EntreContos

Detox Literário.

Estou indo embora (Fernanda Caleffi Barbetta)

O habitual beijo, aguardado nos lábios, foi desviado para a testa, e aquele gesto, após os demais que a vinham inquietando, pareceu-lhe o derradeiro. Desfez o bico seco e o observou alcançar a escada, os pés pesados ganhando os degraus, a calça desbotada, os sapatos precisando de graxa. Suspeitou que aquele fosse o dia em que ele a aguardaria em pé ao lado da cama, um jeans e uma camiseta no lugar do pijama velho, apontaria a bagagem no canto do quarto, “estou indo”, e seus olhos seriam de alívio. Diante da mala, que ele teria arrumado sozinho pela primeira vez, saberia que as coisas realmente haviam mudado e que ele estava pronto para partir. Sem mágoa, o deixaria ir, um longo abraço, lágrimas contidas, o acompanharia até a porta como a mãe que leva o filho à estação, com o coração apertado, mas a certeza de que vai ser melhor assim.

Na cozinha, demorou-se mais do que de costume no preparo do jantar, salgou a carne demais, o arroz de menos, cortou o dedo ao fatiar o tomate, chorou de dor, mesmo tendo sido apenas um cortezinho sem importância.

A mesa posta, subiu para o quarto, pensando se havia dado tempo suficiente para que ele ajeitasse tudo na mala ou se o surpreenderia ainda de cuecas, o jeans e a camiseta sobre a cama, uma pilha de camisas nas mãos, os olhos perturbados pelo flagrante. Como reagiria?, fingiria surpresa?, “o que você está fazendo?”, correria para seus braços?, “vamos tentar mais um pouco!”, e naquelas conjecturas, a escada foi se tornando mais longa, mais íngreme.

Quando pisou a soleira, ele estava de pijama, sentado na cama, “vamos?”, e diante daquela pergunta ela foi tomada pela súbita esperança de que talvez houvesse uma saída para algum lugar longe dali, onde poderiam começar tudo de novo e voltar a ser aquelas pessoas de antes, “pra onde?”, ele ficou confuso, “quer sair?”, ela ficou confusa, “sair?”, “o jantar não está pronto?”, estava. Quase alcançando a porta, não conseguiu evitar que seus olhos mirassem o canto do quarto, não havia uma mala, nem duas. Desceram.

Entre um garfo tocando o prato e um copo voltando à mesa, ele inspirou profundamente, e à iminência de uma palavra, aquela aguardada, ela travou os dentes na taça, crec, e elelevantou-se, à procura de sangue em sua boca, na camisola, na toalha, não havia sangue, não havia corte, não haveria uma corrida frenética ao hospital, pontos, analgésicos e anti-inflamatórios, não haveria declaração de abandono, tudo estava como antes, exceto pela taça lascada. Subiram.

Depois da fome, perdeu o sono, os calores, que a perturbavam há noites, reapareceram, e ela se lembrou de quando seu corpo era mais fresco e encaixava-se ao dele com perfeição, quis tocar seus cabelos, mas ele despertou antes que sua mão o alcançasse, “vou embora”, sua reação foi acender o abajur, e os olhos, que ela presumira de alívio, eram tristes.

36 comentários em “Estou indo embora (Fernanda Caleffi Barbetta)

  1. iolandinhapinheiro
    26 de julho de 2021

    Uma linguagem que consegue ao mesmo tempo ter muita fluidez mas ter também uma carga poética, um conteúdo intimista que é difícil de se obter em textos tão curtos e você conseguiu isso demonstrando a sua expertise com as palavras e a habilidade para juntá-las de modo a extrair o impacto máximo.

    Não é um conto com arrebatamentos. Ao contrário, a emoção é moída e pulverizada com muita sabedoria ao longo do texto, um conto cheio de expectativas em contraponto com a realidade. Ao tentar racionalizar os sentimentos do companheiro ela não conta com a imponderabilidade da vida.

    Até o fim vc conduz o leitor alimentando a esperança de que ela esteja, afinal, errada, e que o casamento vai prosperar apesar do óbvio ocaso daquele relacionamento, desgastado nos detalhes.

    Achei uma obra de ourives. Parabéns, minha querida amiga contista, Ao contrário do casamento de seus personagens, sua obra jamais fracassa.

    Beijão.

  2. iolandinhapinheiro
    25 de julho de 2021

    Já fiz uma primeira leitura, cara Fernanda. Voltarei porque quando me deparo com um bordado precioso, gosto de sorver e sentir cada filigrana. Beijos.

  3. Evelyn Postali
    25 de julho de 2021

    O primeiro parágrafo começa de uma maneira poética, eu achei. E nos deixa na expectativa de que isso aconteça, não exatamente dessa forma, mas que aquela seja a noite derradeira para um amor que não é mais amor, pelo visto, e que desgasta a alma só pela convivência. Gostei de como você estruturou essa chegada dele, a recepção mecânica, a angústia impregnando o desejo. Estranho como ela espera pelo ‘estou indo’ sendo ela a pessoa consciente que afirma-se nesse primeiro parágrafo. Mas é compreensível, talvez. Fico a pensar aqui no tempo já passado dessa relação e, embora desgastada, esse vínculo que não se rompe. Não sei.
    Segundo e terceiro parágrafos nos dando tempo para imaginar, junto dela, o que acontecerá e de como a construção textual vai nos empurrando para aquela escada igualmente longa. O peso da expectativa, essa coisa vai crescendo também no leitor.
    E o quarto parágrafo, um balde de água fria no que ansiamos que aconteça. Eu não sei, aqui, pensando, não sei se há uma saída dessa situação sem ser a separação. Dizem que seguir em frente diante de um abismo é dar meia volta. Creio que se aplica bem aqui, nessa situação. Não há como seguir em frente. Pode-se dar meia volta e dar início a uma nova jornada.
    Eu não gostei do quinto parágrafo. Achei meio forçado, talvez, essa coisa da taça trincada. Não sei bem explicar. Talvez se ele fosse mais curto, sem muito drama. Algo mais enxuto.
    O último parágrafo, sim, um primor. Da leveza do começo ao peso do ‘vou embora’ e a decepção do que ela pensou ser alívio, mas aconteceu como tristeza. Acho que pela percepção de que para existir algo é preciso que haja envolvimento das duas partes, assim como quando há separação, existe ‘culpa’ de ambas as partes. Esse é um final melancólico e, até certo ponto, desolador, porque passa a sensação de que ambos serão sozinhos separadamente, mesmo sendo sozinhos juntos até então. Em algum ponto, nessa estrada a dois, houve uma bifurcação e nenhum deles se deu por conta ou fez algo a respeito. Enfim… São coisas da vida.
    Seu conto é uma história bem contada sobre algo mal acabado – eu refletindo sobre o final da relação. Parabéns pelo miniconto. Ótima construção, escolha de palavras, subjetividade.

  4. Regina Ruth Rincon Caires
    24 de julho de 2021

    Estou indo embora (O Narrador)

    Comentário:

    Belíssimo texto que descreve a tristeza de um final de relacionamento. Sempre ocorre um sentimento de fracasso. No íntimo fica a “perda”, o infortúnio, a desventura. E, além de tudo isso, o ânimo fica abalado. A separação, antes e depois, é um período de perceber mudanças, de observar as mínimas alterações nos costumes. E o autor nos conta (com muita sutileza) este doloroso processo.

    Linguagem simples e fluente, um primor de escrita. A narrativa é tão profunda no que diz respeito à sensibilidade, fala com tanta propriedade sobre as “dores” trazidas pela situação, que parece um relato “intimista”. Perfeito.

    Parabéns, Senhor Narrador, seu trabalho é tocante!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  5. Anderson Prado
    24 de julho de 2021

    O narrador nos apresenta os estertores de um relacionamento.

    Está bem escrito, mas, excetuado o bom domínio da língua, nada mais me animou ou surpreendeu. É uma história de amor, de um amor desgastado, de um término, e só. Meu problema maior com esse texto foi a temática.

  6. Dayanne Lima
    24 de julho de 2021

    Você conduziu de modo muito sensível o enredo, de modo a demonstrar muito bem o sentimento de tristeza do casal com a crise e o rompimento. Parabéns e boa sorte!

  7. Priscila Pereira
    24 de julho de 2021

    Olá, Narrador!
    Muito bom o seu mini!
    Conta muito da vida de um casal, com poucas palavras. É bem direto e descritivo, as palavras são precisas para dar o tom do conto. A desesperança, o conformismo, a melancolia… Tudo perfeitamente dosado no conto. Muito bom! Gostei muito!
    Parabéns!
    Boa sorte! Até mais!

  8. Kelly Hatanaka
    21 de julho de 2021

    O Narrador,

    linda história triste. O final de um amor, os segundos antes do fim, quando a perspectiva do fim assombra mais do que o fato e tudo é uma antecipação cruel.

    Muito bonito, muito bem narrado, perfeito!

    Parabéns!

  9. Catarina Cunha
    21 de julho de 2021

    MINI – A técnica da apreensão do fim iminente está perfeita. A tensão foi trabalhada nos pensamentos da personagem.

    CONTO – Não sou fã de dramalhão, mas aqui está muito bem executado, com requintes de crueldade.

    DESTAQUE – “O habitual beijo, aguardado nos lábios, foi desviado para a testa, e aquele gesto, após os demais que a vinham inquietando, pareceu-lhe o derradeiro.” – Começar com o fim, que ousadia!

  10. claudiaangst
    21 de julho de 2021

    A angústia do adeus. A mulher percebendo o desgaste da relação com o marido, supõe que um dia ele partirá, e se prepara para o derradeiro momento, que tarda, mas afinal vem quando ela está em outro momento, de lembranças de um tempo de acolhimento e juventude. E o olhar que julgava que seria de alívio, era de tristeza. E as partidas não são mesmo tristes?
    O conto está muito bem escrito e traz um tom de suspense. A narrativa induz o leitor a correr pelo texto atrás de respostas – ele irá mesmo embora? Leitura agradável que flui sem entraves. Parabéns!

  11. Andre Brizola
    20 de julho de 2021

    Olá, O Narrador!

    Um conto triste sobre o fim de um relacionamento, do ponto de vista da mulher. Ela, incialmente, parece conformada com um fim que imaginava estar próximo. Descobrimos que ela não está realmente conformada, de fato

    Separações, relacionamentos, são temas bastante comuns que exigem um tratamento um pouco mais delicado do que o normal a fim de não caírem na mesmice. O autor tem que ter o cuidado ao lidar com situações que são aparentemente rotineiras, pois é fácil deixar que o clichê tome conta da narração. E este conto teve todo o cuidado possível para conseguir se destacar. E conseguiu com folga.

    Afazeres comuns, como cozinhar e jantar, foram tratados como situações de tensão, como conflitos, de fato. Tudo foi muito bem amarrado para que o leitor conseguisse sentir a dificuldade da personagem em cortar o tomate, por exemplo.

    Outro detalhe que me chamou a atenção é o ritmo. O conto é lento, embora curto, e isso favorece o conteúdo. Exige do leitor um pouco mais de atenção nas construções, e uma leitura apressada faz com que se perca muito das sutilezas e dos detalhes a ponto de não conseguir captar todo o cuidado com que foi concebido. E alcançar essa atenção do leitor é um dos grandes méritos aqui, pois é feito com sucesso.

    Não tenho nada a pontar que tenha me desagradado. É um dos melhores contos do desafio e merece estar nessa segunda fase. Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

  12. Victor O. de Faria
    19 de julho de 2021

    BOI (Base, Ortografia, Interesse)
    B: Um texto muito bem escrito e melancólico. Términos sempre são difíceis, e só quem já passou por isso (ou divórcio) sabe como nada mais faz sentido. Ponto para o autor(a) que soube captar muito bem as nuances disso. Transmite uma emoção velada de forma sublime.
    O: Escrita excelente, tocante, suave e sutil nos lugares certos.
    I: Então. Não gosto muito do tema por experiências já vividas nesse sentido. As entrelinhas são ótimas, a melancolia também. Só não ganha nota máxima por estar um pouco cansado de dramas.
    Nota: 9

  13. Fabiano Sorbara
    18 de julho de 2021

    Texto muito denso e carregado de sentimentos, pena ser tristeza.
    Gostei com você foi construindo o jogo de “será que ele vai mesmo embora?”. Essa indas e vindas do pensamento dela foi bem feita e conseguiu amarrar todo o conto.
    Muito bom!

  14. Amarelo Carmesim
    18 de julho de 2021

    A nuance de uma saída de cena por parte de uma das partes do casal sempre pode ser trabalhada de forma trágica, entretanto teu texto cria uma aura de ansiedade que pode ser cortada com uma faca de tão densa. Gostei disto.

    O final do texto com a surpresa de que não há alivio, mas tristeza abrem um leque para o entendimento do que realmente acontece sem explicar.

    Achei interessante e gostei, o tipo de texto que me faz até ficar frustrado pois acabou sem um ponto final que determine o motivo do “fim”! Isso frustra, mas deixa o texto na cabeça por horas, remoendo e existindo de forma deliciosa. Parabéns!

    Só uma observação: o primeiro parágrafo me pareceu grande demais.

  15. Jowilton Amaral da Costa
    18 de julho de 2021

    O conto narra a expectativa de uma mulher com o fim do relacionamento amoroso. A narrativa é bem feita, lenta e nos passa toda a tristeza e angustia vivida pela personagem. Chegamos até a pensar que nada mudaria e o esperado “vou embora” não acontecesse, no entanto, aconteceu. Foi meio como “fingiu que ia, não foi e acabou ‘fondo'”. Bom conto. Boa sorte no desafio.

  16. Rafael Carvalho
    17 de julho de 2021

    As vezes me sinto bobo, avaliando e comentando alguns contos aqui e sinto como se quase tudo que eu escrevesse nos comentários fizesse média ou fosse piegas.

    Acho interessante e talvez isso seja uma das coisas que me mantem no grupo, mesmo não conseguindo participar ativamente dos desafios, é que grande parte dos textos postados aqui são dramas tristes, melancólicos, existenciais, alguns até simplórios, nada haver com o tipo de literatura que estou acostumado a consumir. Porém, textos como o seu são tem uma sensibilidade tão grande, uma forma tão natural de carregar vida em tão poucas palavras, que me sinto agraciado por ter a chance de vivenciar as histórias para que eles me levam.

    Achei fantástico seu miniconto, comecei a ler pensando que seria chato, mas na quinta linha já estava envolvido pela melancolia da saudade do que ainda não se perdeu, da espera pela resposta que já se tem, mas é prolongada a sua chegada tal qual as escadas que a protagonista subia até o quarto.

    Adorei o desfecho, sempre achamos que o fim, carrega uma tristeza e um alivio, porém, na maioria das vezes são duas tristezas que foram se atritando por tanto tempo até transbordarem para algo que não é mais possível comportar.

    Parabéns pelo miniconto. Boa sorte no desafio.

  17. Natália Koren
    16 de julho de 2021

    Olá! Eu estava gostando bastante da história, mas achei o formato um pouco confuso… As frases longas, com as ideias separadas por vírgulas, não me incomodaram tanto, já contos excelente com esse tipo de linguagem. Mas a inserção dos diálogo no meio acabou deixando tudo um pouco embolado, e aí no final deu uma descambada, e me perdi total.
    É uma pena, porque eu achei uma excelente ilustração de um relacionamento desgastado, entendi perfeitamente a ânsia dela por qualquer coisa diferente, seja o final trágico ou uma simples saída, mas não consegui compreender o desfecho.
    Acho que com uma boa revisão e alguma separação nos diálogos ficaria ótimo!

  18. Welington
    16 de julho de 2021

    Um conto bastante introspectivo, focando no caráter confuso e algo indefinido do sentir da protagonista. É um conto que tem seu enredo não na partida ou na superação de um relacionamento decadente, mas sim na zona nebulosa e tóxica em que se constitui o longo período de indefinições.

    Interessante o autor não dar nome a seus personagens. Na minha leitura esta foi uma boa escolha para colocar a relação entre duas pessoas como o centro da cena e não uma pessoa em si. Algo como dizer que esse tipo de coisa está acontecendo aos milhões mundo a fora.

    Não é, contudo, um texto para se ler rápido. É preciso submergir no personagem, sobretudo se o leitor nunca passou por algo parecido. Também destaco aqui o caráter fragmentário. Não parece uma história com início, meio e fim, mas sim uma cena, um quadro pertencente a um filme bem maior.

  19. Welington
    16 de julho de 2021

    Um conto bastante introspectivo, focando no caráter confuso e algo indefinido do sentir da protagonista. É um conto que tem seu enredo não na partida ou na superação de um relacionamento decadente, mas sim na zona nebulosa e tóxica em que se constitui o longo período de indefinições. Os diálogos e a introspecção da personagem exploram muito bem essa ambiguidade.

  20. Elisabeth Lorena
    15 de julho de 2021

    Em tempo, reli, para analisar, ouvindo Noite Ilustrada cantando “A Flor e o Espinho”…

  21. Elisabeth Lorena
    15 de julho de 2021

    Olá, Narrador.
    Sua narrativa desenha o fim de uma relação.
    Fiquei esperando uma surpresa, algo que mudasse. A quebra da taça, sem dor quase me convenceu de ser uma reviravolta, mas o casamento continuou na rotina da obrigação e do cuidado mútuo sem mais verdades. Seu texto é bom, sua história faz sentido, é crível, mas ficou faltando um tempero.

  22. Felipe Lomar
    14 de julho de 2021

    Me desculpe, achei o seu texto meio truncado. Tive que ler algumas vezes para ver se entendia o contexto, mas ainda ficou muita coisa em aberto. Não que um texto que deixe coisas em aberto para a interpretação do leitor seja algo ruim, mas nesse caso acho que não funcionou. Mas pode ser que eu não tenha tido capacidade para entender. Se você tentou gerar uma quebra de expectativa no final, como pareceu, não gerou muito impacto.
    Outra coisa são os diálogos, que nesta formatação dificultam a fluência da leitura. É um ponto a se pensar.
    Boa Sorte!

  23. acapelli
    12 de julho de 2021

    Não sei o que dizer do seu conto. Achei a leitura interessante, a descrição das atitudes dos personagens entremeadas com suas emoções e pensamentos criou uma atmosfera e um engajamento, mas, peço desculpas, não entendi o que você pretendeu com o desfecho.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  24. Ana Maria Monteiro
    12 de julho de 2021

    Olá, Narrador.

    Começo com uma introdução comum a todos os participantes: primeiro li os dois conjuntos completos de contos, um por um e rapidamente, para colher uma primeira impressão geral e já mais ou menos gradativa e agora regresso a cada um deles e releio com mais calma, para comentar.

    Que beleza de emoções se adivinham na leitura das palavras que ilustram o narrar deste momento. “
    Foi uma bela experiência. Engraçado, porque na primeira leitura apressada que fiz aos contos rodos de uma vez, não tinha captado tão bem a atenção, quanto agora, já com mais tempo e outro olhar, que me permitiu ler realmente o seu conto.
    Além que este conto é quase um poema, tem a poesia da alma desta mulher perante o ruir do que um dia foram os seus sonhos e um coração que vacila entre “a certeza de que vai ser melhor assim” e a “súbita esperança de que talvez houvesse uma saída” que permitisse seguir em frente. A dualidade da alma, o saber e o sentir, tantas vezes em conflito.
    Gostei muito.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. mariasantino1
    12 de julho de 2021

    Olá!

    Como fórmula de avaliação utilizo os quesitos: G -gramática, F-forma e C-conteúdo, onde a nota é distribuída respectivamente em 4, 3 e 3, e ainda, há que se levar em conta minhas referências, gostos e conhecimentos adquiridos como variável para tanto (o que é sempre um puta risco para o avaliado. KKK).

    G= 4. Então, conto dentro dos parâmetros, embora ache que alguns “ela e ele’ pudessem ser limados sem qualquer perda. Ainda assim não vejo motivos para dar nota menor que essa nesse quesito.

    F = 3. Muito boa a condução firme do começo ao fim do texto. Boas construções frasais (essa aqui merece destaque “e naquelas conjecturas, a escada foi se tornando mais longa, mais íngreme.”) e pistas que cumprem bem a função de situar o leitor do tempo e espaço do texto. É exatamente disso que falo sobre forma e conteúdo, pois não há novidades, grandes reviravoltas, mas há uma forma toda própria em narrar o texto, sempre fazendo o leitor acreditar também que as conjecturas da personagem não pudessem ser constatadas. deixando um ar de incerteza que só no fim é revelado real. Mostrando ainda a surpresa da personagem que parecia já ter visto de tudo naquele relacionamento, mas ainda assim é pega pela variável humana. Um luxo!

    C = 3. O conteúdo é simples? É. Porém, há um bom uso de simbolismos aqui, que só servem para jogar a favor tanto da forma quanto na assimilação de conteúdo. O beijo broxante na testa, a taça lascada, a calça desbotada, os sapatos precisando de graxa, a mala que ele haveria de fazer pela primeira vez… Isso não só situa, mas também expõe falhas que fizeram/fazem os relacionamentos/esse relacionamento ruír. É o lance do cristal quebrado, o desgaste, o limite que todos possuem.

    Um dos textos que mais curti do certame. Parabéns e boa sorte.

    Média final: 10

  26. Fabio D'Oliveira
    11 de julho de 2021

    Olá, Narrador!

    Serei bem sucinto nesse desafio, avaliando com as impressões imediatas que tive do miniconto.

    BELEZA

    Sensibilidade pura. Quem estava agoniada e queria terminar era ela. Mas justificava sua indecisão nas atitudes dele. Acomodado, talvez, mas ainda tinha amor ali. Nem que seja aquele amor companheiro. Mas algumas pessoas precisam de paixão.

    IMPACTO

    É um bom texto. Completo. Ele apresenta tudo com calma. Desenha os acontecimentos com maestria. E fecha com impacto. É sensível, poético e sangra.

    ALMA

    Agonia, frustração, tristeza. Viver um relacionamento que não lhe cabe é isso. Sempre temos o poder de decisão. De ir embora, de conversar propondo a mudança ou de aceitar e mudar. Encaramos a fuga, aqui, pela falta de conversa, de proximidade.

  27. Elisa Ribeiro
    9 de julho de 2021

    Olá autor. Como vai?

    Aquele momento em que um casal se encontra no limiar de uma separação. Uma narrativa delicada e sensível que me comoveu tanto pela situação retratada em si, o recorte do enredo, como pelo esforço do autor em traduzir esse momento de forma sutil e delicada. O único senão que vejo é parágrafo final, que me pareceu condensar muitas informações restando um pouco confuso. Não contei as palavras, mas calculo que tenha faltado espaço para concluir com o mesmo vagar dos demais parágrafos do texto.

    Um bom conto. Parabéns pela participação.

  28. alicemariazocchio
    8 de julho de 2021

    O tema separação, o desgaste do casal e o envelhecimento foram tratados com bastante densidade. O texto tem muitas qualidades, mas como miniconto ele poderia renunciar a algumas descrições minuciosas para a contundência da história surpreender um pouco mais .

  29. Angelo Rodrigues
    8 de julho de 2021

    07 – Estou indo embora (O Narrador)

    Ótimo conto. Passeia pelas angústias de um casal que rompe, provavelmente, uma longa duração de afetos.
    O conto, muito bem escrito, passeia pelos lugares comuns de uma vida a dois. O quarto, a mesa de alimentação, as escadas, a cama, o desejo e a frustração.
    Interessante o vaivém adotado pelo autor, que vira e revira o desejo do marido de deixar a casa. Interessante.
    Boa sorte no Desafio.

  30. gisellefiorinibohn
    8 de julho de 2021

    Adorei este conto! Sim, eu sei; não é pra gente ficar dizendo “gostei”, “não gostei”, mas eu sou assim, o que eu posso fazer? Adorei.

    Gostei da maneira como ele foi desenvolvido, os diálogos inseridos na narração, as descrições… tudo muito bem feito. E histórias de relacionamento são o meu fraco.

    Na parte técnica, tudo me pareceu perfeito. Se há erros, fiquei tão envolvida pela narrativa que nem notei.

    O meu favorito até agora! Parabéns e boa sorte no desafio! 🙂

  31. Luciana Merley
    8 de julho de 2021

    Estou indo embora

    O lento e penoso fim de um relacionamento contado num enredo que mistura lembranças, conjecturas e realidade.

    Coesão – O rompimento e os sentimentos angustiante que o acompanham é o cerne do conto. Você conseguiu manter isso vivo na minha mente o tempo todo. Uma ressalva é em relação à mistura de conjecturas e realidade que a sua personagem faz. Acho que isso confundiu e pesou o seu texto. Trata-se de um espaço muito curto para que o leitor tenha que ficar tateando em busca do que aconteceu realmente ou não. Talvez descrever a sensação, as atitudes estranhas dele, mas sem explicar ao leitor de antemão que “Suspeitou que aquele fosse o dia em que ele a aguardaria…” acho que daria mais objetividade ao texto e mais foco nas ações dos personagens.

    Impacto – Gostei do texto. Sinto que poderia ter entregado muito mais, especialmente pela riqueza de oportunidades com o enredo proposto. Mas, fiquei com aquele gostinho amargo quando os personagens (de filme ou livro) não fazem o suficiente para tentar de novo, e isso é uma qualidade do seu texto: gerar o sentimento no leitor. Percebi também que será necessário rever algumas pontuações e outras falhas de revisão, mas tudo coisa simples. Receba minhas ressalvas como sugestões, caso queira reescrevê-lo.

    Um abraço.

  32. antoniosbatista
    6 de julho de 2021

    Gostei desse belo conto de um casal em crise no casamento. Chega-se a uma idade em que as coisas deveriam ser mais fáceis, mas elas se complicam quando as ideias não combinam. Texto bem escrito, uma boa ideia.

  33. simone lopes mattos
    6 de julho de 2021

    No primeiro parágrafo fica clara a falência no relacionamento. Mas só ela sente isso? Apesar do fim iminente, há ternura e carinho. Achei muito tocante a frase: “o acompanharia até a porta como a mãe que leva o filho à estação” Ela parece conformada e decidida a encarar a separação com o mínimo de dor. Mas estava doendo muito, tanto que ela chorou.
    Eu deixo de sentir o chão quando leio: “a escada foi se tornando mais longa, mais íngreme.”
    Eu construí com ela alguma esperança de dias melhores, de estar enganada, de ser amada. O vou embora doeu em mim. Mas achei um final respeitoso. Penso que foram felizes.
    A separação traz muita dor e essa dor está no texto, poeticamente descrita.
    Muito, muito bom.

  34. Emanuel Maurin
    6 de julho de 2021

    Olá, Narrador.

    Resumo: Depois de um rotineiro beijo desviado para a testa a protagonista, começou a pensar sobre o dia que despediria do parceiro. Foi para a cozinha fazer o jantar, julgando que daria tempo de ele preparar a mala. E se indagava de sobre a sua própria reação a vê-lo partir. Pensou na possibilidade de os dois partirem e começarem uma vida em outro lugar.

    Parecer: O conto é bem escrito, a estrutura é boa e narrativa me agradou.

  35. thiagocastrosouza
    5 de julho de 2021

    Narrador, gostei da quebra de expectativa no final do conto. Você conseguiu passar muito bem a esperança e incerteza de um relacionamento pouco consolidado, que dança entre o seguir em frente ou interromper tudo de uma vez. A ironia como a narradora parece esperançar a partida do marido, ensaiando fingimentos de tristeza, e a realidade dos fatos quando recebe a notícia de forma inesperada foi o charme do conto.

    Grande abraço!

  36. Eduardo Fernandes
    5 de julho de 2021

    Achei o teu texto confuso. Não sei… talvez o ritmo ou o primeiro parágrafo muito grande. Creio que ele teria ficado muito melhor em primeira pessoa.

    Eu já reli umas quatro vezes. Consigo perceber que ele está a morrer (está?) mas não consigo ter muita certeza. Como disse, achei o texto confuso.

E Então? O que achou?

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