EntreContos

Detox Literário.

[EM] Cela 73 (Thiago de Castro)

— Havia um monstro no Ubirajara Galhardo. 

— Assim julga a sociedade – ameaçou anotar algo no bloco de notas, já com enfado – Para ela, todos os detentos são monstros. 

— Uma criatura, de verdade. 

O homem apertou a tampa da caneta com a boca e se pôs a escrever. Diante do silêncio do entrevistado, fez um gesto para que continuasse. 

— Um preso foi encontrado morto na cela 73, mesmo que ela tenha passado a noite fechada. Até aí, tudo bem, isso nunca foi absurdo. Era só molhar a mão dos guardas que se aprontava o acerto. Eles fingiam trancar a cela e na madruga tudo acontecia. Mas, daquela vez, foi diferente. 

O entrevistado olha para os lados, cochicha. 

— O corpo estava marcado por mordidas, de bicho grande, nas costas, a barriga com rasgo de presa, o bucho pra fora, só de falar, me dá arrepio. 

— Você viu, o corpo?

— O peito tinha um corte profundo, bem aqui – apontou para o lado do coração – Uma das marcas registradas do monstro.

— Uma das marcas?

— Eu trabalhava na cozinha, era apanhado cedo para fazer a entrega do café.  A gente arrumava o desjejum nos carrinhos e passava um pouco depois dos guardas começarem a bater nas grades para acordar os malacos. Lembro do seu Osmar, chefe de segurança, um homem ruim. Ele ia na minha frente fazendo aquele “clang clang” que tanto gostava nas barras de ferro, até que parou na frente da cela 73 e pôs a mão na boca, não aguentou e vomitou no corredor mesmo. 

— E aí, Seu Valdomiro?

— E aí que eu me assustei com a pose do homem e fui empurrando meu carrinho, até ver tudo com meus próprios olhos. O corpo todo fodido, o peito ensanguentado e – olhou novamente para os lados, apreensivo – Castrado!

O entrevistador anotou o termo e coçou as bolas num gesto inconsciente. Ajeitou os óculos que não paravam de escorregar pelo nariz e retomou a vista para Valdomiro, cujos olhos estavam vidrados após proferir a última palavra. 

— Seu Valdomiro?

— Pode pedir mais um café com leite para mim?

— Claro, claro. 

Levantou-se e foi até o balcão da lanchonete. 

— Mais um pingado e outro pão na chapa. 

— Só isso, chefe?

— Uma água com gás também. 

— Empresta a comandinha pra mim. Ou me fala o número. 

O entrevistador deu a comanda na mão do atendente. 

— Sete três. Tá registrado! Um pingado, um pão e uma água. Já levo lá. 

— Com gás, por favor. 

Retornou à mesa, Valdomiro estava com o bloco nas mãos.

— Tá faltando coisa aqui – jogou-o de volta para o dono. 

— Calma, são apenas palavras-chave, para não esquecer na hora de escrever a matéria. 

— Que jornal é esse aí?

— Nova Gazeta. 

— Na cadeia, a gente se estapeava por um quadrinho, revista, livro, um recorte de jornal, até os próprios presos começarem a escrever livrinhos de sacanagem e distribuir por aí, matando o tédio geral. 

O entrevistador ri.

— Isso eu vou anotar, seu Valdomiro. Dá uma reportagem à parte. 

— É, mas começaram a circular histórias sobre o monstro também. Um preso chamado Catiaba, que sabia ler e escrever, amontoava um monte de gente em volta para ler as histórias, cobrava um cigarro por leitura. 

— Catiaba – o entrevistador repetiu o nome enquanto anotava – Era ele quem escrevia?

— Ninguém sabia quem escrevia. Os livros apenas circulavam, o autor usava um nome falso: Bet. O conteúdo era alternado; uma história de putaria e uma história de monstro. Catiaba, é bom falar, morreu logo depois de surgirem os livretos, disso me lembro bem. As histórias continuaram a circular, mas foi difícil achar alguém que lesse como ele. 

— Morreu pelo monstro?

— Não. Acerto de contas mesmo, o último, pois tava todo mundo com o cu na mão. Depois disso, veio a chacina. 

— Sobre a chacina, você sobreviveu como? 

— Eu era inofensivo, evitava olhar muita gente, evitava treta. Sabe como é, né? E não dormia com mulher no dia de visita, era daí que o monstro vinha. 

— Estamos falando da mesma coisa?

Valdomiro coçou a cabeça, o garçom deixou o café e o pão na mesa. 

— Minha água?

— Já trago, chefia!

Esperou o atentende sair antes de seguir. 

— Você deve estar falando da chacina de 74, aquela que deu em jornal, reportagem e o caralho. 

— E qual outra seria, Valdomiro?

O garçom deixa a água na mesa, o entrevistador enche o copo enquanto escuta. 

— A chacina de 74 foi para encobrir os mortos, as vítimas do monstro, por isso que ninguém sabe dessa história, ou finge que não sabe, pois tem medo – apoiou os cotovelos na mesa e vergou o corpo para a frente – A verdadeira chacina, doutor, começou em 73. Não esqueça de anotar no seu caderninho aí. 

— O..Ok, Valdomiro.

— Depois que Catiaba morreu, outros corpos foram surgindo, tudo no mesmo estado: estrebuchado, sem coração e sem o pau. Tá me entendendo? Era um por semana, mordido e castrado. O monstro deve ter ficado puto porque com Catiaba morto, as histórias pararam de circular, de serem conhecidas pelos presos. E que assassino, gente ou coisa, não quer ser reconhecido?

— Você tem algum desses livretos?

— Não levei nada de lá, nem queria. Era um inferno, mas lembro algumas histórias, se você quiser saber. Catiaba lia bem, de um jeito que atraía o pessoal, e os contos ficaram aqui – bateu com o dedo na têmpora direita.

— Por favor, me conte. Quer comer mais alguma coisa?

— Uma dosezinha ia bem. Na verdade, duas, mas na hora de sair. Não fico bem quando bebo. Tendo a cair na tristeza.

O entrevistador concordou com a cabeça.

— Essa eu ouvi da boca de Catiaba. Ele apanhou os cigarros dos leitores, enfiou um na orelha e o resto nas calças. A malandragem sentou em roda que nem criança para ouvir a história. Era uma mistura de sacanagem com causo de terror. O monstro, na verdade, seria uma mulher de dia de visita, daquelas que se alternam entre um preso e outro, o que é comum na cadeia. Um chefe banca para um parceiro, ela faz contato, o outro paga pelo serviço, e assim vai indo, até rodar na cama de geral. Uma das mocinhas tava carente de grana, parente doente, filho para criar, ou algo assim, só sei que era problema sério e ficaram devendo pra ela. Ameaçou denunciar um bandidão e, de tanto esperneio, mandaram matar a moça. Ela e a família. 

Valdomiro parou para olhar a metade do seu pão na chapa que já esfriava no prato. Bolinhas de gás estouravam no copo do entrevistador.

— Enfim, doutor. O tempo foi passando, a história quase sumiu, mas aí a primeira vítima, aquela da cela 73, foi encontrada; um dos clientes da dona. Logo depois as histórias começaram a circular nos livrinhos. Era sempre a mesma coisa, a moça surgia pelada na cela, de madrugada. Como um fantasma, atravessava as barras de ferro e fazia sexo com sua presa. Nessa hora, a bandidagem comemorava, ficava eufórica e doida enquanto Catiaba contava em detalhes, tinha uns até que se tocavam. Aí o conto seguia; depois do ato o monstro matava o desgraçado e arrancava o trem dele. Em algumas versões, o monstro enfeitiçava o condenado e, enquanto ele achava que tava mandando ver, ela já tava fazendo a carnificina. Os brutamontes ficavam pianinho nessa hora, não davam um pio, mas voltavam sedentos na semana seguinte, mal Catiaba avisava que Bet tinha aprontado mais uma das suas.

— Mas, onde entra a chacina de 73? Nada saiu no jornal, os corpos, como ninguém ficou sabendo?

— Você nasceu ontem, doutor? – Valdomiro se pôs a rir, enquanto o entrevistador encolhia os ombros – Naquela época, o que acontecia na cadeia ficava por lá. Que milico queria saber de dar na tv que tava morrendo gente esquartejada no xadrez? Se liga. Lá fora tava tudo lindo, e era isso que os jornais mostravam. 

— Faz sentido, me desculpe. 

— Seguinte, depois que Catiaba morreu, um por um dos que dormiram com a moça começaram a morrer, e logo os livros voltaram a circular, contando a história de cada um dos ataques. Acontece que, perto da virada para 74, encontraram morto o porco do Osmar, o chefe de segurança. Que ele era cheio de esquema com as primas e os detentos, todo mundo já sabia, mas o cara morrer assim, largado e castrado no meio do pátio, foi demais. 

— No meio do pátio?

— Tinham suspeitas que ele que havia mandado passar o Catiaba, porque tava dando um alvoroço danado esse negócio de historinha de monstro e sacanagem, o que atrapalhava a segurança. Fora que Catiaba tava faturando um bom com os cigarros. A gente ia ficar bem. 

— Como?

Valdomiro apanhou o pão e chuchou no café com leite, também já frio. Mastigou sem pressa antes de seguir. 

— Doutor, fizeram de tudo para encobrir a morte do Osmar. A gente morrendo que nem mosca por causa de doença, fome, acerto de contas, e nada de intervirem. Foi só matar um guardinha que deram jeito de acusar uns presos mais perigosos pela morte do cara. O Estado teria que pagar uma indenização fodida para a família do verme, aí começou o reboliço. Osmar era de fora da cidade, já não ia voltar para casa até o final de semana. A desculpa perfeita, pronto. Executaram uns detentos, provocaram outros, uma facção viu chance de ganhar poder na cadeia, outra quis se defender, tava formado o cenário para o caos. 

— Três de Janeiro de 1974. 

— A polícia entrou, fez um banho de sangue e tudo aquilo que você já sabe. Osmar foi dado como morto na rebelião, o único guarda, acho, até porque não me estendi mais nessa história depois que passou. Aí os jornais chegaram, porque foi um troço grande, difícil de encobrir.

— Eu era um menino ainda, lembro que voltei do futebol na rua e meu pai estava assistindo na tv. 

— E aí?

— Disse que era tudo bandido, que tinha que morrer mesmo. 

— Ele e o país inteiro. 

— Só sei que, naquela idade, fiquei chocado com as imagens. 

— Seu pai era policial, doutor?

— Escrivão – respondeu baixando a cabeça.

— E você virou jornalista por quê? 

— Não sou como meu pai. Queria…Bom, acho que trocamos de lado na entrevista – O entrevistador deu um riso nervoso e tomou mais um gole d’água. Valdomiro o encarou sério, até cair numa gargalhada alta. 

— Tá certo, doutor, tá certo. 

— Pode me chamar de Jefferson, por favor, seu Valdomiro. 

— O que mais quer saber, Jefferson?

— Só se estiver à vontade. Como sobreviveu?

— Ao monstro? Evitando as mulheres, as tretas. As histórias de Catiaba me bastavam para matar o tempo, ele contava com encanto, uma voz doce, sabe? Ainda que fossem atrocidades. Foi duro depois que partiu. Já à chacina de 74, tentei me esconder na cozinha quando o clima começou a ficar tenso, mas sobraria para mim, porque ali, quando tem rebelião, é que malandro vai se armar de faca, garrafa, garfo, o que tiver.

— Entendo.

— Pode soar estranho, mas a cela 73 era vista como mau agouro até pelos guardas. Depois da primeira morte ali, ficou vazia e aberta. Só uns depravados que aproveitavam para dar uma rapidinha com os travecos do presídio. Lá me enfiei num canto escuro e aguardei pelo pior, ali, onde gente morreu e gozou, deu e comeu. Fiquei e só saí na hora que a polícia reuniu todo mundo no pátio.

— Quanto tempo ficou lá?

— Algumas horas, não sei ao certo, até um guarda me achar e me arrastar. Vi uma porção de corpos no caminho, furados e arrebentados, jogados nos corredores. Um monstro muito mais letal havia passado pelo presídio: o Anjo da Morte.

Valdomiro fez uma arminha com os dedos e fingiu um disparo na direção de Jefferson. Continuou.

 — Depois disso, interditaram o lugar e, dois anos depois, fecharam de vez o Ubirajara Galhardo. Cada um foi prum canto diferente, em penitenciárias menores do interior, mas isso você já sabe. 

— Ainda tem contato com alguém dessa época?

Valdomiro demorou-se num suspiro. 

— Não. 

— Entendo. 

— Cumpri pena e, desde então, tenho tentado sobreviver. 

Jefferson calou diante daquele homem. Valdomiro era um senhor de gestos lentos e melancólicos, mas cheio de violência reprimida. Parecia, fosse-lhe lançada uma palavra mal colocada sobre os tempos de xadrez, que cometeria um homicídio como os que disse ter testemunhado. Jefferson olhou as anotações em seu bloco de notas e elas não passavam de rascunhos soltos. No final, apesar de interessante, a fonte promissora que arranjara não lhe deu mais do que uma história conspiratória de monstro, o que não serviria para publicar na Nova Gazeta, nem agradaria o diretor pé no saco que queria uma matéria “originalíssima” sobre os trinta anos do massacre, nada da ladainha disponível no antigo prédio da penitenciária, que se tornou um museu ufanista, como todas as instituições públicas do país. Se limitou a agradecer e cumprimentar Valdomiro, que lembrou o jornalista, antes deste se despedir definitivamente.

— Não se esqueça das minhas doses!

Assim o fez, pagou a comanda e tomou o ônibus para o centro, mergulhado em pensamentos. Osmar, Bet, o monstro, os livros, o próprio Catiaba. Qual seria seu verdadeiro nome? Valeria uma visita na antiga penitenciária Ubirajara Galhardo? Faria contato com colegas do falecido pai, escrivão da polícia civil, que tinham acesso a antigos laudos, processos e fotografias dessa época, disponíveis por uma boa molhada de mão?

O que Jefferson não sabia ainda é qual história contaria na matéria, e que a única evidência que receberia dos fatos, semanas depois, seria o atestado de óbito de Osmar Russo, chefe de segurança no tempo do massacre. Causa mortis: não naturais. Homicídio. Incisões na caixa torácica, dilaceramento de ossos e cartilagens feito por objetos perfurocortantes, decepamento de membros, entre eles, o pênis, assim como marcas de mordidas profundas espalhadas pelo corpo. O legista não se prolongou na descrição, pois, à serviço do exército, apenas o essencial bastaria para preservar o Estado.

Em visita tardia ao Ubirajara Galhardo, Jefferson encontrará vincado nas paredes da cela 73, em meio a nomes e mensagens de presos anônimos, uma inscrição que lhe chamará atenção: “Na cela 73, C.V foram felizes”. Em vão, tentará refazer o contato com o ex-detento, que sumiu da cidade, não se sabe para onde.

No entanto, ainda naquela noite, ainda na lanchonete, com Jefferson alheio a caminho do centro, Valdomiro recebeu sua dose dividida em dois copos americanos, como havia pedido. Tomou a primeira num único gole e encaretou com a ardência da bebida. Colocou o copo vazio na mesa e, com muita delicadeza, apanhou o outro, ainda cheio, erguendo-o no ar. 

— À sua memória, Catiaba, meu amor, meu contador de histórias. Da sua, sempre sua, Bet.

Bebeu.

35 comentários em “[EM] Cela 73 (Thiago de Castro)

  1. Júlio Alves
    21 de setembro de 2021

    Um bom conto, com direito a passagens bem poéticas (o começo principalmente) e uma história bem amarrada.

    A história por meio de diálogo me é bem interessante (fiz o mesmo no desafio rs), e ficou bem organizada assim, com direito a ares hitchcockianos de romance noir que a gente gosta.

    Achei, entretanto, que o conto podia ter menos vírgulas em alguns momentos, para manter o ritmo narrativo estabelecido. Nada muito grande, mas, por ser diálogo, a gente acaba esperando que determinadas frases sejam ora mais longas, ora mais curtas, ora monstruosas – e palavrão. Em vários momentos eu estava adicionando vários na minha cabeça enquanto lia, porque me pareceu que a personagem recorreria a eles para reforçar pensamentos (e que sustentaria também o termo “traveco”, que não é o correto (seria no feminino, a trans ou a travesti), mas que faz total sentido para a personagem.)

    E teve um comentário aqui também que disse do tempo verbal. Vale a pena conferir isso, e também o uso dos travessões. Tem uma ou outra pontuação errada ou maiscula que não deveria ser usada, mas nada muito grave.
    Também faria (e isso é mais um comentário pessoal) uma descrição maior e mais intimista da mentalidade das personagens.

    E, no quesito tema, ficou meio supérfluo, mas ainda assim não deixou de passar a mensagem. Encaixou, para mim.

    Parabéns pelo conto

    • thiagocastrosouza
      22 de setembro de 2021

      Fala Júlio, tudo bem? Obrigado pela disposição de vir comentar, mesmo no final do desafio!

      Então, tenho um problema severo com vírgulas, mania que peguei de ler muita coisa alternativa que recorria à essa técnica, principalmente para fluxo de consciência. Estou tentando evitar, ir por um caminho de frases mais curtas e um texto com mais respiros, mas os resquícios são evidentes.

      Juro que achei que tomaria um tabefe pelo mau uso do termo “traveco” após ler suas análises, sempre muito coerentes, sobre as questões de gênero no desafio. De fato, na boca do personagem faz sentido, pensando que é um ex-presidiário dos anos setenta, mas é curioso que, no momento da escrita, nem pensei sobre isso, só inseri no texto e toquei o barco, apesar de saber o uso correto. Confesso que, essa constatação, me deixou desconfortável, o que é bom para evitar reproduzir nas próximas produções.

      Dei uma segurada nos palavrões, apesar de não ter nenhum impeditivo pessoal, mas quis trazer essa coisa de um ex-presidiário mais idoso e controlado, que hora ou outra solta umas vulgaridades, mas tenta manter a pose diante do jornalista já que, ele mesmo, também é um escritor. Enfim, coisas que a gente acaba fazendo, como escritor, subjetivamente e só vai perceber depois.

      Sobre o tempo verbal, não tem o que fazer, é puxão de orelha mesmo e segue o trilho KKKKK.

      Valeu, camarada!

      Quando puder, e quiser, dê uma passadinha nos meus outros contos daqui. Seria incrível contar com suas considerações.

      Grande abraço!

      • Júlio Alves
        23 de setembro de 2021

        Ah, leio sim! Quando menos esperar, lá estarei.

        E faz bastante sentido a ideia da diminuição dos palavrões pela presença do outro, não tinha pensado por este lado.

        Então, menino, eu reclamaria se eu não olhasse para a personagem e visse que ela falaria desse jeito. Eu sempre vou usar a régua da própria personagem (quando em fala) ou da voz narrativa (quando em descrição). Eu sou MUITO a favor de uma literatura ampla que não “despermite” ninguém de falar x ou y, mas também não é bagunça né kkkk precisa ter contraponto, precisa ter embasamento.

        E sobre as vírgulas: faz parte! Se fosse em outro texto, talvez nem tivesse me saltado aos olhos, mas como era em sua maioria diálogo, ficou bem fácil de notar a “quebra”.

        Abraços!

  2. Jowilton Amaral da Costa
    18 de setembro de 2021

    Ambientação; Muito boa, nos vemos dentro de um filme de mistério.

    Enredo: Muito bom. Gostei da forma que você resolveu contar a história, através de uma entrevista e mostrando os flashbacks. Deu bom ritmo e os relatos criaram uma ótima atmosfera para o conto. Já no finzinho dá para desconfiar como seria o final, que é muito bom também, mas, mesmo assim não diminuiu em nada o ótimo impacto causado.

    Técnica: Boa técnica, não percebi erros que dificultassem a leitura, que fluiu sem entraves.

    Considerações Gerais: Achei um conto muito bom, até aqui o melhor que eu li.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Jowilton, que prazer ser o conto favorito de alguém.

      Obrigado pelas considerações.

  3. Rubem Cabral
    18 de setembro de 2021

    Olá, Bet.

    Ambientação:Muito Boa

    Embora a maior parte do conto seja composto de diálogos, o conto consegue trazer à mente o cenário das cadeias brasileiras; a sujeira, as malandragens, as facções, etc.

    Enredo:Muito Bom
    Bem interessante a história e boa a surpresa sobre o Valdomiro. Interessante também o número de vezes que 73 apareceu na história: a mesa, a cela, o ano.

    Escrita:Boa
    O conto pede por um pouco mais revisão: incomodou-me a variação temporal, quando o texto flutua entre conjugações no passado e no presente, sem contudo descrever ações ocorridas em tempos distintos.

    Por exemplo:

    “O homem apertou a tampa da caneta com a boca e se pôs a escrever. Diante do silêncio do entrevistado, fez um gesto para que continuasse.”

    (verbos no passado)

    “O entrevistado olha para os lados, cochicha.”
    (verbos no presente, logo a seguir)

    Considerações gerais:Muito Bom
    O cômputo geral foi muito bom, com um personagem bem desenvolvido (Valdomiro), surpresas, gírias de cadeia, etc. Com uma revisão cuidadosa ficará ótimo.

    Boa sorte no desafio!

  4. ALINE CARVALHO
    17 de setembro de 2021

    Ambientação:Excelente ambientação, bastante criativo!

    Enredo:Trama muito bem estabelecida, com um final surpreendente!

    Escrita: Escrita muito boa, não encontrei erros. Leitura fluida.

    Considerações gerais: Este conto me prendeu do inicio ao fim, está entre os meus favoritos!

  5. Jorge Santos
    17 de setembro de 2021

    Ambientação

    Misto de policial e de monstros passado na cadeia.

    Enredo

    Fez lembrar o filme Entrevista com o vampiro, pela forma como está estruturado. O suspense é mantido até ao final, na mais perfeita forma hitchkoquiana… o final é especialmente perturbador.

    Escrita

    Simples e eficaz. Fluída, sem erros a assinalar.

    Considerações finais

    Nota 10, com entrada directa para a grande final. É um daqueles contos que os escritores novatos deviam ser obrigados a ler antes de concorrer a estes desafios.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Que isso, Jorge! Não sei se mereço tantas pompas, mas figurar o pódio ao seu lado, após esse comentário entusiasmado, foi o presente maior.

      Obrigado!

  6. maquiammateussilveira
    16 de setembro de 2021

    Ambientação: O conto é muito criativo ao usar um presídio como cenário para explorar o tema do Monstro e, logo, jogar com ambiguidades do termo.

    Enredo: O conto se mantém sempre concentrado na “questão do Monstro”. Assim, um clima de apreensão sustenta todo o texto, sempre apontando para a situação principal, que é a revelação do que realmente aconteceu nas mortes do presídio. Durante a leitura, achei que o conto desembocaria num sofrido final aberto, e que não se chegaria à conclusão nenhuma. Felizmente, isso não aconteceu. Gostei do final, mas o modo como o conto chega a esse final deixou um pouco a desejar. Talvez não seja um defeito de enredo (bem elaborado), mas da escrita um tanto confusa em alguns trechos.

    Escrita: A escolha de elaborar o conto praticamente todo a partir de um diálogo foi ousada, já que escrever diálogos é muito difícil, ainda mais se tratando de personagens fáceis de caricaturar. E aí acho um ponto negativo do texto, porque em vários momentos o diálogo não me convenceu, entre expressões coloquiais e certos vocábulos elaborados (eu entendo: criar diálogos é realmente MUITO difícil). Alguns trechos ficaram confusos, principalmente no início,pois vamos recebendo a imagem da tal conversa aos poucos, já que o texto começa direto no diálogo. Quem está comendo? Quem está pagando café? Quem está falando agora? Até entender quem é quem na mesa da conversa já se foi meio conto. Acredito que se a escrita do conto fosse mais limpa, mais fluida, mais direta, a revelação final se tornaria mais impactante.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Obrigado pelo comentário! De fato, escrever diálogos sempre é um desafio, e penei um bocado aqui para tentar deixar a coisa toda fluida e correr com a história. Infelizmente, não foi possível da maneira como gostaria e concordo que há várias pontas soltas e escolhas no lugar comum, como o entrevistador fazendo perguntas que apenas servem de escada para Valdomiro seguir com o enredo, etc.

      Felizmente, no outro conto, a história foi diferente.

      Grande abraço!

  7. Kelly Hatanaka
    7 de setembro de 2021

    Ambientação:
    Bem feita, mostra bem o clima da história.

    Enredo:
    Interessante. Durante o tempo todo, somos convidados a conhecer esse monstro que vive no presídio e a imaginar como ele teria surgido. Mas o último parágrfo muda tudo. Teria sido tudo invenção de Bet/Valdomiro que, após a morte de Catiaba deu vida ao monstro?

    Escrita:
    Excelente, muito correta e conduz bem a história.

    Considerações gerais:
    Gostei da história, mas me senti meio traída no último parágrafo. Foi como um plot twist às avessas, porque a história que se construiu antes estava mais interessante do que a nova ideia. De qualquer forma, é um ótimo texto. Parabéns.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Valeu Kelly! Pois é, o monstro pode ser real ou não, optei por não responder: há a história contada por Valdomiro/Bet, que parece surreal e conspiratório, ao mesmo tempo que Jefferson tem acesso ao laudo do legista que avaliou a morte de Osmar, com decepamentos e mordidas.

      Sobre o final, pois é, me veio de última hora. Queria dar mais vida para Bet, essa autora oculta, e porque não na figura de Valdomiro, que viveu um grande amor mesmo em tempos de terror?

      Ficou assim, foi o que foi.

      Abração!

  8. Nelson Freiria
    5 de setembro de 2021

    Ambientação: baseado nos diálogos, a ambientação não fica presa ao ambiente em que se passa, mas no que já se passou na cadeia em 74. Não vou dizer que, só pq Valdomiro tem um jeito informal de falar, trouxe uma grande realidade pro conto, mas que ajudou a compor certas imagens na ambientação, sim. Porém, o conto encosta a pontinha da unha do mindinho esquerdo no tema do desafio, pois não há realmente um elemento fantástico. Não fosse pela questão da história contada abordar uma entidade sobrenatural, seria complicado avaliar o conto.

    Escrita: boa. As vezes em contos baseados exclusivamente (ou quase exclusivamente) em diálogos, nem sempre temos uma dimensão desse elemento. Para mim o resultado foi bem satisfatório.

    Enredo: o mistério da chacina de 74, a entidade sobrenatural decepadora de pênis, o tom de causo, a progressão da história com desfecho redondinho, etc. contribuiu para um enredo bacana.

    Considerações gerais: os personagens me pareceram bem eficientes em suas funções dentro do conto, acho que catiaba concentra um tanto da atenção com suas histórias e os folhetinhos eróticos dentro do contexto descrito trazem um elemento bem marcante para a memória do leitor

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Ah poxa, Nelson, felizmente o elemento fantástico me livrou de outra nota baixa, coisa que aconteceu no conto Um de Nós. Enfim, são águas passadas e o conto está aí, desta maneira mesmo. Optei por inserir o elemento monstruoso dessas duas maneiras mesmo: sobrenatural e metafórica.

      Faz parte!

      Grande abraço!

  9. Priscila Pereira
    1 de setembro de 2021

    Olá, Bet!

    Ambientação: muito boa! Parecia que eu estava assistindo um filme de presídio. O clima de mistério e investigação foi muito bem executado.

    Enredo: apesar de simples, muito eficiente. Dentro dos temas, tanto do desafio quanto do EM (lembrando que não vou tirar nota dos que estiverem fora do tema do EM).

    Escrita: muito boa, direta, dá pra perceber que o autor já tem bastante bagagem e sabe muito bem manter os leitores interessados.

    Considerações gerais: gostei bastante do conto, os personagens são muito bons e bem aprofundados. Não sei se entendi bem, mas parece que Valdomiro, além de ser o autor das histórias, era também o monstro, de qualquer forma, achei bem legal o final, ele sendo ou não o monstro. ( No caso, não um monstro de verdade, mas a pessoa que matava os outros pra escrever as histórias)

    Parabéns!
    Boa sorte!
    Até mais!

  10. Ana Maria Monteiro
    29 de agosto de 2021

    Olá, Bet

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento, mas começando pelas considerações gerais: Constato que, estes contos de grande reviravolta final, têm alguns óbices, nem sempre muito evidentes mas, após a leitura de muitos, já vi que quando não funcionam é por algum/s de meia dúzia de motivos como o serem longos, previsíveis, dececionantes, por vezes tem-se mais uma vez a sensação de se estar a ler de novo um conto que já se leu de trinta maneiras diferentes mas que acabam todas da mesma maneira; enfim, este é um bom exemplo disso, pois é bastante previsível e dececionante e também longo demais para aquele final que poderia ter sido puxado mil palavras acima.

    Ambientação: A ambientação está feita em volta dos dois protagonistas e teria estado melhor ao serviço de dar destaque ao próprio presídio.

    Enredo: E enredo vai bem e vai mal. Vai bem? Vai. Podia ir melhor? Sim. Este conto pedia para ser narrado em primeira pessoa pelo entrevistador e Valdomiro seria apenas alguém que ele referia como origem das primeiras informações. Até diálogos, a haver, ficariam melhor na memória do jornalista. Quando disse que vai mal, fui eu a ir mal, pois o significado é que poderia ir melhor. Até o final, que critico acima, viria melhor se fosse desvendado como tendo sido o que o jornalista usou para terminar o seu artigo para o jornal.

    Escrita: Sobre a escrita, está Ok.

    Parabéns e boa sorte no desafio

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Obrigado pelo comentário, Ana!

      Felizmente consegui te atingir positivamente com o outro conto. Faz parte!

      Agora, fiquei instigado a reescrever essa história do ponto de vista do jornalista, apenas, em primeira pessoa, mas, como coloquei no grupo do facebook, vi nos diálogos um jeito mais fácil e até preguiçoso (confesso) de responder para o leitor as perguntas que propus com o conto.

      Grande abraço e tudo de bom!

      • Ana Maria Monteiro
        20 de setembro de 2021

        Pois foi, Thiago. Este conto deve ter feito parte da primeira lista que recebi e nessa altura nem me recordava das coautorias, mas agora, ao ler o seu comentário, reler o meu e dar uma rápida releitura sobre o conto, noto que a coautoria era tão óbvia, que o meu próprio comentário vai sempre nos dois sentidos, aponto sempre que é bom e mau, que vai por aqui e por ali, ou seja, o meu cérebro estava a detetar duas emissoras de informaçãoe a compilar um resposta síncrona.

        Em todo caso, mantenho (e não sei se estou a ir mais para o lado de um dos autores do que de outro) a minha opinião quanto ás alternativas que me pareceram que, a final, iriam resultar melhor. E como você diz que ficou instigado a escrever do ponto de vista que lhe apontei, por que não?

        Agora fiquei eu instigada a ler essa sua versão, vai ter, pelo menos, uma leitora muito atenta e satisfeita. Escreva, sim – e se o fizer, mande-me ou diga-me onde posso encontrar e vou lá ler com muito interesse.

  11. Victor O. de Faria
    28 de agosto de 2021

    Ambientação: Outro texto bastante curioso. Tem um clima de causo muito bom e uma linguagem simples, mas adequada.
    Enredo: Bem, temos um monstro, um meio-detetive e um jornal. O suspense funciona, apesar de, às vezes, a troca de diálogos não ficar muito clara. A ambientação de “bar” convence e prende a atenção. Contudo, a parte final tem alguns probleminhas. A troca de tempo verbal não foi boa. Quebra muito o ritmo. O final, propriamente dito, surpreende e compensa, mas a parte “futura”, antes da conclusão, atrapalhou bastante. Poderia ter sido adicionada apenas como um epílogo ou lembrança, depois de tudo.
    Escrita: Acho que o texto deveria começar com uma pequena descrição, pois foi difícil me situar, tantos nos diálogos, quanto no “mundo” criado. Depois que o texto engrena, o leitor entende, mas leva tempo.
    Considerações gerais: É um texto simples, mas que prende a atenção. O suspense é muito bom e, apesar das falhas, tem muitos méritos.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Obrigado, Victor!

      Cara, pois é, em outro conto meu você também sentiu falta dessa orientação nos diálogos. Confesso que evito e não gosto muito, prefiro envolver aos poucos o leitor na trama e situá-lo com calma no ambiente. Poderia ter pegado mais leve aqui, confesso, porém, dentro do prazo, foi o que deu para fazer.

      Sobre o final, pois é, também acho aquele parágrafo sobre o futuro um pouco apressado e inchado, mas queria fechar o conto com Valdomiro brindando seu amante falecido no presídio e acho que um epílogo mataria a poesia desse momento.

      Grande abraço!

  12. Angelo Rodrigues
    27 de agosto de 2021

    14 – Cela 73

    Ambientação:

    Boa. Simples como manda a narrativa. O bar onde há a entrevista. As celas de uma penitenciária.

    Enredo:

    Um jornalista entrevista um detento que cumpriu pena em uma penitenciária onde crimes aconteceram. O texto se vai revelando até o momento final, onde o narrador-ex-prisioneiro se revela.

    Escrita:

    Adequada ao estilo desenvolvido pelo autor, com poucas necessidades corretivas.

    Considerações Gerais:

    Conto interessante. Provavelmente tem como fonte de revelação o Massacre do Carandiru, mas não dá certeza disso. Um misto de conto-reportagem com texto de pavores revelados.
    Embora o certame tenha amplo espectro, fiquei sem conseguir enquadrá-lo adequadamente. Teria um viés policial, Monstros ou Realidade Alternativa? Talvez Monstros, mas algo no texto me pareceu, já por experiência de leitura jornalística, tão corrente que… não sei se não é realmente algo já quotidiano em nossas prisões.
    Mas isso pouco importa.
    Parabéns pelo conto.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Grande Ângelo, obrigado pelo comentário. Como coloquei no grupo do facebook, o massacre do Carandiru foi, com certeza, uma das inspirações, mas queria situar o texto no período da Ditadura Militar e, como o desafio permitia, inventei esse outro Brasil de datas e nomes, mas com muitas semelhanças ao nosso no que diz respeito à massacres e desrespeito aos Direitos Humanos.

      Quando escrevi o texto, o fiz pensando em se enquadrar na temática Monstros, mas dei aquela trapaceadinha para contar a história do meu jeito, já que não tenho muita familiaridade com o gênero. Como você, me considero mais telúrico quando o assunto é leitura e escrita.

      Realmente, a ideia era fazer um paralelo com a monstruosidade da violência em nosso país, não à toa, fiz questão de apontar, na boca de Valdomiro: “Um monstro muito mais letal havia passado pelo presídio: o Anjo da Morte.”

      Grande abraço! Foi um prazer dividir o certame contigo e ser agraciado por dois belíssimos contos de sua autoria. Lembrando que só não foram dois dez por que avaliei conjuntamente.

  13. simone lopes mattos
    27 de agosto de 2021

    Olá, Bet
    Ambientação: Início intrigante já dá o tom da narrativa. Muito interessante iniciar no diálogo e levantando suspeita grave. Trazendo falas sobre acontecimentos não desvendados, talvez sobrenaturais. Eu acho que o diálogo merece mais definição de quem fala. Fiquei um pouco confusa. Acho que a história, tão interessante e assustadora, perde um pouco o envolvimento do leitor por ser narrada nas falas. As cenas estão contidas no diálogo, isso faz perder tensão e suspense. Sabemos que tudo já passou. A surpresa do final é um bom desfecho, mas confesso que eu esperava um crime, algo mais assustador.
    Enredo: a entrevista flui com naturalidade. Os personagens são convincentes. O número 73 se repetindo na comanda, no ano dos acontecimentos, na cela conseguem intrigar o leitor. Por isso eu achei que teríamos uma virada da história ali na lanchonete.
    Escrita: gostei das falas. Elas carregam a linguagem do personagem, principalmente do entrevistado.
    Considerações gerais: Então nos parágrafos finais entendemos o quebra-cabeças (creio que entendi), Catiaba e Valdomiro eram amantes. Valdomiro era Bet. Valdomiro sustenta a ficção do monstro e as incertezas do entrevistador.

  14. opedropaulo
    25 de agosto de 2021

    Conto fantástico! Parabenizo por ter passado a história toda por através do diálogo dos personagens sem em nenhum momento perder a fluidez. Manteve-se fidedigno à oralidade que foi apresentada em cada um e levou a narração num ritmo apropriado ao de uma conversa. A história é interessante e o mistério é cuidadosamente construído, reforçado pela ambientação da cadeia, devidamente retratada em suas vicissitudes e, sem se utilizar mal de clichês, em seus pontos comuns. Fui pego de surpresa pela reviravolta final e também aclamo a maneira como foi retratada, em uma alternância ágil entre as dúvidas de Jefferson e Bet. Tematicamente, o conto atende perfeitamente ao proposto no certame e, ainda por cima, trabalha bem o suspense e o horror que é pedido pelo grupo. Apesar disso, pode não se posicionar entre os primeiros se aparecerem contos igualmente bem escritos e estruturados que se aprofundem mais nos gêneros propostos.

    Ótima leitura.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Mas esse conto não é sua autoria, Pedro?

      Brincadeiras à parte, obrigado pelo comentário generoso, mesmo que esteja fora do desafio. Usar você de bode expiatório para os meus próprios contos já está se tornando uma alternativa furada: fiz isso em Hereditário e em Cela 73.

      Agora vou ter que achar outro escritor que tenha semelhanças, se não de estilo, na forma de abordar temas históricos.

      Grande abraço!

  15. Bruno Tavares
    23 de agosto de 2021

    Ambientação: O cenário criado, passa bem toda a angústia e tensão dos presos, com as chacinas e os ataques do suposto ‘mosntro’. O clima é forte e as histórias apimentam a imaginação, talvez, algo que foi criado para aliviar a realidade. Da mesma forma, que as revistinhas de sacanagem também eram utilizadas. Um cenário bem real e assustador, tanto do lado fantasmagórico quanto no real.

    Enredo: O enredo se dá de forma muito interessante, através da entrevista realizada ao protagonista, que conta o dia a dia como prisioneiro e relata os ocorridos; achei muito interessante a forma simples como ela acontece, sendo ali no barzinho, o que nos trás um tom de real, misturado aos horrores relatados. O único ponto negativo, talvez, foi a gordura em alguns pontos; algumas partes eu não acho tão necessárias. Ainda assim, um conto sensacional.

    Escrita: Não percebi erros.

    Considerações Gerais: Achei um conto sensacional. O final é surpreendente com o protagonista se revelando ser Bet. Por fim, descobrimos que o monstro era na realidade, a forma como eles viviam, e isso tinha alívio na histórias que criavam. Um conto sensacional e parabenizo o autor!

  16. Felipe Lomar
    23 de agosto de 2021

    Ambientação: um típico texto policial. Foca e descreve bem as relações de poder na cadeia e a história política na ditadura. Um prato cheio pra um arquivo morto mal resolvido explorado por um jornalista buscando reconhecimento
    Enredo: o mistério se desenvolve de uma maneira bem trabalhada mas um pouco repetitiva. Mas demonstra bem a repetitividade da vida na prisão o final É inesperado e crível, surpreende o leitor.
    Escrita: bem trabalhada e revisada. Os palavrões nos diálogos, por mais que tenham gerado reclamação, dão personalidade ao personagem
    Considerações finais: um bom texto, foi uma leitura instigante e agradável. Um dos meus favoritos até aqui.

  17. Fabio D'Oliveira
    21 de agosto de 2021

    Olá, Bet.

    Belo conto, hein.

    AMBIENTAÇÃO

    Fraco.

    O conto é desenvolvido através do relato de um ex-detento de Ubirajara Galhardo. Para manter a naturalidade dos diálogos, entendo que foi sacrificado o desenvolvimento da ambientação. O leitor é o encarregado de imaginar todo o ambiente.

    Naturalmente, isso não é um problema, em geral, mas para esse desafio, infelizmente, estou considerando que é.

    Como é um certame focado na Literatura Fantástica, esperamos um pouco mais de desenvolvimento do worldbuilding, por isso temos a categoria de Ambientação nos critérios de análise.

    ENREDO

    Muito bom.

    Bem desenvolvido, bem estruturado, não tenho reclamações quanto ao enredo e sua qualidade.

    Mas tem um problema: onde está a Literatura Fantástica? Do que entendi, Valdomiro usa da metáfora do monstro para contar sua história de vingança. É isso. Não tem realidades paralelas. Não tem monstro de verdade. Tem um toque misterioso, mas não num tom policial, que tem a dinâmica da caça, da investigação; o mistério se desnuda naturalmente, sem qualquer entrave. Onde estão os elementos de terror, FC ou fantasia?

    Isso é um problemão, para mim. Por quê? O desafio do EntreMundos foi criado em paralelo ao do EntreContos para dar espaço à Literatura Fantástica. É justo um conto que não se encaixa nos moldes do desafio ficar na frente ou até ganhar? Eu não acho…

    ESCRITA

    Excelente.

    A única coisa que me incomodou foi a troca do tempo verbal em algumas frases. Mas foi somente isso. Narrativa fluída, leitura natural. Tudo correu bem. Fico até triste em dar nota baixa para um conto tão bom quanto esse.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    É um conto muito bom, mas que não se encaixa no desafio por não ter elementos de Literatura Fantástica.

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Olha a gente batendo cabeça de novo, Fábio hahahaa. Sim, a ambientação se dá pelos diálogos, apenas, foi o recurso que optei por utilizar. Agora, sobre o conto se encaixar ou não no tema, depende da interpretação de cada um. O elemento monstruoso e fantástico, ao meu ver, está sim no conto, pois não há certeza se a criatura existiu de fato ou não, já que Jefferson observa no laudo do legista que Osmar foi capado e tinha marcas de mordida. Além disso, segundo o relato de Catiaba, o Monstro promovia verdadeiras chacinas, o que era improvável de ser realizado por apenas um detendo. Enfim, deixei isso no ar, a possibilidade dele existir ou não, e foquei mais no drama de Valdomiro e sobrenatural compondo as histórias escritas por Bet e narradas por Catiaba.

      Foi isso.

      Obrigado pelo comentário e até a próxima!

  18. Felipe Melo
    18 de agosto de 2021

    Ambientação: A ambientação é boa, e passa certo suspense, principalmente por se tratar de uma prisão. Alguns detalhes sobre o lugar, contudo, ajudariam mais na visualização.

    Enredo: O enredo é interessante, porém, o formato de diálogo não ajuda na compreensão, enredo ou ambientação. Além disso, uma parte substancial dos diálogos nada tem de relevante.

    Escrita: Já a parte da escrita se beneficia dos diálogos, principalmente o ritmo da leitura. O texto é fluido e de agradável leitura, a partir dessa perspectiva.

    Considerações gerais: A ideia por trás do texto é boa e tem potencial para engajar o leitor. Contudo, eu trocaria uma parte dos diálogos por mais descrições de cena.

  19. skate4life107
    17 de agosto de 2021

    Ambientação: Universo rico e bem elaborado, com personagens convincentes e detentores de características inerentes a cada um, em seu papel na história. Toque simples, porém maravilhosamente bem trabalhado de realismo, nas atitudes e diálogo, durante a entrevista.

    Enredo: A narrativa em primeira pessoa é bem convincente, me dando a sensação de coisas que realmente ocorreram. Línguajar informal por parte dos personagens, trazendo realismo. Pontos positivos, eu destaco o bom desenrolar dos fatos, através da entrevista realizada por Jefferson à Valdomiro, com cenas misteriosas, que aguçam nossa curiosidade. Aspecto negativo, eu diria o excesso de cenas, que muitas vezes, não esclareceram, nem trouxeram nada novo. Ainda que tudo seja revelado no final, poderia ser mais enxugado, mas ainda sim uma boa narrativa e texto.

    Escrita: Não percebi nada grave.

    Considerações gerais: Uma história instigante, que mistura o real com o assombrado, a monstruosidade da vida no presídio com a figura de um monstro, carniceiro. Uma bela história de suspense com pitadas de horror gore. Um final surpreendente e muito engenhoso com Valdomiro se revelando Bet. Poderia ter enxugado e abreviado alguns trechos, mas mesmo assim, considero um excelente conto! Parabéns ao autor! Top demais!

  20. Anderson Prado
    15 de agosto de 2021

    Ambientação: Mediana. O texto é bastante dialogado, então o que se depreende da ambientação exsurge dos próprios diálogos.

    Enredo: Mediano. Gostei da primeira parte, mas, a partir da segunda parte, fui desgostando, até chegar no desfecho, que contém uma tentativa de plot twist que me pareceu forçada.

    Escrita: Boa. O texto é claro, objetivo, limpo, com linguagem bastante contemporânea. Pouquíssimos erros de revisão (que podem até ser erros de leitura meus).

    Considerações gerais: No geral, gostei da leitura, embora o conto não esteja entre meus favoritos. Não identifiquei muito bem a literatura de gênero (terror, talvez? alguma fantasia terrificante? fica a dúvida).

    • thiagocastrosouza
      20 de setembro de 2021

      Seu cara de mamão! Nem em parceria conseguiu fazer um texto que ficasse em terceiro lugar no desafio… Você, seu parceiro e aquele texto xumbrega sobre o diabo podem ir às favas!

      Opa…

      O parceiro era eu 😦

  21. Antonio Stegues Batista
    12 de agosto de 2021

    Cela 73

    Ambientação- Conversa à mesa de um bar, clara e concisa.

    Enredo- Bom, embora sem grandes novidades.

    Escrita- Gostei dos diálogos e descrições entre as conversas, necessárias para uma boa narrativa.

    Considerações Gerais.= Gostei do conto, apesar de já ter lido e visto, no cinema, histórias onde o repórter, ou o psiquiatra, entrevista o criminoso, seja para escrever uma matéria de jornal, seja para definir um perfil psicológico do entrevistado, seja ele criminoso, suspeito ou simples testemunha ocular. Mas é um conto bem narrado, bem amarrado e dentro do tema, pois fala em monstro, que no final é revelado. Só ficou um incomodo o ano 73 e cela 73.

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Informação

Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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