EntreContos

Detox Literário.

[EM] A Torre dos Mil Universos (Andorinha)

– ZERO –

POEMA SOBRE UMA RACHADURA

Como tudo acabou?

Primeiro:

O universo trincou,

Tão rápido,

Que a realidade se quebrou num instante.

Segundo:

Um puxão,

Tão forte,

Que arrebatou todo o equilíbrio.

Terceiro:

O cosmos,

Tão lindo,

Que incorporou nele.

Quarto:

Esmagamento,

Tão doloroso,

Que fragmentou tudo que era.

Quinto:

O vazio,

Tão raro,

Que o transmutou em Painita.

Sexto:

Um mar negro,

Tão solitário,

Que afundou por ciclos infindos.

Sétimo:

A torre,

Tão misteriosa,

Que abrilhantou seus sonhos.

E assim tudo recomeçou.

– I –

E ELE DESPERTOU NUM RIO DE CRISTAIS

Há quanto tempo estava caindo?

Não sabia.

Era somente ele, o abismo negro e aquela torre de inúmeras faces. Mesmo consciente, o rapaz estava num estado de dormência. Tanto, mas tanto, que foi incapaz de vislumbrar a aproximação da ilha flutuante.

Aterrou o juízo num rio de cristais.

Continuou submerso por um tempo. Respirava debaixo d’água. Pontinhos brilhantes desafiavam ou aceitavam a correnteza: rubi, esmeralda, topázio, diamante, ametista, safira, opala. Enquanto alguns desciam, outros queriam subir.

“Acho que a vida é assim mesmo”, pensou ele. Num suspiro, nadou até a margem para observar o ambiente.

Estava no passo de duas montanhas. Monocromático demais: tudo cinza. Um verdadeiro contraste com o arco-íris rabiscado no rio. Balançando para longe toda a morosidade do corpo, contornou as escarpas até o pico. Era um pouco difícil caminhar depois do longo período em queda livre.

Além da floresta de corais, além do oceano esmeralda, além do deserto alvo, além das planícies dos ventos; é ali que estava a torre com toda sua grandeza. Acima da ilha, um anel, feito de orbes azuis e prateados, iluminava tudo, criando uma eterna noite de lua cheia.

Sentiu algo pousar no ombro direito. Era uma andorinha. Ela bicou carinhosamente seu rosto antes de voar para longe.

Um beijo de bem-vindo e boa sorte.

– II –

AO REDOR DA FOGUEIRA GLACIAL

Por que estava tão quente?

Desde que adentrou a floresta de corais, flocos de neve começaram a despencar dum céu sem nuvens. Mas, ao invés de esfriar o ambiente, apenas esquentou. Não conseguia tocá-los.

— Neve intangível…

Ele parecia estar no fundo do oceano. Corais gigantes, algas que se mexiam suavemente para os lados e peixes nadando em pleno ar, alguns escondidos nas rochas esburacadas. Donzela, cavalo-marinho, salmão, cirurgião-patela, badejo, raia-lenga. Acima de tudo, fazendo sombra de tempos em tempos, um tubarão-baleia gigante.

Sempre imaginou o mar como um lugar frio.

“Que surpresa calorosa.”

Continuou explorando a floresta, sempre mantendo a torre no campo de visão. Percebeu que, ao cruzar com uma família de mini-golfinhos, os corais começaram a ficar mais dispersos, assim como as algas, e não demorou muito para encontrar uma clareira arenosa.

No outro extremo, sob uma pedra negra de formato discóide, que tinha parte dela enterrada na areia, uma fogueira de chamas brancas esfriava o ambiente. Ficou curioso.

— Pessoas…? — outra surpresa: um grupo fugia da solidão ao redor do fogo.

Primeiro: um rapaz de aparência requintada, olhar altivo e postura prepotente. Sorriu com sua aproximação. Segundo: um homem de meia-idade, magro e corcunda. Olhou-o de soslaio quando parou diante do esconderijo. Terceiro: um brutamontes trajando peles de animais, como urso, tigre e lobo, alimentando a fogueira com corais. Cerrou os punhos.

— Olá… — cumprimentou quase sem voz. Não falava há muito tempo.

Quarto: uma menina pequenina, deitada de bruços, olhando para as chamas. Bocejou e permaneceu na mesma posição. Quinto: uma jovem contando moedas, sem parar, desconfiada de tudo e todos. Guardou o dinheiro, alarmada. Sexto: um gordinho bem sorridente, limpava um salmão com afinco. Lambeu os dedos. Sétimo: uma mulher de corpo esbelto, roupas sensuais e pernas cruzadas. Piscou para ele.

— Junte-se, novato! — exclamou o rapaz elegante, levantando-se e caminhando na sua direção de braços abertos. — Acabou de cair do céu, né? Não se acanhe, venha. Temos um pouco de frio e comida.

— Sim, sim, muita comida — confirmou o cozinheiro.

— Meu nome é Samir — apresentou-se. — Não há liderança no grupo, mas digamos que sou o representante. Para facilitar, claro. Esse homem lindo de morrer, apesar da idade, sem deboche, juro, é o Javeni. E o grandão, que está nos encarando ameaçadoramente, se chama Rai. Ignore, ele é sempre assim.

Samir continuou andando ao redor da fogueira.

— A lindinha que está deitada, perto da fogueira, é nossa pequena Yanka. Quase não fala. Temos a paranóica do grupo, Zareva, a coitada acha que alguém está tentando roubá-la. Não entendo, dinheiro não serve pra nada nessa ilha — e parou para massageá-la nas costas. — É brincadeira, meu amor, você sabe disso, não sabe?

— Toma aqui, prova — ofereceu o gordinho.

Era sashimi. Tinha gosto de mel.

— Esse é nosso mestre-cuca, razão da nossa felicidade, salvador de nossos paladares. El grand Luga! — não poupou elogios. — E não podemos esquecer desse mulherão aqui.

— Alika — interrompeu ela, piscando novamente para o novato. — Sou tudo o que você imagina que seja e um pouquinho mais.

— Nossa… — Samir deixou escapar, sorrindo maliciosamente.

— Qual seu nome? — questionou Alika, interessada.

Nome? Ele tinha nome? Não sabia, sinceramente. Quando tentou vasculhar suas lembranças, encontrou uma minúscula fração de quem foi. Era feliz. Mas por quê? Sentia-se fragmentado.

— Eu não sei — foi sincero.

— Não se preocupe com isso, novato — declarou Samir. — Poderia ser um telepata: o mundo acabou e você não lembra de nada. Estou certo? Aconteceu a mesma coisa comigo. Com todos, na verdade. Acabamos nessa dimensão, alguns caíram por muito tempo, outros nem tanto, mas o destino é sempre igual: essa ilha. Aqui, querendo ou não, somos outras pessoas. Quase ninguém lembra do nome.

— Presenteia ele, chefe. Você adora fazer isso — intrometeu-se Zareva, voltando a contar suas moedas.

— Ah, sim… E, apesar de ficar lisonjeado, não sou o líder. Não temos isso. Quantas vezes preciso repetir?

— Você age como um. Não gosto disso — rosnou Rai.

— Vamos lá, gente, menos imaginação — tentou amenizar. — Agora para o que realmente importa: o nome do novato.

Samir o encarou intensamente, caminhando pelo abrigo. E, de súbito, gritou:

— Veritas!

Sentiu um calorzinho no peito.

— Por que o nome dele é mais legal que o meu? — interpelou Javeni, enciumado.

— Talvez ele seja melhor que você… O que não seria novidade, por sinal… — debochou Yanka, quebrando seu silêncio, finalmente.

Rai gargalhou.

— Hora da comida! — exclamou Luga, encerrando uma possível confusão.

Não estava com muita fome, porém, aceitou duas tiras de sashimi, por insistência de Luga, e afastou-se do grupo. Contemplou a torre enquanto mastigava devagar.

Agora tinha nome. Era grato por isso. Mas ainda estava em pedaços. Sentia falta de algo importante.

— A torre te atrai? — Yanka decidiu se aproximar. Deixou o corpo cair na areia.

— Bastante — admitiu ele.

— É quase um feitiço… A maioria cede, sabe? Alguns resistem, mas acabam se jogando no abismo novamente. Essa ilha é estranha. Tudo aqui é passageiro.

— O que tem dentro da torre?

— Não sei. Ninguém retorna dela.

— Eu tenho uma teoria! — Samir apareceu. Sentou-se do lado oposto da Yanka, que bocejou ao vê-lo.

Sempre articulando com as mãos, ele começou:

— No meu universo de origem, existia um debate acalorado sobre a verdade de tudo. É uma das poucas coisas que lembro, além do meu nome — afirmou com certo orgulho. — Eu tenho muito apreço por uma teoria em específico. Nossa percepção do mundo é holográfica. Ou seja, tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e falamos é uma projeção da mente. Você vive o que acredita ser verdade e o que conhece.

— E a realidade? — perguntou Veritas.

— Ela é bidimensional. Sem profundidade. Sem grandeza. É muito mais simples. Mas a humanidade é complicada. E o mundo é exatamente do jeito que somos. Tudo vibra, inclusive nossas intenções. Nossa mente capta essa vibração. E transforma naquilo que conhecemos.

— Parece teoria da conspiração… — provocou Yanka.

— Paciência… Continuando: todas as pessoas que chegam aqui, de fato, enxergam uma torre diferente. Eu vejo um belíssimo castelo de mármore. Alika, em contrapartida, acha que é um grande prostíbulo. Para finalizar, seguindo a mesma lógica, o interior da torre seria diferente para cada indivíduo. Se isso for verdade, as possibilidades são inúmeras, incluindo a criação de novos universos. Por isso ninguém retorna.

Fazia sentido.

— O que você vê, Veritas? — o rapaz apontou para a torre.

— Não há homogeneidade. Ela se transforma. Numa dada altura, é uma torre circular, entretanto, logo se transforma num condomínio suburbano. E assim por diante.

Samir ficou calado, digerindo a nova informação.

— Antes de perceber a neve, eu não sentia nada: calor, fome, sede. Podemos simular isso também? — quebrou o silêncio.

— Claro! — confirmou Samir. — Você viu essa fofura comer? Não. E nunca verá. Ela não come. Alguns escolhem sentir. Outros não.

— Trabalhoso demais… — comentou Yanka, coçando a barriga depois de uma longa espreguiçada.

— Muitas coisas que não conheço… — sussurrou Veritas.

Decidiu adotar a teoria do Samir. Precisava daquilo. Objetividade. Percebeu que, acima dos corais, um pouco distante, uma andorinha sobrevoava a região. Suspirou.

— Preciso ir embora.

Samir sorriu.

— Para a torre?

Confirmou com a cabeça.

— É uma pena, gostei de você — admitiu Yanka.

Fez um rápido cafuné na menina. Também tinha gostado dela. Levantou-se, limpando o excesso de areia da roupa, e, depois dum aceno rápido para o grupo, continuou sua jornada.

– III –

A LONGA CAMINHADA QUE REVIGORA

Por que sentia tanta atração pela torre?

Era uma espécie de peregrinação. Veritas caminhava obstinadamente. Sem descanso. A estrutura colossal sempre na linha do horizonte. Não piscava, não hesitava. Às vezes, como se estivesse em transe, esquecia de respirar. Era um sentimento inédito: cada passo fortalecia seu ânimo.

Quando chegou no oceano esmeralda, surpreendeu-se com a natureza das águas. Eram gelatinosas, tão firmes, que poderia andar sobre elas. E assim atravessou.

Quando chegou no deserto alvo, descobriu que toda aquela areia era feita de açúcar. Além da doçura, encontrou um camelo que adorava cafuné. E assim atravessou.

Quando chegou nas planícies dos ventos, conheceu um pequeno furacão solitário. Ele queria um amigo. E assim atravessou.

Segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos. Veritas caminhou tanto que esqueceu que o tempo existia. Não tinha mais importância. E Samir estava certo: fome e sede eram escolhas, assim como a dor e fadiga.

A mudança de clima impressionava. Depois de uma chuva torrencial que não molhava, vivenciava uma seca estranhamente forte, presenciando tudo morrer e renascer em minutos.

Não encontrou ninguém durante a jornada. Mas não estava solitário. Ela estava sempre por perto. Sobrevoando a região. A andorinha. Sua primeira amiga naquela dimensão fragmentada.

Depois de atravessar um bosque abundante em flores fluorescentes, Veritas finalmente  encerrou parte de sua jornada. Ao lado da entrada da torre, empoleirado num poste vitoriano, o passarinho esperava. Sentou-se no gramado e, sentindo o orvalho de uma manhã serrana nas mãos, agradeceu:

— Obrigado pela companhia.

A andorinha cantou, abriu as asas e foi embora.

– IV –

NA ESTAÇÃO DA PACIÊNCIA

Era mesmo uma despedida?

Não parecia.

De perto, a torre era ainda mais impressionante. Sua aparente infinitude, olhando de baixo pra cima, era assombrosa. Assumia todas as formas que podia imaginar. Prédios, castelos, hospitais, mansões. E sua entrada era bem intrigante: lembrava uma estação de trem. Roletas, cabines de venda, quadros de aviso, alto-falante anexado na parede.

Antes de levantar, Veritas contemplou a torre pela última vez. Gostaria de emoldurar aquela cena na mente.

Quando se aproximou do guichê, o megafone anunciou:

— Última chamada. Por gentileza, compareça à linha vermelha. O último trem partirá em breve.

Atravessou a roleta com facilidade e seguiu pelo corredor até encontrar a área de embarque dos passageiros. Era um local bem iluminado. Haviam três terminais. Com exceção de um casal de idosos, não havia ninguém na estação. O som da locomotiva, assim como seus apitos esporádicos, deixou Veritas ansioso. Não queria perder aquela viagem.

Correu.

Antes de entrar, no entanto, observou o interior do único vagão. Vazio. Perto dali, os velhinhos estavam sentados num banco provençal.

— Não vai embarcar, senhora? — perguntou Veritas.

Ela tricotava. Olhou-o por cima dos oclinhos, mantendo o vaivém das mãos. Era uma pessoa séria. Não respondeu. Ao lado, o velho tossia compulsivamente. Franzino e fraco. O rapaz ficou preocupado.

— Ele está bem?

— Está doente. E estamos esperando outro trem — respondeu ela, finalmente.

— E quando vai ser o próximo?

— Não sei — voltou a atenção para o tricô.

— Como assim? Eles não avisam?

— Apenas na hora certa. Precisamos aguardar.

Não fazia sentido.

— Como chegaram aqui? — arriscou ele.

A velhinha deixou escapar um longo suspiro, interrompeu o ofício, limpou os oclinhos e olhou-o profundamente.

— Você é novo por aqui, não é? Não tente entender tudo, jovem. Cada indivíduo que você encontrar está em sua própria jornada. E ela é única, inerente ao ser, e será o que deve ser, independente de tudo.

Foi interrompida pela tosse seca do marido. Fez um breve carinho nele.

— Não se preocupe muito — ela tentou confortar Veritas. — Não espere coerência por aqui. Apenas siga seu coração. Essa é a coisa mais importante.

— Tentarei me lembrar disso…

— Agora: embarque logo. É possível que não tenha outro trem para você. Algumas oportunidades são únicas.

Mal pisou no interior do vagão, as portas se fecharam e a viagem começou. Sentou-se perto da entrada e, antes de mergulhar na escuridão do túnel, respondeu o aceno da senhora que sabia esperar.

– V –

É PRECISO FECHAR OS OLHOS

Sentia sono?

Deixou-se embalar pelo movimento do trem. Dormiu. Não sonhou com nada. Sentiu-se em paz. Poderia ficar assim por muito tempo, entretanto, acabou despertando com o apito da locomotiva.

— Última parada: hotel das escolhas — anunciaram no alto-falante.

Antes de sair, Veritas se espreguiçou e, como se fosse um hábito antigo, alongou-se um pouco. Havia apenas um corredor depois da roleta. Conforme avançava, presenciou a mudança do ambiente: de túnel arredondado e monocromático para uma passagem luxuosa com pintura vermelha e decorações extravagantes. Perfume no ar. Almíscar.

Acabou saindo num saguão enorme, completamente vazio, apesar de ouvir burburinhos de pessoas pelo ambiente. Confuso, o rapaz se aproximou da recepção. E esperou.

Uma mulher saiu da porta que ficava atrás da bancada e, em disparada, ignorou Veritas por completo.

— Não acredito que esqueci de limpar as mesas. E ainda tenho que cuidar da cozinha. O que faço, o que faço?

Acompanhou-a com os olhos. Para lá, para cá, num ritmo alucinante. Ela estava bem? O saguão inteiro estava limpo, bem arrumado e cheiroso. Um pouco receoso, ele tentou se aproximar.

— Boa tarde…

— Siga pelo corredor que fica do lado direto da recepção, o gerente está esperando — disparou ela.

— Mas…

— Estou ocupada! — exclamou a mulher.

Ela parou subitamente, olhou-o bem e completou:

— Veritas, correto?

Ele confirmou com a cabeça.

— Vai logo! — ordenou a mulher. Ela voltou correndo para a recepção e sumiu por detrás da porta, ainda falando sozinha.

Precisou de alguns segundos para absorver aquela cena.

O corredor era pouco iluminado, então avançou com calma. Em contraste com a passagem anterior, tudo era decadente naquele novo cenário. Paredes com pintura desbotada, quadros antigos e tortos, móveis quebrados.

Encontrou outra recepção no final. Pequena. Observou o ambiente. No lado direito, uma porta de madeira bem robusta. No lado esquerdo, um elevador moderno. Havia uma sineta no balcão. Tocou-a.

— Olá, jovem!

Assustou-se. Simplesmente do nada, uma pessoa surgiu atrás da bancada. Era um homem. Olhos arregalados, sorriso largo com dentes trincados, um bigode desenhado a lápis, terno azul-bebê bem justo. O maior destaque, porém, era uma flor de hibisco no bolso do paletó. Era gigante.

— Não precisa falar nada, nadinha de nada, não, não, não. Eu sei o que você deseja! — exclamou ele. — E sim, sou o gerente. E não, não leio mentes. Você pensou nisso, né? Não? Tudo bem, tanto faz, não importa.

— Sinceramente… Eu não sei o que quero — admitiu Veritas.

— Claro que sabe! Você quer subir a torre. Por que está aqui? Sentiu-se atraído, não é? Então quer subir. Calado, não fale mais nada. Vou te ajudar, sim, eu vou — o gerente falava tão rápido que quase tropeçava nas palavras.

Ele limpou a garganta antes de continuar.

— Bem vindo! Conheça a Torre dos Mil Universos! — abriu os braços e escancarou a boca. — Lar dos abandonados e perdidos.

— Ela tem nome…

— Claro, jovem. Todo ser vivo merece um nome.

— A torre é viva?

— Tudo é vivo… — sussurrou ele, como se fosse um segredo. — Mas, sem delongas, pois ando extremamente atarefado, irei revelar suas opções!

Ouviu o rangido da porta de madeira.

— Conheça a escadaria! Ela pode te levar até o topo da torre, se quiser, mas precisa lutar para isso. Poderá usá-la quantas vezes quiser. E conhecer inúmeros mundos. Porém, as distrações são tantas, e os desafios também, que o risco de se perder é enorme.

O som automatizado do elevador se abrindo.

— Conheça o elevador! É tudo na base da sorte. Ou azar! Ele pode te levar direto para seu destino, aquele lugar onde o coração bate forte, sabe? Ou para longe, muito longe. Não tem como saber! Poderá usá-lo sete vezes.

O gerente tocou a sineta. Estava empolgado.

— Escolha!

Silêncio. Era uma escolha difícil. Precisava continuar sua jornada. Mas como? Olhou para o elevador. Era tentador. Poderia encurtar tudo. Era sortudo. Tinha encontrado somente pessoas boas no caminho. Sim, aquela era uma boa opção.

“Apenas siga seu coração.”

Ah…

“Essa é a coisa mais importante.”

Quase tinha se esquecido.

— Então? — apressou o gerente.

Veritas fechou os olhos. Respirou profundamente. Esperou. Degraus. Sem fim. Muitas portas abertas. Alguns mundos destruídos, outros unidos. Solidão. E uma luz através da fechadura. Felicidade. Abriu os olhos. O homem ainda sorria, porém, com leveza agora. Desativou o elevador, fez uma leve reverência, e, antes de literalmente evaporar, disse:

— Você é louco, jovem. E por isso tomou a melhor decisão.

– VI –

DEGRAU POR DEGRAU

Por quanto tempo precisaria subir?

Era tedioso.

Era árduo.

Era solitário.

Subia. Ininterruptamente. A cada dez lances de escada, Veritas encontrava uma porta. Costumava abrir devagar, um pouquinho, o suficiente para espiar. O que encontrava? Oceanos que sorriam, campos de batalhas onde ninguém morria, bailes eternos, uma pessoa chorando num quarto escuro, olhos gigantes o observando. Muitos mundos. Às vezes, relaxava numa prainha dourada, contemplando um horizonte torto, mas logo retornava para a escadaria: sentia esse impulso quase sobrenatural.

Tentou contar, mas desistiu assim que alcançou a milésima porta. Não fazia sentido continuar.

Sentia-se muito sozinho. Era diferente da época em que estava caindo no abismo. Antes, tudo parecia um sonho. Agora, consciente, a solidão era pesada.

Ele continuou subindo, degrau por degrau, sem parar. Aquilo não acabaria?

Até que, espantosamente, cruzou com uma jovem que descia a torre.

— Outro viajante! — exclamou ela, parando de súbito e apoiando-se na parede do patamar. — É difícil encontrar alguém com acesso à escadaria.

— Ah, oi… — engasgou-se um pouco. Não falava há meses.

— Qual sua missão? — ela sorriu. Encantou-se. Era uma mulher linda.

— Não sei.

— Hum… É esse tipo de viajante, então.

O rapaz ficou quieto. Era difícil processar qualquer pensamento perto dela.

— Relaxa, gatinho — riu ela. — Está muito tempo sozinho?

— Bastante — admitiu Veritas.

— Normal. Estamos sozinhos na maior parte da existência.

Não queria concordar, mas sentia que tinha uma ponta de verdade naquelas palavras.

— E você? Está numa missão? — precisava mudar de assunto.

— Claro que estou! — a jovem se animou. — Não conto para qualquer um, hein, é quase segredo: preciso conhecer todos os mundos da escadaria.

— Sério? Por quê?

— Não é óbvio? É a novidade que sustenta a vida. Sem isso, querendo ou não, somos vítimas da monotonia, do enfado, da preguiça. Dinamismo, gatinho.

— Vai precisar abrir muitas portas — brincou Veritas.

— Isso não é problema, treinei por muito tempo! Essa torre tem mil universos, sabia? Devem existir bilhões de mundos para explorar!

— Imagino…

Olhou pra cima e uma onda de desânimo quase o afogou. A quantidade de portas e lances de escada que encararia era inconcebível.

— Querido, preciso ir — avisou ela. — Não curto esse clima, entende? Essa depressão… Você me entende, né?

— Claro, estou atrapalhando sua viagem.

— Experimente isso: coisas novas, sempre, não fique parado por mais de cinco minutos. Tchau, tchau!

Sentou-se e apoiou a cabeça na parede. Inspira, expira. Isso o relaxava. Assistiu a bela jovem descer a escadaria, pulando dois degraus por vez, e fechou os olhos um pouco. Algumas pessoas não entendiam a beleza do nada.

– VII –

ONDE O CORAÇÃO HABITA

Não havia mais perguntas.

Apenas um coração que palpitava forte.

Diante daquela porta branca, Veritas sabia que tinha alcançado seu destino. Os entalhes de flores eram hipnotizantes. Peônia, rosa, madressilva, jasmim-dos-açores, lavanda, orquídea, gardênia. Sentia o perfume delas. Doce. E música. Suave, harmoniosa, divina. A luz era tão forte que forçava seu caminho pela fechadura e frestas.

Era uma visão belíssima.

— Eu não entraria aí.

Aquelas palavras despertaram Veritas do transe. Era um rapaz. Estava perto, apoiando o corpo no corrimão do próximo lance de escada.

— Por quê?

— Está vendo a luz que escapa pela fechadura? Não é um bom sinal. A última vez que abri uma porta assim quase fui engolido por uma explosão — respondeu ele. — Eu me chamo Judas. E você?

— Veritas.

— Nome legal. Ve-ri-tas. Sim, muito legal. Gostei de você. Quer me acompanhar? — convidou Judas.

Por algum motivo, sentiu-se tentado. E se ele estivesse certo?

— Não sei… Para onde está indo?

— Para o lugar mais bonito da torre.

— Isso existe?

— Claro, venha comigo. Mulheres bonitas, diversão, comida. Não vai se arrepender… — e estendeu a mão.

Veritas analisou o rapaz. Observou aqueles dedos, longos e finos, e sentiu-se apreensivo. Seu rosto tinha traços marcantes. Sorriso malicioso. Olhos penetrantes. Nariz pontudo. Judas era estranho. Tudo nele parecia errado.

— Obrigado pela oferta, mas vou ficar — decidiu ele.

— Boa sorte, então! — riu Judas.

O rapaz sumiu tão rápido quanto apareceu.

Veritas decidiu esperar um pouco. Não podia decidir num impulso. Precisava sentir. Sentou-se diante da porta e meditou. Ficou assim por dias. Apenas sentindo.

Lembrou-se.

Da sua companhia inestimável da andorinha. Daquelas pessoas ao redor da fogueira glacial. Do presente de Samir. Do carinho de Yanka. Do casal de idosos que esperava pacientemente.Da energia atordoante da recepcionista do hotel. Do sorriso estranho, mas sincero, do gerente que apresentou a escadaria. Da bela jovem apaixonada pela vida. Do convite estranho. E da imagem da torre que decidiu emoldurar.

Até que, como se estivesse despertando de um longo e pesado sonho, viu-se flutuando, leve, e girando aquela maçaneta. Quase ficou cego com toda aquela luz.

Do outro lado: um lar. E aquilo que tinha esquecido e sumido do coração.

16 comentários em “[EM] A Torre dos Mil Universos (Andorinha)

  1. Lucas Julião
    6 de maio de 2021

    Ambientação: Que brisa de ácido mano! treco lisérgico, sem sentido, confuso e maluco. Adorei.
    Enredo: Não sei se meu esoterismo tá em dia; mas isso é uma passagem post-mortem. O universo não acabou, o pratagonista só tá seguindo o caminho para o reencarne, deixando os pecados de lado rumo a redenção, atravessando as inúmeras passagens até reencarnar — Mas tem um problema, ele ainda é guiado pelo orgulho em alguma medida… E a andorinha (um psicopompo?) desaparece quando ele deixa o mar de “ilusões” até a realidade espiritual. Sensível, apesar de não se tratar diretamente do fim do mundo.
    escrita: O poema do início não gostei não. Mas de resto achei bem interessante.

    Considerações gerais; É um texto maneiroso. vai 8,0/10

  2. thiagocastrosouza
    5 de maio de 2021

    A torre Dos mil universos

    Ambientação: Dentro da proposta que criou, é perfeita. Tudo parece fugaz e possível, há muitas inversões propositais em estados na natureza. É um conto onde percebemos a paleta de cores saturadas escolhidas para pintar o cenário onírico.

    Enredo: Desperta o interesse do leitor por criar no personagem essa atração pela torre, mas, para mim, o final muito aberto e distante da longa jornada percorrida não me atingiu. Há uma série de encontros no meio do caminho do protagonista, lições apreendidas, tentações, mas não há clímax com o tão esperado encontro entre o protagonista e seu objeto de desejo. Porém diferente de outros contos do desafio, todo o percurso do conto é mais satisfatório que o seu final.

    Escrita: muito boa e assertiva para esse tipo de gênero. Você pintou com as palavras, praticamente.

    Considerações gerais: um conto onírico, simbólico e com interpretações amplas. Vale o passeio junto do protagonista.

    • Andorinha
      6 de maio de 2021

      Algumas jornadas não precisam de um clímax recheado de emoções. Olha a minha vida. O ponto alto é quando encontro um poste vitoriano quentinho para me empoleirar. Triste, né?

      Sempre fui meio rebelde, Thiaguito. Não tem jeito.

      Bicadinha carinhosa por tão dedicado comentário e vigor na leitura de todos os contos tão rápido. Foi um dos primeiros a terminar, não foi? Sim, sim, andei observando…

      • thiagocastrosouza
        6 de maio de 2021

        Andorinha, como disse, você me atingiu foi na jornada, no caminho do personagem. Flutuei por aí durante a leitura. Grande abraço e obrigado pelo carinho.

  3. Fabio D'Oliveira
    5 de maio de 2021

    Que conto, Andorinha. Tem tudo que gosto nele. Deu até invejinha. Queria ter tido essa ideia.

    AMBIENTAÇÃO

    Naturalmente, por se tratar de uma realidade surreal, a ambientação se torna mais livre, até mais fácil de modelar, pois é você que determina as regras. É um conto bem visual. Às vezes, a leitura se torna cansativa por causa da quantidade de descrições, mas acho que o conto não teria o mesmo impacto se fosse menos descritivo. Se trata de um mundo surreal, criado do zero, e você não se preocupa em explicar tudo, apenas o que Veritas enxerga, então, no final das contas, achei válido.

    Destaco a floresta dos corais. Achei essa cena linda, incluindo o joguete com o calor.

    ENREDO

    É a faca de dois gumes desse conto.

    Eu entendi algumas coisas, mas outras me escaparam. E eu acredito que seja um enredo multifacetado. O intuito, aqui, é criar várias metáforas no decorrer da jornada do personagem para que o leitor se identifique com algumas. É algo complicado de fazer. Nem todo leitor deseja ler algo pesado. Ainda mais num desafio com quase 30 textos. Mas respeito sua coragem, Andorinha.

    Capturei o seguinte: Veritas está numa jornada de recomeço. Ele está fragmentado, destruído, e precisa se recuperar. Ele procura aquilo que perdeu, mas sabe que o universo antigo, o passado em si, não existe mais. No caminho, ele se depara com várias pessoas, algumas te ensinam algo, outras tentam fraudar sua jornada.

    Eu tenho quase certeza que o grupo ao redor da fogueira representa os sete pecados capitais. O cozinheiro se chama Luga, que pode ser muito bem um anagrama de Gula. Mas tem Samir, que tem uma personalidade orgulhosa, mas a lógica de Luga não se aplica ao nome dele. Não sei. Pode ser coisa da minha cabeça. Fiquei com a sensação de que as pessoas que Veritas encontra na torre também representam algo maior. Como pareceu tudo bem pensado, fica difícil acreditar que são elementos inseridos a esmo.

    Alguns simbolismos estão escancarados, como a caminhada que não cansa, que representa a satisfação que temos na conquista de um objetivo, e a torre, onde o protagonista sobe com o intuito de alcançar o que perdeu, representando uma espécie de crescimento.

    É um conto bem interpretativo. Acho que uma leitura mais casual é possível, mas sempre ficaria aquela sensação de que o conteúdo é muito maior do que apreendi.

    ESCRITA

    Acho que encontrei apenas um erro de digitação, um espaço não dado, mas não sou o melhor para falar sobre essa área.

    A narrativa é natural, a leitura foi surpreendentemente tranquila, mesmo sendo cansativa em alguns pontos. Geralmente, um enredo mais denso deixa a leitura mais travada. Acontece. Mas não aconteceu comigo, pelo menos. Isso é uma boa qualidade.

    Gostei do tom lírico, bastante.

    Vejo que é um escritor experiente, de certa forma, pois parece ter um estilo próprio. Com certeza ficarei de olho em você, Andorinha. Já me surpreendi com muitos autores por aqui, hahaha.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    É um ótimo conto. Com certeza estará no meu TOP 10. Não tenho algo para adicionar, sendo realista. O texto está fechadinho. Adorei a imagem, amo pintura em aquarela, e a imagem caiu perfeitamente no conto. Você que fez? Ou pegou de algum artista?

    Enfim, é isso. Parabéns pelo trabalho!

    • Andorinha
      6 de maio de 2021

      Que isso, rapaz, deixa essa faca longe de mim. Não quero virar frango à passarinho… Sim, minhas piadas são horríveis. Faz parte.

      Bicadinha para o menino esperto.

  4. Fheluany Nogueira
    4 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO –
    É o fim do mundo e tudo está meio caótico. O intrigante “universo paralelo” ou “nova realidade” ou “realidade alternativa” (não importa o nome) parece ser a representação de uma realidade intermediária, um intervalo entre um mundo extinto e um outro, de descanso, em uma espécie de momento de balanço. Neste sentido, lembra o seriado “Lost” e “Alice no País das Maravilhas”, pelo excesso de elementos simbólicos e o clima de magia. Assim a ambientação é bem elaborada, com atenção aos pormenores. Tudo muito bonito e sugestivo.

    ENREDO –
    Uma narrativa complexa, com enredo simples, cujo foco, pareceu-me o fenômeno Borderline como um estado de psiquismo, localizado no limite/fronteira — um rito de passagem. Os personagens (muitos) reviviam, em flashes, ações e sonhos da vida anterior. Todos nós possuímos sonhos que, à primeira vista, parecem que são impossíveis.

    ESCRITA –
    Escrita competente, firme e lírica.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS:

    Em alguns trechos, a leitura ficou meio cansativa. Enquanto lia, me senti meio perdida, sem saber onde a história queria chegar… mas, quando cheguei ao final e percebi do que se tratava (acho que percebi, não sei bem), vi seu conto com outros olhos.
    Creio que seu trabalho não se enquadre no grupo dos “contos leves”. Para ser sincera, precisei ler duas vezes para compreender melhor, pois com uma leitura rápida muita coisa passou despercebida.
    Mas, é um bom conto, com relatos profundos e, de certa forma, marcantes.

    Parabéns pelo trabalho. Sucesso. Abraços.

    • Andorinha
      6 de maio de 2021

      Verdade verdadeira: não é um conto leve. Deixei a leveza para minhas asas. Sabe, voar não é fácil.

      Bicadinha agradecida pelo comentário tão dedicado. Obrigadinha.

  5. Ângelo Rosa de Lima
    4 de maio de 2021

    Ambientação: Perfeita, 10/10

    Enredo: Como um livro de um Paulo Coelho com um QI mais alto. A quem se interessar em histórias de pessoas caindo do céu sem memórias, recomendo a animação Haibane no Renmei.

    Escrita: Perfeita, 10/10

    Considerações gerais: Não fique parado por mais de 5 minutos, tchau.

    • Andorinha
      6 de maio de 2021

      Vixi, caiu na pilha da doida lá… Aliás, certamente gosto de gente caindo do céu, vou checar sua sugestão.

      Tchau, tchau, obrigadinha pela leitura e comentário tão bondoso.

  6. Anderson Prado
    3 de maio de 2021

    Ambientação: Ambientação primorosa. Dentro da literatura de gênero, seria fantasia?

    Enredo: Enredo bem desenvolvido, que parece ter servido bem aos propósitos do autor, mas eu não o apreendi bem.

    Escrita: Escrita muito boa, de escritor “pronto”.

    Considerações gerais: Estou com muita pena de avaliar este conto. Sinto ter lido um excelente texto, mas que não alcancei. O enredo me soou vago: um homem numa viagem insólita. Que homem era aquele? De onde veio, para onde vai, e por quê? Ambientação e escrita beiram o incriticável, mas o enredo me escapou. Quando o enredo é assim tão fugidio, tenho que me apegar a outras qualidades para julgar uma obra como boa. Como se trata de literatura de gênero (a qual considero de entretenimento), não posso dizer que o conto transmite uma mensagem relevante. Aí, sobrou-me mesmo a ambientação e a escrita, sendo certo que a segunda projetará este conto para uma das primeiras posições da minha lista. A distância entre o que o autor quis alcançar e o que eu consegui atingir me obriga a não me aventurar pelo 10. Assim, é um conto 9,9. E fica registrado meu pedido de desculpa por ser um burro.

    • Andorinha
      6 de maio de 2021

      Você não é burro, rapazinho. Apenas lógico demais. E isso não é nenhum problema. Não, não.

      Bicadas agradecidas pela avaliação dedicada. Sim, sim, valorosa, ela.

  7. Kelly Hatanaka
    1 de maio de 2021

    Olá, Andorinha.

    Gostei muito do seu conto-sonho. Meus comentários abaixo.

    Ambientação:
    Lindíssima. Senti como se estivesse dentro daquele universo fragmentado, tudo tão estranho e, ao mesmo tempo, familiar. A riqueza de detalhes, por vezes, pareceu excessiva, mas, sem dúvida, ajudou a visualizar o cenário bastante mágico e onírico. Gostei muito.

    Enredo:
    O enredo é simples, teoricamente. Uma pessoa cai num universo paralelo após o fim do mundo e persegue um objetivo que o fascina sem saber ao certo aonde o levará. O “teoricamente” se deve ao fato de que o percurso em si é um mero detalhe. O que importa é o que o personagem vê e vivencia no caminho que, por sua vez, é recheado de ensinamentos, como uma sucessão de parábolas.

    Escrita:
    Uma escrita bonita, segura e elegante. Em alguns momentos, achei que a narrativa se estendia, se esgarçava, mas o texto é tão envolvente e está escrito com tanta graça, que eu logo estava novamente imersa na história e pensando onde o personagem ia parar.

    Considerações gerais:
    Gostei do desenrolar da história. O começo, que parecia um mito da criação. O personagem, tão solitário, buscando alguma coisa e sua imersão em si mesmo. Li este conto como se estivesse interpretando um sonho e terminei com a impressão de que o significado é maior do que consegui apreender.

    • Andorinha
      3 de maio de 2021

      Olá, menina do nome legal. Seu comentário que é uma graça.

      Acabo me empolgando às vezes, sim, mas prometo que sou comedida. Se não fosse, vixi…

      Uma bicadinha carinhosa pra você.

  8. Ana Lúcia
    1 de maio de 2021

    Ambientação: um universo bem construído e criativo. Bastante fantasioso e rico.
    Enredo: achei interessante, o leitor não sabe muito, mas o protagonista também não então achei válido.
    Escrita: bem fluida, o poema no início foi muito bem feito. Porém acho que tiveram descrições demais em alguns momentos.
    Considerações gerais: universo legal e bem construído com uma escrita gostosa.

    • Andorinha
      3 de maio de 2021

      Mui obrigada pela leitura, Aninha.

      Preciso confessar: também fiquei confusa com aquele rapaz me seguindo. Oxi… Vê se pode. Ainda bem que entrou na torre e sumiu!

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Informação

Publicado em 1 de maio de 2021 por em EntreMundos - Fim do Mundo.