EntreContos

Detox Literário.

Mulheres e Drogas da Rússia (Dostoiévski)

Tanto o autor das Notas como elas próprias são, evidentemente, fictícios. Entretanto, pessoas como o autor destas Notas não só podem como devem existir na nossa sociedade, se levarmos em conta as circunstâncias em que ela de modo geral se formou. Meu propósito foi trazer perante o público, com mais destaque que o habitual, um dos personagens típicos do nosso passado não remoto. Ele faz parte da geração que está vivendo seus últimos dias 

Notas do Subsolo, Fiódor Dostoiévski

 

Eu sempre ia para festas com Gabriel, porque ele fazia eu me sentir tão vivo. Toda sexta à noite eu saía de uma semana chata para entrar no carro dele sem saber o que aconteceria depois. Ele me recebia com um sorriso sinistro, parecendo o Coringa, e sempre oferecia uma bebida que seu amigo do banco do carona tinha trazido agora que vinha visitá-lo de sei-lá-de-onde. 

“Toma um gole aí”, ele empurrava a bebida e só descansava até ver que eu a engolia.

O resto dos caras do carro, gente que eu vi a só uma vez na vida, ficavam rindo enquanto me forçavam a beber e contavam as loucuras que fariam dali em diante. Gabriel sempre se gabava de alguma história do passado, de alguma menina que ele comeu, alguma droga que usou, alguma festa a que foi. Todo mundo achava ele o rei por contar essas coisas.

“Porra, aquela vez transei com uma mina por dia duas semanas seguidas. Meu pau já não levantava mais depois da quarta noite. Mas elas me forçavam a transar.”

Todo mundo no carro ria de suas piadas.

Eles se colocavam no lugar de Gabriel enquanto ele contava suas histórias loucas de mulheres, drogas e festas. Isso enquanto dirigia indo de 0 a 100km/h em um piscar de olhos assim que o sinal ficava verde. Isso enquanto tomava goles de de vodka entre cada mudança de marcha. E aí ele olhava para cada um de nós no carro e contava como comeu uma ruiva no banheiro de um pub no ano novo em São Paulo. Ele contava a história rápido, como se não fosse nada. Aí olhava para a frente e acelerava sem parar de falar.

Todos queriam ser como Gabriel. Eu queria ser Gabriel.

“Depois disso teve a noite em que fumamos um baseado no último acento do avião antes de eu transar com uma loira no Boeing que ia para Berlim”, e ele olhava no fundo dos olhos para garantir que o ouvinte acreditava. Depois virava pra frente e inspirava fundo enquanto acelerava. “Porra. Aquela maconha era boa. Nunca achei uma igual.”

“Fala daquela noite em Moscou de novo. Aquela história é muito foda”, alguém gritou do banco de trás.

“Porra! Aquele dia foi foda…”

Mas aquele papo só serviu para aguçar minha curiosidade, porque Gabriel pareceu esquecer de contar o que aconteceu. Ele ficou pensando um pouco. “Conto lá dentro depois de uma cachaça”. 

Ele parou violentamente o carro como o freio de mão, deslizando até encaixá-lo perfeitamente alinhado à garagem da balada.

Todos saíram do carro tontos rindo uns dos outros. Um com a garrafa de vodka ainda na mão, dando uns goles.

“Não dá pra entrar com isso lá dentro, burrão.”

“Merda”, o camarada bebeu tudo num trago só e soltou a garrafa no chão, que se estilhaçou em cacos de vidro.

Todo mundo achou a maior graça.

“Porra de fila gigante.”

Mas não precisávamos pegar fila, porque Gabriel conhecia os seguranças. Foi falar com eles. Eles eram carecas e bravos, exatamente como os seguranças devem ser. Eles se entreolharam enquanto Gabriel falava. De repente, se distraíram com uma briga de travestis no meio da fila. Aos berros, uma puxava o cabelo da outra enquanto uma menina logo atrás retocava calmamente sua maquiagem com um espelho de bolso. A briga foi a distração necessária para que umas meninas menores de idade entrassem correndo na festa por trás dos seguranças carecas. Nós entramos logo atrás.

A música eletrônica cobria o ambiente assim que a porta se abria. Depois que abriram a segunda porta, já não dava para ouvir nada. Gabriel virou e gritou alguma coisa para mim. Mas eu não ouvi nada com o David Guetta tocando no fundo, então só dei uma risadinha e continuei o seguindo.

No sofá lá no fundo do grande salão, um cara com uma garrafa de vodka acenou para o Gabriel, que o olhou estranho, mas não acenou de volta. Olhou para trás achando que o gesto se dirigia a outra pessoa. O cara do fundo ficou sem jeito, abaixou a mão e deu um gole em sua bebida. O garçom esbarrou em nós com um balde de cerveja. Levou correndo até uma mesa com duas mulheres de pé dançando e dois caras sisudos sentados bebendo e assistindo à luta do Connor McGregor na TV. Eles tiveram que espichar o pescoço para o lado para ver o jab direto quando uma menina chegou e começou a dançar funk na frente da TV. Ela depois caiu no chão tentando um movimento difícil.

Nesse meio tempo, Gabriel já tinha entrado com todo mundo em uma outra sala lá nos fundos. Ele me chamou para ir lá.

Tropecei na menina que dançava funk.

Cheguei cambaleando na outra sala, em que Gabriel me esperava. Lá estavam sentados dois outros caras e as três menores de idade que tinham entrado escondidas dos seguranças. Gabriel me sussurrou ao ouvido:

“Eu prometi pra elas que ia dar doce de graça, foi assim que elas vieram.”

Uma das garotas sentou no colo de Gabriel e todos ficaram dividindo um narguilé no meio da roda. A outra menina ficou dançando com um cara ali no espaço. Gabriel falou alguma palavra mágica e do nada começou a beijar a menor de idade.

O outro cara foi ao banheiro cheirar pó. Ele botou a mão no meu ombro, “já volto” e foi cambaleando, tonto de tanto álcool.

A menina que sobrou veio falar comigo com cara inocente. 

“Você tá com o doce aí?”

Ela parecia a versão mini da Amy Winehouse depois da overdose.

“Quantos anos você tem?” 

“18.”

“Eu também.” 

Ela me olhou desconfiando, porque eu tinha cara de 40, mas estava só chegando nos 30. Não sei quem de nós devia se sentir mais deslocado naquele lugar. 

“E você tem a droga ou não?”

Comecei a me sentir pressionado, como se ela não me visse como pessoa, mas apenas como um objeto para a realização de seus vícios.

“Gabriel, ela está pedindo o doce.”

“Fala baixo, porra!” Ele olhou em volta e esperou o garçom levar o balde de cervejas vazias da mesa. O garçom anotou o pedido para mais um balde. Quando ele saiu, se aglomerando de lado e sumindo no meio da multidão, Gabriel lançou um pacotinho para a menina. O outro, ficou com ele. Colocou a bala na boca e deu um beijo na menina que ainda estava em seu colo.

A menina do meu lado pegou o pacote feito um zumbi e levou à boca.

“Vai querer um também?” perguntou para mim.

“Não, não, isso não é pra mim”.

“Claro que vai, você tem que tomar!” insistiu Gabriel.

“Quero não…”

“Tem que usar!” falou um outro.

Gradativamente, a roda toda me cercava mandando usar a droga. Eu fazia que não com a cabeça, mas parecia que a cada recusa chegava mais um me mandando usar. Não, não… Chegava mais um contando sua experiência encantadora com o LSD. Todos se avolumavam em coro para me mandar ingerir a substância proibida, e o garçom parou de trabalhar para me mandar usar, e os seguranças, e o dono da balada, e a festa toda me rodeava em uma ciranda cantando em coro hipnótico “use drogas, use drogas, use drogas”. 

Não, não…

E a mão gigante da mini Amy Winehouse abriu minha boca e socou a droga pra dentro da minha boca, como se eu estivesse em um hospital psiquiátrico e fosse forçado a tomar o remédio para bipolaridade. Faltava só engolir. Eu deveria?

“É boa”, Gabriel falou. “Eu também tomei, olha aqui.”

Ele estava certo.

Gabriel tinha usado a droga.

Eu queria ser Gabriel.

Eu deveria usar a droga como ele.

E engoli.

Todos em volta ficaram rindo, como se eu fosse a girafa do zoológico e eles, as crianças que me alimentavam. 

Não deu muito tempo até que eu submergisse no meio da multidão e me afogasse de forma indolor no meu mais profundo pensamento até encontrar meu animal interior, um inteligente macaco dançante que chegou a um palmo do meu olho, pôs seus óculos para me investigar e dizer:

“Acorde.”

Naquele momento, percebi que eu estava alucinando enquanto dançava um remix eletrônico entorpecente de Dance Monkey junto com a mini Avril Lavigne, sendo que nós dois mal sabíamos o que fazíamos.

Tudo isso enquanto a coisa esquentava entre Gabriel e a menina dele, que o beijava sentada no seu colo em posição de coito.

Gabriel era tão legal.

Eu queria ser igual o Gabriel.

Ele conhecia todo mundo. Parava de ficar com a menina para cumprimentar todo mundo na festa. As outras mulheres ao redor o olhavam com cara de desejo.

Ele levantou e olhou para mim. 

“Vocês! Vamos para o carro. Quero mostrar uma coisa.”

Eu não movi meus pés. Apenas dei a mão para o macaco dançante e segui o fluxo empurrado pela multidão e pela bunda da garota que dançava funk atrás de mim. Deslizei no meio de todo mundo até a música se apagar calmamente assim que a porta fechou atrás de mim.

“Falou, amigo”, Gabriel disse para os seguranças na porta.

Ele era tão legal.

Ele conhecia os seguranças.

Ele contou uma história engraçada que fez todo mundo rir, e a risada era tão forte que soprava minhas pernas até a direção a que eu tinha de ir, seja lá onde isso fosse. Eu só seguia rindo e cambaleando junto com duas garotas menores de idade, Gabriel e um fulano que eu nunca tinha visto na minha vida.

“Entra aí”, Gabriel apontou para o seu carro.

Entrei no banco de trás. Ele entrou no motorista. Abriu o porta-luvas na frente da menina que ele estava beijando. Tirou uma coisa de lá que a fez entrar em choque.

Todo mundo olhou para o objeto e ficou espantado.

O clima de riso subitamente virou clima de cemitério.

“Por que todo mundo tá triste? Vocês estão cortando a vibe”, falei.

E então olhei para o que Gabriel tinha pegado.

Ele puxou um revolver do porta-luva.

“Agora eu vou terminar a história de Moscou. Vou mostrar o que descobri na Rússia.”

“Quero ouvir essa história”, eu disse. “Por que tá todo mundo bravo?”

“Quando eu estava em Moscou, fiquei com uma mulher que me ensinou um jogou muito viciante que só pode ser jogado em ocasiões especial. Eu joguei enquanto eu comia essa russa.”

O Gabriel transou com uma russa, ele é muito legal. Eu quero ser que nem ele.

“E hoje eu quero jogar com vocês de novo.”

Ele pegou a arma, girou o tambor, levou até a cabeça. “Não faz iss-!” Clack!

Nada aconteceu. Ele sobreviveu à roleta russa. Gabriel era muito foda. Eu queria ser que nem ele.

“Quem é o próximo?”

“Vocês estão malucos”, disse uma das meninas.

Ninguém queria jogar.

“É você”, ele apontou para mim. “Você tem que jogar.”

Todo mundo olhou para mim, o que me deixou até tímido. Meu refúgio foi a paz interior. Voltei a submergir nos meus pensamentos, em que encontrei novamente o sábio macaco dançante com quem eu já tinha conversado na mesma noite. Dessa vez fui eu que me curvei até o macaco e perguntei humildemente “o que devo fazer?” O macaco dançante parou e deu um trago em seu charuto. Ele, então, respondeu do alto de sua sabedoria: “ouça seu coração. Você quer ser como Gabriel, não é?”

O macaco estava certo.

Eu queria transar com uma russa e que todo mundo gostasse de mim, como gostavam do Gabriel. Eu queria ser como ele. E se ele jogou a roleta russa, eu tinha que jogar também.

Peguei o revolver e enfiei o cano dentro da boca. Falei dificilmente “puta que o pa-”. Boom!

O sangue jorrou da minha boca até pintar de vermelho toda a mini Avril Lavigne que estava do meu lado. O carro todo ficou todo vermelho por dentro. E todo mundo saiu dali gritando. Depois vieram os seguranças, depois a policia, e aí eu fui levado ao hospital em uma maca.

Agora eu nunca mais seria que nem o Gabriel.

Ele veio até me visitar, quando eu estava internado no hospital.

“Meus advogados disseram que era bom eu vir aqui pro juiz achar que nós éramos amigos”, ele disse.

Eu não conseguia falar nada. Tinha um rombo na minha boca.

“Desculpa”, ele disse. “Me excedi naquele dia. Saí contando mentiras e acabei exagerando.” 

Mentiras?

“Nunca fui pra Moscou. E não tinha munição no revolver quando eu brinquei na roleta russa. Eu achei que você ia tirar a munição também ou que não ia jogar. Você foi muito burro.”

Eu estava tentando ser igual você!

“E agora estão me acusando de ter incentivado sua tentativa de suicídio. Posso pegar uma cana pesada por causa da sua estupidez. Sorte que consegui um laudo psiquiátrico que pode me salvar. O médico diz que sou incapaz de cometer crimes, porque tenho distúrbios psicológicos, esquizofrenia e sou um mentiroso compulsivo. Tenho que aceitar isso se eu quiser ficar fora da prisão.”

Eu estava cego, mas agora eu vi.

As histórias de mulheres e viagens que ele contava eram todas mentiras. Ele não tinha amigo nenhum na festa, só fingia que era amigo dos outros e eu acreditava. Nem os seguranças gostavam dele.

Tudo foi uma mentira.

Gabriel era uma mentira.

E eu quase morri pelo Gabriel.

Chame esse psiquiatra, pois eu preciso de um laudo também.

46 comentários em “Mulheres e Drogas da Rússia (Dostoiévski)

  1. Leda Spenassatto
    26 de novembro de 2020

    Resumo :
    Um rapaz tímido que quer ser igual ao Gabriel, moço que se gaba das drogas e mulheres que teve.

    Comentário:
    O personagem que queria ser igual ao colega de festas, drogas, bebidas e mulheres acaba envolvido em uma roleta russa, para ser igual ao Gabriel que usa o revólver primeiro, ele da um tiro em sua própria boca. Só depois, no hospital descobre que o Gabriel era um malandro mentiroso.
    O enredo é muito bom. Um ou dois errinhos de digitação, mas nada de mais, há não ser algumas repetições muito próximas, num mesmo parágrafo.
    Gostei muito dessa loucura.

    Sorte de montão, te desejo!

  2. Paula Giannini
    22 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo: Rapaz se espelha no amigo e leva tal admiração a um trágico extremo.

    Minhas Impressões:

    A loucura de nossa sociedade, cobrando-nos ao máximo. Essa é a premissa deste conto. Vivemos com a espontaneidade de nosso livre arbítrio? Ou, ao contrário, somos seres que, de tão sociais, não conseguimos nos dissociar das máscaras que nos são impostas?

    Aqui, um rapaz que identifica em seu amigo o ideal de felicidade, ou melhor, de pessoa bem sucedida, e segue-o a ponto de anular a si mesmo. Interessante notar o modo como o(a) autor(a) escolheu para construir esta imagem de admiração, repetindo constantemente, em momentos chave, seu sentimento de querer ser como o tal amigo. Essa técnica, ao menos para mim, foi muito bem sucedida e é, repito, para esta leitora aqui, o ponto alto da construção.

    A história remeteu-me a pessoas que conheço de perto, o que trouxe, obviamente, verossimilhança à trama. A loucura da sociedade, quando o foco é a classe média, média alta. Quantas faces de loucura há, afinal, em nossa sociedade, não?

    Como digo a todos, se minha análise destoa de seu trabalho, desconsidere-a. Aqui estamos todos para aprender.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Dostoiévski
      26 de novembro de 2020

      Muito legal! Obrigado!

  3. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, D. É muita honra comentar um conto seu. Este, em particular, narra a história de um homem que sai com um grupo de amigos, no qual se inclui Gabriel, um fanfarrão que se gaba das suas aventuras na Rússia. No final, eles jogam à roleta russa e ele perde.
    O conto é um conjunto de estereótipos que pecam pelos excessos. Percebi o objectivo, mas preferia que fosse menos repetitivo. Não passa de uma espiral de drogas e sexo. Só faltou o Rock’n’roll (apenas temos o David Guetta). Em termos de linguagem, notei algumas faltas de pontuação, mas nada que impeça a leitura.

    • Dostoiévski
      22 de novembro de 2020

      Não concordo, mas ok

  4. Amanda Gomez
    18 de novembro de 2020

    Resumo📝 Um cara meio perdido na vida tem como inspiração Gabriel, um outro cara sem rumo que gosta de contar histórias e ludibriar as pessoas. Ele só percebe isso no fim.
    Gostei 😃👍 Gostei do ar ‘’ psicodélico’’ da coisa. O conto tem uma movimentação legal que cria expectativas, o leitor sabe que essa noite não vai prestar, mas fica ansioso pra saber como. A fragilidade do protagonista são expostas de cara, não tem auto estima, é manipulável mas tem um pé ali na sensatez, não sei se essa é a palavra correta, mas digamos que ele sabe onde é o freio, sente-se confortável em não ser o destaque é apenas um observador, mas isso muda quando ele é praticamente forçado a consumir drogas e aí…não tem mais freio. Os personagens ao redor compõe bem a história mesmo que sejam apenas figurantes. Gabriel apesar de aparecer na perspectiva do personagem admirador, não engana o leitor. O final é inesperado.
    Não gostei 😐👎 Encontrei bastante coisas ‘’loucas’’ no texto, o título é meio nada a ver, os personagens não são cativantes então o que segura o leitor é só a expectativa de que tudo vai dar errado. E confesso que me frustrou um pouco com esse final meio pastelão, a cena da roleta russa causa tensão, mas sei lá, meio que revirei os olhos. O nível de idiotice dos personagens foi alto demais. Além de que o tema foi obsoleto aqui.
    O conto em um emoji : 👯💊🇷🇺

    • Dostoiévski
      18 de novembro de 2020

      Legal. Obrigado, Amanda

  5. angst447
    17 de novembro de 2020

    RESUMO
    Rapaz quase trintão considera o amigo Gabriel como o ideal de popularidade, o sujeito que mais sabe aproveitar a vida. Tentando imitá-lo, quase se mata. No final, descobre que o tal “amigo” é na verdade um mentiroso compulsivo.

    AVALIAÇÃO
    Conto que aborda o tema loucura, mas com um toque de humor e nonsense. A trama me fez lembrar do caso de um mentiroso compulsivo que enganou um monte de gente, e fez Amaury Junior passar vergonha. Deve ter muita gente se fazendo de cool, antenado, escolado, o que for, só para não se dar conta da mediocridade da própria vida. O narrador só enxergou as aparências e acreditou em tudo o que viu e ouviu. Perdeu os limites do bom senso, enlouqueceu?
    A linguagem empregada é clara, direta, sem amarras. Há alguns lapsos de revisão, mas nada de muito grave. É pressa que chama, né, amigo?
    Não sei se foi impressão mina, mas a moça que era uma mini Amy Winehouse virou uma mini Avril Lavigne?
    A única coisa que me perturbou um pouco a atenção foi o final. Eu tinha como certo que alguém que atira dentro da própria boca morresse imediatamente. Mas pelo jeito, não é bem assim… Eu é que não vou testar.
    O ritmo do conto é bom, e a leitura não se torna cansativa. Talvez esperasse um final diferente, mas isso já é problema meu.
    Boa sorte e não imite o que os amiguinhos fazem. Você não é todo mundo, como já dizia a sua mãe.

    • Dostoiévski
      18 de novembro de 2020

      Eu vi esse cara naquele documentário Vips. A questão da personagem foi erro meu, desculpa. E quanto à coisa do suicídio, pois eu acho que tem chances de não morrer, porque já aconteceu em outras histórias de personagens sobreviverem. Isso acontece no Clube da Luta também. Acho que depende da arma, se for um calibre menor e dependendo do ângulo você sobrevive. Se fosse maior que 9mm acho que daí não tem chance, tipo aquela espingarda com que o Kurt Cobain se matou.

  6. antoniosbatista
    17 de novembro de 2020

    Resumo: Um grupo de jovens vão a uma festa, consomem bebidas e drogas e em certo momento, praticam roleta russa.

    Comentário: O conto mostra a realidade de alguns jovens desiludidos com a própria vida, não dão valor a nada, desprezam as virtudes e caminham para um fim mais rápido. O protagonista/narrador, deseja ser como Gabriel, que vive na luxúria, como se Gabriel fosse um herói, como se o estilo de vida dele fosse perfeito. Tão fissurado ele fica na figura de Gabriel, que não vê quem é o seu “herói”. Gabriel pouco está ligando com o que ele quer, se ele morra ou não.
    Só depois de fazer uma loucura, ele descobre que Gabriel não era aquilo que pensava, era um mentiroso.

    A escrita é simples, mas manda o seu recado. Precisa evitar as repetições nas frases e no mesmo parágrafo; “ O carro todo ficou todo vermelho”. Esse segundo todo não precisava. Há outras formas de dizer que o sangue se espalhou pelo carro, ou pelo estofamento. Às vezes poucas palavras dizem melhor do que uma longa frase; “Tiro. Sangue. Pavor. ” A estética e a sonoridade das palavras fazem parte da Arte Literária, assim como as conexões das ideias que as tornam coerentes. Claro que palavras chulas não tem nada de estético num texto, mas é necessário quando faz parte de um ambiente onde os valores morais são desprezados, tanto quanto a saúde do corpo e do espírito. Boa sorte.

    • Dostoiévski
      18 de novembro de 2020

      Gostei desses insights. Com certeza vou considerar nos próximos. Obrigado.

  7. Leandro Rodrigues dos Santos
    17 de novembro de 2020

    Paralelos de um garoto, buscando interação com o grupo e aparentemente com uma influência ruim.
    Confesso-lhe que não consegui aprofundar na leitura, devido não me simpatizar com a história. Assim, me resta os detalhes técnicos, aconselho, a cortar as repetições das palavras, principalmente do ‘que’, deixa a leitura pesada, pois se lê o mesmo durante todo o conto (para isso use gerúndios, vírgulas). Há também erros de conjugação verbal, atente-se as ações e ao uso do pretérito mais que perfeito. Pra finalizar colocação pronominal, principalmente no infinitivo (dê uma olhada nas regras).

    • Dostoiévski
      18 de novembro de 2020

      Ok. Vou focar mais na revisão nos próximos.

  8. opedropaulo
    16 de novembro de 2020

    RESUMO: O narrador quer ser como seu amigo, o grande Gabriel, o cara mais popular da cidade. Enfim, ganha a oportunidade. Bastou ouvir seu colega, o macaco dançante, e disparar um revólver contra o interior da própria boca.

    COMENTÁRIO: Este é um conto bem construído, o uso da primeira pessoa servindo a dois aspectos importantes do conto: a imersão na perspectiva do personagem, destacando aí a sua hesitação e a sua admiração obsessiva pelo tal do Gabriel; e a possibilidade de visualização do espaço e das interações que ocorrem no carro e na boate, conferindo uma verossimilhança que faz dessa leitura bastante orgânica. Em verdade, eu mesmo consegui reconhecer traços do personagem Gabriel em pessoas que já conheci e, por isso, achei a nota inicial pertinente e também uma boa sacada, pois trouxe a crítica de Dostoievski (não li as Notas dele, mas suponho que o paralelo foi intencional) à contemporaneidade. Isto é: um tipo decadente de pessoa cujo modo de vida ainda é bem propagado, principalmente nas maiores e mais urbanizadas cidades. Além da caracterização, que nivela bem com a realidade, a própria trama vai em um crescente de “obscenidade” que, em uma virada mais ou menos surpreendente, torna-se mórbida em um instante, colocando em perigo todos ali. O final, enfim, provando a fanfarronice vazia como principal componente da personalidade de Gabriel, é chocante, encerrando o conto em boa nota. Sei que já elogiei o fato da narração permitir a visualização do cenário, mas quero destacar também o fato de termos conseguido acompanhar a trip do protagonista, o que deu um efeito tanto cômico como crível do que se passava na cabeça do rapaz entorpecido.

    Achei pelo menos um erro ortográfico, um “acento” que deveria ter usado o “ss”, e penso ter encontrado um ou outro errinho, nada que atrapalhou a leitura. Por outro lado, houve uma opção narrativa que me incomodou que foi o uso de parágrafos de uma única linha, recurso repetido em demasia que, inclusive por serem passagens idênticas (Gabriel é foda / eu queria ser Gabriel), estressam ainda mais essa estratégia narrativa, cansando em alguns momentos. Quanto à abordagem do tema, vejo que foi a intenção do autor criticar todo o ambiente em que estiveram os personagens, talvez um eco do moralismo de Dostoievski. Teria sido fácil cair em uma perspectiva conservadora em que festa, funk, drogas, álcool equalizam com a tal da loucura, o que, inclusive, teria ameaçado zerar a sua nota no que tange a abordagem temática e, certamente, descontado parte do que atribuo à narrativa. Mas não foi o caso. Fez escolhas inteligentes ao enfatizar não simplesmente a devassidão, mas a própria natureza criminal das situações: beber enquanto dirige; aliciamento de menores; uso de drogas ilícitas; e porte de arma ilegal. Óbvio que não falo que é a infração da legalidade que faz a loucura. No entanto, vê-se que há um clima de insegurança que se quer criar que sugere uma anormalidade de tudo aquilo, a princípio aparente no próprio protagonista, cuja insegurança e a obsessão indicam uma alienação da realidade, inclusive no devaneio de que toda a boate teria feito um coro para que ingerisse a bala. Depois, a demarcação da loucura vem quando todos os personagens, exceto o antes inseguro principal, ficam assombrados com a presença do revólver, uma delas chegando a dizer que aquilo era maluquice. Ou seja, se antes toda a festa tinha seus aspectos de loucura, este é o ponto em que mesmo para aquelas pessoas, que viviam aquela situação com normalidade, percebem que há algo de errado acontecendo. Além disso, há as referências indiretas e diretas à loucura, como quando a menina coloca a bala na boca do protagonista e, mais diretamente, na visita final entre Gabriel e o principal, quando um laudo psicológico é assunto dos dois monólogos (o interno, do protagonista, e o de Gabriel, que está falando). Muito bem.

    Boa sorte.

    • Dostoiévski
      17 de novembro de 2020

      Crítica maravilhosa! Altamente detalhista. Uma das melhores críticas que já recebi.

  9. Ana Maria Monteiro
    16 de novembro de 2020

    Olá, Autor:
    Resumo: Jovem deseja ser olhado como o seu “amigo” Gabriel é visto por toda a gente: popular, animado, corajoso, contestatário, etc. Para o conseguir está disposto a tudo, até mesmo a contrariar a sua vontade e bom senso. Na sequência de uma noite de muita loucura, acaba por se dar mal e, de modo muito duro, percebe que nunca será como Gabriel e descobre que este não passa de uma farsa.
    Comentário: Gostei bastante do seu conto, apesar de não encontrar grande enquadramento no tema do desafio, mas estou a desconsiderar essa parte. Os factos, muito bem narrados, ocorridos na noite fatídica são bem loucos, mas quotidianos e muito comuns nas noites de jovens e também de menos jovens. Mas “loucura” é uma palavra onde, em última análise, pode caber tudo o que não seja conforme às regras de cada momento. Lembro a célebre frase de Nietzche; “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”, ainda que não seja certo que a frase seja da autoria dele. Resumindo: loucura pode ser tudo o que não é facilmente compreensível à luz da razão de quem observa.
    Antes de entrar com maior rigor no comentário, vou apontar alguns deslizes que justificam uma revisão posterior: Acento em lugar de assento e como o freio de mão em lugar de com o freio de mão e ocasiões especial e mais algumas pequenas coisitas, nada que retire o mérito ao conto e à narrativa, esta apenas um pouco prejudicada no final pelas excessivas explicações de Gabriel, teria ficado melhor e mais de acordo com o personagem ele apenas fazer a visita por ordem do médico e limitar-se às acusações ao amigo; teríamos percebido de igual forma e estaria mais congruente. É tudo. Nada mais tenho a apontar ou sugerir a nível do trabalho que produziu.
    Quero dar-lhe os parabéns por nos oferecer um personagem principal que é odioso; é necessária coragem para fazer isso, os leitores quase sempre gostam de se identificar, de procurar empatia, de pessoas bonitinhas nem que o sejam na sua pobreza, ou miséria ou condição, mas bonitinhas, dignas de dó. Gabriel é detestável. Esse é o grande mérito do conto e do autor, do autor por tão bem o retratar e também ao fascínio que esse tipo de malandro acaba por exercer em pessoas com baixa autoestima. O narrador é um jovem como quase todos, inseguro e com baixa autoestima, que anseia por protagonismo, que quer ser quem não é, que se deixa ofuscar pelo “brilho das luzes”.
    Não percebi se a menina Amy Winehouse mudou de noma para Avril Lavigne, ou se eram duas pessoas diferentes, mas não tem grande importância, porque nesse grupo de meninas, elas eram, basicamente, uma caricatura de meninas, todas iguais na mesma bebedeira ilusória, semelhante à que leva as moscas a dançarem em volta das lâmpadas.
    Mas o comentário vai longo e ainda me faltam muitos contos por ler e comentários por fazer, tenho de guardar alguma resiliência. Gostei muito do seu conto e, no seu geral, e pelos motivos que apontei, parece-me ser um dos melhores aqui presentes.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Dostoiévski
      17 de novembro de 2020

      Muito obrigado pela crítica!
      Eu só penso que, no fundo, inconscientemente, as pessoas acabam se identificando mais com pessoas odiosas do que com pessoas boazinhas, ainda que não queiram admitir, desde que sejam pessoas ruins, mas polarizadas, com seus momentos de empatia, boas justificativas para suas maldades, etc.

  10. Anna
    16 de novembro de 2020

    Resumo : Um jovem tem um amigo que se mostra o bonzão, o garanhão, o popular. Esse jovem acaba dando um tiro em si mesmo por conta de uma brincadeira do tal amigo. No final se descobre que o amigo é uma farsa e não tem nada de especial.
    Comentário : O conto mostra bem como os jovens podem ter a mente fraca. Creio que essa história poderia muito bem acontecer na vida real.

    • Dostoiévski
      17 de novembro de 2020

      Obrigado!

  11. Andre Brizola
    15 de novembro de 2020

    Olá, Dostoiévski.

    Conto sobre um grupo de conhecidos que orbita ao redor de Gabriel, um cara alçado à condição de pessoa influente e viajada à base de mentiras. Em determinada noite, regada a drogas e bebidas, a postura de Gabriel leva o narrador a uma roleta russa e as consequências são próximas da morte.

    O conto é bem construído. O ambiente é muito bem descrito e o comportamento das pessoas é muito próximo da realidade das drogas. Achei que esse é o ponto principal do texto e o ponto alto da narrativa. A relação entre narrador e Gabriel também é bem sólida. Em nenhum momento questionamos os motivos que levam o personagem a querer ser como Gabriel. É um mérito do texto nos convencer, logo de cara, que essa é uma realidade. O leitor não duvida dessa relação.

    Mas eu tenho que fazer uma crítica com relação ao tema, pois não encontro no conto uma ligação com a loucura de fato. Drogas e bebidas podem até ser encaradas como loucura, mas é uma relação muito vaga. A adoração incondicional por Gabriel poderia ser considerada como loucura? Tá, até poderia. Mas é outra linha muito transparente.

    No geral acho que o conto é muito consistente. Mas gostaria que o final tivesse sido um pouco melhor trabalhado. Gabriel diz que quando brincou com a roleta russa não havia munição no revólver, mas o mesmo revólver dispara no narrador. Se era em uma roleta russa anterior, então parte da história de Gabriel era verdadeira? Esse trecho é um ponto importante para a conclusão do conto, e acabou ficando confuso.

    Bom, é isso. Boa sorte no desafio!

    • Dostoiévski
      17 de novembro de 2020

      Obrigado! De fato, a questão da roleta russa fica difícil de detalhar. Não sei se daria para fazer diferente, porque penso que se eu descrevesse minuciosamente a passagem da arma, eu acabaria dando um spoiler e estragando a revelação do final. A ideia é que a cena é vista primeiro da perspectiva do personagem principal, que não teria se atentado a isso, pegou a arma e disparou com ansiedade. Só depois é que a cena é descrita da perspectiva do Gabriel. Talvez nessa parte eu deveria ter descrito melhor com ele simulando que colocou a munição, e depois colocando de verdade na hora de entregar a arma.
      Quanto à questão da loucura, fiz pensando que o principal sintoma seria a mentira compulsiva do Gabriel, que tenho como alguém com desvio de personalidade antissocial, aí a loucura, que é o que levou o personagem principal a quase se suicidar, e nele, realmente, eu não quis deixar claro se há loucura. Mas talvez pudesse ser tido como um borderline.

  12. Jefferson Lemos
    14 de novembro de 2020

    Resumo: a história do protagonista que queria ser igual ao Gabriel, o cara “mais foda da cidade”. O que ele não esperava era a resolução trágica para uma noite de farra.
    Olá, caro autor.
    Gostei muito do seu conto. Muito leve, a leitura foi muito rápida, me fisgou mesmo. A narrativa eu achei bem simples, não tem muitas sacadas extraordinárias, mas atende bem ao leitor na sua proposta. A história é muito boa e Gabriel é um baita de um fdp. E olha, esse tipo de coisa (de querer ser alguém) é o que mais acontece, infelizmente. Sobre a droga, um adendo. Geralmente o uso de LSD é feito em pequenos tabletes, que você coloca na língua e ele dissolve com o tempo e a droga leva de 40 min a uma hora pra começar a fazer efeito. Pelo jeito que você descreveu parecia uma bala (ecstasy).
    Tirando essa parte, todo o resto do conto eu gostei bastante. Mandou muito bem!
    Parabéns e boa sorte!

    • Dostoiévski
      17 de novembro de 2020

      Bastante interessante essa tecnicalidade hehehe. Não me atentei a essa distinção, realmente

  13. Fabio Monteiro
    12 de novembro de 2020

    Resumo: Sexo, drogas, e uma amizade altamente destrutiva.
    Quem é que nunca teve um amigo como o do desse texto? Aquele cara que parece o fodão e você muito besta se espelha nas suas ações.
    Isso acontece com naturalidade na adolescência, na juventude, na vida adulta e ate mesmo na velhice. Talvez, por que queremos atenção, foco, nos sentir presentes perante as outras pessoas.
    Para mim o problema começa exatamente ai. Só com isso o autor captou minha atenção.
    O autor(a) também inseriu na narrativa outros tópicos que nos levam a pensar sobre a autodestruição. Basta seguir qualquer tonto que pareça ser o tipo maneiro.
    É um conto excelente. Com toda certeza criado por alguém que olha com atenção as pessoas.
    Boa Sorte autor(a)

    • Dostoiévski
      12 de novembro de 2020

      Muito obrigado pelos elogios muito gentis, Fabio!

  14. Fheluany Nogueira
    10 de novembro de 2020

    O protagonista se espelha em um amigo. Pressionado pelo grupo, usa droga, aceita o desafio da roleta russa e se fere gravemente. Ao vistá-lo no hospital, o amigo confessa ser uma fraude.
    Um bom trabalho com a loucura, apenas fiquei em dúvida sobre quem era o doido: o mentiroso, o “maria vai com as outras” ou ambos?
    O conto nos propõe uma discussão sobre princípios éticos, já que leva o leitor a uma apreciação de padrões de conduta suscetíveis de uma qualificação maniqueísta; nesse sentido torna-se moralizante, sobretudo no desfecho.
    A frase “Eu queria ser igual o Gabriel”, repetida como um mantra, foi ótimo recurso técnico.
    Deslizes de coerência textual e gramática não prejudicaram a fluidez do texto e a leitura agradável. No conjunto, um bom trabalho. Boa sorte no desafio. Um abraço.

    • Dostoiévski
      10 de novembro de 2020

      Obrigado!

  15. Misael Pulhes
    8 de novembro de 2020

    Olá, “Dostoievski”.

    Resumo: Ele quer ser como Gabriel, um cara foda. E naquela noite, terá essa oportunidade, em meio a baladas, mulheres, drogas e muito papo furado.

    Comentários: Não tem nada a ver, mas chamar-se Doistoievski e começar com o homem do subsolo gera expectativas, não tem como hahah

    A história por trás do conto é boa. Não acho que houve sucesso na condução do conto, a meu ver. Ok, há um claro clima psicodélico no miolo da estória, deliberado, por certo. Mas parecem-me exagerados os vários trechos que mencionam o macaco e a loucura que estava aquela festa.

    As repetições estilísticas têm seu propósito mas também me parecem exageradas em sua quantidade. Sim, ele queria ser como Gabriel, ok. Eu acho que o texto poderia ser muito melhorado com uma boa revisão, uns cortes, um encurtamento, enfim, uma lapidada.

    E o final ficou muito explicado. Contos curtos trabalham muito com o dizer pelo não dizer, ou seja, com o implícito. Jogar toda a explicação na cara dos leitores é, em geral, subestimá-los. Não acho que você o tenha feito por mal, claro. Mas eis outra sugestão numa eventual reescrita.

    Boa sorte e um forte abraço!

    • Dostoiévski
      8 de novembro de 2020

      Legal. Obrigado pela crítica.

  16. Fernanda Caleffi Barbetta
    5 de novembro de 2020

    Resumo
    Determinado a ser como Gabriel, rapaz usa droga e aceita o desafio da roleta russa. Ao final percebe que o amigo era pura mentira.

    Comentário
    Gostei do seu texto, fluido, envolvente. Os parágrafos são bem desenvolvidos e vão nos mantendo interessados.
    Não imaginei que no final o Gabriel fosse um mentiroso, gostei.

    “A música eletrônica cobria o ambiente assim que a porta se abria. Depois que abriram a segunda porta, já não dava para ouvir nada. Gabriel virou e gritou alguma coisa para mim. Mas eu não ouvi nada com o David Guetta tocando no fundo, então só dei uma risadinha e continuei o seguindo.” – estre trecho ficou estranho. Pareceu incoerente, confuso.

    Encontrei erros que poderiam ter sido evitados com uma boa revisão, nem vou citá-los.
    Outros, mais importantes:
    Revolver – revólver
    acento – assento

    “Agora eu vou terminar a história de Moscou” – ele ainda não tinha começado a história.

    “Entrei no banco de trás. Ele entrou no motorista. Abriu o porta-luvas na frente da menina que ele estava beijando. Tirou uma coisa de lá que a fez entrar em choque.” Aqui você tentou criar um suspense sobre o que teria no porta-luvas e era algo óbvio e esperado. Se não for algo realmente diferente, surpreendente, vá logo ao assunto porque pode criar expectativa e não atendê-la.

    “Meu refúgio foi a paz interior. Voltei a submergir nos meus pensamentos, em que encontrei novamente o sábio macaco dançante com quem eu já tinha conversado na mesma noite. Dessa vez fui eu que me curvei até o macaco e perguntei humildemente “o que devo fazer?” O macaco dançante parou e deu um trago em seu charuto. Ele, então, respondeu do alto de sua sabedoria: “ouça seu coração. Você quer ser como Gabriel, não é?” – adorei o macaco. Muito boa essa ideia e muito bem desenvolvida.

    • Dostoiévski
      5 de novembro de 2020

      Obrigado, Fernanda! Realmente, preciso treinar essa parte da revisão. Concordo que os trechos citados deveriam ser mudados, só não sei se mudaria tanto o penúltimo, de tirar a arma do porta-luva. A observação é bem interessante para eu ficar atento, mas acho que não necessariamente criei um suspense ali, mas que eu necessariamente tinha que descrever que as pessoas no carro ficaram assustadas com a arma, pois, apesar de óbvio na história, uma arma causa espanto. Talvez eu devesse ter usado um adjetivo mais relacionado a medo do que o “entrou em choque” que eu usei. E obrigado pelo elogio ao macaco hehe

  17. Angelo Rodrigues
    5 de novembro de 2020

    Resumo:
    Jovem (será?) deseja ser como o amigo, um compulsivo mentiroso. Não admitindo aquelas mentiras, tendo-as como reais, o trouxa protagonista faz uma tremenda lambança quando dá um tiro na própria boca. É quando a mentira do Gabriel se desfaz.

    Comentários:
    Esse foi, talvez, o conto, até aqui, que mais me deixou confuso quanto a avaliá-lo. Não tem uma leitura difícil, pelo contrário, é retilínea, dado que o autor, acredito, sabia exatamente onde desejava chegar. Partiu de uma ilusão, construiu-a ao longo do texto e a desfez ao final. Aí residiu minha dúvida: a intenção subliminar do autor.

    Acredito que, como alguns contos deste certame, este também tende a se mostrar como um conto exemplar. A partir de uma construção de vida supostamente equivocada, é assegurada a derrota daquele que pecou, cabendo-lhe a punição moral/física ao final.

    Essa ideia – do conto exemplar –, de modo geral, parte de uma premissa religiosa/moral/ética determinística, onde cabe sempre uma punição ao transgressor. Não foi diferente quando Gabriel, incorporando o senso da mentira, da fanfarronice, do equívoco e do mal, enfim, gerou adeptos fadados a se darem mal – ao menos um deles.

    Não tendo a avaliar apenas o conto, não me importo tanto com a escrita (há revisores bem capazes), mas com a ideia, com a alma do conto, com aquilo que ele lança na direção do leitor. E, no caso dos contos exemplares, sempre tendo a achar que o autor aciona seu viés pessoal, construindo uma preconcebida realidade na direção do leitor, como se a cooptá-lo em direção essa ideia.

    Não creio – por questões apenas pessoais – que a vida se mostre retilínea, e que os resultados sejam sempre determinísticos, mas sim, fluidos. Tendo a acreditar que, embora todo conto seja um recorte do mundo, abdico dos recortes exemplares, justo por serem determinísticos.

    Resumindo um pouco, acredito que o autor – qualquer autor –, tomando tal decisão, abdica da modernidade literária, da ideia de arte criativa, privilegiando passar, de alguma forma, talvez subliminar, um conceito moral, e, como tal, possivelmente oblíquo ao leitor.

    O conto está legal, dinâmico, mas, acredito, deva ser enxugado da lição que pretende passar. É como penso.

    Nota: no epígrafe do conto, que cita Dostoiévski, notei uma discordância, provavelmente decorrente das traduções que temos. Enquanto uma (a sua) diz, ao final, ‘…Ele faz parte da geração que está vivendo seus últimos dias…’, uma que tenho diz ‘…É um dos representantes de uma geração que ainda vive…’. Nota-se construçções incongruente, dado que, na primeira, denota-se um caráter terminal, ao passo que, na segunda, tudo é corrente. Fico com a segunda. Não seria típico de Dostoiévski algum otimismo.

    Acredito que o texto precise de uma revisão significativa.

    Boa sorte no desafio.

    • Dostoiévski
      5 de novembro de 2020

      Obrigado pela análise bastante aprofundada. Acho difícil eu conseguir escrever um conto em que personagens ruins se saiam bem, por causa das coisas que gosto de ler, sempre sinto que falta alguma coisa quando isso acontece em um texto. Acho que a auto-destruição era um clímax natural, devido ao estilo de vida que essas pessoas viviam. Talvez por causa dos versos finais, em que acabei sendo direto demais quanto à virada de concepção do personagem com relação à mentira em que ele acreditava, talvez por isso a auto-destruição acabe sendo confundida com moralismo, e reconheço meu erro nesse ponto. Obrigado!

  18. Anderson Do Prado Silva
    4 de novembro de 2020

    Resumo:

    Jovem sai com os amigos, consome drogas, joga roleta-russa e se fere.

    Comentário:

    Dostoiévski, dentre vários fins, o EntreContos é muito bom para (re)conhecermos nosso público leitor. Enxerguei méritos no seu texto, mas não me considero público leitor dele, isso porque me deparei com um universo que me é completamente estranho (baladas, drogas, irresponsabilidade juvenil, calão, gírias etc.). Com isso, não consegui sentir muita identificação com seus personagens e enredo.

    Como você já deve ter percebido, me senti extremamente desconcertado com palavras como “pau”, “comeu”, “porra”, “maconha”, “travestis”, “pó”, “overdose”, “pacotinho”, “LSD”, “bunda”. Além disso, outras me são distantes ou estranhas, como “vodca”, “Connor McGregor”, “narguilé”, “doce”, “Amy Winehouse”, “Dance Monkey”.

    Por um instante, pensei que não fosse gostar de quase nada no seu texto, mas, a partir de um certo ponto, passei a gostar da repetição “queria ser como Daniel”, “queria ser como Daniel” e, no final, você arrematou com “Agora eu nunca mais seria que nem o Daniel”. Poxa, isso realmente achei uma bela pegada!

    Outra coisa de que acabei gostando muito foi de ver esses jovens se dando mal! Confesso minha crueldade: torci para que eles se dessem mal mesmo, pois mereciam por serem tão irresponsáveis! Bem feito para todos eles! Espero que tenham aprendido a lição! Bicho burro, velho, arrebentou a boca!

    Dostoiévski, tome um pouquinho mais de cuidado com a revisão, pois seu texto tem uns errinhos de digitação, tipo: “via” virou “vi a”; há um “de de” perdido; há uma vírgula separando o sujeito do verbo em “o outro, ficou com ele”; coisinhas assim, nada que prejudique muito seu texto.

    Dostoiévski, seu conto teve o mérito de me mostrar que vale a pena não abandonar uma leitura só porque não se gostou do início, pois, por vezes, podemos ser surpreendidos!

    Parabéns por tudo e boa sorte no desafio!

    • Dostoiévski
      4 de novembro de 2020

      Que maravilhoso saber da sua experiência! haha
      Pior que eu acho que sentiria a mesma coisa, pois odeio todos os personagens e também gostei de vê-los se dando mal no final kkkkkkkkk
      Eu entendo que as pessoas podem não gostar da linguagem também, mas acho que é assim que essas pessoas falam, e a linguagem é necessária para trazer um retrato fidedigno.
      Com certeza vou me atentar à revisão nos próximos!

  19. Bianca Cidreira Cammarota
    4 de novembro de 2020

    Rapaz vê seu amigo Gabriel como modelo a ser seguido e personificado, amigo esse que age como rei da noite e das mulheres. No entanto, desejar ser Gabriel leva o protagonista a uma situação dramática.

    Dostoiévski , sua linguagem é leve e bem explana, tanto os cenários que se alteram, como a evolução do enredo, de modo a nos chamar para essa história. Interessante que o protagonista tem quase 30 anos, mas seus anseios e comportamentos remetem a de um adolescente.Será que o personagem central ficou preso em sua maturidade e, justamente por isso, não enxergou a fraude que Gabriel era? Foi essa a sensação que tive e esse fato dá mais dimensão ao protagonista.

    A descrição da alucinante vida dessas pessoas foi ótimo!

    Foram vários cenários, vários segmentos e não me senti perdida, transcorri em todos os tempos e lugares segura.

    O conto é muito bom! Só o desfecho poderia ser um pouco mais aprimorado para dar a chave de ouro na tua história.

    Parabéns!

    • Dostoiévski
      4 de novembro de 2020

      Que legal! Essa era minha maior preocupação, se as pessoas ficariam perdidas na história. É bem difícil ilustrar bem as cenas sem fazer as pessoas se perderem, é como o piloto que precisa forçar o carro nas curvas sem sair da pista. Que bom que deu certo nesse. Quero treinar isso mais nos próximos 🙂 Vlw pela crítica!

      • Bianca Cidreira Cammarota
        4 de novembro de 2020

        Verdade! Vc foi um condutor exemplar! Eu me vi em todos lugares. Me senti literalmente dentro da história, acompanhando o protagonista. Isso não é fácil de se produzir! Parabéns mesmo!

  20. Thiago de Castro
    4 de novembro de 2020

    Resumo: Influenciado pela figura de Gabriel (um falastrão hedonista), o protagonista se vê influenciado a cometer atos extremos para se enquadrar no grupo de baladeiros que compõem seu círculo de amizades.

    Comentário: Caro amigo russo, seu conto é carregado de hedonismo, além de um narrador emocionado com o amigo dentro de um ambiente visivelmente tóxico e nocivo. Fala sobre influências negativas e aceitação, percorrendo também um caminho trágico, apesar da forma resignada que o narrador se dirige ao leitor. Gostei bastante de como os acontecimentos se desdobram, em igualdade com o caos que esse tipo de passeio propõe, além da tensão e do perigo que você inseriu na trama, de gente usando drogas, das mentiras, de tudo acontecendo ao mesmo tempo enquanto o foco é sempre o vislumbre diante do raso Gabriel. No caso deste conto, o que nos prende é a antipatia para com esse personagem, mais do que o drama do protagonista.

    Seu texto me remeteu um pouco a atmosfera dos livros/hq’s do Mutarelli, até um pouco do humor cáustico do autor.

    Só não gostei da maneira como conduziu o despertar do protagonista no final do conto, pois o fato do Gabriel ser uma farsa já havia sido esclarecido no parágrafo anterior, mas a conclusão é boa, bastante tragicômica.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

    • Dostoiévski
      4 de novembro de 2020

      Valeu pela crítica, Thiago! Com certeza vou ler mais do Mutarelli. E vou me atentar melhor a como revelar o desfecho nos próximos hehe

      • Thiago de Castro
        4 de novembro de 2020

        Não coloquei no comentário, mas vale o acréscimo! A imagem que criei do seu Gabriel foi a mesma do Dean Moriarty, do livro On The Road. Enfim, o conto me levou para vários lugares e eu o enquadraria nesse gênero, de literatura marginal, suja, underground. Não sei, estou variando…talvez entorpecido pelo seu texto HAHAHAHAHAH

      • Dostoiévski
        4 de novembro de 2020

        Esse eu conheço bem hehe. Muito legal. Eu amo essa literatura suja. Eu fiquei pensando em Psicopata Americano, Brett Easton Ellis, e Clube da Luta, Chuck Pallaniuck, na hora de escrever o conto. Fiquei até pensando que o conto não seria muito aceito pelo pessoal daqui, o que me deixa curioso para ler os comentários haha. Acho que falta autores brasileiros revelando essa sujeira incrustrada nas nossas ruas. Os americanos falam muito disso nas literatura deles. Mas o underground do Brasil tem umas características muito peculiares, ele parece querer imitar o underground dos americanos, o que torna ainda mais cômico escrever sobre ele. Com certeza quero escrever mais sobre esse cenário todo e, dependendo de onde esse projeto chegar, escrever um romance mostrando toda essa sujeira hehe

      • Giselle F. Bohn
        4 de novembro de 2020

        Homem fascinado por amigo babacão é induzido a participar de uma roleta russa.
        Conto legal, com uma pegada urbana, contemporâneo, bem escrito. Só notei de errado “acento” (que deveria ser “assento”) e revolver (que deveria ser “revólver”). A condução é bem interessante e a gente não cansa da leitura. Parabéns!
        Só não curti o final; achei meio “didático”, como se o autor achasse que precisava explicar o que não precisava mais ser explicado. Estava esperando um final mais arrebatador. Mas isso não tirou os méritos do conto, não. Foi bem legal mesmo.
        Boa sorte no desafio!

      • Dostoiévski
        4 de novembro de 2020

        Valeu, Giselle! concordo com vocês que vacilei no final haha

  21. Lara
    4 de novembro de 2020

    Resumo : Um amigo se espelha em outro amigo que parece ser o máximo com as mulheres e com todos.Até que ele usa uma droga por pressão e no fim das contas acaba atirando em si mesmo por uma brincadeira sem graça.No final se descobre que o amigo era uma grande farsa.
    Comentário : Amei o texto. O conto mostra bem como os jovens sofrem influência dos amigos que muitas vezes nem amigos são. O conto me levou a pensar : Será que ter amigos falsos é melhor que a solidão ?

    • Dostoiévski
      4 de novembro de 2020

      Que bom que gostou, Lara! Acho que algumas questões são impossíveis de serem respondidas na prática, tipo qual a natureza da amizade ou do amor. Por isso que a literatura deve apenas mostrar como essas questões se revelam na sociedade e, meu favorito, debochar desses eventos, como tentei fazer hehe

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Informação

Publicado em 4 de novembro de 2020 por em Loucura.