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Detox Literário.

Marcas de expressão (Giovani Roehrs Gelati)

Apareceu a notificação no celular: era aquele cara que eu odiava aos 20 e poucos anos. Tinha a audácia de me enviar um convite de amizade! Ainda que eu negasse, descobri haver certa excitação com aquele reencontro, mesmo que virtual. Uma euforia teimava em se apoderar de mim, por mais que eu rejeitasse a ideia, que insistisse mentalmente que o queria longe.

Aceitei o convite e bisbilhotei o álbum de fotos. Já não era mais o cara alto, bonito -é difícil admitir qualidades em quem não gostamos- com o físico no seu auge, a pele lisinha e aquele olhar de conquistador. Estranho, mas até o olhar me incomodava naquele cara que eu tanto desprezava. Por que o fato de ele se dar bem com gurias me incomodava? Por que ele me perturbava com tamanha intensidade?

A foto carregou rápido: uma criança no colo e a esposa ao lado dele. Ele é que era a questão: ainda era alto, ainda era bonito, parecia estar em forma, mas… esse ‘mas’ me deixou intrigado. Mas a pele não era mais lisinha como aos 20. Já possuía marcas de expressão, típica dos 40 e poucos.

Meu antagonista envelhecera! Fiquei estupefato com aquela constatação, por mais óbvia que pudesse ser. Então eu estava assim também? Não eram rugas como essas que eu enxergava no espelho todas as manhãs, não me percebia dessa forma. Mas talvez fosse assim que os outros me vissem…

Nesses 20 anos, ele não presenciou o nascimento das minhas filhas, a morte de tios e avós, a despedida da irmã que foi morar longe e que nunca mais entrou em contato, nem a doença que me atacou, aleijou e deixou sequelas. Não me viu ser demitido, contratato e promovido. Mas sabe o que é mais interessante? É que eu também não sei pelo que ele passou. E se algo disso importaria saber no passado, hoje não é mais relevante. A maturidade tem que chegar um dia.

Então, veio-me a epifania.

Aquele cara com as marcas de expressão já não era o mesmo do passado, assim como eu. Mas era muito parecido comigo agora, aos 45. Antagônicos antes, semelhantes no presente. Entendi, finalmente, que aquele cara dos 20 e poucos anos que eu odiava, era o cara que eu queria ser. Hoje sou o cara dos 45 que eu desejava e não me importo mais se o meu agora ex-rival é análogo a mim ou não. Por caminhos diferentes, chegamos a pontos comuns. Independentemente de quem fomos antes, somos o agora. Aquela inveja velada, escondida de mim mesmo no recôndito mais profundo do meu ser, agora aparecia dando-me um tapa na cara, me dizendo ‘para de ser hipócrita, para de mentir pra você mesmo, assume os seus medos e desejos!’

Meu oponente era, no fundo, meu herói. E quando vemos nossos heróis humanizados, nos percebemos falíveis. Então rui o castelo de areia e enxergamos tudo aquilo que não víamos antes, assim como as minhas marcas de expressão.

24 comentários em “Marcas de expressão (Giovani Roehrs Gelati)

  1. Kelly Hatanaka
    22 de julho de 2021

    Olá Chicó!

    Muito interessante a reflexão que seu conto traz. Os antagonismos da juventude não sobrevivem à maturidade porque a maturidade nos iguala e revela nossas invejas. Num certo momento, somos trodos atropelados pela vida.

    Muito bom!

  2. Amarelo Carmesim
    18 de julho de 2021

    Um texto que, sutilmente, vai montando uma experiência de chegada da maturidade, daquele momento em aprendemos que não adianta tanto assim continuar odiando, ou cansamos de odiar.
    Há um jogo de vai e vem no tempo dos verbos que, acredito, deve ser intencional, mas deve ter confundido alguns leitores. Espero que não prejudique a avaliação.

    Achei o parágrafo da epifania grande demais, mas é uma mensagem boa e eu também não conseguiria diminuí-lo, desta forma acho que explico que aqui não é uma crítica, mas uma só uma constatação.

    No mais, um texto bom e que pode ser utilizado até mesmo como algo para fazer as pessoas refletirem sobre os velhos inimigos/heróis.

  3. Fabiano Sorbara
    18 de julho de 2021

    Gostei do mote do conto. Algo que é bem plausível de se acontecer pelo uso das redes sociais.
    Eu só mudaria a ideia que gira em torno dos três primeiros. A ideia ficou repetida neles, acho que em apenas um ficou claro os sentimentos do personagem. e como a situação se estabeleceu.

  4. Elisabeth Lorena
    18 de julho de 2021

    Olá.
    Não consigo empatia para entender essa inimizade e mais ainda essa ressignificação com espécie de fundo moral. Antagonismo para mim é antagonismo e minha resposta a ele é a indiferença. E talvez minha percepção interfira em minha análise. É por isso que acabo fazendo um tratado teóricos nos Desafios mais longos. Não gosto de ser injusta com o escritor.
    Nesse estou vendo só ponto positivo e negativo, além de sentido e completude, assim, minha nota não tem o poder de eliminar as chances do texto e autor.
    A história está completa. Tem tema e segue sem perder o foco.
    Sucesso no Desafio.

  5. Raquel
    18 de julho de 2021

    Boa narrativa e reflexão sobre as marcas, e os sentimentos ocultos na competição juvenil, que passa lá pelos 50 ou 60. Me fez lembrar Mario de Andrade em “O valioso tempos dos maduros.”

  6. Rafael Carvalho
    17 de julho de 2021

    Antes de mais nada parabéns pelo texto e por participar do desafio.

    O texto está bem escrito e abre margem para bons debates e auto reflexões, daquelas que nos tiram o sono durante as noites que antecedem eventos importantes ao raiar do sol. Porém, pela forma como o texto foi apresentado senti que lia uma crônica de jornal e não um miniconto.

    Senti falta de alguns aspectos que costumam ser comuns aos contos curtos, principalmente quanto ao desfecho, que de forma geral apresentam um fim impactante, sendo em quase sua totalidade a pedra fundamental do mini conto.

    Boa sorte com o desafio, abraço.

  7. Welington
    16 de julho de 2021

    O “conflito” do conto não é tão óbvio. Temos aqui um homem diante de uma foto que o conecta a memórias sobre um indivíduo que fez parte de sua vida no passado, como um tipo de desafeto. Um sentimento de animosidade nascido de uma insegurança, conforme o protagonista constata. Voltando ao conflito do conto, ele está dentro do protagonista, dele com ele próprio. Rememorando cenas e comparando o que sentia com o que sente hoje, ele navega por reflexões que o conduzem a entender seu próprio amadurecimento. É uma ideia rica e com um significado profundo, aquele tipo de narrativa de adensamento da percepção no cotidiano, contudo, não há muita tensão narrativa, o que parece aproximar o texto mais de uma crônica que de um conto, propriamente dito.

  8. Jowilton Amaral da Costa
    15 de julho de 2021

    O conto narra as reflexões de um homem sobre um rival que não via há tempos. no início achei que o personagem principal tinha uma atração pelo o conhecido desafeto, na verdade, não era isso. Era apenas a rivalidade juvenil que ainda teimava em aparecer. É uma boa reflexão de como nos descobrimos em outras pessoas. A narrativa é boa, no entanto, o impacto não foi tão grande. Boa sorte no desafio.

  9. Felipe Lomar
    12 de julho de 2021

    Eu gostei da forma que você conduz a narrativa, Você tem um bom domínio do léxico. O desfecho traz uma boa reflexão, e trata de um assunto pertinente. Afinal, acho que todo mundo já deve ter tido uma rivalidade escolar. Apesar que eu preferiria que a conclusão se desse de uma forma mais subentendida. Mas é só o que eu faria se escrevesse esse conto.
    Seu conto está ótimo!
    Boa sorte.

  10. acapelli
    12 de julho de 2021

    Uma coisa que a passagem do tempo ou a maturidade nos traz é essa percepção de que todos caminhamos para o mesmo destino terrível. E nesse sentido, a inveja vai perdendo sentido mesmo a medida que avançamos na direção desse mesmo desfecho. Bem, o seu texto começa como um conto e termina como uma reflexão. Eu gostei da reflexão, mas penso que um último parágrafo mais narrativo teria sido mais eficaz como fecho. No mais, o texto está bem escrito, sem falhas ou problemas de revisão.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  11. mariasantino1
    12 de julho de 2021

    Olá!

    Como fórmula de avaliação utilizo os quesitos: G -gramática, F-forma e C-conteúdo, onde a nota é distribuída respectivamente em 4, 3 e 3, e ainda, há que se levar em conta minhas referências, gostos e conhecimentos adquiridos como variável para tanto (o que é sempre um puta risco para o avaliado. KKK). Bora?

    G = 3. Então, no quesito gramática, a única coisa que me chamou atenção foi algumas repetições de eu, ele, dele, aquele, naquele… em curto espaço. Muitos podem ser limados sem perda de assimilação de ideia. Retiro pontos, porque os sinônimos estão aí para serem usados, além disso a lógica também faz compreender diversas sentenças sem a utilização recorrente de termos já explicitados. Há um errinho que passou na revisão na palavra contratado aqui: Não me viu ser demitido, contratato e promovido.

    F = 1. Pois é, a escolha narrativa intimista com divagações filosóficas é bem bacana e vc conduz bem para escalar aos poucos a constatação final. Entretanto, algumas construções frasais ficaram meio forçadas com o restante devido a mistura de termos coloquiais com outros mais garbosos. No mesmo texto onde há bisbilhotei, cara, gurias… há outros termos como “apoderar de mim”, “Meu antagonista envelhecera! Fiquei estupefato com aquela constatação”, “Aquela inveja velada, escondida de mim mesmo no recôndito mais profundo do meu ser”… Essa mistura prejudica um pouco a estética do conto.

    C = 3. Então, não é porque dei nota baixa para a forma que isso signifique que seu conteúdo não seja perfeitamente assimilado. É sim. É bonito, catártico, humano. O cerne de algumas construções frasais que eu separei acima realmente diz muito, é real e válido. E é isso mesmo, por mais que demore ou que percebamos isso sem perceber de fato o quão importante é tal revelação, a maturidade chega pra todos e as dores de antes já não doem mais. Não importa mais determinadas coisas.

    Parabéns e boa sorte.

    Média final: 7

  12. Natália Koren
    10 de julho de 2021

    Chicó, Chicó… (Desculpa, esse seu apelido eu consigo dizer assim)

    Então, achei o conto interessante, está muito bem escrito. Mas tem alguma coisa nele que me soou um pouquinho fora de lugar – e digo isso absolutamente como opinião pessoal. Não sei se é o tom hiperempolgado da epifania, quando parece que a reflexão deveria de um lugar mais contemplativo… e, novamente, isso pode ser apenas uma questão de gosto, porque sou um pouco chata com textos autorreflexivos.
    Enfim, o texto tem uma premissa legal, mas eu, pessoalmente, achei que ele perde um pouco do fôlego no final…

  13. Ana Maria Monteiro
    10 de julho de 2021

    Olá, Chicó da Quevedo.

    Começo com uma introdução comum a todos os participantes: primeiro li os dois conjuntos completos de contos, um por um e rapidamente, para colher uma primeira impressão geral e já mais ou menos gradativa e agora regresso a cada um deles e releio com mais calma, para comentar.

    Gostei bastante da história que nos contou, é mais frequente do que parece. E o mais engraçado é que o exato oposto também sucede. Com melhores amigos de infância, quando ficam muitos anos sem se verem, são estranhos ao encontrarem-se, não se sente nada, só ficou a recordação. Mas aquela pessoa conhece-me de uma maneira diferente de todos os demais, e eu também sei muito bem como é, o que sente, quase o que está a pensar. Por vezes, algumas destas pessoas, dão-se conta, não sem espanto, que não se gostam.

    Enfim, divagações sem importância para o caso. Que mais dizer? Não está demasiado bem, nem tem nada de particular que o desmereça. É um conto satisfatório, com a mais-valia de estar bem escrito e contado.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  14. Fabio D'Oliveira
    9 de julho de 2021

    Olá, Chicó!

    Serei bem sucinto nesse desafio, avaliando com as impressões imediatas que tive do miniconto.

    BELEZA

    Não encontrei. Nem na forma, nem na mensagem. Desculpa. É um conto bem escrito, mas que não me despertou qualquer sentimento.

    IMPACTO

    O narrador não demora para revelar tudo. Na metade, inclusive. Depois disso, passa o tempo inteiro falando praticamente a mesma coisa com palavras diferentes.

    ALMA

    É um bom escritor, mas não achei esse trabalho tão inspirado. Além da escrita morna, existem repetições de ideias e alonga mais do que o necessário.

  15. Elisa Ribeiro
    9 de julho de 2021

    Olá autor, como vai?

    Vi no seu texto uma reflexão sobre como o sentimento de inveja arrefece com o passar do tempo, a maturidade. Muitas das diferenças, às vezes imensas na juventude, se desfazem com o passar do tempo. Eu gosto muito dessa reflexão que você propõe, mas penso que seu texto falhou um pouco em apresentar esse argumento na forma de um texto narrativo. A partir de “então, veio-me a epifania“ seu texto assume francamente um tom de reflexão o que termina por comprometer o impacto do seu conto.

    Um bom argumento que rendeu um conto com alguns problemas. Parabéns pela participação.

  16. alicemariazocchio
    8 de julho de 2021

    Gosto deste encontro da personagem com seu antagonista na juventude e a constatação de que ambos envelheceram. Ao ver o outro, ele também se vê e isto é contundente. Penso que o momento da epifania deveria ser mostrado sem usar a palavra epifania, sem explicar. O leitor tem que perceber sozinho. O impacto seria maior. Gostaria de ter visto mais cenas e menos “contação”. O envelhecimento, por exemplo, poderia ser mostrado com descrições dos traços nos rostos. Também observei algumas rimas que poderiam ter sido evitadas. “ Estranho, mas até o olhar me incomodava naquele cara que eu tanto desprezava. Por que o fato de ele se dar bem com gurias me incomodava? Por que ele me perturbava com tamanha intensidade?” A situação narrada é muito boa.

  17. Angelo Rodrigues
    8 de julho de 2021

    04 – Marcas de Expressão (Chicó da Quevedo)

    Conto legal. Busca expressar a maturidade do protagonista, que vendo-se refletido no seu antigo rival, faz reflexões acerca de si mesmo. E tudo numa fotografia que vira nas redes sociais.
    Louvável a busca do autor pela compreensão do outro, de suas dificuldades, particularmente quando refletem nele próprio as suas fraquezas, e as admite na direção de sua própria melhoria enquanto ser humano.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no Desafio.

  18. Luciana Merley
    7 de julho de 2021

    Marcas de Expressão

    É um texto intimista, saudosista e enigmático (ao menos para mim pareceu).
    Vamos a algumas percepções:

    Coesão – Um pedido de amizade numa rede social e o seu personagem volta ao passado, às mágoas, invejas, desventuras…com relação a um outro homem. Essa relação conflituosa não ficou muito clara no texto. Acho que faltou apontar uma causa mais palpável desse conflito ao leitor. E então, você passa a descrever reflexões sobre a percepção da auto-imagem a partir do outro, com algumas divagações, certamente importantes e bem conduzidas, mas que tornaram o texto um pouco sem liga, sem um ponto nevrálgico, que considero ser essencial ao um texto curtíssimo como os do desafio.

    Impacto -Gostei das partes menos enigmáticas, das auto-percepção no outro, da empatia, das lições sobre o envelhecer. Não me agradou muito o fato de não ter conseguido, ainda que tenha relido com máxima atenção, diagnosticar o cerne do seu enredo. Uma sugestão é esclarecer as coisas, eliminar mesmo as incógnitas, apontar fatos, motivos…e assim construir uma base mais sólida para as suas belas reflexões.

    Parabéns. Um abraço.

  19. antoniosbatista
    6 de julho de 2021

    Bom conto. Reflexões sobre a vida, o tempo e sentimentos. As rugas anunciam a velhice. O cara ficou satisfeito que o bonitão acabou como ele, um velho babão cheio de rugas. A vida é assim mesmo, não adianta nada o fim é o mesmo.

  20. gisellefiorinibohn
    6 de julho de 2021

    Olá, Chicó

    Então, acho que vou ser chata… mas isso aqui não me pareceu um conto, não. É uma crônica, uma boa crônica, mas – ao menos na minha opinião, que pode estar errada – não é conto.

    Começou bem, parecendo que haveria um enredo, mas no fim vi apenas reflexões.

    Na parte técnica, é um texto bem escrito, fluido, mas que não encanta.

    De qualquer maneira, foi uma leitura agradável.

    Parabéns e boa sorte no desafio! 🙂

  21. simone lopes mattos
    6 de julho de 2021

    Nos três primeiros parágrafos gritava em mim a curiosidade. Eu queria saber o gênero do narrador. Creio que li a inveja nas palavras dele, logo de cara. Também entendi que os sentimentos dele no passado eram de grande admiração, daquelas que são encobertas pela raiva. Entendi que eles nunca foram antagonistas. Deviam ser muito parecidos. Por isso, eu acho que nos dois últimos parágrafos o autor explica o que já foi entendido pelo leitor. Quando eu cheguei na frase; o cara que eu queria ser, ela foi fraca para mim, pois eu já sabia disso. Talvez uma cena do passado pudesse dar mais riqueza ao final do texto. No parágrafo final, o autor ratifica como uma nova frase: ele era meu herói.
    Gostei muito da reflexão final sobre ver as marcas e tudo mais que só olhos maduros percebem.

  22. Emanuel Maurin
    5 de julho de 2021

    Olá, Chicó da Quevedo.
    Resumo: Após uma notificação no celular o protagonista ficou pensando no passado, quando tinha um concorrente de vinte anos, bonito, gostoso e popular. (o cara deveria ser um gatão e super carismático) pro protagonista lembrar dele com tanto prazer e desprazer. No final veio a epifania e ele descobriu que o bonitão era o herói dele.

    Parecer: Encontrei alguns errinhos. Coisa boba, mas que amarrou a narrativa. “Já não era mais o cara alto, bonito -é difícil admitir qualidades em quem não gostamos” – Esse por exemplo. Também não gostei dessa sequencia de mas: “, mas… esse ‘mas’ me deixou intrigado. Mas”, esse é seu estilo, né? Você quis enfeitar com o mas, mas ficou cansativo. Fora essas coisinhas que comentei o texto flui. Mas tenho de ser sincero: não gostei da forma que a história foi narrada. Logo no início já tive de adivinhar: “Apareceu a notificação no celular”: (notificação da onde do Facebook, Instagram, etc?) O conto é mediano e não empolga.

  23. thiagocastrosouza
    5 de julho de 2021

    Chico, o conto tem uma excelente premissa! Nosso assombro diante da passagem do tempo ao nos depararmos com um outro conhecido, tão diferente do que nossas memórias costumavam construir. Há boas reflexões no enredo, mas acho que ele acaba passando por um caminho moralizante, de tentar ensinar algo para o leitor. Talvez essa não tenha sido sua intenção, mas, poderia ter compartilhado a epifania do personagem de maneira mais sutil. O fato de ter escrito o conto como uma conversa direta, em primeira pessoa, com tudo às claras, me passou essa impressão. Desta forma, o impacto acabou ficando apenas para o narrador, e pouco para quem o escuta falar.

    Grande abraço!

  24. Eduardo Fernandes
    5 de julho de 2021

    O que falta no texto é edição, porque a ideia é muito boa.

    Quando começo a ler, o ritmo está pesado. Logo na segunda frase, por exemplo, “ainda que” e “mesmo que”. Usas muitos pronomes supérfluos e textos que ficariam melhor se fosse trocados por outros.

    Só como exemplo, “o cara que eu odiava aos 20 e poucos anos”. Quando anos eu tenho? Não sei, então o “20 e poucos” fica completamente a mais aqui. Só vais dar a ideia da idade do narrados no quinto parágrafo o que, num texto pequeno, é muito.

    Outra coisa, porque é que o “oponente” precisaria presenciar o nascimento das minhas filhas, a morte de tios e avós? Tipo, dois amigos que perderam o contacto… será que eram irmãos? Isto está estranho. Faltou alguma densidade à narrativa que poderia ser conseguida com uma edição mais curada.

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 5 de julho de 2021 por em Minicontos 2021, Minicontos 2021 - Grupo Chihuahua.