EntreContos

Detox Literário.

Um javali por dia (Victor O. de Faria)

“Haviam um mundo em que um javali gigante habitava densas florestas de pinheiros e sequoias”.

— De que tamanho era o javali, papai? – Indagou a menina curiosa.

— Bem, digamos que do tamanho de uma montanha. – Exagerou.

— Grandão! Então, ninguém podia segurar ele? – Sua filha era bastante esperta.

— Não.

— Podia ter um coelho gigante também… Robô. – Disse a filha, coçando o braço com soro.

Nina tinha uma doença congênita difícil de tratar. Permanecer no hospital por cinco dias do mês exigia de seu pai muita criatividade e paciência. Sem a mãe por perto, Gabriel era seu único refúgio.

— Muito bem… – Disse ele, refazendo a introdução.

“Haviam um mundo em que um javali gigante habitava densas florestas de pinheiros e sequoias. Dia após dia pisoteava a mata nativa em busca de alimento e arrasava o que estivesse no caminho, incluindo outros animais. Sabendo disso, o bando de coelhos se reuniu e exigiu uma solução ao seu líder. A resposta viria por meio da tecnologia antiga, enterrada há séculos nas profundezas do solo fértil”.

— Qual é o nome do líder coelho? – Indagou ela.

— Hum… Sansão. – Respondeu ele.

— Não! Muito comum. Que tal “Perninha”? – Seu pai riu.

“Então… Perninha… Trabalhou no projeto em segredo durante muitas luas. Até que, certo dia, quando o javali se aproximou de Coelhópolis, algo o impediu. A mão de um coelho-robô-gigante segurou o focinho alheio”.

— O javali tem nome? – Perguntou ela, tossindo.

— Que nome você quer dar? – Disse ele, ajeitando a coberta.

— Tem que ser nome de vilão. Que tal “Raivoso”?

“Raivoso não podia acreditar no que via. Só ele podia governar aquela terra de seres minúsculos. Lá embaixo, o povo aplaudia a invenção de seu líder. Perninha, o inventor, o destemido, enfrentava de igual para igual seu maior inimigo. Descontente, o javali bufou e desferiu uma investida violenta no corpo metálico. O coelho-robô-gigante resistiu”.

“Só que o inimigo possuía uma carta na manga. Raivoso sorriu ao se desmanchar em pequenos javalis. Já não era gigante, mas continha a mesma força distribuída pela alcateia. Perninha desligou a máquina e desceu rapidamente pela escada traseira. Precisava avisar o bando”.

Naquele instante, a enfermeira entrou.

— Desculpe atrapalhar, mas ela precisa tomar a injeção agora. – Disse ela.

— Eu preciso mesmo, papai?

— Filha… Lembra da história? Seu corpo está sendo atacado por minúsculos javalizinhos. Eles arrasam o que está no caminho e te deixam doente. A injeção vai colocar pequeninos coelhos-robôs dentro do seu corpo, que vão ajudar a combatê-los. Desse tamanhinho. – Tentou acalmá-la.

Um pouco contrariada, Nina aceitou que mexessem em seu braço – aquilo a faria dormir por horas – mas não sem antes perguntar qual era o final da história.

— E como os coelhos ganharam? – Indagou, segurando o choro.

Seu pai pensou bem no que ia dizer, respirou fundo e afagou sua testa.

— Contendo um javali por dia, filha… – Encerrou.

Ela adormeceu. E ao ver o laudo com a melhora dos sintomas, comparou-o com as folhas de cobrança do hospital, que já se acumulavam sobre a mesa.

“Um javali por dia”, repetiu mentalmente.

33 comentários em “Um javali por dia (Victor O. de Faria)

  1. Regina Ruth Rincon Caires
    24 de julho de 2021

    Um javali por dia (Bob)

    Outro texto que, depois de lido, vem aquele desconforto danado bulir com o sossego. Todo conto que aborda doença de criança é impactante.

    Interessante o paralelo “lúdico”, traçado pelo pai, para que a criança absorvesse a realidade tão crua. O autor mostra a capacidade de criação, texto muito inteligente.

    È, Senhor Bob, a vida precisa ser enfrentada assim: “um javali por dia”…

    Narrativa bem construída, linguagem clara e fluente.

    Parabéns, Bob!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  2. Anderson Prado
    24 de julho de 2021

    Pai tenta compor uma história enquanto acompanha sua filha morrer.

    Há méritos… Ainda assim, não consegui, propriamente, gostar. Primeiramente, porque é bem difícil nutrir simpatias por um texto que começa, salvo engano, com um erro de conjugação na primeira palavra do primeiro parágrafo. Superado este ponto (sobre o qual posso, dados meus poucos conhecimentos da matéria, estar errado), o enredo me soou emocionalmente apelativo, sentimental, piegas.

    • Victor O. de Faria
      25 de julho de 2021

      Anderson, meu amigo, quase sósia nas fotos. Você não leu direito esse trecho: “Ela adormeceu. E ao ver o laudo com a melhora dos sintomas…” Melhora dos sintomas. Inclusive a figura desenhada é algo que aconteceu depois da melhora dos sintomas, o que ninguém entendeu. Valeu pelo comentário! (E o erro inicial foi erro mesmo).

  3. Dayanne Lima
    24 de julho de 2021

    Tocante a relação do pai e da filha, a imaginação como arma para enfrentar as dificuldades. Me fez lembrar de “A Vida é Bela” pela temática e lirismo. Parabéns e boa sorte!

  4. Priscila Pereira
    24 de julho de 2021

    Olá, Bob!
    Muito criativo seu mini! Gostei!
    Um pai que faz de tudo pra amenizar o sofrimento da filha e ainda tem que se preocupar com como vai pagar a conta do hospital é muito triste, mas deve ser mais comum do que imagino…
    A história do javali ficou bem legal! Vc devia escrever um livro infantil!
    Parabéns!
    Boa sorte! Até mais!

  5. Fernanda Caleffi Barbetta
    22 de julho de 2021

    Olá, Bob, seu texto é bonito, usa do sentimentalismo para atrair a simpatia do leitor. Gostei do final e da máxima de se conter um javali por dia.

    Haviam um mundo – havia um mundo

    Cuidado com a estrutura dos diálogos. O verbo dicendi é escrito em caixa-baixa. Exemplos:
    — De que tamanho era o javali, papai? – Indagou (indagou) a menina (vírgula) curiosa.
    — Podia ter um coelho gigante também… Robô. – Disse (disse) a filha

    Nem todos os diálogos precisam de um verbo dicendi e da indicação de quem falou. Nestes casos, por exemplo:
    — Qual é o nome do líder coelho? – Indagou ela.
    — Hum… Sansão. – Respondeu ele.
    — Desculpe atrapalhar, mas ela precisa tomar a injeção agora. – Disse ela.

    Algumas frases do livro que o pai lê não parecem bem colocadas em um livro para a idade da menina. São frases confusas. O livro infantil precisa ser mais claro. Exemplos:
    “A resposta viria por meio da tecnologia antiga, enterrada há séculos nas profundezas do solo fértil”
    “A mão de um coelho-robô-gigante segurou o focinho alheio”

    Já neste final, quando você deveria ter deixado claro quem falou, faltou esta informação:
    “Ela adormeceu. E ao ver o laudo (quem?) com a melhora dos sintomas, comparou-o com as folhas de cobrança do hospital, que já se acumulavam sobre a mesa. – achei confusa esta frase.

    Parabéns.

  6. Kelly Hatanaka
    21 de julho de 2021

    Oi Bob,

    gostei muito desse pai, que derrota um javali por dia por sua filha. Muito boa essa ideia de usar a história contada pelo pai como metáfora tanto da doença quando das finanças.

    Narrativa limpa, correta e envolvente.

    Parabéns!

  7. Catarina Cunha
    21 de julho de 2021

    MINI – A técnica é simples e de fácil entendimento. Esse “haviam um mundo” ficou esquisitão.

    CONTO – Drama com criança mexe até com coração de estátua, mas acho que aqui poderia ser mais explorado o tema.

    DESTAQUE – “— Podia ter um coelho gigante também… Robô.” Criança sempre tem ideias geniais para dar uma guinada nas histórias. Boa sacada.

  8. claudiaangst
    21 de julho de 2021

    Narrativa que aborda o difícil momento de um pai tendo que lidar com a filhinha no leito de um hospital. Ele precisa criar histórias que a façam entrar na fantasia e aceitar a medicação tão necessária para a sua cura. E entre javalis e coelhos robôs, Gabriel se sai bem, convencendo a menina. Entre o laudo de melhora e as contas, ele mesmo tinha de vencer um javali por dia.
    O conto é bem construído, explorando o lado lúdico e sensível de um quadro tão doloroso.
    Só estranhei o HAVIAM no lugar de HAVIA, enfim a história era do pai, ele é quem sabe.
    Parabéns!

  9. Andre Brizola
    20 de julho de 2021

    Olá, Bob!

    Contos que abordam doenças em crianças costumeiramente não me atraem. Não sei especificar muito bem o motivo, mas costumo sempre achar tudo muito apelativo, muito óbvio ao tentar atingir o emocional do leitor. Fiquei feliz de ver que não foi o que aconteceu aqui.

    Seu conto é muito bem construído e a relação entre pai e filha é o grande ponto chave. As interações entre os dois ficaram muito bem equalizadas, e os diálogos conseguiram fugir do normal ao serem temperados com as narrações da história do javali e dos coelhos.

    Meu único senão aqui é com as narrações em terceira pessoa. Elas não causam impacto no enredo, e servem basicamente para adicionar informações, ou introduzir novos personagens. Achei que elas quebram um pouco o ritmo de leitura.

    Mas o conto é ótimo e merece ter chegado nesta segunda fase do desafio. Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

  10. Fabiano Sorbara
    18 de julho de 2021

    Poxa, muito sensível e tocante seu conto.
    Quantas vezes estive na pele da menina. Sei bem o que é isso. Essa vida de paciente é assim mesmo, envolve toda a família, principalmente a mãe e o pai., que sofrem ao lado dos filhos, ao mesmo tempo que a esperança caminha ao lado.
    Como você afirmou ao final “Um javali por dia”.

  11. Amarelo Carmesim
    18 de julho de 2021

    Li o texto e fiquei procurando os malditos ninjas cortadores de cebolas. Gostei! Metáforas para adultos sobre a dor de cada dia e a forma de vencer, ou ao menos anestesiar um pouco, são sempre interessantes.

    A forma como o pai conta para a filha sobre o remédio que luta contra os inimigos e vai comparando ao tratamento é fantástica. Gostei também da forma como foram construídos os diálogos e a maneira como filha, pai e enfermeira tem formas diferentes de fala.

    Parabéns!

  12. RAQUEL ROSA CRUZ
    18 de julho de 2021

    Brilhante!!!
    Um tema emocionante, sem mais…
    Nota 10

  13. Natália Koren
    18 de julho de 2021

    Muito bom, caro autor!
    Achei o seu texto excelente e muito tocante. Impossível não se solidarizar com a menina doente e seu pai batalhador, claro. Mas a forma como você construiu a história, mesclando a história inventada com a realidade dos personagens de forma tão lúdica, realmente amarrou tudo de um jeito muito sensível. Parabéns!

  14. Jowilton Amaral da Costa
    18 de julho de 2021

    O conto narra um dia de um pai e uma filha, dentro de um hospital. O conto é bem triste. Crianças com doenças graves é muito triste. A narrativa é boa e nos passa a boa relação e um momento descontraído de pai e filha apesar da situação séria. No entanto, o impacto do conto em mim não foi forte, porque, na minha opinião, está muito linear, sem alguma reviravolta ou surpresa, ficou apenas o drama pelo drama. Boa sorte no desafio.

  15. Rafael Carvalho
    18 de julho de 2021

    Antes de mais nada parabéns pelo conto, pelos dois contos na verdade. Adorei a história do Javali invasor de Coelhópolis. Confesso que assim que foi mencionado a criança no hospital, previa um fim trágico, algo bem comum aos contos aqui no grupo e fiquei muito satisfeito com o desfecho diferente do que havia imaginado.

    O texto está super bem escrito, o diálogo foi interessante e divertido. Daria um ótimo curta metragem, alternando entre a história contada pelo pai em imagens de animação e os diálogos dentro do hospital. Algo similar com o que foi feito em “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”.

    Gostei muito da sensibilidade e tranquilidade passada pelo conto, mesmo tratando de um tema tão triste e tenso como é a doença de um filho.

    Tenho comentado de forma geral, que em mini contos sempre espero desfechos impactantes no final, com um ponto de virada ou algo do tipo, mas mesmo sem uma reviravolta ao fim, achei que o conto fechou da melhor forma que poderia fechar.

    Boa sorte no desafio, e obrigado por proporcionar esta leitura.

  16. Felipe Lomar
    17 de julho de 2021

    um conto bastante tocante e comovente. Você consegue, em poucas palavras, narrar o sofrimento e a resiliência de um pai ao var uma filha doente, tentando humanizar o sofrimento da criança contando uma história, tal como em “A Vida é Bela”. O final, assimilando a história com a realidade, é bastante tocante e emocionante.
    Boa sorte.

  17. Welington
    16 de julho de 2021

    Uma história triste, mas um exemplo perfeito de como as histórias nascem do material do mundo real. O homem contava uma história para a criança, mas no fundo também para si mesmo. É uma história de suportação e esperança, onde o clímax acontece quando a expressão do título ganha sentido para o leitor.

  18. Elisabeth Lorena
    16 de julho de 2021

    Olá, Bob.
    Seu conto tem trama bem amarrada, fortalecida pelas informações que são inseridas pouco a pouco. Até aqui: Parabéns!
    É um conto que chama para si a intertextualidade no que se refere ao senso comum, porém a história criada enriquece o ditado, uma vez que trabalha com uma realidade bem moderna: Doenças autoimunes, gastos hospitalares e pais solos,
    Embora a frase que fecha o conto já tenha sido usada antes na narrativa, ela ainda faz sentido ao final. Sucesso.

  19. mariasantino1
    13 de julho de 2021

    Olá!

    Como fórmula de avaliação utilizo os quesitos: G -gramática, F-forma e C-conteúdo, onde a nota é distribuída respectivamente em 4, 3 e 3, e ainda, há que se levar em conta minhas referências, gostos e conhecimentos adquiridos como variável para tanto (o que é sempre um puta risco para o avaliado. KKK). Já? Valeu!

    G=4. Nota máxima! Bem escrito, bem pontuado, claro, amarrado… Só não captei mesmo o lance do haviam. Pode ser que haja alguma explicação que me fugiu, mas, em todo caso, nota máxima.

    F= 3. Pois é, você não sabe brincar, né? Sacanagem. Vc fez uma metaficção onde os elementos se conectam, onde um ponto alinhava o outro como o lance de apresentar a espingarda e fazê-la dar o tiro no fim. Queria algumas informações a mais sobre a doença da menina, mas isso deve ser só chatice minha mesmo. Enfim. Bonito, bem conduzido.

    C=3. Temos sacrifícios, limites que suportamos, relações familiares… O pai tenta amenizar a dureza que a menina enfrenta, fazendo o mesmo consigo.
    Bom texto.

    Parabéns e boa sorte.

    Média final: 10

  20. Elisa Ribeiro
    13 de julho de 2021

    Olá autor. Como vai.

    Uma história bem urdida como a intenção de gerar emoções ternas nos leitores. Gostei da sua forma de conta-la, dos seus personagens, da historinha dentro da história, tudo se harmonizando perfeitamente para um efeito de enternecimento. Um ponto de atenção é a pontuação dos diálogos que merece ser revista. Gostei do fecho realista, com um sabor levemente amargo que você deu ao conto.

    Um bom trabalho. Parabéns pela participação.

  21. Ana Maria Monteiro
    13 de julho de 2021

    Olá, Bob.

    Começo com uma introdução comum a todos os participantes: primeiro li os dois conjuntos completos de contos, um por um e rapidamente, para colher uma primeira impressão geral e já mais ou menos gradativa e agora regresso a cada um deles e releio com mais calma, para comentar.

    Confesso: encontrei a mestria de um autor maduro, alguém que exatamente como se faz para levar o leitor embalado no encandear dos factos.

    Aquele “Haviam” inicial, despertou-me algumas reticências, mas logo pensei que se tratara de um lapso de digitação, mas o diabo da palavra torna a aparecer mais à frente e “haviam” é uma palavra gramaticalmente impossível naquele contexto, nem sequer é uma questão de regionalismo, não é aplicável. Mesmo rendida ao conto e ao talento do autor, continuo com aquilo atravessado, será que foi um erro de digitação, seguido de um copia e cola?
    Quanto ao conto, que dizer? Estava toda entusiasmada a ler a história do coelho-robot e do tão estimado javali, quando de repente: corta! Não era uma história, era uma metáfora para outra coisa.
    Depois foi essa tal coisa, receei que estivesse a caminhar em direção às lamechices do costume, tão politicamente corretas, como falar de criancinhas doentes e outros dramas que apelam à emoção fácil, mas enganei-me (felizmente!) e sim, aí o autor foi mestre e tiro-lhe o chapéu: foi para a criança doente, mas sem drama fácil e mostrou que a história que o pai contava era uma história de amor, uma história de esperança, uma história de resiliência e superação. Muito bom! E a frase final repetida em relação à doença da filha como aos problemas mais mundanos, é absolutamente fabulosa. 10! 10! 10!

    Ps: Continuo a querer saber o final da história do coelho-robot e do javali, mas em versão infantil mesmo.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  22. acapelli
    12 de julho de 2021

    Uma história simpática, bem urdida e contada com eficiência narrativa. Feita sob medida para conquistar corações. Notei alguns problemas de revisão e na pontuação e no uso de maiúsculas nos diálogos.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  23. Fabio D'Oliveira
    11 de julho de 2021

    Olá, Bob!

    Serei bem sucinto nesse desafio, avaliando com as impressões imediatas que tive do miniconto.

    BELEZA

    A luta de um pai por sua filha/filho é sempre bonita. Expressa amor. Não tem erro. Mesmo assim, é uma beleza que não impressiona, do tipo de uma modelo antiga, tornou-se tão comum que não encanta mais.

    IMPACTO

    A forma como a história inventada pelo pai serviu como uma metáfora perfeita para a luta contra a doença da filha pareceu tão artificial que me desconectei do conto. Pareceu algo rotineiro, quando, no final, soou como se fosse a primeira vez da filha por lá.

    ALMA

    Quando algo é feito para impressionar, para impactar, de forma tão apelativa, infelizmente, torna-se superficial. Não deixa de ser bonito. Não é ruim. Mas corre o risco de desagradar alguns tipos de leitores mais chatos, como eu. Gostei da alusão ao javali, o mascote da EC.

  24. Luciana Merley
    9 de julho de 2021

    Um javali por dia

    Estou encantada, de verdade. Pensando no seu texto, na delicadeza e força dessa mensagem.

    Coesão – Aponto o improviso de um pai desesperado para amenizar a dor de sua filha como o cerne do seu conto. A sua construção foi tão eficiente que, o que parecia trazer desconexão ao enredo, a história quase sem pé nem cabeça, inventada na hora, sob a constante interferência da filha, é exatamente o grande diferencial da história. O título, com esse animal tão conhecido nosso aqui do EC, revelou-se nada a ver com o site e fundamental para a liga e para a catarse do enredo. Diálogos naturais e personagens que nos fazem querer tê-los no colo.

    Impacto – Gostei demais da conta. Leve na superfície, mas com mensagens profundíssimas no subtexto. Emocionante mesmo, sem ser pedante ou dramático, de modo algum. Me vi muitas vezes, não na situação da enfermidade, mas no aperto para inventar histórias de supetão.

    Obs: Essa palavra “haviam” no início está errada propositalmente? Porque se for assim, sugiro reparar. Ela atrapalha a leitura, toma a energia do texto, como um cisco no olho (rsrs).

    Parabéns.

  25. gisellefiorinibohn
    9 de julho de 2021

    Olá, Bob

    Conto muito bonitinho. Entrega o que promete desde o início e, ao final, deixa um sentimento agridoce, de esperança apesar da tristeza. Gostei.

    Na parte técnica, o erro logo na primeira palavra – e mais à frente de novo, indicando não ser um mero erro de digitação – assustou, mas não vi muitos problemas depois. O que me incomodou um pouco – mas destaco que isso é um ranço meu – são essas marcações nos diálogos. Sinto que isso trava a fluidez da leitura. Por exemplo, nos trechos abaixo:

    — De que tamanho era o javali, papai? – Indagou a menina curiosa.

    — Bem, digamos que do tamanho de uma montanha. – Exagerou.

    Naquele instante, a enfermeira entrou.

    — Desculpe atrapalhar, mas ela precisa tomar a injeção agora. – Disse ela.

    — Eu preciso mesmo, papai?

    — Filha… Lembra da história? Seu corpo está sendo atacado por minúsculos javalizinhos. Eles arrasam o que está no caminho e te deixam doente. A injeção vai colocar pequeninos coelhos-robôs dentro do seu corpo, que vão ajudar a combatê-los. Desse tamanhinho. – Tentou acalmá-la.

    Todas essas marcações (“indagou”, “exagerou”, “disse ela”, “tentou acalmá-la”) me soam totalmente desnecessárias. A própria narrativa se encarrega de deixar claro essas deixas. Mas, repito, isso é uma birra minha. Se não fizer sentido pra você, não está mais aqui quem falou. 🙂

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  26. alicemariazocchio
    8 de julho de 2021

    Gostei muito da forma delicada com que foi tratado o tema da criança com doença grave e a internação hospitalar. A história criada pelo pai é criativa e acaba se tornando didática depois da difícil pergunta da filha. A ideia de “um javali por dia” é muito boa e ficou bem adequada como título.
    Na construção do texto, entendo como dispensável dizer que a menina sofre de uma doença congênita. A própria situação no quarto do hospital já é capaz de mostrar uma doença difícil de tratar. Faltou algum cuidado com a revisão. Aquele “ Haviam um mundo” logo de cara incomoda bastante. Vi também alguns verbos dicendi ( disse, indagou…) desnecessários. Desconfio também que o coletivo de javalis não é matilha. Um pouco mais de cuidado e atenção e o conto pode virar um lindo livro ilustrado.

  27. simone lopes mattos
    8 de julho de 2021

    Eu achei interessante entrar na conversa dos dois e só depois saber que a menininha estava no hospital (coçando o braço com soro). A conversa segue animada – o pai está conseguindo seu objetivo de distrair a filha. Ela participa. Boa construção do diálogo. Há um equívoco de digitação para corrigir depois.
    A relação criada pelo pai entre a história paralela e a injeção foi muito boa.
    E a relação da história paralela com a realidade dos nossos desafios diários.
    Leva o leitor ao lugar do pai. Que lugar de luta!

  28. Angelo Rodrigues
    8 de julho de 2021

    12 – Um Javali por dia (Bob)

    Um conto legal, bem escrito e rápido.
    De alguma forma, assemelha-se ao conceito de contos morais, fabulares.
    Incomodou-me um pouco quando, de forma subliminar, o foco do discurso se transfere da filha para o pai, com seus possíveis boletos. Isso, também de alguma forma, transferiu ao conto uma certa “modernidade”, pondo-me a pensar se oportuna ou não. É certo que cada um tem de derrubar um javali por dia, mas talvez não na mesma história, particularmente quando ela nasce moral e termina financeira.
    Mas é só uma opinião. Baseio-me sempre no que procuro entender ser o objetivo do autor, o que ele nos deseja passar, e, no caso, a história se abriu numa espécie de Y gigante, como o javali do conto, tornando-se, até certo ponto, diverso, sem foco determinado.
    Boa sorte no Desafio.

  29. antoniosbatista
    7 de julho de 2021

    Apesar dos pequenos erros, gostei do conto, do tom sentimental. Cativa o leitor, sem dúvida. Os diálogos são perfeitos, a narração é boa. A alusão aos javalis, ficou interessante. Ambientação e tudo mais, estão/ são corretas. É uma história crível e não tenho muito que falar, apenas considerar/reafirmar que é um bom conto.

  30. Emanuel Maurin
    7 de julho de 2021

    Olá, Bob.

    Resumo: O pai vendo a filha no hospital internada, contou uma história sobre alguns animas para anima-la.

    Parecer: O conto é bem estruturado, tem uma pegada de conto de fadas com drama contemporâneo. Tem alguns errinhos gramaticais. Achei a narrativa fluida.

  31. thiagocastrosouza
    5 de julho de 2021

    Poxa, Bob! Um javali por dia!

    Achei o conto bastante sensível e, a forma como o pai conta a história para a filha, enternecedora. Apesar da narrativa do pai ser aquela coisa de adultos tentando criar histórias para os filhos, com alguma dificuldade e pouca inventividade, a analogia final revela preparo no enredo. Achei, contudo, que há alguns excessos que, se limados, poderiam ter deixado o conto melhor. O sinal de interrogação, já deixa claro que um personagem está fazendo uma pergunta, assim como na sequência, entendemos que o interlocutor está respondendo. O fato de você repetir, mais de uma vez, que a filha “indagou curiosa”, “indagou”, ou faz afirmações após cada fala, como “sua filha era bastante esperta”, “respondeu”, “Disse ela” subestima o leitor e tira a sutileza do texto. Boa parte dessas impressões estão presentes no diálogo, eles se bastam e você os escreve muito bem. Talvez, o único momento que caiba esse tipo de acréscimo é “Disse a filha, coçando o braço com soro.”, pois o trecho traz uma informação importante para a trama. Tivesse posto, “coçou o braço com o soro”, estaria resolvido o problema.

    Como disse, não fosse o excelente final e a construção do enredo, o conto ficaria bastante prejudicado, mas você deu uma bela volta por cima e eu adorei o desfecho.

    Grande abraço!

  32. Eduardo Fernandes
    5 de julho de 2021

    Erros gramaticais são um problema.
    Todo mundo sofre com eles, mas na primeira palavra do primeiro parágrafo é foda. CUIDADO!!!!
    Usa a extensão languageTools que este tipo de gralha é logo detectado.

    Não posso dizer que gostei da estória.
    Não é que esteja mal escrita, apenas achei meio cliché.

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