EntreContos

Detox Literário.

Microcontos 2021 – Chikondi (Fabio D’Oliveira)

Solidão no Mundo do Sol

Estava esperando no banquinho da praça há mais de uma hora. Ligou pra ele.

— Pai, onde você está?

— Ah, meu filho, esqueci completamente. Muito trabalho. Mil desculpas. Podemos remarcar?

— Sim, tudo bem. Hoje não é importante, mesmo.

— Ótimo! Ligo depois. Te amo — e desligou.

Era seu aniversário.

Alfândega dos Sonhos

— Menino bem solitário, né? Ele tem quantos anos mesmo?

— Treze, eu acho.

— Treze, treze… O que um garoto dessa idade precisa? De uma bicicleta?

— Está na hora de amar, o que acha?

— Aqui é uma alfândega de sonhos, não de sentimentos!

— Ora, ora… É verdade. Manda uma bicicleta pra ele, então.

A Bicicleta da Parede

Pouco antes do incidente, a criançada estava brincando na maior ladeira da cidade.

“Foi muito rápido, ele começou a descer a rua, foi acelerando e, do nada, saiu voando”, relatou uma testemunha.

A bicicleta chocou no prédio com tudo, metade dela fundiu-se à parede e o garoto sumiu por completo!

Solidão no Mundo da Lua

Ela nasceu de uma lágrima da Lua. Nunca entendeu o motivo do choro da mãe: foi abandonada assim que abriu os olhinhos. Cresceu sozinha. Viveu sozinha. E sempre chorou sozinha. Era tudo tão escuro naquele mundo. Como existir sem esperança?

Orbes

Costumava sentar no chão para contemplar os mundos que iam e vinham. Pequenos orbes das mais variadas combinações de cores. Todos belos e únicos. Quando se sentia um pouquinho mais atrevida, tentava observar a vida daqueles seres pequeninos.

Apesar da breve passagem, eram momentos preciosos.

Encontro

Num impulso, ela capturou três mundos passageiros. Enlaçou-os e juntou os pertences para fugir. Conforme caminhava, um monte de coisas caía dos planetinhas, incluindo um menino. Deixou um gritinho escapar e largou a corda que prendia os orbes coloridos, mas não importava: não estava mais sozinha.

Completude

Ela era do mundo da Lua. Tímida e carinhosa.

Ele era do mundo do Sol. Corajoso e forte.

Noite e dia.

Ficavam juntos na rede. Balançando, no típico vai e vem da vida, sem tirar os olhos do que era importante.

Ela: do lindo sorriso dele.

Ele: dos lábios rosados dela.

Não conheciam a solidão. Apenas o amor.

42 comentários em “Microcontos 2021 – Chikondi (Fabio D’Oliveira)

  1. Ana Carolina Machado
    10 de abril de 2021

    Oiiii. Gostei muito de como os microcontos foram se juntando como se fossem peças de um quebra cabeça e assim foram formando uma só história. Vou fazer um comentário geral sobre a história como um todo:
    Essa coleção foi uma das que mais gostei, principalmente pela sensação de que tudo se encaixa. A história começa mostrando a solidão do menino que é praticamente ignorado pelo pai que esquece o aniversário dele. Esse momento é triste e realista, pois na vida real existem muitas crianças que tem o nome do pai e da mãe na certidão de nascimento mas são abandonados sentimentalmente. Um pouco depois somos apresentados a uma menina tão solitária quanto ele. Ela mora em um tipo de mundo paralelo e no dia em que ela captura três mundos passageiros o caminho deles se juntam, após o menino cair de um desses mundos. Gostei da ideia de mundos paralelos, me lembrou um pouco Stranger things.
    Parabéns pela coleção de microcontos e boa sorte no desafio.

  2. Felipe Lomar
    10 de abril de 2021

    Olá.
    Gostei dos assuntos abordados. Há uma boa mistura de melancolia e sentimentalismo, que ora é comovente, ora é sublime. Os textos são bem apresentados, e são fáceis de ler. Tem tudo para ficar entre os melhores.
    Boa sorte.

  3. cgls9
    10 de abril de 2021

    Gostei muito de COMPLETUDE. Fofo! ) O cotidiano, as pequenas desilusões, as feridas, junto com os gatilhos, (palavra da Moda), formam a matéria prima e são a essência dos seus contos, Parabéns pelo conjunto e boa sorte!

  4. Amana
    10 de abril de 2021

    Olá, tudo bem? Começando com meus preferidos:
    “Encontro” e “Completude”. Fiquei muito confusa durante a leitura, com a indecisão sobre qual seria o tema de cada um dos micros. No micro “Solidão no Mundo do Sol”, você usou praça, ok, então é A1, Mas em “alfândega dos sonhos” parece que você misturou o tema “palavra Alfândega” com o da imagem da “bicicleta”, embora ela não esteja fixada em uma parede, esse aliás certamente é o “A Bicicleta da Parede”. Esse, inclusive, ficou em terceiro na minha preferência, por causa do realismo fantástico que colocou nele. No geral, gostei.

  5. Catarina Cunha
    9 de abril de 2021

    Micro: Olha só. O primeiro tem 315 caracteres, “Encontro” tem 305,
    Completude 309… Ultrapassou o limite e não indicou os estímulos conforme o regulamento, logo não considero o objetivo alcançado.

    Conto: Poderia ter enxugado para cumprir a meta, já que tem substância para isso. Nada mais a declarar.

    Destaque: Embora tenha 308 caracteres:

    Alfândega dos Sonhos
    — Menino bem solitário, né? Ele tem quantos anos mesmo?
    — Treze, eu acho.
    — Treze, treze… O que um garoto dessa idade precisa? De uma bicicleta?
    — Está na hora de amar, o que acha?
    — Aqui é uma alfândega de sonhos, não de sentimentos!
    — Ora, ora… É verdade. Manda uma bicicleta pra ele, então.

    • Bruno Raposa
      10 de abril de 2021

      Oi, Catarina.

      Na verdade nenhum dos micros ultrapassa os 300 caracteres, eu conferi um a um, rs. Os títulos não entram na contagem de caracteres. Aqui foi falha minha, que não deixei isso claro no regulamento, apenas respondi depois que me perguntaram. Devia ter feito a alteração.

      Quanto a indicação dos estímulos, não era obrigatório. Essa eu coloquei no regulamento desde o início, rs. Mas como quase todo mundo decidiu apontar as referências, normal que você tenha esquecido esse detalhe.

      De qualquer forma, os micros aqui estão de acordo com as regras. 🙂

      • Catarina Cunha
        13 de abril de 2021

        Bruno Raposa, Eu entendo sua falha em não citar que o título não contava no limite, mas me senti induzida ao erro quando no regulamento você dá um exemplo:

        “[D3] Durante a viagem, a menina mantinha os pés no chão, mas carregava consigo uma constelação de sentimentos.”, logo tudo que viesse depois da indicação seria parte do conto, já que compõe o texto.

        Mas peço desculpas ao Fabio, pois se não fosse essa confusão ele estaria na minha lista.

      • Bruno Raposa
        13 de abril de 2021

        Sim, completamente compreensível essa confusão.

        Esse desafio foi bem diferente e falhei em não pensar em alguns detalhes, como esse do título. À medida que dúvidas foram surgindo, fui fazendo as explicações no grupo, mas nem todos as viram. Você foi realmente induzida ao erro.

        Peço desculpas a você e ao Fábio. Vou aprendendo a pensar melhor em cada detalhe.

        Abraço.

  6. Ana Maria Monteiro
    9 de abril de 2021

    Olá, Chikondi. Os seus micros são difíceis de comentar, até porque todos parecem conectar-se de alguma forma, embora nem sempre clara. Comentar um por um é difícil, em conjunto também. Os meus favoritos foram “Solidão no mundo do sol” e “completude”; “Alfandega de sonhos” e “A bicicleta na parede”, achei meio fracos; “Orbes” e “Encontro” parecem ser a continuação um do outro, mas sem grande história. Então, no geral, a minha ideia é que não são um conto único, nem vários dispersos, diria que são todos da mesma família, uma família onde impera o abandono e a tristeza, mas a esperança continua. Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Klotz
    9 de abril de 2021

    Todos os pseudônimos provocam a minha curiosidade. Neste desconfiei uma sonoridade africana. O google confirmou com a música “Our sweet love”. Vou avaliar os contos ouvido a música malawi.
    A1 – Muito bom. No fechamento procure trocar o pronome indefinido “seu” pq confunde saber de quem era o niver. A4- Diferente. Criativo B2 – Entrou no fantástico. Muito bom. C3 – A tristeza da menina do conto abalou as minhas estruturas. D3 – Noooooossa – que delicadeza. Amei. D3 – muito bom também. Dois contos para a mesma provocação? E3 –Senti a pureza e a inocência de um grande amor. Obrigado por este presente.
    Não relacionar os contos com as provocações prejudicou um pouco. Obrigado por me presentear com a música de Oliver Tuku Mtukudzi.

  8. danielreis1973
    7 de abril de 2021

    Prezado(a) Chikondi:
    Gostei muito da temática geral dos seus contos, e consegui perceber neles uma conexão profunda das temáticas trabalhadas pelo autor (relacionamentos, pais e filhos). Alguns deles, como Solidão no Mundo do Sol e Alfândega dos Sonhos, transmitem tudo, o mundo e a situação, a partir dos diálogos. Apenas noto que não foi indicada a conexão com os estímulos, porém é fácil perceber que existem. Sucesso e boa sorte!

  9. Fernando Dias Cyrino
    7 de abril de 2021

    Ei, Chikondi, gostei da forma como você apresentou seus microcontos. O fato de ter dado título a eles funcionou como uma ampliação do número possível de palavras que cada um podia ter segundo o regulamento. Ponto para você. Gostei (muito mesmo) desse seu conto Solidão no mundo do sol. O típico conto que nasce e vai crescendo até explodir, tendo se tornado bem grande, no final. Também Completude é um dos meus destaques, sabe? Quer dizer, você começa e termina muito bem a sua obra. Como se criasse duas belas colinas com essas duas histórias, tendo ao meio um vale com os demais cinco contos. Olha, não que sejam ruins, mas que estão bem abaixo desses outros que me encantaram. Fica com o meu abraço.

  10. Sandra Daher
    5 de abril de 2021

    Chikondi, juntando as partes, em microcontos, é um conto bonito, infantil, mesmo, em seus elementos, personagens, brincadeiras com planetas. Uma história bem imaginada, escrita leve e sonhadora, sem tropeços. Lendo os contos em saparado, perdem força no desfecho, ficam com pouco impacto.” Encontro” é muito bonito, amoroso, delicado. O último, encerra o conto de forma previsível, e faz entrar o sentimento, que tinha sido preterido à bicicleta…Boa sorte no desafio!

  11. Elisabeth Lorena Alves
    4 de abril de 2021

    Sabia que alguém iria tentar encadear os temas. Confesso que também me senti tentada, mas sabia que iria criar buracos. E criou. Não digo grosseiros, mas comprometeram as composições individuais de “Solidão no Mundo da Lua” e “Orbes” e, como é uma análise de conto por conto, comprometeram os resultados nesses. Também foi criando um subtema – coisa necessária para uma obra cadenciada como é a proposta do autor ao fazer os contos em conjunto – que ao final se desdiz. Mas falarei mais a frente, quando comentar ponto a ponto.

    Passando para as análises individuais, começo com “Alfândega dos Sonhos”. Os agentes alfandegários poderiam ter aberto uma exceção e enviado o amor, quebrando a burocracia e, no caso da escrita, a obviedade do conto.

    Em “Solidão do Mundo Sol” a quebra de expectativa é triste e gera impacto, fecha o conto bem. A temática e estrutura se complementam de forma perfeita. Em “Bicicleta na Parede”, estrutura e tema se adequam perfeitamente, clímax é perfeito e desfecha o conto no momento exato, sem sobras.

    Em “Encontro”, o elemento perdido e a forma que se dá a fuga são elementos que favorecem a ideia que surge ao final, a nova companhia. Aqui o conto faz sentido, tema e estrutura estão em harmonia.

    Em “Completude”, esbarrei com dor em “Não conheciam a solidão”, ambos passaram por ela, que era notoriamente o subtema do conjunto – como adiantei no início. Ao menos a estrutura deste está satisfatória, tema e linguagem se completam aqui.

    Por agora, boa sorte no Desafio.

  12. j2bohn
    2 de abril de 2021

    MICROCONTOS 2021 – CHIKONDI

    A1 (Solidão…): Bela historinha, mas poderia ser melhor trabalhada para ficar mais emocionante.

    A4 (Alfândega…): Achei uma história adorável. Gostei da ideia dos dois tipos de alfândegas, mesmo que não tenha ficado muito convincente para mim porque deve ser de sonhos e não de sentimentos.

    B2: Parece uma história no universo de Harry Potter onde o carrinho (a bicicleta) do aluno azarado ficou preso na parede da Luminária Plataforma 9 ¾. 🙂

    B4? (…Mundo da Lua): Muito poético. Não ficou claro para mim o estímulo correspondente, parece desconectada a historinha.

    C1 (Orbes): Conceito interessante e bem trabalhado.

    D3 (Encontro): História poética e linda. O meu microconto favorito na coleção.

    E3 (Completude): Também um texto lindo e coerente. Gostei muito.

    Gostei muito da coleção como um todo, que soa predominantemente poética e fantástica.

    Parabéns pelo ótimo trabalho e boa sorte no desafio!

  13. Anorkinda Neide
    31 de março de 2021

    Olá, Chikondi
    que nome é esse? nao vou pesquisar, vou ver se tem referência a isso nos outros comentarios 😛
    Que beleza vc fez aqui?
    Pode isso, produção?
    Muito sensivel, poético e romântico e sei lá o que mais.. Chub!!!! \o/
    .
    microcontos ligados entre si, que formam um belíssimo enredo, insólito e… nao sei o q se pode dizer… maravilhoso!!
    Parabéns e obrigada pela grata experiencia de ler isto aqui.
    Abraço
    ps: espero que vc saiba o que é Chub :p

  14. Davenir da Silveira Viganon Davenir
    31 de março de 2021

    [Chikondi]
    O fio condutor foi o mundo infantil, porém os enredos entrelaçados fazem com que as unidades sejam dependentes demais das outras. Eu gosto do desafio de micros pois podemos contar histórias com pouquíssimas palavras, e não contar uma só dividida de 5 a 10 partes.

    Solidão no Mundo do Sol – O menino se sacrificou pela compreensão do pai.
    Alfândega dos Sonhos – Parecem dois anjos falando sobre os anseios do menino.
    A Bicicleta da Parede – Sinceramente, não achei que os três contos fazem muito sentido sozinhos. Parecem três partes de uma mesma coisa.
    Solidão no Mundo da Lua – Pintou um retrato triste mas falou desenvolvimento para o enredo
    Orbes – Gostei mais deste, atiçou muito a minha imaginação. Seriam universos em cada uma das orbes?
    Encontro – Juntou a menina e o menino, mas outra vez, parece um parágrafo de algo maior que um conto em si.
    Completude – O mesmo que o anterior.

  15. anamartorelli
    31 de março de 2021

    Olá Chikondi,

    Perceptível sua tentativa de criar uma unidade entre os textos, gosto da coragem, mas não acho que todos eles funcionam tão bem separadamente, como micros mesmo! Gostei do toque de fantasia e do tom meigo dos textos.
    Destaco “Solidão no mundo do sol” como meu preferido, embora não conheça pessoalmente essa dor, posso imagina-la ao me ver sem o que sempre tive.
    Por fim acho que pode ter problemas quanto ao que cada leitor vai entender da sua estrutura, mas só poderemos saber ao final das avaliações!

    Boa sorte!

  16. Luis Fernando Amancio
    31 de março de 2021

    Olá, Chikondi!
    Muito interessante a sua coleção de minicontos. A imagem que você escolheu ilustra bem o fio condutor de suas histórias. O amor, em várias formas, é o que te inspira. E que boa inspiração! Se eu fosse curioso, até contaria os caracteres para ver se você não passou do limite em alguns momentos. Porque você consegue desenvolver belas tramas com poucas palavras, parabéns!
    Achei o primeiro e o último minicontos os melhores. Aliás, dois dos melhores que li até aqui no concurso. O “Alfândega dos Sonhos” me deixou um pouco confuso. A gente ganha algo na alfândega? É uma história singela, mas acaba limitada a isso. A exclamação no fim do “A Bicicleta na Parede” me pareceu bem dispensável. Uma boa ideia, mas não gostei de como foi executada.
    “Solidão no Mundo da Lua” não me ganhou, apesar de sua escrita ser bem delicada. Já os dois que conversam com o tema “orbes” são interessantes, bem construídos.
    O saldo final é positivo. Parabéns pelo trabalho, fico feliz em encontrar minicontos com uma marca autoral bem definida.
    Boa sorte!

  17. Claudia Roberta Angst
    31 de março de 2021

    Percebi a ligação entre os três primeiros textos, depois a linha se perdeu, pois o personagem do menino ficou diluído. Mas nem precisava haver uma continuação de narrativas ou resultaria em uma série de parágrafos formando um só conto. E queremos aqui micro contos.
    Dar título às pequenas narrativas funcionou como forma de conduzir o leitor às referências, em parte. Fiquei com a impressão de que o[a] autor[a] quis deixar tudo muito claro e perdeu a chance de criar um impacto maior.
    Tudo bem escrito, temas/inspirações abordados.
    Parabéns pela participação e boa sorte.

  18. Elisa Ribeiro
    31 de março de 2021

    O destaque aqui é a unidade do conjunto que se estabelece a partir da atmosfera de fantasia, do contexto infanto-juvenil e do apelo sentimental. A linguagem soa muito agradável e macia. Gostaria mais se em a Bicicleta da Parede o texto tivesse terminado antes do último parágrafo. Os que mais gostei foram Orbes e Encontro. Boa sorte. Um abraço.

  19. Evelyn Postali
    30 de março de 2021

    Caro(a) autor(a),
    Seus microcontos estão ligados pelo fantástico, pela fantasia. Gostei bastante do último. Ele é poético. Estão bem escritos e nos remetem a mundos além daqui. Sem as letras e números ficou difícil saber qual a referência.
    Boa sorte no desafio.

  20. Marlo Romulo Werka
    30 de março de 2021

    Chikondi, a coragem de não identificar os estímulos pode ser criticada por alguns, mas eu gostei.
    Percebe-se claramente a unidade de texto.
    Solidão no Mundo do Sol é ótimo.
    Completude é poético.
    Os demais, ok.
    Parabéns e boa sorte.

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    29 de março de 2021

    Microcontos 2021 – Chikondi

    Solidão no Mundo do Sol – Palavra: Praça

    O esquecimento do aniversário do filho, que texto dolorido.

    Alfândega dos Sonhos – Palavra: Alfândega

    Liga o filho, menino solitário, a um presente – a bicicleta.

    A Bicicleta da Parede – Fotografia

    O filho sofreu um acidente com a bicicleta.

    Solidão no Mundo da Lua

    Um texto muito doce, mas, lendo, não consegui compreender o estímulo. Seria do Pequeno Príncipe? Da lua? Tudo misturado?

    Orbes
    Outro texto doce, eu acho que é da menina com a mala.

    Encontro

    Este, com certeza, remete à figura da menininha com os “mundos” nos balões e com a mala nas mãos. Muito poético.

    Completude

    Uma história de amor em poesia. Angelical.

    Chicondi, eu percebi que você buscou fazer um texto poético, buscou traçar uma unidade entre os contos. Até ali, na bicicleta, consegui acompanhar o raciocínio. Depois, perdi o fio condutor, fui lendo sem procurar ligação. Tudo muito bonito, regado com poesia. Li várias vezes cada conto. Não anotei alguns estímulos, tive dificuldade em definir apenas um. Acho que estavam misturados, feito massa de bolo.

    Parabéns, pelo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  22. Bruno Raposa
    29 de março de 2021

    Oi, Chikondi.

    Eu tenho comentado os micros um a um, mas aqui achei difícil de fazer isso. Gosto da ideia de dar uma unidade aos textos, mas aqui você os uniu tanto que tive a impressão de estar lendo um conto em micro capítulos. Reli os micros em ordem embaralhada para ver se funcionam isoladamente. Achei que funciona… mais ou menos, rs. Difícil avaliar aqui.

    Como um conto de micro capítulos eu gostei. Começa numa narrativa comum e logo abraça um surrealismo interessante. As imagens criadas são bonitas, há possibilidade para várias interpretações. Gostei principalmente das partes da alfândega e da bicicleta. Quando a menina entra em cena, a história escorrega para um sentimentalismo que não curto muito. Mas vale pelo lirismo.

    Os estímulos ficaram bem pálidos, o que também é uma faca de dois gumes.

    Eu diria que você fez uma aposta alta. Vai depender de como cada leitor vai receber a sua proposta. De forma geral, eu gostei. Mas senti falta de ter a sensação de estar lendo, efetivamente, microcontos.

    Boa sorte no certame.

    Abraço.

  23. Nilo Paraná
    27 de março de 2021

    ola Chikondi, achei seus contos bem escritos, instigantes e poéticos. Achei o primeiro meio óbvio, ainda assim bem escrito. Orbes e Encontros são deliciosos.
    parabéns, boa sorte.

  24. Fil Felix
    27 de março de 2021

    Boa tarde, autor!

    Seus microcontos trabalham dentro de uma unidade, o que gosto bastante, além de trazer títulos para cada um deles, sem citar o estímulo utilizado. Uma escolha controversa, pois provavelmente muitos irão questionar a inspiração. Como um todo, seu texto é muito belo e poético, traz em sua estrutura todo um imaginário surreal de amor, planetas, encontros e despedidas. O primeiro conto é arrebatador e conheço muito bem esse sentimento. Os demais contos, apesar de não ter tido o mesmo impacto do primeiro, também seguem na mesma qualidade.

    Uma das grandes dificuldades para quem fez ou irá fazer microcontos que se conectam num todo (para esse desafio) é, apesar da unidade, fazer com que cada micro funcione sozinho, à parte de seu contexto. E isso fica bastante evidente em sua participação, pois os contos se conversam e se enriquecem a medida que relemos e vemos essas conexões. Mas separados, muitos não conseguem manter a mesma força. A famosa faca de dois gumes. Felizmente, acredito que isso não atrapalhou a leitura, já que sua intenção é nos convidar a adentrar nesse seu pequeno universo de orbes e planetas, recheados de simbolismos e ternura.

    De maneira geral, gostei muito da maioria deles, em especial o primeiro. Além da formatação utilizada, gerando uma identidade visual própria, com títulos e espaçamento, mostrando um esmero com o trabalho. Muito bom.

    Parabéns e boa sorte!

  25. antoniosbatista
    26 de março de 2021

    Faltou identificar os Estímulos. De qualquer forma, deu para fazer o ligamento. O primeiro micro não entendi. Alfândega dos Sonhos= Desejar um objeto em vez de sentimento. Uma decisão muito cruel.
    A Bicicleta na Parede= Ficção Científica, o garoto Que Atravessava Paredes.
    Solidão no Mundo da Lua= Não achei conexão com a bruxa voando com sua vassoura.
    Orbes= Uma deusa do Olimpo observando os humanos.
    Encontro= Mais um sobre planetas, um tanto quanto repetido.
    Conpletude= Romântico, poesia concreta.

    • mariasantino1
      26 de março de 2021

      Hey! Como vc não entendeu o primeiro micro? Era aniversário do filho e o pai dele não notou. E sobre o fato de bruxa e vassoura, independente se o conto foi ou não inspirado naquela imagem, acho que cabe muita coisa na ilustração de estímulo. Sobretudo medo e misticismo.

      • Priscila Pereira
        26 de março de 2021

        Imaginei que esse micro fosse baseado no C3.. interessante…

      • thiagocastrosouza
        26 de março de 2021

        Priscila, é A1 pela palavra “Praça” presente no texto. Assim compreendi, pelo menos.

      • antoniosbatista
        26 de março de 2021

        Maria Santino: O menino esperava o pai sentado no banco da praça. Me parece que os pais são separados, por isso o encontro na praça. É o dia do aniversário do menino, o pai esqueceu e pede para remarcar o encontro. Como assim? O pai errou duas vezes! Um pai não pode esquecer o aniversário de um filho, muito menos marcar um dia qualquer para dar o abraço. Mas isso é apenas uma pequena história e em ficção vale tudo, ou quase tudo, não é mesmo?

      • Priscila Pereira
        26 de março de 2021

        Thiago, esse não, o que ele pensou ser da bruxa. 😁

  26. Luciana Merley
    26 de março de 2021

    Olá, caro autor.

    Para minha avaliação, utilizarei dois critérios principais: se o microtexto é uma HISTÓRIA e o IMPACTO que ela provocou.

    Você criou um mundo todo particular, muito sensível e belo. Optou pela coerência entre os enredos, não exigida nesse certame, mas, sem dúvida, uma estratégia bem interessante.

    Solidão no Mundo do Sol

    Começo pelo final: A substituição de “Era seu aniversário” por um “guardou na mochila a velinha e o cupcake” ou algo assim, não teria sugado tanto o impacto do seu belo conto.

    Alfândega dos Sonhos

    Conto bem leve e muito bonito. Impacto suave, sem grandes viradas.

    A Bicicleta da Parede

    Você utiliza a imagem exata da sugestão para criar algo de imponderável aí. Uma história cotidiana ganhando contornos fantasiosos e fantásticos. Parabéns.

    Solidão no Mundo da Lua

    Um conto bastante sensível e triste. Achei um pouco vago demais para um microconto. Senti falta de mais elementos para ancorar a personagem e o enredo. Mas, bonito.

    Orbes

    Mais um conto seu em que o imponderável não está no impacto final, mas na existência da própria história. É um outro conceito de micro. Não é o meu favorito, mas respeito e parabenizo você pela bela criação.

    Encontro

    Muito delicado esse mundo dos Orbes.

    Completude

    Fechamento muito lindo. Completo. Esse foi o meu favorito, exatamente pela melhor definição dos personagens, o que tirou de mim o peso de reler, reler…e deixou-me livre para apreender a mensagem.

    Parabéns pelos belos textos.

  27. Priscila Pereira
    26 de março de 2021

    Olá Chikondi!

    Encantador, essa é a palavra certa pra descrever o conjunto da sua obra!

    Todos os micros estão muito bem escritos, dá pra notar o esmero que vc teve com cada palavra. Imagino que deva ter sido difícil escrever cada micro de forma que funcionassem separados e juntos, mas vc conseguiu! E com admirável leveza e beleza!

    Gostei muito da obra completa e o micro que mais gostei foi Encontro. A imagem que ele passa combina perfeitamente com a imagem da inspiração, e ficou fofo demais!

    Parabéns! Boa sorte no desafio! 😘

  28. Fernanda Caleffi Barbetta
    26 de março de 2021

    Chikondi

    Solidão no Mundo do Sol

    Um micro sentimental, bonito. O final nos dá aquele soco na cara. Gostei.
    Alfândega dos Sonhos
    Gosto de microcontos em diálogos porque nos mostram mais sobre os personagens. Interessante a ideia da alfândega de sonhos. Muito bom.

    A Bicicleta da Parede

    Seu microconto foi uma bela interpretação da imagem proposta. Gostei do final.

    Solidão no Mundo da Lua

    O texto é bonito, bastante poético, só me peguei pensando em como ela sabia do choro da mãe se havia sido abandonada assim que abriu os olhinhos. Não que isso importe muito, talvez não, mas estou relatando a minha reação diante da leitura, soou estranho para mim. Bonito o final com a interrogação sobre a esperança.

    Orbes

    Bastante instigante este seu microconto. Li e reli para formar a imagem na minha cabeça, ora eu imaginava os orbes no céu, ora no chão. Fiquei pensando no final, se era ela ou os orbes que haviam feito uma breve passagem.

    Encontro

    Daqueles micros que a gente vai lendo sem respirar porque quer saber o final. Gostei da fantasia criada com a imagem proposta.

    Completude

    Um microconto bonito, poético, porém não causou nenhum impacto, não é daqueles que a gente lê e fica pensando ou guarda na memória.

    Olá, Chikondi, interessante como seus micros estão ligados de alguma forma, boa ideia a sua de fazer desta forma. Apesar da não identificação dos microcontos, foram facilmente reconhecíveis.

  29. Fabio D'Oliveira
    26 de março de 2021

    É tudo sobre o amor, né, Chikondi?

    Gostei bastante do seu trabalho. Conforme eu lia, comecei a perceber a ligação entre os micros, compartilhando o mesmo universo, contando uma bela história de amor. Achei mágico como a união aconteceu. Esse clima surreal é muito atraente para mim.

    Acho admirável como conseguiu dar certa autonomia para os continhos mesmo tendo esse cenário macro. É uma virtude. O impacto maior está no conjunto, claro, imagino que a intenção era essa, mas devo admitir que alguns micros brilham por conta própria. Eu imagino que possa sofrer com a opinião de que o impacto individual dos micros não seja tão forte quanto do cenário macro. Alguns textos realmente não possuem o mesmo arrebatamento individual, são mais mornos, poderia ter trabalhado melhor nisso, mas não acho que tira o valor do seu trabalho. Só se esforçar um pouco melhor caso tente algo semelhante no futuro.

    O micro que mais gostei é o Completude. Ele liga todos os pontos, funciona perfeitamente sozinho e é sensível e romântico. É o micro mais completo em todos os sentidos!

    Ah, sim, eu gostei da coragem de não indicar os estímulos, haha. Parabéns pelo trabalho!

  30. jeff A Silva
    26 de março de 2021

    Olá caro autor ou autora

    Gostei da estrutura compartilhada das histórias aqui. O clima é agradável e a leitura flui de maneira macia a cada criação. A pauta de todos é o sentimento. Amor, solidão, compaixão, tristeza e companheirismo. Tudo bem costurado e amarrado. O que mais gostei foi o “Solidão no mundo do sol” e a tristeza que ele emana. Já o que menos gostei é o “Bicicleta na parede”. Fora esse acho são todos bons contos.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio

  31. Kelly Hatanaka
    25 de março de 2021

    Olá Chikondi!

    Que sacada interessante a sua! Vários micros que fazem um conjunto coeso. E cada microconto é um microconto pois conta uma histórica completa, se lido sozinho.

    Só senti falta de algo que identificasse cada micro à sua proposta. A maioria estava bem clara, mas alguns me deixaram na dúvida.

    No mais, adorei seu estilo, bem poético, doce e onírico.

    Parabéns e boa sorte!

  32. mariasantino1
    25 de março de 2021

    Olá, Chikondi!

    Fui procurar alguma referência baseada no seu pseudônimo e achei esse clipe aqui.  https://www.youtube.com/watch?v=5A46OM_ObKY

    Gostei bastante do tom místico que tudo tem junto (e separado). A imagem escolhida, as cenas oferecidas… É amor e tudo gira em torno disso, além de ser reforçado pelo clipe musical. Duas pessoas de universos diferentes sem encontrando e se apaixonam. O os contos funcionam (sem o clipe), e isso é bom.

    É bacana como o todo se complementa com as partes no final, e, particularmente gostei muito do primeiro devido a tristeza, concretude e ausência de recursos mais fantasiosos como visto nos outros micros seu. Infelizmente ao avaliar texto por texto, eles perdem um pouco de sentido ( melhor dizendo, de força), uma vez que são complementos do todo (exceto o primeiro e o último).

    Parabenizo pela ideia.

    Boa sorte no desafio.

  33. Fheluany Nogueira
    25 de março de 2021

    Muito inteligente a forma com que o conjunto de micros transporta o leitor para uma unidade de trama. Confesso que no início fiquei um pouco perdida; porém, ao reunir todas as peças esses pormenores deixam de importar, e o todo faz sentido.

    A narrativa é sólida e fluente. O senão é que a preocupação em amarrar as partes, fez que se perdesse parte do impacto da individualidade. Mas, o conjunto é envolvente até o final, e posteriormente o texto ainda deixa reflexos no leitor.

    Preferido: “Num impulso, ela capturou três mundos passageiros. Enlaçou-os e juntou os pertences para fugir. Conforme caminhava, um monte de coisas caía das planetinhas, incluindo um menino. Deixou um gritinho escapar e largou a corda que prendia os orbes coloridos, mas não importava: não estava mais sozinha.” Por que? Não sei, acho que é o isolamento social… Emocionada, aqui…

    Parabéns pela estrutura inovadora! Boa sorte no desafio.

  34. thiagocastrosouza
    24 de março de 2021

    Comentário Geral:

    Primeiro, já adianto que curti a formatação com títulos e símbolos dividindo as partes. Quando percebi as relações entre os contos e a maneira como a imagem escolhida fecha o todo da sua obra, senti um calorzinho. Não achei os microcontos arrebatadores, mas fui levado por uma narrativa criada pelos estímulos interligados de modo que se conversam do começo ao fim. Existem exercícios de escrita criativa que seguem a lógica dos seus textos, cada parágrafo ou parte deve continuar a partir de algum elemento novo.

    Porém, acho que o miniconto deve funcionar separadamente e nem sempre isso acontece nas partes que escreveu. Como algumas passagens tem funções narrativas de passagem de uma parte para outra, sozinhas acabam sendo um pouco mornas. Por exemplo, se eu ler “Solidão no Mundo da Lua” ou “Encontro” de forma descontextualizada, não possuem a mesma força ou impacto. Como um conto depende do outro para funcionar, enxergo seus textos como um conto longo, um miniconto dividido em partes micro. Um bom artifício, mas arriscado.

    Destaque:

    “Completude
    Ela era do mundo da Lua. Tímida e carinhosa.
    Ele era do mundo do Sol. Corajoso e forte.
    Noite e dia.
    Ficavam juntos na rede. Balançando, no típico vai e vem da vida, sem tirar os olhos do que era importante.
    Ela: do lindo sorriso dele.
    Ele: dos lábios rosados dela.
    Não conheciam a solidão. Apenas o amor.”

    Fecha de maneira bonita o seu esforço narrativo, além de funcionar bem sozinho. Há uma simplicidade de amor ideal, juvenil, como são os personagens, cheio de sonhos.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado às 24 de março de 2021 por em Microcontos 2021 e marcado .