EntreContos

Detox Literário.

[EM] Juruparitinga (Kelly Hatanaka)

Planalto de Piratininga, 1621.

Constância estava seguindo o rastro do monstro há três luas. Sem descanso, sem parada e obstinadamente, embora, de fato, ela não tivesse alternativa. Sem nada nem ninguém no mundo, era melhor seguir sempre em frente, seguindo os passos de Otto, seu grande cão cinzento, do que pensar em Félix e em Martina. Instintivamente, passou a mão por sua coxa direita. O rasgo se fechara há dias, mas a dor estava sempre presente. Uma dor fantasma.

Otto parou, ergueu o focinho e farejou o ar. Em seguida, olhou para Constância, que entendeu. Eles estavam na direção certa, mas não estavam perto de alcançá-lo, ainda. O céu começava a escurecer, um tom alaranjado vindo do Oeste, a noite começando a cair, fria. Constância julgou melhor parar e descansarem. Haviam percorrido um bom caminho e estavam cansados. Acendeu uma fogueira, quebrou um pedaço de pão velho e comeu sem vontade. Otto estava satisfeito dos pequenos lagartos que caçou no caminho e deitou-se próximo ao fogo.

O pão tinha gosto de sangue.

Era um alívio estar no planalto. Foram quatro dias fazendo a difícil subida da Serra de Paranapiacaba, através do Caminho do Padre José, sempre debaixo de chuva e rodeada pela forte cerração. Um caminho difícil, lamacento, escorregadio. Constância seguia sempre, um pé diante do outro, a cabeça baixa, queixo travado. Movida pela força do ódio. Lembrava-se das pequenas vilas ao longo do rio Cubatão. Em todas elas, havia cópias de si mesma, cada qual chorando seus mortos. O mesmo ocorria nas aldeias indígenas. O monstro não fazia distinções. Eram todos carne.

Durante a subida, a comida acabou e as forças a abandonaram. Um pequeno comerciante, que também subia a serra, encontrou-a e repartiu um pouco de seu pão. Mas não seria suficiente, ela sabia.

Afastou essa lembrança, com desprezo.

Constância tentava não dormir. Seu sono não lhe trazia descanso. Houve um tempo em que ela dormia despreocupada, cuidava de seus afazeres, planejava o futuro.  Quando ela tinha uma vida. Agora, ela sentia-se vagar pelo mundo, vazia. Ela pensava, muitas vezes, se o monstro teria incubado algo dele dentro dela, quando rasgou sua perna, algo que minava sua humanidade. E, enquanto lutava para não dormir, sabia que seria em vão, que, em breve, ela seria tragada pelo sono e este a levaria de volta para o passado.

***

— Mamãe.

A mãozinha estendida em sua direção, a voz risonha.

— Quero ir com você.

— Hoje não, meu amor. — Tinha pressa em lavar a roupa no rio, muita coisa a fazer em casa, antes de anoitecer. — O papai precisa de ajuda para consertar a rede dos peixes. Ajude ele.

— Tá bom… — Obediente, seguiu em direção a Félix, que acenava para ela, sentado na porta da casinha.

Na próxima vez em que os viu, ao voltar correndo do rio, seus gritos ainda ardendo em seus ouvidos, estavam em pedaços. O monstro arrancava o que restou de Martina dos braços sem vida de Félix. Constância pulou para cima do monstro, empunhando o facão que sempre carregava junto ao corpo. Golpeava a esmo, cega de dor, deve tê-lo acertado, pois havia uma poça de sangue esverdeado e viscoso no chão, ao lado de seu sangue. Nem percebeu que ele havia rasgado sua coxa. Outros homens da vila chegaram correndo, armados de facões e foices e o monstro fugiu, liberando Martina.

***

Acordou, atordoada. Eram apenas dois sonhos que povoavam suas noites. Um, em que revivia a última vez em que viu Félix e Martina vivos, consertando juntos a velha rede de pesca. Nestes, sempre via o monstro como um borrão claro, sem definição, embaçado pelo ódio e pela dor. Outro, em que o tinha diante de si, esperando por ela, como se ansiasse por sua lâmina. Nestes, via-o com todos os detalhes. O rosto, semi-humano, com olhos vermelhos, sem pálpebras e sem nariz, a bocarra cheia de negros dentes pontiagudos, o corpo grande e deformado, cheio de ângulos estranhos, a pele branca como leite, viscosa e gelada. O cheiro de podridão. Sempre acordava antes de lhe enfiar a espada no peito. Será que ele tinha um coração? Talvez fosse mais seguro cortar lhe a cabeça. Precisava lembrar disso.

Quando o comerciante percebeu o que ela fazia, mal teve tempo de esboçar reação. Sua cabeça rolou para um lado, o saco de provisões, para o outro, e foi a comida que ela seguiu. Não sentiu remorso. Fez o que era necessário para sua vingança.

Após apagar as cinzas da fogueira com cuidado, seguiu caminho. Apesar de grande, o monstro parecia se mover lentamente e, ainda nas proximidades da Vila de São Vicente, tinham se aproximado dele, a ânsia de vingança de Constância aumentando sua pressa. Porém, a subida da serra foi difícil e o monstro abriu distância. Agora, já no planalto, avançavam com mais facilidade novamente. Otto seguia na frente, farejando. Constância ia atrás, com sua mandíbula travada e seus passos pequenos. Andava leve e em silêncio, como lhe ensinara a mãe índia. Pensava nela, agora, e em tudo o que lhe ensinara sobre a mata e sobre a guerra. Em todas as histórias que lhe contara e da mais aterrorizante de todas, a que ela chamava de demônio branco: Juruparitinga. Seria esse demônio o monstro que caçava?

No final do dia, chegaram a uma casa solitária. Na porta, uma velhinha ralava mandioca.

— Boa tarde.

— Tarde — a velhinha respondeu, sem sequer levantar a cabeça.

— A senhora viu algo estranho por aqui, estes dias?

A pergunta foi feita num tom desnecessariamente cauteloso. A resposta foi direta.

— Fala do demônio branco? Ele foi pra lá, faz umas três horas…

— Três horas? Imaginei que ele estivesse mais longe… A senhora teve sorte dele ter passado direto!

— Ele deve estar parando para se alimentar mais vezes. Ele faz isso, quando está morrendo. E não foi sorte. — A idosa sorria.

— Morrendo? — Será que seu ataque o ferira mais profundamente do que imaginava?

— Morrendo. Ele morre. Tem que morrer para outro nascer.

— A senhora parece saber muito sobre ele.

A velhinha ergue os olhos e a avaliou com atenção.

— Claro que sei. Meu povo contava muitas histórias sobre ele e, quando menina, ouvi todas. E você, que também tem sangue índio, esqueceu?

— Só ouvi uma história sobre o Juruparitinga, sobre sua sede de sangue e de como ele não morre nunca.

— Ele morre sim. Só que nasce de novo. Sempre tem um Juruparitinga no mundo.

Constância observou a casinha, muito pequena. A velha parecia morar sozinha. Como se tivesse ouvido seus pensamentos, a idosa disse:

— Moro sozinha aqui. Só eu e Deus.

— A senhora disse que não foi sorte ele ter passado direto. O que foi, então?

A luz do sol rareava rapidamente.

— Venha, menina, vamos entrar. À noite, e com o Juruparitinga tão perto, é melhor estar entre quatro paredes.

Constância entrou. Otto ficou de guarda do lado de fora. A casinha tinha um só cômodo e nenhum móvel. Sentou-se no chão, à frente da anciã, que lhe oferecia um copo de água enquanto perguntava:

— Esse facão que você carrega, não é só pra abrir trilha, não é?

— Não. Eu vou matá-lo.

Ela riu, uma risada grasnada que irritou Constância.

— Qual a graça?

— Ele não pode ser morto, menina tonta!

— A senhora disse que ele morre.

— Ele morre, mas não pode ser morto.

— Eu o ataquei, arranquei sangue dele, vou cortá-lo em mil pedaços, quero ver se ele não morre.

— Você o cortou e ele deve ter sarado em poucos dias. Só precisou se alimentar mais vezes.

Constância se lembrou das vilas ao longo do Rio Cubatão. Ele tinha atacado em todas elas. A velhinha prosseguiu:

— Meu conselho é: deixe-o ir. Chore seus mortos e deixe a vingança para trás.

— Nunca.

— A maldição do Juruparitinga é que quem o persegue se torna seu igual.

— Eu jamais serei igual a ele. Só quero justiça. Reparação por tantas vidas inocentes.

— É mesmo? Ou você, tal como ele, já ganhou gosto por sangue?

Constância estava com raiva. Como aquela velha não via que suas intenções eram puras? O pão tinha gosto de sangue. Ela prosseguiu:

— Ouça com atenção: quem persegue o Juruparitinga, se iguala a ele. É essa a maldição. Você se acha justa e não percebe que está cada vez mais parecida com ele. Você se sente mesmo humana?

Era humana. A cabeça do comerciante rolou. Ela a cortou como manteiga. A velha continuou:

— Se o Juruparitinga está atacando mais vezes é porque está morrendo. Ele sente que seu sucessor está próximo. Vá embora, menina, vire as costas e volte por onde veio.

— A senhora está errada. Nunca serei como ele. Ele é um monstro, não tem misericórdia. Eu vou matá-lo, vou exterminar esse mal da Terra.

— Teimosa! Você não vai conseguir matá-lo com facão, só vai aumentar seu apetite e causar mais mortes.

— Ele tem que morrer de alguma forma.

— Ele morre quando um sucessor está pronto; o velho Juruparitinga parte. O novo, então, se alimenta e dorme por 400 anos. Ao despertar, recomeça sua caçada.

A velha hesitou por um tempo, pareceu pesar pós e contras, confabulou consigo mesma e, por fim, desembrulhou um tecido poeirento que estava a um canto e revelou uma lança negra.

— Ele não pode ser morto. Mas esta lança, feita há muito tempo, de uma estrela caída, pode mantê-lo adormecido. Sou a última da minha tribo e a sua guardiã. Se a lança a aceitar, ela é sua.

Constância tocou na arma e a sentiu queimar sua mão. A anciã balançou a cabeça.

— A lança a rejeita. O ódio já começou a consumir sua alma. Você não pode empunhá-la.

A lança queimava, mas ela também exercia uma atração irresistível sobre Constância. Ela desejava a lança, mais do que tudo.

— Dê-me.

— Não! Menina tonta, não entendeu nada do que eu disse? Esta arma não é para você.

— Se é esta a arma que entorpece o demônio, preciso dela. Enquanto ele dormir, eu o mato.

— Não é assim. — A velha fez menção de guardar a lança.

Constância partiu para cima dela, tentou retirar a lança de sua mão. Lutaram muito brevemente, uma luta desigual. Sem pensar duas vezes, Constância puxou seu facão e cortou a garganta da velha. A lança queimava em sua mão e, sem culpa, ela se sentia vitoriosa, mal registrava a dor da queimadura.

Do lado de fora da casa, uma movimentação chamou sua atenção. Algo foi atirado contra a porta. Otto gania, mas ela não teve tempo de ir ver o que acontecia. A porta se abriu de repente e o grande vulto branco e disforme entrou. Constância agarrou a lança em brasas, com força, a pele queimada aderindo ao metal. Otto agonizava em meio a uma poça de sangue.

Mas, ao contrário do que esperava, o demônio branco não a atacou. Quedou diante da porta, o vulto bloqueando a escuridão da noite, as feições horripilantes iluminadas pela luz da única vela da casa. Os olhos sem pálpebras viram a velha morta e a bocarra sorriu torto. Inesperadamente, ele falou:

— Vejo que você está pronta.

Por um instante, Constância ficou paralisada. Não pensou que aquele monstro falasse.

— Falo, claro. — Disse ele, respondendo às palavras não formuladas. — Pois se um dia fui como tu. Agora que meu fim se aproxima, torno a lembrar.

Constância não estava ali para conversar. Arremeteu contra o monstro empunhando a lança que queimava, mas não consegui atingi-lo. A lança voou longe, como se tivesse atingido uma pedra.

— Tu deverias ter ouvido a guardiã. Ela disse que a lança não a aceitava.

As mãos de Constância estavam em carne viva. Agora aquele monstro a devoraria.

Mas, para sua surpresa, o demônio caiu, como se a força que o movia o abandonasse de súbito. Ao cair, ele transfigurou-se num homem, um guerreiro de uma tribo antiga, que Constância não reconheceu e que foi, pouco a pouco, se fazendo em pedra e se desfazendo em pó. Quando o pó foi carregado pelo vento, uma fumaça escura tomou a forma do Juruparitinga e invadiu suas narinas.

A última coisa que Constância sentiu foi uma dor lancinante, enquanto seus ossos se alongavam e deformavam, suas pálpebras se desfaziam, sua boca se rasgava em muitos dentes pontiagudos e uma fome de sangue crescia em suas vísceras.

Fraca, faminta, levantou-se com dificuldade. Ansiava por carne fresca e viva, mas o cão e a velha iam servir, por enquanto. Depois, um longo sono de 400 anos antes de voltar a caçar nestas terras de São Paulo de Piratininga.

37 comentários em “[EM] Juruparitinga (Kelly Hatanaka)

  1. Jorge Santos
    17 de setembro de 2021

    Ambientação

    Conto sobre monstros.

    Enredo

    Lembra o filme Empty Man, cuja temática é exactamente a mesma. Esse facto tirou parte do interesse. Por outro lado, torna-se previsível a parte do momento em que ela entra na casa da velha e começa a explicação. Poderia ter sido feito de forma menos directa, só revelando a verdade no desfecho.

    Escrita

    Notei alguns erros, nomeadamente na mudança da voz da narrativa, da terceira pessoa para a primeira.

    Considerações finais

    Conto com grande potencial, mas que se tornou previsível, o que fere de morte um conto de mistério.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Olá Jorge.

      Obrigada pela sua leitura e por seus comentários. Vou tentar desenhar melhor a história da proxima vez.

      Kelly

  2. maquiammateussilveira
    17 de setembro de 2021

    Ambientação: Achei ousado criar uma trama que se passa em 1621! Mas, como isso é enunciado logo no início do texto, acabei esperando maiores detalhes da época, o que não acontece. Em relação ao tema, acredito que seja um dos contos que melhor explorou a presença do monstro.

    Enredo: A ideia central do conto, da protagonista que se transforma no monstro que ela própria odeia, é muito bem pensada. O ponto de virada dessa situação também foi bem planejado, embora se arraste um pouco o momento em que se revela o destino da personagem.

    Escrita: Alguns vocábulos poderiam evocar melhor o contexto histórico e geográfico, principalmente nos diálogos. Um aspecto positivo é que a narrativa consegue passar a sensação de urgência da protagonista e explora o ponto de vista dessa personagem do início ao fim.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Maquiam.

      Minha ideia era fazer pensar que o monstro está para despertar, agora, em 2021, mas achei muito difícil trabalhar com o passado.
      Obrigada por seus comentários.

      Kelly

  3. Jorge Santos
    16 de setembro de 2021

    Ambientação

    Misto de policial e de monstros passado na cadeia.

    Enredo

    Fez lembrar o filme Entrevista com o vampiro, pela forma como está estruturado. O suspense é mantido até ao final, na mais perfeita forma hitchkoquiana… o final é especialmente perturbador.

    Escrita

    Simples e eficaz. Fluída, sem erros a assinalar.

    Considerações finais

    Nota 10, com entrada directa para a grande final. É um daqueles contos que os escritores novatos deviam ser obrigados a ler antes de concorrer a estes desafios.

    Nota 10

    https://entrecontos.com/2021/08/09/em-juruparitinga-paje/

    Ambientação

    Conto sobre monstros.

    Enredo

    Lembra o filme Empty Man, cuja temática é exactamente a mesma. Esse facto tirou parte do interesse. Por outro lado, torna-se previsível a parte do momento em que ela entra na casa da velha e começa a explicação. Poderia ter sido feito de forma menos directa, só revelando a verdade no desfecho.

    Escrita

    Notei alguns erros, nomeadamente na mudança da voz da narrativa, da terceira pessoa para a primeira.

    Considerações finais

    Conto com grande potencial, mas que se tornou previsível, o que fere de morte um conto de mistério.

  4. Victor O. de Faria
    14 de setembro de 2021

    Ambientação: Um texto folclórico muito bom. Começa bem, termina bem, apesar do final ser um tanto esperado.
    Enredo: Temos o conto de uma lenda (que não sei se é “verdadeira” ou não), mas que atrai pelo inusitado. A disposição das lembranças e flashbacks curtos dentro dos próprios diálogos foi uma saída excelente, sem abusar da paciência do leitor. O suspense prende e o final recompensa.
    Escrita: Muito boa, faz o leitor acompanhar atentamente cada resquício de sol e poeira de uma terra arrasada, ou quando estamos no meio da mata indígena. Simples, embora flua maravilhosamente bem, incluindo os diálogos.
    Considerações gerais: Gostei bastante do clima rural e da adequação ao tema. Curioso que, outro texto em que dei a nota máxima, foi de um personagem se tornando o próprio monstro. Tem um ar melancólico em tudo isso.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Victor.

      Fico muito feliz que vc tenha gostado. O seu conto foi meu favorito, meu único nota 10!

      A lenda do Juruparitinga não existe, foi uma invenção minha mesmo. Não quis usar um monstro já existente, e criei o meu próprio monstrinho… rs

      Obrigada pelo seu comentário e pela avaliação generosa. Salvaram meu dia!

      Kelly

  5. Antonio Stegues Batista
    8 de setembro de 2021

    Juruparitinga

    Ambientação= Sobrenatural/monstro. No tema.

    Enredo= Sem grandes novidades.

    Escrita= Normal, sem problemas.

    Considerações Gerais= O conto é simples, a lenda do homem que vira lobo. Alguns aspectos morais dão mais valor ao conto do que o próprio monstro. Sem grandes originalidades, já que segue o clássico, quando o lobisomem morde alguém, esse alguém se transforma no lobisomem. De qualquer forma, uma boa história, apesar de seus altos e baixos.

  6. Felipe Lomar
    5 de setembro de 2021

    Ambientação: interessante o cenário da são Paulo colonial. Me parece que houve uma boa pesquisa de história é mitologia indígena para este conto. Os personagenssão bem trabalhados também.
    Enredo: interessante como a personagem não percebe para onde e está indo e que é responsável pelos problemas, por causa de sua sede de vingança. E o pior, a vingança não é consumada e os avisos se confirmam. É uma boa metáfora contra o ódio e a vingança.
    Escrita: interessante os pensamentos da protagonista escritos em itálico e meio que “invadindo” o texto. Eu gosto sempre de seguir ao máximo a forma culta, mas não sei se com aspas teria o mesmo impacto.
    Considerações finais: um bom texto, gostei de ler. Final um pouco previsível, mas necessário para passar a mensagem.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Felipe.

      Obrigada pelo seu comentário!

      E fico contente que tenha notado o trabalho de pesquisa. De fato, o fiz. Não foi uma pesquisa muito extensa, foi mais geográfica mesmo. Pensei em usar uma linguagem de época, mas aí complicar demais, para mim e para o leitor. Mesmo porque há pouco registro da linguagem coloquial do período.

      Kelly

  7. Bruno Tavares
    5 de setembro de 2021

    Ambientação: O autor não deixou claro o cenário; apesar de apontar que a história se passa em SP Piratininga. Algo insólito, e que focou apenas nos diálogos e personagens. O ambiente sombrio se dá pela figura do demônio branco.

    Enredo: A trama se desenrola um pouco confusa; a ideia é muito boa, mas o excesso de acontecimentos e misturado a personagens que não ficam bem contextualizados na história, me deixou um pouco confuso. Não chamou minha atenção para a leitura e confesso que foi um texto bem arrastado, desde o início. Não falo que é ruim, mas simplesmente posso não ter curtido o estilo da escrita. Além disso o Juruparitinga se apossava dos corpos dos índios pelo o que eu entendi, mas não fica bem claro o motivo disso.

    Escrita: nada a falar sobre

    Considerações Gerais: Enfim, não é um texto ruim, mas não me agradou muito. Por eu achar um pouco confuso e arrastado, não despertou meu interesse. De qualquer forma, parabenizo o autor por sua obra e desejo sorte no certame!

  8. Fabio D'Oliveira
    5 de setembro de 2021

    Olá, Pajé.

    Gostei do conto.

    AMBIENTAÇÃO

    Eficiente.

    Temos um ambiente de mata, bem descrito, que dá contornos para a trama. O clima é de perseguição e desolação. Tudo isso colabora para um resultado final bem eficiente na hora de colocar o leitor dentro da história.

    ENREDO

    Interessante.

    O ciclo da vingança repaginado. Preciso admitir que histórias com essa pegada indígena sempre me cativa, então, de fato, esse é um dos contos que mais gostei do certame.

    Mesmo assim, algumas coisas me incomodaram. Algumas cenas, como da mulher se comunicando com o cachorro visualmente, contrataram com alguns pontos mais realistas, como da subida da serra. A humanização do animal soou um pouco caricato, pra mim, tirando um pouco da beleza do conto. Mas são detalhes. Coisa boba. Eu gostei muito da proposta da lança, da velha e da sucessão; assim como uma brecha para uma continuação.

    ESCRITA

    Excelente.

    Gostei muito do ritmo da narrativa e do estilo emotivo. É uma leitura viva, sabe? Conforme a história se desenrola, vamos entendendo Constância. O ódio é crescente e bem desenvolvido dentro da escrita. Achei tudo bem eficiente. Precisa tomar cuidado com a revisão, apenas.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS.

    É um dos meus contos favoritos, não adianta mentir. Bem escrito, bem desenvolvido, com personagens fortes. E, pra completar, com esse tom indígena e antigo, não tem como não me cativar, haha.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Fabio.

      Que bom que vc gostou!

      Eu também gosto de histórias indígenas e de cenários locais.
      A frase que mais curti de sua avaliação é a que fala sobre o estilo emotivo e sobre a leitura viva. Estes são meus interesses principais.

      Muito obrigada!

      Kelly

  9. ALINE CARVALHO
    4 de setembro de 2021

    Ambientação: Excelente ambientação, com ideias muito elaboradas

    Enredo: Trama agradável, que favorece o ritmo da leitura

    Escrita: Excelente escrita, não encontrei erros

    Considerações gerais: Gostei bastante, está entre os meus favoritos

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Olá Aline.

      Que bom que gostou! Muito obrigada por ter lido e por suas palavras.

      Kelly

  10. Anderson Prado
    2 de setembro de 2021

    Ambientação: Mediana. A história se passa no meio da mata. Embora o ambiente seja descrito, não há elementos dignos de nota.

    Enredo: Mediano. Uma mulher persegue um monstro sem perceber que, no processo, ela se torna seu espelho.

    Escrita: Mediana. São cometidos poucos deslizes. Ainda assim, a escrita não se destaca especialmente.

    Considerações gerais: A utilização de flashbacks e histórias paralelas confunde. Um texto literário pode focar na linguagem ou na história. Quando foca na linguagem, um bom enredo pode se tornar dispensável. Normalmente, o foco na linguagem se concentra nas metáforas e outras figuras. Quando a linguagem perde importância, tornando-se mais crua, espera-se uma boa história ou uma mensagem relevante. Neste conto, a linguagem, embora correta, é crua. Já a história, sem ser ruim, não chega a ser brilhante, não se notando, também, qualquer mensagem muito relevante. Talvez, seja possível concluir que aquele que persegue um monstro pode, muitas vezes, se tornar parecido com ele (o que remeteria, pesando um pouco a mão, a’A Revolução dos Bichos… Mas isso seria depositar fé demais em uma história que parece mais preocupada em entreter do que em promover reflexões).

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Anderson.

      Bom, não gosto de pensar em “passar mensagens”. Acho messiânico e desnecessário. Mas, sim, a história por baixo da história é a de que as pessoas se tornam, inconscientemente, aquilo que odeiam. E isso, veja só que inacreditável, em uma mera história de entretenimento.

      Obrigada.

      Kelly

  11. Jowilton Amaral da Costa
    30 de agosto de 2021

    Ambientação: A ambientação é boa na primeira parte, na parte mais narrativa. Quando chega os diálogos, a ambientação enfraquece um pouco, a meu ver, por não me parecer a forma como pessoas do ano 1621falassem.

    Enredo: O enredo é bom. Mulher que persegue um monstro que matou sua família e acaba tornando-se um monstro também. Achei uma boa ideia.

    Técnica: Achei a técnica média, apesar de não perceber erros ortográficos ou gramaticais, Isto aconteceu porque achei a narrativa sem contundência. A parte mais descritiva, no início do conto é bem feita, já os diálogos eu não gostei, enfraqueceram o conto. Não consegui viver as cenas em diálogos. Achei que faltou densidade narrativa que a história pedia, afinal, era uma mãe que perdera a família assassinada de forma brutal, fazendo com o impacto do conto tenha sido baixo.

    Considerações gerais: Um conto médio para bom, que começa bem e termina não tem bem assim. Boa sorte no desafio.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Jowilton.

      Sabe que pensei em usar um linguajar de época. Mas, em primeiro lugar, não achei informações a respeito de como as pessoas do povo falavam na época. Imaginei que não poderia me guiar pelas cartas dos nobres. Imaginei também que, entre pessoas que viveram como meus personagens, o mais provável é que a língua do dia a dia fosse uma mistura de português com tupi (ou outras línguas indígenas). E, supondo-se que eu aprofundasse minha pesquisa e encontrasse algo, o resultado seria algo, ainda assim, historicamente errado, pomposo demais, difícil de escrever e muito difícil de ler. Achei melhor focar nas pesquisas geográficas e adotar uma linguagem mais contemporânea.

      Quanto aos diálogos, tem razão. Vou revê-los.Acho que não consegui colocá-los no “tempo” certo.

      Obrigada!
      Kelly

  12. Angelo Rodrigues
    27 de agosto de 2021

    17 – Juruparitinga

    Ambientação:

    Ótima ambientação, condizente com o texto.

    Enredo:

    Monstro é perseguido por mulher que o viu destruir a sua família. Tem uma pegada misteriosa que se vai revelando ao longo do texto. Tem caráter místico e atravessa o viés das lendas amazônicas.

    Escrita:

    Escrita sem qualquer problema.

    Considerações Gerais:

    Um conto que sobrescreve a lenda de Jurupari, possivelmente uma lenda Tupi, embora apareça também em outras etnias. Acredito que o autor tenha juntado ao nome Jurupari o sufixo tinga, que significa branco na língua tupi. O monstro era branco.
    Um conto bom de ler. Embora, como disse, sobrescreva a lenda de Jurupari, diverge para formar um novo mundo de significados, onde uma mulher, em busca de vingança, descobre-se a transformar-se, também ela, no próprio monstro Jurupari, que se reacende na pele de quem o mata.
    Esse fato me fez lembrar de um filme antigo, de Kurt Russel, The Thing (Enigma do Outro Mundo), onde um ser alienígena é capaz de assumir outras formas de vida, e se vai replicando conforme vai matando outros seres vivos. No filme, um cachorro se transfere a um humano… e assim vai.
    Conto legal de ler. Boa sorte no desafio.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Angelo.

      Foi isso mesmo que fiz com o nome do monstro. Eu me inspirei no Jurupari e criei o Juruparitinga rs.

      Fico feliz que tenha gostado.
      Muito obrigada pelos seus comentários.

  13. Ana Maria Monteiro
    25 de agosto de 2021

    Olá, Pajé.

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento:

    Ambientação: Suficiente, supondo que fosse necessária, seria curta, mas este conto, tal como está, não precisa de ambientação.

    Enredo: Muito irregular, embora bom, no entanto, alguns pormenores importantes surgiram de supetão, como que do nada. Estranhei isso ao longo do conto.

    Escrita: Boa, sem nada a assinalar.

    Considerações gerais: Algo me diz que estou perante uma coautoria. Ainda não tinha pensado nesse pormenor ao ler os contos, mas a estranheza que este me causou ficaria bem justificada por essa possibilidade. Alternativamente, terá sido escrito por etapas. No final saberei, mas continuo na coautoria.

    Parabéns e boa sorte no desafio

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Ana Maria.

      Errroooouuu! Não era coautoria rsrsrs.

      Obrigada pela sua leitura e pelo seu comentário.

      Kelly

  14. srosilene
    22 de agosto de 2021

    Vou ser bem direta. Este foi o primeiro conto que li e o mais chato. Como foi difícil chegar até o final. Lembrei da lenda “Mapinguari”. Enfim, é isso que tenho a dizer. Longo, repetitivo. Deveria ter tido mais suspense, mais ação.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Ok, espero que os demais contos sejam mais legais. Mas, se vc achou o meu longo… xi…. mal sabe você o que vem pela frente. rsrsrsrs

      Também serei bem direta: um comentário tão raso não me motiva a levar seu conselho a sério.

  15. Nelson Freiria
    22 de agosto de 2021

    Ambientação: legal a ambientação do conto feita a exploração das paisagens reais e naturais de São Paulo, apesar de não saber se em 1621 esses locais já tinham esses mesmos nomes. O uso da fome também serviu como um bom veículo para transmitir a escassez daquele tempo, mas em outros aspectos a história ficou um pouquinho vazia, já que não há mtas descrições para o leitor de ambientar um pouco mais naquela época.

    Escrita: uma linguagem contida, talvez pela ambientação do conto. Me pareceu que o autor(a) não quis dar mto estilo à sua narrativa para não parecer deslocado do século… sei lá que século se passa essa história, mas deu para me compreender né?! De qualquer maneira, no aspecto técnico, me pareceu uma escrita mto boa: sem entraves, sem erros (pelo menos não notei) e direta ao ponto.

    Enredo: dada a época em que se passa e o cenário natural, imaginei que seria algo do folclore nacional. Mas não conheço Juruparitinga, apenas seu primo, Jurupinga. De qualquer maneira, existindo previamente ou não essa criatura, gostei da maneira como ela é apresentada ao leitor. Quanto ao enredo em si, achei bacana e a história como um todo se fecha num ciclo e deixa margem para imaginar mais um pouco. Mas achei que na reta final, do momento em que a anciã surge ralando uma mandioca, o conto dá uma acelerada um pouco desmedida, deixando os diálogos não tão naturais e revelando bastante o que aconteceria a seguir. Essa previsibilidade na reta final, na minha opinião, não afetou o conto negativamente, pois a questão da natureza do monstro é intrigante e queria saber o que acontece.

    Considerações gerais: não entendi o uso do itálico até o final do conto, bacana poder acompanhar essa transformação. Apesar de não ser um conto de terror, queria ter visto um pouco mais de ousadia no suspense, no medo que o primo de Jurupinga causa durante sua jornada por sangue. O narrador conseguiu entregar bem o lado da vingança cega da protagonista, mas parou por ali.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Olá Nelson.

      O Juruparitinga não existe no folclore, foi criação minha. e acho que vc acertou na mosca quando falou da linguagem contida. Eu realmente achei difícil escrever no passado e talvez, entre a correção histórica e a facilidade de leitura de uma linguagem mais contemporânea, eu tenha me engessado.

      E acho que preciso mesmo trabalhar melhor meus diálogos e a construção do mistério. Algumas pessoas gostaram mas, no geral, o final parece ter ficado mesmo previsível.

      Obrigada por sua leitura e seus comentários.

      Kelly

  16. Simone Lopes de Mattos
    18 de agosto de 2021

    Ambientação: excelente. O conto nos leva ao lugar da personagem, sua fome, sua dor, seu medo. Muito bem criado, sem fazer retrospectiva que corte o clima. Na primeira parada, quando começa o sonho (estou nesta parte agora) o leitor para pra respirar, pra sair do primeiro clima, justamente porque está envolvido pela ambientação.
    A continuidade da leitura mostra que a heroína de tão sofrida perde a humanidade. A descrição do monstro, da velha, do conflito e da metamorfose estão muito boas. Eu confesso que previ o final.
    Enredo: todo o desenvolvimento da história prende o leitor. A cena do sonho é a melhor. A agonia do pesadelo. Lamentei os crimes que ela cometeu. A morte do comerciante e da velha. Desconfiei dessa senhora, achei que fosse uma armadilha. Isso deu muita tensão ao texto. Excelente trabalho, sem deixar perder a atenção do leitor. Descrição na medida certa.
    Escrita: não observei erros.
    Considerações gerais: tipo de conto que segue uma direção, não perde ação com flashback. Muito envolvente. Muito bom.

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Simone.

      Nossa, fiquei muito feliz com seu comentário. Que bom que gostou! (eu adorei o seu conto)

      Muito obrigada!
      Kelly

  17. opedropaulo
    18 de agosto de 2021

    Olá, Pajé! Sempre olharei com mais atenção para histórias que remontam a tempos distantes de nosso passado, ainda mais uma que nos põe nos interiores da América Ibérica! Não é um interesse voltado a pormenores históricos, mas sim à ousadia e criatividade do autor em ambientar sua história em um contexto dissonante.

    O conto toca o tema de forma competente, mas não surpreendente, ligando a protagonista ao monstro em uma caçada vingativa cujo precedente é montado de forma demasiadamente rasa para realmente nos cativar à jornada de Constância. Outro ponto frágil é a maneira como se desenrola o enredo, com os diálogos e encontros delineando uma trajetória clara para a personagem, sem estabelecer um suspense em torno do seu destino e, assim, tornando o final anticlimático. Quanto à ambientação, pronuncia-se levemente na trama, mas não ganha tanto espaço quanto poderia, pairando de forma mais superficial. A escrita é ágil, entrelaçando os fatos do passado e do presente com eficiência, mais voltada à ação e descrição diretas. Gostei do detalhe de se passar em 1621, alinhado com os quatrocentos anos que a criatura leva para despertar.

    Enfim, é um texto que poderia ter procurado uma premissa e um desenvolvimento menos formulaicos, investindo em personagens e situações mais singulares..

    Boa sorte!

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Pedro.

      Fiquei feliz que alguém tenha atentado para o detalhe do ano! Achei que ia passar batido.

      Seu comentário é maravilhoso. Outros comentarista falaram que o enredo estava previsível, mas eu estava com dificuldade de entender como corrigir isso. O seu comentário me pegou pela mão e mostrou o que eu poderia ter feito.

      Muito obrigada!
      Kelly

  18. Priscila Pereira
    12 de agosto de 2021

    Olá, Pajé!

    Ambientação: Muito boa! Deu pra sentir todo o clima de tensão, medo, destruição, ódio e vingança que o conto pretendia passar. Tudo bem descrito, sem firulas, só o indispensável.

    Enredo: Simples e direto. Ela vai fazer o que precisa e não deixa nada nem ninguém ficar no seu caminho. Só achei o encontro com a anciã um pouco explicativo demais e já deu pra perceber que Constância era o próximo monstro. Eu queria ser surpreendida, talvez a velha cravar a adaga na moça antes que ela virasse o monstro, ou algo assim, mas você escolheu ir pelo caminho mais previsível. O que não tira os méritos do conto.

    Escrita: Muito boa, segura e limpa. Com certeza é de alguém que sabe o que está fazendo e sabe muito bem! Tem umas coisinhas que passaram na revisão, mas quem nunca, né 😁

    Considerações gerais: Ótimo conto! Gostei bastante! Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  19. Rubem Cabral
    9 de agosto de 2021

    Olá, Pajé.

    Vamos à análise do conto!

    Ambientação: Mediana. Acho que mais descrições e sensações poderiam ter sido usadas para causar melhor imersão na história localizada no passado e num Brasil primitivo. Talvez alguma pesquisa sobre o linguajar e expressões antigas (usadas com parcimônia) e coisas afins poderiam dar mais corpo ao conto.

    Enredo: Bom. Não sei se o monstro existe no nosso folclore ou se é uma criação do autor, mas é um bom conceito, é criativo. Acho apenas que embora nem todo conto tenha que guardar uma surpresa para o fim, que na história “cantou-se a pedra” muito cedo, que ficou logo muito claro que a protagonista seria o próximo monstro.

    Escrita: Boa. A escrita poderia ser mais rica e evocar mais a geografia e o tempo descritos, mas também não compromete e é ágil e limpa para entregar a história.

    Considerações gerais:

    Um bom conto, com um monstro criativo. Peca, contudo, por entregar muito cedo pistas de que Constância seria o próximo demônio branco. Pensamentos da personagem ou mais memórias poderiam trazer mais à vista o ódio que a envenenava. Alguns atos, como o matar o homem para roubar-lhe comida, poderiam ser mais dramáticos. Em linhas gerais, penso, poder-se-ia investir mais no desenvolvimento da personagem.

    Abraços e boa sorte no desafio!

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Oi Rubem.

      Muito obrigada pelo seu comentário.

      Foi um daqueles comentários realmente muito úteis, que me deu algumas boas ideias para melhorar nos próximos.

      Valeu!

      Kelly

  20. thiagocastrosouza
    9 de agosto de 2021

    Ambientação: Interessante você ter localizado o conto no século XVII, pontuando lugares históricos como Paranapiacaba, Cubatão e a própria São Paulo ainda nos seus primórdios como vila. Já fiz uns passeios pela região e me localizei bem enquanto descrevia a trajetória de Constância.

    Enredo: Achei o enredo um tanto batido. Sei que não tem culpa, mas no desafio passado mesmo lidamos com histórias de pessoas que se transformam em monstros num ciclo sem fim (naquele caso, era a Matinta Pereira), e o seu, foi por um caminho muito semelhante: em busca de vingança, aquele que foi injustiçado acaba se tornando tão violento quanto o seu algoz. O enredo não foge disso em nenhum momento, além de não construir essa transição de forma orgânica, natural. O diálogo com a senhora na cabana, por exemplo, é muito proposital para o enredo, tudo está muito dado e claro, de modo que já sabemos o final do conto antes mesmo dele chegar ao fim. Além disso, me incomodou a motivação da anciã em entregar a lança para Constância: o tempo todo ela se mostrou imprópria para matar o Jurupatininga, mas ainda assim, a senhora ponderou e entregou o objeto na mão da protagonista.

    Escrita: Limpa. Não identifiquei erros, mas tive questões quanto ao estilo. Você nos leva por esse tempo passado, antigo, o texto clama por essa ambientação também nos diálogos, o que acaba não ocorrendo. Não digo que o conto precisa ser escrito na língua que se falava no século XVII, apesar de termos conhecimento de que, aqui em São Paulo, o idioma comum era um misto do tupi com o idioma luso. Mas trechos como o que a velha diz morar apenas ela e Deus, mesmo sendo indígena, a última da tribo, me faz pensar se ela havia sido convertida pelo cristianismo, o que não justificaria ela ser uma guardiã tão grande das tradições de seu povo. Há também uma questão com os diálogos: são muito diretos, com pouco subtexto, no estilo bate e rebate, de modo que soam explicativos ao invés de envolventes.

    Considerações gerais: Gostei do conto de modo geral. Apesar dos apontamentos, poderia ser uma boa história de monstro. Faltou um pouco de tensão, característica para esse tipo de conto, e inventividade para o enredo. Lapidado, tenho certeza que será um grande conto!

    Grande abraço!

    • Kelly Hatanaka
      20 de setembro de 2021

      Olá Thiago.

      A maior parte da minha pesquisa fo mesmo geográfica. Desencanei da linguagem e resolvi adotar uma linguagem atual. Sacrifiquei a correção histórica em nome da facilidade de leitura, mas, de fato, sinto que isso me prejudicou, especialmente nos diálogos.

      Quanto à anciã, tem muito do que crio para o personagem que não aparece de forma direta no texto, mas que, no fim, fica meio sem explicação. No caso dela, ela é a última da tribo e mantém suas tradições, apesar de ter sido impactada pelo convívio com jesuítas. Vou trabalhar isso melhor das proximas vezes.

      Obrigada pelo seu comentário.

      Kelly

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
%d blogueiros gostam disto: