EntreContos

Detox Literário.

O invasor (David Escarradine)

Bernando era o típico solteirão ou encalhado, dependendo de a quem perguntassem.

Dias sempre iguais tornavam sua vida bastante previsível e num desses dias, ao voltar para casa após a labuta, não sem antes passar no mercadinho do bairro, não conseguiu abrir a porta.

A certeza de estar com a chave certa era insuficiente para abrir a fechadura.

Era uma casa antiga, cuja única porta dava para a rua e havia também uma janela, sempre fechada, com vidro na parte de cima, a única fonte de luz natural.

Um porta-chaves singelo com apenas três chaves bem distintas, na forma e no tamanho. Uma, inclusive, era de um cadeado que não existia mais, que insistia em permanecer no porta-chaves, apesar das promessas de tirá-la de lá. Essa peculiaridade não dava margem para errar, reforçando a suspeita de haver algo errado.

Enquanto arrumava um local para deixar as compras, detestava repousa-las no chão, percebeu movimento e ruído dentro da casa.

Com cautela para não ser notado, conseguiu um pedaço de tábua que usou apoiada em ângulo na parede até conseguir altura o suficiente para olhar pelo vidro da janela e constatar a invasão. A suspeita se confirmara.

Na cozinha, tomando café recém coado na sua xícara preferida o invasor se comportava como o rei do pedaço.

No mesmo entulho em que encontrou a tábua, apossou-se de um sarrafo disposto a expulsar o invasor de lá.

Em frente a porta pôs-se a esmurra-la e gritar para que o sujeito saísse:

—Abre aí.

—Vou chamar a polícia, hein?

—Abre aí desgraçado.

Os vizinhos, acostumados ao ser apático que ele sempre fora, estranharam a reação tão exacerbada, mas não interferiram. Preferiram ficar olhando.

Bernando sequer retribuía o cumprimento dos vizinhos, daí a decisão de não se intrometerem mesmo que aparentemente ele precisasse de ajuda.

Entre murros e gritos se passaram alguns minutos até o giroflex da viatura apontar na esquina. Imediatamente ele acenou para o motorista, algo que nem precisava porque a viatura se dirigia para lá.

—Tem um homem na minha casa. É um invasor, vocês precisam tirá-lo de lá.

Dos três policiais que desceram para atender a ocorrência o maior entre eles tomou a iniciativa e perguntou:

—Nós recebemos a ligação de um morador se queixando de que alguém com um porrete estava descontrolado do lado de fora tentando invadir a casa. Foi o senhor quem ligou?

—Eu não liguei. Deve ter sido algum vizinho. E quem mora aqui sou eu, tem alguém lá dentro que não está me deixando entrar. Algum vizinho não me reconheceu e ligou para vocês pensando que sou eu o invasor.

Um dos policiais foi até a porta, bateu, avisou que era da polícia e como não obteve resposta perguntou se Bernando estava com a chave?

Bernando acenou positivamente, entregou a chave ao policial que dê primeira conseguiu abrir a porta, contradizendo a informação inicial de ela estar trancada por dentro e impedindo a entrada.

Cautelosamente, dois policiais adentraram o recinto de poucos cômodos e logo voltaram avisando que não havia ninguém lá.

Bernando pediu que o acompanhassem, olhou todos os cantos dos cômodos com poucos móveis, incluindo embaixo da cama, atrás das portas, dentro do armário e até revirou o sofá.

Realmente não havia ninguém lá.

Mas havia o café pronto e a xícara pela metade. Além disso Bernando viu o invasor pelo vidro da janela. O mistério a ser resolvido não era mais como ele entrou e sim como desapareceu.

Enquanto devaneava sobre as possibilidades um dos policiais dirigiu-se a ele e perguntou:

—Qual o seu nome?

—Bernando.

—O senhor ligou para o 190?

—Não.

—A pessoa que ligou disse se chamar Bernando. Qual o número do seu celular?

—92345MEIA78, por quê?

—Foi desse número que ligaram para a Central. O senhor está com o telefone aí?

—Sim. O telefone está no meu bolso.

O telefone foi entregue ao policial e ao olhar o histórico das ligações, constatou que foi feita daquele aparelho na mesma hora em que Bernando esmurrava a porta tentando entrar.

—O senhor tem alguma prova de que realmente mora aqui?, perguntou-lhe o menos truculento entre os três.

—Tenho sim. 

E de fato mostrou recibos de água e luz em seu nome junto com documentos.

Vendo que não havia invasor e nem perigo para Bernando a guarnição tomou o rumo de outra ocorrência. Deixou-o a sós na casa vazia e com a xícara de café já frio como testemunha do fato.

Naquela noite ele custou a dormir. Antes divagou pela casa mais duas vezes procurando em cada canto na esperança de encontrar o invasor. Não havia como ele ter saído pela porta ou pela janela da frente ou por qualquer outro local, pois só havia uma porta e Bernando esteve o tempo todo lá.

Por via das dúvidas, sobre o criado mudo deixou uma faca de chef escondida dentro de uma revista masculina, velha substituta das mulheres que nunca foram lá.

Dormiu sonhando com prédios caindo, escombros, casas com buracos e arrombadas até ser despertado com o peso de alguém sobre seu corpo.

Deparou-se com o invasor com a faca de chef em seu pescoço e sob o efeito da descarga de adrenalina conseguiu reverter a situação. Desvencilhou-se do invasor, entrou em luta corporal, conseguiu reaver a faca das mãos do sujeito até esfaqueá-lo seguidas vezes e seu corpo não mexer mais.

Com a ameaça neutralizada ligou para a polícia. Esclareceu o ocorrido e sentou na poltrona aguardando a chegada da viatura. No quarto ao lado jazia o corpo sem vida do invasor.

Sem a brevidade da noite anterior a viatura chegou trazendo outra guarnição que foi logo batendo na porta:

—É a polícia. Tem alguém aí?

A ausência de resposta fez com que o policial fosse mais incisivo e batesse com mais força, atraindo um grupo de vizinhos que foi logo avisando que antes de eles chegarem ouviram o morador discutindo com alguém e antes do silêncio ouviram gritos.

Diante da possibilidade de o morador estar com a vida em risco, optaram por arrombar a porta. Ao adentrar no recinto se depararam com um cenário terrífico, sangue para todos os lados, principalmente sobre o morador que estava na poltrona com a cabeça quase decepada, transformando a suposta invasão em suspeita de homicídio.

Fato esse que a perícia depois confirmou. Bernando veio a óbito após levar sete facadas, uma das quais quase o decapitou. A perda de sangue causada pela ação do objeto perfurocortante foi a causa mortis.

Avisados de que havia uma queixa anterior relatando uma possível invasão de domicílio, os policiais conseguiram acesso a câmera de segurança instalada na casa de outro morador, mas não conseguiram revelar o mistério, porque nos horários das duas ocorrências as imagens da câmera estavam apagadas.

21 comentários em “O invasor (David Escarradine)

  1. antoniosbatista
    29 de novembro de 2020

    Resumo: Quando Bernando chega em casa, descobre que tem alguém lá dentro. Ele chama a polícia. Os policiais entram mas não encontram ninguém. Mais tarde, Bernando acorda com o invasor querendo matá-lo, eles lutam e Bernando consegue pegar a faca e matar o invasor. Acionada pelos vizinhos, que ouviram gritos, os policiais chegam e encontram Bernando morto.
    Comentário/ Análise: Gostei da história. Escrita simples e eficiente. Trama bem construída. O mistério continua; Bernando ficou louco e se matou, ou foi a sombra dele, o seu duplo? Como o tema é loucura, acredito que ele teve um problema mental e acabou imaginando que havia alguém estranho dentro de casa, que era ele mesmo.

  2. Paula Giannini
    28 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo – Homem em crise dissociativa se confunde com invasor da própria casa.
    Minhas Impressões:
    Histórias de duplos fascinam. Um homem que acredita ver outro, que, na verdade, é ele mesmo em sua casa. O conto flerta com a realidade fantástica e, agora, dou-me conta que escrevi isso algumas vezes aqui no desafio. Talvez pelo fato de a loucura ser uma linha tênue entre ficção e realidade.
    Interessante notar que o ritmo do conto caminha junto à cadência da narrativa. Mais lento quando o homem está do lado de fora aguardando a polícia, mais acelerado e até frenético, quando ele mata o ladrão (que seria ele mesmo em minha leitura poluída pelo tema do desafio).
    Assim como é pertinente ao gênero realismo mágico, aqui podemos ter múltiplas interpretações:
    1 – O homem é dado como louco, mas havia de fato alguém lá.
    2 – Ele se mata.
    3 – Ele delira e não mata ninguém. Em uma crise dissociativa vendo-se refletido em sua casa.
    4 – Ele é um duplo de si mesmo.
    Como digo a todos por aqui, se minhas impressões erram o alvo, desconsidere-as.
    Desejo sucesso no desafio,.
    Beijos
    Paula Giannini

  3. Andre Brizola
    25 de novembro de 2020

    Olá, David.
    Conto sobre Bernando, que chega em casa para encontrá-la trancada e com um invasor a tomar café em sua cozinha. Então chama a polícia que não encontra nada anormal e o confronto com informações dúbias. No final, Bernando confronta o invasor no que me parece ser uma luta consigo mesmo.
    Acho que o grande mérito do conto é o ritmo. O desenvolvimento das cenas é muito fluido, permite uma leitura sem interrupções e chega a ser “confortável”, até. Uma leitura prazerosa, acho que é o que estou tentando explicar. O enredo é amarrado dentro dessa fluidez e vamos descobrindo as coisas junto com o personagem.
    O enredo me leva a crer em uma disputa pela dominância entre duas personalidades de Bernando, a titular e a invasora. Fiquei com essa impressão, sobretudo, por causa da cena em que Bernando desperta com o invasor sobre ele. A morte, sem maiores explicações, reforça esse meu entendimento.
    O conto é interessante e bem redigido. Como disse antes, ele é confortável. E atende ao tema do desafio. Meu único senão aqui é que ele careceu de originalidade. Ou de algo mais impactante dentro do enredo. Talvez o final tenha sido um pouco abrupto, sem diálogos, com os dois personagens indo direto para o confronto físico e mortal. Não sei precisar, mas senti que faltou algo nele para ficar 100%.
    É isso. Boa sorte no desafio.

  4. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de novembro de 2020

    Resumo: um homem, ao voltar para casa, percebe que há um invasor na sua cozinha. Desesperado, liga para a policia que constata não haver nada de errado. Acontecimentos se desenrolam até culminarem na morte de Bernardo sob circunstâncias suspeitas.

    Olá, caro autor.

    Goste muito da sua escrita, da forma como você conduziu a narrativa. Sua trama foi se desenvolvendo bem, mas o final me deixou um pouco frustrado. Senti o conto em uma escalada promissora e o final foi um balde água fria.
    Toda a questão do personagem ver alguém que não existe me chamou a atenção, me fez querer continuar lendo para ver onde chegaria, mas achei que foi abrupto. No fim, a loucura tá ali, de certa forma, mas o próprio final do conto desmistifica esse elemento de loucura e coloca outra perspectiva. Acredito que isso tenha te atrapalhado.
    De qualquer forma, é um conto bem escrito, com umas sacadas muito legais, mas que ao meu ver se perde no final, comprometendo o restante da obra.
    Parabéns e boa sorte!

  5. Ana Maria Monteiro
    22 de novembro de 2020

    Resumo: um homem chega a casa e não consegue abrir a porta, convence-se de ver um invasor lá dentro; a polícia é chamada, abre a porta sem dificuldade e verifica que não há ninguém; após ficar sozinho, o homem é atacado e contra ataca, chama a polícia que, quando chega, se depara com o próprio morto à facada e quase decapitado. As imagens das camaras de vigilância foram apagadas.

    Comentário: Num cenário algo invulgar, o conto, embora estranho, relata factos possíveis. Nesse sentido, a única parte que toca muito levemente o tema de loucura é o homem não conseguir abrir a porta nem se lembrar de que foi ele quem chamou a polícia – convenhamos que é muito insuficiente para atender ao tema, até porque ele poderia estar apenas bêbado.

    Por outro lado, o que me chamou a atenção foi o paralelo entre “Bernando” e “Escarradine”. Há qualquer coisa na alteração de ambos os nomes. Lembrei de outro conto aqui no desafio em que alguém não aceita o próprio nome, mas pus de lado a possibilidade de haver uma síndrome generalizada com os nomes.

    Continuei com os nomes. David Carradine foi encontrado morto num quarto de hotel (confundiria as chaves) em circunstâncias que nunca foram bem esclarecidas e não se sabe ao certo se morreu acidentalmente ou se terá sido um suicídio. Mas foi por asfixia (também o ponto físico é o mesmo que a decapitação). Muitas semelhanças, realmente.

    Mas não apanho totalmente o paralelismo que, admito, pode ser apenas fruto da minha imaginação.

    O conto está bem escrito e lê-se bem, mas foge ao tema e não chega a tornar a leitura apaixonante. Ainda assim, você demonstra habilidade narrativa e boa capacidade de condução de uma trama.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Fabio Monteiro
    22 de novembro de 2020

    Resumo: O invasor é o próprio invadido ou vice versa. Homem solteiro parece ter alucinações com alguém invadindo sua casa. No final acaba morto, talvez por ele mesmo.

    Nossa, que confusão. Deu nó aqui. Não se sabe se o cara morreu por que atacou a si mesmo ou, se morreu por que realmente fora morto por um invasor.
    O nome do personagem também me causou estranheza (Bernando). Você queria uma mistura de Bernardo com Fernando?

    O texto é bom. Eu particularmente gosto de leituras assim. Texto que flui com facilidade e que prende minha atenção. Gostei do formato usado na descrição da cenas.
    Cenas curtas que nos permitem ir juntando os pedaços da historia.

    Sobre a loucura do personagem: Esse tipo de perseguição é mais real do que se pensa.
    Algumas pessoas a desenvolvem de forma branda. Sempre checam duas ou três vezes se trancaram as portas, se alguém as esta espiando….enfim…
    Nesta narrativa a coisa é mais seria. Vai da neurose a uma psicose severa.

    O único ponto que não curti muito foi a questão de haver a possibilidade de ter mesmo um invasor. Diria que nesta situação saiu de um drama pessoal para um suspense ausente de informações.

    Boa Sorte autor(a)

    De toda forma espero que seu texto seja bem aceito no E.C.

  7. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. Sei que gostaria de saber o que achei do seu conto, mas nunca vai saber. Este seria o comentário que eu faria depois de ler o seu conto, se não fosse obrigado a escrever mais qualquer coisa. Esta é a história de um homem que vê um invasor na sua casa, que na realidade não existe, mas no final é morto por ele. Dor de cabeça.
    A loucura é o próprio texto. A sua não linearidade peca pelo excesso, não dando margem ao leitor para deduzir a verdade. A realidade não existe neste conto, que deveria ser catalogado como fantasia. E, como fantasia, é perfeito…

  8. opedropaulo
    21 de novembro de 2020

    RESUMO: Um indivíduo luta consigo mesmo? Ou não?

    COMENTÁRIO: Este é um conto ágil que explora a ambiguidade no limiar do real e do devaneio. Nesse sentido, o enredo cumpre com as expectativas que cria, prendendo o leitor na brevidade do texto. Por outro lado, vejo que poderia ter feito uma revisão mais afiada e acho que há alguns trechos passíveis de serem reescritos. O conto é um pouco truncado, há alguns diálogos que poderiam ser cortados e espaço para um desenvolvimento de outros aspectos que enriqueceriam a trama em sua tensão e personalidade.

    Uma das comentaristas elogiou a escolha do nome e me fez ver que foi proposital. Não achava que era um erro, mas confesso ter tropeçado lendo “Bernardo” durante todo o conto.

    Boa sorte.

  9. Elisa Ribeiro
    19 de novembro de 2020

    Homem solteirão acredita que sua casa foi invadida. Com a chegada da polícia, a hipótese de invasão é invalidada. Na sequência, o homem é encontrado morto e sob suspeita de assassinato, mas a ausência de imagens gravadas na câmera em frente à casa não permite que se elucide o mistério.

    Sempre gosto muito de histórias que envolvem duplos e aqui não foi diferente. A narrativa direta e linear funcionou bem, a estranheza da situação foi suficiente para segurar a tensão narrativa até o final em aberto, em que o mistério resta não esclarecido. Eu gostei de todas as suas escolhas em termos de enredo e de narrativa, tudo combinou em justa medida na história, foi a minha impressão.

    O que talvez tenha faltado foi um aprofundamento maior nesse personagem no sentido de implantar dúvidas e hipóteses alternativas na mente do leitor a respeito da elucidação do mistério.

    Notei alguns problemas com a harmonização verbal, sobretudo em alguns momentos em que a construção pedia o mais que perfeito e ele não foi usado.

    O que gostei: o nome dado ao personagem, Bernando, como se fosse um Bernardo escrito errado. Esse nome próprio, com ar engano de digitação, como primeira palavra apresentada ao leitor já causa um impacto no leitor na entrada.

    O que não gostei: a história ficou um pouco aquém do que ela poderia ter rendido.
    Um bom conto com ideias e execução interessantes que merece um investimento maior pelo autor em desdobramentos/aprofundamentos.

    Parabéns pelo trabalho. Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  10. Fheluany Nogueira
    19 de novembro de 2020

    Protagonista acredita ter um invasor em sua casa. A polícia vem e nada é detectado. À noite, ele é atacado e revida pensa ter liquidado o invasor. A polícia volta e encontra o protagonista morto.
    Boa dose de suspense, leitura agradável, poucos desvios gramaticais não prejudicam a fluidez. O tema da loucura não ficou bem claro. Da forma como a narrativa ocorre, pode realmente ter acontecido a invasão e o assassinato.
    Sorte no desafio. Abraço.

  11. Amanda Gomez
    18 de novembro de 2020

    Resumo📝 Homem acredita ter um invasor da sua casa, nada comprova isso. Na mesma noite é morto. Suicidio ou assassinato? Nem o autor deve saber.
    Gostei 😃👍 Gostei do ritmo do conto, ágil, desperta o interesse do leitor de imediato. Bem escrito e apesar de curto conseguiu demonstrar bem a tensão da história. As cenas são boas.
    Não gostei 😐👎 Não gostei do final aberto, deu a impressão que o autor não soube como resolver o próprio dilema. Assassinato ou suicídio? Acho que falou um desenvolvimento melhor nessa parte, ainda que o interesse fosse que ficasse no ar, as pontas não ficam soltas. As câmeras desligadas… a parte que fala que ele esperou no sofá e no apartamento ao lado o corpo jazia… achei muito confuso. E por mais que em um surto psicótico um suicídio com 5 facadas no pescoço possa soar possível, ainda assim é muito inverossimel pra mim. Talvez eu tenha perdido alguma coisa…mas não vou me responsabilizar por isso. 😁
    O conto em emoji : 🧐🏠😲🔪😵

  12. Leda Spenassatto
    18 de novembro de 2020

    Resumo:
    Bernando ouvia e fazia coisas muito fora do comum.

    Comentário:
    Com graves problemas Bernando via fantasmas em sua casa e, numa dessas vezes chegou até ligar para a polícia dizendo haver um invasor dentro dela.
    Certo dia, se confundiu com o invasor que permeava seus desvaneios e com uma faca se degolou.
    Um conto muito bem escrito, de fácil leitura , com uma sequência cosisa e bela.
    O final poderia ser aberto, deixaria um quê de mistério. Sei que tem leitores que gostam de contos mastigadinhos, porém não é o meu caso.
    Sorte de montão a você, David Ecarradine!

  13. Anna
    13 de novembro de 2020

    Resumo : Bernardo liga para a polícia para relatar uma invasão em sua casa, a polícia não acha ninguém. Bernardo acaba sendo morto mas não temos certeza se o invasor lhe matou ou se ele mesmo se matou em meio a delírios.
    Comentário : O conto é maravilhoso. Na minha humilde opinião Bernardo foi assassinado. Não sei como a polícia não achou o invasor, certamente ele foi mais rápido.

  14. Fil Felix
    9 de novembro de 2020

    Boa tarde!

    Um homem não consegue entrar em casa e acredita que a mesma foi invadida. No dia seguinte, em luta contra o invasor, o protagonista é morto. Fica no ar a questão da loucura, dele ter cometido suicídio em meio à paranoia.

    Acredito que essa questão dos “estranhos” que moram ao lado se revelarem ser a própria pessoa que os vê será bastante utilizada no desafio. Nesse caso, o protagonista acredita que há alguém na casa dele, mesmo com todos os indícios mostrando que não há ninguém ali e que ele mesmo fez as coisas (como a ligação). Nesse ponto, o conto não possui tanta surpresa ao final, revelando o já esperado: Bernando era seu inimigo esse tempo todo.

    O outro, o invasor, era tudo uma questão de paranoia ou delírio, a loucura. O trecho final, porém, com as câmeras desligadas e sem a prova final, acaba deixando um mistério que não sei se era realmente a intenção do autor. Acredita que a história poderia ter sido um pouco mais estendida, dando maior profundidade à invasão e abrindo mais esse leque entre a dualidade (ou não). A cena da briga, por exemplo, deixa o invasor muito genérico. Talvez uma descrição melhor ajudaria a consolidar melhor sua imagem, seja a do próprio Bernando ou não.

  15. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Homem paranoico acha que há um invasor em sua casa.

    Comentário: Mais um conto sobre a dubiedade da loucura. O personagem, paranoico, sente-se perseguido até descobrir ser ele mesmo, ainda que de forma trágica, o perseguidor. Há um quê de absurdo no conto, principalmente na situação inicial, e a ideia de ver alguém em casa fuçando nas coisas e depois, se deparar com o vazio, é realmente perturbadora. Porém, talvez pelo fato de ter lido muitos contos com essa temática, o seu não me surpreendeu com o final, pois já imaginava que o personagem se automutilaria até a morte. Há algumas repetições de palavras que poderiam ter sido evitadas numa revisão.

    Gostei do conto, no geral. Acho que valeria uma reescrita e um aprofundamento na paranoia do protagonista.

    Boa sorte no desafio!

  16. Anderson Do Prado Silva
    8 de novembro de 2020

    Resumo:

    Homem enlouquece e comete suicídio. Ou será que casa é invadida e seu morador é morto?

    Comentário:

    Achei o texto muito divertido! O enredo me conquistou, pois adorei ficar com a dúvida sobre o que realmente aconteceu!

    Apesar disso, achei que a escrita precisa ser polida, pois o texto possui muitos erros de revisão, sendo preciso entregá-lo para um bom leitor beta ou para um revisor competente.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  17. angst447
    8 de novembro de 2020

    RESUMO
    Bernando chega em casa e percebe que a chave não se encaixa na fechadura. Espiando pela janela, descobre um invasor. A polícia é chamada, mas à noite Bernando ou o invasor (talvez a mesma pessoa) é assassinado.

    AVALIAÇÃO
    A primeira coisa que me chamou a atenção foi a escolha do nome do personagem- Bernando. Ao invés do costumeiro Bernardo. Pensei que se tratasse de erro de digitação, mas pela repetição acredito que seja intencional. Seria algo como (hi)Bernando? O invasor estava hibernando e resolveu vir à tona ?
    O conto prende a atenção com o seu tom de suspense permeado por uma nuance fantástica. A linguagem empregada é clara e simples, não há desdobramentos desnecessários, o que contribui para a fluidez da leitura.
    Pela descrição da cena do crime/suicídio, acredito que tenha sido um assassinato, dada a violência das facadas e quase decapitação. O quanto há de loucura ou de fantástico no enredo, isso é outra história.
    Boa sorte e que suas chaves sejam bem recebidas.

  18. Bianca Cidreira Cammarota
    8 de novembro de 2020

    Homem de vida solitária se vê envolvido em com um (suposto) invasor em sua casa.

    David Escarradine, seu conto me pareceu mais de suspense e horror do que de loucura em si, muito embora existam indícios leves dela.

    Para mim, ficou a dúvida se é loucura do protagonista (ele com surtos de quebra psíquica, um tipo de bifurcação egoica) ou se é de terror (um ser alheio e desconhecido como o invasor):

    . A probabilidade de uma pessoa se perfurar sete vezes e quase se decapitar me parece pequena.
    .Também não consta no texto sobre a faca – se Bernardo tivesse se matado, a faca constaria provavelmente no chão, ao lado da poltrona.
    A ausência da gravação da câmara de um vizinho encerra a possibilidade de desvendar o mistério.

    Coloquei esses pontos para te explicar os porquês de minha dúvida entre loucura e suícidio X invasor misterioso. Na minha opinião, ficaram essas inconsistências. Se puder, por favor, venha e me explicite o que você planejou para o conto, a fim de me esclarecer. Por vezes, quando escrevemos, não passamos para o leitor exatamente o que gostaríamos e a tua explicação pode me ajudar a entender melhor.

    A premissa é interessante, David. Gostarei de ver seus contos nos próximos desafios. Boa sorte!

  19. Giselle F. Bohn
    8 de novembro de 2020

    Homem depara-se com, talvez, uma alucinação, ou, quem sabe, seu duplo, ou, ainda, um real invasor em sua casa. Ao final, ele é morto ou se mata, dependendo da versão que se adote.
    Que final frustrante para um conto que começou tão bem! A ideia foi boa, a condução também, mas o final foi realmente anticlimático, na minha opinião! Fiquei triste, estava cheia de entusiasmo por este texto! Foi impressão minha, ou o tempo foi curto e o texto precisou ser encerrado logo?
    Mas de um modo geral o conto é bem legal e mantém bem a atenção do leitor! Parabéns! E boa sorte!

  20. Angelo Rodrigues
    8 de novembro de 2020

    Resumo:
    Homem, chegando em casa, depara-se com um invasor. À noite, enfrenta-o em uma luta com faca. Um deles morre.

    Comentário:
    Acho que esse é o segundo conto que leio sobre o mesmo viés: o duplo.
    Interessante a ideia, que deixa-nos a dúvida se houve uma automutilação ou um ataque real.

    Levado pelo tema do certame – a loucura -, vejo-me forçado a achar que foi uma automutilação, novamente o caso do duplo, o Visconde Medardo Bom e o Visconde Medardo Mal em sua luta final de espadas, uma espécie de Jekill e Hyde na pele de Bernardo. Legal essa abordagem.

    Ceio que houve mesmo a automutilação, embora o autor conspire contra isso quando, ao final do texto, põe-nos novamente em dúvida ao tornar impossível a elucidação, ao dizer:

    “visados de que havia uma queixa anterior relatando uma possível invasão de domicílio, os policiais conseguiram acesso a câmera de segurança instalada na casa de outro morador, mas não conseguiram revelar o mistério, porque nos horários das duas ocorrências as imagens da câmera estavam apagadas.”

    Boa sorte no desafio.

  21. Lara
    8 de novembro de 2020

    Resumo : Bernardo chega em sua casa e percebe que esta foi invadida. Chama a polícia es não se lembra de ter chamado. A polícia não acha ninguém na casa. Depois de noite Bernardo luta com o invasor e acaba morrendo. A polícia o encontra todo esfaqueado. E fica a dúvida : bernardo brigou consigo mesmo ou foi realmente atacado ?
    Comentário : O conto é interessante. Mas não consegui ter certeza se se o invasor fez Bernardo parecer louco ou se Bernardo realmente sofria de problemas mentais.

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Informação

Publicado em 8 de novembro de 2020 por em Loucura.