EntreContos

Detox Literário.

Lar (Fábio D’Oliveira)

I

A linguagem é labirinto.

Não sei quem falou isso, acho que foi um padre. Sei apenas que foi um homem muito mais inteligente que eu. Na época, sentado na beirada da calçada e no meio de uma metrópole desconhecida, não entendi bulhufas dessa expressão. Ainda não entendo, mas acho que é parecido com o que vivo agora: caminho por ruas e ruas infinitas, algumas iguais, outras bem diferentes, mas nunca encontro aquilo que minh’alma anseia.. 

Meu lar.

Saí de casa muito cedo, com quinze anos, de peito aberto, pronto para abraçar aquele mundão das oportunidades. Tinha um plano perfeito desenhado na mente. Esperaria uma manhã de sol — pois, como minha saudosa bisavó dizia, morta antes mesmo do meu nascimento, mas presente através da boca da mãezinha, o astro-rei é o melhor dos guias —, pegaria o dinheirinho que havia juntado trabalhando para o Mané da Praça e pularia no primeiro ônibus para a capital. Interior é terra sem sonhos, Augustinho, tem que meter o pé, arriscar, abraçar São Paulo e construir sua fama; insistia Mané enquanto cuspia para o lado e mantinha a pá em riste, apontando para o leste. Demorei um pouco para acreditar, mas acreditei. Descobri, mais tarde, que a capital ficava ao oeste do vilarejo. Talvez isso explique porque aquele velho falava demais: ele sabia muito pouco.

Desisti de São Paulo. Abandonei meus sonhos. Não conquistei fama, apenas fome e frustração. 

Então, depois de muita hesitação — orgulho ferido, talvez, e muita vergonha, com certeza —, voltei pra minha vilazinha. Mas ela estava completamente diferente. Aquelas casinhas sem reboco, o Mercadinho do Luizão, a Praça da Mangueira, a avenida principal onde a garotada se reunia pra empinar pipa; tudo aquilo que eu conhecia tão bem, que emoldurou minha infância, sumiu por completo. No lugar, prédios e mais prédios, ruas e mais ruas, becos e mais becos. 

Lembro-me como ontem: desci do ônibus, que não esperou um segundo e acelerou levantando uma nuvem de poeira e fuligem, e deparei-me com aquele ambiente monocromático. Boquiaberto, adentrei a nova cidade, sem entender o que tinha acontecido. 

Tinha ficado apenas dois anos longe do meu lar.

II

Ah, a alvorada do dia.

Sento-me devagar, esfrego meus olhos, ainda pesados, e contemplo as primeiras horas da manhã. Gosto dos estandes das feiras que nunca acontecem. É fácil buscar aconchego nesses lugares, basta escolher um cantinho, preparar minha cama e deitar. Ninguém me atrapalha. E eu não atrapalho ninguém.

Os arranha-céus não intimidam mais. Acostumei-me com eles. Na realidade, tornei-me parte da penumbra, das nuvens carregadas de poluição, dos milhares de olhos de vidro que observam tudo e todos. Mas, estranhamente, hoje, minha visão está demorando para se acostumar. Está tudo estranhamente claro…

Olho para cima, para o topo dos prédios, e não vejo minhas velhas conhecidas. O céu está azul. E, deslizando com glamour, o sol manda um beijinho acompanhado duma piscadela. Sinto meu coração acelerar e começo a tremer. Levanto, com as mãos estendidas ao alto, agradecendo nosso astro-rei da única forma de posso: com minha adoração.

Como minha saudosa bisavó dizia, o sol é o melhor dos guias. Estou perdido há tanto tempo… Sinto que, hoje, finalmente encontrarei meu lar.

III

Estou no centro da cidade. Pessoas e mais pessoas andam pelas calçadas, todas encurvadas, vestindo ternos e roupas sociais. Não consigo identificar seus rostos. São todos iguais para mim. Sempre evito essa multidão. É uma massa coletiva que engole tudo que se aproxima dela, absorvendo e transformando naquilo que ela é. Faço meu caminho pelas beiradas.

— Ei, amigo, espere um pouco aqui comigo. Está na hora do almoço, logo tudo se acalma.

Espio meus arredores, mas não encontro ninguém. Oras…

— Aqui, amigo, no fundo do beco.

Perto de uma porta acinzentada e toda acorrentada, na ruela mais próxima, um vira-lata caramelo abana seu rabo. Parece estar sorrindo pra mim.

— Tô ficando doido? Desde quando cachorro fala? —  pergunto enquanto me aproximo.

— Não seja assim, amigo — choraminga ele. — Sente-se aqui, bem perto, e faça um favor: cafuné.

Obedeço. Quem resiste?

— Sabe, amigo, somos parecidos, não acha? — comenta o cão.

— Somos?

— Sim, sim. Estamos sozinhos, mas ansiamos por contato. Intimidade, entende?

Penso um pouco.

— Eu já tive isso, amigo. Era uma menina linda, o cabelo era igual ao de um golden retriever, duma beleza sem igual. Era todo babão, tinha o orgulho do tamanho do mundo quando andava junto dela nas praças.

— E o que aconteceu? — minha pergunta é ingênua e verdadeira.

Ele chora baixinho, deitando a cabeça na minha perna.

— Ela cresceu. E eu fiquei muito velho.

— Que triste…

— É a vida, eu acho.

Continuo a fazer carinho nele, deslizando meus dedos, em zigue-zague, por seu corpo sujo e cansado.

— Eu também conheço um pouco desse sentimento — confesso.

— É mesmo? Quem era, amigo?

— Minha mãe. Doce, tão doce. Eu era muito próximo dela, quando molequinho, vivia grudado na barra da saia, todo tímido. Só melhorei na adolescência, quando comecei a procurar namorada, jogar futebol e trabalhar para o Mané da Praça, mas nossa relação não mudou. Continuamos íntimos.

— Que bonito, amigo.

— Sim, era muito bom…

— E o que aconteceu? — ele joga a mesma pergunta que fiz há pouco.

— Fui embora. Tentei abraçar o mundo. Mordi mais do que podia mastigar. Engasguei-me com a realidade. Agora estou aqui, procurando minha casa, quero ver minha mãezinha, mas tudo mudou.

— Tenho certeza que vai achá-la, amigo.

Respiro fundo. Também espero, não, eu sinto que vou, penso cheio de esperança.

— Olhe, amigo, a rua está mais calma — aponta o vira-lata.

— É verdade.

Levanto-me, dando tapinhas na roupa para tirar a poeira, e entrego um pedaço de pão para meu novo amigo.

— É pouco e está duro, mas é tudo que tenho.

— Eu agradeço de coração, amigo — diz enquanto abana o rabo e, com o pão entre as patas cruzadas, sorri com os olhos.

Abraço as ruas, agora desertas, e, com o sol ainda desfilando no céu, corro atrás do meu lar.

IV

Quanto tempo estou caminhando?

Não sei…

Muito tempo, eu acho. Meus pés estão machucados. Meu corpo está dolorido. Minha mente está cansada. E minha alma está ferida.

Essas ruas… Elas são infindáveis. Mesmo agora, com o astro-rei me guiando, sinto-me parte da cidade. Mas preciso continuar firme, se não o fizer, sucumbirei sem ver minha mãezinha. Quero vê-la, sim, pedir perdão por tudo que fiz. Quem sabe, não sei, conversar com aquele monstro, de homem pra homem, sem medo, sem hesitação.

Estou diante de um cruzamento. 

Os carros parecem voar pelo asfalto, tão rápidos e imponentes. No meio da cruz, um velho maltrapilho e imundo está de pé, intocado pelos veículos. O peso de seu olhar me afeta. Há tanta história naquelas íris azuladas. Vejo-me um pouco nele, admito. E, então, ele me encara por longos segundos. Dentro da minha mente, escuto uma voz ecoante: nada disso é verdade. Mas, ao mesmo tempo, abraçando a contradição digna do ser humano, ela me fala que tudo que vejo e sinto é real.

Sou fraco. Esses pensamentos me confundem. De cabeça baixa, retrocedo e sigo pela calçada. Avançar aquele cruzamento é perigoso demais. E, talvez, apenas talvez, levar-me-ia para longe do meu lar.

V

Não acredito nisso…

Encontrei a Praça da Mangueira! Sim, encontrei! Cercada por arranha-céus espelhados, mas intocada pelo tempo. Está tudo igual. O jardim central com a mangueira-símbolo da vila, o campinho de futebol improvisado, os bancos de granito espalhados ao redor do ambiente oval e as mesinhas onde os velhinhos costumavam fofocar e jogar xadrez.

Não acredito nisso… Estou perto de casa! 

Lembro-me quando marquei o gol decisivo na final do campeonato dos bairros e ganhei um beijo da Paula Marreta, fiquei todo aprumado por semanas. Era tão bobo, a menina nem era bonita! Mas, mesmo assim, na época, foi uma grande conquista pra mim.

Sento-me no chão, bem na frente da mangueira. Tão bela… Adorava a época dos frutos. Não, não comia manga adoidado. Amo pessoas doces, mas detesto comida doce. O que a garotada fazia, ah, sim, era guerra de frutas! Todo mundo voltava pra casa com as roupas alaranjadas e vários machucados pelo corpo.

Tudo era tão bom… Eu tinha tantos sonhos. Eu trabalhei muito tempo com o Mané da Praça. Ele era funcionário público da vila. Cuidava das ruas. Era um faz-tudo. Velho safado. Contou histórias maravilhosas de São Paulo. Alimentou minhas ilusões. Eu ficava maravilhado. Basta ter vontade, Augustinho, não tenha medo, se você chegar lá e mostrar que deseja trabalhar de verdade, rapaz, você vai longe; falava todo pomposo. Larguei tudo que tinha, abracei a incerteza e deixei meus sonhos morrerem naquelas ruas frias e desalmadas. 

Hoje, sentado e com a cabeça quase enfiada na terra, diante do maior símbolo da minha infância, tento entender o que fiz de errado. Eu não sei, sinceramente.

Uma folha enfrenta o ar, indo e vindo, devagar, até cair na minha mão. Que estranho… Ela está transparente e, no seu interior, vejo uma luz azulada. Está pulsando, tentando se comunicar comigo. Olho pra cima. A árvore inteira está assim: tronco, folhagem e frutos. Ela ilumina todos, a praça inteira, e de forma tão calorosa que me emociono.

Não posso ficar triste. Não, não mesmo. Tenho que continuar. Estou perto do meu lar.

VI

Cada passo, cada respiração, cada suor; sinto que todo meu esforço será recompensado. Estou chegando em casa. 

As ruas estão ficando cada vez mais desertas. Aos poucos, os prédios são substituídos por casebres e construções precárias. Algumas plantas tentam crescer, insistentes, colorindo o ambiente. Entretanto, é um alívio que dura pouco, pois, um pouco adiante, enxergo um muro de proporções colossais. O sol, meu amado guia, some por detrás da barreira e uma escuridão, sem precedentes, inunda a cidade. Desespero. Ouço gritos, pessoas se jogam das janelas, lamentos e dor, muita dor. Corro, simplesmente corro. Não olho pra trás. Não sei o que posso encontrar adiante, mas não tenho qualquer alternativa: entro numa fenda da muralha.

Continuo correndo por becos e mais becos iluminados por tochas rudimentares. É uma espécie de favela, com seres magros, doentes e desprovidos de qualquer humanidade. Mesmo cansado, com pouco fôlego, preciso continuar. Sinto uma presença opressora desde que entrei nesse muro colossal.

Tem um monstro à espreita. Sei disso.

Quando sinto mais segurança, decido descansar num canto, perto de uma espécie de cantina. A fila de pessoas é enorme. É comida? Não sei… O cheiro de podridão me deixa enjoado. Afundo meu rosto nas pernas, com vontade de chorar. O crepitar das chamas é a única coisa que me acalma. Acho que é porque tem relação com a única lembrança boa que tenho daquele homem…

Quando tinha nove anos, fomos acampar perto dum riacho. Passei a tarde pescando e dando risada, brincando na água. De noite, montamos a barraca numa clareira e conversamos até a rainha da noite desaparecer do céu. Lembro que adormeci no colo daquele homem, escutando as batidas do seu coração. Parece que faz tanto tempo… Não lembro do rosto dele. Acho que apaguei da minha mente. Se não pensamos em determinadas coisas, de certa forma, não sofremos por causa delas.

Gritaria. 

Um ser gigantesco, de forma indefinida — uma massa escura, meio gosmenta e quase humanóide —, aparece na ruela. Quando me levanto, afoito e sem prestar atenção ao redor, sou empurrado e acabo caindo no chão. Uma dor muito forte irradia pelo meu corpo. Não consigo levantar. Sinto tudo tremer com os passos do monstro. Não quero vê-lo. Abraço minhas pernas. Fecho meus olhos. Tenho medo, muito medo. Quero chorar.

— Você é ridículo — sua voz é gutural. — É uma vergonha. 

Não quero escutar isso! Não, novamente não.

— Não presta, não mesmo, conheço seu tipo. Não faz nada certo, esconde-se na saia da mamãe, inapto, completamente inapto para a vida — finaliza com uma gargalhada.

Faça algo, por favor, faça algo; suplico para mim.

— Isso é mentira! — meu grito sai meio engasgado.

A criatura fica quieta, incrédula.

— Você está maluco? — rosna ele.

Num salto, ignorando toda minha dor e sem pensar nas consequências, coloco-me de pé.

— Cala a boca! — vocifero com toda minha raiva.

Sinto-me uma cachoeira nas noites de tempestades. O mundo fica turvo. É como se estivesse observando tudo de fora: vejo-me agarrando um pedaço de madeira e batendo no monstro. Que tolice, que vergonha… Não sou eu. Não mesmo. Seu corpo parece uma gelatina. E acerto algo em seu interior. Num instante, toda aquela grandeza, aquela brabeza, desfaz-se em líquido e banha meus pés sofridos. Uma criatura minúscula, do formato duma bola de futebol, está no chão.

— Tenha pena de mim, senhor — suplica ele, revelando uma voz fina e chorona.

Não respondo.

— Não faço essas coisas por mal. Eu preciso fazê-las. Eu tenho um filho, senhor. Quando ele nasceu, nasceu pequenininho. Era tão frágil… Eu queria protegê-lo. Mas ele cresceu, cresceu, cresceu… Não parou. Ficou muito maior que eu. Como poderia oferecer segurança sendo pequeno?

Ele espera um pouco antes de continuar. Parece hesitante.

— Eu admito, senhor. Minha esposa riu de mim. Todos riram de mim. Então eu cresci também. Mostrei quem manda. Fora e dentro de casa. Tornei-me o exemplo que meu filho deveria seguir. Ele ainda não entende, mas um dia vai entender. Um pai quer apenas o melhor para seu filho. Todas as expectativas, todas as cobranças, toda a dor causada; isso tudo é para crescimento dele. O mundo é cruel, senhor. É função do pai ensinar isso.

— Isso é mentira…

— Não, senhor, não é.

— Sim, é mentira, sim. Não existe lição maior que o amor.

— Isso é bonito, senhor, mas ilusório — percebo sua pequenez de forma mais clara.

Respiro fundo. Ele é parecido com aquele homem… Desprezível.

— Eu tenho pena de você — atendo sua solicitação inicial. 

Sem pestanejar, chuto a criatura com toda minha força, e, sem olhar pra trás, corro para longe daquilo tudo. Vejo uma luz no final do beco. Finalmente…

VII

Além da trilha de terra batida, está uma casinha simples e sem reboco, isolada do mundo. O astro-rei brilha acima dela. O lugar mais bonito que existe nesse universo: meu lar. 

Abandono tudo que tenho e arrasto-me colina acima. Estou cansado, muito cansado. Mal encosto na porta e ela cai, causando um estrondo que ecoa por toda a residência. Cadê minha mãezinha? Cadê aquele homem? Está tudo vazio. Viajei de tão longe… Não encontro nada, apenas poeira e solidão.

A mesinha, onde costumávamos nos reunir para tomar café, está aos pedaços. As cadeiras, mesmo vazias, projetam sombras nas paredes. Vejo aquela mulher, tão carinhosa, esperando por mim, dia após dia. Uma vez, enchendo-me de beijos e abraços, revelou que fui um presente de Deus. Era valioso. Quando fui embora, de manhã, não me despedi. Era mais fácil assim. A dor que causei está aqui, acumulada no piso arruinado, onde ela se prostrou todas as noites para chorar minha ausência. Perdão, mãezinha.

Aquele homem, que dizia ser meu pai, marcou as paredes com seus punhos. Hoje, medindo de igual pra igual, minhas mãos cabem nessas cicatrizes. Vejo sua sombra de pé, perto da porta de entrada, esperando-me. Fico triste. Sinto amor e ódio por ele. Aquele dia na flor da infância, que pescamos e acampamos, deveria representar nossa relação. Não nasci pra cuidar da lavoura. Poderia, mas não queria. Homem de mão delicada não é homem, dizia um pouco antes de mostrar como eu deveria ser com tapas e pontapés. Por que não aceitava quem eu era? Nunca saberei.

Cheguei tarde demais…

Nos fundos da casa, no quartinho que cresci, tem um espelho rachado. Do outro lado, um velho me olha. Seus olhos são azuis. É quase careca, mas tem barba farta e grisalha. As rugas desenham verdadeiros labirintos no seu rosto. Simpatizo com ele. Por muito tempo, nas ruas da capital, tentei sorrir para estranhos. Nunca tive retribuição. Mas, ali, mesmo no fim do mundo, aquela pessoa conseguia me devolver o sorriso. 

Ah, sim… Quase me esqueci: estou cansado, muito cansado.

O crepúsculo reina janela afora. Quem me acompanhou até aqui, seja por cumplicidade, seja por obrigação, não importa; já sabe que, nesse epílogo, vou deitar. Se irei sonhar ou não, não sei. Mas sinto que, de certa forma, irei sonhar.

56 comentários em “Lar (Fábio D’Oliveira)

  1. R3
    12 de dezembro de 2020

    R4, corre aqui. Encontramos um amigo ideial pra você. Só de ler já me sinto intoxicado pela melancolia.

    • O Andante
      12 de dezembro de 2020

      Chegue mais perto, R4, você também, R3. Tem espaço pra todo mundo embaixo dessa marquise. É como o coração da mãezinha: cabe um tantão de gente.

  2. Almir Zarfeg
    12 de dezembro de 2020

    Resumo: Após se aventurar por SP, o protagonista retornar à cidade natal.

    Comentário: Um texto muito bem montado, conduzido com habilidade, inspirado no jeito de ser e estar de Augustinho. Retornar não é simples. Retornar é marcar um encontro com o passado, com o que ficou para trás, com o que não foi devidamente resolvido. E isso, meu cara, pode desencadear uma série de questões… Pode, inclusive, abrir as portas da percepção… Parabéns!

  3. Misael Pulhes
    11 de dezembro de 2020

    (Estou comentando novamente porque, de repente, lembrei-me de que não havia RESUMIDO este conto. E como meu comentário ainda aguarda moderação, e não quero incomodar os administradores – que depois poderão excluir o primeiro comentário – postarei novamente a análise, AGORA COM O RESUMO. Espero que isso esteja dentro das regras haha)

    Olá, “O Andante”.

    RESUMO: Andarilho caminha de volta a sua terra natal enquanto divaga sobre o passado e a vida.

    COMENTÁRIOS: Eis um conto com muitas virtudes. O começo até me lembrou os monólogos solitários em fluxo de consciência dos protagonistas dostoievskianos. A atmosfera melancólica – que sempre me agradou – é bem criada. O autor ainda se aventurou num gênero quase inédito nesse certame (realismo mágico/fantástico), o que é curioso, já que era muito pertinente ao tema do desafio. A ideia do conto seguir uma caminhada, o lirismo, os símbolos e imagens, e as histórias implícitas, sutilmente trazidas à superfície, também são méritos do autos.

    De negativo, no entanto, eu apontaria algo um tanto subjetivo: senti o texto um pouco “pesado”, se arrastando, em determinados momentos. É difícil um monólogo não cair nisso. E as repetições de temas, de episódios, de imagens (o “astro-rei”, p ex) talvez tenham carregado demais o conto.
    Além disso, os diálogos não me soaram bons. Diálogo é um trem difícil demais. E coisas como “Que triste…”, “Que bom, amigo”, enfraquecem o lirismo e a profundidade da obra. Isso de chamar o outro de “amigo” também não soou legal, A MEU VER.
    Quanto à linguagem, alguém já comentou, e eu repito, que ela parece destoar se se compara o início mais formal/filosófico com o resto do texto.

    Boa sorte no desafio!!

  4. Amana
    11 de dezembro de 2020

    Obs.: A nota final não se dará simplesmente pela soma da pontuação dos critérios estabelecidos aqui.
    Resumo: Augustinho sai de sua pequena cidade para ir tentar a vida na cidade grande. Volta algum tempo depois, buscando os lugares e as pessoas da cidadezinha.
    Parágrafo inicial (2/2): O primeiro, que é uma linha, e o segundo, com mais informações, é desses parágrafos que deixam todas as perguntas na mente do leitor, isso é bom.
    Desenvolvimento (2/2): Gostei. A informação de que fazia só dois anos que ele tinha saído da cidade me causou muito estranhamento e foi isso que fez com que eu começasse a entender que o louco era ele. Senti pena dele. Morador de rua, perdido em meio a alucinações e pensamentos…
    Personagens (2/2): Gostei bastante do Augustinho, me solidarizei com ele. Ele não é real, mas representa tantos por aí. Bastante humano.
    Revisão (1/1): Não vi nada que me incomodasse a ponto de reparar.
    Gosto (3/3): Gostei bastante, é um conto que dosa filosofia e ação da narrativa. Parabéns!

  5. Bruno de Paula
    11 de dezembro de 2020

    A jornada de Augustinho, que sai de casa muito jovem, despreparado e é engolido pela cidade grande. Morador de rua, parte em jornada de volta à casa, entre reflexões e delírios.

    Olá, Andante.

    Vou dividir meu comentário falando de cada capítulo.

    O primeiro capítulo é muito, muito bom. Você abre com uma frase bonita, poética. E logo entra numa descrição que nos faz entender facilmente a vida que o narrador levava e seus anseios por deixar a cidade.

    Rapidamente ele fala da desilusão e da volta pra casa, derrotado. E então você forma uma bela imagem: para ele sua cidadezinha do interior tinha se transformado também em metrópole, num intervalo de dois anos. A loucura do narrador começa a ficar delineada: ou ele passou muito mais do que dois anos para voltar; ou sequer saiu de São Paulo, se deslocou pela própria cidade imaginando que voltava pra casa.

    Gostaria de destacar uma frase: “Talvez isso explique porque aquele velho falava demais: ele sabia muito pouco”. Ela não é de todo original, mas é bonita e caiu como uma luva no texto.

    No segundo capítulo fica delineada ainda mais fortemente a motivação do personagem em sua busca pela volta à cidade natal. Entre seus delírios, ele mantém uma esperança dentro de si que o faz caminhar, insistir numa jornada que talvez que o leve ao caminho certo, ou talvez apenas circule pela metrópole na ilusão de um destino. Mas há algo a que ele se agarra e isso se materializa na figura do sol, a grande estrela guia em que ele sempre acreditou.

    O terceiro capítulo me pegou no contrapé. A narrativa, até então sóbria, vai diretamente para um delírio surreal, com o narrador se engajando numa conversa com um cachorro falante. Você certamente tomou um risco nessa virada. O leitor pode mergulhar de vez na fantasia do personagem, ou se afastar pelo estranhamento da cena. Confesso que pendi mais para a segunda opção, mas me diverti com a leitura, talvez pela minha queda pelos caninos. Foi uma passagem esquisita demais pra mim, mas não me desengajou da leitura.

    Destaco um trecho negativo: “— Tô ficando doido? Desde quando cachorro fala? — pergunto enquanto me aproximo.” Via de regra não gosto de personagens que falam consigo mesmo, acho artificial. Mas sobretudo me incomoda uma pessoa se questionando se está louca ao ter uma alucinação. A tendência é de primeiro se acreditar no que vê e buscar uma explicação, não já sair duvidando dos próprios olhos,

    O quarto capítulo retoma com competência o clima dos dois iniciais. Mais realista, acompanhamos o sofrimento do narrador por sua situação. A visão do velho é muito interessante. Fica clara que ele é uma projeção do personagem, mas o quê ela reflete? A si mesmo, ao medo do seu futuro, a uma figura paterna? O que se sabe é que conclui ser perigoso demais atravessar aquele cruzamento e encontrar-se com esse fragmento de si mesmo. Essa imagem foi lindamente construída, cheia de simbologia, de significado. Meu momento favorito do conto.

    No quinto capítulo o texto perde um pouco de força, ao meu ver. É interessante que ele tenha visões que o iludam com a proximidade de casa. Mas esse momento surreal, das folhas brilhando, pareceu-me desnecessário, gostaria mais que o autor mantivesse a sobriedade mínima para entendermos os momentos de delírio, traçando paralelos com a realidade. A mangueira brilhante pode carregar grande simbolismo, mas me soou gratuita. Talvez você tenha algum grande significado pra ela mas, sendo o caso, não consegui apreendê-lo.

    Do sexto capítulo não gostei. Acho que você pesou a mãe no surrealismo. Acho boa a ideia de que o narrador tenha uma alucinação que o faça superar o trauma da presença tóxica do pai. Mas o recurso do monstro gigantesco que depois fica pequenino não soou natural e ficou até meio cômica. Além disso as descrições ficaram fora do tom: um ser gosmento de forma indefinida não pode ser humanoide; e uma bola de futebol não é minúscula. Se você quis falar apenas do formato, poderia dizer só “bola” ou “esfera”. E o trecho se alonga bastante também. Foi a parte mais fraca do conto, aos meus olhos.

    Felizmente é o último parágrafo é belo e inspirado. Algumas frases são muito bem construídas como “Hoje, medindo de igual pra igual, minhas mãos cabem nessas cicatrizes.” e “A dor que causei está aqui, acumulada no piso arruinado, onde ela se prostrou todas as noites para chorar minha ausência. Perdão, mãezinha.”. O final, até pelo caráter simbólico do conto, permite mais de uma interpretação: ele realmente chegou em casa e se viu no espelho? Ou apenas encontrou um barraco velho qualquer? Ou, nem isso, está apenas alucinando? Será que ao menos saiu de São Paulo?

    Dessa forma não sabemos se ele finalmente encontrou alguma paz ou se continua vagando a esmo pelas ruas da megalópole. A primeira alternativa é mais confortável, mas tendo a acreditar na segunda.

    Enfim, Ouvinte, seu conto é muito bom e você demonstra admirável habilidade em sua escrita. Só acho que alguns elementos não se encaixaram e que o texto se alongou demais.

    Mas quem sou eu pra falar em se alongar quando escrevo um comentário desse tamanho? rs

    Sorte do certame. Abraço.

    • O Andante
      11 de dezembro de 2020

      É a vida, Bruno. Cada um enxerga duma forma diferente. Talvez essa seja uma das belezas e tragédias da existência. Acho que a realidade te atrai mais, por isso situações surreais te trazem esse estranhamento. Mas, se olhar bem, é um pouco estranho procurar coerência na surrealidade. Às vezes, precisamos dançar conforme a música. Mas eu sei que é difícil. Eu mesmo dando música lenta no meio do funk. Somos todos incoerentes com nossas falas.

  6. Fil Felix
    10 de dezembro de 2020

    Boa noite!

    Viajamos pela história de um homem, talvez um andante, um sem teto, que tenta voltar à sua origem, seja mentalmente ou fisicamente. É um conto com pegada surreal, que nos leva ao inconsciente do protagonista, tudo funciona como uma metáfora, um delírio, símbolos sobre sua história, sua infância, os pais e seus sonhos. É um ponto interessante isso, muitos contos abordam essa questão da infância em relação à loucura (Freud explica!). Por ser um conto mais visual e voltado ao inconsciente, ele dá margem para diversas interpretações. Eu tentei enxergar tudo como uma grande viagem em busca do “eu”, esse labirinto que ele percorre para se encontrar, se compreender, tanto a si mesmo quanto à sua volta, o que aconteceu na sua ausência. E é uma ótima viagem, com sequência bem inspiradas. A estrutura em capítulos numéricos ajuda a pausar a leitura, deixando menos cansativa, também uma escolha bastante acertada. Se eu pudesse citar um porém, seriam de alguns momentos que achei um pouco caricatos, como a conversa com o cachorro e a figura que diminui e fica com a voz fina. Mas no geral, uma leitura muito boa e recheada de interpretações sobre auto-conhecimento, muito bom.

  7. Fabio D'Oliveira
    10 de dezembro de 2020

    É o tipo de conto que gosto de ler. Poético, incomum e fácil. Surrealismo bem aplicado, justo com o tema, sem abusos.
    .
    A história acompanha a viagem de um morador de rua que, aparentemente, viveu muito tempos no abandono e descaso e está voltando para casa. Ele embaralha tudo, não é um narrador muito confiável e vive alucinando. O final é belo e poético, mas muito triste. Nem tudo acaba com um final feliz, gosto dessa ousadia. Imagino que os atos podem representar os anos passando, mas tenho minhas dúvidas.
    .
    É um bom conto, bem escrito, leve em narrativa, apesar do tom poético, que dá certa densidade para a história. Digo que é leve, pois, afinal, não me cansou. Gostei, apesar de que alguns pontos podem melhorar, como apontaram nos comentários.

  8. Daniel Reis
    10 de dezembro de 2020

    RESUMO: a história do retorno de um andarilho que perdeu o juízo, de São Paulo para sua casa, numa pequena cidade. Lá chegando, após enfrentar seus monstros, vê que nada mais resta de sua antiga vida.

    IMPRESSÕES: gostei muito desse texto, acho que tem até um paralelo com o meu Mangaratiba. A narrativa é bem dosada, com uso da primeira pessoa sem exagero nas descrições nem artificialismos nos diálogos. Parabéns, autor, está no meu top 5 com certeza!

  9. Regina Ruth Rincon Caires
    8 de dezembro de 2020

    Lar (O Andante)

    Resumo:

    A história do andante, indivíduo que foi para a cidade grande, e, com tanto sofrimento, endoidou. Insano, retorna. O texto é uma lamúria.

    Comentário:

    A linguagem é labirinto.
    Padre Fábio de Melo

    Um texto que começa pela citação de um padre. E assim se estende num labirinto de queixumes. Com frases perfeitas, o conto possui estrutura plena. O autor tem total domínio da narrativa, trabalha poeticamente a ideia que quer transmitir. Muita poesia.

    Gosto de observar, na escrita, o uso de palavras de valor negativo ou positivo. Neste texto, LAR, há uma avalanche de “pessimismo”, a começar pelas inúmeras citações dos advérbios de negação (não/nunca). A partir disso, observo as palavras: saudosa, abandonei, fome, frustração, orgulho ferido, vergonha, pesados, intimidam, penumbra, poluição, perdido, encurvadas, acidentada, acorrentada, choraminga, sozinhos, velho, triste, sujo, cansado, mordi, mastigar, engasguei, machucado, dolorido, ferida, sucumbirei, monstro, fraco, perigosos, errado, deserta, escuridão, e tantas outras… Tudo isso para tentar mensurar o teor melancólico dado ao conto. É lindo, denso, cinza. Mas cuidadosamente escrito. Um texto que, após a leitura, é preciso dar um tempo para a as ideias se assentarem e o leitor voltar a olhar o mundo colorido. Misericórdia!!!

    Parabéns, Andante, lindo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  10. Rafael Penha
    7 de dezembro de 2020

    RESUMO: Homem de cidade pequena viaja para cidade grande e depois de viver anos como morador de rua, perde a sanidade e volta pra sua cidade natal.
    COMENTÁRIO: Uma história tão verossímil que incomoda.
    O conto tem uma pegada tão real, tão verdadeira que é impossível não traçar paralelos com a vida real, onde tantas pessoas deixaram sua cidade para “tentar a vida” na Cidade Grande. Mas a fome e miséria pode enlouquecer e isso foi mostrado de forma sutil mas efetiva no conto.
    A mente do protagonista devaneia mas tem uma diretriz, mostrando que sua insanidade não é uma simples loucura, mas algo mais profundo. Algo que apenas anos sem teto e com fome podem criar. Algo que faz o tempo passar de forma totalmente despercebida transformando anos e talvez décadas em poucos meses.
    O autor explora bem o enredo, apesar de na minha opinião, estendê-lo por demais, o conto poderia ser um pouco mais curto.
    O final é interessante e comovente, digno da história real de vida de uma pessoa.
    Bom conto!
    Um abraço!

  11. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    6 de dezembro de 2020

    RESUMO:
    Protagonista que foge da sua origem e não encontra perspectivas na vida além da miséria e da devastação psicológica que ela produz.
    ABERTURTA:
    O tom dramático da abertura nos dá a pista de que mergulharemos num personagem que escolherá sua própria tragédia pessoa. Começo bem escrito, despertou meu interesse para continuar atento à leitura.
    DESENVOLVIMENTO:
    Uma grande narrativa, grande no sentido do bom desenvolvimento, da segurança e capacidade do autor em construir uma história eivada de melancolia, mas sem esquecer que é necessário manter o interesse do leitor. Gostei. Um trabalho de arquitetura do texto feito com esmero e visível dedicação.
    CONCLUSÃO:
    O fim melancólico confirmou a sensação que tive durante a leitura da abertura do texto. Um personagem sem perspectivas que encerra o texto numa profunda melancolia. Uma tragédia pessoal, sem tom apelativo, acompanhando as cores criadas no decorrer do texto. Sucesso.

  12. Fernando Dias Cyrino
    5 de dezembro de 2020

    Ei, Andante, você me apresenta a história de um rapaz que deixa a sua cidade do interior, instigado pelo seu patrão, para se aventurar na fria e mítica São Paulo. Não dá certo e ele retorna dois anos depois (só dois anos e tudo fica tão distinto? Tive dificuldades com isto). A história desse retorno se faz a espinha dorsal do conto. A chegada e a loucura que se apresenta mais forte com o diálogo com o cachorro… ,Uma história Andante, que está bem contada, o pai que recebe o filho, eis que a mãe – que se sentiu abandonada pelo filho que dela nem se despediu, não mais se faz presente. Mas fiquei com a sensação de que você poderia ter entregue mais. Como exemplo, te cito o desfecho da sua narrativa. Achei que o final da história ficou aquém de tudo que vinha desenvolvendo. O fato de ter dividido a história em capítulos achei que facilitou a leitura e o entendimento. Meu abraço, amigo.

  13. gisellefiorinibohn
    2 de dezembro de 2020

    Homem que deixa o interior em direção à cidade grande torna-se morador de rua e perde a sanidade. Ao voltar para sua cidade natal, já é um velho que perdeu a noção do tempo e de si mesmo.
    Bom, vou começar pela temática: magistral. A vida urbana, caótica e solitária levando à loucura quem um dia sonhou vencer ali. Já conversei com pessoas nessa situação e realmente eles perdem a referência de quem são, de quanto tempo estão naquela vida, de como foram parar naquele lugar. Muito triste, da mesma forma que é triste o seu conto. Lindo, mas triste.
    Tecnicamente é um texto muito bom: não apenas bem escrito, mas também poético, cheio de bonitas imagens, descrições belíssimas. Coisa de quem sabe bem o que faz.
    Tenho até um pouco de vergonha de dizer isso a um autor tão bom, mas achei um pouco prolixo. Talvez se fosse um pouco mais enxuto ficaria ainda melhor! A cena final com o personagem olhando-se no espelho e sorrindo para o velho que vê ali fechou lindamente; eu, aliás, encerraria com essa imagem, sem abordar o leitor no próximo parágrafo: não gosto quando o autor se dirige a mim, mas essa é apenas uma birra minha. É um conto maravilhoso de qualquer forma!
    Parabéns pelo lindo trabalho e boa sorte!

  14. angst447
    28 de novembro de 2020

    RESUMO
    Homem foge de casa ainda adolescente e abandona sua cidade no interior. Vai em busca de melhores oportunidades em São Paulo, mas só encontra pobreza e fome. Vira morador de rua e tenta retornar ao seu lar de infância. Não reconhece o lugar onde morou, nem a si mesmo no espelho, já um idoso. A vida dura que levou o tornou alienado de si mesmo.
    AVALIAÇÃO
    Uma verdadeira saga narrada em um conto muito bem escrito. A solidão e a perda dos sonhos são descritos de forma tal que trazem angústia. Parece sempre que o narrador vai encontrar um pouco de si mesmo pelo caminho, mas tudo que resta são as ruínas das lembranças e dele próprio.
    O conto é longo e dividido em VII partes como pequenos capítulos, que abordam as fases da vida do homem, tendo como guia o sol.
    O céu um dia lhe piscou e jogou um beijinho. Não sei por que, mas achei essa passagem meio infantilizada.
    O final foi bem desenvolvido, com a tão esperada reciprocidade do sorriso. Achei bem poético isso. Bom desfecho.
    Boa sorte e descanse um pouco. Deve estar muito cansado depois de tanto andar por aí.

  15. Leandro Rodrigues dos Santos
    28 de novembro de 2020

    Um andarilho em sua jornada pelas ruas, no resgate esperançoso de encontrar sua mãe;
    Não imergi na história, assim me abstenho de um comentário mais profundo, portanto ressalvo algumas considerações técnicas, se do agrado considere, se não, nem ligue. Faltou o uso do pronome no infinitivo e teve confusão do uso dele no indicativo. E certa repetição do ‘mas’, do mais, nada a acrescentar.

    • O Andante
      11 de dezembro de 2020

      Acho que todos erramos.

  16. Paula Giannini
    27 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo – Jornada de volta ao lar, após anos de solidão e abandono.
    Minhas Impressões:
    Confesso que, ao resolver participar do desafio, quase escolhi esta premissa: a rua enlouquece.
    Convivi de perto com moradores de rua e pude ver o quão juntas andam loucura e invisibilidade social. Na rua, perde-se noção de tempo, a de realidade e até a da própria identidade, em um vai e vem que alterna momentos de lucidez e devaneios.
    Interessante notar que conto trás tais faces da loucura em momentos chave da narrativa, mergulhando, ora em uma insanidade mais sutil, ora em momentos de total delírio. O ponto alto desta ótima narrativa, para mim, é o desfecho, quando ao se ver no espelho, o personagem não se reconhece. Este parágrafo é, repito, para mim, o momento em que o(a) escritor(a) “entrega” o código para leitura de seu belo trabalho. O homem velho, e não alguém apenas há dois anos longe de casa, castigado pelos anos de solidão e invisibilidade, não é capaz de reconhecer a si mesmo no espelho e sorri amigavelmente para alguém que – coisa rara que o surpreende, sorri de volta para ele.
    Parabéns pelo belo conto.
    Como digo a todos, se minhas impressões não condizem com seu texto, apenas desconsidere-as.
    Desejo grande sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  17. Priscila Pereira
    25 de novembro de 2020

    Resumo: Homem que saiu de casa ainda adolescente passa a vida toda tentando voltar para casa.

    Olá, Andante!
    Que conto delicado! A linguagem está perfeita! Que delícia de ler! A história é triste, mas contada com uma leveza, uma delicadeza que deixa a leitura leve. Achei muito filosófico também, a parte do encontro com o cãozinho ficou linda e o encontro com o “pai” foi bem profundo. Um mergulho na mente de um morador de rua perdido no tempo, com o corpo envelhecido contendo uma alma criança, ansiosa de voltar pra mãe, tentando entender e perdoar o pai, vivendo guiado pela luz, mesmo tendo inúmeras razões para se entregar para as trevas. Um conto excelente! O que chama mais a atenção é a beleza da escrita! Parabéns!
    Seu estilo não me é estranho… Tô te sacando, Andante 😁
    Boa sorte!
    Até mais!

    • O Andante
      11 de dezembro de 2020

      Como assim me sacando? Fiz algo de errado? Perdoe-me caso tenha… Sofri alguns perseguições por dormir em lugares errados, se fiz algo semelhante, não era a intenção.

  18. antoniosbatista
    25 de novembro de 2020

    Resumo: Augusto saiu de sua cidade no interior para tentar uma vida melhor em São Paulo. Como não consegue a prosperidade sonhada, ele volta para casa. Velho e cansado, vagueia pela cidade, que havia mudado, a procura de sua antiga morada. Ao chegar não encontra os pais, a casa está vazia e em ruínas.

    Comentário/Análise: O argumento não é novo, original, eu mesmo escrevi algo parecido; personagem que saiu da roça vai para a cidade grande, não consegue nada, volta e encontra a antiga casa abandonada. Sozinho, naquele lugar deserto, ele enlouquece. Então, o argumento não é original, no entanto a escrita, a narração, construção das frases é que faz a diferença. Excelentes descrições, conexões frasais e seus sentidos, sugerindo ótimas imagens, cheias de emoções, enfim. Admiro quem consegue escrever em Tempo Presente sem fazer confusão. Ótimo conto, ótima escrita. Boa sorte.

    • O Andante
      11 de dezembro de 2020

      Acho difícil encontrar algo novo, né? Pelo menos em conteúdo, mas em forma acho que pode ser. Não sei…

      • antoniosbatista
        11 de dezembro de 2020

        Panela de Ferro.

  19. Marco Aurélio Saraiva
    25 de novembro de 2020

    RESUMO: um homem sai de seu lar no interior para tentar a vida na grande São Paulo, mas não consegue e acaba se tornando morador de rua. No final da vida tenta reencontrar seu lar e sua jornada até lá traz de volta memórias dolorosas.
    É um conto muito bonito, cheio de sentimento. O narrador tem muitos arrependimentos e coisas não resolvidas dentro de si. O caminho de volta para seu Lar é senão uma busca por si mesmo no final da vida – uma tentativa de entender o motivo de tanto sofrimento e de suas escolhas ruins. Aprender a superar seu pai; deleitar-se com as memórias confortáveis da mãe. Era disso que precisava, antes do fim. No final do conto, reencontrando seu antigo lar e vendo que seus punhos cabiam agora nas cicatrizes deixadas pelo pai, ele finalmente entende quem era, e confirma ao olhar-se no espelho.
    O texto é bem escrito, as palavras escolhidas passando todo o sentimento de nostalgia e sofrimento que acredito que você gostaria de passar. A loucura aqui é a loucura de um homem idoso, sozinho e abandonado na rua. A loucura de quem vê a morte chegar e não tem com quem compartilhá-la.
    Muito triste – e bonito!

  20. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Andante

    Conto sobre um adolescente que deixa a cidade natal e vai à capital em busca de uma vida melhor. Sem sucesso retorna à sua cidade dois anos depois para enfrentar as dificuldades que deixou em casa. No caminho enfrenta perturbações e conflitos internos tentando buscar alguma paz.

    Texto construído sobre um sólido conhecimento narrativo e lexical, com ritmo bastante lento e denso. O autor conseguiu criar algumas cenas interessantes, com background poético e saudosista, que funcionam para situar o leitor dentro dos conflitos internos do personagem, que sofre com diversos problemas de seu passado, com rancor, medo, desgosto e solidão entre eles.

    Mas, mesmo com toda a técnica do autor (o empenho em criar uma boa história é realmente perceptível), não consegui me conectar totalmente ao texto. Consigo entender o personagem, vejo a tristeza da vida nas ruas, mas é com certa frieza, certo distanciamento. E, em um texto tão denso, não conseguir se conectar ao personagem principal leva à uma leitura difícil, arrastada. Acho que é um problema mais meu do que do texto, entretanto.

    É isso. Boa sorte no desafio.

  21. Elisa Ribeiro
    21 de novembro de 2020

    O desabafo de um sem-teto desorientado pelas ruas enquanto tenta encontrar o caminho de volta para casa.
    A ideia em torno da qual se desenvolve a narrativa pareceu-me ser a expressa na abertura do conto. Um labirinto que se revela tanto na deambulação do homem tentando encontrar o caminho de casa como na narrativa não linear em que se mesclam memórias, devaneios e alucinações.
    O argumento deu bastante liberdade ao autor para escrever sem a preocupação de prender-se a um enredo, o que certamente foi confortável e prazeroso para ele, mas acabou rendendo uma história que, embora proporcione uma leitura agradável, carece de elementos suficientes para um verdadeiro engajamento do leitor.
    Achei a linguagem adequada. Embora a sintaxe e a narrativa soem muito articuladas para o narrador/personagem desorientado que conta a história. O léxico mais simples contribuiu para o efeito de pertinência entre narrativa e personagem.
    O texto me pareceu muito bem revisado.
    O que gostei: do ritmo bem cadenciado do conto que proporcionou uma leitura bastante agradável.
    O que não gostei: difícil explicar. Certa ausência de verdade nesse personagem, eu diria, trazendo como consequência uma dificuldade/ausência de conexão com a narrativa.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  22. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá autor. Infelizmente perdi-me no meio do seu conto, que narra a história de um homem que regressa a casa, numa pequena cidade do interior, depois de uma vida de miséria em São Paulo. Pelo caminho é assolado pelos fantasmas que deixará para trás. É um conto que ilustra bem o que é a depressão e a solidão. A confusão do texto ajuda nesse retrato. Não sei se houve propósito nisso. A desorientação é comum nos estados depressivos, e essa ideia passou com sucesso no seu texto. No entanto, creio que a desorientação foi levada ao excesso, o tom negro torna-o previsível. É um caminho sem retorno. O homem está velho demais para reagir.

    • O Andante
      11 de dezembro de 2020

      Admito que também me perdi várias vezes no caminho. Tudo bem.

  23. Jefferson Lemos
    19 de novembro de 2020

    Resumo: a história da vida de um homem que abandonou sua cidade em busca de uma vida melhor em São Paulo, e acabou por perceber que essa vida não era como esperava. Mas o fim da história trás surpresas…
    Olá, caro autor!
    Você escreveu uma boa história aqui. Vou começar falando sobre o meu gosto, que aqui é uma questão puramente pessoal.
    Não me senti tão conectado ao conto. Você escreve bem, não vi nada muito extraordinário em termos da escrita, mas é concisa e passa a ideia de forma competente a maior parte do tempo.
    O seu personagem é muito pensante, tem uns insights legais e tal, mas eu não sei… acho que a narrativa funcionaria mais pra mim em terceira pessoa. Alguma coisa na primeira pessoa do conto não permitiu Me conectar de forma apropriada com o que era contado.
    Sobre a parte técnica, ela é boa também. Em alguns momentos eu achei que a narrativa se arrastou um pouquinho, com descrições e passagens menos fluidas, mas no geral foi bom. Mas uma coisa que me deixou “no morno” em relação à história foi que eu senti que os momentos precisaram ser mais bem amarrados. Acho que assim, em alguns trechos, fiquei meio confuso.
    O final da trama foi bem legal, algo que eu já imaginava conforme você ia contando, e o sofrimento do seu personagem é bem exposto tb.
    Parabéns pelo texto!
    Boa sorte!

    • O Andante
      11 de dezembro de 2020

      Tudo bem, Jeff. Posso te chamar de Jeff, não posso? Já chamei, oras, que descuido…
      Minha história é previsível mesmo, alguns caminhos devem ser aproveitados enquanto andamos nele, sem pensar no destino. E tudo não ter conexão com minha história. Acho que você poderia ser louco, se tivesse.

  24. Ana Maria Monteiro
    18 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Em busca de uma vida melhor, um rapaz foge de casa e vai para a cidade grande onde a sorte não lhe sorri – apenas o sol. Morador de rua, sofre de imensa solidão e sente falta da mãe, decidindo voltar a casa. No regresso, tudo lhe é estranho e não reconhece nada, nem a si mesmo.

    Comentário: Um bom conto, em tom poético. A linguagem em que se desenvolve é também labiríntica, tal como provavelmente a mente deste andante sem a menor noção do tempo e, por vezes, nem da diferença entre real e imaginário.

    Na leitura não percebi elementos que me atrapalhassem. Claro está que o momento mais “ternurento” é vivido com o cachorro, mas, fora dessa conversa, Augustinho não se aproxima muito do leitor, talvez devido ao seu isolamento interior.

    O regresso a casa, pode ter início após dois anos, mas tudo indica que só se verifica muitos anos depois, tanto pelas transformações brutais na cidade agora irreconhecível, quanto pelo facto de não reconhecer o velho de olhos azuis que lhe devolve o sorriso desde o espelho, um sorriso que a cidade nunca lhe devolveu.

    Ainda que nada reste da sua infância, Augustinho reencontra alguma paz nesse regresso. O encontro com a figura do pai, projetado pela sua imaginação, foi a redenção possível, e o sorriso que oferece a si mesmo, antecedendo o sono e o sonho são o último passo antes do, por fim, merecido descanso.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: Um homem descreve uma longa e dolorosa jornada até sua casa, cruzando a sua sanidade e a própria identidade.
    COMENTÁRIO: Fico muito feliz de ver um conto cujo protagonista é morador de rua. Morando em uma cidade que, embora não seja das maiores, é uma capital e é quase inteiramente urbanizada, faz parte do cotidiano ver moradores de rua, sobretudo no centro da cidade e nos terminais de transporte público. Dentro desse grupo, há os que falam sozinhos e representam traços de algum transtorno. Sempre que as vejo, penso se essas pessoas chegaram às ruas nessa (e, talvez, por conta dessa) condição ou se a situação em que vivem induziu ao transtorno ou contribuiu para intensificá-los, já que tira a chance de tratamento. Depois de enviar o meu conto, lá pro início, fiquei pensando que este era outro enredo promissor e imaginei que seria bom escrevê-lo para área OFF. Talvez ainda o faça, mas o seu segue nessa linha, entregando uma bela estória. Abaixo, falo de alguns aspectos do conto.
    Tem sido recorrente o uso da primeira pessoa, que aqui é exímio por permitir à personagem uma narração que não destaca os absurdos pelo que passa, mas, muito pelo contrário, nos permite ver pelos seus olhos (a força simbólica do sol é um exemplo) e experimentar as duas faces da loucura: aquela que o acolhe, no cachorro, e aquela que o brutaliza, na representação maximizada da figura paterna. Inclusive, é interessante como esses dois episódios de insanidade tocam nos pais do personagem, um remetendo à mãe como uma figura saudosa que lhe dá abrigo e a outra, o pai, lembrado principalmente pela violência. Na figura desse pai, destaco o detalhe de ter escrito uma conversa em que o pai se explica, mostrando que, como tudo é fruto da imaginação do protagonista, o personagem ainda consegue perceber quais foram os motivos do pai e, ainda assim, rejeitá-lo, superando o trauma dentro de si mesmo. Mais uma nuance interessante da loucura do personagem é a dissociação de sua identidade, tanto tempo preso a um único objetivo que mal consegue reconhecer as mudanças provocadas pelo passar do tempo e pela dureza da vida que leva. Por isso, o personagem cativa e até emociona, tragando o leitor para a sua odisseia e, de alguma forma, acalentando quando enfim chega naquilo que, ainda em ruínas, é o mais próximo do que pode chamar de casa. É, pelo menos, melhor do que a rua.
    Boa sorte.

    • O Andante
      11 de dezembro de 2020

      Me falaram, internamente, pra esperar seu comentário. E realmente valeu a pena esperar. Você é sensível como minha mãezinha era.

  26. Fheluany Nogueira
    17 de novembro de 2020

    Jovem vai para São Paulo em busca de trabalho. Nada dá certo e ele volta para a sua cidadezinha, mas a encontra muito mudada e tem dificuldades para encontrar sua antiga casa.
    Trama sensível, traz reflexões ao levar o leitor a sentir nas entrelinhas uma forte crítica social. É a história de muitos brasileiros.
    Linguagem elaborada, com imagens e construções frasais sonoras e simbólicas, como a cena do cão e a do monstro. A questão do tempo (dois anos) e outras itens estranhos, acredito que se devam ao estado de loucura do protagonista, em um texto com foco narrativo de primeira pessoa.
    Gostei da divisão em partes que ajudou na leitura. Bom trabalho. Sorte no desafio. Um abraço.

  27. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de novembro de 2020

    Resumo
    Jovem deixa sua cidade para tentar uma vida melhor na cidade grande. Ao retornar, sem ter conquistado a fama e o dinheiro que almejava, encontra uma cidade completamente diferente.
    Comentário
    Muito bonito o seu texto, bem escrito, com uma história muito profunda e interessante. Encontrei construções muito bonitas em seu conto. Posso citar, apenas como exemplos: “Mordi mais do que podia mastigar. Engasguei-me com a realidade.” E “A dor que causei está aqui, acumulada no piso arruinado, onde ela se prostrou todas as noites para chorar minha ausência.”
    Não sei se entendi direito, mas achei bem interessante a relação que faz da linguagem com o labirinto logo no início e depois reafirma durante o texto o peso das palavras do pai, como se aquelas palavras o tivessem levado a este labirinto. Não sei se viajei, mas foi o que entendi.
    Na minha opinião, você poderia ter colocado o protagonista voltando para casa mais tempo depois de sua partida. Apenas dois anos não parecem suficientes para todas as mudanças pelas quais a cidade passou.
    Na parte que o protagonista conta que o crepitar do fogo lembra o único momento bom com o pai, faltou colocar o fogo em sua lembrança.
    “forma indefinida — uma massa escura, meio gosmenta e quase humanóide” (humanoide) – não parece possível uma forma indefinida, massa escura ser quase um humanoide.
    desfaz-se em líquido e banha meus pés sofridos – eu tiraria a palavra sofridos
    “— Eu admito, senhor. Minha esposa riu de mim. Todos riram de mim. Então eu cresci também. Mostrei quem manda. Fora e dentro de casa. Tornei-me o exemplo que meu filho deveria seguir. Ele ainda não entende, mas um dia vai entender. Um pai quer apenas o melhor para seu filho. Todas as expectativas, todas as cobranças, toda a dor causada; isso tudo é para crescimento dele. O mundo é cruel, senhor. É função do pai ensinar isso.” – este diálogo ficou muito longo explicativo.
    Gostei da ideia do sol o guiando e da forma como utilizou isso em toda a sua história.
    O desenvolvimento do personagem principal causou empatia, mas nem sempre concordaram a sua linguagem e a sua origem simples.
    No final, você coloca: “Ah, sim… Quase me esqueci: estou cansado, muito cansado.”, mas estas mesmas frases foram ditas quatro parágrafos acima. Não sei se entendi quem é o homem de olhos azuis.
    Gostei da simbologia do monstro referindo-se ao pai que o maltratou.
    Não entendi muito bem quem seria o homem de olhos azuis.
    Parabéns pelo texto.

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Barbetta, gostei desse nome, soa exótico.

      Realmente, esqueci de falar do fogo. Eu estava fitando a fogueira naquele momento, mas o som do coração do meu pai, que naquele dia foi pai mesmo, foi mais marcante. Perdão.

      E, sabe, essa coisa da cidade mudar em dois anos também foi um baque muito grande pra mim. Alguns falaram que nem retornei pra casa, somente quando envelheci, que não demorou dois anos, que foi muito além disso. Achei estranho, pois tenho a nítida impressão que não foi tanto tempo assim… Até falaram que eu era o velho simpático do espelho! Que coisa, né.

      E não me dê muito crédito… Eu falo coisas estranhas mesmo, que não fazem muito sentido. Muito obrigado por ter cedido um tempinho comigo.

  28. Fabio Monteiro
    15 de novembro de 2020

    Resumo: Homem abandona tudo que tem para tentar a vida em outra cidade. Seus planos não dão certo e ele acaba por virar um morador de rua. Num certo momento tem alucinações e fala com um cão.

    A forma como o cão e o humano se encontram é a parte mais tocante do conto. Na verdade, o personagem entende a dor do cão. Provavelmente, a dor do abandono.

    Também achei interessante a questão leste e oeste. De alguma forma, foi como se mostrasse ao personagem que ele devia seguir outros rumos, mesmo que indefinidamente.

    O final é triste. O personagem não se deu bem. De fato, perdeu tudo que tinha. O que ele buscava não encontrou, deixando-o sem esperanças.

    Vida real. Sem grandes magias ou reviravoltas estratégicas.

    Boa Sorte autor(a)

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Você é atento, Monteiro. Ou prefere Fabio? Tento sempre respeitar o direito de ser o que quiser. As direções que devemos tomar ficam sempre ali, por perto, mesmo quando fechamos os olhos para elas.

  29. Anna
    14 de novembro de 2020

    Resumo : Morador de rua com delírios volta para a cidade na qual nasceu.Ele já está velho e pensa que ficou apenas poucos anos longe de casa. Quando acha sua casa seus pais não estão mais lá.
    Comentário : O conto é ótimo. Gostei especialmente da parte que ele conversa com o cachorro sobre a solidão de ambos. Como é triste alguém mergulhar em um sonho que vira pesadelo.

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Ah, o cãozinho, sim, foi um encontro belo e cheio de nostalgia de ambas as partes. Lembro daquele dia. E é triste mesmo, Anna, quando desejamos tanto uma coisa, profundamente, e percebemos que nunca alcançaremos esse desejo. Mas faz parte da vida. Precisamos lida com isso, eu acho.

  30. Amanda Gomez
    11 de novembro de 2020

    Resumo📝 História de um homem que vivia uma vida simples no interior e sonhava em alçar vôos, correr atrás do seus sonhos. Incentivado pelo ” patrão” decide fugir de casa. Vai pra São Paulo e é engolido pela cidade. Acaba virando morador de rua e enlouquecendo. Uma dia volta pra casa, mas ela está diferente. Tudo mudou. Ele já está velho, mas não se dá conta disso.

    Olá,

    Gostei 😃👍Seu conto tem uma imagem muito símbolica. Se fosse transformar o texto em um quadro seria bem expressivo. Um invisível que antes fora um sonhador querendo voltar pra casa guiado pelo sol. Realidade de tantas pessoas. Todos nós já nos separamos com “Augustinhos” na vida.

    Achei interessante o percurso que vc criou, ele sendo guiado pelo sol, pelas lembranças e pelo assombro da loucura. Caminho árduo esse de volta pra casa. Achei que as imagens da loucura ao estilo fantástico da coisa causou uma certa estranheza, mas nada que atrapalhasse a imersão. O final, na verdade o que antecede a frase final é revelador. O leitor entende que não foram dois anos, foi toda uma vida. Ele não se reconhece… como poderia, né? Só se vive realmente que tem memórias. Tive a impressão que a passagem de capítulos é a dos anos, mas não fica explícito, propositalmente, acredito. A escrita é boa e o tom poético conduz bem a narrativa.

    Não gostei 😐👎Achei que por ser em primeira pessoa e por retratar devaneios o conto acabou se tornando um tanto claustrofóbico, lento… Quando chegou o clímax o leitor já estava um pouco saturado. O efeito surpresa se perde.

    Destaque 📌 Do outro lado, um velho me olha. Seus olhos são azuis. É quase careca, mas tem barba farta e grisalha. As rugas desenham verdadeiros labirintos no seu rosto. Simpatizo com ele. Por muito tempo, nas ruas da capital, tentei sorrir para estranhos. Nunca tive retribuição. Mas, ali, mesmo no fim do mundo, aquela pessoa conseguia me devolver o sorriso.

    O conto em um emoji : 😔

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Oh, querida, Amanda, não é? Agradeço que tenha acompanhado minha história. Não há louvor nela, eu sei, por isso mesmo minha gratidão é ainda maior.
      Acho que está certa: minha narrativa é lenta. Mas é assim por necessidade, entende? Ela nasceu para ser assim. É como escolhi contar minha vida. Não sei se caberiam outras palavras, outras formas, outros tempos… Não sei mesmo.
      Você entendeu bem minha história, vale ressaltar. Sua leitura atenciosa é admirável.

  31. Bianca Cidreira Cammarota
    11 de novembro de 2020

    Andarilho busca o retorno ao lar, tendo, ao longo de sua trajetória, reflexões sobre sua vida.

    A prosa poética é um dos estilos que mais aprecio. É belo o jogo das palavras a dar uma dimensão bem maior que elas, em seu sentido literal, podem fornecer. Gosto, também, de textos longos, onde há espaço para que se deitem detalhes para construção da personagem, do enredo e do ambiente. As aparentes contradições no relato de Augustinho com a realidade são esclarecidas em pequenos e importantes detalhes, lembrando que o protagonista possui distorção cognitiva.

    O texto é muito bonito, Andante. Porém – por vezes há “poréns” – , na minha opinião, houve uma dosagem um pouco maior justamente nos itens que acima citei; itens que aprecio mas que, se ultrapassam um pouco da medida, passam uma sensação de peso e de exagero. A linguagem escrita correta em termos gramaticais nos diálogos sugere um artificialismo, afastando um pouco o leitor do protagonista. Também há a questão de incompatibilidade do nível da linguagem do protagonista, que é o narrador em primeira pessoa: sua história mostra ser uma pessoa simples e sem estudos e seu discurso é bem elaborado em sua estrutura. Talvez, se o narrador fosse externo, a prosa poética ficaria melhor exposta.

    O final, desculpe-me, não foi adequado, essa quebra de parede.

    Elenquei as observações acima não como crítica depreciativa e sim justamente porque vi beleza no seu texto, o cuidado de relatar uma vida triste de uma forma tocante, com lente sensível diante de um mundo tão duro, e gostaria de vê-lo mais lapidado, com mão mais leve nos quesitos já ditos antes.

    Por vezes, quem escreve fica estarrecido com as observações dos que leem. Ou magoado. Espero que não fique assim.

    Bom, essa é minha visão sobre seu texto. O conto é bonito e sensível, escrito por alguém que tem a pena e conhecimento linguístico.

    • O Andante
      11 de novembro de 2020

      Não se preocupe, Bianca, não fico magoado. Tive que aprender a separar o joio do trigo desde cedo, sabe? Então sei quais palavras me servem e quais não me servem.

      Por que não me enxerga como sou? Pois, assim, minha proposta não foi ser coerente. Então, por que exige coerência? Por que coloca seus anseios acima dos meus? Por que não aceita como sou? O que escrevi é parte de minh’alma. Sou eu. Por que tenta apagar o que sou para tentar me fazer parecido com o que você é?

      Talvez você seja parecida com aquele homem que dizia ser meu pai. Apenas talvez.

      Minhas mãos são pesadas mesmo, Bianca. Mas não me desculpo por ser quem sou. Quando vou numa feira, mesmo sem frutas, sei o cantinho que quero descansar.

      Tenho que certeza que aproveitaria muito mais minha história se aceitasse quem sou.

  32. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Após uma frustrante temporada em São Paulo para tentar “fazer a vida”, Agostinho retorna a cidade de sua infância e se depara com uma realidade totalmente transformada: prédios, indústrias, carros e caos urbano. Obcecado por retornar à casa da mãe, acompanhamos o definhamento do protagonista, seu envelhecimento e, consequentemente, o desenvolvimento de sua loucura.

    Comentário:

    Caro Andante, seu conto tem muitos méritos no que diz respeito à empatia para com o protagonista. Agostinho se mostra um dos que, entre vários, tentaram a vida na cidade grande frente às dificuldades de uma cidade pequena e interiorana, mas que, infelizmente, não foram bem sucedidos. Com a derrota, ou a falha, resta a tentativa de retornar ao lugar comum, ao conforto do lar, ao colo materno, porém, no ritmo imparável do tempo, do progresso, essa imagem cristalizada do conforto não existe mais. É um retorno já fracassado, pois a roda da história é constante. A loucura está presente na própria obsessão pelo retorno do personagem, nesse apego ao passado, e se materializa numa série de alucinações, ora sensíveis, como a conversa com o cachorro caramelo (quem nunca viu um morador de rua ou carroceiro na companhia fiel de um cãozinho?), ora tenebrosas, quando o protagonista atravessa o muro e se embrenha numa zona cinza e ancestral, enfrentando o fantasma do pai violento.

    A conclusão, embora previsível, foi bem executada e combinou com a trajetória percorrida por Agostinho: na casa da sua infância, ele se depara com a própria decrepitude e velhice, descansando finalmente com a esperança, ainda que incerta, do sonho.

    Gostei também que você inseriu uma série de elementos que percorrem o todo do conto, lhe dando unidade e coerência: o Sol como astro rei, a lembrança da mãe, a violência paterna, nada disso aparece de forma gratuita ou apartada da história. Há alguns erros de digitação, creio, porém nada que me tirou do texto. Outra coisa, que não é necessariamente um problema, mas tem gerado discussões em outros contos, é o uso do pronome da construção das frases. Apesar de correto, descrições como “levar-me-ia” não me convencem como pertencentes a alguém que viveu numa realidade dura, roceira, e que virou morador de rua. Em textos narrados em primeira pessoa, é muito importante trazer veracidade para o personagem, e só nesse ponto eu me afastei de Agostinho. Repito, é uma questão minha e o uso está correto.

    No geral, é um bom conto!

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • O Andante
      11 de novembro de 2020

      Que comentário grande, Thiago. Agradeço de coração pelo investimento. Minha história não merece isso.

  33. Leda Spenassatto
    7 de novembro de 2020

    A solidão sentada na calçada de uma metrópole.

    Uma situação nostálgica que se afunila com o decorrer dos anos.
    Gostei muito, só acho que se você tivesse terminado o conto aqui, ficaria mais instigante.
    “Mas, ali, mesmo no fim do mundo, aquela pessoa conseguia me devolver o sorriso. ”
    Mas enfim, valeu muito a leitura e eu agradeço por ela.

    Muita sorte no certame.

    • O Andante
      11 de novembro de 2020

      Leda, lembro de uma menina da vizinhança que tinha seu nome, tão dedicada e carinhosa.

      O final ficaria mais poético, né? Mas minha alma provocadora não permitiu finalizar nela.

  34. Angelo Rodrigues
    7 de novembro de 2020

    Resumo:
    Homem afasta-se do lar para conhecer nova vida. Vai para São Paulo (o que já não é boa ideia), não conhece o acolhimento. Tem uns piripaques existenciais e decide-se por voltar para casa. Ao retornar, mais coisas estranhas acontecem.

    Comentários:
    Achei o conto um pouco estranho.

    Não é uma linha que se deve seguir, mas um novelo em que se busca a ponta do fio.

    De certa forma, imaginei o conto algo como a Parábola do Filho Pródigo – sem a riqueza inicial. Que experimenta a vida longe de casa e retorna arrependido de haver se afastado.

    Como disse, como um novelo, o conto se espalha e toca uma infinidade de pontos, embora esses pontos, interessantes até, não ajudem na composição estreita dos objetivos da narrativa. Uma realidade seguida de um delírio e um retorno à realidade? Não soube dizer.

    Notei um espalhamento de circunstâncias, fatos, ocorrências, que, embora bonitas e sensíveis por parte do autor, desmancham-se em capítulos sem uma coerente amarração textual objetiva.

    Salvo eu esteja cometendo um enorme equivoco, percebi que o nosso protagonista mergulhou fundo na autocomiseração, o que termina não criando muita liga com o leitor – que quer ver o sofrimento ou a salvação do nosso herói.

    Um sofrimento atrás do outro sem uma explicação, sem uma sensível justificativa. O homem sofre imerso em um bucolismo, onde o passado – um lugar perfeito, dado que sempre podemos reinventá-lo segundo o nosso juízo – se mostra acolhedor, o presente dramático e o futuro desanimador.

    Acho que a ideia do conto tem muitos valores, mas, se posso ousar algo mais, diria que precisa ser bastante trabalhado, vender-se com um pouco mais de facilidade ao leitor.

    Boa sorte no desafio.

    • O Andante
      7 de novembro de 2020

      Temos nomes parecidos, Angelo, ambos começam com A e terminam com O.

      Não tenha pena de mim. Tudo que encontrei no meu caminho foi consequência de minhas ações. Tenha pena da mãezinha.

      Sei que deve estar cansado, também estou depois de uma longa caminhada, então entendo o pedido por facilidade. Pena que o mundão muitas vezes não atende esses pedidos.

      Espero que encontre sua felicidade.

  35. Anderson Do Prado Silva
    7 de novembro de 2020

    Resumo:

    Homem caminha pelas ruas rumo ao lar materno.

    Comentário:

    No geral, gostei do texto e do enredo. A prosa, muito poética, encantou. Alguns excertos, pelo que têm de poético, delicado e elevado, fascinaram:

    – “Talvez isso explique porque aquele velho falava demais: ele sabia muito pouco.”

    – “Fui embora. Tentei abraçar o mundo. Mordi mais do que podia mastigar. Engasguei-me com a realidade. Agora estou aqui, procurando minha casa, quero ver minha mãezinha, mas tudo mudou.”

    – “É pouco e está duro, mas é tudo que tenho.”

    O seguinte trecho, além de ótima poesia, também possui excelente sonoridade:

    – “Meus pés estão machucados. Meu corpo está dolorido. Minha mente está cansada. E minha alma está ferida.”

    Notei que o autor vai além da prosa poética, empregando também imagens poéticas:

    – “Uma folha enfrenta o ar, indo e vindo, devagar, até cair na minha mão.”

    – “A dor que causei está aqui, acumulada no piso arruinado, onde ela se prostrou todas as noites para chorar minha ausência. Perdão, mãezinha.”

    – “Aquele homem, que dizia ser meu pai, marcou as paredes com seus punhos. Hoje, medindo de igual pra igual, minhas mãos cabem nessas cicatrizes.”

    – “Homem de mão delicada não é homem, dizia um pouco antes de mostrar como eu deveria ser com tapas e pontapés. Por que não aceitava quem eu era? Nunca saberei.”

    A divisão em capítulos deu fluidez ao texto. O capítulo três, do diálogo com o cachorro, deslumbrou. Porém, com um enredo centrado em um único personagem, e contando com poucos acontecimentos de monta, poucas interações e diálogos, o texto acabou, na minha opinião, se estendendo um pouco demais.

    No primeiro parágrafo, “minh’alma” soou arcaísmo ou vício trazido da poesia. Ao mesmo tempo, essa forma de escrever (“minh’alma”) se opõe ao despojamento de “bulhufas”, também presente no primeiro parágrafo. Narrado em primeira pessoa e contando, na maior parte do tempo, com um único personagem, achei o emprego de pronomes de primeira pessoa um pouco abusivo (“minha”, “meu”, “mim”, “comigo”, “me”, “eu”). Também me soou abusivo o emprego do vocativo “amigo”. Em alguns momentos, há reiterações de ideias: “Não consigo identificar seus rostos.” e “São todos iguais para mim.”; “Não lembro do rosto dele.” e “Acho que apaguei da minha mente.”. “Massa coletiva” beira e redundância. “Longos minutos” beira a contradição. “Dentro da MINHA mente” beira a redundância quando o narrador fala de si na primeira pessoa. “Levar-me-ia” parece correto, mas soa um certo arcaísmo (na contemporaneidade, penso, não há mal tão grande no “me levaria”). “Sorri com os olhos” é um lugar comum literário. “Desprovidos de qualquer humanidade” para descrever moradores de favelas pode acabar sendo interpretado de maneira equivocada e você, autor, ser tachado de preconceituoso (entendi o que você quis significar – crítica à subtração de direitos, de dignidade, que essa gente sofre -, mas recomendo cautela). Soou-me pouco crível que alguém tão pobre se dedicasse a “acampar” (essa atividade costuma ser mais comum entre os mais remediados).

    O sexto capítulo me desconcertou, pois o realismo descambou de vez para o mágico (com a aparição do monstro, ainda que metafórico). No entanto, o tema do desafio (loucura) permite e, até, exige tais devaneios. Nesse capítulo, notei um certo viés ideologizado, em que pai e filho divergem sobre o mundo ser cruel ou não, sobre a necessidade de uma educação ser rigorosa ou não. Bem, o protagonista e, portanto, o texto, parecem defender a tese de que não existe lição maior do que o “amor”. Nas artes e nas religiões, há milhares, milhões, bilhões talvez, que defendem essa ideia. Bem, neste ponto, não divirjo propriamente, mas não me furto de lembrar Rocky Balboa (filme):

    “O mundo não é um mar de rosas; é um lugar sujo, um lugar cruel, que não quer saber o quanto você é durão. Vai botar você de joelhos e você vai ficar de joelhos para sempre se você deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão forte como a vida, mas não se trata de bater forte. Se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que se consegue vencer. Agora se você sabe do teu valor, então vá atrás do que você merece, mas tem que estar preparado para apanhar. E nada de apontar dedos, dizer que você não consegue por causa dele ou dela, ou de quem quer que seja. Só covardes fazem isso e você não é covarde, você é melhor que isso.”

    O texto caminhava com extrema delicadeza, muita poesia, mas o último parágrafo, no trecho em caixa alta, me soou acintoso, sobretudo no contexto do desafio (pois, em que outro contexto o conto seria lido “por obrigação”?):

    “Quem me acompanhou até aqui, seja por cumplicidade, seja por obrigação, não importa; já sabe que, nesse epílogo, vou deitar. Se irei sonhar ou não, não sei. Mas sinto que, de certa forma, irei sonhar.”

    Fiquei um pouco decepcionado com esse “seja por obrigação”, pois me pareceu destoante da delicadeza e poesia que o texto vinha cultivando. Ainda assim, consegui encontrar alguma beleza no “Mas sinto que, de certa forma, irei sonhar.” Eu optaria por fazer menção ao crepúsculo e ao ato de ir deitar e sonhar, mas excluiria o desafio, acinte, desabafo ou seja lá qual interpretação correta do “seja por obrigação”.

    Autor, gostei muito da sua prosa poética, da sua escolha de tema (um ser humano comum em uma vida cotidiana) e, portanto, adoraria ler muitos e muitos outros textos seus! Gostei do conto, que possui infinitos méritos, mas os comentários acima se prestam tanto a ajudar você quanto a justificar a nota que atribuirei.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

    • O Andante
      7 de novembro de 2020

      Sabe quem você me lembra, Anderson? O Mané da Praça. Ele é um tanto taxativo e preconceituoso com algumas coisas, mas é prestativo e bem intencionado.

      E você me dá muito valor: não sou confiável. Sou um louco, sabe? Tenta relaxar, amigo, a vida nunca será tão coerente quanto gostaríamos que fosse.

      E sobre o final, tenho apenas uma coisa a falar: do que seria a arte sem a provocação?

      Um grato abraço. Aproveite o pouco do astro-rei, ele ainda vai alto no céu. Eu acho.

  36. Lara
    7 de novembro de 2020

    Resumo : Um jovem inocente do interior parte para São Paulo com a esperança de virar um grande homem e vencer na vida. Mas o jovem acaba sofrendo muito em São Paulo e volta para sua cidade natal que parece muito mudada. Conversa com um cão sobre a solidão de ambos e no final acaba por achar sua casa.
    Comentário : Me pareceu que ele nunca voltou para a cidade natal. Que o conto se baseia nos delírios de um morador de rua. Gostei muito no conto mas me pareceu triste.

    • O Andante
      7 de novembro de 2020

      Bom dia, Lara. Ou seria boa tarde? O astro-rei ainda segue no céu.

      Como assim não voltei pra minha cidade? Isso me deixa um pouco confuso.

      E não fique triste, não. A vida é assim. Agradeço que tenha escolhido acompanhar minha história!

      • Lara
        8 de novembro de 2020

        Me pareceu surreal a cidade ter mudado tanto em apenas 3 anos ….
        Foi um prazer acompanhar sua história.

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Informação

Publicado às 7 de novembro de 2020 por em Loucura e marcado .