EntreContos

Detox Literário.

[EM] Se um dia o sol brilhar (Memalso Lobon)

As ruas de Porto Maltês estavam tão escuras que mesmo com o farol do carro baixo, elas eram amplamente iluminadas. O rádio tocava uma música pop grudenta qualquer que Marta encontrou enquanto passava pelas estações. Ela aproveitava  a viajem de carro para afiar sua faquinha de sobrevivência, enquanto seu irmão, Carlos, dirigia. Júlio, amigos dos dois, e o cachorro dos irmãos, Max, aproveitavam a viajem para dormir.

            —É seguro viajar com os faróis acesos?—perguntou Marta.

            —Viajar não é seguro, ponto—respondeu o irmão.

            —Então o que estamos fazendo aqui?

            —Correndo para longe do problema.

            —Para longe de casa—ela fitou a janela, pensativa.

            —Para longe de uma zona quente—ele corrigiu.

            Marta suspirou. Carlos dirigia devagar e observou as casas em busca de vida. Mas nunca encontrava. Igual quando antes de roubarem o carro, quando tinham que caminhar a pé. Era só silêncio, frio e morte. Desde que o sol desapareceu era sempre assim. O medo constante seguia a todos. Carlos tentou se lembrar sobre quando tudo isso começou, sua mente viajou para meses atrás, quando podia sentir na pele o calor do sol, quando seus pais ainda estavam vivos.

            No início, ainda havia esperança de que tudo melhoraria. “Não se preocupem, o sol com certeza voltará logo”, foi o que as autoridades disseram. Depois as naves apareceram e junto delas os temíveis strobes.

            Criaturas esguias, suas cabeças pareciam um megafone, porém ao invés de ela propagar som, a cabeça transmitia uma luz ofuscante, que era capaz de cegar e enlouquecer qualquer um que olhasse. Suas vítimas ficavam com os olhos brancos depois do ataque. Mas os que só enlouqueciam se transformavam em corpos-secos e sua sanidade mental se alterava. A pessoa se tornava extremamente agressiva e tentava obrigar outros a olhar para os montras também.

            Não era só isso, mas as mãos dos strobes terminavam em garras tão finais e mortais quanto uma faca. E sem dúvida o estrago era o mesmo. As pessoas já estavam com medo pela falta de luz, mas aparentemente um pouco mais de desespero nunca era demais. Um corpo na estrada fez Carlos freiar. O solavanco do carro acordou Júlio e o cão. Ele estava bem no meio da rua.

            —Porque paramos?—perguntou Júlio, ainda meio sonolento.

            —Um corpo—Carlos respondeu secamente.

            —Você fala como se fosse normal.

            —Vamos ter que movê-lo.

            —E claro que vamos—disse Marta, pela primeira vez na conversa—Quer dizer, vocês vão.

            Carlos pegou sua arma no porta luvas e Júlio pegou um taco de beisebol. O taco não serviria de muita coisa, mas o sentimento de proteção já era o suficiente. Depois saíram do carro. O corpo estava de barriga pra cima, em um possa de sangue, mas a primeira coisa que notaram foram os olhos.

            —Completamente normal—Carlos chegou perto do cadáver—Não parece obra de strobe.

            —Então… o que agora?—perguntou Júlio cutucando o corpo com seu taco.

            —Ué, movemos o cara—ele se levantou.

            —Simples assim?

            —Deseja um convite formal antes? Oh, meu amado Júlio, poderia me ajudar a  mover o corpo?—Carlos fez uma mesura.

            —Bom ver que o fim do mundo não acabou com seu senso de humor.

            —Vocês querem um quarto ou vão começar logo com isso?—gritou Marta do carro—Se eu estivesse aí, já teria terminado—eles não discutiram mais.

            —Você puxa as pernas e eu os braços—disse Carlos já puxando os braços.

            Os dois levaram o corpo até a frente de uma casa. Quando terminaram, Carlos, olhou suas mãos e viu o quão manchadas de sangue elas estavam.  Infelizmente aquela não era a primeira vez.

            —Será que tem alguém nessa casa? Se não tiver podemos entrar pra nós lavar—disse Júlio vendo que estava na mesma situação.

            —Ei Marta!—a garota olhou pela janela do carro—Vamos naquela casa nos lavar, quer ir junto?

            —Não, vou espera-los aqui.

            Os dois foram até a entrada da casa e a viram melhor. Era igual a todas as outras da rua. Dois andares e um quinta grande. Quando chegaram mais próximo da porta, perceberam que ela estava aberta, menos problemas pra resolver então. Os dois entraram, Carlos na frete e Júlio atrás. No chão estilhaços de vidro respingados de sangue cobriam o tapete de bem-vindos e escada a cima, se tivesse uma placa escrito “Morte Certa” teria tido o mesmo efeito nos dois.

            Quando Júlio passou ele encostou a porta, seria melhor não ter nenhuma surpresa enquanto se limpavam. Depois de tantas adversidades a sorte parecia brilhar ao grupo. Correr do aconchego de sua casa após o ataque foi difícil para os irmãos, mas com Max e Júlio tudo parecia ficar um pouco melhor. Não tiveram grandes problemas até então, se esquecer da parte de tirar um corpo morto do meios da rua. Mas é claro que nunca está ruim o suficiente, sempre da pra piorar.

            Havia um lavabo logo abaixo da escada, Júlio achou que seria melhor deixar Carlos sozinho no de baixo e tentar ver se tinha algum banheiro no andar de cima. Júlio subiu as escadas e sentiu uma corrente fria, tentou esfregar as mãos uma na outra e quando respirava podia ver o ar condensar. Haviam três quartos no andar de cima, e o vento vinha do único com porta aberta, a esquerda do topo da escada.

            A janela do quarto não estava só aberta, estava completamente destruída. Os cacos da entrada vinham de lá. Se era obra humana ou de um strobe não dava pra saber. Entretanto sem dúvida, era estranho que só um corpo tivesse sido encontrado. Para sorte de Júlio, ou de um azar mortal, o quarto da janela era uma suíte.

            No andar de baixo Calos já havia terminado e aproveitou para vasculhar a cozinha atrás de mais suprimentos. Tinham vários salgadinho, porém eles precisam mesmo era de comida enlatada. A água na torneira já estava contaminada e na meladura só tinha energético. Carlos pensou que era melhor que nada e colocou eles e a comida em cima do balcão. Enquanto procurava por uma sacola pra levar tudo para o carro, Carlos escutou uma porta batendo e um baque como se algo pesado tivesse caído.

            —Julio! Tudo bem??—Carlos gritou correndo para a escada.

            —Calma! Calma!—Julio desceu a escada correndo de mãos vazias—Encontrei o que atacou o homem na rua, era só um corpo-seco, usei meu bastão para trança-ló dentro do quarto.

            Um latido alto assustou os dois. Seguido de um carro dando partida. “Marta e Max”, eles pensaram e saíram correndo até o lado de fora. O corpo na entrada continuava imóvel, porém havia mais alguém na rua. Em pé na calçada e encarando o carro estava um dos chamados corpos-secos, os braços imóveis no lado do corpo e curvado. Ele se tentava se aproximar, se arrastando até o carro, mas Marta dava ré sempre que ele chegava perto demais. Havia pouco tempo para agir. Júlio estava desarmado e Carlos achava sua mira péssima.

            —Atropela ele!!!—gritou Júlio.

            Marta o encarou como se ele tivesse lhe pedido para pular de uma ponte, porém fez mesmo assim. Ela avançou em direção ao ser, pisando no acelerador. O monstro não pareceu entender a situação e continuou se arrastando. Quando o carro bateu, o corpo-seco foi jogado pra frente e Marta se encostou no banco do carro e finalmente respirou. Júlio foi correndo até Marta e Carlos se aproximou mais devagar tentando ver se o monstro estava mesmo morto.

              Marta abriu a porta e Max pulou para o lado de fora, se esfregou em Júlio e Carlos. A garota ainda tremia pelo ocorrido anterior, parecia que começaria a chorar a qualquer momento, saiu do carro e sentou no chão de asfalto. Os outros dois não estavam tão diferentes, Júlio se sentou junto de Marta e Carlos continuou em pé, pensando no que fazer a seguir.

            Seguir, iriam seguir. Como fizeram depois que os strobes invadiram sua casa. Como teriam de fazer para sempre até que o sol voltasse, se é que era possível. Juntos pegaram o que Carlos encontrou na casa e seguiram viajem. Para longe do corpo, para longe da casa, para longe dos pais, para longe de Porto Maltês e, quem sabe um dia, longe de seus problemas.

10 comentários em “[EM] Se um dia o sol brilhar (Memalso Lobon)

  1. Lucas Julião
    6 de maio de 2021

    Ambientação: Muitos problemas, muitos problemas mesmo! Primeiro por falta de criatividade. Fora o sol ter se apagado (o que já era suficiente) isso é uma cópia de bird box. Não se pode olhar para o monstro se não dá ruim ou você vira um louco que quer obrigar as pessoas a olharem… A comparação é muito evidente. E eles se tornam um inimigo muito maior que a “escuridão” do sol negro.
    Sem contar que se a rua está completamente escura, o farol, mesmo no máximo (e olha que nem eu que sei dirigir) sabe que se tu deixar no máximo não vai ver muita coisa a frente. Então a ideia do farol quebrou a imersão.

    Enredo: É bird box. Não dá pra animar. E olha que mesmo sem ver o filme eu vi exatamente essas cenas.

    Escrita: Mal estruturada, apesar de mais fluída que muita coisa aqui.

    Considerações gerais: Achei pouco criativo e consequentemente meio preguiçoso. Para mm não funcionou já que pegou um monte de clichês de filme de invasão alienígena, colocar em um conto e não aproveitar o fato mais curioso: O sol não brilha mais. 5,0/10

  2. thiagocastrosouza
    6 de maio de 2021

    Ambientação: Achei uma coisa no meio do caminho. É um mundo simples, que não demanda muita inventividade ou descrições, ao mesmo tempo que os strobes inseridos de maneira um pouco longínqua. Isso se dá muito pela narração, ao meu ver.

    Enredo: Bom quando busca criar um suspense, mas incompleto no todo do conto. Há pouco desenvolvimento dos personagens, nada além de pequenas explicações dos traumas. A cena da casa poderia ser uma abertura, um desenrolar de um conto mais longo, já que o desafio assim o permitia. Optando pelo caminho mais curto, não se amarrou bem o três atos da história.

    Escrita: Narrador bastante presente, onisciente e alarmista. Muito funcional na hora de criar situações de suspense. Os diálogos são ágeis, mas há pequenos erros de revisão.

    Considerações gerais: Um conto sobre sobrevivente num mundo pós-apocalíptico. Nesse tipo de obra, acho que costumamos nos apegar mais aos personagens nesse contexto extremo do que na ambientação que esse mundo oferece. Como o conto foi pouco desenvolvido, não há empatia pelos personagens, nem tempo para nos inteirarmos dos seus conflitos, dramas e dubiedades.

    Grande abraço!

  3. Nelson Freiria
    6 de maio de 2021

    Ambientação: de maneira eficaz, o autor(a) nos joga dentro de uma situação de fim do mundo como o conhecemos com apenas um pequeno parágrafo (“No início, ainda havia esperança…”), enquadrando o conto dentro da temática de maneira simples. Mas pouco após adentrar dentro do clima de mistério/terror, com os acontecimentos que se seguem e da maneira como são escritos, acaba criando um humor involuntário.

    Enredo: a premissa é boa, apesar de bastante batida, mas o desenvolvimento faz sangrar os olhos. Existem muitos furos na histórias e isso não deixa o enredo contar uma história que prenda o leitor aos problemas apresentados. O final, por incrível que pareça, é legal ao trazer uma reflexão sobre as atitudes deles diante de seus problemas ao invés de uma batalha, por exemplo.

    Escrita: é o quesito com maior problemas dentro do conto. Erros de pontuação e gramática fizeram um belo estrago ao texto. Como são muitos, dá a impressão de que o texto não teve revisão. Mas o que mais me incomodou mesmo foi o narrador. Ele não dá espaço para nada acontecer, pois conta tudo de maneira rápida, atropelando o desenvolvimento da trama.

    Considerações Gerais: Tive a impressão de que o autor(a) estava se arriscando pela literatura pela primeira vez. Dá pra dizer que é uma ideia bacana, porém mal desenvolvida.

  4. Ângelo Rosa de Lima
    4 de maio de 2021

    Ambientação: O autor foi muito bem em construir e nos passar o mundo/universo no qual o conto se passa. 9/10

    Enredo: É como o primeiro episódio de uma série… em alguns momentos a reação dos personagens corta um pouco a credibilidade, como a ideia de ter que lavar as mãos sujas de sangue num mundo onde o sol já nem existe. No fim a história só serve para nos mostrar o mundo em que eles estão vivendo, sem que nenhum personagem desenvolva uma personalidade singular (exceto talvez a Marta), e sem que os acontecimentos tenham sido relevantes para alterar o mundo proposto no conto. 5/10

    Escrita: Escrita leve e simples, com alguns erros de português por provável falta de revisão. 7/10

    Considerações gerais: Não senti que o mundo acabou, mas que estamos em um cenário de “Guerra dos Mundos”. O nome do conto combinou bem com o conteúdo.

  5. Natália Koren
    3 de maio de 2021

    — Ambientação: O ambiente construído é bem parecido com muitos que já vimos em histórias distópicas… Mas exatamente por causa disso, em menos de três parágrafos o autor já consegue descrever o que aconteceu, como são os monstros e em que situação o mundo se encontra. Gosto de ser assim, direto, sem precisar se alongar demais nas descrições e nos levar direto para as ações dos personagens, porque já vimos muitas construções de mundo desse tipo. Só acho que, ao longo do texto, esse ambiente hostil ficou perdido, não teve muito foco na escuridão, que é exatamente o diferencial aqui… ela nem chegou a interferir nos acontecimentos: como eles conseguiam enxergar as casas em volta e saber que estavam vazias se só o que iluminava a rua era o farol do carro? (quem já andou de carro no escuro absoluto sabe que o farol só ilumina onde está o feixe de luz, não tudo o que está em volta)
    — Enredo: É uma cena bem clássica de “road trip pós-apocalíptica”, sem grandes reviravoltas. Algumas decisões em relação aos personagens me incomodaram um pouco: que história é essa de “Vocês vão?” ou “Se eu estivesse aí, já teria terminado”? Vai lá e faz, dona Marta! (hehe) Acho que personagens femininas que não podem sujar as mãos quando o mundo está acabando é um conceito um pouquinho ultrapassado… E a introdução deles também ficou um pouco estranha, com Marta perguntando porque estão fazendo essa viagem quando eles obviamente já está viajando há algum tempo. Mas isso pode ser só uma impressão que eu tive porque o conto não teve tempo de se aprofundar nos personagens e no passado deles… De resto, acho que a entrada neles na casa começou a construir uma expectativa que foi um pouco frustrada… O uso de frases de impacto como “é claro que nunca está ruim o suficiente, sempre da pra piorar” e “para sorte de Júlio, ou de um azar mortal” fazem a gente esperar que algo terrível vai acontecer, mas aí Júlio resolve tudo sem grandes inconvenientes e só conta rapidinho que tinha um monstro lá em cima, como se nem fosse nada. De repente ter escrito essa cena do embate teria feito a gente se envolver mais ainda na história.
    — Escrita: Achei o ritmo da escrita bem fácil de acompanhar. A linguagem leve vai conduzindo o leitor pela história. Tem algumas frases e construções de parágrafos que ficaram meio confusos. Como já comentaram aqui, a primeira frase realmente ficou sem sentido, mas eu entendi o que você quis dizer: que as ruas estavam tão escuras que mesmo o farol baixo já parecia iluminar muito, não é isso? Só que o jeito que está escrito realmente deixa bem difícil de compreender. O que mais me incomoda é o uso de muitas frases prontas, batidas, que não parecem contribuir muito para o enredo. Fora isso, tem vários errinhos de digitação, ortografia e provavelmente coisas do corretor, mas nada que uma boa revisão com calma não resolva. Os diálogos, apesar de ter vários clichês e uma ou outra colocação fora de tom, funcionam, são bem dinâmicos.
    — Considerações gerais: Como aqui temos só uma cena, ficou tudo meio superficial, mas eu gostei do conto. Gostei da ideia, tem muito potencial… Se tivesse um pouco mais de aprofundamento nos personagens, eu leria uma história completa nesse universo sem problemas! 😉

  6. Fabio D'Oliveira
    3 de maio de 2021

    Vou ser bem sincero, Memalso, espero que entenda que minha intenção aqui é ajudá-lo a melhorar como escritor. Não sou profissional, cometo erros, como qualquer um, mas tenho um pouco de experiência na labuta.

    AMBIENTAÇÃO

    É um conto de FC e terror focado numa temática pós-apocalíptica. Primeiramente, vou começar pela cidade apresentada: Porto Maltês. Não encontrei nada no Google, então vou assumir que é fictícia. Que cidade é essa? Qual sua cultura? É uma metrópole? Ou fica no subúrbio? Interior? Como leitor, espero formar uma imagem, nem que seja breve, do cenário. Você simplesmente jogou os personagens numa estrada, descrevendo que todas as casas são iguais e pronto. Existem inúmeras formas de inserir algumas informações de forma bem orgânica no texto. Exemplo:

    “Desde que abandonaram tudo, decidiram evitar as grandes rodovias, seguindo pelo litoral. Por algum motivo, os strobes detestavam água, então a presença de corpos-secos naquela região era menor.”

    Veja bem: inseri a localização, ajudando o leitor a criar a imagem do ambiente, e inseri alguns detalhes sobre o comportamento das criaturas. Você pode diluir pequenas informações em diálogos, também. Outro exemplo:

    “Marta estava pensativa.

    — Algum problema? — perguntou Carlos, preocupado.
    — Estava pensando em como a vida é irônica… Eu sempre quis visitar Porto Maltês. E agora estou aqui.
    — Ah, sim, você vivia falando que queria ir na roda-gigante — lembrou ele, procurando o brinquedo colossal por cima das casas de um piso. Impossível. Escuro demais.
    — A maior roda-gigante do litoral! — Marta tentou repetir o jargão das propagandas, fazendo uma voz engraçada.

    Os dois riram. Era bom lembrar do passado. De algumas coisas, pelo menos.”

    Com essa pequena passagem, você revela que Porto Maltês era uma cidade focada no turismo, cria uma cena intima entre os personagens, o que ajuda no desenvolvimento deles, e ainda reforça a escuridão total do ambiente.

    Você não precisa desenhar tudo para o leitor, mas é necessário dar ferramentas para sua imaginação trabalhar. A forma como apresentou o cenário impede uma imersão mais profunda.

    Outra característica que você precisa se preocupar na ambientação é a coerência das informações. Você não situou o leitor em que país a história se desenrola, mas por causa de algumas informações, como o taco de beisebol, relacionei direto com os Estados Unidos. Com isso, você precisa se preocupar com alguns detalhes, como a origem dos nomes dos personagens. Carlos e Júlio são mais usados pela América Latina, por exemplo. Para solucionar uma possível incoerência, poderia deixar claro que eles faziam parte de uma comunidade latina, de imigrantes, como acontece muito nos Estados Unidos. Se, por acaso, a intenção era adaptar aqui no Brasil, por exemplo, não temos o hábito de possuir taco de beisebol em casa, então seria mais adequado trocar por outra arma. E assim por diante.

    O leitor vai pegar todas as informações que você disponibilizar para ele e criar uma imagem na cabeça. Evite informações conflitantes e incoerentes, sempre. Isso vai confundir o leitor e prejudicar a imersão dele na história.

    Para finalizar, irei falar de uma das características mais fortes do conto: a escuridão. Você comenta, em alguns pontos, sobre ela, mas não constrói como isso afeta os personagens. Há pouquíssimos reforços de imagem, também. Por vezes, durante a leitura, eu esqueci que da escuridão. Ela não se tornou marcante. E ela precisava se tornar. É o ponto mais forte da premissa, no meu ponto de vista. Você não desenvolve a relação dos personagens com ela. É praticamente um elemento dito, primeiramente, como importante, e totalmente ignorado depois.

    A escuridão é uma característica de alta associação com o leitor. A maioria das pessoas não gosta do escuro. A insegurança é grande. Com uma presença forte no conto, o poder de imersão é enorme.

    Preste atenção aos detalhes, sempre. E vale lembrar que a ambientação sempre vai depender da sua proposta. Por exemplo, se a intenção é criar uma grande metáfora, digamos, para o sentido da vida, criar um personagem com nome diferente, como Nihil, que é nada em latim, e uma personagem-guia chamada Vita, que é vida em latim, os nomes estão coerentes com a sua proposta.

    ENREDO

    A premissa é extremamente promissora.

    Eu consigo imaginar a cena de uma pessoa correndo pelas ruas de uma cidade mergulhada na penumbra, inúmeros corpos-secos a perseguindo e, no fundo, um holofote gigante se aproximando.

    É sinistro.

    O problema do conto está no desenvolvimento, não na ideia. E isso não é uma grande problema, Memalso. Explico: você aparentemente é um escritor iniciante. Não tem muita experiência. Então é normal que cometa muitos erros. É super normal. Mas você tem uma coisa importante para o ofício da escrita: criatividade.

    Seus personagens são estereotipados. A trama é repleta de conveniências e furos. A ambientação é fraca. A escrita é imatura demais. Esse conto não é bom, infelizmente. Mas pode servir como um grande aprendizado. Absorve bem todas as opiniões do certame. E continue escrevendo.

    ESCRITA

    Pedro Teixeira apontou alguns pontos interessantes, como a construção estranha de algumas frases. Vou destacar um dos trechos que ele ressaltou e ilustrar:

    “As ruas de Porto Maltês estavam tão escuras que mesmo com o farol do carro baixo, elas eram amplamente iluminadas.”

    Vou reescrever a frase de forma literal:

    “As ruas de Porto Maltês estavam tão escuras que, mesmo com o farol do carro baixo, eram amplamente iluminadas”.

    Ajeitei as vírgulas e retirei o pronome “elas, desnecessário na frase. Agora, irei reescrever mais uma vez:

    “As ruas de Porto Maltês estavam tão escuras que mesmo o farol do carro tinha dificuldade de iluminar o caminho.”

    Por que eu modifiquei toda a estrutura? A frase anterior é incoerente. Ao mesmo tempo que ela dá a entender que o lugar era tão escuro que o farol do carro era incapaz de iluminar tudo, ela afirma que a rua era amplamente iluminada. Como isso? É uma falha de construção textual.

    Além dos erros de português e digitação, você também comete esse tipo de erro, volta e meia. Construindo frases estranhas, com pouca sonoridade, etc. Como no caso da ambientação, isso é um problema sério no conto, mas não do escritor. Você pode melhorar.

    Para absorver melhor como construir boas frases, aconselho a leitura. É o melhor método que existe. Conforme você vai lendo, vai começar a associar naturalmente as técnicas de escrita e, assim, vai conseguir reproduzi-las sem muito esforço.

    Você precisa prestar mais atenção na revisão e lapidação do conto. Você faz isso? Se não, comece. Depois de escrever, deixe o texto parado por um ou dois dias. Depois retorne e revise, conserte todos os erros gramaticais. Depois disso, deixe sua mente descansar um pouco e retorne para lapidar o conto. Você vai aprender que a escrita é a arte da reescrita, hahaha. Você passa mais tempo reescrevendo do que escrevendo, para construir algo muito bom. Na lapidação, você evita problemas nas frases, focando numa sonoridade melhor, melhora situações e conserta furos. É uma parte extremamente importante da escrita. Não tem como evitá-la.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    Eu gostei MUITO da ideia. Estou sendo sincero. Queria ter tido ela. Ela é estranha, surreal, do jeito que gosto. E a leitura não foi difícil para mim, apesar dos erros. Essa fluidez indica um grande potencial, acredito. Basta focar mesmo na parte técnica e criativa. Sua imaginação é como uma joia bruta. Sem lapidação, vai ser confundida com qualquer outra pedra, mas com lapidação, Memalso, você pode escrever coisas incríveis. Pode ter certeza disso.

    Espero que entenda minha forma de opinar. Alguns interpretam errado, porém, eu acredito que exemplos visuais são mais poderosos. Se precisar de mais ajuda, depois do certame, pode me adicionar no Facebook que trocamos algumas ideias!

    Tudo de bom e continue escrevendo sempre!

  7. Fheluany Nogueira
    2 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO –
    Uma abordagem meio “pós-apocalipse/ invasão alienígena” e os efeitos diretos da catástrofe, que retoma muitas séries e filmes.
    O ambiente está retratado em uma viagem de carro, entrecortada pelo medo e a necessidade de prosseguir. No caos, os jovens tentam sobreviver ao ataque dos seres e à escuridão. Achei exagerado o desaparecimento do Sol.

    ENREDO –
    O enredo, apesar de bem previsível, traz muita ação do início ao fim: os imprevistos, os improvisos, a excitação da busca pela segurança – tudo nesses primeiros movimentos serve para colocar o leitor em um estado de alerta, com alguns momentos de tensão e suspense, com a invasão se consumando aos poucos, mostrando a luta dos sobreviventes. Mas não consegui entrar muito no clima, faltou mais emoção; a narrativa não gera impacto.

    Os personagens lembram demais o universo pop de séries e filmes, com suas piadinhas e desejos. A caracterização dos alienígenas ficou vaga.

    ESCRITA –
    Tirando alguns erros de revisão, a escrita é muito boa, uma leitura que não pesa. Uma revisão geral poderia melhorar ainda mais o texto, não só gramatical, mas também na estruturação da frase e no sentido.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS:

    O lado positivo do conto está na fluidez e a narrativa ajuda o leitor a entrar na história, com as cenas ocorrendo naturalmente. Senti como se assistisse um episódio central de uma série, sem conhecer o início e desfecho dela. Não há um clímax ou uma reviravolta ousada.

    No conjunto, é um bom trabalho. Parabéns pela participação! Abraço.

  8. Kelly Hatanaka
    1 de maio de 2021

    Oi Memalso.

    Olha, não sou nenhuma profissional e minha avaliação abaixo é somente uma opinião minha como leitora, ok?

    Ambientação:
    Vou confessar que tive problemas com a ambientação. Não consegui imaginar um cenário em que o sol desaparecesse e as autoridades se pronunciassem com “não se preocupem…”. E como o rádio tocava alguma coisa? As antenas de transmissão funcionavam? Os funcionários das rádios estavam cumprindo suas jornadas de trabalho normalmente? E, se as ruas estavam muito escuras, o farol do carro teria que ser muito mais forte para iluminar alguma coisa, não o contrário.
    Um desaparecimento súbito do sol é uma das coisas mais aterrorizantes que se pode imaginar. Não senti esse medo na narrativa. A atitude meio debochada dos personagens reforçou essa impressão.

    Enredo:
    A postura dos personagens me pareceu estranha. Parecem estar num passeio. O sol sumiu, o mundo está mergulhado em trevas, o mundo foi atacado por alienígenas hostis e eles se preocupam em lavar as mãos? Especialmente considerando-se que eles sabem que a água da torneira está contaminada… E, num cenário desses, Marta prefere ficar sozinha com Max no carro? Carlos e Julio vão entrar numa casa, veem que ela já foi arrombada, veem sinais de luta e entram mesmo assim?

    Escrita:
    Alguns erros me incomodaram bastante. Vale sempre a pena investir um tempo numa revisão mais cuidadosa. Algumas construções meio confusas também dificultaram o entendimento do texto.

    Considerações gerais:
    A ideia é boa, mas minha opinião é a de que poderia ser melhor explorada. No caso de seu texto, a ambientação é importantíssima e valeria a pena, talvez, mostrar mais o medo, o pavor e o terror da situação.

  9. Anderson Prado
    1 de maio de 2021

    Ambientação: Tenho gostado muito das ambientações com que tenho me deparado e, aqui, não foi diferente: estive nesse futuro apocalíptico junto com os personagens.

    Enredo: Embora o desfecho não tenha me agradado, o desenvolvimento se mostrou muito agradável de ler, sobretudo em razão da presença dos diálogos, que deram dinamicidade à história. Aqui, as coisas acontecem, ao invés de serem contadas (o que considero uma qualidade).

    Escrita: Está bem encaminhada, mas ainda há muito espaço para amadurecer. Ademais, achei que o autor foi um pouco descuidado, cometendo muitos erros de revisão.

    Considerações gerais: A leitura foi agradável, mas a escrita um pouco imatura e o enredo um tanto ingênuo me obrigam a uma nota 9,6.

  10. Pedro Teixeira
    1 de maio de 2021

    Ambientação – O conto é ambientado num futuro pós-apocalíptico, que lembra muito séries como The Walking Dead. Senti falta de elementos que indicassem em qual país eles estão: ficou tudo muito genérico, parecendo que a trama se passa em alguma pequena cidade americana. Mas no geral consegue passar essa sensação de um lugar abandonado e deserto sem grandes problemas.
    Enredo – O enredo acaba seguindo um caminho já bem conhecido por quem já viu séries e filmes nessa temática. O universo no qual se insere é bem interessante e revisita alguns conceitos que me remeteram a Guerra nos Mundos e a Plano 9, do Ed Wood. Em relação aos personagens, achei que faltou naturalidade em suas falas, que mais uma vez fazem lembrar demais personagens desse universo pop de séries e filmes americanos, com suas piadinhas.
    Escrita – Foi uma boa opção adotar um estilo mais coloquial e leve, combina com a história. No entanto, há algumas frases mal estruturadas, que ao meu ver falham em transmitir a ideia que se pretende passar. Como por exemplo esta no início:”As ruas de Porto Maltês estavam tão escuras que mesmo com o farol do carro baixo, elas eram amplamente iluminadas.” As ruas estavam escuras ou iluminadas? Ficou um pouco confuso. Também há alguns erros de grafia: viagem como substantivo se escreve com g. Outra coisa: haver no sentido de ter, existir, fica sempre impessoal. Então, não é “haviam 3 quartos”, e sim “havia 3 quartos”.
    Considerações gerais: Bom, é isso. No geral a leitura ocorreu sem dificuldades, mas não me senti muito atraído pela trama em si e pelos personagens. Talvez porque eu não seja público pra esse estilo. No entanto, achei bem interessante o universo proposto, e me parece que tem bastante potencial.

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Publicado em 1 de maio de 2021 por em EntreMundos - Fim do Mundo.