EntreContos

Detox Literário.

O Silêncio Do Quarto Ao Lado (Lua Pinkhasovna)

O ranger da porta do enxovalhado armário de pinus ao ser retirado dali o pote do pó de café, decretava o começo do meu longo dia. O ato sempre seguia de uma rápida limpada no dorso da mão que enchia-se do farelo de cupim que jorrava das frestas quase imperceptíveis da porta barulhenta. 
O olhar fixo em um ponto qualquer da parede levava a minha mente a um submundo silencioso e rarefeito, era quase uma viagem ao plano mais fundo do oceano, mas sem a pressão da zona abissal. Eu apenas despertava do meu transe matutino com o tilintar metálico da colher chegando ao âmago dos meus tímpanos misturando vagarosa o açúcar no café.

No meu corpo cansado, ainda não completamente desperto e muito menos revigorado durante o sono, aquele som repugnante soava como um teste para a minha paciência. Muitas vezes, provocava intencionalmente esses irritantes sons como um castigo para mais um dia que me fora dado. Sentia a necessidade de criar situações desagradáveis  que me fariam sentir asco só de ter colocado os pés para fora da cama, antes da vida me presentear de surpresa com uma situação desagradável, assim, sentia estar no controle. 

O rosto amargurado que fazia ao degustar com vontade as crocantes bolachas de água e sal era a continuação do meu pequeno teatro diário de brincar com a vida. A cada mordida generosa, enchendo a minha boca com diversas bolachas ao mesmo tempo, sentia vontade de relaxar na cadeira e aproveitar cada segundo, pois sabia que aquele seria o melhor momento do meu dia. Mas só de ter consciência disso, uma leve angústia acendia em minha mente, não me permitindo aproveitar completamente aquilo. Então, fingia-se de tolo, assumia outras máscaras com o objetivo de fugir dos destinos da vida. Mas muitas vezes, percebia estar fugindo apenas da minha própria consciência. 

“Irving Place fechada até às 18:00 hrs desta Terça-feira (05/03), para melhorias no pavimento asfáltico da rua” – Lia eu no jornal hirto em mãos. 

– Droga! É sempre isso! Agora vou ter que ir mais rápido pelas estradas menores. É brincadeira… – Dizia eu, irritado, dando um modesto gole no café fervendo. Mas no fundo, não me importava muito com isso e até mesmo sentia uma fraca empolgação por ser obrigado a sair da rotina e pegar outras vias para chegar ao trabalho. 

Fechei o jornal e voltei a me concentrar na parede verde recém pintada. Durante o meu transe de escape, ouço um barulho de embalagem sendo aberta. 

“Deve estar comendo cereais, ou então uma granola” – Pensava eu, sobre o novo vizinho do apartamento ao lado. 

No dia anterior, havia escutado barulhos de potes sendo abertos seguidos de um som quase imperceptível de um plástico fino, possivelmente ele estaria comendo um pão com recheio de pasta de amendoim ou alguma geleia. 

“Gostoso.” – Pensei, enquanto enfiava mais uma bolacha na boca inundando-a com café em seguida. 

Após terminar, andei para o quarto, coloquei minha roupa mais social e fui para o trabalho. Ao passar em frente à porta branca ao lado da minha, de número 24 do cortiço, senti um forte cheiro de perfume masculino acompanhado de uma música animada ao longe, mas ignorei passando reto. 
Ao fim do expediente, após voltar para casa, o ritual infeliz da manhã nem precisava ser simulado. Eu realmente estava amargurado e cansado de tudo ao redor. Por conta disso, comi rapidamente a minha janta – um yakisoba insosso do delivery – e fui para a cama. O sono não parecia dar as caras tão cedo. 

– Mais uma noite daquelas…- Disse, soltando um suspiro pela boca, enquanto minhas pernas fervilhavam com o calor que fazia. 

Enquanto minha mente estava presa ao teto, simulando um futuro sono, sinto um agradável cheiro amanteigado misturado com noz moscada. Aquele aroma me despertou fazendo-me ir até a cozinha que dividia parede com o meu vizinho. Ao chegar na minha cozinha quase vazia de alimentos, o cheiro da janta do vizinho dominava o ambiente com soberania. Percebi se tratar de um molho Bechamel. 

“Que saudade de apreciar uma bela massa al dente regada a um cremoso molho Bechamel”. – Pensei. 

– Será que está tomando algum vinho? Seria uma boa pedida para completar uma janta dessas. – Falei baixinho, puxando a cadeira mais próxima e sentando-me rente à parede fria. 

Logo recebo a resposta para a minha pergunta ao conter um susto ouvindo o colocar de duas coisas de vidro sobre a mesa. 

“São taças? Estaria acompanhado?” – Conjecturo. 

Por algum motivo, sinto algo estranho. Não era inveja, mas algo naquilo não me deixava bem. Era um amontoado de tristeza e saudade. Frustrado, voltei para a cama. 

No dia seguinte, fiquei pensando no que havia acontecido na noite anterior. Criei alguns possíveis cenários sobre o vizinho, o que me causava cada vez mais curiosidade sobre a sua vida. Durante o banho, antes de ir para o trabalho, escuto-o também banhar-se, enquanto canta. Com o barulho da água não consigo compreender a música escolhida, apenas percebo que conheço a melodia. 
Descendo as escadas correndo, tenho um súbito de curiosidade e mesmo atrasado, subo novamente e vou até a porta do meu desconhecido vizinho. Não ouço nada, então aproximo meu rosto, encaixando o ouvido direito na porta e escuto a televisão ligada. 

– Está assistindo desenhos animados? – Interrogo a mim mesmo, espantado. 

Passei levemente o olhar pelo visor do meu relógio e disparei para o carro. Ao pôr a chave na ignição, atentei-me a uma grande placa de “vende-se” que havia sido colocada na janela de cortinas fechadas ao lado do meu apartamento. 

– Acabou de chegar e já irá se mudar novamente? Quem que fica apenas alguns dias em uma residência? Isso não faz sentido. – Indagava eu sobre o vizinho, enquanto dirigia

Ao retornar do trabalho, com a vontade fixa de desvendar aquele mistério, decido procurar por algum outro morador do cortiço. Por sorte, vejo o carro de Gastão no estacionamento, provavelmente está em casa. Ele mora dois andares abaixo do meu, mas mesmo assim talvez saiba de alguma coisa. Bato na porta, mas nada de Gastão abrir. Fico impaciente e quando me viro para ir embora, a porta se abre e avisto meu velho vizinho com as duas mãos úmidas suspensas no ar, usando um avental de cozinha. 

– Meu amigo, quanto tempo! Fiquei esperando a sua visita. – Exclama ele. 

Não queria ser grosso, mas ao mesmo tempo não queria bater papo. 

– Olá, me desculpe, é que tive alguns compromissos, sabe como é, né?! – Digo, coçando a barba na intenção de cobrir um pouco a boca disfarçando a mentira. 

– Ah, sei sim… Faz parte, meu amigo. – Diz ele, dando leves palmadinhas no meu ombro com sua mão melecada de alguma coisa. – Espero que esteja bem, sua mãe certamente está descansando em um lugar melhor agora. 

Aquelas palavras me enojaram e deixaram sem resposta. 

– Mas então, o que desejas, meu amigo? Bom te rever, achei que havia se mudado, como gostaria antes de tudo acontecer…- Continua Gastão. 

Ignoro sua frase afável e sem a intenção de dar explicações, desejo ir direto ao ponto. 

– Passei aqui para ver se consigo alguma informação com o senhor. Há dias ouço barulhos no imóvel ao lado, porém, nunca tive a sorte de encontrar o novo inquilino e hoje avistei uma placa de vende-se. Estou curioso para saber o que está acontecendo. 

– Imóvel ao lado? De que casa você fala? – Pergunta ele, com o cenho franzido. 

– O imóvel que faz divisa com o meu, o número 24. 

– Espere aí, o que você disse que anda acontecendo? – Pergunta ele, aproximando seu rosto com olhos fixos em mim. 

Pausadamente, respondo: 

– Há alguns dias ouço barulhos vindos de lá. 

Gastão fica em silêncio. 

– Já descobri que se trata de um homem que acorda no mesmo horário que eu, adora pão com pasta de amendoim ou geleia e assiste desenhos e que agora nitidamente deseja ir embora.  

Gastão continua me olhando sem resposta. 

– Ah sim, e faz um molho Bechamel que me deixou salivando. – Completo. 

– Você conhece mesmo esse homem, hein Marcos?! – Diz ele, em tom desconfiado, afastando o corpo de mim. 

Meio constrangido, apenas digo: 

– Minha casa é muito silenciosa, normalmente o escuto. 

– Marcos, o apartamento 24 é o seu. – Responde ele, em tom preocupado.

25 comentários em “O Silêncio Do Quarto Ao Lado (Lua Pinkhasovna)

  1. Priscila Pereira
    26 de novembro de 2020

    Resumo: Homem presta atenção nos sons que vem da casa ao lado da sua após a morte de sua mãe, depois descobrimos que é sua própria casa.
    Olá, Lua!
    Seu conto é bem legal, rápido, direto ao ponto. Gostei bastante das descrições detalhadas, da imersão na vida de um homem amargurado que curte estar assim, que gosta de se sentir amargurado e vê no que o vizinho faz uma extravagância, um insulto a sua dor, sua escolha de ser amargurado e quando vi que os sons que ele escuta são de sua própria vida, percebi que ele estava preso em uma parte de sua mente que achava que o melhor a fazer era de todas as formas viver o luto, ser infeliz e viver como infeliz, e outra parte de sua mente vivia normalmente, tentava viver em paz e gozar a vida, sabia que a morte da mãe não era o fim de tudo e ele estava vivendo entre essas duas disposições de sua mente. Bem, foi isso que entendi 🤷🏻‍♀️
    Gostei bastante! Parabéns!
    Boa sorte!
    Até mais!

  2. gisellefiorinibohn
    26 de novembro de 2020

    Homem que perdeu a mãe recentemente cria um delírio em relação à vida do vizinho, que ao final descobrimos não existir e ser ele mesmo.
    A trama é muito boa. A solidão do personagem foi bem descrita, e seus pequenos rituais – que todos temos e que tanto nos confortam – foram bem desenvolvidos para criar a tensão necessária. Bem legal mesmo! A leitura é fluida, agradável. Parabéns por isso!
    Na parte técnica, achei que ficou devendo um pouquinho. Nada muito grave, nada que tire o prazer da leitura mas coisinhas bobas: uma vírgula ali na primeira frase separando sujeito de verbo, tempos verbais que se misturam, um pronome “se” que deveria ser “me” (“Mas só de ter consciência disso, uma leve angústia acendia em minha mente, não me permitindo aproveitar completamente aquilo. Então, fingia-ME de tolo, assumia outras máscaras com o objetivo de fugir dos destinos da vida. Mas muitas vezes, percebia estar fugindo apenas da minha própria consciência.” A não ser, claro, que aqui você já quis dar uma pista da duplicidade do personagem! Quem sabe, né? Só você!
    Achei também estranha a opção por “cortiço”. Todos os cortiços que conheci – mais do que gostaria, admito! – são sempre lugares com muitas unidades que pertencem a um único proprietário, e essas unidades são alugadas. Achei estranho alguém ser o dono de uma unidade dentro de um cortiço, para colocá-la à venda. Mas não acho que seria impossível, claro.
    De um modo geral, o conto é muito legal! Boa sorte no desafio!

  3. Amanda Gomez
    25 de novembro de 2020

    Resumo📝 Homem acompanha a rotina do vizinho e ao final descobrimos que era um delírio.
    Gostei 😃👍 Um conto muito ágil, gostei bastante da escrita e fluidez com que foi contato. Despertou meu interesse de imediato, fiquei curiosa e não imaginei que o vizinho fosse uma ilusão, fui pega de surpresa e isso é bem legal. Depois da descoberta a gente passa a entender a nuances da história. Um homem que provavelmente tem depressão e um distúrbio de personalidade se vê em um ciclo com ele próprio. Ele não se reconhece, tem dentro de si apenas memórias e gostos que ele atribuiu a outra pessoa e não mais ele. Pra ele só o biscoito sem graça, só os dias iguais, só o nada. Gostei muito da ideia e da execução do texto. Parabéns.
    Não gostei 😐👎 Nada em particular. Depois de uns dias sem ler, escolher algo mais rápido e bacana é um alívio.
    O conto em um emoji : ☕🏢

  4. Paula Giannini
    25 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo – Transtorno dissociativo leva protagonista a projetar sua vida no apartamento ao lado.
    Minhas Impressões:
    Com uma premissa interessantíssima, este conto flerta, de certa maneira, com a realidade fantástica, e lembrou-me de José Saramago em “O Homem Duplicado”, ou “O Outro” de Jorge Luis Borges, ambos excelentes textos tratando da temática aqui abordada, o “eu duplicado”.
    Interessante notar o trabalho do(a) autor(a) na construção da personalidade de seu personagem protagonista. Em oposição à vida que este julga real, enfadonha e sem cor, ele idealiza a de seu suposto vizinho em detalhes cheios de sabores e acontecimentos plenos de momentos de prazer. Assim, o outro é a figura idealizada, ou, de certo modo, o ideal que o homem almeja alcançar, ao passo que, ao mesmo tempo, o tal ideal já está alcançado, visto que é ele o próprio personagem. Desse modo, de certa maneira, o(a) escritor(a) deixa a critério de seu leitor julgar se de fato a vida do protagonista é sem cor, ou se, vivendo exatamente o que descreve, ou seja as delícias do apartamento ao lado, ainda assim, ele se veria como prisioneiro de um realidade totalmente insossa.
    Parabéns pelo belo trabalho.
    Como digo a todos, se minhas impressões não estiverem de acordo com seu texto, apenas desconsidere-as.
    Desejo grande sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  5. Leda Spenassatto
    25 de novembro de 2020

    Resumo:
    Após a morte da mãe um solteirão começa a ouvir vozes, aromas e barulhos de taças, vindos do apartamento ao lado.
    Comentário:
    Um texto bem escrito, lindo e corrente. Tem uma sequência convidativa , flui muito bem, convidando o leitor a seguir até o desfecho.
    A loucura só e desvendado no último parágrafo, apesar dos sinais dela surgirem logo no início.
    Dá para deduzir que após a morte da mãe Marcos ficou, talvez, com medo de morar sozinho ou deprimido. Isso acontece muito após as pessoas passarem por um grande estresse.
    Senti falta de um pouco mais de loucura , principalmente, no desfecho.
    Sorte de montão, te desejo!

  6. Marco Aurélio Saraiva
    25 de novembro de 2020

    RESUMO: Marcos é um homem desgostoso com a vida e que passa a prestar atenção nas atividades do vizinho, ouvindo-o através da parede que os apartamentos dividem na cozinha. No final, descobre o vizinho ser ele mesmo.
    O conto trabalha um final revelador, sendo construído aos poucos em uma atmosfera tecida lentamente pelo escritor. O leitor sabe que uma revelação está vindo, mas não sabe exatamente o que é. Mesmo quando eu já chegava no fim – e quando Gastão falou da falecida mãe de Marcos – não era fácil inferir o final. Gostei de como o suspense foi sendo criado, primeiro explorando o psique de Marcos, trabalhando sua melancolia e sua irritabilidade sem causa. A curiosidade sobre o vizinho cresce na mente do leitor junto com a curiosidade de Marcos, o que é bem legal de ler.
    A conclusão da trama não foi das melhores, eu diria. Apesar do impacto alto, ao final não me disse muita coisa. Descobri que Marcos perdeu a mãe recentemente e que seu apartamento estava sendo vendido. Ele morava no apartamento ao lado agora? O apartamento ao lado era o da sua mãe? Ele estava morando no 24 mesmo, mas sua recém-adquirida loucura o fez imaginar que ouvia o vizinho ao lado? A que tudo isto leva?
    Ainda assim, com toda esta confusão, retirei do conto uma mensagem interessante. Marcos está sempre armagurado, triste – às vezes forçando-se a ficar triste, apesar de não ter por o quê reclamar. Inveja a vida do vizinho que, ao final, descobre ser ele mesmo. É um processo de luto: a culpa de voltar a ser feliz, a saudade dos tempos que se foram e jamais voltarão.
    A técnica deixa um pouco a desejar. A confusão de tempo verbal é o que sempre me deixa desanimado na leitura: você não decidiu se está narrando no presente ou no pretérito. Por exemplo, em certo momento você escreve “Aquelas palavras me enojaram e deixaram sem resposta” (frase conjugada no pretérito) e logo depois escreve “Ignoro sua frase afável e sem a intenção de dar explicações, desejo ir direto ao ponto.” (frase conjugada no presente). Isso acontece no conto todo. Alguns parágrafos são descritivos em demasia, como um script de teatro ou de cinema, e a repetição de palavras às vezes irrita. Todos estes detalhes são aprimoramentos que vêm com o tempo.
    Ainda assim, a técnica não tirou o meu prazer da leitura. Foi um conto legal de ler =)

  7. antoniosbatista
    24 de novembro de 2020

    Resumo: Homem, morando sozinho, começa a ouvir ruídos no apartamento ao lado, alguém que faz comida e canta. Ele indaga a um amigo quem é o novo vizinho e o outro responde que o apartamento é dele mesmo.

    Comentário/ Análise: Gostei do argumento, porém, achei que algumas frases são muito longas, emendando sentidos sem justa causa. Não gostei da primeira frase, por exemplo. Parece que a retirada do pote de café do armário sujo e desengonçado, sugere uma realidade paralela, no entanto, é apenas rotina. Há outras frases longas, inclusive com mais de 20 palavras. Aconselho a trocar vírgulas por pontos, para dar um fôlego à leitura. O ideal é reescrever o texto, ser mais sucinto, pois o argumento é bom. Boa sorte.

  8. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Lua.
    Conto sobre Marcos, morador de um apartamento que passa a acompanhar a rotina diária de um vizinho novo e, aos poucos, a invejar os hábitos daquele, que faz coisas que ele mesmo gostaria de estar fazendo. No final descobrimos que o vizinho não passava de um delírio de Marcos.
    A coisa mais legal de um conto é o enredo. Quando esse funciona é possível passar por cima de erros gramaticais, falta de ritmo, e outros deslizes técnicos que poderiam atrapalhar a leitura. E aqui temos um enredo muito interessante e que segura o interesse do leitor. Realmente não percebi enquanto lia se havia realmente erros gramaticais, ou algum dos outros que citei acima, pois estava realmente interessado no que estava acontecendo. Mérito do autor, que soube lidar com a narrativa, mesmo com um enredo com potencial para causar confusão no leitor.
    Mas, como se trata de um desafio, não nos basta analisar o enredo. E com relação à forma é preciso citar algumas coisas que poderiam melhorar. Serei breve, entretanto, pois acho que o conto funcionou da forma como está. Há alguns excessos que geram um pouco de ruído na leitura (nos primeiros parágrafos há um excesso de “meus” e “minhas”). A utilização do itálico para representar os pensamentos já deixa isso claro, não precisaríamos do “– Pensei” como complementação. E outras coisinhas assim. Uma revisão acerta tudo isso.
    No geral é um conto com um bom enredo, mas com algumas pequenas coisas a corrigir na parte técnica. E talvez uma edição, ou aprimoramento, em alguns detalhes dos diálogos. A morte da mãe parece algo deslocado no texto, por exemplo. Suspeito que, talvez, esse fato tenha desencadeado a loucura de Marcos. Mas isso não fica claro e, como o assunto é abordado de forma muito superficial, a relação é tênue.
    É isso. Boa sorte no desafio!

  9. Elisa Ribeiro
    21 de novembro de 2020

    Sujeito em estresse pós traumático, sofrendo de depressão e distúrbio dissociativo incomoda-se com o comportamento de um vizinho imaginário.
    Histórias com duplos sempre me agradam e aqui não foi diferente. Gostei do argumento e da forma como a história foi contada. A forma de narrar apesentando lentamente a neurose do sujeito foi muito eficaz em criar uma suspensão que impulsiona a leitura. A reviravolta final, um pouco brusca para o meu gosto em geral, combinou muito bem com a narrativa, impactando o leitor em boa medida.
    O texto me pareceu bem revisado. Apenas um pequeno engano com o uso da terceira pessoa em “Então, fingia-se (fingiu-se) de tolo” chamou-me atenção na leitura.
    O que gostei: a eficiência narrativa. O conto é ligeiro e eficaz em impactar o leitor. Também gostei bastante da forma como a depressão do sujeito foi mostrada.
    O que não gostei: a palavra cortiço me causou certo estranhamento por soar como um tipo de habitação de outra época, meio dissonante do contexto contemporâneo do conto e do que me pareceu o nível social do personagem. A falha dever ser minha pois fui pesquisar e vi que ainda há habitações do tipo cortiço nos grandes centros. De qualquer forma fica o registro. Talvez uma ambientação mais larga do tipo de habitação diminuísse essa estranheza.
    Um bom conto que talvez reste penalizado no embate com os textos mais longos aqui no desafio.
    Desejo sorte. Um abraço.

  10. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá P. Fiquei bastante confuso com o seu texto. Mesmo assim, creio ter apanhado o essencial. Um homem com distúrbios de personalidade e memória não percebe que ruídos e cheiros são provocados por ele próprio. Alzheimer, talvez? Isso explicaria o conto. Pareceu-me que faltou desenvolver mais a última parte, de forma a que o final tivesse mais impacto.

  11. Ana Maria Monteiro
    18 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Um homem que vive uma vida que o entedia profundamente, anima-se com a chegada de um novo vizinho que não conhece nem nunca viu, mas a quem segue os movimentos tentando adivinhar o que faz a cada momento; acompanhando cheiros e ruídos, chega a sentir nostalgia do seu passado e até uma ponta de inveja pelo bem-estar desse desconhecido. O final oferece uma reviravolta surpreendente.

    Comentário: O conto introduz-nos ao universo dum homem que vive sozinho e nos relata, em primeira pessoa, o seu tédio face a uma vida sem graça, sem nada de novo, que se repete pobre e triste cada dia. Porque o tema é a loucura, logo que ele revela o seu interesse pelo vizinho “invisível”, o leitor é levado a crer que a solidão o levou a fantasiar em volta de fantasmas e criaturas imaginárias.

    Felizmente é um conto de leitura fácil que não obriga a uma releitura pois, caso esta fosse necessária, alguns pontos ficariam incoerentes, particularmente quando escuta atrás da porta da vizinho e algumas observações de Gastão, o vizinho do segundo andar.

    Pode ter havido algum deslize na revisão, mas apenas um travou a minha leitura, foi aqui: “Então, fingia-se de tolo”, deveria ser fingi-me e, por ser no início de uma frase, baralhou-me momentaneamente.

    A premissa da história é muito boa e atende ao tema do desafio. No geral, é um bom conto e tem margem para ser ainda melhor.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: Um indivíduo se dissocia de si mesmo ao ponto de invejar a própria vida.
    COMENTÁRIO: O conto tem o desenvolvimento e uma conclusão interessante, pecando por uma introdução com parágrafos que se alongam um pouco ao esmiuçar detalhes da rotina do autor. De certa forma, isso cabe ao texto, pois é justamente ao tentar chegar a essa profundidade visual que o personagem tem o seu devaneio, procurando construir para si mesmo o cotidiano do “vizinho”. Quando mostra os primeiros sinais de interesse no apartamento ao lado, imaginei que o texto desenvolveria uma obsessão que terminaria tragicamente, mas fui pego de surpresa ao ver o enredo tomar outra direção. Acertadamente, a autora não se dedicou a esmiuçar o caráter da loucura da personagem, focando-se no comportamento anormal e potencialmente prejudicial que o indivíduo vai demonstrando. Por isso, um bom conto sobre a dissociação que uma pessoa pode sofrer quanto à própria identidade.
    Boa sorte.

  13. Fheluany Nogueira
    17 de novembro de 2020

    Protagonista em crise sente-se acompanhando o cotidiano do vizinho e fica intrigado quando outro morador do prédio afirma que o apartamento a que se refere é o dele mesmo.
    Não sei se o caso do personagem seja a despersonalização ou a transferência de personalidade, pois ele não se reconhece em seu próprio corpo, era como se estivesse vivendo fora de seu corpo e fosse um observador externo de si mesmo. Interessante.
    Há um retrato fiel do dia-a-dia, é sugerido que ele teve o estado agravado pela perda da mãe. A trama é bem construída, apesar de alguns trechos que não condizem com um texto de primeira pessoa e de alguns deslizes gramaticais. A cereja do bolo está no desfecho.
    Leitura agradável, boa dose de suspense. Sorte no desafio. Abraço.

  14. Jefferson Lemos
    16 de novembro de 2020

    Resumo: personagem tem uma vida tediosa e fica interessado na vida de seu vizinho, que acaba por ser revelado ser ele mesmo.

    Olá, cara autora.

    O seu conto é bom, é bem escrito e tem uma história bacana. O que achei estranho foi como tudo isso aconteceu, sendo que era ele mesmo. Nos momentos de viagem mental ele fazia as coisas? Fiquei um pouco confuso, mas talvez seja esse o charme do conto.
    Sua narrativa é muito boa, mas acho que não consegui me concentrar muito, não achei tão fluida quanto outras que me deixavam doido pra saber o que viria a seguir. Mas acredito que aqui seja mais uma questão de gosto pessoal, sou meio difícil com textos em primeira pessoa. No entanto, você fez um bom trabalho. Gostei do seu personagem, em alguns momentos me lembra eu mesmo falando sozinho em casa, mas ainda sei que mora na minha casa (ufa).
    Boa sorte no desafio e parabéns pelo ótimo trabalho!

  15. Fabio Monteiro
    15 de novembro de 2020

    Resumo: Uma crise dissociativa faz o personagem imaginar estar espionando um vizinho. Na verdade me parece que ele espia a própria vida.

    Que maravilha de texto. Já estava sentindo falta de conseguir ter prazer neste tipo de leitura.
    Não que os outros contos do E.C não sejam bons. Mas o seu, meu caro autor(a), estará no meu rank de primeira posição.

    Errinhos com virgulas ou preposições são coisas banais. Vão tentar te fazer acreditar que é um texto mediano, mas, não é.
    Esse é o tipo de escrita que dá gosto.

    Sobre o conto. O personagem é top. De cara entrei na neurose criada por ele mesmo. Imaginar as cenas deu aquele ar de suspense. O cara se entregou tanto que até o gosto pelos alimentos citados ele pareceu sentir. Isso sim é loucura de verdade.

    Teu conto expressa uma neurose que vai de moderada a grave. Teu personagem precisa de atendimento medico urgente.
    Numa crise de maior gravidade ele estaria interagindo com o nada sem ter a percepção de que tudo é uma fantasia.

    O choque provavelmente tenha sido causado pelo trauma da perda da mãe. O personagem encontrou um meio de não se sentir sozinho.

    Enfim…Top.

    Boa Sorte

  16. Anna
    14 de novembro de 2020

    Resumo : Homem tem uma postura altamente depressiva perante a vida, até que começa a observar os sons e cheiros vindos da casa do vizinho, torna o vizinho o centro de sua vida sem sentido. No desfecho descobrimos que o vizinho não existe e que ele está perturbado por ter perdido a mãe recentemente.
    Comentário : É retratado com muita fidelidade o modo de pensar de um depressivo, podemos perceber em uma passagem do texto que a saudade que o protagonista tem de comer massa está acompanhada da saudade de alguém especial.Acho que na realidade ninguém está totalmente preparado para perder alguém que se ame.

  17. Fernanda Caleffi Barbetta
    10 de novembro de 2020

    Resumo
    Homem com vida desinteressante começa a observar o vizinho na casa ao lado, até descobrir que o tal vizinho misterioso era ele mesmo.

    Comentário
    Muito boa a ideia do seu conto. Fiquei imaginando que ao final eu descobriria ser um fantasma, o que seria uma decepção pela obviedade e pelo não enquadramento ao tema loucura. Eis que bem adiante na narrativa, eu vou entendendo o que realmente está acontecendo e deparo-me com este final surpreendente. Parabéns.

    Fiquei confusa com a informação sobre a morte da mãe, seria para dar mais um motivo à sua loucura? Uma informação não explorada cria expectativa no leitor.
    Depois quando Gastão diz: “Bom te rever, achei que havia se mudado, como gostaria antes de tudo acontecer…”, cria outra expectativa com relação a “antes de tudo acontecer”… Notei neste mesmo trecho uma incoerência, pois se Gastão era a pessoa informada do cortiço, como ele não sabia que Marcos ainda estava morando lá? Ficou incoerente. Pareceu que o louco era o Gastão.

    Oura coisa que me incomodou foi a alternância entre os tempos passado e presente durante o conto.

    Algumas palavras estão em excesso. Não são erradas, mas, se retiradas, darão mais fluidez ao texto. Exemplos:
    “levava a minha mente a um” – eu tiraria o primeiro “a”
    “enchendo a minha boca” – tiraria o minha
    “não me importava muito com isso e até mesmo sentia” – tiraria o “mesmo”

    “Sentia a necessidade de criar situações desagradáveis que me fariam sentir asco só de ter colocado os pés para fora da cama, antes da vida me presentear de surpresa com uma situação desagradável, assim, sentia estar no controle.” – “de surpresa” pareceu incoerente neste contexto.

    Então, fingia-se (me) de tolo
    recém pintada – recém-pintada
    Mais uma noite daquelas…- Disse (caixa baixa)
    “Ao chegar na minha cozinha quase vazia de alimentos” – substituir a palavra cozinha que já aparece na linha anterior.
    massa al dente – ao dente ou al em itálico

    “Que saudade de apreciar uma bela massa al dente regada a um cremoso molho Bechamel. – Pensei.” – aqui, escolha entre aspas ou itálico. Quando é um pensamento, não precisa do ponto final, travessão e pensei em letra maiúscula. Basta colocar: “molho Bechamel, pensei.”

    “São taças? Estaria acompanhado?” – Conjecturo. – aqui, o verbo dicendi nem é necessário, mas, no caso de usar, ele seria também no passado.

  18. Fil Felix
    9 de novembro de 2020

    Boa tarde!

    Um homem, que perdeu a mãe recentemente, passa a ouvir estranhos sons vindos do apartamento vizinho, o que alimenta sua curiosidade. Por fim, descobre que não há vizinho algum, apenas ele mesmo.

    A ideia do conto é muito interessante porque, como já disseram, aborda a questão do duplo, da sombra, do espelho, do nosso “outro eu”. Por um lado, o homem ranzinza, chato, que vive a base de café. Do outro lado, o homem que canta no banheiro, toma vinho e se alimenta bem. Os dois lados da mesma moeda. É uma premissa onde é possível trabalhar muitas coisas, principalmente a questão de interpretação. Seria de fato a materialização do outro eu? Seria o lado em que ele tanto censura? É possível viajar bastante.

    Um outro ponto é o final. Contos curtos geralmente precisam de um final impactante, pra não deixar aquele gostinho de incompleto. O último diálogo cumpre esse papel. Nós vamos sendo levados pelo texto a acreditar se tratar até mesmo de um fantasma, mas o final acaba rendendo essa surpresa. O que é ótimo. Porém, em contos que abordam essa “realidade” que não é real (pegamos o filme Sexto Sentido, por exemplo), é preciso dar as dicas certas ao leitor. Para que, caso ele volte no texto pra reler, não encontre pontas soltas. A questão da parede, de ver a porta do corretor e outros detalhes acabam construindo essa falsa ideia de que, de fato, havia algo no outro apartamento.

  19. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Homem misantrópico se interessa pelos barulhos do apartamento vizinho, cujo inquilino cultiva hábitos semelhantes aos seus.

    Comentário: Lua, seu conto se enquadraria na categoria de histórias de confinamento, autoloucura, quando percebemos a insanidade chegando aos poucos pelos olhos do narrador em primeira pessoa. Aqui há todos os elementos desse tipo de história: um personagem misantrópico, solitário, acontecimentos estranhos no apartamento ao lado, investigações e uma conclusão que visa surpreender o leitor. O enredo em si está bem desenhado e o conto abordou o tema do desafio.

    Achei apenas algumas descrições um pouco arrastadas, dificultando a leitura. É possível descrever o estado emocional e psíquico do personagem de outras maneiras, mas você transita bem, cometendo um ou outro deslize. Acho que vale uma revisão no intuito de enxugar o texto e torná-lo mais crível.

    Textos em primeira pessoa correm o perigo de desvendar a vontade do escritor, por isso cuidado na forma como você insere as perguntas e ações do seu protagonista. Há alguns trechos que ilustram bem meu comentário:

    “Droga! É sempre isso! Agora vou ter que ir mais rápido pelas estradas menores. É brincadeira… – Dizia eu, irritado, dando um modesto gole no café fervendo” – Percebe? Você descreve a fala literalmente, mas logo em seguida insere um afirmativo “dizia eu” e enfatiza com o “estou irritado”. Vale pensar, no momento da escrita se as pessoas falam sozinhas determinadas frases, e se adjetivam o próprio discurso. Não soa natural, ao meu ver, em textos em primeira pessoa.

    Em síntese, o conto cria uma tensão interessante, do duplo, presente numa série de filmes e outras obras, e termina com o estranhamento do protagonista diante do absurdo da situação, provavelmente fruto de algum trauma envolvendo a morte da mãe.

    Boa sorte no desafio!

  20. Bianca Cidreira Cammarota
    8 de novembro de 2020

    Homem solitário e em desalento com a vida que leva ouve ruídos do apartamento ao lado e começa a imaginar a vida de seu vizinho.

    Lua, seu conto possui uma ideia muito interessante e um final surpreendente.

    Vou arriscar uma análise psicológica de uma mera mortal: Na minha visão, o protagonista, deprimido com a mãe e, cria um alter ego, onde expressa toda a sua depressão. Por alguma razão, seja social, seja por si mesmo, deseja ocultar essa faceta e cria essa bifurcação egoica em sua estrutura psíquica frágil.

    Senti, no entanto, falta de mais informações do protagonista, para lhe dar textura e criar empatia com ele. Imagino que ocultou toda e qualquer maior referência da personagem para impedir que alguma pista dos fatos reais viesse à tona antes da hora.

    O primeiro parágrafo, na minha opinião, poderia ser melhor trabalhado, deixá-lo mais simples nas construções das orações.

    O final foi ótimo, porém abrupto.

    Então, você chega ao final desse comentário e pensa: “ela não gostou do meu conto.” Pelo contrário, gostei! A ideia é fabulosa! Só fiz as observações porque, na minha opinião, com elas daria um verniz e uma estrutura mais firme a ele.

    Parabéns pelo texto e … que imaginação você tem!

  21. Angelo Rodrigues
    7 de novembro de 2020

    Resumo:
    Homem que mora sozinho, acompanha alguém – um outro homem – que vive ao lado. Decidido a saber quem é o tal homem, descobre que o outro é ele mesmo.

    Comentários:
    O conto tem uma boa premissa. A do duplo. A vida espelhada. Provavelmente o reflexo de uma vida difícil em contraponto a uma vida harmoniosa. Um sem o que comer, o outro com suas delícias. Aquele que vai embora, aquele que fica. Um que dá duro, o outro que vive a vida com seus prazeres.

    Acho que a ideia, sendo bem legal, deixou algumas fragilidades. Momentos como ele ter retornado e ido até a porta do “vizinho” dá uma pista ruim quando “mente” para o leitor, que cristaliza a real existência do vizinho, que depois se desfaz. É a construção de um engano. Não acho que se deva enganar o leitor, mas deixar passagens para estranhas realidades.

    Embora entenda o final, que se mostrou tão abrupto quanto revelador, diria que, sendo um método, não imagino que seja o melhor modo de terminar uma boa história. Digo isso observando o viés do meu parágrafo anterior.

    Esse tipo de final acaba funcionando como uma passada de perna no leitor: conduzido durante o texto para os caminhos da direita, o autor ludibria o leitor mostrando-lhe que a solução estava do lado esquerdo. Algo como “enganei você”.

    Tendo a imaginar que uma passagem à compreensão que o protagonista vivia a sua própria duplicidade, suas frustrações, suas vontades de ser um outro, acabaria se mostrando mais efetivo; e sutil.

    Boa sorte no desafio.

  22. Lara
    7 de novembro de 2020

    Resumo : Um homem vive a vida sem entusiasmo. Fica muito interessado pelo vizinho e a vida deste. No final se descobre que esse vizinho é fruto da imaginação dele e que o protagonista perdeu a mãe recentemente.
    Comentário : Amei o conto. Achei muito legal o vizinho ter sido apenas um delírio. Eme levou a pensar : Quantas pessoas criam delírios como forma de suportar a dureza da realidade ?

  23. Anderson Do Prado Silva
    7 de novembro de 2020

    Acrescento que muito me impressionou a maneira como a solidão foi retratada. Pude sentir a dor e angústia desse homem. A revelação, ao final, de que parte dessa solidão decorria da morte da mão, mais ainda me compadeceu. Parabéns ao autor, que também foi muito competente nesse ponto.

    • Anderson Do Prado Silva
      7 de novembro de 2020

      Ops, “mãe”!

  24. Anderson Do Prado Silva
    7 de novembro de 2020

    Resumo:

    Homem solitário acompanha todos os movimentos do quarto ao lado.

    Comentário:

    Domínio do léxico bem encaminhado. Prosa agradável, que, de modo geral, conseguiu manter meu interesse ao longo da leitura. O clima de mistério fui muito bem construído, e também contribuiu para manter minha volição.

    O final me soou um pouco abrupto, mas surpreendeu: contava que houvesse um fantasma ou que o protagonista estivesse alucinando a presença de alguém no apartamento ao lado. O fato de nenhuma das hipóteses que cogitei ter se concretizado ajudou a que o autor fugisse de obviedades, o que julguei muito meritoso.

    Os dois primeiros enunciados me soaram longos e, no primeiro, o sujeito está separado do verbo por uma vírgula. Como o conto está narrado em primeira pessoa, com apenas um personagem ao longo de, praticamente, todo o texto, achei que o emprego do pronome “minha” se mostrou excessivo em alguns momentos (“minha boca”, “minha mente”, “minha própria consciência”, “minha cozinha”). Nesse mesmo sentido, também haveria uns “eu” e “mim” excedentes. Não gostei de me deparar com o “cenho franzido”, pois considero um lugar comum literário. Por fim, também identifiquei algumas deficiências no emprego de vírgulas.

    Entre qualidade e defeitos, o conto mais me agradou e divertiu do que o contrário. Foi uma boa escolha para primeira leitura de sábado.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado em 7 de novembro de 2020 por em Loucura.