EntreContos

Detox Literário.

[EM] Metake (Hōrō-sha)

Era o som dos celestiais.

Diante do bambuzal, sentiu amor como nunca sentira antes. E, de yukata e kanzashi, tão bonita quanto no dia do seu casamento, ela aceitou o sereno da noite.

Tinha cheiro de crisântemo.

— Desculpe atrapalhar sua viagem. Estou procurando minha esposa.

Três dias de desespero. Quando aquilo acabaria?

— Estávamos numa pousada em Takeshi. Ela saiu no meio da noite. E não voltou mais.

Toda vez que um viajante surgia na trilha, seu coração se enchia de esperança.

— Não fui abandonado: éramos felizes.

Estava cansado. Muito.

— Obrigado pelo seu tempo.

Fuyuki se curvou, agradecendo o peregrino, e sentou-se perto da encruzilhada.

“Ah, Akemi, onde você está? O que aconteceu?”, lamentou.

As coisas estavam dando certo. A colheita do ano anterior fora um grande sucesso. E era um bom casamento.

Ela não fugiria.

— Com licença.

Sandália geta, dois saltos. Foi a primeira coisa que reparou. Depois: as calças pretas, mais justas do que o normal. Vestia uma camisa de algodão sob um haori azul-marinho, sem brasão e com luas crescentes pintadas por todo o tecido. Mantinha a mão direita sobre uma tantō. Era jovem. E tinha um tsugaru shamisen nas costas.

— Sim?

— Você está procurando sua esposa, correto? — perguntou ele, tirando o chapéu de palha.

Prendeu a respiração.

— Sim, sim — esbaforiu Fuyuki, levantando-se rápido. — Sabe de alguma coisa?

Ele sorriu. Olhos afiados, nariz pontudo e lábios finos. Parecia uma raposa.

— Acho que podemos nos ajudar — afirmou o andarilho.

— Como?

— Você esteve no Bosque dos Bambus Cantantes?

Ficou em silêncio, tentando entender a relação das coisas.

— Há três dias? — insistiu ele.

— Sim, com minha esposa, antes dela sumir.

Ainda sorrindo, o viajante se apresentou:

— Shin Ogawa.

“Quando o Caminho do Sul da Peregrinação do Verão foi substituído pela Estrada Real, a ruína assombrou a população de Takeshi. Sem os peregrinos, o povoado não sobreviveria. No plano celestial, Daikoku escutou o lamento das pobres almas. E, numa noite estrelada, mostrando verdadeira benevolência, o deus da prosperidade plantou, nas cercanias do vilarejo, um broto de bambu especial. A terra das pousadas ganhou a benção dos celestiais.”

“As palavras bonitas sempre nascem das bocas mentirosas”, pensou Shin, admirando a placa de entrada do santuário do Bosque dos Bambus Cantantes.

— Onde vocês ficaram? — perguntou o andarilho, virando-se para Fuyuki.

— Vou mostrar.

Era um lugar anormal.

Parecia muito mais com um centro comercial do que um espaço de devoção. Inúmeras barracas de alimentação. Algumas pessoas abordavam os peregrinos com ofertas de pousadas em Takeshi. Mas o destaque era a loja de artesanato, vendendo lembrancinhas e pinturas do bosque.

Estranhamente, havia guardas demais, todos com máscaras de pano e afastados da entrada do bosque, que, por sinal, estava selada. Geralmente, o som de um bambuzal era desarmonioso, não tinha um maestro, mas ali era diferente: tinha eufonia, controle e beleza. Era música.

Admirava Daikoku. Uma vez, Shin teve a oportunidade de visitar seu templo na Província de Okinawa. Era um ambiente tranquilo. Mesmo sem vento, o furin principal tocava sem parar. Por causa disso, tinha certeza absoluta duma coisa: o deus da prosperidade nunca havia pisado naquela região. A presença era agitada e forte. Um verdadeiro contraste.

— Ficamos aqui — apontou Fuyuki. — E sentamos nesse banquinho.

Inclinou-se para analisar o banco. Era simples. Ficava num dos extremos do santuário. Isolado.

— Privacidade? — provocou Shin.

— Estávamos cansados. Queríamos paz.

— Quando chegaram no santuário? — Shin ajeitou o chapéu de palha.

Fuyuki pensou por alguns instantes, cabisbaixo.

— No início da tarde. Estava bem quente. Akemi adorou esse cantinho: perto do bosque e na sombra.

O homem ficou em silêncio. Sentou no banco e continuou:

— Ela ficou estranha, sabe? Quieta, olhar perdido. Não queria ir embora.

— E o que a fez mudar de ideia? — perguntou Shin, mais sério e interessado agora.

— Não sei. Num momento, do nada, ela quis ir embora. Um pouco antes de anoitecer.

— Algum detalhe? Algo esquisito que tenha dito ou feito?

— Ela disse que o bosque tinha cheiro de crisântemo. Achei engraçado: nos casamos perto do Kiku no Sekku.

“Talvez…”, pensou Shin. Precisava confirmar suas suspeitas.

— Você me ajudou muito, Fuyuki — agradeceu.

— Vamos encontrá-la? — perguntou o homem, cheio de esperança na voz. Sentiu pena, entretanto, foi firme.

— Sim, não se preocupe. Mas, antes disso, preciso confirmar algo.

Observou o ambiente: nenhum guarda. Ajeitou uma máscara de pano no rosto.

— O que vai fazer? — Fuyuki estava visivelmente preocupado.

Não respondeu. Numa corrida sorrateira, Shin se aproximou do bambuzal. Precisava de uma amostra da planta. Empunhou a tantō e cortou um pedaço do colmo.

Aconteceu exatamente o que esperava.

O bosque vibrou, com os bambus se chocando violentamente, chamando a atenção de todos: guardas, comerciantes e peregrinos. Afastou-se e escondeu a amostra num pedaço de pano. Pegou Fuyuki pelo braço.

Misturaram-se na multidão que havia se formado. E fugiram.

— O que foi aquilo? — indagou Fuyuki, sem fôlego.

— Metake! — exclamou Shin, mostrando o pedaço do bambu, que ainda se mexia.

— Isso é sangue?

— Exato.

— Mas as plantas não sangram.

— Eu sei.

— Então o que é isso?

— Metake — repetiu Shin.

O ancião agradecia todos os dias.

Quando o sol aparecia na linha do horizonte, Nobuko servia o chá, preparava o zafu e, na postura seiza, contemplava a vila de Takeshi iluminando-se aos poucos.

Amava aquele lugar. Profundamente.

Enquanto sorvia o chá, via-se naquelas ruas estreitas. Brincando com as outras crianças. Passeando durante uma tarde de verão. Trocando juras de amor no sopé da macieira. Correndo com o filho pequenino. Chorando a morte da mãe. Consolando o pai no jardim de casa. Rindo das brincadeiras dos netinhos.

Teve uma vida feliz.

Depois do último gole, ele entoava a oração.

Miroku Daikokuten mamori tamâe saki hâe tamâe

Miroku Daikokuten mamori tamâe saki hâe tamâe

Kan nagara tamati hâe massê

Kan nagara tamati hâe massê

Nobuko era a personificação da gratidão. Se não fosse pelo presente do honorável Daikoku, Takeshi não existiria mais.

Nobuko estava nervoso: aquele tipo de visita não era comum.

Como o homem mais velho do vilarejo, ele era o mais respeitado e, assim, tinha assumido, há muito tempo, a liderança. Às vezes, algum comerciante pedia uma reunião, querendo se estabelecer na região, por causa da popularidade do Bosque dos Bambus Cantantes. Raramente aparecia um problema sério, que exigia ação imediata, mas nunca falhara com o povo. Ele gostava de administrar Takeshi. Era sua paixão.

Entretanto, naquela tarde, depois de brincar com os netos, recebeu aquela visita indesejada. Um jovem de sorriso irritante e olhos traiçoeiros, Shin Ogawa. No momento em que viu o pedaço de bambu ensanguentado, pulsando sem parar, sentiu a alma congelar.

Não temia o rapaz. Nem o sangue. Mas morria de medo quando pensava no que poderia perder depois daquela reunião.

— Um pouco de chá? — Nobuko tremia enquanto segurava o bule de cerâmica, mas sorria mansamente.

— Não, obrigado.

— Como posso te ajudar, senhor Ogawa? — indagou o ancião, ajeitando-se na almofada.

— Você tem uma bela pousada… — Shin inclinou o corpo para trás, rindo despreocupado.

— Sim, sim. Mais de cem anos de história — seus olhos brilharam. — Lembro do meu avô recebendo os peregrinos, sempre sorridente, mesmo nos dias ruins.

Pela primeira vez, o jovem ficou sério, encarando-o.

— E qual foi o preço para mantê-la?

Não respondeu. Bebericou o chá e respirou profundamente.

— Muito alto, não acha? — insistiu Shin.

— Direto ao ponto. Aprecio isso — Nobuko pousou o copo na mesa. — Quem é você?

— Não importa. Sou um mero viajante. Gosto de tocar shamisen quando estou triste. E mato youkais, às vezes. Quando preciso.

— E precisa agora?

— Claro — o visitante voltou a sorrir.

— Mesmo matando um vilarejo junto?

— A morte faz parte da vida.

Nobuko estava certo: aquela pessoa tinha aparecido para destruir tudo.

— Vai me contar sua história? — perguntou Shin.

— Não tem mistério. Depois que construíram a Estrada Real, os peregrinos abandonaram o Caminho do Sul. Nosso povoado depende deles. Foi construído com esse intuito. Para ajudá-los. É difícil ser abandonado, senhor Ogawa.

O ancião suspirou e continuou:

— Tive um sonho. Daikoku visitava minha pousada e perguntava se eu tinha gostado do presente dele. Pouco tempo depois, dois meses, alguns moradores começaram a sumir. Nas buscas, descobrimos o bosque com aquela música maravilhosa. Ainda era pequeno, mas poderia crescer. Entende como as coisas se conectam? Foi um presente de Daikoku. Mesmo sendo um youkai. Algumas coisas exigem certos sacrifícios.

— Você realmente acredita nisso? Que patético — debochou o visitante.

Aquele olhar de desprezo… Ele não entendia nada!

— Esse lugar realmente é bonito. É uma pena… — com calma, Shin caminhou na direção da porta.

Era o fim de Takeshi?

Não!

Não podia deixar aquilo acontecer.

Levantou-se rápido, empunhando a faca santoku que escondera na almofada, e avançou contra o jovem. Precisava fazer algo. Mas foi incapaz: além de velho, Nobuko era fraco. Quando percebeu, estava caído no chão, desarmado, ouvindo aquela risada irritante se distanciando.

Não gritou ou pediu ajuda. Continuou deitado no assoalho, com o rosto escondido pelas mãos, chorando em silêncio.

Os tons alaranjados tingindo as nuvens. A melodia dos celestiais ao longe. E o inusitado andarilho caminhando na frente, devagar e confiante.

Akemi adorava o crepúsculo. Às vezes, Fuyuki trabalhava no arrozal até tarde apenas para vê-la na entrada de casa, imersa naquele céu colorido. Gostava do sorriso dela. Um pouco dúbio e distante, mas belo.

Tinha vontade de chorar, porém, não o faria: era sinal de fraqueza. E precisava ser forte.

Seguiram por um desvio do Caminho do Sul, chegando num pequeno mirante. Abaixo: o povoado de Takeshi.

— Vamos esperar anoitecer — disse Shin, sentando-se na beira do precipício e retirando o chapéu de palha. — Vai precisar disso.

Recebeu uma máscara de pano e uma tantō.

— Uma arma? — perguntou Fuyuki, receoso.

— Você sabe o que é um youkai?

— Não.

— São espíritos. Eles vivem numa dimensão astral, paralela à nossa, e, às vezes, nossas realidades se cruzam. Quando isso acontece, o youkai existe tanto aqui quanto lá. O mesmo pode acontecer conosco.

Enquanto escutava a explicação, Fuyuki passava o dedo pelo fio da lâmina. Afiadíssimo.

— A maioria dos youkais convive com as pessoas em harmonia. Alguns são benéficos: cuidam da colheita, da casa, do amor. Mas também encontramos aqueles que são ruins, seja consciente ou não. Alguns são parasitas, sugando toda a energia do hospedeiro, enquanto outros agem maliciosamente, cometendo assassinatos e destruindo vilarejos.

— Demônios, não é?

— Isso mesmo… Alguns são tão poderosos que podem transformar humanos em oni, alimentando sentimentos negativos, como a ira. Mas metake é um pouco diferente. É um youkai-besta. Não é muito agressivo. Não pensa. E age através de seus instintos. É raro. Geralmente permanece tímido, alimentando-se de insetos e pequenos animais. Não cresce tanto.

— E ele está escondido no bambuzal?

— Não, Fuyuki. Metake é o próprio bosque. Agora entende por que precisamos da arma? Ele vai resistir. A melodia, na realidade, é apenas um chamariz. Inofensiva. O perigo está no perfume que é exalado com a aproximação da presa. É um hipnotizador poderoso. A máscara de pano vai te proteger disso. Mas, antes de elaborarmos o plano de invasão, precisamos ter cuidado com eles.

Shin apontou para o povoado.

— Por quê?

— Eles sabem de tudo. O vilarejo sobreviveu por causa do youkai, então vão protegê-lo. A segurança vai ser reforçada. Precisamos esperar o momento certo para invadir o bosque.

Fuyuki não queria acreditar naquelas palavras. Aquelas pessoas sorridentes, tão ternas e atenciosas, eram capazes daquilo?

— Como você sabe disso tudo? — perguntou Fuyuki.

— Eu vivo entre os dois mundos. Desde criança… — sua resposta veio como o sorriso da Akemi: dúbia e distante.

Escuridão.

Demorou, mas acharam uma brecha no paredão de bambu. Enquanto Shin analisava a abertura, Fuyuki permaneceu recuado, vigiando a estrada por precaução. Quase todos os guardas estavam no santuário, mas, às vezes, alguém patrulhava as cercanias do bosque. Sentiam-se seguros, pois o bambuzal era tão denso, inicialmente, que apenas loucos e desesperados entrariam daquela forma.

— Pode colocar a máscara. Vai ser aqui — avisou Shin.

Era uma sensação nova para ele. Estava determinado e amedrontado, ao mesmo tempo. Tremia, mas não perdia o controle.

— Lembre-se… Metake não é poderoso, mas é ardiloso. Não se desespere. Apenas me siga. Certo?

Concordou com a cabeça.

Shin entrou na frente, empurrando as hastes da planta e liberando o caminho. Era complicado: muito apertado, o bambuzal parecia querer esmagá-los, e a melodia, antes calma, ficava cada vez mais agitada conforme avançavam. Exatamente como Shin explicara mais cedo. Existia um pouco de alívio naquela constatação. Estava com alguém que sabia o que estava fazendo. Sentia-se seguro. Aos poucos, a concentração de bambu diminuiu, revelando um espaço mais aberto.

— Chegamos — observou o viajante. Ele estava estranhamente sério. — Está na hora.

O coração disparou. Por um momento, vacilou. Shin percebeu.

— Pense na Akemi.

Ele estava certo.

Empunhou a tantō e, ainda hesitante, avançou sozinho. Atacaria o bambuzal. A dor agitaria o youkai, revelando a localização exata do seu coração. Depois disso, bastava apunhalá-lo.

E foi o que fez.

O bosque inteiro vibrou intensamente. Era um som insuportável. Parecia pedir ajuda. Sentiu-se mal. Não queria fazer aquilo, acabar com uma vida daquela forma, mas não tinha outra alternativa. Analisou o ambiente, em busca do coração do metake, que brilharia com aquele estímulo.

Mas viu outra coisa: o sorriso malicioso de Shin.

Aconteceu muito rápido.

A perna foi agarrada por algo. Desequilibrou-se e caiu no chão. Começou a ser arrastado. A tantō ficou para trás. Inicialmente, pensou que eram inúmeras cobrinhas. Mas estava enganado. Pequenos colmos de bambu envolviam seu corpo, apertando suas pernas, braços e tronco.

Havia sido enganado?

Assim que foi enredado por completo, numa espécie de casulo, presenciou o lamento de inúmeras vozes.

Agonia.

Falta de ar.

E, enfim, silêncio.

Era exatamente como imaginava: um broto de bambu gigante. Belíssimo. E pulsava como um coração. Nunca tinha visto um metake.

Aquilo era excitante.

— Como você cresceu tanto? — aproximou-se.

Contornando-o, inspecionou cada detalhe, anotando tudo num pedaço de pergaminho. Precisava documentar aquilo. Tocou-o. O youkai vibrou.

— Está com medo? — riu ele. — É claro que está com medo.

Ao redor, no chão da clareira, dezenas de casulos de bambu, inclusive um recém-formado. Suspirou com pesar. Queria investigar com calma, experimentar e provocar. No entanto, tinha pouco tempo. Usou Fuyuki para alcançar o centro do bosque, mas não pretendia deixá-lo morrer.

Shin pegou o shamisen, segurou firme no itomaki e desembainhou a katana incomum, escondida no longo braço do instrumento musical. A Matadora de Youkais. E, numa rápida estocada, perfurou a criatura.

Naquela noite, toda a região escutou o que parecia ser o choro de um bambu.

— Está tudo bem, agora.

Fuyuki ainda estava tonto. Sentia-se cansado. Trêmulo. Mesmo com a visão enevoada, reconheceu o andarilho.

— Você me enganou…

— Enganei — Shin não hesitou, mantendo o sorriso, agora irritante. — Mas funcionou.

Tentou se levantar, mas não conseguiu.

— Vai demorar um pouco para voltar ao normal — o viajante entendeu a mão, tentando ajudá-lo.

— Não preciso de ajuda.

— Não deseja ver sua esposa?

Arregalou os olhos. Sem hesitar, agarrou o braço de Shin, sendo levantado em seguida. Cruzaram com dezenas de casulos abertos. Assustou-se com o que presenciou: pessoas murchas e ossadas.

— Chegamos.

Fuyuki se inclinou sobre o casulo.

— Meu amor…

Estava magra. Tocou nela. Fria como a neve.

— Akemi?

Balançou-a. Sem resposta. Olhou para Shin. Ele não sorria.

— O que aconteceu? Por que ela está assim?

— Está morta — falou ele, sem cerimônia.

— É mentira. Você disse que íamos salvá-la.

— Não. Eu disse que iríamos encontrá-la. E encontramos.

— Não… Não é verdade…

Nem quando perdera o pai, de fato, sentira tanta dor.

— Ela sumiu há três dias. É provável que tenha morrido naquela noite, ainda, sufocada. O youkai mantém o corpo preservado, dentro do casulo, até consumir tudo.

— Você sabia disso?

— É claro.

Fuyuki conseguiu se levantar. Sentia algo novo: ódio.

— O que vai fazer? — desafiou Shin, voltando a sorrir.

— Por que mentiu?

— É simples: precisava da sua ajuda. Uma ferramenta cega não serve pra nada.

Detestou aquelas palavras. Sentiu raiva. Vontade de socá-lo. Mas não faria isso. Shin não era confiável, mas não tinha culpa.

Sabia quem deveria ser punido.

— Eles sabiam. E não fizeram nada — disse Fuyuki.

— Está falando do povoado?

Não precisou falar nada. O andarilho percebeu, em seus olhos, o sentimento que acabara de nascer.

— Vai realmente fazer isso? — confrontou Shin.

— Vai me impedir?

— Não.

— Por quê? Você não fez isso para salvar pessoas?

— Você entendeu tudo errado. Não estou fazendo isso por ninguém — riu Shin. — Fiz por mim.

— Você usa as pessoas — completou.

— E quem não usa?

Estava muito quente.

Num santuário de Inari, enquanto procurava um pouco de conforto, Shin escutou dois viajantes conversando.

— Ficou sabendo da tragédia do vilarejo de Takeshi?

— Aquele que fica no Caminho do Sul?

— Isso mesmo. Houve um verdadeiro massacre numa noite.

— Sério?

— Sim. Nem o ancião foi poupado. Dizem que foi obra de um oni que saiu do santuário de Daikoku da região.

— Sempre achei aquele bosque estranho. Bambus que cantam… Isso não é coisa divina.

— Concordo. Lorde Enma mente como ninguém.

Shin prestou suas homenagens ao santuário. Era devoto de Inari. Antes de partir, porém, decidiu tocar seu shamisen. Mas apenas um pouco. Precisava continuar sua jornada.

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo.