EntreContos

Detox Literário.

Um Quilo e Meio de Pão (Cherozo)

Quando parei a picape na bomba de diesel, saiu do posto uma morena grande vestindo um uniforme azul sujo de graxa. Lenta e cerimoniosa, ela dançava dentro da roupa, bem maior que ela; parecia um balão murcho.

Era uma morena bonita cumprindo um plantão noturno no posto, que talvez trabalhasse em outro emprego de merda durante o dia e estivesse ali fazendo um bico duas ou três vezes por semana, enchendo tanques de combustíveis e calibrando pneus de gente sem juízo como eu e meu amigo Santiago.

Santiago não podia sair do carro. Um dos tiros que os guardas dispararam contra nós havia acertado a sua perna, próximo à virilha. A maior parte do sangue que Santiago perdeu ficou pela rua, no caminho entre o banco e o carro de fuga. Com o torniquete que fiz, tudo ficaria bem, mas precisava que não infeccionasse. Mas sabia que cedo ou tarde infeccionaria. Sempre infecciona quando não se tira a bala e se fica sem uns remédios, essas coisas. Eu sabia disso. Santiago também sabia. Tudo dependeria do corpo de Santiago, se ele desejaria morrer ou continuar vivendo. Só o corpo dele tinha essa resposta. O tempo diria, matando ou deixando que Santiago vivesse.

Ele tinha um corpo bom. Havia sobrevivido a desgraças como aquela. Nas prisões que passamos, foram facadas, estocadas, espancamentos. A brutalidade, o fedor insuportável, a comida podre, a náusea de horas que nunca terminavam. Uma solidão na companhia de gente solitária como uma pedra no fundo de um lago. Era assim que tudo funcionava, e Santiago jamais voltaria pra nenhuma daquelas prisões.

Fui esticar as pernas e procurar por algo que pudesse beber e comer. Entrei no mercadinho da morena, que ficou enchendo o tanque quando disse que enchesse o tanque da picape. Ela ficou me olhando, me acompanhando, onde eu ia, o que fazia. Acho que não chegou a ver que Santiago estava deitado no banco de trás da picape.

Santiago era um preto muito grande, que ria quando tudo parecia se esbarrocar, como acontecia naquele momento. Gostava disso nele, ainda que o achasse ele estranho quando fazia isso. Ria de nervoso, mas nunca reclamava quando as coisas davam errado e desabavam sobre nós. E o que havia dado errado no roubo que fizemos foi o tiro que ele levou dos guardas do banco. Eu também atirei de volta, muitas vezes, pá pá pá… mas sempre acima da cabeça deles. Fico pensando na família dos caras, nos filhos, essas coisas, e só atiro de volta pra manter os caras afastados, distantes, rezando pra que eles não me persigam. Isso, não. Aí, vou ter que fazer alguma coisa, mas só atiro pra matar se for pra continuar vivendo.

Agora esperava que Santiago ficasse bom e que seu corpo escolhesse viver. Sabia que os guardas viriam. Passaram o dia perseguindo a gente, dizia o rádio. Eles sempre vêm, é o que fazem, perseguem caras que roubam bancos.

Peguei alguns maços de cigarro no mercadinho da morena, uns pacotes de bolachas e alguns litros de água mineral. A garota bonita enchia o tanque com o pescoço virado pra trás, me acompanhando enquanto eu recolhia coisas das prateleiras. Com certeza a sua experiência dizia que eu a roubaria. Já devia ter passado por aquilo algumas vezes: um cara grande como eu chega num carrão, manda encher o tanque com diesel, pega o que pode nas prateleiras e depois vai embora sem pagar, nem o combustível ele paga, deixando que ela fique feliz por não ser estuprada e morta pelo cara grandão do carro que vai embora com o tanque cheio.

Talvez aquela roupa folgada que usava servisse pra esconder o corpo bonito que havia ali embaixo. Era esperta, se escondia, não dava moleza. Gostava do jeito dela, dessa esperteza: pensava nas consequências de ser uma morena bonita sozinha num buraco como aquele, perdida no meio do nada, na beira de uma estrada comprida e sem ajuda por perto.

Tem gente bizarra nesse mundo e ela sabia disso. Devia achar que eu iria roubar ela, talvez estuprar e depois meter uma bala na cabeça dela e na cabeça de quem estivesse por perto. É verdade, matar ficou muito fácil: pá pá pá. Ah, não sou covarde. Gosto de entrar num banco, gosto da aventura, do risco de saber que estou numa briga justa com uns caras armados vestindo uma fantasia de autoridade. Sei que eles também se borram quando veem caras como a gente, dispostos a tudo, com armas nas mãos, gritando, botando medo, fazendo uma tremenda arruaça e esculachando todo mundo. Mas que risco essa mulata bonita poderia me oferecer? Nenhum, imagino que nenhum.

Ela era esperta, eu sabia, mas que jeito? Talvez ela me apontasse a arma que tinha debaixo daquela roupa enorme que usava. Talvez não, não parecia, talvez estivesse apenas assustada com o que eu poderia fazer com ela. Mas eu não iria roubar nada. Não faria isso. Santiago também não. Ele é um cara que sabe fazer um teatro, meter medo nos guardas, em todo mundo, um preto louco e mau, capaz de aprontar uma desgraça no banco e matar quem se opuser a ele: pá pá pá. Depois que a gente terminava o trabalho, Santiago gostava de lembrar de tudo isso, rir da cara daqueles que se borraram de medo. Era o jeito dele. Gostava de rir de tudo. Mas não gostava de matar ninguém.

Ela era uma morena muito bonita, a mais bonita que eu já tinha visto, mas isso eu acho que já falei. Grande e larga, parecia feita pra ter muitos filhos. Tinha cadeiras grandes ou era só a roupa folgada, não dava pra saber. Ficava olhando pra ela de dentro do mercadinho e ela continuava enchendo o tanque da picape, um tanque tão grande quanto as suas cadeiras. O que ela tanto olhava?

Me dei conta de que precisava de um alívio, era hora. Larguei tudo sobre o balcão e fui ao banheiro. Com a bagunça do assalto e da fuga, nem me dei conta de como as coisas andavam ruins pelas tripas. Era hora.

O banheiro da mulata era limpo e cheirava àquele cheiro ardido de eucalipto que tem os banheiros de postos de combustíveis, pelo menos por meia hora depois de lavado, quando volta a feder como todos fedem, com cheiro ardido de merda velha e urina fresca. Mas o banheiro dela não fedia, dava gosto ficar sentado lá dentro. Então fiquei sentado lá dentro. Pensava no quanto havíamos roubado do banco, mas não fazia ideia. Você vai pegando e enchendo as sacolas. O tempo é curto, ah, e aquela gente nervosa se borrando de medo e você ali, gritando, desesperando todo mundo com uma arma na mão, prometendo fazer uma desgraça se não te obedecerem, com todo mundo alvoroçado, mas pianinho; e a gente ali também, sentindo o mesmo medo que eles, borrando nas calças também.

Todo mundo se borra de medo, é a verdade. Tudo é medo, nosso e do pessoal que está no banco. Todo mundo se borrando, achando que a vida vai acabar, que tudo vai terminar em tiroteio, com sangue escorrendo pra todo lado. É quando um minuto vira dez e dez viram um dia inteiro. Os olhos escurecem junto com o pensamento e o sangue corre na direção da cabeça e parece que engrossa, que fica lento nas veias. Os ouvidos apitam como se um trem corresse entre as orelhas. A única coisa em que a gente pensa é em pegar o dinheiro e escapar o mais rápido possível, correr pra longe, ficar vivo e com o máximo de dinheiro que conseguir.

Alguns caras travam nessas horas e fazem uma grande burrada: matam ou morrem. Eu e Santiago não fazíamos isso. É só afinar o sangue e dominar o medo. É verdade, a gente às vezes até tranquilizava, tinha experiência, mas às vezes não, tinha que aterrorizar quando sentia que os guardas tinham coragem ou queriam mostrar serviço.

Prefiro que tudo caminhe na moral, no ritmo arma-medo-sacola-dinheiro-fuga, sempre nessa ordem. Tudo limpo. Mas essa coisa de dinheiro só se sabe depois. Se foi um bom trabalho ou uma grande perda de tempo. Depois veria quanto rendeu o serviço. Estava tudo na mala da picape, debaixo da lona.

Dava pra ouvir as sirenes ao longe, chegando, e eu ali sentado sem ter o que fazer, sentindo o cheiro ardido do banheiro da morena. Coisa séria. Sentindo aquele cheiro ardido mas bom. Sem poder me levantar.

Os caras ainda estavam distantes, era o que dizia o silêncio da madrugada. Não podia fazer nada além de esperar as tripas se resolverem. Foi quando ouvi o barulho do motor da picape sendo ligado e as rodas pesadas rolando sobre a brita miúda ao contornar a lojinha, na direção do fundo do terreno. Não era Santiago, ele não poderia dirigir a picape no estado em que estava. Era ela, a morena bonita movendo o carro. Esperta. O que ela estaria fazendo? Quando cheguei à porta do mercadinho, a picape havia desaparecido.

Escondido por trás de uma pilastra vi passar na estrada o comboio da polícia com suas sirenes gritando. Toda vez que vejo isso sei do desejo que eles têm de avisar pra gente que estão chegando, dizendo que devemos evitar uma grande confusão. Avisando que em outra hora resolverão tudo sem tiros ou mortes, só com prisões, que poucas vezes acontecem. Ninguém quer morrer defendendo dinheiro alheio. Eu não iria querer, os guardas também não querem. Não é uma ideia ruim. Eles seguiram adiante pela estrada perseguindo inutilmente a picape que a morena bonita havia escondido atrás da loja.

— Está morto.

— O quê?

— Seu amigo. Está morto.

— Santiago?

— Não sabe o nome do seu amigo?

— Sei. É Santiago…

— Então, seu amigo Santiago está morto.

— Mas estava vivo, agorinha…

— Dei uma olhada nele. O tiro acertou a veia grande da perna. Ele sabia que ia morrer. Cortou o torniquete. Perdeu o resto do sangue que tinha no corpo. O coração parou.

Contornei a lojinha e fui até a picape. Santiago continuava deitado no banco de trás, mergulhado no próprio sangue. Morto. Ele havia cortado o torniquete com o canivete que ainda segurava. Sabia que morreria, era uma questão de tempo. Que fosse logo, deve ter pensado, e cortou a corda do torniquete. O diabo era o canivete estar na mão errada, mas não liguei. Olhei pra morena bonita e ela nem piscou. Fiquei vendo aquela cena desgraçada de feia, já sentindo saudades do meu amigo Santiago, pensando como as coisas seriam sem ele por perto.

Foi quando a morena puxou Santiago pelas pernas e o despejou no chão.

— Ele está morto, não se preocupe — ela disse quando a cabeça de Santiago bateu pesada contra o estribo de metal da picape e fez um estrondo afogado, como uma marreta malhando ferro quente.

Depois ela arrastou Santiago por alguns metros, ainda puxando ele pelas pernas, e o largou dentro de um cercado com uma dezena de porcos, que se alvoroçaram com a chegada do sangue fresco e da carne macia. Em poucos minutos os animais começaram a devorar meu amigo Santiago, aos poucos, começando pela ferida aberta, pelo sangue quente que empapava seu corpo.

A estrada longa e reta deixava ver as luzes vermelhas das lanternas dos carros da polícia indo na direção errada.

Eu e Santiago tínhamos planos, e eles não eram tão idiotas quanto sair em disparada e encontrar barreiras de policiais com escopetas esperando a gente pelo caminho. Os policiais esperavam que a gente fosse em direção ao Norte, a Pedro Juan Caballero ou Ponta Porã, mas contornaríamos em Santa Puitã e de lá retornaríamos, na direção Sul, sem entrar no Paraguai. Não era uma má ideia apenas por não ser óbvia. Mas era o que o comboio de policiais acreditava que faríamos, e seguiam em direção ao Norte, na direção da fronteira mais manjada do mundo.

Policiais escolhem agir baseados no óbvio, e na maioria das vezes acertam. Os bandidos normalmente fazem exatamente a cagada que os policiais esperam que eles façam. Mas não naquele dia. Não fosse pelo tiro que acertou Santiago, tudo teria saído perfeito e limpo: arma-medo-sacola-dinheiro-fuga. Mas aí vieram os tiros. Agora aquela desgraça da morte de Santiago.

Ainda ouvindo os guinchos dos porcos disputando pedaços de carne, a morena trouxe uma mangueira e começou a lavar o interior do carro. Abriu as portas traseiras da cabine dupla e um jato duro de água desalojou o sangue de Santiago esparramado no assento traseiro. Falava pouco, mas começou:

— Já olhei — ela disse.

— Olhou o quê?

— O dinheiro embaixo da lona.

Sorri pra ela um pouco envergonhado. Aí, ela continuou:

— Um quilo e meio.

— O quê?

— Um quilo e meio — ela repetiu.

— E…

— Me pagam por noite que fico aqui o equivalente a um quilo e meio de pão. Fico aqui enchendo tanques de combustível e calibrando pneus a madrugada toda. Ganho o equivalente a um quilo e meio de pão por dia…

Então, ela me deu as costas e entrou novamente na lojinha. Eu fiquei olhando aquele sangue, lembrando de Santiago, agora dos porcos que comiam a sua carne. Quando ela retornou, puxava um aspirador industrial, e sem dizer nada, gastou dez minutos retirando a água vermelha que havia ficado dentro da picape.

— Dez milhões — ela falou.

— Dez?

— Deu no rádio. Por aí, arredondei pra dez.

— Tanto assim?

— Nãhh, eles mentem. Não deve ser tanto…

— Uns sete?

— Nãhh, vai saber…

— Sete é bom… — eu disse.

Os porcos no cercado guinchavam e competiam pela carne de Santiago. Ela entrou novamente na lojinha, recolheu as coisas que eu havia tirado das prateleiras e pôs tudo numa sacola, depois sumiu. Foi quando peguei a minha arma. Eu não conhecia aquela morena bonita e fiquei ligado. Ela era cheia de decisão, sabia o que fazia, aí pensei, Nem Deus sabe o que uma mulher é capaz de fazer. Lembrei do canivete na mão errada de Santiago. Ele ia morrer mesmo, então não liguei pro que teria acontecido no escuro entre ela e Santiago.

Quando retornou, ela não vestia mais o uniforme azul folgadão e sujo de graxa. Estava bem arrumada e tinha um corpo bonito, toda faceira. Tinha cadeiras largas como eu havia imaginado. Encheu os lábios de um batom vermelho e quando passou por mim sorriu; estava animada. Sentou-se no assento da frente, no banco do carona da picape. Desceu o espelhinho do para-sol e ajeitou com a mão os cabelos e a gola da blusa de bolinhas bonita que vestia. Tinha no pescoço um colar de búzios, brincos de argola e uma fita de cetim vermelho enfeitando os cabelos penteados. Nas bochechas um rouge, no corpo um cheiro bom de gardênia. Retocou mais uma vez o batom e afinou as sobrancelhas com a ponta dos dedos. Ficou me aguardando.

Então entrei no carro, liguei a ignição e peguei a estrada na direção Sul como havia planejado com Santiago.

— Acredita? Ganhar por dia o equivalente a um quilo e meio de pão… — ela disse.

20 comentários em “Um Quilo e Meio de Pão (Cherozo)

  1. misapulhes
    9 de outubro de 2021

    Olá, Cherozo.

    Resumo: Dois assaltantes fogem da polícia, param num posto da gasolina, e encontram uma frentista morena que, em breve, “os” acompanhará à vida de crime.

    Comentários: eu demorei um pouco a perceber a estética repetitiva. Confesso que achei ser um erro no início. Depois, pareceu bastante pertinente com o personagem. O narrador é um dos melhores do concurso. Conduz muito bem, à sua forma, a narrativa. É um sujeito meio obtuso, personagem interessante.
    Legal a história da morena. Diferente, boa reviravolta.
    Mas achei que o conto (um dos meus preferidos até aqui) ficou longo e acabou se arrastando um pouco demais.

    Boa sorte!

  2. Jorge Santos
    7 de outubro de 2021

    Olá. Achei interessante este texto, que se situa num único espaço, com uma estrutura quase teatral. Sabemos o essencial, e nada mais do que isso. A caracterização dos personagens está bem feita, de forma elegante. Não há um verdadeiro desfecho, mas tal é desnecessário. A personagem principal vai ter de viver com o dilema de confiar ou não na sua companheira de viagem – mas esse dilema, mesmo não sendo levado ao extremo do seu texto.

    Nota: se vier a Portugal, evite usar a expressão “fazer um bico”. Aqui, um bico é gíria para “boquete”.

  3. Bruno Raposa
    7 de outubro de 2021

    Olá, Cherozo.

    Numa vã tentativa de ser mais objetivo, resolvi, para este desafio, pegar emprestado o modelo de comentários do EntreMundos. Então vou dividir meu comentário em ambientação, enredo, escrita e considerações gerais.

    A eles.

    Ambientação: O ponto alto do conto. A ambientação é excelente, desde as primeiras linhas é possível entrar na atmosfera do conto. A narrativa é muito visual, quase cinematográfica, mas sem soar como uma emulação de um roteiro hollywoodiano. A maneira como os personagens se comportam e se expressam casa perfeitamente com o clima construído, tornando a ambientação ainda mais forte. Alguns detalhes, como o cheiro do banheiro, foram muito bem colocados. E o fato do protagonista repeti-los várias vezes, acaba por reforçar a sensação que deixam no leitor.

    Enredo: Não brilha tanto quanto a ambientação, mas é competente. Gosto que a narrativa se deslinda sem sobressaltos, deixando os acontecimentos fluírem de maneira bastante orgânica. Assim, mesmo atitudes extremas como o assassinato de Santiago soam naturais dentro do contexto estabelecido. Esse ritmo mais lento e contemplativo abre espaço para uma aproximação psicológica com os personagens, um convite para refletir sobre suas atitudes. E os personagens são muito bem definidos. A revolta contida da frentista com a baixa remuneração que recebe sintetiza de forma precisa seus sentimentos e motivações, sem precisar dizer muito. O mesmo pode-se dizer sobre a reação do protagonista ao assassinato do amigo.

    Algumas passagens, porém, geram estranhamento. Difícil aceitar que a frentista conseguisse, sozinha, arrastar o corpo de Santiago – que fora definido como um homem “muito grande” – e jogá-lo para os porcos. Aliás, o próprio aparecimento da criação de porcos pareceu mal encaixada. Sim, sei que em alguns postos de beira de estrada é razoavelmente comum que haja algumas outras atividades, incluindo a criação de animais. Então, não reclamo de verossimilhança. O problema é que essa criação não tinha sido citada em momento algum do texto. Pareceu um recurso vindo do nada para que a morena conseguisse se livrar do cadáver. A falta de atitude do protagonista ao ouvir as sirenes foi outro ponto que achei difícil de comprar. Não parece plausível que o fato de ele estar no banheiro fosse impedimento suficiente para que se desesperasse e tentasse fugir. De alguma maneira ele justifica dizendo que as sirenes estavam longe. Mas parece uma justificativa fraca, afinal os carros chegariam ali rapidamente.

    No geral, é um bom enredo, mas, creio, peca nos detalhes.

    Escrita: Aqui, você assumiu um risco, com as muitas – muitas! – repetições. De início, me incomodou bastante, sobretudo no segundo parágrafo, em que o nome Santiago aparece cinco vezes. Aliás, o nome aparece mais de trinta vezes durante o texto. Passado o início, fui me acomodando à narrativa, aceitando as repetições. Foi obviamente um estilo adotado e não um erro. Não posso dizer que meu incômodo deixou de existir; em alguns pontos a leitura ficou um tanto arrastada. Mas não chegou a ficar chata, porque a ambientação e o enredo compensam. O tamanho não tão longo do texto também ajuda. Mais alguns parágrafos e talvez se tornasse cansativo.

    Fiquei tentando entender as razões dessa escolha, para além do efeito estilístico. O texto é primeira pessoa, então essa é a forma de raciocinar do protagonista. Mas quem raciocina assim? Teria ele alguma condição psíquica? Não sei, não consegui encontrar uma boa razão para a escolha além da estética. Que é uma razão boa o suficiente, não vou negar. Talvez apenas não me satisfaça pessoalmente.

    Não sou muito atento a falhas de revisão, mas duas em particular saltam aos olhos:

    “que ficou enchendo o tanque quando disse que enchesse o tanque da picape” – Essa frase parece incompreensível.

    “ainda que o achasse ele estranho quando fazia isso” – Tem pronome sobrando aí, rs.

    Considerações gerais: Apesar das críticas, achei um conto muito bom, muito imersivo. Uma excelente ambientação, um enredo interessante, um ritmo mais lento e reflexivo. Gostei também dos diálogos, um ponto com o qual quase sempre costumo implicar. Aqui parecem bem encaixados. A sacada do quilo e meio de pão, que dá título ao texto, foi muito boa. Uma imagem forte que fecha de maneira satisfatória o conto e que perdura na mente. Gostei. 🙂

    Desejo sorte no certame.

    Abraço.

  4. Priscila Pereira
    6 de outubro de 2021

    Olá, Cherozo!

    Ambientação: Muito boa, bem cinematográfica. Detalhada e direta.

    Enredo: só um recorde de tempo na vida dos personagens, sem contar nada desnecessário pra trama. Gosto muito!

    Escrita: Aí deu umas patinadas, umas deslizadas, mas não me atentarei a isso, já que os outros comentaristas já exploraram todos os erros. Mas tenho que dizer que mesmo sem a devida recisão, a leitura fluiu bem e a história ficou interessante o tempo todo, então, ponto pra você!

    Considerações gerais: Gostei do conto! Rápido, direto, com personagens críveis e fora da caixa. Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  5. jowilton
    6 de outubro de 2021

    Ambientação: Muito boa. Entramos na cabeça de um ladrão de banco.

    Enredo: Bom. Algumas divagações atrapalham um pouco a trama. Como já disseram, um chiqueiro no terreno do posto de gasolina foi bastante estranho, perdendo um pouco a verossimilhança. O protagonista e a morena são bem construídos, cativando o leitor. e condução narrativa também é boa, ficaria melhor, a meu ver, se desse uma enxugada nas reflexões. Gostei da frase final.

    Técnica: Boa. A leitura fluiu sem entraves.

    Considerações Gerais: Um bom conto!

  6. claudiaangst
    1 de outubro de 2021

    O conto aborda o tema proposto pelo desafio.
    Uma trama bem conduzida, com ritmo oscilando entre a velocidade dos acontecimentos e a lentidão das reflexões do narrador. No geral, a leitura flui bem, apesar de alguns entraves.
    Achei o título interessante e sem entregar nada do enredo.
    Uma revisão mais atenta tornará o texto ainda melhor.
    O desfecho traz a surpresa da revelação da mocinha mal intencionada.
    A cena dos porcos destroçando o corpo do Santiago foi chocante, mas fiquei pensando… e as roupas? Eles comem também? Não entendo de porcos.
    Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.

  7. Wilson Barros
    29 de setembro de 2021

    Parágrafo inicial rico em detalhes, aliás como em o todo conto. Os detalhes é que dão realismo, verossimilhança ao conto. O conto bem minimalista, sem gordura, com as famosas lacunas a ser preenchidas pelo leitor. É o estilo de solilóquio, fluxo de consciência também, William Faulkner, que fez escola no entrecontos com um certo autor. O enredo é muito bem tramado, coerente. E comoa a maioria dos contos desse desafio, o autor torce pelos fora da lei. Muito bom efeito, no conjunto.

  8. Kelly Hatanaka
    27 de setembro de 2021

    Oi Cherozo.

    Gostei da história e da reviravolta, com a morena mudando os rumos de sua vida. Mas a linguagem soou confusa e arrastada em alguns pontos. Entendo que o texto mostrava a confusão dos pensamentos do personagem, mas, mesmo assim, tornou a leitura cansativa em alguns momentos.

    Boa sorte.

  9. opedropaulo
    26 de setembro de 2021

    Mais uma boa leitura e, pelo visto, vou abrir todos os meus comentários com essa celebração. Neste conto, a autoria optou por uma abordagem imersiva, em que é ao se ater à perspectiva do narrador personagem que ficamos sabendo do que ocorreu e do que pode estar ocorrendo, além de conhecermos também o protagonista. Este é um grande ponto positivo do texto, pois com a limitação da narração ser restrita ao que experiência o personagem, as incertezas permanecem no conto e não sabemos se as sirenes estão próximas e se a morena bonita oferece perigo ou oportunidade. A narração é tão bem conduzida que a dúvida do personagem se torna a nossa dúvida e, assim, o final que é digno de um antigo filme de cinema – o dirigir rico em direção ao pôr do sol – nos deixa incertos se é mesmo um final feliz ou se novas reviravoltas ocorrerão. A minha única reclamação é que a rememoração dos assaltos e as reflexões a respeito da natureza desse trabalho encaixaram bem no texto, mas em certo momento se tornaram repetitivas, quebrando apenas um pouco o ritmo da leitura. Fora isso, o texto flui bem e o suspense cativa a atenção.

  10. Felipe Lomar
    24 de setembro de 2021

    O texto começa interessante, mas as incessantes repetições simplesmente tornaram a história muito, mas muito arrastada mesmo. Imagino que elas sejam proposital, uma questão estilística, mas não funcionou bem. Outra coisa problemática é o final que me soou inverossímil, com o protagonista esquecendo muito rápido do amigo e não questionando hora nenhuma a moça.
    Tem potencial pra ser um texto muito pega l, acredito Eu, se corrigir essas coisas.
    E Outra, não é esse o barulho que uma cabeça faz ao bater em um estribo…

  11. Fabio D'Oliveira
    23 de setembro de 2021

    Buenas, Cherozo!

    Nesse desafio, irei avaliar três fatores: aparência, essência e considerações pessoais.

    O que ele veste, o que ele comunica e o que eu vejo.

    É uma visão particular, claro, mas procuro ser sincero e objetivo. E o intuito é tentar entender o texto em sua totalidade, mesmo falhando miseravelmente, hahaha.

    Vamos lá!

    APARÊNCIA

    O elemento mais interessante do texto é a repetição de ideias. O intuito é representar o fluxo de ideias do protagonista, que está numa situação de estresse. É uma técnica perigosa. Ela pode cansar ou hipnotizar o leitor. Em alguns pontos, senti que a mão pesou um pouco nas repetições, cansando-me durante a leitura. Em outros momentos, porém, senti-me imerso no fluxo de pensamentos do protagonista. Se encontrar um ponto de equilíbrio, com certeza vai funcionar. O que me cansou: o excesso do nome Santiago e as descrições demoradas sobre o roubo e o parceiro ferido.

    A escrita é bem simples, sem floreios e com um estilo bem direto. Soa estranho falar isso, mas a leitura é fácil, ficando mais pesada e difícil por causa das repetições.

    ESSÊNCIA

    Acho que posso resumir o que sinto numa frase: falou muito para expressar pouco.

    Para exemplificar o que disse, irei destacar essa sequência:

    “Eu também atirei de volta, muitas vezes, pá pá pá… mas sempre acima da cabeça deles. Fico pensando na família dos caras, nos filhos, essas coisas, e só atiro de volta pra manter os caras afastados, distantes, rezando pra que eles não me persigam. Isso, não. Aí, vou ter que fazer alguma coisa, mas só atiro pra matar se for pra continuar vivendo.”

    63 palavras para explicar que o protagonista não gostava de matar.

    Respeito sua escolha de estilo, porém. Pela qualidade do trabalho, imagino que tenha sido opcional. Mas é como eu disse acima: é uma técnica arriscada.

    Pelo menos, temos uma construção sólida do protagonista e algumas nuances da personalidade da morena do posto de gasolina (a personagem mais intrigante do conto, de fato). E, somando valor ao conto, temos uma boa crítica social no final.

    CONSIDERAÇÕES PESSOAIS

    Apesar das ressalvas, eu gostei do conto. Ele é imprevisível. E algumas técnicas que gosto bastante são aplicadas. Mas insisto na questão do “falar muito para expressar pouco”. Você poderia manter um fluxo de pensamento constante e repetitivo sem pesar muito nas descrições. Ser mais dinâmico. Acredito que poderia ter um efeito mais positivo.

    Parabéns pelo trabalho, Cherozo!

  12. Luciana Merley
    21 de setembro de 2021

    Um Quilo e Meio de Pão (Cherozo)

    Olá.
    Seu texto parece que vai dar errado, assim como a trajetória daqueles dois, mas, no fim, as previsões mudam, as intenções se encaixam, e você nos apresenta um bom texto.

    Coesão – Me pareceu que o texto não foca na própria história do roubo de banco, mas na personalidade depravada de pelo menos dois dos personagens. É uma história sobre sociopatas, eu diria, cada um à sua maneira. Você consegue apresentar bem a personalidade marcante, calculista e nada empática do bandido principal. E a grande surpresa que é a atuação quase teatral dessa mulher sinistra, ainda mais calculista. Existem contradições nas ações desse personagem, como o fato de ele se importar em não acertar a cabeça do policial, mas não se importar com o amigo perdendo sangue no banco de trás. Aliás, essa questão de ele se demorar comprando coisitas na lanchonete enquanto o cara agonizava pode ser melhor trabalhada para não ser um furo no texto, na minha opinião.

    Ritmo – Uma leitura capengando, murmurenta, assim como imagino esse sociopata conversando. Muitas repetições de frases e sentidos deixaram o texto pesado em alguns momentos, como no terceiro parágrafo. Sugiro uma edição para limpar essas repetições. Sério. Não é um texto pronto. Precisa de muita revisão. A maioria o deixaria nos primeiros parágrafos.

    Impacto – Como eu disse, não dava nada por ele, até que me surpreendi com a sua capacidade de nos arrastar para essas personalidades tão asquerosas e tão assustadoramente reais. Gostei especialmente da fala fria, calculada da mulher sobre o kilo de pão. Pensando bem, são dois psicopatas mesmo.

    Parabéns.

  13. Anderson Prado
    21 de setembro de 2021

    1. o tema do desafio é abordado de maneira eficiente: dois personagens são ladrões de banco; além deles, uma outra personagem adere ao intuito criminoso e, inclusive, comete um homicídio; para além dos personagens serem todos criminosos, achei que o entrecontista abordou de maneira muito competente a excitação existente durante o cometimento de um crime;

    2. o enredo cumpre eficazmente o intuito de entreter, sem, no entanto, deixar de propor relevantes reflexões. O título é muito bom, assim como o mote para o cometimento de crimes pela frentista. Na mesma linha, o desfecho é excelente, remetendo ao título e à critica social presente no conto;

    3. a escrita é boa, mostrando-se apenas desatenta em alguns momentos:

    a) uso excessivo do nome Santiago: no terceiro parágrafo, por exemplo, o nome Santiago aparece cinco vezes (quase seis, já que Santiago também é a última palavra do segundo parágrafo);

    b) falta do uso do pretérito mais que perfeito: o tempo verbal do conto é o pretérito (toda a narração remete às memórias do narrador em primeira pessoa); assim, quando o narrador rememora uma ação passada anterior a outra também passada, seria conveniente usar o pretérito mais que perfeito; por exemplo, “a maior parte do sangue que Santiago perdeu [tinha perdido] ficou [havia ficado] pelas ruas”;

    c) em “nas prisões que passamos”, parece haver equívoco na regência; assim, seria melhor “nas prisões por que passamos”; além disso, talvez o tempo verbal correto fosse o pretérito mais que perfeito: “nas prisões por que havíamos passado”;

    d) às vezes ocorre outros tipos de repetições de palavras em locais próximos, como “tanque” em “que ficou enchendo o tanque quando disse que enchesse o tanque”; além disso, essa frase soa um tanto esquisita – por um erro de revisão, talvez o entrecontista tenha deixado de cortar alguma coisa;

    e) parece haver outro erro de revisão em “ainda que o achasse ele estranho” – dois pronomes (“o” e “ele”);

    f) a expressão “preto louco e mau” é perigosa; alguns podem ver nela algum tipo de preconceito ao se perguntarem se o entrecostista teria descrito um personagem como “branco louco e mal”; provavelmente, se o personagem fosse branco, esse fato não seria digno de menção, mas, sendo preto, parece ter ocorrido uma associação perigosa entre a cor da pele e o caráter de “louco e mal”;

    g) há outra repetição de palavras e ideias em “O banheiro da mulata era limpo e CHEIRAVA àquele CHEIRO ardido […]”;

    h) mais uma repetição (dessa vez, parece proposital; porém, como há muitas repetições não propositais no texto, as intencionais parecem involuntárias também): “dava gosto ficar sentado lá dentro. Então fiquei sentado lá dentro”;

    i) soou muito conveniente que em um posto de combustível houvesse um chiqueiro.

  14. Angelo Rodrigues
    17 de setembro de 2021

    13 – Um Quilo e Meio de Pão

    Conto interessante. Passeia pelas ideias que têm dois assaltantes de banco que se puseram em fuga. Talvez em seu segundo ou terceiro veículo buscando iludir aos policiais.
    Quando param para abastecer num posto de combustíveis, aparece o contraponto da história: a morena bonita.
    Nesse ponto há um corte no drama. Não é mais o assalto que importa. A morena importa.
    Ganhando apenas o equivalente a um quilo e meio de pão por dia, ela vê uma boa oportunidade de mudar de vida. E o faz.
    Seu primeiro ato é eliminar o comparsa, que já está ferido dentro do veículo, o tal Santiago, cara durão mas, naquele momento, bastante vulnerável. Então ela o mata quando corta a corda do torniquete, deixando que ele sangre até morrer.
    O segundo passo é passar ao nosso co-protagonista a ideia de mulher decidida, e o faz levando Santiago aos porcos.
    A partir desse ponto o conto ganha outros contornos. Fala da vontade feminina, da capacidade que uma mulher tem de cometer um crime, de resolver a vida quando a oportunidade lhe parece boa.
    O nosso assaltante vivo gosta dela e seguem ambos formando uma nova dupla, agora com um bom dinheiro na mala da picape. O que virá adiante? Quem pode saber?
    Um conto interessante, que deixa para trás a ideia do crime para chegar a valores sociológicos das personagens.
    Boa sorte no desafio.

  15. Elisa Ribeiro
    16 de setembro de 2021

    Dois sujeitos em fuga após um assalto a um banco, nem tão bem sucedido, encontram uma frentista gostosa que muda o destino da dupla.

    Gostei do enredo do seu conto, que tem uma reviravolta bem urdida e personagens cativantes em seus cinismos tão afeitos ao tema do desafio. Entretanto, algumas de suas escolhas narrativas me desgostaram. A retórica circular do personagem narrador, que nunca vai de um ponto a outro sem se demorar e repetir em um nível cansativo, me incomodou. A sensação foi a de que o autor, de posse de sua boa inspiração para enredo e personagens, se preocupou mais em alcançar o limite de palavras do desafio do que em oferecer a melhor experiência de leitura para os que o lemos. Outro incomodo foram alguns deslizes gramaticais. Durante a leitura pensei “ok, dão verosimilhança ao personagem narrador” mas ao final acabei reputando-os mesmo a falhas de revisão do autor.

    Finalizo sugerindo uma boa revisão do texto, pois a sua história e seus personagens merecem uma segunda chance.

    Parabéns pela participação. Desejo sorte no desafio e em tudo mais. Um abraço

  16. Marcia Dias
    14 de setembro de 2021

    Após o roubo de um banco, o protagonista para num posto para abastecer o carro e relembra o ocorrido, enquanto seu comparsa está baleado e quase morrendo no banco de trás. Depois o foco da narrativa se volta para a frentista que “rouba a cena” e a atenção do leitor. História envolvente, com linguagem e ações bem desenvolvidas e apropriadas para o tema. Há uma certa “bondade” no fora da lei, que não gosta de atirar para matar, apenas para despistar e fugir. Também não quer assaltar o pobre, mas o banco! Quem nunca quis assaltar um banco e enfrentar os agiotas da lei do mercado que a usam para justificar seus juros corruptos e abusivos sobre nós, rs?!

  17. Andre Brizola
    14 de setembro de 2021

    Olá, Cherozo!

    Seu conto narra um episódio de roubo a banco, em que os meliantes, em fuga, param o carro para abastecer. Vou começar a análise por aí. Os caras não abasteceram antes de ir roubar o banco ou viram uma oportunidade para assaltar e não quiseram desperdiçar? Digo isso por que, das duas maneiras, os bandidos são muito incompetentes. E digo isso com algum conhecimento, pois trabalho em banco e lá temos treinamentos constantes para evitar os métodos mais praticados pelos atores de assaltos assim, além de conhecer bem como funcionam os sistemas de segurança exigidos por aqui. Talvez, se seu enredo fosse em outro país, a coisa ficaria mais crível, mas como é aqui, sinto dizer, está bem inverossímil.

    Continuando dentro do enredo, e ignorando o que já apontei antes, trata-se mais da tensão entre o assaltante e a frentista do posto. Ele, de certa forma, interessado pela moça, sem saber se é um misto de atração ou desconfiança, e ela sondando o assaltante, vendo ali uma oportunidade de abandonar a vida atual e entrar de cabeça numa mais adequada ao seu comportamento, já que, aparentemente, ela é fria o suficiente para assassinar um bandido, e jogar o corpo para porcos, o que exige uma enorme falta de humanidade, algo beirando a psicopatia. Acho que o mérito do conto é focar justamente nessa tensão crescente entre os dois personagens. É como se fosse um jogo de xadrez, em que cada ação é analisada pelo adversário.

    Mas, diferente do xadrez, acho que o texto ficou bastante desequilibrado. O enredo está ali, cumpre o seu papel, mas a forma como as informações são colocadas geram um certo cansaço, sobretudo porque há repetição constante de nomes, pronomes e termos (corpo, por exemplo) que prejudicam o ritmo da leitura. Acredito que a ideia é interessante, mas a execução deixou a desejar. Não acho que seja meu papel dizer qual o rumo que seu conto deveria tomar, mas acredito que o enredo, que é interessante, se sairia melhor com outra formatação e, provavelmente, com outra escolha de narrador.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  18. thiagocastrosouza
    1 de setembro de 2021

    Conto imprevisível e, no bom sentido, amoral, como um bom texto sobre foras da lei deve ser. Há dinâmica nos acontecimentos e a voz narrativa nos conduz bem pela cabeça do criminoso, sua forma nada ingênua de enxergar o mundo e a maneira pragmática como toma decisões. Ainda que a mulher tenha matado o amigo para conseguir uma parte no dinheiro, naquelas circunstâncias, o melhor seria manter com ela um trato. O trecho dos porcos comendo Santiago enquanto ela realiza o trabalho sujo é magistral; traz movimento para o texto e é cheio de valor simbólico.

    Um conto sujo, cheio de urgência e cinismo. Parabéns!

  19. antoniosbatista
    30 de agosto de 2021

    Um quilo e meio de pão

    A narrativa é razoável, o enredo é simples; dois assaltantes de banco fogem da polícia, baleado um deles morre a mulher do posto de combustível se oferece como companheiro do assaltante. Mas a narração é o ponto forte, se mantém coesa e não perde o fio condutor. As descrições do banheiro foram muito boas. O autor sabe conduzir bem os personagens, só achei estranho todos eles serem grandes e largos. A mulher é um personagem interessante, é larga e ao mesmo tempo um balão murcho rs. Boa sorte.

  20. Emanuel Maurin
    29 de agosto de 2021

    O conto e bem expressivo e forte e tá bem estruturado. Os diálogos estão razoáveis e a narrativa flui. ” ainda que o achasse ele estranho”, nesse trecho acho deveria tirar o O ou o Ele, mas é um errinho besta, nada que desmereça o talento do autor.

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Informação

Publicado em 29 de agosto de 2021 por em Foras da Lei.
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