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Detox Literário.

[EM] Sonhos, memórias cruéis (Raquel Moon)

Já era tarde e Sofia não conseguia pregar o olho, virava para um lado e para o outro a procura de um instante de conforto, sua pernas se contorciam em cima da cama, o suor rolava pelo seu rosto como cachoeiras enfurecidas, seu cobertor já tinha saído do lugar e estava ao pé da cama, uma bola felpuda que tinha intensão de aquecer, ficou sem utilidade para ela, seu desconforto causaria agonia para quem quer que a veisse naquela situação aterrorizante, algo se passava em sua cabeça, ou talvez lá fora, algo não estava certo, não se sabia onde é que estava o caos, mas naquela noite seu sono não veio.

De repente um salto, uma falta de oxigênio, seu coração não aguentava tanta pressão, estava ofegante e fora de si, olhava para os lados para ver o que estava acontecendo, para saber se estava no lugar certo, porém estava escuro demais, não se sabia se aquele era seu verdadeiro lar. Passou a mão na testa e esfregou no colchão para limpar, aquele suor que descia do seu rosto lhe causava pânico, certo nojo que lhe trazia arrepios na espinha, algo tão normal, mas que a deixava desconfortável. Levantou-se e foi caminhando devagar no escuro, chegou à porta e quase sem voz sussurrou um “tem alguém aí”, o silencio parecia o som mais alto que as batidas fortes do seu coração. Foram exatamente 5 minutos esperando uma resposta, algo estava errado, mas ela não sabia o que era, ou o que estava fazendo ali, sem paciência continuou caminhando lentamente, os únicos ruídos que ela escutava, era do ar assobiando por entre seus pulmões sensíveis e pequenos, foi aí que um simples impulso a fez pensar em sair, em ver o que acontecia lá fora, porque aquela tranquilidade a desmotivava da sua existir.

Quando chegou a cozinha, uma frecha de luz vermelha estava passando pela janela onde a cortina escondia sua boa parte, era algo tão estranho e ao mesmo tempo tão familiar aos seus filmes de terror, que ela quis chegar mais perto, poder tocar aquilo, como se fosse uma bola de cristal ou um presente do além.

Seu coração foi se acalmando aos poucos e sua curiosidade foi a levando para mais perto do que parecia algo familiar, quando chegou perto, tão perto, o chão estremeceu e um estrondo lhe tirou da surdez que a vinha lhe consumido até aquele momento, gritos, choros, sua casa tremendo, seu mundo girando e lhe trazendo para aquela realidade terrível, quanto mais ela pensava sobre o que estava acontecendo, pedaços dos telhados iam se desfazendo sobre a sua cabeça, era o tipo de confete o qual ela não teve nas festas passadas, aquele o qual ela pediu para sua mãe, para brincar com seus coleguinhas, e ela negou, sua grana estava sempre curta demais para as pequenas vaidades de uma criança levada.

Por um breve momento, ela se arrependeu de sair do seu desconforto habitual, sentiu falta de sua cama, da escuridão, do silencio. Olhou para o lado onde estava à mesa que normalmente almoçava sozinha todos os dias, e viu um relógio quebrado, aquele o qual tinha dado para seu pai no seu aniversário, o único presente que tinha restado, a única memória palpável naquele momento. Forçou sua visão para saber que horas marcavam, e eram exatamente 12h00min, lembrou-se de sua mãe e daquele pequeno sermão “Esse é o horário de criança está dormido” naquele momento ela queria obedecer, mas já era tarde para fazer algo que não lhe pertencia mais.

Minutos se passaram e ela ficou ali, imóvel de frete para a porta, olhando fixamente para a fechadura, querendo observar e saber o que fazia tanto barulho, nunca ouviu tantas coisas se quebrarem ao mesmo tempo, a angústia lhe consumia, até ela fechar os olhos, pegar na maçaneta e girar, abriu, seus olhos permaneciam fechados com força até que ela resolveu abrir as janelas da sua mente, uma lágrima boba desceu pelos seus olhos, ela se perguntava se tinha sobrado algo lá fora, tantos corpos deitados ao chão encharcados de sangue, pessoas com cabeças e pernas arrancadas, como as crianças fazem com brinquedos, esquartejam facilmente, a única diferença é que os brinquedos sempre estiveram mortos.

Ao se deparar com aquela situação, se sentiu só, indefesa, saiu de dentro de sua casa e reparou ao redor, era a única que tinha sobrado e que aos poucos estava se desfazendo, se desmanchando e derretendo diante dos seus olhos, e quando viu, não restava mais nada, olhou ao seu redor e viu um ser gigante com corpo metálico andando e fazendo o chão estremecer, sua mais eram garras afiadas de metal, seu peitoral era a lataria de um carro azul velho amassado, e atrás dele vinha mais seres iguais, com restos de pessoas em suas mãos, eles pegavam os restos e arremessavam pelo ar, formando montes, como se fossem lixo, Sofia simplesmente se virou e correu em direção oposta a eles, várias e várias lágrimas bobas iam se soltando de seus olhos e sendo levadas com o vento, não sabia para onde correr, não sabia o que estava acontecendo, será que era mais um sonho?!

Perguntou para si mesmo, mas a dor em seu coração era tão grande que era impossível não ser real, enquanto corria e pensava em seus pais, se eles ainda estariam vivos, avistou um cano enorme feito de cimento no meio do nada, o chão estava escuro, parecia que tinham derramado petróleo por todo lugar, então resolveu se esconder ali mesmo, passar despercebida por aqueles monstros gigantes de lata, e  ao entrar por uma das aberturas, se sentou diante os destroços, colocou seu rosto entre seus joelhos e chorou desesperadamente, não sabia para onde ir, o chão estava se desfazendo, buracos estavam se formando diante seus pés, o mundo estava em decadência, estava acabando, não restava mais ninguém para lhe salvar daquele horror, suas pernas tremiam e seu estomago também, não tinha o que comer, não tinha um lugar quentinho para descansar, ou apenas ficar deitada para tentar dormir, enquanto pensava no que fazer e como sobreviver aquilo tudo, sua barriga estava gritando de fome, e isso a impedia de ter pensamentos racionais, do nada sentiu um frio na sua barriga, algo estava a tirando do lugar, quando olhou para a abertura do cano, estava à vista o céu cinza e um rosto horripilante emergindo, eram pedaços de latas e restos de sucatas juntos,  dois buracos luminosos a encarava, se afastando mais e mais da criatura e o medo fazendo seu coração bater tão rápido que ela acabou caindo do alto no chão, sem pensar muito, ela correu e bem de longe avistou um riacho com lodos, as bordas verdes e vestígios de lama preta sobre a superfície da água, sem muito tempo para arquitetar um plano, pulou na água fria, e se esqueceu de que dá ultima vez que tinha pulado na água, foi na piscina  de sua amiga, ela tinha se afogado ao ponto de beber tanta água até ficar inconsciente, mas ela esqueceu de tudo por um segundo e pulou para se esconder do mostro, tapou sua respiração, mas não aguentou por muito tempo, desistiu de lutar, agarrou-se ao nada para salvar o mínimo que se restava, as memórias boas dos tempos bons. O mundo estada destruído, e era o fim.

De um sopapo, sentiu seu peito queimar, um impulso sobre seu peito a fazia sentir que seu corpo estava em erupção, veio à tosse, a falta de ar, se debateu até toda a água sair do seu corpo, e quando abriu os olhos já ardendo da tanta água que tinha entrado, avistou seu pai e sua mãe do seu lado chorando, assustados, e mais a traz estava à piscina de sua amiga, ela tinha se afogado e tinha visto o fim do mundo.

8 comentários em “[EM] Sonhos, memórias cruéis (Raquel Moon)

  1. Ana Lúcia
    10 de maio de 2021

    Ambiente: achei confuso, não achei muito claro os ambientes
    Enredo: achei meio sem sentido, não gostei muito dessa reviravolta no final.
    Escrita: Até que foi boa, só acho que podia ter revisado um pouco mais.
    Considerações gerais: uma história um pouco confusa no começo. Achei que tem potencial, só devia ter tentando se aprofundar um pouco mais.

  2. Tolbert Dzowo
    8 de maio de 2021

    Ambientação : confusa, tudo acontece numa piscina e ela tem ilusões com o mundo sendo atacado por robôs, demorei para criar um cenário na minha mente.
    Erendo : foi um pouco estranho o jeito que as coisas foram acontecendo, enquanto eu tentava entender os robôs, eu já estava lendo e tentando entender outras coisas.
    Escrita : acredito que foi o maior problema, falta de revisão, tiverem alguns erros que atrapalharam a leitura.
    Considerações : A história teve uma finalização nada surpreendente, não houveram momentos de impactantes, é fácil se perder no conto, e a história de ser um sonho poderia ter sido melhor aproveitado desde o princípio.

  3. opedropaulo
    8 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO: A ambientação me pareceu bem pensada, mas não tão bem executada. A intenção era que o leitor perdesse noção da realidade junto com a personagem, o que, sim, deveria ser caótico, mas a forma como foi escrito, combinado a erros de revisão e uma escrita indecisa entre nos imergir nos sentimentos da personagem e apresentar o espaço por onde ela fugia, acabou confundindo mais do que fazendo sentir a perdição da personagem.

    ENREDO: O enredo demora muito a se delinear, sugerindo que a personagem seja uma improvável sobrevivente de um mundo acabado, fugindo dos monstros e dos seus ressentimentos. Anteriormente apontei o problema do texto em situar o leitor e aqui isso volta a dificultar a assimilação da história por impedir que nos envolvamos com o contexto perverso em que “vive” a personagem. Mas isso se torna pior quando o conto se encerra com a ideia de que todo o pesadelo da protagonista foi uma visão numa experiência de quase morte, revelação abrupta, mas previsível pela forte presença de sonos inquietos e pesadelos que se apresenta na leitura. Então, ao invés da surpresa, ficou uma certa insatisfação, pois ainda tentávamos desvendar o mundo de onde a personagem veio e não a conhecemos o bastante para querermos que ela viva, afinal, não sabemos o que a espera após o afogamento, nós mal a conhecemos.

    ESCRITA: Há problemas de revisão, parágrafos demasiadamente longos e uma falta de equilíbrio entre apresentar a personagem e seu sentimentos e descrever o que (não) está ocorrendo.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS: A ideia de que o fim do mundo se dá com o fim da vida de uma pessoa é interessante, mas faltou um cuidado com a maneira com a qual quis executar essa premissa e acredito que outros elementos poderiam ter sido trabalhados na história para enriquecê-la em termos de enredo e personagem. Ao invés de um retrato um tanto despropositado de apocalipse, talvez algo mais condizente com um fim do mundo “pessoal”, isto é, voltado apenas à experiência da pessoa que está morrendo, seria imergi-la num pesadelo construído pelas suas memórias. Vi que houve uma inclinação isso, mas o tempo gasto com as descrições de fugas e monstruosidades sanguinárias pareceram impedir que o texto tomasse essa direção mais íntima e, talvez, próspera. Mas isto é apenas uma sugestão. Boa sorte!

  4. antoniosbatista
    6 de maio de 2021

    Ambientação= Como uma pintura de Zdzislaw Beksinki.

    Enredo= Enquanto se afoga numa piscina, menina sonha que o mundo é atacado por robôs.

    Escrita= Precisa melhorar. O primeiro parágrafo é formado por uma frase que tem cento e onze palavras. Deveria ter utilizado ponto em lugar de virgulas, para dar espaço e separar as ações. Mais adiante tem outra frase comprida demais.

    Considerações Gerais= Precisa aperfeiçoar as ideias, a criatividade, as conexões frasais, por exemplo; “… aquele suor lhe causava pânico”. O certo, o lógico, seria o contrário; a tensão, o pânico, lhe causava suor. O final do conto é um clichê. Para um texto criativo, devemos evitar o comum, aquilo que já foi utilizado por outros escritores, principalmente para finalizar um conto. O final do seu conto foi sem originalidade. Foi previsível e decepcionante. Procure finalizar uma história que impressione o leitor, principalmente em Desafios Literários. Boa sorte.

  5. thiagocastrosouza
    4 de maio de 2021

    Ambientação: Confusa, muito pelos erros de revisão. Há também um atropelo na maneira de conduzir os sentimentos da personagem: algo acontece, ela pensa na mãe, no pai, na amiga, outra ação a atinge, ela volta a pensar sobre isso e aquilo, sente fome e fica com dificuldades de pensar, mas aí surge uma ideia de pular no lago. Há pouca credibilidade na construção da protagonista e, consequentemente, na ambientação, pois enxergamos o conto a partir dela.

    Enredo: Simples, mas que finaliza com o clássico “era tudo um sonho”. Há, claro, indícios que isso poderia acontecer, pois ela estava dormindo e acorda inquieta durante a noite, fora as situações absurdas e grotescas na qual se encontra. No entanto, a revelação tem pouco impacto, pois o caminho percorrido até o final não é bem desenvolvido.

    Escrita: Ponto mais fraco do texto. Muitos erros de revisão, atropelo nas passagens que, infelizmente, atrapalham o conto que já tem problemas.

    Considerações gerais: Assim como outros textos do desafio, creio que o autor ou autora está num processo de amadurecimento. Repito, o mais importante você fez: teve uma ideia, sentou na frente do computador, escreveu uma história e publicou. Críticas, comentários fazem parte desse ofício, agora resta você sentar novamente, ler, escrever, revisar com calma, reler e seguir aprimorando seus textos. Quero te encontrar de novo por aqui!

    Grande abraço!

  6. Ana Caroline de Arimathea
    3 de maio de 2021

    Ambientação: Um pouco confusa, no começo quando ela estava na cama, acompanhei com exatidão o ambiente, depois que ela levanta nada mais está claro

    Enredo: Bom, mas a escrita um pouco não revisada deixa a leitura um pouco confusa.

    Escrita: Acho que este é o principal ponto a melhorar, tenho a impressão de que você sentou e escreveu tudo de uma vez, sem revisar, isso não é bom, não acho que você escreva mal, acho que está num bom caminho, só precisa amadurecer um pouco mais a escrita.

    Considerações gerais: Você tem boas ideias, que é tudo o que um bom escritor precisa, o resto é prática e amadurecimento.

  7. Lucas Julião
    2 de maio de 2021

    Ambientação: Seria o ponto forte se não fosse um problema que contarei depois.
    Enredo: Tem um problema grave, “era tudo um sonho” é jogar a expectativa do leitor fora.
    escrita: Tem alguns erros de revisão como “mais de garras” entre outros.
    Considerações gerais: Ou tu dá vários indícios que tudo se trata de um “sonho” ao longo do texto, deixando o surrealismo comer solto; ou tu fala logo de cara que é um sonho ou tu não deixa claro se é um sonho ou não. Nunca, nunca, fale que alguma coisa que o personagem viu é um sonho por depois de conta a história toda. Isso é meio que contar pra criança que papai noel não existiu e que nem você acredita na história que tá contando e falar que tudo que a gente viu não valeu de nada. Por isso é 6,0/10

  8. Anderson Prado
    1 de maio de 2021

    Ambientação: É o ponto forte do conto, pois pude sentir a angústia da protagonista.

    Enredo: Seria o velho “era tudo um sonho”, mas, surpreendentemente aqui, tratava-se do “era tudo um afogamento”. Embora a abertura e o desenvolvimento não tenham se me destacado especialmente, gostei do desfecho.

    Escrita: O estilo é um tanto saramaguiano: parágrafos longos com uso abundante de vírgulas. Achei a escrita um pouco imatura, pois me deparei com muitos erros de revisão.

    Considerações gerais: Foi uma leitura rápida, de perder o fôlego, mas o excesso de erros de revisão tolheram melhor avaliação do texto. É um nota 9,6.

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Informação

Publicado em 1 de maio de 2021 por em EntreMundos - Fim do Mundo.