EntreContos

Detox Literário.

Entrelinhas (André Brizola)

Enfim! Obrigado, muito obrigado. Graças a você, leitor, agora existo. Não é ruim essa minha meia existência. De forma alguma! Mas é condicional, é condicional. Sem você, aí, do outro lado, segurando o papel ou, mais provavelmente, olhando diretamente para a tela de seu equipamento eletrônico, eu sou nada. Nenhum impulso, nenhum desejo. Nada.

Todos aqui somos nada, na verdade. Eu, meus colegas e vizinhos, enfermeiros, médicos, visitantes. São nada também os pássaros do jardim, as flores do jardim. O próprio jardim só existe agora, enquanto você está aí, lendo. As janelas gradeadas, as paredes acolchoadas e as belas roupas brancas e azuis com que todos aqui desfilamos pelos corredores pálidos e gelados cheirando a formol. Deixam todos de existir no momento em que a tela fica escura, ou o papel é deixado de lado.

Sou conhecido por 47-B. Meu nome anterior já não faz mais sentido. Daniel, Daniela, Julio, Julia, tanto faz. Hoje sou Quarenta e Sete, sobrenome B. Meu quarto e minha ala. Mas pode me tratar por 47. Só tenho sobrenome mesmo quando gritam comigo: “Quarenta e Sete Bê, solte essa seringa! Quarenta e Sete Bê, desça do parapeito! Quarenta e Sete Bê, cuspa os cacos de vidro!”

A vida aqui é pacata. Passeio pelos corredores vislumbrando, através das janelas, o colorido do exterior cortado por listras verticais, cinzas e metálicas. Mas as árvores, as nuvens, os contornos dos prédios, são exatamente como me lembro. Minhas idas ao jardim são poucas e controladas. Nunca sozinho. Minha companheira, a enfermeira Joice, me observa o tempo todo. Eu entendo, é seu trabalho. Mas o que eu poderia fazer? Correr e escalar o muro, buscando a liberdade nas ruas? De forma alguma. Sou feliz aqui. E sou mais feliz quando passo a existir.

Meus colegas não aceitam muito bem essa nossa condição de existência, essa nossa vida submissa à vontade e disponibilidade de um terceiro. Acham que, quando prego sobre isso, não estou em minhas plenas faculdades mentais. Mas são uns inocentes, doentes mentais que lidam com realidades além desta aqui. Delírios, esquizofrenias. Nenhum deles tem a mesma consciência expandida que eu, infelizmente. Prego a incapazes de compreender. Mas prego, assim mesmo.

Outros que não aceitam a verdade são os funcionários. Médicos, enfermeiros, seguranças. Todos me ouvem, com muita paciência e disposição. Mas seus olhos entregam a descrença. Ninguém quer ouvir, ou crer, que a própria existência é condicionada à vontade de um outro, como você, leitor, que me faz existir neste exato momento. Curiosamente, carregam no próprio corpo adereços e tatuagens religiosas, e fazem contato com seu ser superior socialmente aceito a todo instante. A incoerência me incomoda, mas a engulo. Minhas revoltas anteriores nunca surtiram mais efeito do que alguns dias confinado no andar de cima, onde as paredes são macias e as roupas tem mangas longas.

A enfermeira Joice é o epíteto desse comportamento negacionista. Nos conhecemos no minuto em que coloquei os pés nesta instituição. Já naquela época passou a acompanhar os meus desenvolvimentos. E já naquela época me ouvia com os olhos, não com os ouvidos. “Joice”, dizia eu, “não sou louco”. “Claro”, dizia ela em resposta, “agora tome seus remédios”. Muito profissional, ela. Nunca dera margem para os conhecimentos que eu, ávido por compartilhar, derramava verbalmente em seus olhos surdos. “Sim, Quarenta e Sete, claro. Deixe-me afrouxar essa amarra para você ficar mais confortável”.

Mas, chega, por enquanto. Esse exercício de existência me deixou eufórico. E, se me notam eufórico, voltam a me dar comprimidos inteiros. Em nosso próximo encontro falarei sobre alguns dos funcionários. E talvez sobre alguns dos meus colegas.

*  *  *

Joice bateu levemente. Como não ouviu resposta, tentou a maçaneta e, sentindo-a destrancada, entrou para encontrar o médico roncando baixinho, recostado na antiga cadeira de couro e os óculos na ponta do nariz. O livro, ainda parcialmente seguro em uma das mãos, deslizava milímetro a milímetro em direção ao chão.

– Doutor? Doutor Santana? – Foi entrando devagar pelo consultório. Desviou do divã e deu a volta na imensa escrivaninha de jacarandá, herança de épocas mais tradicionais da clínica. Pegou o livro da mão flácida do médico e o deixou cair em cima do tampo escuro do móvel. O peso do volume provocou um estalido, e o médico se endireitou despertando do cochilo.

– Enfermeira Joice? Perdão, eu estava concentrado.

– Não tem problema, doutor. Depois do almoço eu também pego no sono se pegar algo para ler. Doutor, queria te mostrar isso – disse a enfermeira, tirando do bolso do jaleco azul um texto manuscrito.

O médico ajeitou os óculos e esticou a mão.

– Achei isso hoje no quarto 47. 

Doutor Santana passou os olhos rapidamente pelo papel. – Está recomeçando, não é? Faz algum tempo já que ele havia deixado isso de lado.

– Sim, doutor, o pessoal estava até começando a achar que ele ia acabar saindo dentro de alguns meses. Muito pacato, muito educado. Até nos ajuda a controlar os mais exaltados, de vez em quando.

– Não vamos nos precipitar, entretanto. Vou encaixá-lo em algum horário. Acho que amanhã já consigo vê-lo. Devolva o manuscrito ao quarto dele. Não queremos que ele fique agitado, ou que se coloque na defensiva – esticou o papel de volta à enfermeira e abriu uma agenda. Bateu o dedo em cima da página aberta – Aqui, avise-o para me visitar amanhã, no primeiro horário. Vamos ver em que pé está essa situação.

– Obrigada, doutor. Espero que seja só uma preocupação boba. Mas se pudermos controlar isso logo no início, quem sabe ele continua melhorando sem uma recaída mais grave. Obrigada. Vou deixar o senhor retomar sua… leitura.

A enfermeira saiu e o médico ficou contemplando a janela por algum tempo, refletindo sobre a situação do paciente. Então bocejou longamente, arrumou os óculos na ponta do nariz e voltou a se recostar na cadeira. Em alguns segundos já estava adormecido.

 

*  *  *

– Bom dia! Como estamos hoje? Por gentileza, sente-se aqui no divã. Faz algum tempo que não o recebo aqui, Quarenta e Sete.

– Bom dia, doutor Santana. De fato. Não nos encontramos nessa rotina de médico e paciente há algumas semanas. Fiz alguma coisa para merecer esse encontro?

– Que tal se conversarmos um pouco sobre essas semanas que ficamos sem nos encontrar? Há algo que gostaria de me dizer? Algo relevante que eu deva saber?

– Acho que não, doutor. Mas estou ficando assustado. Eu fiz alguma coisa suspeita e vieram relatar para o senhor, não foi? Coitada da Joice. Só pode ter sido ela. Seja lá o que for que eu tenha feito, pedirei desculpas a ela. Não foi minha intenção.

– Não, Quarenta e Sete. Veja bem, não aconteceu nada de grave. Só achei que deveríamos retomar alguns temas de nossas conversas mais antigas. A enfermeira Joice falou muito bem de você, na verdade. Disse que vislumbra, em um futuro próximo, a sua partida da clínica.

– Ah, doutor, eu agradeço. Mas sou muito feliz aqui. Não gostaria de sair. Mas, claro, eu entendo. Estamos em uma clínica. Não posso ficar aqui, a menos que eu esteja… bem, que esteja louco.

O médico abriu um caderno de anotações e buscou uma página no começo. Arrumou os óculos na ponta do nariz e leu em voz alta: “não existimos, o senhor e eu, não até que nos leiam”. – Você se recorda disso? O que pode me dizer sobre isso?

– Doutor, eu me lembro disso. E, desde o dia em que o senhor anotou isso aí no caderninho, já não tenho mais incomodado ninguém com essa história. Bom, pelo menos ninguém que realmente fique incomodado.

– Certo. Então ainda estamos acreditando nessa teoria, correto?

– Doutor, não quero que isso soe como coisa de um paciente normal da clínica, mas, sinceramente, não é exatamente uma questão de acreditar. Não falo de fé. Falo de fato.

– Conte-me mais, por favor.

– Doutor, nada mudou, na verdade. Se eu tenho algum nível de loucura, ele permanece o mesmo. Ele existe porque estou sendo lido desta forma. Nas páginas em que fui criado, fui descrito desta forma. Só posso mudar se assim estiver escrito e se assim for lido. 

– Entendo. Então, digamos, por uma hipótese, que esteja escrito que daqui em diante, ao invés de sua receita de remédios, você passe a tomar uma nova. Não teria problema algum, correto? Estaria escrito.

– O senhor entende, então?

– Acho que entendo. Mas acho que será preciso que voltemos a conversar novamente em breve. Mas, por enquanto, fico feliz que tenhamos batido esse papo, Quarenta e Sete. Mas vamos já deixar marcado. Quero vê-lo novamente em quatro dias. Mesmo horário?

– Mesmo horário, doutor. Nos vemos daqui a alguns dias.

– Ao sair, por gentileza, peça à enfermeira Joice que passe por aqui o mais rápido possível.

*  *  *

Acredito que não preciso descrever nada do que aconteceu hoje para você, certo? Você leu toda a minha conversa com o doutor Santana. Desculpe-me pelas letras tremidas, mas estou tenso, estou tenso. A enfermeira Joice saiu do consultório com um papel e foi direto à enfermaria. Vão mudar minha medicação. Provavelmente para algo mais forte. Não posso tomar algo mais forte, não quero virar um vegetal. Eu penso. Eu raciocino. Essa é a minha força, e não vou perdê-la. Não vou.

Eu estou certo. Só existo quando sou lido. Você sabe disso, não sabe? Você não sabia de nada disso até começar a me ler. E, depois que parar, deixarei de existir. Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos. Seria um eu distorcido pelo filtro de sua própria existência. Não, só existo aqui mesmo, neste momento em que me lê.

Eu não queria ter que provar. Não queria provar isso a ninguém. Seria muito mais fácil se todos conseguissem enxergar o mesmo que eu. Mas momentos extremos pedem medidas extremas. Sou muito feliz aqui. Mas é hora de mudar. Não perderei minha essência para medicamentos.

Veja, esta é minha cama. Ela é de um metal pintado de branco, com um colchão duro, embrulhado em um lençol verde. Está limpo. O travesseiro, também embrulhado em verde, já está no chão, onde o joguei mais cedo quando acordei. Meu quarto é quadrado, tem uma janela pequena, gradeada e alta. A porta é simples, mas forte. Está fechada no momento. Não trancada, não posso trancá-la por dentro. Mas, no momento, é o suficiente estar fechada.

Você pode se assustar, mas é como as coisas são. Só existo se você estiver aí, me lendo. Assim como o quarto. Assim como a cama, como tudo aqui. Nada é ou foi dito sobre o corredor do lado de fora. Se o corredor é curvo, ou reto, ou se não há corredor de fato. O corredor só existirá no momento em que você o ler. Mas… E se você ler que, ao abrir a porta, ao invés do corredor eu me deparar com uma rua? Se você ler sobre a rua, ela existirá. E, se eu sair pela porta, estarei nessa rua. Certo? Uma rua qualquer, longe daqui.

Portanto, como prova daquilo que creio, da minha existência condicionada, sairei por aquela porta e estarei em uma rua. Você terá lido isso, o que garante o meu sucesso, garante a minha fuga. Eu não queria fugir, acredite. Mas é necessário, é necessário. 

Abro, então, essa porta, e a atravesso para a liberdade. Agradeço com todo o meu ser por me proporcionar esta saída. Talvez voltemos a conversar em outra oportunidade. Até mais. Cuide-se.

*  *  *

Quarenta e sete deu dois passos decididos em direção à porta. Pegou na maçaneta, a mão tremia levemente. Ele demonstrava uma crença muito forte. Mas, como ser humano, não podia deixar de temer pelo fracasso. Chegou mesmo a fechar os olhos ao puxar a porta. E então deu o passo seguinte, saindo do quarto.

A rua era movimentada o suficiente para que ninguém notasse por mais do que alguns segundos o homem vestido em roupas de hospital. Carros passavam indo e vindo, e a gente na calçada parecia ocupada demais para prestar atenção em alguém em trajes extravagantes. Quarenta e Sete, então, entrou no fluxo do caminhar apressado da multidão e sumiu para a liberdade.

*  *  *

– Alguém deve tê-lo visto. Não é possível! 

– Sumiu, doutor. Sem deixar nenhum rastro. O pessoal da segurança revirou o prédio, viu as filmagens do circuito interno. Mas nada. Absolutamente nada. Sumiu como se nunca tivesse existido.

– Joice, isso é ilógico. Há uma explicação, só não estamos conseguindo enxergá-la.

– Eu sei, doutor. Daqui a pouco o pessoal da segurança vai começar a ouvir os internos. Talvez algum deles tenha visto alguma coisa. Alguns gostavam muito do Quarenta e Sete. Como pode? Todo mundo achava que em breve ele sairia curado… 

– Pode me dizer com qual dos internos ele passava mais tempo? Ou se ele mantinha uma amizade mais próxima com alguém especificamente?

– Não, doutor, ele era igualmente amigável com todos. Mas… Bom, há um deles que talvez se enquadre nessa definição. Mas acho que o senhor não conseguirá nada dele. Nunca diz nada, e parece catatônico na maior parte do tempo. O Quarenta Sete mostrava as coisas que escrevia para esse paciente.

– Mostrava? Joice, por favor, localize-o e traga-o ao meu consultório. Imediatamente.

– Claro, doutor. Agora mesmo.

*  *  *

Pouco mais de dez minutos após a conversa com a enfermeira e o doutor Santana recebia em seu consultório o interno do quarto 13. Não havia se preparado direito, pois ainda estava muito nervoso com o evento do sumiço do Quarenta e Sete. Então, quando o viu entrar, tudo o que conseguiu dizer foi “sente-se”. Joice, que acompanhava o paciente, colocou-se à direta do médico, observando.

O doutor arrumou sua poltrona de modo que ficasse de frente para o interno. Pegou caderno e caneta, ajeitou os óculos na ponta do nariz e, com o olhar passando por cima das lentes, fitou em linha reta. Os olhos azuis, antigos, cansados, emoldurados por uma pele excessivamente branca, de quem vive essencialmente fora do alcance da luz do sol, estavam bem abertos e atentos.

– Peço desculpas, mas a urgência exige que eu seja direto. Quarenta e Sete falou com você?

Os olhos azuis perscrutavam as reações, e a caneta traduzia tudo no caderno de anotações.

– Imagino que ele tenha pedido para manter tudo em segredo. Mas é de vital importância que você nos diga tudo o que sabe. O bem-estar de seus colegas aqui na clínica pode estar comprometido.

A testa do médico, sempre tão tesa, marcada apenas pelas rugas do tempo, agora se dobravam sob o peso da preocupação.

– Você tem que nos dizer algo. Por favor, diga algo. 

– Doutor, o olhar dele… Os olhos se movem.

– Eu sei que consegue nos ouvir.

– Os olhos dele se movem como se estivesse… 

– Sim, eu percebi. Ele parece lendo. Está nos lendo, interno? Consegue dizer algo?

– Doutor, desculpe-me, acho que não vamos conseguir nenhuma resposta. Ele só continua mexendo os olhos. Acho que não é o momento para isso. Tenho medo de como ele possa reagir.

– Perdão, Joice, perdão. Eu mesmo estou me sentindo mal – o doutor colocou o caderno de lado e passou os dedos nos olhos fechados. – Isso foi um erro. Leve o paciente ao seu quarto. Ele não reage às nossas palavras. Bom, não reage mais do que isso aí, esses movimentos de leitura.

Joice levantou e, com delicadeza, ajudou o interno a se levantar também. Algumas palavras tranquilizadoras, um braço de apoio e os dois se encaminharam para a porta. Doutor Santana deu a volta na escrivaninha de jacarandá e deixou o corpo cair pesadamente na cadeira. Pensava na fuga de Quarenta e Sete, sim, mas, naquele momento, o interno que acabara de sair de seu consultório o intrigava mais.

“Ele estava me lendo”, pensou. “Não estava me ouvindo, estava me lendo. Estava lendo…”

71 comentários em “Entrelinhas (André Brizola)

  1. Jose Carlos Brizola
    15 de dezembro de 2020

    Eu gostei, já acostumei-me a ler páginas e mais páginas.Texto intrigante que provoca ao raciocínio, parabéns!!

  2. Almir Zarfeg
    12 de dezembro de 2020

    Resumo: Narra a história muito interessante do paciente 47.

    Comentário: Um texto muito criativo, para dizer o mínimo, em que loucura e literatura se misturam num processo de metalinguagem. Um enredo que absorve a atenção e, por isso, envolve de maneira especial. O dinamismo do texto com certeza é um dos pontos altos da história à qual é quase impossível a gente ficar indiferente ou distante. Simplesmente irresistível.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Almir, tudo bem? Muito obrigado pelos elogios e apontamentos. Eu quis, realmente, que o conto tivesse essa agilidade e dinamismo, pois o enredo poderia ficar muito confuso sem isso. Fico feliz que tenha gostado! Valeu!

  3. Misael Pulhes
    11 de dezembro de 2020

    Olá, “Tussen de Lijnen”.
    Resumo: 47-B é um interno que crê que a realidade só existe a partir do que nós, leitores, lemos. Nessa tese ele permanecerá, mesmo que hesitante, até o final.
    Comentários: ah, eu gostei! Mais da premissa do que da execução, mas gostei. Aquela coisa de: poxa, tinha muito mais potencial, poderia ser muito mais bem trabalhado, mas, ainda assim, gostei.
    Eu não tenho tanta leitura para não achar o texto original. Achei-o, mesmo que metalinguagem não seja nenhum ineditismo. E mesmo que a premissa merecesse mais, talvez. E mesmo que originalidade não seja o mais importante. Aliás, o texto é muito bem escrito. Destaque para a alteração entre narração em primeira pessoa e em terceira pessoa.
    Gostei particularmente do momento da fuga, em que fiquei imaginando se o autor levaria a cabo sua premissa. O texto ganhou, para mim, força ali, e poderia ter desembocado em algo ainda maior.
    Enfim, é óbvio que se trata de um grande autor e um texto muito bom. Boa sorte.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Misael, tudo bem? Muito obrigado pelos comentários e apontamentos. Claro que essa ideia poderia ser muito mais bem explorada, mas eu realmente não queria ir muito além. Queria ser simples, pois estava trabalhando com um enredo que poderia ficar muito confuso muito facilmente. Até por isso optei por uma linguagem mais simples e direta. Valeu!

  4. Fil Felix
    11 de dezembro de 2020

    Boa tarde!
    O paciente 47 do hospital acredita que só existe por ser um personagem, que está a todo tempo sendo escrito e imaginado. Apesar de ninguém acreditar nele, ao final consegue provar sua teoria e escapa do lugar ao ser lido dessa forma. Uma trama muito curiosa e interessante, gostei do que li.
    Acho que trabalhar com a metalinguagem nesse formato, quase como uma conversa com o leitor, “quebrando a quarta parede” e assumindo seu papel como ficção é algo muito arriscado. Pois pode cair num campo batido e bem bizarro, pra não dizer chato. Confesso que fiquei com esse medo no início. O protagonista fala diretamente com o leitor, acredita ser uma personagem em construção/ escrita. Também fiquei com receio por intercalar os pontos de vista, ora do protagonista/ personagem, ora da narrativa tradicional. Mas aos poucos fui entrando na magia e me deixei levar, comecei a curtir a viagem. Algo legal é que, apesar do protagonista ter essa crença de que está sendo escrito e, junto dele, vamos imaginando tudo conforme nos é falado, na verdade ele é o grande criador de sua própria história. Pois é ele quem narra e acaba criando a realidade, como a sequência da porta.
    O conto também ganha pontos por permanecer fiel à sua ideia até o final. Já que ele realmente atravessa a porta e está em outro lugar. Não cai no “é tudo um sonho/ delírio”. O final traz um quê de mistério, deixando o paciente 13 como essa figura/ leitor, transformando o texto num ciclo. Gosto muito de contos que nos trazem algo além da história/ conflito em si, que nos tira da zona de conforto e faz pensar, trazendo essas interpretações e leituras em diversas camadas. E nisso, seu conto foi muito bom. Algum detalhe ou outro que achei estranho, como o psiquiatra a lá psicanalista (pelo divã) e o hospital seguir um estilo mais caricato, mas no geral muito bom!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Fil, tudo bem? Realmente é arriscado ir por esse caminho. E a primeira impressão de muito leitores foi igual à sua. Eu sabia que seria assim, mas me esforcei para que o texto conseguisse vencer a primeira impressão, pois essa é a história que eu queria contar. Fico feliz de ter agradado! Valeu!

  5. Marco Aurélio Saraiva
    11 de dezembro de 2020

    RESUMO: O paciente do 47-B de um hospício tem plena certeza de que é um personagem em uma obra literária e, para provar isso, foge do manicômio por manipular a leitura de seu texto.

    Cara… esse é um dos contos mais sensacionais que eu li nos últimos tempos. Que ideia maravilhosa e bem trabalhada! Toda a premissa do conto é incrível e a execução é ainda melhor. O final – onde eu mesmo era um personagem da história – foi a cereja no bolo. Sério, não sei se em mil anos pensaria em algo assim. É fruto de uma mente brilhante!

    A estrutura do conto foi muito boa. Começa com os devaneios de um louco e eu logo achei que seria um “metaconto bobo”, sabe, daqueles que começam e terminam com “oi, eu sou um conto”. Porém, na cena seguinte, você é introduzido a Joice e ao doutor Santana e descobre que o que leu antes eram as palavras do próprio 47, escritas em uma folha de papel. O conto fica interessante. A cena seguinte é ainda melhor: 47 SABE QUE VOCÊ SABE sobre a cena entre ele e o doutor Santana. Uma metalinguagem e uma quebra de quarta parede extremamente bem executada! Por fim, VOCÊ MESMO é levado ao doutor para falar sobre 47! Achei a leitura um exercício imaginativo sem tamanho. Parabéns mesmo!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Marco, tudo bem? Fico feliz que tenha gostado! mas, não, esse conto não é fruto de uma mente brilhante, só de uma regular e esforçada. Mas você tocou num ponto interessante, e que eu queria que fosse notado. 47B sabe que a gente sabe, pois é ele escrevendo, e se ele passa a existir enquanto está sendo lido, então ele sabe, rs. Fico feliz de ter acertado essas coisas, pois em determinado momento até eu fiquei confuso durante a composição. Valeu!

  6. Fernanda Caleffi Barbetta
    11 de dezembro de 2020

    Resumo
    Interno acredita que só existe a partir da leitura de um texto que o coloca como personagem.
    Comentário
    Muito boa a sua ideia, criativa, interessante. A ideia de um personagem que fala com o leitor, que acredita que só exista ali naquela narrativa talvez não seja tão inédita, mas a forma como a desenvolveu, o caminho que a premissa tomou foi inusitado. Parabéns.
    Gostei bastante do final, da criação do personagem 13, que trouxe algo ainda mais fantástico ao conto. Legal também a ideia da criação da rua como fuga.
    O bom de utilizar diálogos é justamente para mostrar um pouco mais da característica de cada personagem. Percebi que o médico e o paciente possuem a mesma linguagem, igualmente séria. Talvez fosse legal diferenciar um pouco para tornar a conversa mais verossímil e os personagens mais reais.
    roupas tem (têm) mangas longas.
    Nos diálogos, entre a fala e a frase sem verbo dicendi, coloque um ponto final. “– Não vamos nos precipitar, entretanto. Vou encaixá-lo em algum horário. Acho que amanhã já consigo vê-lo. Devolva o manuscrito ao quarto dele. Não queremos que ele fique agitado, ou que se coloque na defensiva (ponto) – esticou o papel de volta à enfermeira e abriu uma agenda. Bateu o dedo em cima da página aberta (ponto) – Aqui, avise-o para me visitar amanhã, no primeiro horário. Vamos ver em que pé está essa situação.
    “Desculpe-me pelas letras tremidas, mas estou tenso, estou tenso. A enfermeira Joice saiu do consultório com um papel e foi direto à enfermaria. Vão mudar minha medicação. Provavelmente para algo mais forte.” – este trecho ficou estranho. Ele conversa com a enfeira, aí você coloca que a enfermeira sai, mas ele continua falando… ele a seguia pelo corredor?
    Parabéns pelo conto.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Fernanda, tudo bem? Muito obrigado pelos comentários e apontamentos. Na cena em que 47B comenta sobre seus remédios ele já não está mais no consultório, ele apenas a vê saindo do consultório e indo para a enfermaria. Ele antes estava falando com o médico, na verdade. Valeu!

      • Fernanda Caleffi Barbetta
        14 de dezembro de 2020

        Legal, obrigada pela resposta e parabéns pelo belo texto q julgaram ser meu 💋

  7. Bruno de Paula
    11 de dezembro de 2020

    Interno de uma clínica psiquiátrica acredita que é personagem de uma narrativa e que sua existência está condiciona aos momentos em que é lido.
    Olá, Tussen de Lijnen.
    Seu conto é ótimo, criativo, bem escrito e sou um confesso fã da metalinguagem, sempre prende meu interesse.
    A primeira parte do conto capturou completamente minha atenção. Não só pela premissa, mas também pela narrativa. Você consegue consegue equilibrar a fala do narrador de forma que ela não fique rebuscada demais, o que soaria artificial; tampouco que fique pobre. Ele parece usar linguagem coloquial, mas organiza seus pensamentos de maneira ordenada e bela. Muito interessante a analogia dos “olhos surdos”. É um equilíbrio difícil de ser alcançado e você o fez de forma tão natural.
    Na segunda parte do conto há uma troca de voz e passamos a acompanhar um narrador onisciente, em terceira pessoa. Porém, o diálogo que compõe a terceira parte me fez pensar que não houve uma troca real: 47 é também o tal narrador onisciente. De outra forma, não faria sentido o psiquiatra chamá-lo pelo número. Nenhum profissional de saúde mental desumanizaria dessa forma um paciente.
    A completa compreensão que o narrador tem de como os outros veem seu estado mental e o que pretendem fazer com ele reforçou esse meu sentimento. Quando 47 decide que haverá uma rua quando cruzar a porta e a história realmente se concretiza, pra mim foi a confirmação que faltava.
    Então temos aqui um escritor que se acredita personagem da história que ele mesmo escreve e ainda alterna entre ser esse personagem e criar o restante do enredo em terceira pessoa? Como diria Keanu Reeves: wow!
    Que ideia, que execução e que loucura!
    Pra mim o conto poderia terminar aí. Maaaaaaaaaaaaaas… ele continua, rs.
    O diálogo entre enfermeira e médico me pareceu um capricho de 47 em nos manter conectados aos desdobramentos de seu sumiço. Interessante.
    Mas a cena final que você traz o leitor para dentro do conto me gerou estranheza. Seria 47 apenas dando uma piscadela e rindo das nossas expectativas? Ou será que interpretei tudo errado?
    Vou preferir a primeira teoria. Vou de mãos dadas com 47 aonde ele me levar.
    Parabéns pelo excelente conto 47. Sei que esse pseudônimo complicado ali em cima é só pra nos despistar.
    Abraço!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Bruno, tudo bem? Obrigado pelos comentários! É muito engraçado como um texto pode gerar tantas interpretações. Eu busquei certa praticidade com esse conto, de forma que seu entendimento ficasse mais à flor da pele. Mas ainda me impressiono com o que os leitores encontram no texto. Fico feliz de que tenha gostado! Valeu!

  8. Amana
    10 de dezembro de 2020

    Obs.: A nota final não se dará simplesmente pela soma da pontuação dos critérios estabelecidos aqui.

    Resumo: Paciente de hospital psiquiátrico acredita que os acontecimentos de sua vida ocorrem porque alguém a está lendo.

    Parágrafo inicial (2/2): Muito bom. Causa estranhamento e desperta a curiosidade.

    Desenvolvimento (1,5/2): Gostei de quase tudo: a parte da fuga me pareceu muito superficial, muito fácil. Como ele sai assim, do jeito que saiu? Se alguém está lendo a vida dele, é porque alguém a escreveu e esse escritor ou escritora precisa aprender melhor os detalhes de cena de fuga, rssss… Acabei lembrando do livro Paciente 67, que deu origem ao filme Ilha do Medo, mas foi só uma coincidência, os enredos são muito, muito diferentes. Gostei da metalinguagem também.

    Personagens (1,5/2): Acho que faltou um pouco de desenvolvimento do paciente 13 e mais espaço na trama para a enfermeira, ela quase que parece apenas figurativa…

    Revisão (1/1): Bem, não percebi nada de mais, nada sobrando. Talvez por ter ficado envolvida com a trama.

    Gosto (2,5/3): Gostei, sim. Achei bem dinâmico o texto, mas dê atenção àquela fuga, sim? No mais, parabéns pela ideia e boa sorte.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Amana, tudo bem? A cena com a fuga está ali com o objetivo de trazer alguma fantasia ao texto. Para deixar a metalinguagem de lado e mostrar que nós, autores, podemos fazer absolutamente tudo com nossa imaginação, rs. Eu não queria realmente detalhar muito, pois a falta de informação deixa ela mais fantástica. E Joice é realmente um acessório. Na versão inicial ela tinha mais espaço, mas achei que isso tirava o foco da ideia principal do conto. Muito obrigado pelos comentários e pelos apontamentos! Valeu!

  9. Fabio D'Oliveira
    10 de dezembro de 2020

    Não gostei.
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    No, no, no. Eu realmente não gosto da metalinguagem aplicada dessa forma. A ideia que só existimos se estamos sendo vistos, lidos ou entendidos é o grande clichê da metalinguagem. Aplicar isso, num hospício, com reflexões artificiais, me levou a desgostar do texto.
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    Porém, e aqui é um grande porém, você é um escritor nato. Sabe escrever. Seu conto transpira uma aura de beleza que achei difícil encontrar no desafio. É uma pena que tenha decidido fica na zona comum, pois, afinal, poderia ter se destacado ainda mais.
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    É um conto difícil de comentar pra mim, pois costumo sair da curva como leitor. Procuro realmente o que sai do comum. Volta e meia aparece uma boa metalinguagem por aqui, mas fico sempre com a sensação que as pessoas não se arriscam. Não tentam algo diferente por medo de errarem. 47 pareceu muito seguro de si, durante sua história, mas não sei se o autor, em si, é tão seguro de si. Ele planeja sua fuga com tanta propriedade que, no final, talvez seja apenas uma autoafirmação do autor. Não sei, é provável que esteja viajando muito. Mas sempre fico com essa sensação de que a pessoa tem cacife literário para muito mais.
    .
    Foi uma leitura interessante, atraente e gostosa. Você nunca deve questionar sua habilidade como escritor técnico. Mas, Tussen, ouse mais. Pode acabar se surpreendendo com o que pode criar. É criativo.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Fabio, tudo bem? Eu agradeço pelos comentários e apontamentos! Eu não me vejo como um escritor nato, e sim como um turista engajado. Estou aqui de passagem mas, se gostar, posso acabar ficando, rs. Mas, sinceramente, até acho que me arrisquei bastante com esse conto! As versões anteriores, que eram maiores e mais densas, não me agradaram tanto. por isso fui numa direção mais prática, pois eu buscava um entendimento mais imediato. Valeu!

  10. Euler d'Eugênia
    10 de dezembro de 2020

    -Primeira parte (o leitor, o louco, o escrito)
    Devidamente bem construído o cenário de a pessoa ser uma definição, um espaço, um quarto, deu certo charme a passagem (ainda mais com o B sendo utilizado como sobrenome – excelente). Assim como a construção da leitura/leitor no sentido existencial, culminando no fechamento conclusivo do leitor em paralelo à loucura.
    “(Já naquela época passou a acompanhar os meus desenvolvimentos. E já naquela época me ouvia com os olhos, não com os ouvidos. “Joice”, dizia eu, “não sou louco”. “Claro”, dizia ela em resposta, “agora tome seus remédios”)”. Repetição pontual, tanto da época, quando dos ditos, ambos foram resinificados e também até divertidos.
    Cuidado com o uso do ‘mas’, usou-o nas oposições (sem ressignificações), porém em excesso.
    -Segunda parte (análise: o anúncio do escritor ‘louco’)
    “Joice bateu levemente. Como não ouviu resposta, tentou a maçaneta e, sentindo-a destrancada, entrou para encontrar o médico roncando baixinho, recostado na antiga cadeira de couro e os óculos na ponta do nariz”. Aqui (e também em outras ações que foram provenientes de outras, ou seja, do passado do passado, se achar necessário atente-se a esse ponto) tem problema verbal, faltou à utilização do pretérito mais que perfeito.
    “– Enfermeira Joice? Perdão, eu estava concentrado”, achei graça! [Risos]; “Vou deixar o senhor retomar sua… leitura”. Aqui retoma o humor de forma conectiva, bem bom o uso;
    -Terceira parte (análise: o texto múltiplo)
    Aqui se revela a construção da análise do que foi lido na primeira parte, estamos analisando um texto dentro do texto, excelente esse ponto de convergência. Tudo está se tornando o mesmo. O diálogo parece simples, mas não é, estamos dentro do texto, analisando o texto, um texto dentro doutro, quase que um reflexo de espelho no olho; Uma loucura que precisa ser combatida “por remédios”;
    Fiquei incomodado com as colocações pronominais erradas nas falas, mas compreendo o uso.
    -Quarta parte (o eu louco, mais lúcido de todos)
    Voltamos a primeira pessoa, a pessoalidade do texto pra fechar o raciocínio do inicio;
    “Eu penso. Eu raciocino”, novamente a tomada pela existência, ‘eu penso, eu existo’, uma referência sutil, aliás, todo o texto é sútil.
    “eu me deparar”, o uso pronominal ao infinito, faltou aqui e em outros pontos, porém um ou outro, só.
    Aliou a ligação da leitura à memória e magistralmente a liberdade, a liberdade está na leitura. No passo seguinte, é ‘nós’, pois quando lido, se torna a gente (assim ele, quando lido se tornou o médico) .
    -Finalização (o complemento, o leitor, o interno!)
    Voltamos às análises, a leitura dentro da leitura, o 13 ‘o leitor’ (complementar ao 47, no conjunto 60, uma soma exata, e ouso dizer que sessenta, remete a ‘estar sentado’, estado de todos os pacientes ou escritores na espera de ser lido ‘esperar sentado’ – e, também, em que todos escrevem sentados. Claro posso ter viajado, mas sonoramente parece).
    O leitor do texto, a leitura dentro da leitura, o 13 ‘o leitor’, o complemento, é o médico:
    “o homem vestido em roupas de hospital (aqui só pode ser o médico)”, após o 47 tornar-se livre e ninguém vê-lo mais, pois ele reside dentro do leitor agora, do médico que passa o conto todo analisando e tendo insights do comportamento do paciente, do escrito, do escritor (que espera sentado, que escreve sentado, o médico quem escreve os relatos, é o médico o próprio ‘louco’, pois conversa consigo).
    E essa passagem finaliza:
    “O doutor arrumou sua poltrona (sentado!) de modo que ficasse de frente para o interno (o filha da puta vai escrever aqui, num looping infinito de ler-reler, de escrever-reescrever)”
    É realmente, é o doutor, ele é o leitor (conquanto escritor, pois todos somos um), agora 47 é ele, deixou de existir fora, virou um processo interno, ‘remoído’, perscrutando significados adentro, catatônico (estado no qual ficamos após ler um texto).
    *Um texto leve, divertido e sutil em toda a sua construção. É um texto ‘entrelinhas’ (excelente título).
    *A enfermeira, joice (talvez alusão ao James), é a própria escrita, a linguagem, a que auxilia a tirar a leitura, a ‘loucura’, da cabeça. Aquela que acorda a gente dos sonhos para ir escrever.
    Meus grandiosos parabéns pelo texto, fiquei aqui remoendo os significados, no mesmo processo do doutor Santana.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Leandro, tudo bem? Valeu pelos comentários e pelos apontamentos. Você fez diversas interpretações além daquelas que eu esperava que pudessem conseguir, rs. Grande parte desse conto foi criado em cima da premissa de que o texto é a ponte entre autor e leitor, e de como essa interação, esse trato social, é moldado de acordo com o objeto. Valeu!

  11. Daniel Reis
    10 de dezembro de 2020

    RESUMO: a metalinguagem, na qual o personagem louco e internado só existe pela leitura, desenvolve-se num fluxo de ideias e pensamentos entre consultas e remédios.

    IMPRESSÕES: a premissa é muito boa, porém acho que a execução ficou aquém de minha expectativa. Acredito que faltou um desenvolvimento mais claro do Dr. Santanta e da enfermeira Joice. De qualquer forma, é um conto promissor para um desenvolvimento futuro. Boa sorte no desafio!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Daniel, tudo bem? Eu realmente queria que Dr. Santana e Joice fossem mais bem desenvolvidos. Mas eu não tinha muito mais espaço, e também temia um desvio do foco principal, a crença de 47B. Em uma versão anterior desde conto, maior e mais ampla. Eu agradeço os comentários e apontamentos! Valeu!

  12. Priscila Pereira
    8 de dezembro de 2020

    Resumo: Um paciente de uma clínica acha que só existe enquanto é lido.

    Olá, Tussen!
    Gostei do seu conto! Muito bem pensado e executado!
    Mas… Sempre tem, né 😁 a fuga bem sucedida do 47 transforma o texto em um realismo fantástico e tira um pouco o conceito de loucura. Mas… Novamente kkk, não afetou negativamente seu texto. Eu gostei bastante. O personagem principal é profundo e interessante, a ambientação é muito boa, tudo tem o tom certo. Até ele conseguir fugir de verdade.
    Foi uma leitura fluida e gostosa, obrigada por isso!
    Parabéns!
    Boa sorte!
    Até mais!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Priscila, tudo bem? Eu quis colocar a fuga de 47B dessa forma fantástica porque sabia que ela seria inesperada. E sabia também que ela “destoaria” do restante do conto para muitos leitores. Mas gostei do resultado! Achei que a aposta valeu a pena! Muito obrigado pelos comentários! Valeu!

  13. Regina Ruth Rincon Caires
    8 de dezembro de 2020

    Entrelinhas (Tussen de Lijnen)

    Resumo:

    A história do paciente 47B, interno de um hospital psiquiátrico. Um primor de texto… ❤

    Comentário:

    Neste texto tudo é especial, o autor fala no escrito e nas entrelinhas. E o pseudônimo é justamente (na língua holandesa) o próprio “entre linhas”, aquele que queria falar sem que ninguém (dentro do hospital) o “lesse”.

    Um primor, um trabalho que vai além das palavras. E o texto todo gira contornando esse gritar sem que olhos/ouvidos atentos percebessem. De arrepiar.

    Que sensibilidade nas descrições, nas percepções, que grito de socorro, meu Deus! Queria escrever assim. Saber transmitir a dor e a angústia que habitam a alma de um lúcido tratado como louco. O cuidado com que 47B media até mesmo os pequenos gestos, a maneira de conversar com a enfermeira Joice e com o Dr Santana, sua vida sã estava nas mãos deles. E a cumplicidade do amigo do quarto 13, que primor de descrição e narrativa. Tudo tão doce, tão sereno.

    O texto é muito bem escrito, estruturado. Os diálogos do 47B, através de escritos e com os quais ele falou comigo, são de uma categoria invejável. Tocantes.
    Tussen de Lijnen, “ENTRE LINHAS”, seu texto me arrebatou. Como diz um amigo do EC, OUTSTANDING!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Parabéns pelo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Regina, tudo bem? Muito obrigado pelos elogios e pelos comentários. E pela propaganda no facebook, rs. Fico muito feliz de que tenha gostado. Eu me diverti muito escrevendo sobre 47B. Valeu!

  14. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    7 de dezembro de 2020

    RESUMO:
    Um personagem que se compreende como um personagem, num delírio que dá o tom da trama.

    ABERTURTA:
    Excelente abertura do conto, cria aquela atmosfera que intriga o leitor, surpreende nas primeiras linhas, dá a pista da ideia que iremos trilhar durante a leitura.

    DESENVOLVIMENTO:
    No desenvolvimento, tive a sensação de que o autor limitou a própria grande ideia que teve, além disso também me pareceu que se estendeu de mais. Apesar disso, e o que direi é uma contradição, o conto foi bem escrito, senti o talento do escritor, a originalidade como abordou o tema também fascina. Isso foi importante para compensar o que me soou como limitações no desenvolvimento. O conto serviu também para que eu fizesse uma observação interessante. Como eu leio os comentários, além dos textos, vejo uma série de contradições nos quesitos usados por alguns comentaristas entre um conto e outro, alto também intrigante que eu sempre torço para não prejudicar o resultado e deixar de fora bons contos como este que acabei de ler.

    CONCLUSÃO:
    O final talvez não tenha me surpreendido porque fui surpreendido logo no primeiro parágrafo. Seguiu a lógica da narrativa e a fechou com competência.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Alexandre, tudo bem? Muito obrigado pelo comentário e pelos apontamentos. Eu realmente tentei não me estender demais com esse conto. Fiz várias edições, mas acho que acabei até cortando coisa demais. Mas fico feliz que tenha gostado! Valeu!

  15. Rafael Penha
    7 de dezembro de 2020

    RESUMO: Paciente de clínica psicológica tem alucinações de que está sendo lido.
    COMENTÁRIO: Excelente!
    Eu não costumo gostar de literatura que quebra a quarta parede, mas esta foi feita com tanta competência que me vi sorrindo no final.
    O enredo é eficiente em conduzir a situação e mostrar o transtorno de 47B, pavimentou bem os rumos que o conto seguiria.
    O enredo é interessante, apesar da fuga mal explicada de 47, não escorrega em praticamente nada. A narrativa é segura, eficiente, convidativa, mantém o leitor atento à história e o final é catártico, de arrancar sorrisos!
    Acho que o conto poderia ser um pouco mais curto, mesmo assim, não tirou o brilho. Muito bom!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Rafael, tudo bem? Muito obrigado pelo comentário e pelos apontamentos! Juro que tentei deixar ele mais curto, pois fiz várias e várias edições até chegar no formato atual. Mas gostei do resultado final. Fico feliz de ter agradado tantos leitores! Valeu!

  16. Fernando Dias Cyrino
    5 de dezembro de 2020

    Ei, Tussen, você me traz a história do 47 B. A impessoalidade dos pobre coitados internados no manicômio. Ele tem a tese – verdadeira – que a realidade só existe se está sendo observada. Ele só existe se estiver sendo lido por alguém. Trata-se de uma questão multidisciplinar interessante que envolve física quântica, biologia e filosofia. E o louco é louco por pensar assim. Pobre 47 B. Um conto bonito, uma narrativa bem elaborada, muito bem construída, tudo está bem concatenado na trama. Dizer mais o quê? Gostei muito, parabéns pela sua narrativa. Ela me cativou. Grande abraço.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Fernando, tudo bem? Muito obrigado pelo comentário. O louco é louco por pensar assim, exatamente. E é mais louco ainda quando ele está certo, rs. Fico feliz que tenha gostado! Valeu!

  17. gisellefiorinibohn
    28 de novembro de 2020

    Paciente de hospício acredita que é na verdade um personagem e que existe apenas ao ser lido.
    A premissa deste conto é sensacional! Realmente uma sacada de mestre: um lance de metalinguagem, e um final incrível! Parabéns pela criatividade!
    Na parte técnica não vi nada que desabonasse, pelo contrário: me pareceu muito bem redigido. Mas, ao mesmo tempo, não é um texto particularmente “belo”, como alguns outros deste desafio. Senti, no entanto, que não foi mesmo essa a sua intenção; acho que você quis uma narrativa fluida e direta, e nisso você foi muito competente!
    Boa sorte no desafio!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Giselle, tudo bem? Sim, minha intenção era realmente um texto mais direto, pois achei que algo mais complexo, denso e poético geraria um ruído muito grande em um enredo que envolvia dois tipos de narradores, metalinguagem e um pouco de fantasia. Fico feliz que tenha gostado! Valeu!

  18. Paula Giannini
    27 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – Personagens só existem ao serem lidos, ficção ou realidade?

    Minhas Impressões:

    Este conto traz uma excelente premissa. Personagens escritos que só tomam vida ao serem lidos, e isso é algo que, certamente, já instigou muitos autores interessados em criar uma excelente trama. Interessante notar, entretanto, que, indo de encontro ao tema proposto no desafio, o(a) autor(a) desenvolve a narrativa de tal premissa a partir do ponto de vista de um louco. Internado em um manicômio, é ele quem imagina ser lido, até que suas impressões atinjam também seu psiquiatra. Assim, o(a) escritor(a) utiliza-se, de certa forma, de metalinguagem, deixando seu leitor (ao menos esta leitora aqui) com a estranha sensação de que, ao fechar o livro (a tela) estará dando fim à vida daqueles personagens.

    Um trabalho bem interessante que, de certa maneira, flerta também com a realidade mágica, quase quebrando a quarta parede, e dando ao leitor a sensação de que os personagens poderão se rebelar e fugir do texto a qualquer momento.

    Como digo a todos por aqui, se acaso minhas impressões não estiverem de acordo com seu trabalho, apenas desconsidere-as.

    Parabéns pelo trabalho instigante.

    Desejo boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Paula, tudo bem? Obrigado pelos comentários! Essa rebelião dos personagens é um aspecto que eu queria ter trabalhado mais, se tivesse mais espaço. Inicialmente queria que 47B fugisse levando alguém junto, inclusive. Mas conforme fui moldando o texto vi que isso não seria possível. Valeu!

  19. antoniosbatista
    26 de novembro de 2020

    Resumo : Paciente de um hospital psiquiátrico, acredita que só existe quando alguém lê o que ele escreve. No final, o médico dá sinais que sofre dos mesmos delírios.
    Comentário/Análise: Após a leitura, achei que os diálogos não ficaram cem por cento bons. Me pareceu foçado, não natural. Também em relação ao médico, ao entrevistar o paciente do quarto13, ele inicia pedindo desculpas: – “ Peço desculpas, mas a urgência exige que eu seja direto”. Não acho que o médico precise pedir desculpas ao seu paciente, por querer curá-lo ou outra coisa qualquer, ainda mais a alguém sofrendo das faculdades mentais, que não está no seu juízo perfeito para se importar com as regras das relações sociais. O diálogo com o leitor ficou rude, sem emoção. O argumento é bom, mas precisa de uma boa “lapidação”. Boa sorte.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Antonio, tudo bem? Dr. Santana pede desculpas ao paciente 13 porque o médico é mais do que um funcionário da clínica. Ele vê aquele lugar como uma segunda casa, se sente confortável. Os internos não são seus pacientes, são praticamente seus colegas. E ele é realmente rude, pois está totalmente fora de sua zona de conforto. Isso não ficou totalmente claro no texto, mas era a minha ideia. Valeu!

  20. Leda Spenassatto
    25 de novembro de 2020

    Resumo:
    O paciente 47-B de um manicômio só se sente vivo quando está sendo lido. De tanto ensistir nessa afirmação, deixa o seu médico com a mesma sensação.

    Comentário:
    Que bárbaro isso! Só existo quando estou sendo lido.
    Já ouvi muito dizer que funcionários, de grande empresas, como bancos por exemplos, não passam de um número. E, a partir do momento que são despedidos deixam de existir.
    Seu texto é belíssimo, é real, mas me intrigou o fato de 47-B ser um paciente de um manicômio e ser tão lúcido. Até o doutor , no final do conto, duvidou de quem estaria alalisando quem.

    Essa trecho ficou exepcionalmente brilhante. Amei!

    ‘Eu estou certo. Só existo quando sou lido. Você sabe disso, não sabe? Você não sabia de nada disso até começar a me ler. E, depois que parar, deixarei de existir. Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos. Seria um eu distorcido pelo filtro de sua própria existência. Não, só existo aqui mesmo, neste momento em que me lê.’

    Parabéns!
    De montão, te desejo sucessos.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Leda, tudo bem? Muito obrigado pelos comentários, fico feliz que tenha gostado do conto! Eu sou funcionário de um banco e sei bem como é ser um número, uma matrícula. É lamentável, rs. Mas 47B não se importa em ser um número, desde que esteja sendo lido e existindo! Valeu!

  21. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de novembro de 2020

    Resumo: Um paciente que acredita que está sendo lido por alguém, e que as coisas que a pessoa escreve sobre ele podem mudar seu rumo na história que vive.

    Olá, caro autor!
    Eu adorei o seu conto! Acho que até o momento foi a ideia mais original do desafio, essa abordagem diferente me pegou desprevenido, o lance dele sair na rua depois foi genial! Gostei da sua escrita também, não achei cansativo e a cadência foi bem legal. As reflexões que você trouxe para como o texto existe além da leitura são as mesmas que eu me faço. Gostei muito mesmo, esse vai levar uma das minhas notas mais altas, com certeza. Não é uma escrita extremamente primorosa como já vi aqui, mas é muito competente, bem pensada e trabalhada com competência.
    Parabéns pelo seu conto, eu gostei muito!
    Boa sorte!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Jefferson, tudo bem? Valeu pelos comentários e apontamentos. De fato minha intenção era deixar tudo muito claro, para que uma leitura apenas fosse o suficiente para o pleno entendimento do conto. Para tal eu optei por uma linguagem mais direta e prática. E fiquei muito satisfeito com o resultado. Fico feliz de que você tenha gostado! Valeu!

  22. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Tussen.

    Conto sobre um paciente de clínica, 47B, que acredita ser um personagem sendo lido, e que sua existência só ocorre quando é lido. No final ele se aproveita da possibilidade de criar para si uma rota de fuga através da escrita e da leitura e foge da clínica.

    Texto que usa a metalinguagem para criar a história de 47B, que pode ser louco por crer que só existe enquanto está sendo lido, mas que prova sua teoria ao conseguir fugir da clínica através de um artifício fornecido pelo texto e pela leitura. Uma proposta interessante e que foge do padrão dos contos deste desafio, até o momento (ainda não li todos os contos). Há um autor inglês, Terry Eagleton, teórico e crítico de literatura, que aborda uma situação semelhante a isso em seu livro Como Ler Literatura (uma leitura muito agradável, inclusive).

    Gostei do tom leve que permeia o conto. O ritmo funciona de maneira adequada e as trocas nas vozes dos narradores, primeira e terceira pessoa, acrescentam algum dinamismo ao enredo. E achei legal o contraste entre o 47B pacato (até nos ajuda a controlar os mais exaltados, de vez em quando) e o 47B realmente louco (Quarenta e Sete Bê, cuspa os cacos de vidro!).

    Acho que a parte técnica está bem ajustada, e percebi apenas um erro (acredito que de digitação) em “Joice, que acompanhava o paciente, colocou-se à direta do médico”. Acho que não seria “direta” e sim “direita”. Mas não sou o leitor mais atento a esse tipo de falha nos textos.

    No geral um conto divertido e que atende a proposta do desafio.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  23. Elisa Ribeiro
    21 de novembro de 2020

    47 B é interno em uma instituição psiquiátrica mas acredita que é personagem de uma narrativa.
    O argumento é ótimo e alguns momentos do conto me pareceram simplesmente geniais. O texto está bem escrito, com boas escolhas lexicais para o contexto, linguagem direta e muito bem revisado.
    Indo de forma bem direta ao ponto, o problema grave para mim foi a narrativa. Em geral, achei o ritmo do conto lento. Levando em conta a premissa metalinguística do conto e a passagem em que o médico surge dormindo com um livro nas mãos, penso que tenha sido intencional. Ou talvez apenas um ato falho do autor… Se me permite, uma hipótese que imaginei enquanto lia seria substituir alguns diálogos por discurso indireto. Penso que seria uma opção para dar uma acelerada na narrativa.
    O que gostei: desse momento que aqui destaco do seu conto. “Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos.” Sensacional! Também gostei demais quando você nos trancou, leitores, no hospício na pessoa do doidinho silencioso que só mexe os olhos.
    O que não gostei: respeito suas escolhas narrativas, mas o ritmo lento do conto não funcionou bem comigo nessa experiência estafante de leitura aqui do EC. Não imagino o quanto seria diferente em outra situação de leitura.
    Finalizo dizendo que é um ótimo conto que merece destaque pela singularidade da abordagem aqui no desafio.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Elisa, tudo bem? Eu realmente não queria deixar o ritmo lento. Busquei formas de destravá-lo e a versão original deste conto ainda era um pouco mais denso. 47B era um tanto mais prolixo e um tanto quanto pedante, rs. Mas eu agradeço os apontamentos e comentários! Valeu!

  24. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá autor. Gostei bastante da ideia base do seu texto e da forma como o mesmo foi estruturado. É a prova de que ideias complexas podem ser descritas de uma forma elegante, que não obrigue a uma segunda leitura. No seu texto um doente internado num hospital psiquiátrico tem a ilusão de que está a ser lido. A constatação de que a realidade é um texto facilita-lhe a fuga. Achei a ideia genial, um pouco do tipo de Matrix, mas sem a parte tecnológica. De resto, nada a apontar. Parabéns

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Jorge, tudo bem? Fico feliz de que tenha gostado! Eu busquei muito esse objetivo de conseguir ser claro e compreendido logo na primeira leitura. Acho que o potencial para a confusão com a mistura que fiz era muito grande, então abri mão de uma linguagem mais complexa para focar no enredo. Fiquei muito satisfeito com o resultado final. Valeu!

  25. opedropaulo
    20 de novembro de 2020

    RESUMO: 47-B sabe do grande segredo. Nos conhece e sabe também do quanto a sua realidade é frágil e condicionada. Não podem impedi-lo de viver essa realidade, então ele decide aproveitá-la para fazer dela a sua rota de fuga, deixando para trás médicos, enfermeiras e insanos, todos bastante confusos.

    COMENTÁRIO: A abordagem desse conto é singular e muito bem trabalhada, estabelecida logo no primeiro parágrafo, de onde segue consistente. A mescla da primeira e da terceira pessoa serviu bem para nos fazer entender como o personagem via a sua realidade e ao dar a voz ao narrador o conto não perde sua qualidade, com uma narração prática, muito capaz de situar os personagens e os cenários, fazendo bom uso do diálogo para avançar a narrativa. Há o ponto negativo de que os personagens são, no geral, acessórios, com as personalidades não excedendo as suas “funções” na trama, o que tira um pouco do conto. Apesar disso, é uma leitura intrigante e divertida, em que a tensão vai se instalando na medida que loucura e fantasia se misturam. A sacada final, de trazer o leitor para o conto, foi inteligentíssima e condizente com a premissa da estória.

    Boa sorte.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Pedro, tudo bem? Muito obrigado pelos comentários. Você citou algo que foi a chave para eu conseguir concluir o conto: narração prática. Eu estava misturando pontos de vista, vozes narrativas, loucura, realidade, fantasia, e a liga para isso tudo não poderia ser muito complexa, por isso investi em algo que fosse prático. Acho que perdi “poesia” com essa decisão. Mas ela me permitiu contar a história que eu queria contar. Fico feliz que tenha gostado! Valeu!

  26. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 Conto feito a partir da perspectiva consciente de um personagem da história. Ele entende tudo, e precisa fugir daquele lugar.

    Gostei 😃👍 Achei um conto muito bom, o autor se valeu de bastante criatividade, não necessariamente sobre a metalinguística, mas a forma como conduziu tudo, muito legal mesmo. É aquele tipo de conto ‘’ explode cabeça’’ que pelo sim e pelo não acaba criando paradoxos. Toda a menção a terceira pessoa… tipo, o cara foi escrito para saber mais que os outros, ainda assim não tem controle disso pois esse conhecimento é premeditado pelo escritor onisciente de sua própria história. Os outros personagens compõem muito bem essa questão ‘’ matrix’’ negacionista de que tudo é loucura, os sãos. Mas são apenas outros personagens arquitetados, e tem aquele personagem que faz a vez o leitor. Fiquei imaginando pra onde foi o 47-B, uma outra página que não está ao alcance dos nossos olhos? Nós, que temos o dom mágico de fazê-los existir. Achei bonito seu texto, tem um ar poético sobre o que é ser escritor e leitor e o incrível poder que essas duas coisas tem.

    Não gostei 😐👎 Nadinha, um conto ótimo do começo ao fim.

    O conto em emoji :📖 🏨👨🏻‍💻

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Amanda, tudo bem? Muito obrigado pelo comentário. A relação entre autor e leitor é uma interação social, e eu queria fazer que essa interação fosse mais do que isso, que fosse parte do enredo. Meio Matrix, mesmo. Fico feliz de que tenha gostado! Valeu!

  27. Fheluany Nogueira
    18 de novembro de 2020

    O protagonista é nominado 47 B (quarto e ala numa clinica psiquiátrica). Ele crê que seja um personagem de ficção e que, portanto, somente existe quando sua história é lida.

    Título, pseudônimo (do holandês: entre as linhas) e trama nos remetem à metalinguagem, à criação (lembrando que analistas costumam pedir aos pacientes que escrevam sobre o seu dia, suas emoções. Eu mesma escrevo para estar ocupada desestressar, passar o tempo — devo ser meio biruta…).

    E tem aquele provérbio: Três coisas que cada pessoa deve fazer durante sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. São atos que deixarão um legado, uma memória, uma reputação. Escrever é uma forma de eternizar pensamentos e palavras. É recriar a vida.

    Amei o conto, a criatividade da premissa e a execução bem elaborada, com ares de realismo fantástico — texto bem escrito, dinâmico e cativante. O leitor se sente um personagem com a quebra da quarta parede. A leitura fluida se deve à estrutura em pequenas partes e à alternância de foco narrativo.

    Muito bom trabalho. Sorte no desafio. Abraço.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Fheluany, tudo bem? Muito obrigado pelo comentário. Conseguir esses ares de realismo fantástico era um dos meus objetivos ao escrever. Não queria que a coisa ficasse totalmente presa na metalinguagem. Queria ir um pouco além. Fico feliz de que tenha gostado! Valeu!

  28. Ana Maria Monteiro
    18 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: 47-B é um paciente que acredita ser um personagem de um livro e que seu destino será o que o escritor escrever, acredita também que todos os que o rodeiam ali são também personagens ou, alternativamente, o Autor criou 47-B e decidiu dar-lhe liberdade criativa de autodefinição dentro do tema do desafio.

    Comentário: confesso que ao iniciar a leitura torci o nariz, duvidosa; o conto me pareceu, de caras, ser mais daqueles de entercontista para entrecontista o que, podendo não ser mau, é sempre muito limitativo. Felizmente, essa sensação logo desaparece e o contraste entre o que o conto é e a fraca promessa inicial, potencia muito o agrado que se experimenta ao ler.

    Gostei muito do seu conto, ele é antes de mais, uma reflexão sobre personagens criados por escritores e a vida própria que ganham, seja pela mão do próprio autor enquanto escreve e muitas vezes se surpreende pelo facto de o seu personagem estar a criar contornos que não havia pensado antes de começar, seja pela interpretação de quem lê e o que conserva do que leu. Esta última observação está perfeitamente contida aqui: “Você pode até achar que continuarei existindo em sua memória. Mas, não. Na sua memória não sou eu. Na sua memória é você mesmo, tentando codificar-me de uma maneira que se enquadre em suas experiências e conhecimentos. Seria um eu distorcido pelo filtro de sua própria existência.”

    Este conto é uma magnífica homenagem a todos nós, nós que escrevemos e nós que lemos. Tudo está realmente nas entrelinhas, entre o que se escreve e o que se lê – e aí cabem muitos universos.

    O conto não termina, apesar de o seu desfecho estar excelente. Na realidade, um personagem está a ler outro personagem e, assim, a criar todo um novo mundo entre o significante o e significado.

    Obrigada pela leitura.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Ana, tudo bem? Muito obrigado pelo comentário. Fico feliz de ter superado a primeira impressão. É muito difícil de reverter uma primeira impressão, pois muitos dão muita importância ao parágrafo de abertura, e quando este não agrada, o conto acaba perdendo força. Se consegui me recuperar, então fico satisfeito de ter insistido! Valeu!

  29. Fabio Monteiro
    15 de novembro de 2020

    Resumo: 47 B é o nome do personagem internado numa clinica psiquiátrica. Ele propõe a tese de que uma pessoa só existe se ela puder ser lida. Quase como se quisesse nos dizer que precisamos deixar uma marca para evidenciar nossa existência neste mundo.

    Um personagem sábio. Confesso que não vi nas suas ações atos próprios de loucura. Por que exatamente ele esta internado? Seria por causa da sua escrita?
    Se for isso nós do E.C já nos tornamos insanos.
    Mesmo sendo esculachados nos comentários o povo não consegue parar de escrever e mandar os seus contos.

    O conto é muito bom. Eu fiquei pensando por um tempo o que seria da minha vida sem a escrita. As pessoas extravasam sentimentos de varias formas. Escrever com certeza é uma delas.

    A bíblia e as antigas escrituras estão aí para nos provar que a tese de 47B é verdadeira. Quem nada deixou escrito simplesmente não existe.

    Boa sorte autor(a)

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Fabio, tudo bem? Obrigado pelo comentário! 47B estava internado porque assim foi escrito, como ele mesmo diria. Acho que nem eu nem ele sabemos qual o motivo que o levou ao sanatório originalmente, mas o importante é que estava lá, e agora não está mais rs. Valeu!

  30. Anna
    14 de novembro de 2020

    Resumo : Paciente de um sanatório parece estar se recuperando muito bem, até que ele começa a dizer que só existimos se estivermos sendo lidos. Buscam aumentar sua medicação e ele foge para não se tornar uma marionete.
    Comentário : Conto muito legal. Faz muito sentido para nós escritores, que sentimos necessidade de sermos lidos para sentir que estamos vivos.Gostei do protagonista ver sua vida como capítulos e ele não está totalmente errado.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Anna, tudo bem? Agradeço o comentário! Eu não havia pensado no paralelo com os autores, que precisam ser lidos para existir ou se sentirem vivos. E é uma interpretação toda sua, pois até então ninguém havia apontado tal conclusão. Muito legal! Valeu!

  31. Bianca Cidreira Cammarota
    11 de novembro de 2020

    Paciente em sanatório tem delírios sobre a vida, esta condicionante a ser uma história que, somente quando é lida, realmente existe.

    Quando iniciei o conto e vi a premissa, fiquei com o pé atrás, pensando que cairia em clichê. Ledo engano, para minha felicidade! O texto é ágil, envolvente e a utilização da quarta parede juntamente com a narrativa de terceira pessoa em alternância deram equilíbrio ao enredo. O tema loucura é o principal, mas no final tem um toque bem-vindo de surrealismo (o paciente 13 estar “lendo” a cena que vivia foi demais!). Os diálogos são críveis, os personagens palpáveis, o enredo bem conduzido.

    Autor(a), que conto maravilhoso! Imagino o trabalho que foi necessário para compor o texto; todavia, sinto que você se divertiu na construção da sua criação. Proporcionou ao leitor, na minha opinião, uma experiência excelente, criativa e atrativa! Parabéns!!!! E agradeço por ter fornecido este texto. Gostei mesmo!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Bianca, tudo bem? Sim, gostei muito de escrever Entrelinhas! Eu não queria que meu conto fosse “pra baixo”, pois imaginei que muitos dos contos iriam nesse caminho. Queria que 47B fosse lembrado mais como um louco pitoresco do que um louco doente. Valeu!

  32. angst447
    9 de novembro de 2020

    RESUMO
    O narrador – paciente 47-B – acredita ser (o que é de fato) um personagem fictício dentro de um enredo que aborda a loucura. Acaba fugindo da clínica psiquiátrica (ou trama) e o médico reflete sobre um outro paciente que não ouve o que diz, mas lê suas palavras e atos.

    AVALIAÇÃO
    Conto bem escrito, construído com recursos metalinguísticos. A leitura flui muito fácil, favorecida pelos diálogos elaborados de maneira clara e natural.
    A quebra da quarta parede, chamando o leitor para o jogo, dá poder a quem lê o conto, e é verdade… se uma história não é lida, ouvida ou percebida de alguma forma, ela deixa de existir, de ter o seu registro.
    O(A) autor(a) faz uso da narração intercalada entre a primeira e terceira pessoa, definindo pequenos capítulos que amarram a trama. Ao fugir da clínica, 47 deixa de ser o narrador, e passa a ser apenas um personagem que vai desaparecendo da memória. Será que somos todos o paciente 13, lendo tudo o que se passa nesse conto?
    Foi uma leitura leve e divertida. Parabéns pela participação. Boa sorte e que 47 encontre outros leitores neste mundo louco.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Claudia, tudo bem? Eu quis que o paciente 13 fosse uma interrogação mesmo, que pudesse ser interpretado de mais uma maneira. Ele seria o leitor ou um outro paciente qualquer, de acordo com cada interpretação. E legal que você tenha achado leve e divertido, pois era meu objetivo! Valeu!

  33. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Paciente de uma clínica acredita ser um personagem de ficção, só passando a existir quando outras pessoas o leem. Sua condição gera curiosidade para os médicos e enfermeiras que o avaliam, gerando a incerteza se de fato suas reflexões são fruto da loucura ou todos são personagens de um conto.

    Comentário: Texto metalinguístico, extremamente irônico e divertido! Ri quando o protagonista disse que a vida no hospício é pacata, mesmo querendo pular do parapeito e cuspindo cacos de vidro. No entanto, houve uma quebra que me pareceu proposital, trazendo o mundo real da perspectiva dos médicos, o que me desencantou um bocado. Mesmo assim, a incerteza sobre o que é real ou não segue firme até o final do conto, onde, se não entendi mal, somos o paciente que lê o médico. Fantástico e sagaz! Você foi muito feliz nessa brincadeira, e terminamos a leitura com um estranhamento propício para o tema do desafio. Um texto de ilusão e cheio de engenhosidades, como outros bons que encontrei por aqui.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Thiago, tudo bem? Valeu pelos comentários! A quebra a que você se refere de fato foi intencional, mas percebi que ela funcionou para alguns leitores, mas não muito para outros.Valeu!

  34. Anderson Do Prado Silva
    8 de novembro de 2020

    Resumo:

    Homem está convencido de que é o personagem de uma história.

    Comentário:

    É o melhor enredo, o mais criativo, com que me deparei! É difícil não se sentir pessoalmente envolvido com um enredo que promove o leitor à personagem!

    Os capítulos narrados em primeira pessoa, com seus argumentos metalinguísticos, são os melhores. Os capítulos com diálogos não possuem nada de especial, mas cumprem seu papel dentro do enredo. A descrição do médico dormindo com os óculos na ponta do nariz e livro aberto sobre o colo me soou clichê e destoante da qualidade do resto do conto. O capítulo em que o louco abre a porta e deixa o quarto rumo à rua criou uma cena muito poética.

    O texto está muito bem escrito e revisado. Não notei qualquer ousadia em termos de linguagem, prevalecendo o uso denotativo das palavras.

    Parabéns pelo texto, do qual gostei muito, e boa sorte no desafio!

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Anderson, tudo bem? Muito obrigado pelo elogio e pelos apontamentos. A cena do médico dormindo tinha a intenção de mostrar que ele se sentia confortável, que estava em casa, um personagem acomodado, que trata os pacientes pelo apelido e que chega ao descaramento de não negar o cochilo. A intenção era ser clichê! Valeu!

  35. Angelo Rodrigues
    8 de novembro de 2020

    Resumo:
    Um interno de uma clínica imagina-se em um mundo em que tudo existe quando se lê esse mesmo mundo. É parte dos fatos que se sucedem à medida que o que está escrito se revela.

    Comentário:
    Conto interessante.

    Já teci comentários a respeito de loucos que narram a sua própria loucura e a possível inconsistência que isso acarreta.

    Esse conto, entretanto, parece não tentar narrar uma loucura, não uma loucura de fato, mas um arranjo literário que se move em direção à fantasia. Sob esse aspecto ficou legal. É loucura, mas é fantasia. Um misto de “realidade” que é tangenciada pela ficção. Um mundo mágico construído pelo protagonista, que só existe na medida em que se o pode ler.

    O autor criou mundos que se revelavam através da leitura.

    Creio que tenha usado bem as diversas vozes narrativas, alternando-as em pequenos capítulos.

    E para não dizer que tudo são flores, direi que achei pouco plausível que o psicanalista/psicólogo tratasse o paciente como “Quarenta e Sete”.

    Todo referencial médico/paciente sempre se dá na busca uma conexão do paciente consigo mesmo, e tratá-lo como um número está fora de questão, pois o dissocia de si mesmo, algo que nem paciente nem médico – se ele não for sádico – deseja.

    Lembrando que toda vez que se quer criar uma cisão na alma de alguém, numere-a, como normalmente acontece nas prisões.

    Boa sorte no desafio.

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Angelo, tudo bem? Valeu pelo comentário e pelo apontamento. No caso de Dr. Santana chamar 47B pelo número é porque tanto porque o paciente se sentia bem desta forma, tanto pelo fato de que Dr. Santana é um médico acomodado, que se sente em casa na clínica, a ponto de tratar os internos como seus colegas. Eu tentei deixar isso mais claro no texto, mas não consegui. Acabei cortando excessos e essa ideia foi diluída nessa edição, falha minha. Valeu!

  36. Lara
    8 de novembro de 2020

    Resumo : O conto conta a história de 47, um paciente de uma clínica psiquiátrica que afirmava em seus escritos que só existimos se alguém estiver nos lendo e que tudo de alguma forma já foi escrito, até que ele escreveu sua fuga e fugiu para não se tornar um vegetal. O psiquiatra pergunta a um de seus amigos se sabia algo sobre a fuga de 47 mas esse paciente apenas o leu e nada falou.
    Comentário : O conto é maravilhoso. O conto mostra uma verdade muito clara, nós seres humanos só existimos totalmente se alguém estiver nos lendo, sabendo que existimos, não existimos sem os demais. Mas fiquei preocupada com 47, para onde ele foi ? Onde estará sendo lido agora ?

    • Andre Brizola
      14 de dezembro de 2020

      Lara, tudo bem? Que bom que gostou do Entrelinhas. 47B foi um personagem que surgiu naturalmente, e que foi embora também naturalmente. Quem será lido novamente no futuro? Valeu!

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Publicado às 8 de novembro de 2020 por em Loucura e marcado .