EntreContos

Detox Literário.

Canção de Ninar (Elene)

Assim que os primeiros raios do sol brincaram com o tecido grosso da cortina, fazendo com que o quarto, antes escuro e quase mórbido, tomasse ares dourados, Elene se levantou tateando os pés no tapete macio, tentando encontrar os chinelos, sem fazer som algum. Não queria acordar Roberto. 

Saiu  na ponta dos pés e correu até o quarto da Luísa. Ela ainda dormia, sugando o polegar. Passou os dedos pelos cabelos cacheados e cheirosos da filha, que abriu os olhinhos pretos e sorriu, ainda com o dedinho na boca.

— Bom dia, bebê! Dormiu bem? Eu queria que você dormisse no meu quarto, mas seu pai não deixa. Acho que ele tem ciúmes, não quer dividir a mamãe com você. 

Pegou a menina e colocou com gentileza sobre o trocador. Tirou a fralda, passou o lencinho umedecido e colocou uma nova. Trocou o pijama de ursinho da filha por um vestido de bolinhas rosas e roxas. Preparou a mamadeira e se aconchegou com a filha na poltrona rosa. Enquanto a menina mamava, a mãe contornava os traços de seu  rostinho com o indicador. 

— Estou preocupada com o seu pai. Não sei por que ele não liga pra você… Ele era tão cuidadoso e parecia tão feliz quando você nasceu.… A última vez que falei com ele sobre a sua festinha de aniversário, ele não quis me ouvir, você vai fazer um aninho, não posso deixar passar em branco, vou fazer assim mesmo, vai ser uma surpresa, pra ele, é claro. Já mandei os convites, encomendei um bolo, salgadinhos e docinhos, e até os balões cor de rosa que você tanto gosta… Então, vamos ficar  bem quietinha e longe dele por esses dias, tá bom? 

Elene passou a manhã inteira entretida com Luísa e mal se deu conta que já era quase hora do almoço, precisava preparar a comida antes que o Roberto chegasse.  Assim que Luísa nasceu, ele contratou uma empregada, uma senhora magra, alta e carrancuda, que atendia pelo nome de Leonor.  Ela limpava a casa toda, mas não cozinhava nem ficava de  babá, parecia ter horror a crianças. Elene não suportava a mulher e se pudesse, já teria mandado ela embora de sua casa há muito tempo, mas Roberto insistia em mantê-la. 

Tentava sempre dar o almoço de Luísa antes do marido chegar, mas não teve tempo. Deixou a menina no quarto enquanto almoçava com Roberto. Os dois em silêncio. Sabia muito bem que ele nunca queria falar sobre a filha e muito menos ouvir qualquer coisa sobre ela, então não falava nada. O que diria? Sua vida consistia em ser mãe, só isso. 

Ouviu Luísa chamando, o choro começou baixinho, mas foi aumentando até não poder mais ser ignorado. 

— Onde você vai? — Perguntou o marido, limpando a boca com um guardanapo.

— Vou ver o que a Luísa quer, não está ouvindo ela chorar? 

— Senta aí, Elene, deixa ela chorar! — Seu olhar era tão duro, tão cheio de raiva, tão louco, que ela não teve coragem de desobedecer.

Sentou novamente e comeu o mais rápido que conseguiu, com as lágrimas escorrendo pelo rosto, formando um bolo na garganta que dificultava ainda mais a tarefa de engolir. O choro da filha ardia em seus ouvidos e queimava seu coração. Assim que terminou, levantou e foi correndo até o quarto da menina que berrava inconsolável, de pé, segurando nas grades do berço. Pegou Luísa no colo e a embalou até sentir a filha relaxando em seus braços.

— Tá tudo bem, filha. Um dia a mamãe vai levar você embora daqui e seremos só nós duas… Quando ele sair eu te dou almoço. Isso… A mamãe está aqui. Não se preocupe… 

Não podia perdoar o marido. Nunca o perdoaria! Já havia planejado escapar dele, levar sua filhinha para longe dali, poder dar toda a atenção que ela merecia. Mas nunca tinha oportunidade. Leonor estava sempre por perto, e quando ela ia embora, tinha o Roberto.  Sempre rondando, vigiando, tentando ocupá-la com outras coisas, qualquer coisa, contanto que deixasse a menina sozinha no quarto. 

Queria entender esse rancor, esse ódio. O que a filha poderia ter feito para que ele a odiasse tanto?  Tentou se lembrar de quando isso começou. Ele simplesmente foi se desligando, de forma lenta e gradual . Agora precisava esconder a filha dele, não deixar que suspeitasse de sua presença. Fazia questão de dormir só depois que ele adormecesse e acordar antes dele, tinha medo do que ele poderia fazer com a filha se ela  não estivesse por perto. 

Ficou com a menina nos braços até que ele voltasse para o trabalho, cantarolando a canção de ninar que fizera para ela.  O calor do corpinho da menina tirava toda a sua angustia, seu cheiro de bebê a acalmava, as brincadeiras e gracinhas a alegravam e então seu dia ia passando, era assim que suportava. 

Elene aproveitou que Luísa adormeceu para tomar um longo banho,  precisava relaxar. A constante preocupação a deixava tensa, os nervos doloridos, o coração sobressaltado. Não conseguiria viver muito mais tempo assim, iria conversar seriamente com o Roberto e pedir o divórcio antes que acontecesse uma tragédia. 

Saiu do banho envolta em um roupão branco e felpudo, foi até a cozinha tomar um copo de água. Enquanto bebia, viu a pasta de Roberto sobre a mesinha da sala.  Colocou o copo na pia e correu até o quarto da filha. 

Ele estava de pé, olhando para o berço. A menina balbuciava e estendia os bracinhos para ele. E ele ficou lá, só olhando. A filha queria colo, e ele não mexia um músculo para pegá-la. Lágrimas escorriam pelo rosto de Elene. Por mais que ela quisesse que ele voltasse a ser o marido carinhoso e o pai apaixonado que um dia já fora, algo lhe dizia que isso nunca mais aconteceria, que seja lá o que se passava com ele, era irrevogável.

— Pega ela, Roberto. Ela precisa do carinho do pai. — Sussurrou. A esperança insistindo até o fim.

Ele olhou para trás, enxugando os olhos vermelhos que continham um ódio assustador. Não disse uma palavra, saiu do quarto e se fechou no banheiro. Ele planejava alguma coisa.  Esse sentimento fez um choque percorrer todo o corpo de Elene, precisava ficar alerta, não desgrudar os olhos da filha e planejar a fuga o quanto antes. A conversa sobre o divorcio não adiantaria, nem a festinha que tanto queria. Precisava agir rápido. A filha corria perigo!

Não conseguia dormir. Tentava imaginar um plano de fuga, mas para onde iria? Sua família morava do outro lado do país, suas amigas se afastaram quando Roberto começou a ficar estranho, estava sozinha e não tinha dinheiro suficiente para sair da cidade. Pensou em chamar a polícia, mas não tinha uma queixa concreta, ainda. Não era contra a lei odiar os filhos, infelizmente. 

Olhou o marido que dormia, tão tranquilo, parecia até outra pessoa. Lembrava o homem de antes, aquele que ela amava. Ficou olhando para ele… Quando acordou ele não estava mais lá.  Demorou apenas cinco segundos, daqueles que  separam o sonho da realidade, para que ela lembrasse da filha. 

Correu até o quarto da menina implorando para não ser tarde demais. Abriu a porta e a primeira coisa que viu foi o berço vazio. O pânico impedia os pensamentos de fluírem e dificultava a respiração. Olhou no quarto todo, saiu pela casa gritando a filha e procurando em cada canto, cada lugarzinho que um bebê poderia se esconder, mas no fundo sabia que não a encontraria. O marido também não estava lá. 

Pegou o telefone e ligou para a polícia.  Assim que desligou, ouviu o barulho de chave na porta da frente. Correu até lá, a esperança ainda insistia que ele a traria de volta, que haviam dado só  um passeio, que ela estava segura, mas assim que a porta se abriu  a esperança morreu. Roberto entrou segurando apenas uma sacola da padaria. 

— Onde está ela? O que você fez? — Gritou desesperada.

O semblante antes sereno do marido se alterou, seu olhar ficou duro e frio, ele se aproximou dela,  segurou seu braço e a arrastou para fora de casa, ainda de camisola. 

— Quer saber onde ela está? Vou te levar até ela… — Abriu a porta do carro e a jogou para dentro. 

Quando a polícia chegasse seria tarde demais, tanto para Luísa quanto para Elene. Ela sabia disso. Era tarde demais. Ele dirigiu como um louco pelas ruas da cidade. Não falou uma palavra. Elene só queria a filha de volta, precisava dela. Como sobreviveria sem ela? O que a consolou foi que provavelmente logo estariam juntas, de um jeito ou de outro. 

Roberto parou o carro e arrastou a esposa para fora. Elene reconhecia aquele lugar, já estivera ali antes.   Ela sabia o que viria, sabia e preferia morrer a ter que passar por aquilo de novo. 

— Não! Pelo amor de Deus, Roberto, vamos embora! Eu não quero ver, não quero ver… 

Se debatia e chorava, gritava e  implorava, mas ele continuava arrastando-a pelos corredores, até jogá-la sobre uma placa de mármore. 

— Você não queria saber onde ela estava? Não queria saber o que eu tinha feito com ela? Olha ela aí.  Olha!  — Segurou o rosto da esposa e a obrigou a olhar. 

Antes que Elene abrisse os olhos  já sabia o que iria encontrar e daria qualquer coisa para não ter que passar por aquilo novamente.  Viu uma lápide branca. Uma foto de Luísa, ainda com dias de vida, emoldurada logo acima de seu nome.  Como das outras vezes, tudo ficou claro em sua mente. 

Todo o ódio nos olhos do marido se transformou em dor, o tempo todo era dor, exaustão, tristeza, angustia. 

— Eu não aguento mais, Elene, não quero te colocar em uma clínica, mas não estou suportando mais. É demais para mim. Não posso ficar triste, não posso chorar, não posso sentir saudade da minha filha com você nesse estado. Você precisa superar isso… sei que é quase impossível pra você, mas eu não posso mais continuar assim, por favor, Elene… por favor. 

Elene viu como o marido havia envelhecido, como a dor o havia destruído. Mas ela não podia desistir da filha, não podia abrir mão dela, senão não sobreviveria. Se permitiu lembrar, uma última vez. 

O sentimento de impotência, de sufocamento, a filha recém nascida no colo. Olhava para ela e não sentia nada além de cansaço e desesperança. Tristeza. Sua alma estava na mais densa escuridão. O bebê chorava tanto. “Dorme filhinha do coração e não tenha medo de nada não…” Cantarolou até que o bebê ficou em silêncio. E ela pode deitar ao lado da banheira e dormir. Acordou com o marido gritando com ela, pegando a filha e correndo com ela para o médico, mas era tarde demais, tarde demais…

A lembrança vinha como uma bomba atômica que a destruía por dentro. A dor era insuportável. E ela chorava, em posição fetal, sobre o túmulo da filha.  Roberto a pegava no colo e a carregava até o carro e a levava de volta para casa. A polícia não viria naquele dia, já não atendia mais aos chamados de Elene.

No resto do dia, Roberto e Elene choraram juntos. Ela implorou por mais uma chance, não queria continuar assim, alheia à realidade. Prometeu que não se esconderia da dor, que a enfrentaria. Naquele dia eles eram eles mesmos. Vivendo o luto.  Eles dormiram abraçados e Roberto torceu para que ela tivesse forças.  

Quando amanheceu, Elene acordou com dor de cabeça, os olhos inchados denunciavam o choro, a sensação de desespero quase tomando conta dela, até que o choro da filha a acalmou. Levantou, sem acordar o marido, e foi até o quarto da menina. Ela estava lá, com seu pijama de ursinho, o cabelo bagunçado e os olhinhos cheios de lágrimas. Estendeu os bracinhos para ela. 

— Bom dia, Bebê! Senti tanto a sua falta!

48 comentários em “Canção de Ninar (Elene)

  1. Leda Spenassatto
    27 de novembro de 2020

    Resumo:
    Elene após dar a luz a uma linda menina é acometida de uma grave depressão, pós parto, que progride para um estado de loucura.

    Comentário:
    História que retrata em detalhes a angústia de uma depressão, pós parto. O alto grau de estresse, talvez , causado pela insegura, pelo medo , pelo sono irregular, pela cansaço, por não saber lidar com o choro do bebê, etc. Podem ter levado Elene ao descuido com o seu bebê, agravando ainda mais o seu estado depressivo.
    O tema é muito bom, mas precisa de uma revisão, talvez excluir, substituir alguns pronomes.

    ‘Estou preocupada com o seu pai. Não sei por que ele não liga pra você… Ele era tão cuidadoso e parecia tão feliz quando você nasceu.… A última vez que falei com ele sobre a sua festinha de aniversário, ele não quis me ouvir, você vai fazer um aninho, não posso deixar passar em branco, vou fazer assim mesmo, vai ser uma surpresa, pra ele, é claro. Já mandei os convites, encomendei um bolo,

    Gostei muito do seu conto e de montão, te desejo sucessos.

  2. Luciana Merley
    27 de novembro de 2020

    Canção de Ninar
    Olá, autor
    Elene é uma mulher corroída pela dor e pela culpa por ter matado sua filhinha num episódio de depressão pós parto.
    Impressões Iniciais – O conto é bom de ler e terrível de sentir. Uma autora chamada Courtney Reissig afirma que a determinação de Deus sobre Eva não foi eliminada pelo advento do parto cesáreo, mas que, uma vez sendo mãe, todos os maiores medos e dores da vida de uma mulher, estarão sempre relacionados a seu filho. Tudo na vida de uma mãe é acerca de seu filho. Imagina quando ela o perde. Imagina quando ela o mata. Eis o nível da sua coragem e da sua sensibilidade na escrita desse conto.
    Coesão – Seu texto traz o medo em cada linha. O medo de que algo vá acontecer com a criança. Como sabemos o tema do desafio, já conseguimos imaginar que o final será imprevisto e acerca de Elene. Mas para um leitor fora daqui, certamente o desfecho parecerá absolutamente assustador. A narrativa é eficiente em construir com muita delicadeza o ENORME amor de uma mãe e o pavoroso nível do seu sofrimento interior. A narrativa traz a tensão por meio de palavras ternas e você acertou nessa aposta.
    Ritmo- Apesar de tenso, o ritmo é suave pelo uso da linguagem simples e fluída.
    Impacto – Muito grande. Esse aspecto depende, claro, das perspectivas pessoais do leitor. No meu caso, intenso demais. Por ser mãe e por já ter lidado profissionalmente com a depressão pós parto. Garanto que é uma dos tipos de loucura mais cruéis que existem. Lembro-me de ter explicado cada um dos sintomas a meu esposo antes de ter meu primeiro filho, para que ele observasse e tirasse a criança de mim caso necessário. O final do seu texto é o melhor que poderia ser escrito, ainda que não alivie a sensação de angústia, mas mantém a inquietação acerca dessa patologia tão terrível que é a depressão pós parto.
    Sugestões para o texto –
    Achei que essa frase (Elene reconhecia aquele lugar, já estivera ali antes. Ela sabia o que viria, sabia e preferia morrer a ter que passar por aquilo de novo) e as outras explicações que desvendam a narrativa, foram desnecessárias, pois quebraram o ritmo do leitor e o impacto que ele sentiria ao descobrir o segredo. Bastaria a angústia do caminho e a descrição da visão do túmulo, entende?
    Mas é só uma sugestão e da forma como está não interfere na qualidade inegável do seu tema e da sua escrita.
    Parabéns e bom desafio.

  3. Paula Giannini
    21 de novembro de 2020

    Olá, Constista,
    Tudo bem?
    Resumo – Mãe sofre com a pior dor que uma mãe pode merecer.
    Minhas Impressões:
    Um conto claramente pensado, planejado pelo(a) autor(a) a fim de entregar a história ao leitor aos poucos. É interessante notar como a construção da pirâmide se dá: mãe amorosa x pai “ausente, seguido de uma construção na qual percebemos o apertar do parafuso narrativo com a crescente “violência” do pai, para que, só então, em um ápice, o(a) escritor(a) revele a natureza da depressão e loucura de sua personagem.
    Aqui, temos um conto alicerçado na personagem mãe, esmiuçando sua dor em uma narrativa que revela ao leitor os fatos, no mesmo instante em que, na trama, tal revelação se dá à personagem. Outro ponto a se notar é que, ainda que o leitor intua a morte do bebê (o que de certa forma é bom, leitores adoram dizer: eu sabia), há o detalhe do modo como a morte se deu, que fica oculta até o momento da revelação. O afogamento me remeteu a um clássico cinema, não sei se é o “Memórias de uma Gueixa”, onde há a cena em que a protagonista, saudosa de seu amor, pensando nele, deixa o bebê escorregar nas águas do banho. Muito triste. Aqui, o destino traz a tragédia, não por culpa da mãe, mas, por exaustão e depressão, o que casa perfeitamente com o gênero. A culpa, entretanto, é algo que atormenta a personagem e o conto é muito bem sucedido neste sentido.
    O tema me toca de modo especial, por questões pessoais e a cena do cemitério me levou a outros lugares. Uns bem doloridos.
    Parabéns autor(a) pelo conto.
    Como digo a todos, se acaso algo não está de acordo com seu texto, em minha análise, apenas desconsidere.
    Boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Paula, querida, sinto muito pela sua dor, que inconscientemente, fiz retornar. Sinto muito! Como sempre, sua leitura atenta e compreensão perfeita são impecáveis e mostram muita sensibilidade! Obrigada! Um beijo!

  4. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, Elene. Gostei muito do seu conto, que narra a história de uma mulher que sofre de uma perturbação psicológica que faz com que veja a filha falecida. Embora algo previsível, está bastante bem escrito e prende o leitor até ao final, cujo desfecho, esse sim, é imprevisível. Já passei por uma situação semelhante e consigo identificar-me com o homem: só com acompanhamento médico competente se consegue quebrar o ciclo de surtos psicóticos.

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Sinto muito por você, Jorge, espero que sua situação já esteja estabilizada. Infelizmente é uma patologia comum que atinge muitas pessoas, mesmo que em menor gravidade. Fico muitíssimo feliz que você tenha gostado! Um beijo!

  5. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 Mulher pensa que marido trama contra ela e a filha, mas no fim descobre que tudo faz parte de um delírio. Está em negação desde que sua filha morreu no seu puerpério.
    Gostei 😃👍 O mais legal desse conto é a forma como o autor resolveu contá-lo. Imagino que tenha sido uma marabalismo tentar esconder esse plot do leitor, ainda mais com esse tema que já nos faz buscar de cara o ‘’ louco’’ da história. É uma história muito bom, todos os personagens em seus lugares, a mulher que trabalha lá apenas para vigiá-la, o marido ambíguo que causa sim desconfiança e ela própria tão certa da sua realidade inventada. A desconstrução desse olhar da personagem se faz de forma concisa. A cena do homem olhando o berço deixa em dúvida as convicções de quem já tinha certeza que a mulher era louca e a menina estava morta. Quando Elene se vê sem a filha e toda da cena que nos leva ao desfecho causa a tensão necessária. O final é perfeito, não seria de um dia pro outro, o ciclo se reiniciará até todos entenderem que sozinha, ela não vai conseguir superar. ps: Coitado do marido. Parabéns! Conto lindamente triste e bem escrito.
    Não gostei 😐👎 Não há muitas coisas relevantes pra apontar, talvez as “escorregadas “do autor na tentativa de segurar o enredo. Acho que com algumas trocas de palavras ou uma cena a mais ( ainda tinha limite para isso) o autor conseguiria deslumbrar por mais tempo o leitor. Palavras como ‘’ ele está cada dia mais estranho’’ ou mesmo o diálogo que ele fala antes de levá-la ao cemitério. Enfim, pequenos detalhes que poderia fazer a diferença, mas que no geral não chega a ser demérito diantes dos vários acertos.
    O conto em um emoji : 🤰🏾🤱🏾🥀🙍🏿‍♀️

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Olá, Amanda, que bom que você gostou do conto, e sim, não consegui ser tão sutil como deveria, meus sentimentos sempre foram muito fortes e imperativos. Gostei da forma diferenciada de comentário, muito fofo ❤ Um beijo!

  6. opedropaulo
    16 de novembro de 2020

    RESUMO: Embora fosse Luísa quem ficava aninhada nos braços de Elene, era a mãe que se sentia abrigada ao segurar a filha. Não podia compreender as razões por detrás da indiferença e do rancor do marido e, por isso, passou a suspeitar que ela e a filha estavam em perigo. Ou assim seria, caso houvesse filha. Ela havia morrido já fazia algum tempo. Eram só ela, o marido e sua loucura. Sua crescente e cíclica loucura.
    COMENTÁRIO: Este é um bom conto. A sua estrutura narrativa funciona muito bem, já a princípio nos apresentando os personagens e o (falso) conflito, tecendo a partir daí um desenvolvimento calculado que vai escalando a situação a ponto de fazer parecer que a protagonista está em perigo. Esse suspense contribui para o impacto do clímax no final. Quero dizer que o conto tem essa estrutura funcional, mas que, mais por uma coincidência, talvez, não me surpreendeu. O que coincidiu foi eu ter assistido a uma série da AppleTV, “Servant”, cujo enredo é praticamente o mesmo (se bem que este conto é melhor). Uma mãe tenta substituir o trauma de ter perdido o filho por meio de uma boneca, agindo e pensando como se o simulacro fosse mesmo o seu bebê. Por isso, eu imaginei que o enredo caminharia para a mesma coisa.
    Foi uma surpresa agradável ter abordado a depressão pós-parto. A condição apareceu em poucas linhas, mas, apesar da aparição sucinta, teve verossimilhança e impacto, dando ao conto um novo rumo e um caráter original. Na verdade, eu tomo que a forma rápida com que apareceu foi justamente pela escolha da autora de fazer do falecimento do bebê uma revelação. Outra escolha crucial foi, mesmo sem diferenciar nominalmente, demarcar a loucura da personagem não na depressão em si, mas no seu comportamento posterior, inclusive reconhecendo que o prisma pelo qual ela enxergava o marido fazia com que toda a situação transmitida ao leitor fosse diferente da realidade. Teria sido um erro tremendo equivaler depressão e loucura, apesar de que poderia ser desenvolvido nessa perspectiva.
    A escrita é mais voltada à ação e aos sentimentos da protagonista, cuidando de descrever principalmente quando quer nos mostrar como a personagem enxerga, o que mais tarde se compensa ao nos revelar que era tudo o seu ponto de vista e, aquilo que era rancor em seu marido, na verdade era dor. Foi outra decisão narrativa bem pensada. Ou seja, é um conto ágil, baseado em uma boa ideia e estruturado de modo a prender o leitor até a revelação impactante.

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Olá, Pedro Paulo, gostei muito do seu comentário que explorou nuances que muitos não repararam, muito obrigada pela leitura tão atenta! Um beijo!

  7. Anna
    16 de novembro de 2020

    Resumo : Uma mãe se preocupa com a falta de amor do marido pela filha. No final do conto ficamos sabendo que a filha está morta e a mãe cria em sua mente a imagem da filha viva como uma maneira de suportar a dor de ter sido culpada por sua morte.
    Comentário : O conto é extremamente triste, considero que perder um filho é uma dor imensa. Tomara que a mãe consiga superar um dia.

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Obrigada pela leitura atenta, Anna! Sim, eu também espero superar algum dia, mesmo que agora pareça impossível. Um beijo!

  8. Andre Brizola
    15 de novembro de 2020

    Olá, Elene.

    Conto sobre a relação de uma mãe e sua filha ainda bebê, e com o marido, por quem nutre um rancor muito grande pelo fato dele optar por ignorar a filha. A verdade, entretanto, é a que a filha, falecida, é apenas parte de um delírio, ainda em fase de crescimento, da mãe.

    Achei que a loucura foi muito bem retratada. A mãe, vivendo em um mundo entre o real e o ilusório, faz pontes entre realidades e suposições tiradas apenas de ações e reações causadas por uma miragem. Dos contos que li, até o momento, este é dos que, talvez, a loucura tenha conseguido o melhor tratamento. Muito bom.

    Por outro lado, e peço desculpas por apontar para isso, acho que alguns clichês deixaram o enredo um tanto previsível. Desde “Estou preocupada com o seu pai. Não sei por que ele não liga pra você” que já podemos perceber que há, ali, uma personagem danificada por algum evento trágico, uma morte, doença, ou algo nessa linha. Por um momento pensei que o pai poderia ser o falecido, mas em “Sabia muito bem que ele nunca queria falar sobre a filha”, ficou claro que a falecida, na verdade, era Luísa. Nenhum problema nisso, na verdade. Mas é um tanto frustrante se deparar com a realidade tão cedo assim.

    O drama percorrido pelo enredo não chegou a me tocar, infelizmente. Entendo a construção bem feita de um ambiente familiar marcado por uma tragédia e pela insanidade que se instaura após isso, mas não consegui me conectar à personagem principal, e nem aos coadjuvantes. Mas admito que, como leitor, contribuo com maior porcentagem com relação a esse aspecto. Me falta essa sensibilidade.

    E destaco o final, em que o ciclo se reinicia, com a mãe, novamente, embalando a filha ilusória, a despeito de todo o trauma e o choque forçados pelo marido no dia anterior. Uma opção elegante e sagaz para uma trama que poderia ficar cada vez mais e mais dramática.

    É isso, boa sorte no desafio!

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Olá, André! O que eu mais queria mesmo era dar esse tratamento profundo no tema mesmo, que me agrada muito, e fico muito feliz que você tenha reconhecido isso! No mais, você está certo, não tive sutileza para refinar o conto, e livrá-lo dos clichês do gênero. Um beijo!

  9. Leandro Rodrigues dos Santos
    15 de novembro de 2020

    Adentro do lapso da perda da filha, a revive para manter-se viva.
    Não sou de referenciar trabalhos, devido os nossos inúmeros processos inconscientes de reprodução, porém fá-lo-ei contigo devido a exatidão do conto com essa série: tabula rasa (tem na netflix), parece um resumo da série (veja). Bem, acredito que por isso me tirou a surpresa do conto, o qual vou bem levado, a trama realmente é pra levar a reviravolta.
    Se interessada, revise a conjugação verbal, colocação pronominal, alguns acentos, e substituições das repetições. Se quiser que eu os pontue é só dizer, se não, desconsidere.

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Olá, Leandro! Não conheço a série em questão e para falar a verdade não me interesso de assistir, gosto de escrever sobre o tema, mas não de assistir sobre ele, sou muito sensível a esse assunto. Se puder, eu estou interessada sim em como melhorar o conto. Obrigada. Um beijo.

  10. antoniosbatista
    15 de novembro de 2020

    Resumo: O bebê de Elene morre, mas ela, traumatizada pela perda, age como se a criança ainda existisse.
    Comentário: A mente de Elene ficou presa num mundo de ilusão, da qual é difícil escapar. Com certeza o marido vai interná-la numa clínica para doentes mentais, caso contrário vai acabar doente também. A história é interessante, escrita simples sem necessidades de grandes elaborações para dar o seu recado. A Arte Literária também está na escrita simples, num argumento interessante e final contundente. Bom conto. Um final com a crueza da Vida. Boa sorte no Desafio.

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Obrigada por achar arte na minha triste história, Antônio! Fico especialmente feliz pelo senhor ter gostado. Um beijo!

  11. Ana Maria Monteiro
    15 de novembro de 2020

    Olá, Autor.
    Resumo: Elene sofre de depressão pós-parto e, pretendendo apenas calar a filha e aplacar o seu desespero, mata-a. Depois disso, não suportando a culpa e a dor da perda, foge da realidade refugiando-se num mundo em que a filha está viva e revoltando-se com a indiferença do pai e o que supõe ser ódio do marido (que será certamente uma imensa dor e desespero perante a loucura da mulher). O marido consegue trazê-la à realidade, mas Elene não aguenta e cai de novo no seu delírio.
    Comentário: Um conto muito bem escrito e que retrará de forma bastante crível o que muitas vezes sucede com algumas mulheres. Um drama terrível. Por algum motivo que não sei explicar, percebi desde o início que a bebé teria morrido e era a mãe quem acreditava que a filha existia. A parte da depressão pós-parto, só percebi quando li, até aí qualquer forma de morte era possível para esta leitora. Esteve muito bem e, sobretudo, muito possível e bem enquadrada: os comportamentos do marido, a presença da empregada, as pessoas de fora que se distanciaram, tudo no ponto e bem escrito e desenvolvido.
    A ida ao cemitério é excelente e acrescenta uma ponta de suspense, apesar de eu saber antecipadamente o que o marido pretendia mostrar-lhe.
    O conto não se perde em apelos à emoção fácil nem em lamechices. É o que é e mantém a sua beleza. Isso só pode ser obra de quem sabe muito bem o que quer e como transmiti-lo. Parabéns, autor.
    Fecha com chave de ouro, seria exatamente essa a reação a esperar de quem se encontra em semelhante delírio e negação.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Querida Ana! Seu comentário mostra o cuidado e o carinho com que leu minha triste história, te agradeço muito por isso! Só uma mãe para entender profundamente outra mãe. Um beijo!

  12. Jefferson Lemos
    14 de novembro de 2020

    Resumo: Elene teme pela vida de sua filha, que para ela é constantemente ameaçada pela raiva do marido. A história se desenrola no denso sofrimento de Elene até chegar na revelação.

    Olá, cara autora.

    Gostei do seu conto. É leve, uma escrita bem fluída que vai nos carregando pela trama até o seu clímax. No meio do conto eu já imaginei o que viria, mas a maneira como você deu forma pro desenvolvimento foi muito legal, e criou uma atmosfera sentimental e tocante.
    Sua narrativa é muito boa, não teve muita coisa que eu pudesse apontar (percebi uma mudança temporal na narrativa em algum momento que destoou um pouco, no momento em que ele leva ela pra casa, se eu estiver errado, desculpe minha desatenção).
    Sua história é boa também, um retrato triste de uma família massacrada pela perda.
    Parabéns pelo belo conto e boa sorte no desafio!

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Oi, Jefferson, obrigada pelo comentário. Essa mudança temporal foi proposital (mas não tenho certeza se está certa) pq queria passar a ideia de que aquilo acontecia sempre. Fico feliz que você tenha gostado. Um beijo.

  13. angst447
    13 de novembro de 2020

    RESUMO
    Mulher, sofrendo de depressão pós-parto (loucura), torna-se responsável pela morte da sua filhinha ainda com poucos dias. Não suportando a dor da perda, ela se refugia na fantasia (loucura) de sua filha estar viva e prestes a completar um ano.

    AVALIAÇÃO
    Apesar de ter começado a ler o conto procurando pelo fio condutor da loucura, senti todo o suspense e o impacto da revelação final. Como não enlouquecer?
    As cenas são muito bem descritas, tornando a relação mãe e fila quase palpável. Suponho que a tal empregada fosse na verdade uma enfermeira de plantão enquanto o marido não estava em casa. Tudo é muito dolorido neste conto – a desconfiança de Elene em relação ao marido, a suposta indiferença do Roberto, a revelação da morte do bebê, a conscientização da mãe, e por fim , o retorno ao delírio, À repetição do processo de fuga da realidade, um ciclo de loucura do qual Elene não consegue sair.
    A linguagem é clara, objetiva, conduz o leitor sem floreios desnecessários. O ritmo mantem-se constante até que atinge o clímax com a revelação da verdade. Tudo converge para a fluidez da leitura.
    Boa sorte e que você possa contar/cantar uma canção de ninar mais feliz.

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Ai, Claudia, bem que eu queria cantar uma canção mais feliz, mas só quem já perdeu um filho sabe da dor que é, e a loucura é melhor do que a dor. Bem melhor! Obrigada pelo comentário que demonstra tanto cuidado com a leitura e compreensão do texto! Um beijo.

  14. Regina Ruth Rincon Caires
    13 de novembro de 2020

    Canção de Ninar (Elene)
    Resumo:
    A história de Elene, Roberto e Luísa. Elene não supera a perda da filha, morte ocorrida durante o período puerperal.
    Comentário:
    Um conto muito bem escrito. O enigma foi resguardado até muito próximo do desfecho, uma beleza de construção de narrativa.
    O texto prende o leitor na teia de mistério que envolve toda a narrativa. O autor juntou vários elementos na elaboração do texto. Basta perceber o suspense pulverizado, o amor, a dor, o sofrimento. Tudo dosado. E a loucura brota em meio a isso tudo para dar significado à trama.
    A mãe que pratica este tipo de “crime” (triste usar esta palavra), no período de puerpério, comprovado o estado de completa psicose, onde as alterações psíquicas provocam total incapacidade de entendimento e de querer, é excluída da culpabilidade. Inimputabilidade. Se isso a livra das grades impostas pela lei dos homens, aprisiona-a num martírio que a acompanhará até os últimos dos seus dias.
    É a maior pena que se pode imputar ao coração humano. Acredito que, em alguns casos como o de Elene, a dor oscilará entre momentos de lucidez e alienação, mas será constante, presente na alma. Que triste, meu Deus…
    Elene, confesso que o seu texto me prendeu do início ao fim, e, terminada a leitura, caraca, fiquei prostrada. Esse é o tipo de assunto que me toca profundamente, traz tristeza, amargura, angústia. Por que um transtorno dessa magnitude precisa ocorrer, né? A natureza prega peças…
    Parabéns pelo trabalho!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Querida Regina! Como você me entende! Fiquei até emocionada aqui! É verdade mesmo, essa é a maior dor que um ser humano pode sentir, ser responsável pela morte do próprio filho, nada no mundo se compara a isso. Eu sobrevivo mantendo Luísa nos braços o maior tempo que posso. E assim a vida vai continuando… Um beijo!

  15. Fabio Monteiro
    11 de novembro de 2020

    Resumo: Depois da morte da filha, a mãe não consegue lidar com a dor. Seu desespero é tamanho que ela chega a acreditar que a filha está realmente viva.
    Vou começar pela imagem escolhida de capa. A imagem me fez ter uma boa ideia do tipo de personagem que buscou descrever. Pude perceber uma mulher forte, mas que não conseguiu lidar com a maior de todas as dores da vida, a morte. Ela vive um transtorno pós traumático. Uma perda irreparável. É nítido que sua força e vitalidade esvaiu-se, tendo de se entregar a pensamentos desajustados.
    Eu enlouqueceria também.
    Qualquer faísca de pensamento que pudesse trazer de volta um filho amado seria suficiente, mesmo que esbarrasse na loucura.
    Existe no conto também uma tríade de sentimentos mal resolvida. Os afetos do marido para com a esposa e filha estavam conturbados. Essa cena fica clara quando a protagonista cita não reconhecer no marido o mesmo homem de antes.
    Enfim, um baita conto. Digno dos meus elogios.
    Boa Sorte autor(a)

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Oi, Fábio! Que baita comentário! Gostei muito de você, você me entende! Qualquer loucura é bem vinda se trouxer a Luisa de volta, ainda mais que ela não morreu em um simples acidente, foi culpa minha, eu já estava louca e não sabia. Enfim, hoje estamos bem juntas e isso que importa! Um beijo!

  16. Fheluany Nogueira
    9 de novembro de 2020

    A protagonista sofre depressão pós-parto e afoga a bebê. Tentando superar o trauma, acredita que a filha está viva e é vítima do ódio do pai.

    A cereja do bolo, aqui, é a reviravolta que tira a loucura do marido e passa para a mulher, já que a depressão pós-parto é fato bastante comum. O desfecho também é interessante: apesar das promessas e do choro, a alucinação se repete.

    Trama emocionante, leitura fluente e agradável que mantém o leitor atento. O senão vai para a previsibilidade — logo que surgiu a serviçal, por exemplo, percebi que ela estava ali para vigiar a mãe.

    Mesmo assim um trabalho muito bom. Gostei. Parabéns! Sorte no desafio. Um abraço.🥰

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Olá, Fátima! Obrigada pela leitura e comentário. Viu como você é esperta? Eu não notei que a Leonor era uma cuidadora e você sim! Isso que é leitura atenta! Um beijo!

  17. Misael Pulhes
    7 de novembro de 2020

    Olá, “Helene”.

    Resumo: mãe se consola com de um casamento arruinado com sua filha, o grande amor de sua vida. Mas as coisas não são o que parecem (QUE DESCRIÇÃO CLICHÊ. PERDOE-ME! É o sono!)

    Comentários: o conto é muito bom. Falta alguma sutileza e moderação no conduzir da história, mas o enredo é muitíssimo bem construído. A técnica de mudança do foco narrativo, o plot twist que tira a loucura do marido e põe na esposa é o ponto alto do conto, mas poderia ser mais bem trabalhado.

    Gostei do final, que é outro plot twist, no fim das contas, um tanto melancólico, já que o conto vai rumando para algo meio redentivo, e você repete o ciclo da loucura materna – o que, esteticamente, me agrada demais!

    Muito potencial, um enredo ótimo, e alguns pecados a serem trabalhados. Boa sorte!!

    • Elene
      27 de novembro de 2020

      Olá, Misael, minha mãe me batizou de Elene mesmo, com E… pode estar errado, ela era uma pessoa muito simples… mas obrigada pelas observações e sim, sutileza me falta, eu sinto tudo com muita intensidade para ser sutil. Um beijo.

  18. Luís Palma Gomes
    5 de novembro de 2020

    Gostei do conto. Tem um tempo narrativo muito apropriado para este género literária. A grande artifício do escritor foi manter o leitor com uma visão alternativa da realidade. Fez-me lembrar o filme “Sexto Sentido”, onde apenas no final o espectador compreende que detetive é um fantasma. Parabéns !

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Oi, Luís, obrigada pela leitura tão atenta. Esse artifício não funciona bom todos, mas quando funciona é realmente muito legal!! Um beijo.

  19. Fernanda Caleffi Barbetta
    5 de novembro de 2020

    Resumo
    Bebê morre com poucos dias de vida por um erro irreparável da mãe. A dor é tamanha que ela imagina o bebê anda vivo e questiona a falta de carinho e atenção do marido com o filho.

    Comentário
    Adorei o seu conto. Um enredo envolvente, um texto bem escrito que prendeu minha atenção do início ao fim. Dentro do tema, com certeza.
    Interessante como você pegou uma ideia até bastante desgastada e comum e fazer algo que me pareceu inédito de tão bom. Não imaginei que o bebê estaria morto… e adoro ser pega de surpresa. Parabéns.
    Você desenvolveu tão bem a trama que quando li novamente, já sabendo do desfecho, tudo fez sentido. Não houve uma “forçação” de barra no enredo para que o final fosse justificado. Foi tudo bem entrelaçado e pensado a ponto de eu não suspeitar sobre o caminho que a história ia seguir. Um texto muito fluido e interessante.
    Só não gostei muito da sua descrição da morte do bebê. “O bebê chorava tanto. “Dorme filhinha do coração e não tenha medo de nada não…” Cantarolou até que o bebê ficou em silêncio. E ela pode deitar ao lado da banheira e dormir.” Tudo bem ela estar cansada, mas cantar dorme bebê com ele na banheira? Acho que ficou estranho.
    Muito bem escrito. Só cito: Angustia – angústia
    casa gritando a filha – ?
    Parabéns pelo belo trabalho.

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Oi, Fernanda, obrigada pela leitura tão atenta! Você captou quase tudo, depressão pós parto é uma condição horrível que precisa ser melhor observada e tratada, ainda bem que a Luísa me ajuda a superar isso, não sei o que faria sem ela. A cena da banheira foi exatamente assim, eu só queria que ela ficasse quietinha, só isso, eu não estava só cansada, estava doente já, não enlouqueci depois que matei minha filha, matei ela por que já estava louca. De qualquer forma, obrigada por gostar tanto do texto, significa muito pra mim. Um beijo.

  20. Anderson Do Prado Silva
    4 de novembro de 2020

    Resumo:

    Mãe enlouquece depois de matar a filha durante o puerpério.

    Comentário:

    Gostei da sua maneira de contar história. Não sei precisar o que é, mas você possui um jeitinho muito gostoso de apresentar o enredo, os fatos, algo que desperta e, no geral, consegue manter o interesse. Você ainda pode amadurecer sua prosa, através da persistente escrita e, sobretudo, leitura, mas, no geral, já está muito bem encaminhado.

    Quanto a esse texto em específico, teria ficado mais interessante se o enredo tivesse se revelado de maneira menos óbvia, pois o conto ainda estava em seu nascedouro quando percebi que a louca era a mãe. Não me surpreendi com a mãe se revelando a louca, mas, como homem, gostei de acompanhar a mudança de foco narrativo: a mãe deixou de ser a mocinha para se tornar a vilã, enquanto com o pai ocorria o movimento inverso.

    De alguma maneira, você me fez pensar no filme “A ilha do medo”. Nele, o protagonista migra de mocinho para vilão dentro de um enredo muito perspicaz e, de certa maneira sutil, a mesma sutileza que faltou a você.

    Ainda assim, foi uma leitura agradável, principalmente por causa da sua maneira de contar. Também achei de algum modo belo a loucura a que essa mãe se entregou: para ela, a fuga era uma salvação, um remédio, e isso me tocou e atormentou profundamente. Acho que, no lugar dessa mulher, eu também veria na fuga um remédio, e foi isso o que mais me impressionou nessa sua história: é um dos primeiros contos do desafio em que o louco parece desejar, com o que há de mais profundo em seu ser, a loucura.

    Parabéns pelo conto e sucesso no desafio!

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Olá, Anderson, obrigada pela leitura tão atenta. Então, sutileza é algo que me falta mesmo, eu sinto tudo com muita intensidade e acabo passando isso pro texto… Sabe, você captou muito bem o que pretendi ao escrever minha história, vou te contar um segredo, quase coloquei o título como : Fuga, ou Escape, um dos dois.. pq era exatamente isso que queria mostrar, que a minha loucura era o que me mantinha viva, que sem ela eu morreria de remorso… Depressão pós parto não é brincadeira e matar uma filha destrói qualquer mulher. Um beijo.

  21. Angelo Rodrigues
    4 de novembro de 2020

    Resumo:
    Mulher, a partir da morte da filha pequenina, circula sua alma em torno de sua presença. Inconformada com a morte acidental da criança, Elene revive eternamente a sua presença e sua morte.

    Comentários:
    Conto legal. Conta ao leitor um misto de horror e loucura. Um duplo.
    Elene enlouquece – talvez – por haver deixado a filha morrer sob seus cuidados. A partir desse fato, inconformada com a sua morte, ela a revive em ciclos que se alternam entre lucidez e insanidade.

    Tem como coadjuvante o marido, que luta em busca de fazê-la compreender que a filha está morta, irremediavelmente morta.

    O autor – que bom – ultrapassa os limites do certame, e nos traz um pouco dos contos de terror ao nos levar até um cemitério onde a pequena criança está enterrada.

    Tudo resolvido com o casal, bastou uma noite para que a dança macabra recomeçasse, com Elene retornando ao berço para ver a filha.

    Ainda que a história não seja nova, a construção foi boa, ainda que dando pistas do seu desfecho (salvo pela circularidade que abordo adiante). O autor conduziu o leitor pelos caminhos que quis, e o fez com bastante competência. Gostei bastante do esforço literário quando alongou a história na direção do terror. Ficou legal, particularmente quando criou uma circularidade fazendo a esposa retornar à sua rotina de loucura matinal. Nada bom para o coitado do marido.

    Se posso contribuir, diria que cuidasse um pouco mais das construções frasais, do léxico, que às vezes derrapa. De resto, tudo legal.

    Boa sorte no desafio.

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Oi, Angelo, obrigada pela leitura atenta. Só esclarecendo, eu fiquei louca antes da morte da Luísa, foi depressão pós parto, e a morte dela não foi acidental… Então eu não consegui lidar com isso e para sobreviver permiti uma fuga onde ela ainda está viva… E olha eu aí de novo explicando tudo… Desculpe, não consigo evitar… Obrigada pelas dicas, vou seguir, com certeza, mas antes vou pesquisar o que é léxico. Um beijo.

  22. Bianca Cidreira Cammarota
    4 de novembro de 2020

    Mãe com filha pequena não entende a aversão do marido/pai pela própria bebê, sentindo que há perigo para ambas em virtude do comportamento estranho do cônjuge. O final surpreende, demonstrando que a filha havia morrido recém-nascida e que a mãe vivia em alucinação, não aceitando e/ou suportando a dor da perda da filha.

    Elene, seu texto é sensacional. Direto, simples e tocante, passando todas as imagens com uma precisão incrível, inserindo a quem lê na mesma casa da protagonista.

    O ritmo é ótimo; os diálogos são poucos mas na exata medida para formatarmos as personagens e percebermos a sinergia entre elas.

    Gostei muito, muito, muito de seu conto! A premissa foi lindamente desenvolvida! Não houve, no entanto, impacto no desfecho, pois ele foi liberado só um pouquinho antes.

    Meus parabéns! Que conto!!

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Oi, Bibi! Que bom que gostou tanto da minha história, decidi fazer a festinha da Luísa, vc está convidada, viu! Um beijo.

  23. Thiago de Castro
    4 de novembro de 2020

    Resumo: Mãe não compreende porque marido trata tão mal a filha de quase um ano, beirando o desprezo e a negligência. Há um grande suspense que faz a trama se desenrolar em uma espécie de loucura cíclica.

    Comentário:

    Elene, bom enredo! O seu conto carrega uma série de descrições comuns, como o Sol dourando o quarto, a forma dos personagens sentirem medo, vontade de chorar, nada fora do lugar comum, porém, há uma forma ágil de colocar os acontecimentos e gerar tensão que me prenderam do início ao fim. O conto tem elementos de horror e suspense que funcionaram bem e se em certos momentos eu duvidava dos motivos que levavam essa mãe a se manter em casa, ou por que ela falava sozinha com o bebê de forma tão elaborada ( até um pouco explicativa), no final tudo se esclarece no ciclo de loucura que a personagem está aprisionada.
    Você deixou algumas pistas, como a empregada doméstica, que ignora a criança, além de outros pontos que revelavam o subenredo do conto.

    Gostei, apesar dos clichês.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Oi, Thiago! Sabe, eu amo um clichêzinho… Não consegui evitar… Obrigada pela leitura tão atenta. Um beijo.

  24. Giselle F. Bohn
    4 de novembro de 2020

    Mãe enlouquece após um acidente com sua bebê, causado em momento de grave depressão pós-parto. No entanto, em seu delírio, ela acredita que o marido possa ferir a criança.
    Um daqueles contos de cortar o coração; qualquer coisa que envolva morte de criança acaba comigo. Mas, enfim, é muito bem escrito e sem pontas soltas. Consegue manter nossa atenção e tem trama bem criativa. Parabéns!
    Se pudesse, no entanto, fazer uma pequena crítica – que de modo algum desmerece o texto! – eu diria que em alguns momentos o autor ou a autora deixou a coisa “clara” demais; talvez menos explicações e mais sugestões o deixaria menos previsível. Eu não sou nenhuma gênia da interpretação textual, mas já percebi no começo que a louca era a mãe e não o marido, e que a criança estava morta.
    Mas o conto é excelente, na minha opinião. Grande concorrente ao pódio! 🙂
    Boa sorte no desafio!

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Oi, Giselle, obrigada pela leitura tão atenta… Então, não sou boa de sutileza, eu entro de cabeça em tudo. Inclusive, nasceu mais um dentinho na Luísa, não é fofo? Um beijo!

  25. Lara
    4 de novembro de 2020

    Resumo : Uma mãe fica assustada pelo marido não amar a filha. Depois se descobre que a filha está morta e a mãe tinha delírios com a filha viva.
    Comentário : Conto belamente escrito.Realmente pensei que o pai tinha problemas mentais e o final me deixou surpresa.

    • Elene
      5 de novembro de 2020

      Obrigada por ler e comentar, Lara. Eu ando meio confusa esses dias, mas acho que você entendeu direitinho minha história. Um beijo!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado em 4 de novembro de 2020 por em Loucura.