EntreContos

Detox Literário.

A Gota D’Água (Bel Marduk)

Uma gota d’água,  sem comparação com qualquer outra gota conhecida subiu estátua acima e depois despencou em uma tela; era a primeira vez que eu via um experimento anti/gravitacional, assim, frente a frente; páginas de livros  foram abertas e muita foto colorida apareceu, sendo que 90% dessas fotos pertenciam à gota d’água. 

Papéis voavam displicentes e vários deles se grudaram na estátua agora úmida… uma infinidade de gotas resolveu alar; de diversos pontos para múltiplas direções; alguns padres expectantes disseram que se tratava de evidente milagre produzindo em laboratório.  As imagens estavam contidas no filme digital que Laura produzia com máquina de última geração.  A última tempestade nos veio quando todas as gotas que subiram desceram estrepitosas… eram fragmentos de movimento, mesmo abrindo os guarda-chuvas, relacionados ao acaso, pudemos nos esgueirar da umidade.  Indicaria eu a porta caso não estivesse mais interessado em Laura do que no experimento. Laura dos cabelos louros.

– Talvez seja obra do demônio, – disse o padre benzendo-se. 

Da rua, em meio a estratégia de divulgação e trânsito incompleto,  uma possibilidade de percurso, horda de trompas mantinham o ambiente  mergulhado em caos; a noite caia e percebi que Laura se coçava, ela que estava sem mapa, perdida talvez(?) no labirinto arquitetônico.

– Evidente que eu estava com medo, – falei bem alto, mas ninguém ouviu.

Vou tentar visualizar: – as gotas subiam, as pessoas corriam através do movimento de cada uma destas imagens, Laura sacudia a cabeça e ria e se coçava, apesar da quantidade de papeis que segurava; era isso tudo o desenho de uma possível leitura. Aqui, o espectador foi convidado a partir, no entanto, muita gente queria saber do destino das gotas;  foram, estes,  considerado como subversivos, o padre inclusive. O alto-falante vociferava que a Guarda Nacional estava para chegar;  aqueles que faziam parte do provável desenho e do provável estudo das gotas d’água, foram deixados de lado e eu, que entrara ali para buscar uma pasta esquecida,  vi que da possível forma mutante e mutável que nos abraçava a todos em forma de estátua, surgia a interação entre o observador e a coisa observada. 

– E daí? – pensei, não muito inteligentemente.

Neste caso e nesta situação, Laura se aproximou, ainda rindo, tomou do meu braço e grampeou minha mão com alfinetes e clipes brilhantes. Doeu. Os espectadores também riram mas, isso não durou um segundo pois uma torrente de água desabou furiosa sobre nós. Não… nada ocorrera com aqueles que assistem e esperam; a coisa parecia ornada de mistérios e dependia de decifrador de códigos; além do mais uma série de balaços ecoou no ambiente assim que a estátua perdeu alguns dedos;  temi que fosse a Guarda Nacional. Prestidigitadores foram chamados para apertar rapidamente os botões do console; decifraram outros códigos mas as gotas d’água novamente se formaram (da onde? do chão, do ar? que sei eu?). Os prestidigitadores participaram, sem querer,  da construção poética que era o piscar de legitimas luzes de cádmio. Foi a  partir do diálogo de luzes e apitos e buzinas e galope de rinocerontes (os animais que a Guarda Nacional usava), e, sem quebrar o encanto,  que ocorreu a interação com as formas sugeridas pelas gotas d’água, surgindo outras formas. 

Laura segurou meu braço mas, eu tirei minha mão, imediatamente. Vai que ela grampeia outra vez. Ela não gostou, ou melhor, suspeitou que eu perdia meu interesse por ela, ou melhor, percebeu que eu não estava para brincadeiras, ou melhor, sentiu-se ofendida afinal os grampos eram dela.

Passei a mão na minha pasta e, aceitando o bombardeio de luzes na aberrante leitura que faziam os verdadeiros convidados para a experiência,  vislumbrei uma maneira de sair dali; eu procurava uma maneira de ver através de vidros, uma tentativa de enxergar a forma do todo sem ajuda de ninguém; Laura apareceu ao meu lado e tentou me segurar como se no fragmento do plano estivesse contido o grande movimento; forcei a caminhada mas foi justamente no momento em que a Guarda Nacional adentrava o recinto, chacoalhando o ambiente com seus paquidermes, rinocerontes róseos, em consonância com as estruturas mentais dos prestidigitadores.

A Guarda Nacional é um capítulo aparte. O traçado de seus movimentos é tratado aqui como um desenho arquitetônico, mas se perde na artes do militarismo moderno: um labirinto que se organiza com a participação do outro. E o outro era a o estabelecimento da Ordem, coisa que se extinguira na alvorada do século.  

– Nós e o labirinto organizacional tornamo-nos imagem do próprio ser, – disse-me um dia um general 8 estrelas que comandava certa invasão de luas. 

– Um saber aberto, – eu disse pensando que se tratava de um debate.

– Não! – gritou ele, –  interdisciplinar é o catso, mas,  em movimento, sempre sujeito ao risco da perda de orientação, pois sem Progresso e Ordem, não há controle.

Eu ainda quase que falava que controle era coisa de velho impotente mas desisti. Eles são impotentes mas usam armas, ainda e o mapeamento do labirinto  só se deu quando deputados de várias nacionalidades obtiveram maioria para acabar e vez com esses monstros militares, transformando-os em Guarda Nacional. Tiraram-lhe as armas. Mantiveram sua impotência. Deram-lhe pijamas listrados. Hoje a organização militarizada – são umas sete – encontram-se em movimentos independentes e giram, tontas,  em torno de sua própria órbita e de vez em quando se chocam,  se interagem em cruzamentos em pontos diferentes e morrem aos poucos. 

Hoje o fenômeno da gota d’água fez com que a sineta tocassem e  Guarda fosse chamada.

A gota que sobe ou cai é assunto estudado por cientistas de muitos países;  como uma chamada inicial, os laboratórios agora dependem que se descubra as regras de Coriolis e para onde água gira… todas as águas, qualquer água de qualquer hemisfério… um bater na porta do inconsciente coletivo Junguiano; os cientistas esperam abrir uma fenda, uma passagem por onde se vá um cano,  para o mundo mental, quiçá animal, o mundo dos sonhos, no terreno dos devaneios, nos meandros da memória. Querem usar a água para isso. Entronizaram tales de Mileto na porta principal da Universidade. Gotas que batem na água, gotas que sobem pela estátua,  que reverberam em círculos concêntricos, imitarão  ondas de transmissão mental. 

– Existe uma forma subjacente, – dizia Laura, querendo me agradar, – formas que permitirão comparações… formas que carrearão as artimanhas da mente!

– E eu perguntei alguma coisa? – levantei minha mão para que ela visse. – Ainda tem uns grampos que não consigo tirar…

Ela sorriu.  Uma forma. Eu olhei para a porta. Outra forma. Não passaremos nós todos nada mais do que formas no Universo? Princípios organizados?

– Quem disse princípios, aí? – alguém gritou no meio da  turba. – Não há princípio algum… somos imagens e abstrações…  fenômenos, sim,  que presidem o sistema interno de relações. 

– Onde é que vim parar? , pensei.

No início da confusão os rinocerontes pisotearam sofás e bancadas.  Foram rapidamente controlados pelos militares; a questão não era dentro do prédio da Universidade mas lá fora; a rua estava intransitável pois todos queriam ver as gotas d’água que subiam; e aquela rua era percurso obrigatório; por sua vez os militares querem sempre bancar engraçadinhos e fazem o que não mandam.  

Laura me tomou e beijou minha mão. Atenuei o medo. 

– Vamos embora, – ela disse.

– Estou tentando… m,as nem você nem esse pessoal aqui me deixa…

– Desculpa… 

Deixei fluir do inconsciente todas as minhas motivações a água, sob a influência de Michelet…  movimentamo-nos em meandros e corpos e pude aproveitar para apertar os braços e Laura; enquanto seguia percebi que as gotas d’água seguiam  em cursos indeterminados e imprevisíveis. 

– O universo está impreciso, – gritei.

–  Indefinido,  – Laura falou um tanto vaga. 

– Os velhos caminhos… – eu disse sem nenhum a convicção, levantando minha pasta sobre a cabeça.

– Elas percorrem caminhos labirínticos, parecem estruturas mentais. 

Na porta de saída estava Vygotsky, fazendo anotações. Os professores o citam a valer mas nunca o aplicam… 

– Vai ficar aí?

– Vou… ainda não terminei de anotar os fragmentos de água… as gotas, sabe…

– Sei, professor, mas a balbúrdia está muito grande…

– É… 

– E… a teoria do conhecimento… como anda?

Vygotsky sorriu: – Muito bem… sabe,  percebi que o cérebro se molda medida do seu desenvolvimento. Por isso meu interesse com essa experiência de não-gravidade, água que sobe e que desce.

Prensado na parede mas sem desgrudar de Laura eu falei: – Tem gente que nega a força gravitacional, ta sabendo? 

– Ah, é?

– Não só nega como também prova… 

Não deu mais para ouvir o que ele falou. Fomos empurrados para fora do prédio por uma manada. Cheguei a captar fragmentos do tipo… processo…  aprender… conhecer…  interação… mundo ou imundo… expansão.

Eu e Laura chegamos praça. Sentamo-nos no banco e percebi que havia pego a pasta errada..

Aberta a passagem para a rua, o fenômeno com a gota d’água, pareceu absorver a atenção da bairro inteiro; tomei da pasta, as páginas do livro me pareceram inúteis, mesmo que eu reabrisse a todas elas. Joguei no primeiro lixo que vi. Olhei para trás.

– Você não vai querer voltar, não é?, – Laura perguntou.

Neguei com a cabeça. A minha busca intencional estava contida na memória… na memória de homem.

– Era muito importante?

– Era o segredo que explicava o fenômeno da gota d’água.

– Então… você…

– É melhor nem falar… deixa do jeito que está…

 No percurso pela calçada, braços dados a Laura, foi como andar  com mapa em meandros de  ilhas, expulsos de um Éden original. Ela apertou minha mão. 

– Ainda dói?

– Que ideia de grampear minha mão.

Longe da Universidade as ruas estavam vazias… O vento dançava com as páginas soltas de lixo terceiros, desenhavam no ar as muitas linhas da espontaneidade, da irregularidade que sempre esperamos, da desordem sem códigos, da incerteza sem profecias,  do imprevisível multidimensional.

O mundo estava muito chato com cientistas descrevendo tudo.
As gotas d’água,  as páginas soltas, a estátua decadente, movimentos aleatórias, os múltiplos sentidos, e as expansões da mente… tudo isso sincronizados ao beijo que eu e Laura trocamos.

A poética em expansão.

25 comentários em “A Gota D’Água (Bel Marduk)

  1. Fil Felix
    30 de novembro de 2020

    Boa noite!
    Confesso que não entendi ou compreendi muito do seu conto, se falha minha ou não, não sei. É uma viagem alucinógena, um caleidoscópio de sensações e visões. Há muitas referências e coisas acontecendo: a gota que sobre, em vez de descer; a exposição/ apresentação ao público; as referências quase bibliográficas; a chuva/ a Guarda Nacional; os animais. Em certa parte do conto me lembrei de um filme do Fellini. Em algumas outras partes tive a impressão de ler uma crítica bastante mascarada de algumas discussões até recentes no país, principalmente em torno das universidades e o povo da “balbúrdia”. Mas não sei se foi realmente a intenção ou fui levado a acreditar nisso. De maneira geral, acabei não curtindo muito. Mesmo sendo super fã de textos mais visuais (sou da área das artes visuais) e de um tom mais psicodélico, acabei não me identificando com o conto. Um outro ponto que me incomodou foi os erros (propositais ou não, mas que pareceram erros de digitação), que da metade pra frente ficaram muito visíveis.

  2. Elisa Ribeiro
    29 de novembro de 2020

    Laura, Vigotsky, gotas d´água que sobem contrariando as leis da gravidade, a guarda nacional, militares e rinocerontes interagem em um enredo surrealista.
    Um texto surrealista com um agradável ritmo de leitura, escorreito e deslizante, como as gotas d´água aludidas no título do conto.
    Notei algumas pequenas falhas de revisão.
    Gostei do final com os beijos e a poética em expansão.
    O que gostei: do ritmo, sou-me como música ou dança.
    O que não gostei: senti falta de pelo menos um fiapinho de enredo a me dar um chão, de modo a me permitir apreciar um pouco mais a sua história.
    Parabéns pelo texto surpreendente.
    Sorte do desafio. Um abraço.

  3. Leda Spenassatto
    27 de novembro de 2020

    Resumo:
    A gota d’água que sobia sem uma explicação científica.

    Comentário:
    Uma locura implícita, devaneios, me parecem de um jovem estudante indignado com a Guarda Nacional e seus métodos convencionais. Em seus delírio ele sente a presença de Laura, conversa com ela como se fosse real.
    O que falar da gota D’água? É um belo texto, com apenas alguns errinhos de gramática, creio que são erros de digitação.

    Gostei da sua participação, e por nos proporcionar essa bela reflexão.

    Sorte de montão, te desejo!
    Um grande abraço

  4. Regina Ruth Rincon Caires
    26 de novembro de 2020

    A Gota D’Água (Bel Marduk)

    Resumo:

    Experiência científica sobre água em uma universidade. A gota d’água é apresentada sem a força gravitacional. Daí em diante, a narrativa vira um caos de sentimentos, reflexão. Difícil discernir o liame do real e do devaneio. Trem louco.

    Comentário:

    Um conto que foge da normalidade, tanto pela narrativa quanto pela construção. Um texto arquitetado de maneira totalmente alienada do convencional. Loucura do autor e dos personagens. Trabalho de gente grande. A história sai do real e viaja pela imaginação confusa que embola reflexões sobre sentimentos. Ao final, tudo retorna para a rotina “pé-no-chão”, e, diante de tantas imperfeições que existem na realidade, o encantamento se vai.

    O texto merece uma revisão cuidadosa, o que não é difícil.

    Parabéns, Bel Marduk!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  5. Amanda Gomez
    25 de novembro de 2020

    Resumo📝 Um experimento com água e a gravidade culmina em um caos social sem muitas explicações. Tem um romance no ar.
    Gostei 😃👍 😐
    Não gostei 😐👎 Olha, que texto difícil. Se você juntar o fato de ter lido outros tantos contos, uns mais ou menos loucos que esse torna tudo ainda mais complicado. O autor errou a mão aqui na medida do surrealismo aceitável para o entendimento básico do leitor. A impressão que tive era que o importante aqui não era contar uma história e sim brincar com o leitor, se divertir com as várias interpretaçãoes que viriam de nós. Pq fora o romance, e a questão antigravitacional da experiência todo o resto é um borrão. É um desafio de um personagem que é vendido como louco ou louco são os outros, não dá pra saber. Consegui assimilar muito pouco da história e não foi uma tarefa fácil, espero os bastidores desse conto pelo autor depois. Quem sabe é um texto genial e eu que não entendi nada. Boa sorte no desafio!
    O conto em emoji : 🥴

  6. opedropaulo
    24 de novembro de 2020

    RESUMO: Um experimento científico se torna uma verdadeira bagunça quando a Guarda Nacional chega montada em seus rinocerontes. Entremeio a essa algazarra, o personagem principal pensa sobre a porta e sobre a sua amada, Laura, o motivo pelo qual não sai pela mesmíssima porta que tanto atrai o seu olhar. Juntos, os dois encontram algumas figuras famosas do meio acadêmico antes de, enfim, afundados na chatice desse mundo, ele e ela se beijarem.

    COMENTÁRIO: Olá, Bel! Li o seu conto há uma semana e meia, mais ou menos, e depois de ter lido decidi adiar uma releitura para escrever este comentário. O motivo é o mesmo para o qual foi chamada a atenção pelos colegas, que é a surrealidade do texto, fazendo difícil captar logo de cara o seu sentido geral ou mesmo os trechos específicos, que parecem desconexos na leitura. Houve também o fato de que o seu texto era um em uma sequência e, na perspectiva de ler uma certa quantidade em um dia, não achei que poderia ser justo ao dar um comentário sincero e, no limite, técnico. Relendo, ainda tive dificuldades, mas consegui avançar linha a linha a ponto de poder dar a minha impressão. Discordo de alguns dos colegas que inferiram em todo o texto um sentido de loucura, pois tenho tomado a expressão da insanidade como aquilo que, de alguma forma, desvia do “normal”, reservando aí o direito do autor de ser incisivo ao pontar que a própria normalidade pode ser a loucura apresentada no conto. Aqui, com certeza há um imagético bastante estranho no contexto que se apresenta ao longo da trama, mas toda essa conjuntura me aparece como o cenário em que o conto se desenrola, tal qual seria se o autor me escrevesse uma estória passada em um universo inteiramente fictício. Há uma sugestão de que o personagem reconheça sua condição fictícia, há também indícios de que o autor tenta tecer uma crítica, mas a falta de coesão e coerência dificultam o diálogo com a mensagem que o autor talvez esteja querendo passar. Por isso, julgo que há uma falha em abordar o tema. Quanto à narrativa, parece haver uma escolha por uma narração caótica que quer evidenciar a multiplicidade de elementos que compõem a complexa tela sobre a qual se lê, querendo provar ao leitor que não se pode absorver o que o autor apresenta sem estar confuso, pois esse é o nível do tumulto em que os personagens estão metidos. Se por um lado isso consolida uma atmosfera, por outro impede o discernimento de uma estória pela qual o leitor realmente se interesse. Há a paixão, dinâmica que raramente não atrai e aqui é mesmo cativante, mas com tudo o que acontece e é mencionado, não sobra espaço para se voltar a ela com atenção, além dos personagens serem rasos, mais elementos do caos do que atores autônomos dentro dele. Como o autor se dedica a dispersar parágrafos que tratam de elementos tão diferentes desse evento, é difícil entender sobre o que é a estória e então o final deixa o leitor flutuando sem realmente sentir nada para além, talvez, de algum desconforto. Quanto ao domínio da língua portuguesa, vi um deslize e não me recordo de outros, mas não é o principal problema do texto, como tentei deixar evidente acima.

    Boa sorte.

  7. Paula Giannini
    22 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – Uma louca experiência com a água e as palavras.

    Minhas Impressões:

    O conto ousa no surrealismo, relatando uma experiência igualmente surreal. Um fluxo de pensamentos (e acontecimentos) partindo da premissa de um experimento científico com a água e a gravidade.

    Interessante notar que, na ciência, tudo é lógica e organização, o que é, de certa forma o avesso do trabalho aqui apresentando. O mundo é caos e o texto parece buscar uma estética caótica a fim de causar sensações no expectador. Acredito que, mais que entendimento, um texto literário também é feito para causar sensações e, neste sentido, o(a) autor(a) é bem sucedido. Assim, a loucura está inserida neste caos, que, de certo modo, é também o modo como organizamos nossa sociedade. Juntam-se pessoas à porta do experimento para testemunhá-lo. Afinal, nossa sociedade não é assim mesmo? Enquanto isso, alheios à pretensa seriedade do todo, os protagonistas brincam como crianças de grampear um a mão do outro?

    As imagens criadas são belas, caleidoscópicas até.

    Como digo a todos, se acaso minha análise não esteja de acordo com seu texto, apenas desconsidere. Aqui estamos todos para aprender.

    Beijos e sucesso no desafio.

    Paula Giannini

  8. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Peço desculpa, Bel Marduk,mas este texto foi a verdadeira gota d’água – perdi a paciência ao lê-lo. Percebi a inversão: a loucura é o próprio texto, que é completamente desconexo da realidade, como um sonho. No final, as personagens regressam à realidade, mas pelo meio já perderam um leitor: eu. Recomendo, em primeiro lugar, um maior cuidado com a gramática e a pontuação. Depois, uma forma mais coerente de exprimir as ideias. Há formas de manter a carga poética do texto sem que o mesmo se torne hermético, como foi o caso do seu texto.

  9. Ana Maria Monteiro
    17 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: o protagonista e Laura, ela fotógrafa, ele, talvez, estudioso ou espião (afinal a pasta que procurava continha o segredo da gota de água). Em meio a uma experiência que pretende provar a inexistência da força da gravidade, eles encontram-se, todo o mundo está meio louco ali, forças da ordem que se chocam entre si, acorrem ao local e no final nada é mais importante que o amor, como diz o autor “a poética em expansão” pela magia de um beijo.

    Comentário: este é um conto muito difícil de comentar. É muito bom, mas se tivesse de usar uma única palavra para o definir, diria “excessivo”.

    O conto é excessivo, tem excesso de reflexões subjacentes, críticas sociais, referências que apontam na direção de filósofos e de cientistas, oposição dentro de si mesmo, enfim: Excessivo.

    Esse excesso funciona, simultaneamente, como uma mais-valia e o seu oposto. Tal como a água, o leitor fragmenta-se em demasiadas direções e imagens contidas em tão poucas palavras.

    Encontrei alguns “deslizes” na revisão, que não me pareceram propositados e que, se o foram, não beneficiaram a experiência.

    Em todo o caso, você demonstra grande capacidade e imaginação e uma técnica muito pessoal, mas precisa de mais espaço para que a sua escrita (pelo menos este conto) atinja a plenitude, pois não se pode reunir as regras de Coriolis, a crítica social, Tales de Mileto, a física quântica e tanto mais em um texto tão pequeno. Existe muita arte neste conto, ao tê-lo feito, mas resulta um excesso de referências para quem lê, beira o caos.

    Esse mesmo caos que retrata, a histeria coletiva, atende perfeitamente ao tema proposto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. angst447
    16 de novembro de 2020

    RESUMO
    Em uma universidade, é realizada uma experiência/pesquisa sobre o efeito antigravitacional apresentado por gotas d’água. O narrador passa a refletir e provavelmente a delirar, abandonando tudo junto de Laura, em uma jornada bastante caótica, que não fica claro se foi real ou uma alucinação.
    AVALIAÇÃO
    O conto parece seguir pela linha da ficção científica, o que já começa a dificultar o meu entendimento. As imagens descritas são bastante criativas e parecem relacionadas a um universo onírico. Tudo contrário ao que se supõe, como se tudo seguisse em contraste: água que sobe, padres/cientistas, galope de rinocerontes róseos , militares bancando os engraçadinhos recusando-se a seguir ordens, enfim tudo parece estar fora da coerência científica, no caos.
    A linguagem combina bem com a trama construída, mas a leitura emperra em alguns momentos, talvez pelo grande volume de imagens e informações. Ou talvez seja apenas falta de compreensão da minha parte.
    Talvez a chave esteja na referência a Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo da tradição ocidental, do período pré-socrático, que buscava compreender a origem do Universo, por meio do entendimento racional da natureza. Tales constatou que a água seria a origem de tudo, presente em todas as formas de vida. A gota d’água seria o entendimento da origem do universo?
    Gostei do desfecho do conto, com a reflexão do narrador sobre o mundo estar “muito chato com cientistas descrevendo tudo”. Ele se entrega À possibilidade dos “movimentos aleatórios, os múltiplos sentidos, e as expansões da mente” ao beijar Laura – e percebe a poética em expansão.
    Boa sorte e que esta não seja a gota d’água que entorne a loucura!

  11. antoniosbatista
    16 de novembro de 2020

    Resumo: Numa universidade, estudantes fazem experimentos com água, que acaba gerando um caos científico/social.
    Comentário: O conto é surreal, um experimento literário onde acontecimentos e coisas formam imagens aparentemente sem sentido, ou, sentido confuso. Esse é o mote. Mesmo entre esse caos, é possível perceber uma história de amor entre Laura e o narrador/protagonista. Um conto original. Achei muito melhor do que um outro que li neste mesmo Desafio, destinado a uma classe de eruditos da qual não faço parte, e por isso mesmo, o vi como uma propaganda alienígena/exoegocentrínica.
    O conto poderia desbancar para a comédia do absurdo, porém o autor conseguiu conectar as ideias e formar um quadro dramático, onde cada frase tem uma plasticidade e sonoridade muito bonita. Eu usava esse método, com fluxo de palavras aleatórias para escrever poesias. O resultado é satisfatório.
    Eu aqui, fazendo um comentário surreal no nível da teoria das ideias, só para dizer que gostei do conto. Parabéns e Boa Sorte.

  12. Anna
    16 de novembro de 2020

    Resumo : O protagonista busca explicar que a gravidade não existe.Um romance entra no roteiro e parece ser tão sem sentido quanto a gota de água que sobe ao invés de cair.
    Comentário : Creio que o conto seja sobre o protagonista ter uma mente brilhante e culta e ao mesmo tempo sucumbir a simplicidade do amor. O conto me pareceu belamente escrito.

  13. Andre Brizola
    15 de novembro de 2020

    Olá, Bel.
    Um conto que, aparentemente, trata de um experimento científico sobre a gravidade em uma universidade, acompanhado por diversos espectadores, entre eles padres, cientistas, o narrador e Laura. Em determinado momento o local é tomado pela Guarda Nacional e o caos é instaurado.
    Um conto propositalmente confuso, em que podemos pescar linhas de enredo, sugestões de possibilidades e, até mesmo, uma trama mais linear, com o romance sugerido entre o narrador e Laura. Leio o texto pensando que tudo o que foi retratado caberia, perfeitamente, na cabeça de um louco, internado, junto a outros lunáticos. Um deles joga seus remédios e seu copo de água para o alto (as gotas subiam), os internos começam a se agitar (muita gente queria saber do destino das gotas), uma voz no alto falante chama a segurança (O alto-falante vociferava que a Guarda Nacional estava para chegar), enfermeiros parrudos entram na sala (a Guarda Nacional adentrava o recinto, chacoalhando o ambiente com seus paquidermes) e o caos se estabelece. Laura apunhala seu colega, personagens de presença improvável, como Vygotsky, surgem aqui e ali. Enfim, uma interpretação, dentre várias outras possíveis.
    Eu comentei isso em outro conto, e acho que aqui também se aplica. Há na linguística textual um aspecto chamado construção de sentidos. Dentro da construção de sentidos temos a aceitabilidade, que é a competência do receptor da mensagem em conseguir captá-la. Essa competência é moldada por seus conhecimentos, experiências e habilidades. Sem ela a mensagem não é transmitida. E quando optamos por um texto tão críptico, a possibilidade de não ser compreendido é maior. Sem uma cifra pela qual desvendar o texto, o leitor sem a competência não vai absorver o conteúdo, e vai descartar a mensagem não recebida.
    Dito isso, acrescento, como ressalva, o fato de que aqui estamos lidando com a arte, e não apenas uma mensagem a ser transmitida. Há beleza em algumas construções e diálogos e isso conta a favor da opção por um texto tão complexo de sentidos e sugestões. Mesmo sem captar a mensagem ainda é possível apreciar a forma. Posso não entender uma palavra de uma frase em árabe, mas posso gostar da melodia e da sonoridade da língua.
    Pra finalizar, há algumas frases que merecem alguma revisão (a menos que tenha sido proposital, o que realmente não acredito), como “páginas soltas de lixo terceiros” e “Estou tentando… m,as nem você nem esse pessoal aqui me deixa”.
    É isso, boa sorte no desafio!

  14. Leandro Rodrigues dos Santos
    15 de novembro de 2020

    Vamos lá, primeiramente excelente conto! Sinto-me eufórico em lê-lo, têm inúmeras referências, tema criativo [título pontual]. Excelente paralelo sobre fluir o sentimento e desconstruir o passado [e ou até mesmo a ciência]. Sendo tudo a conta gotaagota-fluído-transbordante [de início o amor é uma gota, ao fim uma expansão]. Lindíssimo texto!
    Nem só o primeiro parágrafo é 90% amor, assim como todo o texto [10% são imagens não coloridas]. Um romance! O dois primeiros parágrafos são belíssimos!
    Laura é a estátua em que todas as gotas são direcionadas, Laura a própria devoção, o próprio amor, aquele que mesmo machucando [grampeado] é destinado tudo: a poética!
    Destaco também a contraposição à ciência em alusões a religiosidade [conquanto do amor. O sentimento sendo a porta de saída, a salvação]. Gostei do uso da linguagem em referências científicos para com as próprias ferramentas criticá-la [apesar de ser mais a favor da ciência a entendo, mas vamos ao texto independente de ideologias, rs].
    Destaco assim esse trecho (o qual precisa de referências – literais):
    -“A gota que sobe ou cai é assunto estudado por cientistas de muitos países; como uma chamada inicial, os laboratórios agora dependem que se descubram as regras de Coriolis (pseudoforça – força que depende de um referencial em rotação – o mundo com apenas um referencial: o cientifico) e para onde água gira… todas as águas, qualquer água de qualquer hemisfério (as águas giram em movimentos contrários nos hemisférios, sendo impossível uma generalização – pois depende do referencial não inercial no ‘centro’ se vê o movimento fluído, fora dele: não)… um bater na porta do inconsciente coletivo Junguiano (segundo ele, temos no inconsciente nossa herança comum, a qual traz nossa funcionalidade); os cientistas esperam abrir uma fenda, uma passagem por aonde se vá um cano, para o mundo mental, quiçá animal, o mundo dos sonhos, no terreno dos devaneios, nos meandros da memória (ou seja um entendimento geral, através de uma limitação, um único olhar). Querem usar a água para isso. Entronizaram tales de Mileto (a água como princípio para tudo existente, devido a continuidade do seu ciclo ela move tudo, ou seja, ela é tudo, ‘um único olhar’) na porta principal da Universidade. Gotas que batem na água, gotas que sobem pela estátua (porém a gota/sentimento tenta mudar isso), que reverberam em círculos concêntricos (mas de nada adianta), imitarão ondas de transmissão mental (o previsível, o mesmo método histórico).”
    *Veja (m): A construção do parágrafo acima é uma crítica ao personagem, ao seu próprio pensamento, ao único jeito de olhar tudo do protagonista – o apego ao passado, a sua própria construção, imagens – o qual logo em seguida é sugerido à mudança por Laura:
    “– Existe uma forma subjacente, – dizia Laura, querendo me agradar, – formas que permitirão comparações… formas que carrearão as artimanhas da mente! (sendo uma alusão ao amor, ao fluído, ao que simplesmente acontece, tão logo pra ele esquecer o passado).”
    “– E eu perguntei alguma coisa? – levantei minha mão para que ela visse. – Ainda tem uns grampos que não consigo tirar… (ainda não está pronto ao amor, ao que simplesmente acontece, ainda tem amarras, ainda resiste ao sorriso, ainda está apegado à porta).”
    Após mais uma manifestação natural dela, o beijo (belo!): “Deixei fluir do inconsciente todas as minhas motivações à água, sob a influência de Michelet (ele buscava a ressurreição do passado)… movimentamo-nos em meandros e corpos e pude aproveitar para apertar os braços e Laura; enquanto seguia percebi que as gotas d’água seguiam em cursos indeterminados e imprevisíveis.”
    *Veja (m): Sobre a influência de Michelet ele ainda ressuscitava o passado, esquecendo Michelet, ele conseguiu sentir a realidade, a textura, o mundo afora. E finalmente se entregou ao natural, ao fluido, ao imprevisível.
    “Na porta de saída estava Vygotsky (psicólogo cultural social, que o homem aprende através de interações sociais e condições de vida), fazendo anotações. Os professores o citam a valer, mas nunca o aplicam.”
    *Veja (m): novamente a referência sutil à porta, após aprender mediante interação social, ele está pronto para deixar o referencial dele, o conhecimento construído, há muito mais que isso no mundo!
    “Vygotsky sorriu: – Muito bem… sabe, percebi que o cérebro se molda medida do seu desenvolvimento. Por isso meu interesse com essa experiência de não-gravidade, água que sobe e que desce”.
    *Veja (m): A aprovação dele em sorrir, é a mesma em aprovar sua psicologia histórico-cultural que sempre estará em desenvolvimento através das interações, assim deixou fluir o sentimento.
    Perspicaz o fechamento do texto!

    **Excelente a vírgula na pausa entre o diálogo e o pensamento, manifestando a fluidez do pensamento com a fala.

    ***Parabéns pelos propositais erros, em críticas subliminares. Porém, faço adendo às colocações pronominais (há algumas erradas), e acentuações e conjugações verbais (uma ou outra), se difícil de vê-las, devido ser difícil mesmo, me avise que as enxerguei.

    *****Tem muita beleza no seu texto! Se errei algo, aponte-me, por favor.

  15. Jefferson Lemos
    14 de novembro de 2020

    Resumo: um experimento antigravitacional com gotas d’agua e uma reflexão caótica do personagem.

    Olá, caro autor.
    Olha, eu não consegui entender o seu conto. Desculpe, eu tentei, mas foi muito difícil. Tudo pareceu muito caótico, meio sem rumo, eu não sabia onde estava e nem consegui visualizar o que estava acontecendo. Li e relo algumas partes, mas não consegui mesmo. Aonde me cativou, não prendeu minha atenção. O texto precisa de uma revisão também. Não consigo falar muito além disso, pois a história foi muito confusa ao meu ver.
    De qualquer forma, parabéns pelo seu texto e boa sorte!

  16. Fabio Monteiro
    12 de novembro de 2020

    Resumo: Experimento feito com gota d’água da lugar a uma serie de devaneios.

    Quem diria que uma gota d’água daria lugar a tanta textualidade. São narrados fatos históricos, sentimentos mútuos, movimentos sociais, criticas a educação…enfim…um emaranhado de casualidades que se encaixaram com o desenvolvimento da narrativa.

    Eu confesso que algumas partes se tornaram confusas para mim. Não devo ter conseguido captar amplamente a mensagem que o autor(a) queria ver passada.

    No final, percebi uma metáfora. Foi como se o autor (a) dissesse que este mundo esta (im) perfeito demais. Como se não houvesse mais espaço para a pesquisa e para o novo conhecimento.

    As vezes também tenho essa sensação, de que tudo já foi explorado. O mistério e magia ficaram aquém do desconhecido.

    Boa Sorte Autor(a)

  17. Fheluany Nogueira
    10 de novembro de 2020

    Experiência, em Universidade, mostra gotas de água antigravitacionais subindo por uma estátua. O protagonista, talvez o responsável pelo evento, abandona tudo pela jovem por quem se apaixonou.

    O amor supera a razão da mesma forma que a ciência foi, nesta trama, contra a lógica foi o que consegui concluir depois de algumas leituras. E, se a temática do conto é esta, então fica explicada confusão de imagens, de referências, de simbolismo e de possibilidades de interpretação. O leitor pode sentir no enredo uma crítica à sociedade, aos sistemas e valores feita por uma mente desalinhada.
    Estilo e conteúdo se fundem para retratar a loucura.

    O texto pede uma revisão ou os equívocos,também, seriam intencionais para ir contra a gramática.

    Boa sorte no desafio. Um abraço.

  18. Misael Pulhes
    7 de novembro de 2020

    Olá, “Bel Marduk”

    Resumo: relato caótico de uma experiência científica caótica da qual participam Laura e um protagonista caótico

    Comentários: não entendi nada, perdoe. Ok que o óbvio (?) parece ser um texto em que a forma quer mimetizar o caos do enredo. Eu não sou ainda leitor de surrealismo ou coisas do tipo. Se li algo ‘nonsense’ já, foi Becket, “Esperando Godot”, e, mesmo ali, há algo linear a partir do qual se instaura a subversão da forma e do conteúdo.

    Não estou apto a dizer mais que isso dum texto que, a priori, não tinha como cativar.

    Boa sorte.

  19. Fernanda Caleffi Barbetta
    5 de novembro de 2020

    Resumo
    Em uma universidade é feito um estudo sobre as gotas de água sem a ação da gravidade.

    Comentário
    Seu conto parece bem interessante, bem diferente, instigante ao ponto de me fazer ir até o final pensando que em algum momento a confusão pudesse ser dissipada… mas não foi. Com tanta confusão, tanta informação e tantas referências ficou um pouco difícil acompanhar a história central, do protagonista com Laura, o que certamente foi proposital.
    A loucura parece estar na forma como o texto se desenrolou ou na cabeça do protagonista que imaginava tudo aquilo que foi exposto. Ou talvez louco fique o leitor ao tentar entender…

    “mesmo abrindo os guarda-chuvas, relacionados ao acaso” – não entendi

    “Da rua, em meio a estratégia de divulgação e trânsito incompleto, uma possibilidade de percurso, horda de trompas mantinham o ambiente mergulhado em caos; a noite caia e percebi que Laura se coçava, ela que estava sem mapa, perdida talvez(?) no labirinto arquitetônico.” – este período está bem confuso.

    Alguns erros bobos que seriam facilmente eliminados em uma revisão:
    acabar e (de) vez
    evidente milagre produzindo (produzido) em laboratório
    se molda (à) medida
    Eu e Laura chegamos (na ou à) praça
    Outros deslizes a serem considerados:
    Papeis – papéis
    estruturas mentais (metálicas) dos prestidigitadores
    um capítulo aparte (à parte)
    catso – “cazzo” ou uma aportuguesada de leve catzo.
    “Uma gota d’água, sem comparação com qualquer outra gota conhecida (vírgula) subiu estátua acima”

    “– Existe uma forma subjacente, – dizia Laura, querendo me agradar, “ tirar as virgulas que foram colocadas antes e depois do travessão.
    Ainda com relação aos diálogos, não entendi porque usou os pensamentos como se fosse um diálogo.

  20. Bianca Cidreira Cammarota
    5 de novembro de 2020

    Comunidade mundial é mobilizada por um fenômeno inexplicável com gotas de água, revelando uma estrutura social surreal de organização humana como conjunto e também como indivíduos.

    Bel Marduk, que conto… diferente! Cheio de simbolismos, faz-se preciso mais de uma leitura para identificar e relacionar as informações (pelo menos foi necessário para mim). A primeira leitura me causou estranheza; a segunda, apreciação.

    É um ambiente surreal. Ou real fantástico. Ou apenas nossa própria sociedade, olhada com um lupa mais poderosa. As referências (general 8 estrelas, rinocerontes rosas, Guarda Nacional – resquício da outrora força militar tradicional, Progresso e Ordem…) são percebidas nesse texto como uma crítica à nossa organização social. Depois, lerei mais uma vez, pois creio que, em cada leitura, descobre-se ainda mais!

    O clima aparentemente confuso é proposital, revelando o caos que nós somos. Interessante que o protagonista (me pareceu assim, me diga se me enganei, por favor) tinha a resposta da origem do fenômeno desde o início. Pegar a pasta dentro da Universidade, foco do acontecimento das gotas de água, me instigou, pois ele notando que, por engano, buscou a pasta e trouxe outra que não a sua, não se mobilizou para encontrar a sua original. Por quê? Será que constatou que deveria deixar lá e alguém encontrar? Um simbolismo que o conhecimento está em cada um de nós, sempre e não externamente? Que o amor, na figura de Laura e o beijo no final, é o mais importante na vida? Tantas perguntas…e que coisa maravilhosa poder fazer essas perguntas, pois o texto é instigante!

    Bel, valeu! Texto questionador, fora da curva, mais do que interessante.
    Quantas camadas existirão sob essas linhas? Encontrei algumas, mas acredito que existam muitas mais!

    Obrigada por esse conto surpreendente! Bem escrito, inteligente!

  21. Angelo Rodrigues
    4 de novembro de 2020

    Resumo:
    História que rola em torno de uma gota d´água que escala uma estátua. A partir desse fato, o texto se desdobra em mil possibilidades referenciais. Um mar de possibilidades construtivas, pensamentos, sentimentos, contradições.

    Comentários:
    O autor busca, através de imagens que se sucedem, criar um grande mapa caótico do pensamento do protagonista. É competente no seu propósito quando quebra leis, códigos, preceitos.

    Tem um percurso surreal, psicodélico, particularmente quando cumpre os rituais das clássicas fórmulas precedentes, que remetem às loucuras controladas – até certo ponto – pela via dos alucinógenos. Imagens de Dali, Magritte, De Chirico – e não apenas – parecem se suceder, descomprometidas com a mundanidade quotidiana.

    Uma forma de condução interessante do texto, que se mostra de possibilidades redacionais quase infinita. Um mundo aberto de potências e impotências, onde o enredo, como uma pena – ou como uma gota – é capaz de subir ou descer segundo o vento assoprado pelo autor, como um sonho que tem força suficiente para não acordar o sonhador, e continua infinitamente produzindo imagens.

    O fio de condução do enredo é propositalmente confuso, ou melhor, difuso, e o autor, com seus dois protagonistas, passeia por sensações, impressões, possibilidades, ocorrências. Um texto cujo objetivo não é entregar uma história, mas mil. Talvez não mil histórias, mas mil possibilidades de história, ensaios, ou, como disse, possibilidades.

    Boa sorte no desafio.

  22. Anderson Do Prado Silva
    4 de novembro de 2020

    Resumo:

    O conto narra o envolvimento de alguns personagens em um experimento científico em uma universidade.

    Comentário:

    Conto saído de uma mente muito criativa!

    Tive dificuldade para entender o enredo. Se foi intencional, ignore minha crítica. Se não foi, considere tentar tornar os eventos mais claros.

    Sugiro ter mais paciência na revisão, para que pequenos erros não passem despercebidos e ofusquem o brilho do trabalho. Por exemplo:

    – sujeito separado de verbo: “Uma gota d’água, sem comparação com qualquer outra gota conhecida subiu estátua acima”. Solução, ou tire a vírgula, ou insira uma segunda entre “conhecida” e “subiu”;

    – falta de acento: “a noite caia”. Deveria haver acento agudo no “i”;

    – vírgulas após “mas”, quando o correto, na maioria dos casos, seria apor anter;

    – a forma correta da locução adverbial é “à parte” e, não, “aparte”;

    – erros de número: “na artes”; “a sineta tocassem”;

    – erros de digitação: “eu e Laura chegamos praça”

    Enfim, seria bom entregar seu texto a um revisor ou leitor beta. Tais erros podem incomodar leitores mais exigentes.

    Parabén pelo texto e boa sorte no desafio!

  23. Thiago de Castro
    4 de novembro de 2020

    Resumo: Alunos, padres, estudiosos e interessados em geral acompanham um experimento antigravitacional dentro de uma universidade. Por caminhos inusitados, o protagonista se vê embrenhado com Laura numa trama labiríntica envolvendo militares, pensadores da educação, historiadores e uma realidade aparentemente metafísica.

    Comentário: Bel, seu conto é carregado de referências e situações que exigem um debruçar mais acurado do leitor, como outros textos desse desafio ( Soterramento de Sísifo, por exemplo). No geral, a situação toda do conto parece um absurdo, e eu cheguei a pensar que se tratava de um devaneio criado por alguma mente conspiracionista, devido aos símbolos nacionais, os militares, experimente científicos revolucionários, enfim, o conto todo tem essa atmosfera surreal, como alguns trechos do filme mãe (naquele momento final, onde a guerra destrói a casa). O fio entre o protagonista e Laura nos leva por um enredo intencionalmente confuso, mas há um relação explorada alí que não deixa de ser interessante e indentificável: no meio do imcompreensível, o interese amoroso se torna palpável e acontece: um beijo no fim do mundo, quase isso!

    Apesar de toda construção caótica, tentei ler o conto como uma experiência visual, e acho que nesse aspecto funcionou bem. Parece um sonho, uma crítica político-social com pitadas de ficção científica. A loucura talvez esteja no todo da trama.

    Boa sorte!

    • Thiago de Castro
      4 de novembro de 2020

      Leia-se “incompreensível”. Um pequeno erro de digitação. Espero que me perdoe.

  24. Lara
    4 de novembro de 2020

    Resumo : O conto parece girar em torno de gotas de água. Até que se mostra o motivo : Um professor busca provar que a gravidade não existe e que pode provar isso através das gotas de água.
    Comentário : O conto me pareceu confuso. Não consegui capturar a mensagem que o escritor desejou passar. Talvez tenha a ver com a ciência ir contra a lógica.

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Informação

Publicado em 4 de novembro de 2020 por em Loucura.