. E apesar das reclamações, seu conto está acima da média, não se preocupe muito!

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valei, Fábio! O erro com a imagem e o título foi quase unanimidade entre os comentaristas. E estão todos certos, claro. Eu, que concebi todo o enredo e o texto, não tinha em mente esconder o que estava acontecendo, embora tenha feito exatamente isso, rs. Falha minha, falha minha. Sobre a idade de Hércules fiquei na dúvida sobre deixa-la acima ou abaixo dos 18 anos. Mas, no final das contas, pensei que eu, aos 18, era ainda muito inocente e achei que esse parâmetro me servia. Mas cada realidade e experiência vai dizer para cada leitor o que é verossímil ou não, imagino. Muito obrigado pelos comentários!

  7. Wilson Barros
    29 de setembro de 2021

    A figura combinou muito bem com o conto, já tive vontade de corrigir várias pichações. O nome do protagonista, Hércules, revela a preocupação do autor raras vezes vista, de escolher um nome, digamos, conveniente.
    Pode parecer exagero, ou até inverossímil, que alguém fique preso por 3 anos por ter corrigido uma pichação, mas simplesmente não é. Apesar de o processo está todo errado. Qualquer advogado bom resolveria o problema na mesma hora. Mas…
    O conto é burlesco, senti um toque novela das 7. A história é boa e tocante, além de fazer rir. O final feliz contrasta com quase todos os outros contos. Muito interessante.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Wilson! A escolha do nome foi realmente proposital, pois queria que Hércules tivesse nome de herói, além de fazer aí um paralelo com os doze trabalhos do personagem grego (embora aqui eu não tivesse espaço no texto para doze trabalhos, fiquei só com três mesmo). Outra referência aos doze trabalhos de Hércules foi no pseudônimo, fazendo a correlação com o livro infantil de Monteiro Lobato. Muito obrigado pelos comentários!

  8. claudiaangst
    27 de setembro de 2021

    O conto abordou o tema proposto pelo desafio.
    Pena que o título e a ilustração entregaram o enredo, estragando a surpresa. Poderia ter deixado o leitor descobrir que se tratava de um rapaz com bom instinto de revisor das pichações alheias só no final.
    A leitura flui fácil sendo agilizada pelos diálogos. O ritmo é bom e a trama prende a atenção.
    Infelizmente o desfecho perdeu o impacto pela entrega antecipada da ação de Hércules.
    Parabéns pela participação e Boa sorte no desafio.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Cláudia! Realmente, o erro com o título e a imagem foram lamentáveis. Mas eu realmente não percebi que estava “escondendo o jogo” no texto até ler os primeiros comentários. Não era a intenção, mas foi falha minha, de fato. Muito obrigado pelos comentários!

  9. Elisa Ribeiro
    27 de setembro de 2021

    Um conto muito simpático que fala de um moleque, vândalo às avessas, que corrige os equívocos gramaticais das pichações espalhadas pela comunidade onde vive.

    O enredo é bem urdido para o efeito pretendido, os personagens são adoravelmente empáticos, a escrita é um pouco explicadinha demais, mas agradável pela linguagem simples, correta e bem articulada. A forma de narrar linear, cotidiana, meio crônica me pareceu adequada ao efeito de anedota que resulta ao final da leitura. A despeito dos excessos explicativos, o autor consegue o efeito de suspensão que nos faz progredir na leitura com gosto, mostrando-se um bom contador de histórias.

    O problema do seu conto é que ele peca pelo excesso. Muito explicado, me faz suspeitar de um professor do ensino fundamental por trás da pena. Desde o título, o autor se esmera em não deixar lacunas a serem completadas pelo leitor, o que termina por prejudicar a experiência de leitura do público leitor acostumado com textos mais desafiadores.

    De qualquer forma, é um bom trabalho.

    Desejo sorte do desafio. Um abraço.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Elisa! Esse efeito explicativo no texto foi mais ou menos proposital, pois não queria deixar muito para ser deduzido. Minha inspiração foi a Turma da Mônica, que tem o artifício da imagem para ajudar o texto, então tentei levar isso para o conto. Não era, realmente, para ser um texto desafiador, mas entendo o ponto de vista. Muito obrigado pelos comentários!

  10. Andre Brizola
    27 de setembro de 2021

    Olá, Lobato!

    Conto sobre a inocência de um jovem que pretende ajudar a sua comunidade de maneira pouco ortodoxa: corrigindo a gramática das pichações. Para tal, como um professor, utiliza a tinta vermelha e vai pontuando pelo bairro aquilo que estava errado.

    É um argumento pouco utilizado, e único neste desafio. Muitos optaram por apresentar o fora da lei bandido, assassinos e ladrões, enquanto aqui temos uma espécie de anti-herói que até conhece o fato de estar infringindo a lei, mas arrisca-se assim mesmo, pois entende que está a fazer o bem. A narração em terceira pessoa funcionou legal, pois conseguimos acessar a todo o desenrolar da trama sem nenhuma dificuldade.

    A segunda parte do diálogo, escorada, principalmente, nos diálogos, parece um pouco corrida. Efeito, talvez, do limite de palavras do desafio. Algumas conversas parecem menores do que deveriam ser, e tudo acaba acontecendo meio rápido. Funciona, mas acredito que é um texto que pede por mais espaço.

    Acredito que, no geral, o conto atende ao tema do desafio, está formatado de forma adequada e não possui deslizes técnicos que prejudiquem a experiência da primeira leitura. Fiquei bastante satisfeito com o conto!

    É isso, boa sorte no desafio!

  11. Felipe Lomar
    26 de setembro de 2021

    Gostei do conto. Tem um tom meio humorístico, de anedota, que funciona bem. Funcionaria melhor ainda se já não fosse explícito no título do que se tratava, quebrando a surpresa. Outro ponto que eu achei fraco foram os diálogos, que soam meio “mecânicos”, pouco naturais. Mas fora isso é um bom texto. Parabéns
    Boa sorte!

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Felipe! O erro com a escolha do título e da imagem foram quase unânimes nos comentários. Foi uma falha minha, de fato. Não percebi que estava entregando o enredo, e nem como isso afetaria o desempenho da leitura, quando a enviei para o desafio. Muito obrigado pelos comentários!

  12. Luciana Merley
    24 de setembro de 2021

    O corretor

    Olá.
    Seu conto é bastante simpático, leve na forma e uso das palavras, mas contém como pano de fundo um assunto que é um pouco mais complexo. Veremos.

    Coesão – O enredo foi escancarado na imagem e no título, o que deixou o conto bem menos interessante até o final. Sugiro mudar a imagem em outras apresentações. O título está bacana. A ideia do “bom fora da lei” está presente enquanto cerne do texto, na minha visão. Penso que o início de um conto deva ser mais revelador do enredo, apresentando personagens, quem sabe, gerando desejo de leitura. E no seu, não encontrei tais elementos instigantes. Acho que você desperdiçou seu início. Algo que me pareceu desconectado foi o fato de ele ser um jovem de mais de 18, mas com uma aparente inocência muito mais infantil. De onde veio essa fixação pelo português correto? Onde ele aprendeu esse conceito tão precioso, não ensinaram nada sobre a inviolabilidade dos patrimônios público e privado? Veja! Não estou dizendo que isso não caiba num conto. Claro que cabe e é um enredo interessante, com um fator até imponderável, eu diria, mas faltou alguma conexão com a personalidade desse jovem que tornasse o texto mais verossímil dento do que você quis construir. Quero dizer que essa ingenuidade não foi muito convincente sem mais elementos.

    Ritmo – O texto tem uma linguagem muito acessível, simples até, leve e gerou um ritmo bom. Acho que me cansou o fato de já saber sobre o enredo desde o título e foto, mas também pela situação alongada na delegacia, com diálogos que poderiam ser mais enxutos.

    Impacto – Sim, gostei do texto e dessa situação inusitada. Minhas considerações são para possíveis melhorias. Quanto ao tal pano de fundo, ao contrário do que li na maior parte dos comentários, o que me dá estranheza é o fato de a sociedade admitir pessoas que acreditam estar melhorando o mundo pinchando muros. Ainda mais hoje quando existem inúmeros outros meios de expressão. E, principalmente pela ausência de crítica acerca dos custos que a sociedade tem que pagar para a recuperação desses locais. Já vi casas que ficaram por toda a vida entristecendo seus donos porque estes não tinham condições financeiras de repintar os muros degradados.
    Mas isso é uma outra história que está no pano de fundo e não no plano de frente do seu texto.

    Um abraço.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Luciana! É, o erro com a imagem e com o título, apontados por quase todos os comentaristas, foi feito sem perceber. Na minha cabeça eu não estava escondendo o que Hércules fazia, embora o texto tenha sido composto para ser exatamente isso, rs. Errei, errei, infelizmente. Sobre as motivações de Hércules, e a fixação pelo português correto, são detalhes que acabaram cortados na versão final do conto, para conseguir adequá-lo ao limite de palavras. Talvez eu reedite a versão original. Muito obrigado pelas considerações!

  13. Anderson Prado
    24 de setembro de 2021

    1. o tema do desafio é abordado de maneira surpreendente: a rigor, temos um fora da lei, um pichador, mas seu crime tem um motivo nobre, a defesa da norma culta da língua;

    2. o enredo é mediano; seu primeiro defeito é ser entregue pelo título e pela ilustração; melhor teria sido surpreender o leitor; o entrecontista havia criado um clima de mistério, em que o protagonista deixa a casa da avó durante a noite, às escondidas, saltando o muro; é uma noite fria, com garoa seguida de chuva; o entrecontista poderia ter utilizado esse clima de mistério para alimentar no leitor uma curiosidade: quem é esse garoto?, por que deixa a casa sorrateiro?, vai cometer um crime?, que crime seria esse?; no final, bem no final, viria a desfecho: não se tratava de um bandido perigoso, tratava-se, na verdade, de alguém revoltado com a inobservância das normas da língua culta; porém, entrecontista entregou o enredo e o plot twist no título e na ilustração; depois disso, não havia muito mais o que se pudesse esperar do enredo;

    3. a escrita é boa, correta, mas poderia ser mais elegante; explicar elegância não me é fácil; não sei se há por aí quem possa bem explicar; no entanto, das muitas leituras que se faz na vida, aos poucos se vai aprendendo a distinguir esse caractere; neste texto, não se nota muita elegância; ainda assim, é deste próprio texto que vou retirar um exemplo de elegância, de inspiração; é ele: “Mensageiros do vento entoavam uma melodia descompassada”; por um momento, pensei que o conto teria mais passagens inspiradas assim, mas, no texto, ela é única e, muito em função disso, soa até um tanto deslocada; agora, vou citar um exemplo de escrita que carece de refinamento; pois bem, quando o professor pede licença em “Se me permitem”, já está mais do que óbvio que virá a seguir uma intervenção, uma explicação (ainda mais sendo ele quem ele é, um professor); assim, foi totalmente desnecessário que ele ainda tenha tido “acho que posso elucidar melhor”; mais desnecessário ainda foi ele ter somado um “Veja bem, senhor Mendonça”; não bastasse, “elucidar” é um verbo pouco usual, difícil de ser imaginado saindo da boca de um falante contemporâneo; o texto está repleto de momentos em que faltou elegância, refinamento, inspiração; outro sintoma da estrita um pouco imatura ainda é o excesso de advérbios (o “já”, por exemplo, aparece umas 14 vezes).

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Anderson! Como disse em outras respostas acima, realmente errei na escolha do título e da imagem. Mas foi sem perceber. Só me ocorreu o erro quando os primeiros comentários começaram a aparecer. Com relação à elegância do conto, sei exatamente do que está falando e minha intenção era ter um texto mais refinado nesse aspecto, mas abri mão de outras construções nessa linha por causa do limite de palavras. Algo precisava sair, e tive que ir num caminho mais “direto”, digamos. A passagem com os mensageiros do vento é um resquício que eu não quis remover. Sobre a fala do professor, pode ter parecido estranho, mas tentei emular um professor real que tive na faculdade, apenas troquei a matéria ensinada. E ele era um tanto pedante e exagerado, como quis que esse personagem no conto fosse, e elucidar era algo que ele dizia, rs. Muito obrigado pelos comentários!

  14. Emanuel Maurin
    23 de setembro de 2021

    O conto é bem expressivo, não tem erros e a narrativa é fluida. Muito gostoso de ler. Gostei da ambientação, desenvolvimento da trama e das imagens. Parabéns. No caso do seu conto esse crime compensa.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Emanuel! Era a minha intenção apresentar um conto leve e de fácil leitura mesmo. Espero ter conseguido mostrar e contar na medida certa! Obrigado pelos comentários!

  15. Jorge Santos
    22 de setembro de 2021

    Olá seu Lobato. Gostei deste seu conto simples, que fala de um grafitter que se dedica a corrigir os outros grafitters (pixador é um termo que considero bastante depreciativo). É apanhado e tem de prestar contas à justiça. Há um tom pedagógico e moralista. O texto poderia ser mostrado nas escolas, não fosse o facto de incentivar a grafitar. A linguagem é simples e eficaz. A ligação do leitor ao texto não é tão profunda como deveria ter sido, talvez pelo tom pedagógico.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Jorge! Há realmente um tom pedagógico e explicativo, mas que foi intencional. Minha inspiração foi nos quadrinhos da Turma da Mônica, que acredito que são editadas também em Portugal, e queria levar para o texto o que, nos quadrinhos, é desenhado. Não funcionou exatamente como eu desejava, entretanto. Valeu pelos comentários!

  16. Priscila Pereira
    20 de setembro de 2021

    Olá, Lobato!

    Ahh que fofinho! Amei!

    Ambientação: ótima! Tudo muito bem descrito e ainda com um toque de humor e poesia!

    Enredo: fofo demais! Amei o Hércules e todo o resto da comunidade, e o crime retratado foi muito original!

    Escrita: muito boa! Clara, direta, poética e bem humorada!

    Considerações gerais: eu gostei muito do conto. É um ótimo conto cotidiano. Um dos meus preferidos até agora. Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Priscila! Que bom que você gostou do conto. Me inspirei muito na Turma da Mônica para criar a ambientação e os personagens. A ideia era apresentar uma história leve e bem humorada, pois sabia que viriam pela frente no desafio muitos roubos e assassinatos. Muito obrigado pelos comentários!

  17. Angelo Rodrigues
    20 de setembro de 2021

    20 – O Corretor

    Conto legal de ler, divertido e bem construído.
    O errado que é certo, o certo por vias tortas, algo assim.
    Afinal, a intenção do rapaz estava em consertar os textos errados que se espalhavam por onde morava. Não é uma ideia ruim.
    Fui procurar para saber se é crime pichar e é, não imaginava que ainda fossem severos com isso, cabendo até um ano de prisão. Uma bobagem e tanto, como tantas.
    A única coisa que achei que não caiu bem foi a imagem que, infelizmente, entrega o final do conto. Estavam lá as pichações corrigida pelo jovem Hércules.
    A questão do fora da lei foi tomada pela linha mais sutil pelo autor, que buscou um fora da lei que é um quase dentro da lei. Legal isso.
    Parabems pelo conto, e, por favor, corrija também esse parabems, por vafor.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Angelo! Seu comentário me deu um susto quando surgiu no site, pois eu confiava tão plenamente que pichar era crime que não tinha me dado ao trabalho de conferir. Sua dúvida virou a minha dúvida! Mas, enfim, é realmente uma bobagem, mas é crime de fato. O erro com a imagem e o título foi um apontamento quase unânime pelos comentaristas. Falha minha, de fato. Muito obrigado pelos comentários!

  18. Marcia Dias
    17 de setembro de 2021

    Conto bem construído. A intenção de Herculinho era consertar os erros que ele poderia sanar. Sendo apenas um menino, pobre e negro, o que poderia fazer senão corrigir o português das pichações de seu bairro? Uma narrativa simples e direta que me levou automaticamente a refletir sobre questões graves da sociedade em geral, até agora não corrigidas: erros dos governantes, erros dos educadores, erros dos familiares. Como consertá-los? Falta um Herculinho em cada um de nós! Muito bom! Obrigada por me propiciar essa reflexão!

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Márcia! Realmente, como corrigir aquilo que está errado e fora de nossas mãos? No final das contas, é a educação que vai colocar tudo no caminho. Não era minha intenção passar essa mensagem, especificamente. Mas fico feliz de ver que ela surgiu assim, de forma espontânea. Muito obrigado pelos comentários!

  19. thiagocastrosouza
    15 de setembro de 2021

    Caro Lobato, o conto tem ares de crônica, é bastante cotidiano e divertido, além de abordar o tema do desafio por um por uma perspectiva interessante: a do crime contra o patrimônio público. Acontece que você matou o mistério do texto quando escolheu fazer essa montagem na imagem de capa. A partir dela, já sabemos o que Hércules está fazendo, mal ele tira as latas de tinta vermelha da mochila. Sendo assim, todo o interrogatório e discussão em cima do “crime” do protagonista perde a surpresa e acaba se tornando cansativo, embora seja um texto curto. Além disso, como já sabemos que ele corrigiu os textos, essa demora para revelar o mistério me deixou um pouco impaciente, carente pelo desfecho final que, quando chega, é muito conciliador e confortável.

    Ainda sobre o final, acaba sendo um respiro, pois vemos na figura fragilizada de Hércules (aliás, parabéns pela contradição feliz na escolha do nome) uma boa intenção, embora as motivações para seus atos não sejam tão desenvolvidos, assim como a relação com a avó ( seria apenas uma obsessão com a norma culta?). Enfim, é um conto simpático, mas que não fez as melhores escolhas.

    Claro que, acabando de ler, corri para reassistir o documentário Cidade Cinza, que tanto discute a questão do “pixo” e sua relação com a cidade. Vale à pena!

    Grande abraço!

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Thiago! Essa história surgia na minha cabeça de tempos em tempos, querendo ser contada. E foi legal poder colocá-la no “papel” para esse desafio, justamente porque eu sabia que seria um ponto fora da curva dentro de diversos outros tipos de crimes mais graves. O erro com o título e a imagem foram falha minha, de fato. Realmente não percebi que estava entregando tanto assim do enredo com eles. E muitos comentaristas apontaram isso. E estão certos, claro. Muito obrigado pelos comentários!

  20. Antonio Stegues Batista
    14 de setembro de 2021

    Um conto bem escrito, narrativa que nos leva a querer saber o que Hercules fará. Até achei que ele era um serial Kíller, mas não, ele apenas foi corrigir a escrita de uma pichação malfeita. O enredo é simples e meio cômico, sem grandes pretensões para a arte literária. Além de arte retumbante, eu diria que faltou uma grande ideia que pudesse ser original e impressionar o leitor, no caso, eu. Como eu disse, gostei da escrita, mas achei o enredo fraco para o tema.

    • Andre Brizola
      17 de outubro de 2021

      Valeu, Antonio! A intenção com o texto realmente não era extrapolar e ir por um opção mais simples de enredo, focando mais na parte humana, e não na parte criminosa. Não compreendo muito o que você quis dizer com “uma grande ideia que pudesse ser original”, já que foi o único conto do desafio com esse tema. Mas entendo o que você quis dizer com não ter grandes pretensões para a arte literária. De fato, não quis quis deixar o enredo simples com uma densidade que pudesse atrapalhar o ritmo da leitura, afinal, era para ser uma leitura leve e sem muitos entraves. Obrigado pelos comentários!

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Publicado às 11 de setembro de 2021 por em Foras da Lei e marcado .
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