EntreContos

Detox Literário.

Desejo Incontrolável (Alze Dos Santos)

Assim, como todos os responsáveis querem proteger a vida alheia, responsabilizar pelos atos das vidas frequentadas no mesmo teto ou do mesmo sangue, é uma satisfação que cresce de uma forma incalculável. Claro, às vezes, certos responsáveis não conseguem ter o número inteiro, e desse modo, os destinos são modificados pela busca dos cálculos crescentes, raízes irregulares no espaço alheio. 

Não que isso seja ruim para mim, os seres humanos buscam aquilo que tem direito no mundo dos homens e veja isso como a liberdade, a procura do querer, a independência. Mas, nunca esqueça que o equilíbrio sempre permanecerá no mundo físico ou pós-mundo, nada sairá ileso como os vantajosos irracionais acham…

— Pós-mundo, reencarnação, espiritismo, o paraíso e o inferno. – penso alto.

… que seres poderosos em relação a isso ou outros que abusam “foi somente uma forma de escape, deus irá perdoar-me pelos pecados”. Pobres seres.

Mas, outros sofrem aquilo que nem o criador pôde imaginar, veja o caso da Marilucy. Guiadora dos mantos sagrados, das palavras servas do teu deus e com todos os segmentos de exemplo para tentativa da felicidade, onde o teu filho corta as raízes estabelecidas no mesmo teto, do mesmo sangue. E sentia culpada pelos caminhos independentes do descendente, guiado por vontades internas ou desejos terceirizados.

Sentia que os caminhos realizados pelo filho foram os pecados não pagos completamente da tua juventude, e desse modo, cada movimento negativo aos olhos de Marilucy foi feito uma seita de julgamento, onde ela realizava um ritual simples na ausência do filho. Um chão chapisco, um copo d’água e a bíblia com milhares de rezas, executado com os joelhos dobrados e feridos pelas pontas do chão. E assim, sucessivamente.

A cada momento que as atitudes do descendente ficavam mais grave no mundo da Marilucy, mais grave o ritual era como queimadura de cigarro pelo ato do próprio fumo, chicotadas pelo desejo sexual do filho homossexual, puxadas de fios do cabelo no avanço da queda e do  branqueamento ao sentir uma carcaça inútil, batida com a cabeça nas paredes como forma de burrice por não prosperar uma vida melhor para o filho e por fim, o descanso de Marilucy com laminas e cortes, um destino desejado e servido para redimir-se aos pés de deus como um juízo final, a última chance de ser livrada de todos os pecados da juventude.

Marilucy não está mais na terra dos homens. E o teu filho não sabe nem do começo, pois as raízes foram modificadas, invadiram os espaços alheios.

Mas, como dito no começo, para mim não é ruim, os seres humanos buscam aquilo que tem direito no mundo dos homens como Marilucy buscou a tua trajetória. 

— Samael, Samael… vem brincar conosco? O Azazel está aqui também. – grita Miguel.

— Já vou! Deixa-me terminar de escrever esse relatório. – respondo.

18 comentários em “Desejo Incontrolável (Alze Dos Santos)

  1. Fernanda Caleffi Barbetta
    29 de novembro de 2020

    Resumo
    Anjo Samael escreve um relatório a respeito de Marilucy, uma mulher que realizava cultos em busca da salvação do filho e que acabou sacrificando a própria vida.
    Comentário
    Bastante criativo seu conto. Legal a forma escolhida para falar da loucura, por meio do desespero de uma mãe em busca da salvação de seu filho.
    Quando comecei a ler, imaginei que seria apenas um desabafo, um escritor usando a voz do narrador para divagar, mas felizmente logo apareceu um enredo.
    Na minha opinião, o primeiro parágrafo ficou bem confuso. Talvez tenham faltado algumas palavras, conectivos. A mensagem não foi devidamente passada ali. Sugiro reler em voz alta.
    A forma como cortou o segundo parágrafo para inserir o travessão causou uma quebra na leitura e um destaque desnecessário (na minha opinião) para aquela frase. Na verdade, se é Samael que está narrando, tudo é pensamento dele. Como sugestão, eu não faria a interrupção e colocaria este pensamento em outro lugar, sem aspas ou travessão e sem dizer que pensou alto. Mas é só uma sugestão.
    E sentia (sentia-se) culpada pelos caminhos independentes do descendente, guiado (guiada) por vontades
    laminas (lâminas)
    os seres humanos buscam aquilo que tem (têm) direito
    Marilucy buscou a tua (sua) trajetória.
    “o descanso de Marilucy com laminas e cortes, um destino desejado e servido para redimir-se aos pés de deus como um juízo final” – gostei da forma como relatou a morte da protagonista.
    Gostei do final também.

  2. Fheluany Nogueira
    28 de novembro de 2020

    Relatório de um anjo em que filosofa sobre a vida humana e exemplifica com a história de uma mãe, mulher de fé, que se matou por se achar responsável pelas escolhas do filho.

    Dentro da proposta do desafio, uma ideia original, título sugestivo (porém sem fundamentos dentro do texto), linguagem estranha, arcaica (talvez seja como um anjo escreve), mas pareceu-me mais um texto, dissertativo, um relatório mesmo ou um sermão de um religioso, usando essa narrativa como discurso de convencimento.

    Parabéns pela participação e um abraço!

  3. Ana Maria Monteiro
    26 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Um anjo faz um relatório sobre a vida de uma humana que se suicidou, enquanto vai refletindo sobre o que os humanos fazem e querem da vida.

    Comentário: Se bem percebi, Marilucy, é uma beata fundamentalista, incapaz de aceitar os “pecados” do filho (ele fuma e é homossexual) e pelos quais se pensa responsável e culpada e que por isso se desdobra em rezas, leituras da bíblia e penitências que se autoinflige até à derradeira, que é o suicídio.

    Infelizmente, um retrato muito real das inúmeras pessoas incapazes de aceitar os filhos tal como são, em lugar de executores das suas expectativas.

    O conto nem é bem um conto, mas poderia ser. Falta-lhe mais coesão, mais dinâmica, mais articulação.

    O tema do desafio foi abordado, visto que o egoísmo da mulher a leva ao desespero da e este à loucura; o pressuposto também é bom e pode render “pano para mangas”, como nós dizemos, mas falhou um bocado na execução.

    Em todo o caso foi uma leitura agradável.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. Jefferson Lemos
    26 de novembro de 2020

    Resumo: olha, eu vou ser bem sincero, eu não entendi muito bem. Lucifer narrando uma história sobre humanos e suas relações, de modo que ele não entende o que os impulsiona a tomar determinadas atitudes. Acho que foi isso.

    Olá, caro autor.
    Bom, o que me incomodou na obra foi que ela está confusa. Acho que esse início foi o mais confuso que li até agora, fiquei um tempinho me concentrando pra tentar entender. Depois disso, acho que ficou mais difícil. Não consegui entender pra onde tava indo, do que tava falando ao certo. Não consegui ver desenvolvimento, achei que faltou se situar e nos mostrar qual era o caminho que você queria seguir. A narrativa me cansou um pouco, achei pouco fluida e a falta de direcionamento da trama complicou mais ainda. Essas trocas rápidas de perspectiva não foram bem trabalhadas.
    Espero que você possa revisar o texto posteriormente, mas de qualquer forma parabéns!
    Boa sorte!

  5. opedropaulo
    23 de novembro de 2020

    RESUMO: Um anjo reflete sobre a ligação entre humanos e a vida alheia, sua descendência, enquanto redige o relatório que versa sobre o suicídio de uma mulher. Uma mãe.

    COMENTÁRIO: Enredo original, que pela premissa desponta no desafio, mas tem uma execução questionável. Os parágrafos parecem desconexos e o autor pareceu escolher caminhos tortos para transmitir as reflexões do protagonista ou os eventos que vinha acompanhando na Terra, de mãe e filho. A transição do pensamento do anjo para a situação terrena foi abrupta, o que é apenas exemplificar o que apontei da falta de linearidade entre os parágrafos. A abordagem do tema é inteligente, pois toma algo que é próprio do personagem, a sua natureza celestial, distante dos sentimentos humanos de consanguinidade e família. É por esses olhos que se vê o estranhamento com o comportamento autodestrutivo da mãe quando o filho sai de sua vida. É loucura para o anjo, pois ele não compreende, mas para nós, que vemos uma maternidade abusiva e danosa (e, nesse texto, vê-se o mal sobrando mais especificamente à genitora), também é louco. O que faria bem seria reescrever aproveitando a ideia para uma expansão do enredo, dando mais desenvolvimento aos personagens que apresenta e criando uma maior linearidade entre os parágrafos, o que envolveria mais o leitor.

    Boa sorte.

  6. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. O seu conto é narrado por um anjo que faz o relatório da morte de Marilucy, que se suicidou depois de uma depressão. Em termos gerais, foi isto que percebi do seu conto, que tem diversos problemas de gramática. O grande problema é a falta de coerência, nunca se sabendo se o filho a que se refere é Jesus ou ao filho homossexual de Marilucy. Também ficou no ar a razão do título. Gostei da ideia base, mas poderia ter sido trabalhada de outra forma.

  7. Josemar Ferreira
    19 de novembro de 2020

    Olá, Alze.
    Eu visualizei mais uma narrativa de um relato que um conto. Mas entendi que Marilucy é acometida por algumas situações de angústia e que em algum momento, fora de controle, ela tira a própria vida.
    Acho que você poderia ter desenvolvido mais a sua proposta.

  8. Priscila Pereira
    17 de novembro de 2020

    Resumo: Samael escreve um relatório sobre a vida e morte de Marilucy.

    Olá, Alze!
    Não sei se entendi direito o seu conto. Entendi a história, mas não o propósito, as entrelinhas… O que você queria passar com o conto? Realmente não consegui chegar a uma conclusão. Está confuso e pra mim, tem partes que não dizem nada com nada, também não achei a loucura. Se bem que Marilucy com certeza era louca, ao pensar que qualquer ato de mutilação ou sacrifício faria alguma diferença na vida do filho. Bem, de qualquer forma desejo boa sorte!
    Se puder explicar o conto depois, ou agora, usando o pseudônimo, eu agradeceria.
    Até mais!

  9. Elisa Ribeiro
    13 de novembro de 2020

    O anjo Samael redige um relatório no qual tece reflexões filosóficas e comenta o suicídio de Marilucy.
    Fiquei aqui pensando onde estaria o tema da loucura no seu conto. Uma explicação seria o próprio redator do relatório ser um louco se imaginando um anjo responsável pelo destino dos homens. Fico com essa hipótese.
    A estrutura escolhida para narrar o conto trouxe certo suspense, o que foi bom. Há algumas estranhezas na linguagem utilizada, mas quem sou eu para questionar a gramática de um anjo.
    O que não gostei: conto muito curtinho. O argumento poderia ter rendido mais alguns parágrafos.
    O que gostei: esse narrador anjo me surpreendeu.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  10. Leda Spenassatto
    11 de novembro de 2020

    Resumo:
    Uma beata louca e ensandecida, reza para pagar seus pecados.

    Comentário:
    Confesso abestalhada que pairou algumas dúvidas em mim, o seu texto.
    Senti a presença da loucura, sim. Mas não fui capaz de determinar quem era mais louco, se a mãe ou o filho.
    Para mim seu texto não ficou muito claro.
    Perdoe minha ignorância 😭

    Sucessos de montão!

  11. Anna
    11 de novembro de 2020

    Resumo : O conto é sobre Marilucy, uma mãe extremamente religiosa que se culpa por cada erro do filho, Marilucy acaba se matando. A história é narrada por um anjo.
    Comentário : O conto me trouxe reflexões.A religiosidade nem sempre traz resultados positivos. Não sei ao certo aonde terminam as crenças e onde começa o fanatismo. O amor de mãe é muito forte, Marilucy preferiu se auto castigar do que maltratar o filho se alguma forma.

  12. Bianca Cidreira Cammarota
    10 de novembro de 2020

    Azazel, um anjo, escreve relatório sobre a morte de humana.
    Alze, seu conto tem uma premissa inédita para mim, bem como seu desenvolvimento. Gostei da originalidade! Também apreciei o estilo da história e o levantamento de questões filosóficas subentendidas na triste vida de Marilucy. Foi interessante ver outras provocações, bem na frase final, juntando Miguel com Azazel – adversários nos escritos religiosos – como amigos e irmãos, sugerindo que a dicotomia bem/mal é uma visão humana.
    A loucura, expressa no suicídio de Marlucy, talvez remeta a um plano mais geral, da humanidade, já que a visão do acontecido é de um ser observador, alheio na interferência da existência humana.
    O texto merece uma revisão para aparar arestas de pontuação e passar um verniz no conjunto, nada demais, para deixar o conto mais atrativo. Para o meu gosto pessoal, seria mais interessante se ele fosse mais longo, detalhando a situação, muito embora creio que a sua intenção tenha sido justamente as entrelinhas.
    Parabéns pela originalidade e saída da curva – sempre é bom encontrarmos algo que com tema e estilo pouco usuais (pelo menos para mim).
    Gostei!

  13. Fil Felix
    10 de novembro de 2020

    Boa tarde!
    As anotações de um anjo acerca da vida de uma mulher, uma mãe que acaba se suicidando.
    A premissa do conto é diferente e interessante, trazendo essas figuras da mitologia judaica (que não conheço tanto, confesso, mas que tenho muita curiosidade, principalmente essa parte dos anjos e suas hierarquias). Então buguei um pouco ao ver o Miguel junto do Samael e do Azazel, isso ocorre antes ou depois da queda? Pelo fato do suicídio, que é um pecado, acredito que ela não subiria aos céus. O conto também traz algumas questões interessantes como o amor de mãe (que também funciona como culpa), o fato dos pais quererem se responsabilizar eternamente pelos fracassos dos filhos (ou suas expectativas contrariadas), trazendo também esse aspecto do fanatismo nas religiões. Muitos pontos interessantes, porém que acabam sendo um tanto prematuros. Por ser curtinho, acaba por não explorar e nem se aprofundar no inconsciente da protagonista e seus dramas/ loucura ou a visão dos anjos sobre isso, para trazer melhores reflexões ou pontos de vista.

  14. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Anjo escreve relatório sobre uma vida humana que se apaga.

    Boa premissa, um anjo relatando, um pouco apressado, mas sem deixar de ser profundo e reflexivo, as tentativas de Marilucy se redimir diante das amarguras da vida. Após uma série de frustrações, a vida da humana é relatada pelas perdas, do cabelo, da esperança, das sanidade, da integridade física, até culminar no suicídio. A fala do narrador é um pouco empolada, porém justifica-se por ser um anjo (não sei qual a língua dos anjos, mas imagino ser algo assim, um tanto arcaica. Será?).

    O final revelador é bom, um tanto irônico por mostrar como uma vida de loucura e amargor, vista de longe, do alto, à distância, acaba se perdendo na história ou na percepção de quem deveria cuidar melhor dos humanos, o próprio Deus e seus anjos (isso para quem acredita, é claro)

    Vale uma revisão, para acertar pequenos detalhes, mas é um conto bacana!

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  15. Giselle F. Bohn
    9 de novembro de 2020

    Anjo Samael escreve sobre a vida de uma humana falecida recentemente, que se autoflagelava pelos erros do filho, pelos quais ela se sentia responsável.
    A ideia é bem interessante, e o final realmente inusitado. Parabéns pela criatividade! A loucura aqui surge na pessoa de Marilucy, eu acho. Pra mim, tá valendo.
    O problema maior deste conto, na minha opinião, é que ele requer uma revisão cuidadosa.
    Mas de qualquer maneira é intrigante, com um final bem inesperado. Parabéns e boa sorte!

  16. Angelo Rodrigues
    9 de novembro de 2020

    Resumo:
    Anjo caído Samael, ainda em meio a seus iguais, Azazel e Miguel (obviamente antes da queda), relata sobre a vida dos homens.

    Comentário:
    Samael é veneno. Na tradição judaica era o Anjo da Morte. Valha-me Deus!
    Um relato de um anjo. Achei intrigante o fato de Samael mergulhar tão fundo na vida de Marilucy – que passou desta para melhor.

    Acho que Samael escrevia para si. Um pouco inusitada a abordagem do Anjo Caído fazendo considerações sobre os pecados da dona, sobre a sexualidade do filho que tinha, dos seus erros e dos seus acertos.

    Creio que não tenha compreendido bem, mas, ok, é um conto sobre a loucura. Tudo perfeitamente aceitável. É ainda a infância de Samael e seus amigos caídos.

    Boa sorte no desafio.

  17. Lara
    9 de novembro de 2020

    Resumo : Um anjo conta a história de Marilucy,uma mãe que se sentia culpada pelos pecados do filho e se castigava por conta deles, até que acaba por tirar a própria vida.
    Comentário : O conto é bom. A história de Marilucy não é muito incomum, já que quando os filhos erram os pais se perguntam o que fizeram de errado, mas Marilucy é um caso muito mais grave. É triste pensar que foi o fanatismo que levou Marilucy a morte.

  18. Anderson Do Prado Silva
    9 de novembro de 2020

    Resumo:

    Anjo escreve um relatório sobre a vida de uma humana.

    Comentário:

    Gostei da premissa do conto e das reflexões que propõe! Achei também o final surpreendente: não estava esperando que o texto fosse o relato de um anjo!

    Porém, o autor deve cuidar de aperfeiçoar um pouco suas técnicas de redação, lendo e escrevendo mais, além de seguir participando de desafios e concursos literários.

    O texto também precisa de uma revisão competente por leitor beta ou, melhor ainda, revisor profissional.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado em 8 de novembro de 2020 por em Loucura.