EntreContos

Detox Literário.

Lar (O Andante)

I

A linguagem é labirinto.

Não sei quem falou isso, acho que foi um padre. Sei apenas que foi um homem muito mais inteligente que eu. Na época, sentado na beirada da calçada e no meio de uma metrópole desconhecida, não entendi bulhufas dessa expressão. Ainda não entendo, mas acho que é parecido com o que vivo agora: caminho por ruas e ruas infinitas, algumas iguais, outras bem diferentes, mas nunca encontro aquilo que minh’alma anseia.. 

Meu lar.

Saí de casa muito cedo, com quinze anos, de peito aberto, pronto para abraçar aquele mundão das oportunidades. Tinha um plano perfeito desenhado na mente. Esperaria uma manhã de sol — pois, como minha saudosa bisavó dizia, morta antes mesmo do meu nascimento, mas presente através da boca da mãezinha, o astro-rei é o melhor dos guias —, pegaria o dinheirinho que havia juntado trabalhando para o Mané da Praça e pularia no primeiro ônibus para a capital. Interior é terra sem sonhos, Augustinho, tem que meter o pé, arriscar, abraçar São Paulo e construir sua fama; insistia Mané enquanto cuspia para o lado e mantinha a pá em riste, apontando para o leste. Demorei um pouco para acreditar, mas acreditei. Descobri, mais tarde, que a capital ficava ao oeste do vilarejo. Talvez isso explique porque aquele velho falava demais: ele sabia muito pouco.

Desisti de São Paulo. Abandonei meus sonhos. Não conquistei fama, apenas fome e frustração. 

Então, depois de muita hesitação — orgulho ferido, talvez, e muita vergonha, com certeza —, voltei pra minha vilazinha. Mas ela estava completamente diferente. Aquelas casinhas sem reboco, o Mercadinho do Luizão, a Praça da Mangueira, a avenida principal onde a garotada se reunia pra empinar pipa; tudo aquilo que eu conhecia tão bem, que emoldurou minha infância, sumiu por completo. No lugar, prédios e mais prédios, ruas e mais ruas, becos e mais becos. 

Lembro-me como ontem: desci do ônibus, que não esperou um segundo e acelerou levantando uma nuvem de poeira e fuligem, e deparei-me com aquele ambiente monocromático. Boquiaberto, adentrei a nova cidade, sem entender o que tinha acontecido. 

Tinha ficado apenas dois anos longe do meu lar.

II

Ah, a alvorada do dia.

Sento-me devagar, esfrego meus olhos, ainda pesados, e contemplo as primeiras horas da manhã. Gosto dos estandes das feiras que nunca acontecem. É fácil buscar aconchego nesses lugares, basta escolher um cantinho, preparar minha cama e deitar. Ninguém me atrapalha. E eu não atrapalho ninguém.

Os arranha-céus não intimidam mais. Acostumei-me com eles. Na realidade, tornei-me parte da penumbra, das nuvens carregadas de poluição, dos milhares de olhos de vidro que observam tudo e todos. Mas, estranhamente, hoje, minha visão está demorando para se acostumar. Está tudo estranhamente claro…

Olho para cima, para o topo dos prédios, e não vejo minhas velhas conhecidas. O céu está azul. E, deslizando com glamour, o sol manda um beijinho acompanhado duma piscadela. Sinto meu coração acelerar e começo a tremer. Levanto, com as mãos estendidas ao alto, agradecendo nosso astro-rei da única forma de posso: com minha adoração.

Como minha saudosa bisavó dizia, o sol é o melhor dos guias. Estou perdido há tanto tempo… Sinto que, hoje, finalmente encontrarei meu lar.

III

Estou no centro da cidade. Pessoas e mais pessoas andam pelas calçadas, todas encurvadas, vestindo ternos e roupas sociais. Não consigo identificar seus rostos. São todos iguais para mim. Sempre evito essa multidão. É uma massa coletiva que engole tudo que se aproxima dela, absorvendo e transformando naquilo que ela é. Faço meu caminho pelas beiradas.

— Ei, amigo, espere um pouco aqui comigo. Está na hora do almoço, logo tudo se acalma.

Espio meus arredores, mas não encontro ninguém. Oras…

— Aqui, amigo, no fundo do beco.

Perto de uma porta acinzentada e toda acorrentada, na ruela mais próxima, um vira-lata caramelo abana seu rabo. Parece estar sorrindo pra mim.

— Tô ficando doido? Desde quando cachorro fala? —  pergunto enquanto me aproximo.

— Não seja assim, amigo — choraminga ele. — Sente-se aqui, bem perto, e faça um favor: cafuné.

Obedeço. Quem resiste?

— Sabe, amigo, somos parecidos, não acha? — comenta o cão.

— Somos?

— Sim, sim. Estamos sozinhos, mas ansiamos por contato. Intimidade, entende?

Penso um pouco.

— Eu já tive isso, amigo. Era uma menina linda, o cabelo era igual ao de um golden retriever, duma beleza sem igual. Era todo babão, tinha o orgulho do tamanho do mundo quando andava junto dela nas praças.

— E o que aconteceu? — minha pergunta é ingênua e verdadeira.

Ele chora baixinho, deitando a cabeça na minha perna.

— Ela cresceu. E eu fiquei muito velho.

— Que triste…

— É a vida, eu acho.

Continuo a fazer carinho nele, deslizando meus dedos, em zigue-zague, por seu corpo sujo e cansado.

— Eu também conheço um pouco desse sentimento — confesso.

— É mesmo? Quem era, amigo?

— Minha mãe. Doce, tão doce. Eu era muito próximo dela, quando molequinho, vivia grudado na barra da saia, todo tímido. Só melhorei na adolescência, quando comecei a procurar namorada, jogar futebol e trabalhar para o Mané da Praça, mas nossa relação não mudou. Continuamos íntimos.

— Que bonito, amigo.

— Sim, era muito bom…

— E o que aconteceu? — ele joga a mesma pergunta que fiz há pouco.

— Fui embora. Tentei abraçar o mundo. Mordi mais do que podia mastigar. Engasguei-me com a realidade. Agora estou aqui, procurando minha casa, quero ver minha mãezinha, mas tudo mudou.

— Tenho certeza que vai achá-la, amigo.

Respiro fundo. Também espero, não, eu sinto que vou, penso cheio de esperança.

— Olhe, amigo, a rua está mais calma — aponta o vira-lata.

— É verdade.

Levanto-me, dando tapinhas na roupa para tirar a poeira, e entrego um pedaço de pão para meu novo amigo.

— É pouco e está duro, mas é tudo que tenho.

— Eu agradeço de coração, amigo — diz enquanto abana o rabo e, com o pão entre as patas cruzadas, sorri com os olhos.

Abraço as ruas, agora desertas, e, com o sol ainda desfilando no céu, corro atrás do meu lar.

IV

Quanto tempo estou caminhando?

Não sei…

Muito tempo, eu acho. Meus pés estão machucados. Meu corpo está dolorido. Minha mente está cansada. E minha alma está ferida.

Essas ruas… Elas são infindáveis. Mesmo agora, com o astro-rei me guiando, sinto-me parte da cidade. Mas preciso continuar firme, se não o fizer, sucumbirei sem ver minha mãezinha. Quero vê-la, sim, pedir perdão por tudo que fiz. Quem sabe, não sei, conversar com aquele monstro, de homem pra homem, sem medo, sem hesitação.

Estou diante de um cruzamento. 

Os carros parecem voar pelo asfalto, tão rápidos e imponentes. No meio da cruz, um velho maltrapilho e imundo está de pé, intocado pelos veículos. O peso de seu olhar me afeta. Há tanta história naquelas íris azuladas. Vejo-me um pouco nele, admito. E, então, ele me encara por longos segundos. Dentro da minha mente, escuto uma voz ecoante: nada disso é verdade. Mas, ao mesmo tempo, abraçando a contradição digna do ser humano, ela me fala que tudo que vejo e sinto é real.

Sou fraco. Esses pensamentos me confundem. De cabeça baixa, retrocedo e sigo pela calçada. Avançar aquele cruzamento é perigoso demais. E, talvez, apenas talvez, levar-me-ia para longe do meu lar.

V

Não acredito nisso…

Encontrei a Praça da Mangueira! Sim, encontrei! Cercada por arranha-céus espelhados, mas intocada pelo tempo. Está tudo igual. O jardim central com a mangueira-símbolo da vila, o campinho de futebol improvisado, os bancos de granito espalhados ao redor do ambiente oval e as mesinhas onde os velhinhos costumavam fofocar e jogar xadrez.

Não acredito nisso… Estou perto de casa! 

Lembro-me quando marquei o gol decisivo na final do campeonato dos bairros e ganhei um beijo da Paula Marreta, fiquei todo aprumado por semanas. Era tão bobo, a menina nem era bonita! Mas, mesmo assim, na época, foi uma grande conquista pra mim.

Sento-me no chão, bem na frente da mangueira. Tão bela… Adorava a época dos frutos. Não, não comia manga adoidado. Amo pessoas doces, mas detesto comida doce. O que a garotada fazia, ah, sim, era guerra de frutas! Todo mundo voltava pra casa com as roupas alaranjadas e vários machucados pelo corpo.

Tudo era tão bom… Eu tinha tantos sonhos. Eu trabalhei muito tempo com o Mané da Praça. Ele era funcionário público da vila. Cuidava das ruas. Era um faz-tudo. Velho safado. Contou histórias maravilhosas de São Paulo. Alimentou minhas ilusões. Eu ficava maravilhado. Basta ter vontade, Augustinho, não tenha medo, se você chegar lá e mostrar que deseja trabalhar de verdade, rapaz, você vai longe; falava todo pomposo. Larguei tudo que tinha, abracei a incerteza e deixei meus sonhos morrerem naquelas ruas frias e desalmadas. 

Hoje, sentado e com a cabeça quase enfiada na terra, diante do maior símbolo da minha infância, tento entender o que fiz de errado. Eu não sei, sinceramente.

Uma folha enfrenta o ar, indo e vindo, devagar, até cair na minha mão. Que estranho… Ela está transparente e, no seu interior, vejo uma luz azulada. Está pulsando, tentando se comunicar comigo. Olho pra cima. A árvore inteira está assim: tronco, folhagem e frutos. Ela ilumina todos, a praça inteira, e de forma tão calorosa que me emociono.

Não posso ficar triste. Não, não mesmo. Tenho que continuar. Estou perto do meu lar.

VI

Cada passo, cada respiração, cada suor; sinto que todo meu esforço será recompensado. Estou chegando em casa. 

As ruas estão ficando cada vez mais desertas. Aos poucos, os prédios são substituídos por casebres e construções precárias. Algumas plantas tentam crescer, insistentes, colorindo o ambiente. Entretanto, é um alívio que dura pouco, pois, um pouco adiante, enxergo um muro de proporções colossais. O sol, meu amado guia, some por detrás da barreira e uma escuridão, sem precedentes, inunda a cidade. Desespero. Ouço gritos, pessoas se jogam das janelas, lamentos e dor, muita dor. Corro, simplesmente corro. Não olho pra trás. Não sei o que posso encontrar adiante, mas não tenho qualquer alternativa: entro numa fenda da muralha.

Continuo correndo por becos e mais becos iluminados por tochas rudimentares. É uma espécie de favela, com seres magros, doentes e desprovidos de qualquer humanidade. Mesmo cansado, com pouco fôlego, preciso continuar. Sinto uma presença opressora desde que entrei nesse muro colossal.

Tem um monstro à espreita. Sei disso.

Quando sinto mais segurança, decido descansar num canto, perto de uma espécie de cantina. A fila de pessoas é enorme. É comida? Não sei… O cheiro de podridão me deixa enjoado. Afundo meu rosto nas pernas, com vontade de chorar. O crepitar das chamas é a única coisa que me acalma. Acho que é porque tem relação com a única lembrança boa que tenho daquele homem…

Quando tinha nove anos, fomos acampar perto dum riacho. Passei a tarde pescando e dando risada, brincando na água. De noite, montamos a barraca numa clareira e conversamos até a rainha da noite desaparecer do céu. Lembro que adormeci no colo daquele homem, escutando as batidas do seu coração. Parece que faz tanto tempo… Não lembro do rosto dele. Acho que apaguei da minha mente. Se não pensamos em determinadas coisas, de certa forma, não sofremos por causa delas.

Gritaria. 

Um ser gigantesco, de forma indefinida — uma massa escura, meio gosmenta e quase humanóide —, aparece na ruela. Quando me levanto, afoito e sem prestar atenção ao redor, sou empurrado e acabo caindo no chão. Uma dor muito forte irradia pelo meu corpo. Não consigo levantar. Sinto tudo tremer com os passos do monstro. Não quero vê-lo. Abraço minhas pernas. Fecho meus olhos. Tenho medo, muito medo. Quero chorar.

— Você é ridículo — sua voz é gutural. — É uma vergonha. 

Não quero escutar isso! Não, novamente não.

— Não presta, não mesmo, conheço seu tipo. Não faz nada certo, esconde-se na saia da mamãe, inapto, completamente inapto para a vida — finaliza com uma gargalhada.

Faça algo, por favor, faça algo; suplico para mim.

— Isso é mentira! — meu grito sai meio engasgado.

A criatura fica quieta, incrédula.

— Você está maluco? — rosna ele.

Num salto, ignorando toda minha dor e sem pensar nas consequências, coloco-me de pé.

— Cala a boca! — vocifero com toda minha raiva.

Sinto-me uma cachoeira nas noites de tempestades. O mundo fica turvo. É como se estivesse observando tudo de fora: vejo-me agarrando um pedaço de madeira e batendo no monstro. Que tolice, que vergonha… Não sou eu. Não mesmo. Seu corpo parece uma gelatina. E acerto algo em seu interior. Num instante, toda aquela grandeza, aquela brabeza, desfaz-se em líquido e banha meus pés sofridos. Uma criatura minúscula, do formato duma bola de futebol, está no chão.

— Tenha pena de mim, senhor — suplica ele, revelando uma voz fina e chorona.

Não respondo.

— Não faço essas coisas por mal. Eu preciso fazê-las. Eu tenho um filho, senhor. Quando ele nasceu, nasceu pequenininho. Era tão frágil… Eu queria protegê-lo. Mas ele cresceu, cresceu, cresceu… Não parou. Ficou muito maior que eu. Como poderia oferecer segurança sendo pequeno?

Ele espera um pouco antes de continuar. Parece hesitante.

— Eu admito, senhor. Minha esposa riu de mim. Todos riram de mim. Então eu cresci também. Mostrei quem manda. Fora e dentro de casa. Tornei-me o exemplo que meu filho deveria seguir. Ele ainda não entende, mas um dia vai entender. Um pai quer apenas o melhor para seu filho. Todas as expectativas, todas as cobranças, toda a dor causada; isso tudo é para crescimento dele. O mundo é cruel, senhor. É função do pai ensinar isso.

— Isso é mentira…

— Não, senhor, não é.

— Sim, é mentira, sim. Não existe lição maior que o amor.

— Isso é bonito, senhor, mas ilusório — percebo sua pequenez de forma mais clara.

Respiro fundo. Ele é parecido com aquele homem… Desprezível.

— Eu tenho pena de você — atendo sua solicitação inicial. 

Sem pestanejar, chuto a criatura com toda minha força, e, sem olhar pra trás, corro para longe daquilo tudo. Vejo uma luz no final do beco. Finalmente…

VII

Além da trilha de terra batida, está uma casinha simples e sem reboco, isolada do mundo. O astro-rei brilha acima dela. O lugar mais bonito que existe nesse universo: meu lar. 

Abandono tudo que tenho e arrasto-me colina acima. Estou cansado, muito cansado. Mal encosto na porta e ela cai, causando um estrondo que ecoa por toda a residência. Cadê minha mãezinha? Cadê aquele homem? Está tudo vazio. Viajei de tão longe… Não encontro nada, apenas poeira e solidão.

A mesinha, onde costumávamos nos reunir para tomar café, está aos pedaços. As cadeiras, mesmo vazias, projetam sombras nas paredes. Vejo aquela mulher, tão carinhosa, esperando por mim, dia após dia. Uma vez, enchendo-me de beijos e abraços, revelou que fui um presente de Deus. Era valioso. Quando fui embora, de manhã, não me despedi. Era mais fácil assim. A dor que causei está aqui, acumulada no piso arruinado, onde ela se prostrou todas as noites para chorar minha ausência. Perdão, mãezinha.

Aquele homem, que dizia ser meu pai, marcou as paredes com seus punhos. Hoje, medindo de igual pra igual, minhas mãos cabem nessas cicatrizes. Vejo sua sombra de pé, perto da porta de entrada, esperando-me. Fico triste. Sinto amor e ódio por ele. Aquele dia na flor da infância, que pescamos e acampamos, deveria representar nossa relação. Não nasci pra cuidar da lavoura. Poderia, mas não queria. Homem de mão delicada não é homem, dizia um pouco antes de mostrar como eu deveria ser com tapas e pontapés. Por que não aceitava quem eu era? Nunca saberei.

Cheguei tarde demais…

Nos fundos da casa, no quartinho que cresci, tem um espelho rachado. Do outro lado, um velho me olha. Seus olhos são azuis. É quase careca, mas tem barba farta e grisalha. As rugas desenham verdadeiros labirintos no seu rosto. Simpatizo com ele. Por muito tempo, nas ruas da capital, tentei sorrir para estranhos. Nunca tive retribuição. Mas, ali, mesmo no fim do mundo, aquela pessoa conseguia me devolver o sorriso. 

Ah, sim… Quase me esqueci: estou cansado, muito cansado.

O crepúsculo reina janela afora. Quem me acompanhou até aqui, seja por cumplicidade, seja por obrigação, não importa; já sabe que, nesse epílogo, vou deitar. Se irei sonhar ou não, não sei. Mas sinto que, de certa forma, irei sonhar.

34 comentários em “Lar (O Andante)

  1. angst447
    28 de novembro de 2020

    RESUMO
    Homem foge de casa ainda adolescente e abandona sua cidade no interior. Vai em busca de melhores oportunidades em São Paulo, mas só encontra pobreza e fome. Vira morador de rua e tenta retornar ao seu lar de infância. Não reconhece o lugar onde morou, nem a si mesmo no espelho, já um idoso. A vida dura que levou o tornou alienado de si mesmo.
    AVALIAÇÃO
    Uma verdadeira saga narrada em um conto muito bem escrito. A solidão e a perda dos sonhos são descritos de forma tal que trazem angústia. Parece sempre que o narrador vai encontrar um pouco de si mesmo pelo caminho, mas tudo que resta são as ruínas das lembranças e dele próprio.
    O conto é longo e dividido em VII partes como pequenos capítulos, que abordam as fases da vida do homem, tendo como guia o sol.
    O céu um dia lhe piscou e jogou um beijinho. Não sei por que, mas achei essa passagem meio infantilizada.
    O final foi bem desenvolvido, com a tão esperada reciprocidade do sorriso. Achei bem poético isso. Bom desfecho.
    Boa sorte e descanse um pouco. Deve estar muito cansado depois de tanto andar por aí.

  2. Leandro Rodrigues dos Santos
    28 de novembro de 2020

    Um andarilho em sua jornada pelas ruas, no resgate esperançoso de encontrar sua mãe;
    Não imergi na história, assim me abstenho de um comentário mais profundo, portanto ressalvo algumas considerações técnicas, se do agrado considere, se não, nem ligue. Faltou o uso do pronome no infinitivo e teve confusão do uso dele no indicativo. E certa repetição do ‘mas’, do mais, nada a acrescentar.

  3. Paula Giannini
    27 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo – Jornada de volta ao lar, após anos de solidão e abandono.
    Minhas Impressões:
    Confesso que, ao resolver participar do desafio, quase escolhi esta premissa: a rua enlouquece.
    Convivi de perto com moradores de rua e pude ver o quão juntas andam loucura e invisibilidade social. Na rua, perde-se noção de tempo, a de realidade e até a da própria identidade, em um vai e vem que alterna momentos de lucidez e devaneios.
    Interessante notar que conto trás tais faces da loucura em momentos chave da narrativa, mergulhando, ora em uma insanidade mais sutil, ora em momentos de total delírio. O ponto alto desta ótima narrativa, para mim, é o desfecho, quando ao se ver no espelho, o personagem não se reconhece. Este parágrafo é, repito, para mim, o momento em que o(a) escritor(a) “entrega” o código para leitura de seu belo trabalho. O homem velho, e não alguém apenas há dois anos longe de casa, castigado pelos anos de solidão e invisibilidade, não é capaz de reconhecer a si mesmo no espelho e sorri amigavelmente para alguém que – coisa rara que o surpreende, sorri de volta para ele.
    Parabéns pelo belo conto.
    Como digo a todos, se minhas impressões não condizem com seu texto, apenas desconsidere-as.
    Desejo grande sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  4. Priscila Pereira
    25 de novembro de 2020

    Resumo: Homem que saiu de casa ainda adolescente passa a vida toda tentando voltar para casa.

    Olá, Andante!
    Que conto delicado! A linguagem está perfeita! Que delícia de ler! A história é triste, mas contada com uma leveza, uma delicadeza que deixa a leitura leve. Achei muito filosófico também, a parte do encontro com o cãozinho ficou linda e o encontro com o “pai” foi bem profundo. Um mergulho na mente de um morador de rua perdido no tempo, com o corpo envelhecido contendo uma alma criança, ansiosa de voltar pra mãe, tentando entender e perdoar o pai, vivendo guiado pela luz, mesmo tendo inúmeras razões para se entregar para as trevas. Um conto excelente! O que chama mais a atenção é a beleza da escrita! Parabéns!
    Seu estilo não me é estranho… Tô te sacando, Andante 😁
    Boa sorte!
    Até mais!

  5. antoniosbatista
    25 de novembro de 2020

    Resumo: Augusto saiu de sua cidade no interior para tentar uma vida melhor em São Paulo. Como não consegue a prosperidade sonhada, ele volta para casa. Velho e cansado, vagueia pela cidade, que havia mudado, a procura de sua antiga morada. Ao chegar não encontra os pais, a casa está vazia e em ruínas.

    Comentário/Análise: O argumento não é novo, original, eu mesmo escrevi algo parecido; personagem que saiu da roça vai para a cidade grande, não consegue nada, volta e encontra a antiga casa abandonada. Sozinho, naquele lugar deserto, ele enlouquece. Então, o argumento não é original, no entanto a escrita, a narração, construção das frases é que faz a diferença. Excelentes descrições, conexões frasais e seus sentidos, sugerindo ótimas imagens, cheias de emoções, enfim. Admiro quem consegue escrever em Tempo Presente sem fazer confusão. Ótimo conto, ótima escrita. Boa sorte.

  6. Marco Aurélio Saraiva
    25 de novembro de 2020

    RESUMO: um homem sai de seu lar no interior para tentar a vida na grande São Paulo, mas não consegue e acaba se tornando morador de rua. No final da vida tenta reencontrar seu lar e sua jornada até lá traz de volta memórias dolorosas.
    É um conto muito bonito, cheio de sentimento. O narrador tem muitos arrependimentos e coisas não resolvidas dentro de si. O caminho de volta para seu Lar é senão uma busca por si mesmo no final da vida – uma tentativa de entender o motivo de tanto sofrimento e de suas escolhas ruins. Aprender a superar seu pai; deleitar-se com as memórias confortáveis da mãe. Era disso que precisava, antes do fim. No final do conto, reencontrando seu antigo lar e vendo que seus punhos cabiam agora nas cicatrizes deixadas pelo pai, ele finalmente entende quem era, e confirma ao olhar-se no espelho.
    O texto é bem escrito, as palavras escolhidas passando todo o sentimento de nostalgia e sofrimento que acredito que você gostaria de passar. A loucura aqui é a loucura de um homem idoso, sozinho e abandonado na rua. A loucura de quem vê a morte chegar e não tem com quem compartilhá-la.
    Muito triste – e bonito!

  7. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Andante

    Conto sobre um adolescente que deixa a cidade natal e vai à capital em busca de uma vida melhor. Sem sucesso retorna à sua cidade dois anos depois para enfrentar as dificuldades que deixou em casa. No caminho enfrenta perturbações e conflitos internos tentando buscar alguma paz.

    Texto construído sobre um sólido conhecimento narrativo e lexical, com ritmo bastante lento e denso. O autor conseguiu criar algumas cenas interessantes, com background poético e saudosista, que funcionam para situar o leitor dentro dos conflitos internos do personagem, que sofre com diversos problemas de seu passado, com rancor, medo, desgosto e solidão entre eles.

    Mas, mesmo com toda a técnica do autor (o empenho em criar uma boa história é realmente perceptível), não consegui me conectar totalmente ao texto. Consigo entender o personagem, vejo a tristeza da vida nas ruas, mas é com certa frieza, certo distanciamento. E, em um texto tão denso, não conseguir se conectar ao personagem principal leva à uma leitura difícil, arrastada. Acho que é um problema mais meu do que do texto, entretanto.

    É isso. Boa sorte no desafio.

  8. Elisa Ribeiro
    21 de novembro de 2020

    O desabafo de um sem-teto desorientado pelas ruas enquanto tenta encontrar o caminho de volta para casa.
    A ideia em torno da qual se desenvolve a narrativa pareceu-me ser a expressa na abertura do conto. Um labirinto que se revela tanto na deambulação do homem tentando encontrar o caminho de casa como na narrativa não linear em que se mesclam memórias, devaneios e alucinações.
    O argumento deu bastante liberdade ao autor para escrever sem a preocupação de prender-se a um enredo, o que certamente foi confortável e prazeroso para ele, mas acabou rendendo uma história que, embora proporcione uma leitura agradável, carece de elementos suficientes para um verdadeiro engajamento do leitor.
    Achei a linguagem adequada. Embora a sintaxe e a narrativa soem muito articuladas para o narrador/personagem desorientado que conta a história. O léxico mais simples contribuiu para o efeito de pertinência entre narrativa e personagem.
    O texto me pareceu muito bem revisado.
    O que gostei: do ritmo bem cadenciado do conto que proporcionou uma leitura bastante agradável.
    O que não gostei: difícil explicar. Certa ausência de verdade nesse personagem, eu diria, trazendo como consequência uma dificuldade/ausência de conexão com a narrativa.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  9. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá autor. Infelizmente perdi-me no meio do seu conto, que narra a história de um homem que regressa a casa, numa pequena cidade do interior, depois de uma vida de miséria em São Paulo. Pelo caminho é assolado pelos fantasmas que deixará para trás. É um conto que ilustra bem o que é a depressão e a solidão. A confusão do texto ajuda nesse retrato. Não sei se houve propósito nisso. A desorientação é comum nos estados depressivos, e essa ideia passou com sucesso no seu texto. No entanto, creio que a desorientação foi levada ao excesso, o tom negro torna-o previsível. É um caminho sem retorno. O homem está velho demais para reagir.

  10. Jefferson Lemos
    19 de novembro de 2020

    Resumo: a história da vida de um homem que abandonou sua cidade em busca de uma vida melhor em São Paulo, e acabou por perceber que essa vida não era como esperava. Mas o fim da história trás surpresas…
    Olá, caro autor!
    Você escreveu uma boa história aqui. Vou começar falando sobre o meu gosto, que aqui é uma questão puramente pessoal.
    Não me senti tão conectado ao conto. Você escreve bem, não vi nada muito extraordinário em termos da escrita, mas é concisa e passa a ideia de forma competente a maior parte do tempo.
    O seu personagem é muito pensante, tem uns insights legais e tal, mas eu não sei… acho que a narrativa funcionaria mais pra mim em terceira pessoa. Alguma coisa na primeira pessoa do conto não permitiu Me conectar de forma apropriada com o que era contado.
    Sobre a parte técnica, ela é boa também. Em alguns momentos eu achei que a narrativa se arrastou um pouquinho, com descrições e passagens menos fluidas, mas no geral foi bom. Mas uma coisa que me deixou “no morno” em relação à história foi que eu senti que os momentos precisaram ser mais bem amarrados. Acho que assim, em alguns trechos, fiquei meio confuso.
    O final da trama foi bem legal, algo que eu já imaginava conforme você ia contando, e o sofrimento do seu personagem é bem exposto tb.
    Parabéns pelo texto!
    Boa sorte!

  11. Ana Maria Monteiro
    18 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Em busca de uma vida melhor, um rapaz foge de casa e vai para a cidade grande onde a sorte não lhe sorri – apenas o sol. Morador de rua, sofre de imensa solidão e sente falta da mãe, decidindo voltar a casa. No regresso, tudo lhe é estranho e não reconhece nada, nem a si mesmo.

    Comentário: Um bom conto, em tom poético. A linguagem em que se desenvolve é também labiríntica, tal como provavelmente a mente deste andante sem a menor noção do tempo e, por vezes, nem da diferença entre real e imaginário.

    Na leitura não percebi elementos que me atrapalhassem. Claro está que o momento mais “ternurento” é vivido com o cachorro, mas, fora dessa conversa, Augustinho não se aproxima muito do leitor, talvez devido ao seu isolamento interior.

    O regresso a casa, pode ter início após dois anos, mas tudo indica que só se verifica muitos anos depois, tanto pelas transformações brutais na cidade agora irreconhecível, quanto pelo facto de não reconhecer o velho de olhos azuis que lhe devolve o sorriso desde o espelho, um sorriso que a cidade nunca lhe devolveu.

    Ainda que nada reste da sua infância, Augustinho reencontra alguma paz nesse regresso. O encontro com a figura do pai, projetado pela sua imaginação, foi a redenção possível, e o sorriso que oferece a si mesmo, antecedendo o sono e o sonho são o último passo antes do, por fim, merecido descanso.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: Um homem descreve uma longa e dolorosa jornada até sua casa, cruzando a sua sanidade e a própria identidade.
    COMENTÁRIO: Fico muito feliz de ver um conto cujo protagonista é morador de rua. Morando em uma cidade que, embora não seja das maiores, é uma capital e é quase inteiramente urbanizada, faz parte do cotidiano ver moradores de rua, sobretudo no centro da cidade e nos terminais de transporte público. Dentro desse grupo, há os que falam sozinhos e representam traços de algum transtorno. Sempre que as vejo, penso se essas pessoas chegaram às ruas nessa (e, talvez, por conta dessa) condição ou se a situação em que vivem induziu ao transtorno ou contribuiu para intensificá-los, já que tira a chance de tratamento. Depois de enviar o meu conto, lá pro início, fiquei pensando que este era outro enredo promissor e imaginei que seria bom escrevê-lo para área OFF. Talvez ainda o faça, mas o seu segue nessa linha, entregando uma bela estória. Abaixo, falo de alguns aspectos do conto.
    Tem sido recorrente o uso da primeira pessoa, que aqui é exímio por permitir à personagem uma narração que não destaca os absurdos pelo que passa, mas, muito pelo contrário, nos permite ver pelos seus olhos (a força simbólica do sol é um exemplo) e experimentar as duas faces da loucura: aquela que o acolhe, no cachorro, e aquela que o brutaliza, na representação maximizada da figura paterna. Inclusive, é interessante como esses dois episódios de insanidade tocam nos pais do personagem, um remetendo à mãe como uma figura saudosa que lhe dá abrigo e a outra, o pai, lembrado principalmente pela violência. Na figura desse pai, destaco o detalhe de ter escrito uma conversa em que o pai se explica, mostrando que, como tudo é fruto da imaginação do protagonista, o personagem ainda consegue perceber quais foram os motivos do pai e, ainda assim, rejeitá-lo, superando o trauma dentro de si mesmo. Mais uma nuance interessante da loucura do personagem é a dissociação de sua identidade, tanto tempo preso a um único objetivo que mal consegue reconhecer as mudanças provocadas pelo passar do tempo e pela dureza da vida que leva. Por isso, o personagem cativa e até emociona, tragando o leitor para a sua odisseia e, de alguma forma, acalentando quando enfim chega naquilo que, ainda em ruínas, é o mais próximo do que pode chamar de casa. É, pelo menos, melhor do que a rua.
    Boa sorte.

  13. Fheluany Nogueira
    17 de novembro de 2020

    Jovem vai para São Paulo em busca de trabalho. Nada dá certo e ele volta para a sua cidadezinha, mas a encontra muito mudada e tem dificuldades para encontrar sua antiga casa.
    Trama sensível, traz reflexões ao levar o leitor a sentir nas entrelinhas uma forte crítica social. É a história de muitos brasileiros.
    Linguagem elaborada, com imagens e construções frasais sonoras e simbólicas, como a cena do cão e a do monstro. A questão do tempo (dois anos) e outras itens estranhos, acredito que se devam ao estado de loucura do protagonista, em um texto com foco narrativo de primeira pessoa.
    Gostei da divisão em partes que ajudou na leitura. Bom trabalho. Sorte no desafio. Um abraço.

  14. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de novembro de 2020

    Resumo
    Jovem deixa sua cidade para tentar uma vida melhor na cidade grande. Ao retornar, sem ter conquistado a fama e o dinheiro que almejava, encontra uma cidade completamente diferente.
    Comentário
    Muito bonito o seu texto, bem escrito, com uma história muito profunda e interessante. Encontrei construções muito bonitas em seu conto. Posso citar, apenas como exemplos: “Mordi mais do que podia mastigar. Engasguei-me com a realidade.” E “A dor que causei está aqui, acumulada no piso arruinado, onde ela se prostrou todas as noites para chorar minha ausência.”
    Não sei se entendi direito, mas achei bem interessante a relação que faz da linguagem com o labirinto logo no início e depois reafirma durante o texto o peso das palavras do pai, como se aquelas palavras o tivessem levado a este labirinto. Não sei se viajei, mas foi o que entendi.
    Na minha opinião, você poderia ter colocado o protagonista voltando para casa mais tempo depois de sua partida. Apenas dois anos não parecem suficientes para todas as mudanças pelas quais a cidade passou.
    Na parte que o protagonista conta que o crepitar do fogo lembra o único momento bom com o pai, faltou colocar o fogo em sua lembrança.
    “forma indefinida — uma massa escura, meio gosmenta e quase humanóide” (humanoide) – não parece possível uma forma indefinida, massa escura ser quase um humanoide.
    desfaz-se em líquido e banha meus pés sofridos – eu tiraria a palavra sofridos
    “— Eu admito, senhor. Minha esposa riu de mim. Todos riram de mim. Então eu cresci também. Mostrei quem manda. Fora e dentro de casa. Tornei-me o exemplo que meu filho deveria seguir. Ele ainda não entende, mas um dia vai entender. Um pai quer apenas o melhor para seu filho. Todas as expectativas, todas as cobranças, toda a dor causada; isso tudo é para crescimento dele. O mundo é cruel, senhor. É função do pai ensinar isso.” – este diálogo ficou muito longo explicativo.
    Gostei da ideia do sol o guiando e da forma como utilizou isso em toda a sua história.
    O desenvolvimento do personagem principal causou empatia, mas nem sempre concordaram a sua linguagem e a sua origem simples.
    No final, você coloca: “Ah, sim… Quase me esqueci: estou cansado, muito cansado.”, mas estas mesmas frases foram ditas quatro parágrafos acima. Não sei se entendi quem é o homem de olhos azuis.
    Gostei da simbologia do monstro referindo-se ao pai que o maltratou.
    Não entendi muito bem quem seria o homem de olhos azuis.
    Parabéns pelo texto.

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Barbetta, gostei desse nome, soa exótico.

      Realmente, esqueci de falar do fogo. Eu estava fitando a fogueira naquele momento, mas o som do coração do meu pai, que naquele dia foi pai mesmo, foi mais marcante. Perdão.

      E, sabe, essa coisa da cidade mudar em dois anos também foi um baque muito grande pra mim. Alguns falaram que nem retornei pra casa, somente quando envelheci, que não demorou dois anos, que foi muito além disso. Achei estranho, pois tenho a nítida impressão que não foi tanto tempo assim… Até falaram que eu era o velho simpático do espelho! Que coisa, né.

      E não me dê muito crédito… Eu falo coisas estranhas mesmo, que não fazem muito sentido. Muito obrigado por ter cedido um tempinho comigo.

  15. Fabio Monteiro
    15 de novembro de 2020

    Resumo: Homem abandona tudo que tem para tentar a vida em outra cidade. Seus planos não dão certo e ele acaba por virar um morador de rua. Num certo momento tem alucinações e fala com um cão.

    A forma como o cão e o humano se encontram é a parte mais tocante do conto. Na verdade, o personagem entende a dor do cão. Provavelmente, a dor do abandono.

    Também achei interessante a questão leste e oeste. De alguma forma, foi como se mostrasse ao personagem que ele devia seguir outros rumos, mesmo que indefinidamente.

    O final é triste. O personagem não se deu bem. De fato, perdeu tudo que tinha. O que ele buscava não encontrou, deixando-o sem esperanças.

    Vida real. Sem grandes magias ou reviravoltas estratégicas.

    Boa Sorte autor(a)

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Você é atento, Monteiro. Ou prefere Fabio? Tento sempre respeitar o direito de ser o que quiser. As direções que devemos tomar ficam sempre ali, por perto, mesmo quando fechamos os olhos para elas.

  16. Anna
    14 de novembro de 2020

    Resumo : Morador de rua com delírios volta para a cidade na qual nasceu.Ele já está velho e pensa que ficou apenas poucos anos longe de casa. Quando acha sua casa seus pais não estão mais lá.
    Comentário : O conto é ótimo. Gostei especialmente da parte que ele conversa com o cachorro sobre a solidão de ambos. Como é triste alguém mergulhar em um sonho que vira pesadelo.

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Ah, o cãozinho, sim, foi um encontro belo e cheio de nostalgia de ambas as partes. Lembro daquele dia. E é triste mesmo, Anna, quando desejamos tanto uma coisa, profundamente, e percebemos que nunca alcançaremos esse desejo. Mas faz parte da vida. Precisamos lida com isso, eu acho.

  17. Amanda Gomez
    11 de novembro de 2020

    Resumo📝 História de um homem que vivia uma vida simples no interior e sonhava em alçar vôos, correr atrás do seus sonhos. Incentivado pelo ” patrão” decide fugir de casa. Vai pra São Paulo e é engolido pela cidade. Acaba virando morador de rua e enlouquecendo. Uma dia volta pra casa, mas ela está diferente. Tudo mudou. Ele já está velho, mas não se dá conta disso.

    Olá,

    Gostei 😃👍Seu conto tem uma imagem muito símbolica. Se fosse transformar o texto em um quadro seria bem expressivo. Um invisível que antes fora um sonhador querendo voltar pra casa guiado pelo sol. Realidade de tantas pessoas. Todos nós já nos separamos com “Augustinhos” na vida.

    Achei interessante o percurso que vc criou, ele sendo guiado pelo sol, pelas lembranças e pelo assombro da loucura. Caminho árduo esse de volta pra casa. Achei que as imagens da loucura ao estilo fantástico da coisa causou uma certa estranheza, mas nada que atrapalhasse a imersão. O final, na verdade o que antecede a frase final é revelador. O leitor entende que não foram dois anos, foi toda uma vida. Ele não se reconhece… como poderia, né? Só se vive realmente que tem memórias. Tive a impressão que a passagem de capítulos é a dos anos, mas não fica explícito, propositalmente, acredito. A escrita é boa e o tom poético conduz bem a narrativa.

    Não gostei 😐👎Achei que por ser em primeira pessoa e por retratar devaneios o conto acabou se tornando um tanto claustrofóbico, lento… Quando chegou o clímax o leitor já estava um pouco saturado. O efeito surpresa se perde.

    Destaque 📌 Do outro lado, um velho me olha. Seus olhos são azuis. É quase careca, mas tem barba farta e grisalha. As rugas desenham verdadeiros labirintos no seu rosto. Simpatizo com ele. Por muito tempo, nas ruas da capital, tentei sorrir para estranhos. Nunca tive retribuição. Mas, ali, mesmo no fim do mundo, aquela pessoa conseguia me devolver o sorriso.

    O conto em um emoji : 😔

    • O Andante
      16 de novembro de 2020

      Oh, querida, Amanda, não é? Agradeço que tenha acompanhado minha história. Não há louvor nela, eu sei, por isso mesmo minha gratidão é ainda maior.
      Acho que está certa: minha narrativa é lenta. Mas é assim por necessidade, entende? Ela nasceu para ser assim. É como escolhi contar minha vida. Não sei se caberiam outras palavras, outras formas, outros tempos… Não sei mesmo.
      Você entendeu bem minha história, vale ressaltar. Sua leitura atenciosa é admirável.

  18. Bianca Cidreira Cammarota
    11 de novembro de 2020

    Andarilho busca o retorno ao lar, tendo, ao longo de sua trajetória, reflexões sobre sua vida.

    A prosa poética é um dos estilos que mais aprecio. É belo o jogo das palavras a dar uma dimensão bem maior que elas, em seu sentido literal, podem fornecer. Gosto, também, de textos longos, onde há espaço para que se deitem detalhes para construção da personagem, do enredo e do ambiente. As aparentes contradições no relato de Augustinho com a realidade são esclarecidas em pequenos e importantes detalhes, lembrando que o protagonista possui distorção cognitiva.

    O texto é muito bonito, Andante. Porém – por vezes há “poréns” – , na minha opinião, houve uma dosagem um pouco maior justamente nos itens que acima citei; itens que aprecio mas que, se ultrapassam um pouco da medida, passam uma sensação de peso e de exagero. A linguagem escrita correta em termos gramaticais nos diálogos sugere um artificialismo, afastando um pouco o leitor do protagonista. Também há a questão de incompatibilidade do nível da linguagem do protagonista, que é o narrador em primeira pessoa: sua história mostra ser uma pessoa simples e sem estudos e seu discurso é bem elaborado em sua estrutura. Talvez, se o narrador fosse externo, a prosa poética ficaria melhor exposta.

    O final, desculpe-me, não foi adequado, essa quebra de parede.

    Elenquei as observações acima não como crítica depreciativa e sim justamente porque vi beleza no seu texto, o cuidado de relatar uma vida triste de uma forma tocante, com lente sensível diante de um mundo tão duro, e gostaria de vê-lo mais lapidado, com mão mais leve nos quesitos já ditos antes.

    Por vezes, quem escreve fica estarrecido com as observações dos que leem. Ou magoado. Espero que não fique assim.

    Bom, essa é minha visão sobre seu texto. O conto é bonito e sensível, escrito por alguém que tem a pena e conhecimento linguístico.

    • O Andante
      11 de novembro de 2020

      Não se preocupe, Bianca, não fico magoado. Tive que aprender a separar o joio do trigo desde cedo, sabe? Então sei quais palavras me servem e quais não me servem.

      Por que não me enxerga como sou? Pois, assim, minha proposta não foi ser coerente. Então, por que exige coerência? Por que coloca seus anseios acima dos meus? Por que não aceita como sou? O que escrevi é parte de minh’alma. Sou eu. Por que tenta apagar o que sou para tentar me fazer parecido com o que você é?

      Talvez você seja parecida com aquele homem que dizia ser meu pai. Apenas talvez.

      Minhas mãos são pesadas mesmo, Bianca. Mas não me desculpo por ser quem sou. Quando vou numa feira, mesmo sem frutas, sei o cantinho que quero descansar.

      Tenho que certeza que aproveitaria muito mais minha história se aceitasse quem sou.

  19. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Após uma frustrante temporada em São Paulo para tentar “fazer a vida”, Agostinho retorna a cidade de sua infância e se depara com uma realidade totalmente transformada: prédios, indústrias, carros e caos urbano. Obcecado por retornar à casa da mãe, acompanhamos o definhamento do protagonista, seu envelhecimento e, consequentemente, o desenvolvimento de sua loucura.

    Comentário:

    Caro Andante, seu conto tem muitos méritos no que diz respeito à empatia para com o protagonista. Agostinho se mostra um dos que, entre vários, tentaram a vida na cidade grande frente às dificuldades de uma cidade pequena e interiorana, mas que, infelizmente, não foram bem sucedidos. Com a derrota, ou a falha, resta a tentativa de retornar ao lugar comum, ao conforto do lar, ao colo materno, porém, no ritmo imparável do tempo, do progresso, essa imagem cristalizada do conforto não existe mais. É um retorno já fracassado, pois a roda da história é constante. A loucura está presente na própria obsessão pelo retorno do personagem, nesse apego ao passado, e se materializa numa série de alucinações, ora sensíveis, como a conversa com o cachorro caramelo (quem nunca viu um morador de rua ou carroceiro na companhia fiel de um cãozinho?), ora tenebrosas, quando o protagonista atravessa o muro e se embrenha numa zona cinza e ancestral, enfrentando o fantasma do pai violento.

    A conclusão, embora previsível, foi bem executada e combinou com a trajetória percorrida por Agostinho: na casa da sua infância, ele se depara com a própria decrepitude e velhice, descansando finalmente com a esperança, ainda que incerta, do sonho.

    Gostei também que você inseriu uma série de elementos que percorrem o todo do conto, lhe dando unidade e coerência: o Sol como astro rei, a lembrança da mãe, a violência paterna, nada disso aparece de forma gratuita ou apartada da história. Há alguns erros de digitação, creio, porém nada que me tirou do texto. Outra coisa, que não é necessariamente um problema, mas tem gerado discussões em outros contos, é o uso do pronome da construção das frases. Apesar de correto, descrições como “levar-me-ia” não me convencem como pertencentes a alguém que viveu numa realidade dura, roceira, e que virou morador de rua. Em textos narrados em primeira pessoa, é muito importante trazer veracidade para o personagem, e só nesse ponto eu me afastei de Agostinho. Repito, é uma questão minha e o uso está correto.

    No geral, é um bom conto!

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • O Andante
      11 de novembro de 2020

      Que comentário grande, Thiago. Agradeço de coração pelo investimento. Minha história não merece isso.

  20. Leda Spenassatto
    7 de novembro de 2020

    A solidão sentada na calçada de uma metrópole.

    Uma situação nostálgica que se afunila com o decorrer dos anos.
    Gostei muito, só acho que se você tivesse terminado o conto aqui, ficaria mais instigante.
    “Mas, ali, mesmo no fim do mundo, aquela pessoa conseguia me devolver o sorriso. ”
    Mas enfim, valeu muito a leitura e eu agradeço por ela.

    Muita sorte no certame.

    • O Andante
      11 de novembro de 2020

      Leda, lembro de uma menina da vizinhança que tinha seu nome, tão dedicada e carinhosa.

      O final ficaria mais poético, né? Mas minha alma provocadora não permitiu finalizar nela.

  21. Angelo Rodrigues
    7 de novembro de 2020

    Resumo:
    Homem afasta-se do lar para conhecer nova vida. Vai para São Paulo (o que já não é boa ideia), não conhece o acolhimento. Tem uns piripaques existenciais e decide-se por voltar para casa. Ao retornar, mais coisas estranhas acontecem.

    Comentários:
    Achei o conto um pouco estranho.

    Não é uma linha que se deve seguir, mas um novelo em que se busca a ponta do fio.

    De certa forma, imaginei o conto algo como a Parábola do Filho Pródigo – sem a riqueza inicial. Que experimenta a vida longe de casa e retorna arrependido de haver se afastado.

    Como disse, como um novelo, o conto se espalha e toca uma infinidade de pontos, embora esses pontos, interessantes até, não ajudem na composição estreita dos objetivos da narrativa. Uma realidade seguida de um delírio e um retorno à realidade? Não soube dizer.

    Notei um espalhamento de circunstâncias, fatos, ocorrências, que, embora bonitas e sensíveis por parte do autor, desmancham-se em capítulos sem uma coerente amarração textual objetiva.

    Salvo eu esteja cometendo um enorme equivoco, percebi que o nosso protagonista mergulhou fundo na autocomiseração, o que termina não criando muita liga com o leitor – que quer ver o sofrimento ou a salvação do nosso herói.

    Um sofrimento atrás do outro sem uma explicação, sem uma sensível justificativa. O homem sofre imerso em um bucolismo, onde o passado – um lugar perfeito, dado que sempre podemos reinventá-lo segundo o nosso juízo – se mostra acolhedor, o presente dramático e o futuro desanimador.

    Acho que a ideia do conto tem muitos valores, mas, se posso ousar algo mais, diria que precisa ser bastante trabalhado, vender-se com um pouco mais de facilidade ao leitor.

    Boa sorte no desafio.

    • O Andante
      7 de novembro de 2020

      Temos nomes parecidos, Angelo, ambos começam com A e terminam com O.

      Não tenha pena de mim. Tudo que encontrei no meu caminho foi consequência de minhas ações. Tenha pena da mãezinha.

      Sei que deve estar cansado, também estou depois de uma longa caminhada, então entendo o pedido por facilidade. Pena que o mundão muitas vezes não atende esses pedidos.

      Espero que encontre sua felicidade.

  22. Anderson Do Prado Silva
    7 de novembro de 2020

    Resumo:

    Homem caminha pelas ruas rumo ao lar materno.

    Comentário:

    No geral, gostei do texto e do enredo. A prosa, muito poética, encantou. Alguns excertos, pelo que têm de poético, delicado e elevado, fascinaram:

    – “Talvez isso explique porque aquele velho falava demais: ele sabia muito pouco.”

    – “Fui embora. Tentei abraçar o mundo. Mordi mais do que podia mastigar. Engasguei-me com a realidade. Agora estou aqui, procurando minha casa, quero ver minha mãezinha, mas tudo mudou.”

    – “É pouco e está duro, mas é tudo que tenho.”

    O seguinte trecho, além de ótima poesia, também possui excelente sonoridade:

    – “Meus pés estão machucados. Meu corpo está dolorido. Minha mente está cansada. E minha alma está ferida.”

    Notei que o autor vai além da prosa poética, empregando também imagens poéticas:

    – “Uma folha enfrenta o ar, indo e vindo, devagar, até cair na minha mão.”

    – “A dor que causei está aqui, acumulada no piso arruinado, onde ela se prostrou todas as noites para chorar minha ausência. Perdão, mãezinha.”

    – “Aquele homem, que dizia ser meu pai, marcou as paredes com seus punhos. Hoje, medindo de igual pra igual, minhas mãos cabem nessas cicatrizes.”

    – “Homem de mão delicada não é homem, dizia um pouco antes de mostrar como eu deveria ser com tapas e pontapés. Por que não aceitava quem eu era? Nunca saberei.”

    A divisão em capítulos deu fluidez ao texto. O capítulo três, do diálogo com o cachorro, deslumbrou. Porém, com um enredo centrado em um único personagem, e contando com poucos acontecimentos de monta, poucas interações e diálogos, o texto acabou, na minha opinião, se estendendo um pouco demais.

    No primeiro parágrafo, “minh’alma” soou arcaísmo ou vício trazido da poesia. Ao mesmo tempo, essa forma de escrever (“minh’alma”) se opõe ao despojamento de “bulhufas”, também presente no primeiro parágrafo. Narrado em primeira pessoa e contando, na maior parte do tempo, com um único personagem, achei o emprego de pronomes de primeira pessoa um pouco abusivo (“minha”, “meu”, “mim”, “comigo”, “me”, “eu”). Também me soou abusivo o emprego do vocativo “amigo”. Em alguns momentos, há reiterações de ideias: “Não consigo identificar seus rostos.” e “São todos iguais para mim.”; “Não lembro do rosto dele.” e “Acho que apaguei da minha mente.”. “Massa coletiva” beira e redundância. “Longos minutos” beira a contradição. “Dentro da MINHA mente” beira a redundância quando o narrador fala de si na primeira pessoa. “Levar-me-ia” parece correto, mas soa um certo arcaísmo (na contemporaneidade, penso, não há mal tão grande no “me levaria”). “Sorri com os olhos” é um lugar comum literário. “Desprovidos de qualquer humanidade” para descrever moradores de favelas pode acabar sendo interpretado de maneira equivocada e você, autor, ser tachado de preconceituoso (entendi o que você quis significar – crítica à subtração de direitos, de dignidade, que essa gente sofre -, mas recomendo cautela). Soou-me pouco crível que alguém tão pobre se dedicasse a “acampar” (essa atividade costuma ser mais comum entre os mais remediados).

    O sexto capítulo me desconcertou, pois o realismo descambou de vez para o mágico (com a aparição do monstro, ainda que metafórico). No entanto, o tema do desafio (loucura) permite e, até, exige tais devaneios. Nesse capítulo, notei um certo viés ideologizado, em que pai e filho divergem sobre o mundo ser cruel ou não, sobre a necessidade de uma educação ser rigorosa ou não. Bem, o protagonista e, portanto, o texto, parecem defender a tese de que não existe lição maior do que o “amor”. Nas artes e nas religiões, há milhares, milhões, bilhões talvez, que defendem essa ideia. Bem, neste ponto, não divirjo propriamente, mas não me furto de lembrar Rocky Balboa (filme):

    “O mundo não é um mar de rosas; é um lugar sujo, um lugar cruel, que não quer saber o quanto você é durão. Vai botar você de joelhos e você vai ficar de joelhos para sempre se você deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão forte como a vida, mas não se trata de bater forte. Se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que se consegue vencer. Agora se você sabe do teu valor, então vá atrás do que você merece, mas tem que estar preparado para apanhar. E nada de apontar dedos, dizer que você não consegue por causa dele ou dela, ou de quem quer que seja. Só covardes fazem isso e você não é covarde, você é melhor que isso.”

    O texto caminhava com extrema delicadeza, muita poesia, mas o último parágrafo, no trecho em caixa alta, me soou acintoso, sobretudo no contexto do desafio (pois, em que outro contexto o conto seria lido “por obrigação”?):

    “Quem me acompanhou até aqui, seja por cumplicidade, seja por obrigação, não importa; já sabe que, nesse epílogo, vou deitar. Se irei sonhar ou não, não sei. Mas sinto que, de certa forma, irei sonhar.”

    Fiquei um pouco decepcionado com esse “seja por obrigação”, pois me pareceu destoante da delicadeza e poesia que o texto vinha cultivando. Ainda assim, consegui encontrar alguma beleza no “Mas sinto que, de certa forma, irei sonhar.” Eu optaria por fazer menção ao crepúsculo e ao ato de ir deitar e sonhar, mas excluiria o desafio, acinte, desabafo ou seja lá qual interpretação correta do “seja por obrigação”.

    Autor, gostei muito da sua prosa poética, da sua escolha de tema (um ser humano comum em uma vida cotidiana) e, portanto, adoraria ler muitos e muitos outros textos seus! Gostei do conto, que possui infinitos méritos, mas os comentários acima se prestam tanto a ajudar você quanto a justificar a nota que atribuirei.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

    • O Andante
      7 de novembro de 2020

      Sabe quem você me lembra, Anderson? O Mané da Praça. Ele é um tanto taxativo e preconceituoso com algumas coisas, mas é prestativo e bem intencionado.

      E você me dá muito valor: não sou confiável. Sou um louco, sabe? Tenta relaxar, amigo, a vida nunca será tão coerente quanto gostaríamos que fosse.

      E sobre o final, tenho apenas uma coisa a falar: do que seria a arte sem a provocação?

      Um grato abraço. Aproveite o pouco do astro-rei, ele ainda vai alto no céu. Eu acho.

  23. Lara
    7 de novembro de 2020

    Resumo : Um jovem inocente do interior parte para São Paulo com a esperança de virar um grande homem e vencer na vida. Mas o jovem acaba sofrendo muito em São Paulo e volta para sua cidade natal que parece muito mudada. Conversa com um cão sobre a solidão de ambos e no final acaba por achar sua casa.
    Comentário : Me pareceu que ele nunca voltou para a cidade natal. Que o conto se baseia nos delírios de um morador de rua. Gostei muito no conto mas me pareceu triste.

    • O Andante
      7 de novembro de 2020

      Bom dia, Lara. Ou seria boa tarde? O astro-rei ainda segue no céu.

      Como assim não voltei pra minha cidade? Isso me deixa um pouco confuso.

      E não fique triste, não. A vida é assim. Agradeço que tenha escolhido acompanhar minha história!

      • Lara
        8 de novembro de 2020

        Me pareceu surreal a cidade ter mudado tanto em apenas 3 anos ….
        Foi um prazer acompanhar sua história.

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 7 de novembro de 2020 por em Loucura.