EntreContos

Detox Literário.

Yolanda, a Louca (Pedro de Castro)

Yolanda trabalhava num pequeno supermercado de bairro. Fazia reposições e caixa. Era uma rapariga algo tímida, cara bem desenhada com um olhar envergonhado. Os pais eram cabo verdianos. Ela já nascera em Portugal. Conhecera Artur numa passagem de ano. Ele era muito divertido e brincalhão. Fazia-lhe lembrar o avô que cuidara dela em criança. 

Estava atender uma senhora idosa, quando recebeu uma chamada de um número desconhecido. Teve um pressentimento. Pediu desculpa e escapou para o vestiário, logo ali ao lado, para atender. Era do hospital. Artur tinha caído de um andaime e estava agora hospitalizado. Queria vê-la. Yolanda falou com a gerente e saiu apressada. Entrou na enfermaria, Artur estava imobilizado da cintura para baixo. O diagnóstico era dramático, estava paraplégico. 

Ela chorou bastante durante a noite. Já pelo nascer da aurora, escutou uma voz sussurrante, dizendo-lhe que uma planta existente na Ilha do Príncipe curava paralisias. Falou nisso à irmã que lhe respondeu aos gritos: ” És maluca, esquizofrénica! Baza daqui! Deixa-me ouvir a música!”. Pediu ainda assim dinheiro à mãe. Queria comprar uma passagem para São Tomé. A mãe, que ainda guardava algumas crenças ancestrais vindas da tabanka, disse que não tinha dinheiro. Era melhor ela esquecer o Artur e essa loucura de acreditar na voz do nada. Yolanda não conseguia explicar a si mesmo a convicção que produziu nela aquelas palavras que ouviu no quarto. Falou ao Artur. Disse-lhe que ia a São Tomé, procurar a tal planta que só existia na ilha do Príncipe. Artur não colocou entraves. Apenas lamentou não ter dinheiro para lhe pagar o bilhete. Yolanda era assediada por um homem mais velho, cliente do supermercado. Dormiu com ele a troco de 400 euros. Com mais algumas economias, comprou o bilhete. Falou ao Artur do esquema que arranjou para obter dinheiro. Ele comoveu-se e abraçou-a, segredando-lhe: “És louca.”.

Nenhum médico tinha ouvido falar das capacidades regenerativas daquela planta. O padre da paróquia disse que tudo aquilo era uma ilusão: “A Deus o que é de Deus. A César o que é de César. E a medicina é de César. Desculpa, Yolanda, mas estás louca. Procura apoio clínico.”. A gerente do supermercado também não entendeu. Aquilo não tinha pés, nem cabeça. E respondeu ao pedido da jovem com ” Férias, Yolanda? Deve ser louca. Nem pensar. Se quer ir, fale com os recursos humanos. Peça para lhe fazerem as contas. Boa viagem.”. 

Assim o fez. Despediu -se e partiu na semana seguinte. Na Ilha do Príncipe, perguntou numa mercearia. Chovia muito lá fora. Que fosse falar com os homens grandes da aldeia, aconselhou-lhe uma cliente da loja. Assim o fez. Eles chamaram o feiticeiro. Ele deu-lhe a planta e explicou como havia de fazer o remédio. 

Chegada a Lisboa, correu para casa. Encheu um boião com o preparado. Todos os dias, visitava o Artur. Quando ficavam sozinhos, ela aplicava-lhe o unguento. Numa tarde, o médico entrou na enfermaria e espantado disse ao Artur que a lesão estava a regredir de uma forma muito positiva. Quando o médico saiu, Artur olhou silencioso para os grandes olhos negros de Yolanda e espantado de felicidade, perguntou: “Como é possível?” . Yolanda baixou a cabeça e disse: “Acreditando, apenas. Não sei porque é que deixámos de acreditar nos milagres?”.

26 comentários em “Yolanda, a Louca (Pedro de Castro)

  1. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, Pedro de Castro. O seu conto fala de Yolanda, uma funcionária de supermercado que viaja para São Tomé e Príncipe à procura de um medicamento que uma voz lhe disse que curaria a paralisia do seu amado. O conto é curto e tem um final feliz. As personagens não são coerentes: Yolanda é tímida, mas prostitui-se para ganhar dinheiro para a viagem. O desfecho é excessivamente moralista: ainda há espaço para milagres nos dias de hoje e devemos fazer tudo para conseguirmos os nossos sonhos. O problema é a forma como ela chega a essa conclusão: uma voz do nada. É isso que faz a ligação ao tema do desafio: Yolanda é, aparentemente, esquizofrénica. Mas é uma esquizofrenia que, afinal, sempre tem razão de ser: o medicamento que valeria milhões se fosse vendido à indústria farmacêutica, existe numa simples mercearia. Ou seja: ela poderia ter ligado para lá e pedido para vir por correio. Pouparia dinheiro e a dignidade.
    Há um recurso estilístico em cinema que é denominado por Deux Ex Machina. É usado quando um problema difícil é resolvido através de um esquema quase divino, como se o argumentista estivesse pouco inspirado. Creio que foi isso que aconteceu neste conto, que deveria ter sido estruturado de uma forma diferente.

  2. Paula Giannini
    16 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – Após um trágico acidente, homem é salvo por sua namorada.

    Minhas Impressões:

    Este conto traz como premissa a cura de um rapaz através da ação medicamentosa de uma planta ancestral e ritual. Uma ótima premissa que, se por um lado foge ao clichê ao ser inserida dentro de um contexto bem cotidiano e urbano (uma trabalhadora comum, seu namorado igualmente um trabalhador da cidade grande), por outro, traz em sua execução algo de ares de filmes “água com açúcar”, bem ao estilo do genial Indiana Jones. Assim, ao ler planta ancestral, talvez o leitor espere um pouco mais de “aventura”, ou mesmo, foco sobre a tal planta que promete a cura e, de fato, o faz.

    Acredito que a narrativa tenha potencial para que o(a) escritor(a) se debruce sobre ela, preenchendo algumas lacunas na trama, transformando o que a princípio é um conto, em uma novela ou mesmo romance para o público jovem. Nossa literatura anda carente de escritores para esse público tão vasto de forma mais diferenciada, você não acha?

    Confesso que, se me permite a intromissão, senti-me um tanto quanto desconfortável com a solução da protagonista para conseguir o dinheiro. Isso ocorreu, não por preconceito ou puritanismo por parte desta leitora aqui, mas, pela velocidade com que a coisa se desenrolou na trama, e, sobretudo, pela reação do namorado ao ocorrido. Entendo que, estando ele paraplégico, haveria uma série de questões que, provavelmente se passariam por sua cabeça, e a possibilidade de cura estaria acima de qualquer coisa. Porém, com meu pouco entendimento da alma humana, vejo que a verossimilhança do personagem namorado fica frágil aos olhos do leitor, ao perceber que o rapaz não esboça reação alguma quanto a questão noiva estar com outro em tais condições. Aqui, talvez coubesse uma ceninha nova, após o desafio, mesmo que o(a) autor(a) opte por manter a mesma decisão para ambos os personagens, um certo conflito não cairia mal.

    Como estou dizendo a todos por aqui, peço que desconsidere minhas impressões, caso elas não estejam de acordo com sua bela obra. Aqui, estamos todos para aprender.

    Desejo sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  3. Anna
    16 de novembro de 2020

    Resumo : Yolanda é uma jovem que o namorado sofre um acidente grave e fica paraplégico. Yolanda fica sabendo que na África existe uma planta capaz de curar seu namorado.É chamada de louca por todos. Ela dorme com um homem para ter o dinheiro da passagem, viaja , acha a planta e cura seu namorado.
    Comentário : O conto nos mostra claramente o poder da fé. Mas achei a parte da prostituição estranha para um conto com tons religiosos pois se Deus mostrou o caminho daria um jeito de Yolanda conseguir a passagem sem precisar quebrar os mandamentos.

  4. opedropaulo
    16 de novembro de 2020

    RESUMO: Yolanda recorreu a tudo que estava em seu alcance para ajudar o amado. Ignorou aqueles que a chamavam de louca e acreditou. Acreditou tanto que conseguiu.
    COMENTÁRIO: Vi quem criticou a concisão como excessiva e quem a elogiou. Para falar do texto inteiro, acredito que a estória entregue está mesmo completa, tendo apresentado a personagem em seu objetivo e em seu caráter pela determinação com a qual buscou ajudar o namorado acidentado. Sua jornada é contada e sentida, todos os sofrimentos sentidos mais pelo leitor do que pela personagem, que segue sem hesitar. Além de bonito, é interessante. Há espaço para mais desenvolvimento, sim, mas essa falta não prejudicou o conto. A loucura como um desvio da normalidade aqui consta presente não porque a personagem é realmente insana, mas porque ela ignora e prossegue mesmo quando todos a descreditam. Achei isso uma sacada muito boa, pois faz da loucura não um transtorno, mas uma virtude. A de acreditar. Agora, no que diz respeito à concisão como recurso narrativo, às vezes o texto poderia se alongar mais, a profusão de frases surtas truncando um pouco a leitura.
    Boa sorte.

  5. Andre Brizola
    15 de novembro de 2020

    Olá, Pedro.
    O conto narra as desventuras de Yolanda que, crente na possibilidade de reverter a situação “irreversível” de seu companheiro Arthur, vai atrás de uma determinada cura milagrosa localizada na ilha de São Tomé e Príncipe. Cura essa cujo conhecimento se deu através de uma voz sussurrante.
    Curioso paralelo entre a fé a e loucura. A fé em algo “impossível” a impulsionava adiante, enquanto, a todos os outros, essa mesma fé parecia uma reação insana ao acidente ocorrido com seu companheiro. Um estado de choque, possivelmente.
    E a vontade de crer em algo que outros julgam ser inexistente é exatamente o que é a religião. Um deus, deuses, santos, entidades, com poderes sobre-humanos, capazes de ir além do conhecimento existente, científico. A fé, cuja capacidade pode mover montanhas.
    Yolanda, entretanto, não é louca. Yolanda aqui é assemelhada a um profeta, como aqueles que rechearam o velho testamento com possibilidades sobrenaturais. Yolanda realiza um milagre, curando o incurável, tal feitos dos nossos personagens bíblicos. Gostei do paralelo, achei criativo e aderente ao tema do desafio, muito embora não houvesse loucura, de fato.
    No que diz respeito à forma, acho que o texto merecia um pouco mais de esmero. Gosto da simplicidade com que o tema foi tratado mas, tendo 3000 palavras à disposição, certas passagens poderiam ter sido mais bem desenvolvidas. Cito como exemplo os 271 caracteres destinados a explicar a “prostituição” de Yolanda. O trecho surgiu e desapareceu do texto sem maiores consequências. Uma atitude extremamente drástica, cujo conflito foi totalmente sublimado.
    O sentimento final é de que é um enredo que poderia entregar muito mais. É bom do jeito que está, mas há nele um potencial ainda não explorado que o deixaria um tanto melhor. Mas entendo a opção do autor em deixa-lo conciso e ligeiro.
    É isso, boa sorte no desafio!

  6. Ana Maria Monteiro
    15 de novembro de 2020

    Olá, Autor:

    Resumo: O namorado de Yolanda sofre um acidente e fica paraplégico. Desesperada, ela “ouve” uma voz que lhe diz que existe uma planta na ilha do Príncipe que poderá curá-lo. Contra tudo e todos, Yolanda faz o que é necessário para arranjar dinheiro para a viagem e consegue a planta. De regresso, o milagre acontece e Artur cura-se graças ao tratamento com a planta.

    Comentário: Um conto luso, contado de forma quase telegráfica, frases curtas, concisas, sem floreios nem considerações. Acredito que você poderia usar este conto como guião para uma história bem maior e que ganharia com esse aumento. Em todo o caso, apesar da “moral da história” (não costumo apreciar isso, mas é uma questão meramente pessoal), pode ser um excelente guião. Assim, pecou por excesso de concisão, funcionando como uma bala que vai direta ao alvo, sem desvios.

    Está bem escrito (tem dois ou três deslizes na digitação) e não deixa lugar a especulações. Apesar da tal teoria moral que o finaliza, trás também consigo o grande mérito que não se perder em considerações morais quanto ao que Yolanda faz ou deixa de fazer para arranjar o dinheiro. Isso é muito bom.

    No quesito de adequação ao tema, ele está presente, não através de Yolanda, mas do olhar enviesado dos outros. Sucede muito na vida de algumas pessoas, serem julgadas pelos seus comportamentos; aqui, o julgamento é de loucura e ainda que não tenha qualquer fundamento (como é normal) está presente e as opiniões exteriores são unânimes.

    Aumente o conto, vou gostar de ler uma versão alargada. Longa vida a Artur e Yolanda.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Jefferson Lemos
    14 de novembro de 2020

    Resumo: a história de Yolanda e sua jornada em busca da cura de Artur, que havia sofrido um grave acidente e ficado paraplégico.

    Olá, caro autor.
    É um conto curto, com um história interessante, mas que não funcionou muito para mim. Muita coisa acontecendo de maneira mais superficial. Achei direto demais, tinha espaço para desenvolver algo bem maior e mais detalhado. Do jeito que está, parece que foi muito resumido, o que não faz sentido tendo em vista a quantidade de palavras disponíveis. E quanto a loucura, achei que ficou de acessório na história, sem ser muito do ponto principal.
    Sua narrativa é boa, em alguns momentos eu achei que poderia ter sido mais dinâmica, com umas construções mais bonitas (tinha espaço pra isso, ao meu ver). No entanto, essa questão da narrativa é algo pessoal, então é uma ressalva única e exclusivamente minha mesmo.
    De qualquer forma, é um texto leve e que tem muito potencial.
    Parabéns e boa sorte!

  8. antoniosbatista
    13 de novembro de 2020

    Resumo: O namorado de Yolanda sofre um acidente e fica paraplégico. Ela ouve uma voz que lhe diz para buscar uma planta na ilha do Príncipe que tem poderes curativos.
    Comentário: Todos acham que Yolanda é louca em acreditar em vozes. Mas ela faz de tudo para buscar a erva milagrosa. A planta tem poderes medicinais e não paranormais, porém, algo sobrenatural guiou Yolanda para encontrar a cura para seu namorado. Achei uma bela história de fé, coragem e perseverança. Boa sorte.

  9. Amanda Gomez
    13 de novembro de 2020

    Resumo📝 Mulher, vendo seu amado enfermo, comete loucuras por amor.

    Gostei 😃👍 Gostei do texto curto e ritmado a história por trás é interessante, de algum modo me prendeu e fiquei na expectativa pelo desfecho. É sempre muito legal contar com textos lusitanos por aqui, gosto do diferencial da língua. Yolanda se mostrou uma personagem corajosamente louca. Achei bem legal a passagem sobre como ela conseguiu o dinheiro e como ela não teve dúvida alguma do que precisava ser feito. E o fato de todos chamarem ela de louca foi um acerto também, era a pespectiva deles, pra ela era apenas esperança. Um texto agradável!

    Não gostei 😐👎 A estrutura do texto é
    … não sei se a palavra é confusa, creio que não pois está bem clara as intenções, mas prejudica a fluidez. As pausas quebram o ritmo e a gente sente falta de uma ligação entre uma frase e outra, pra não ficar parecendo algo aleatório. Os acontecimentos são abrupto e os personagens carecem de um pouco mais de carisma. O final é meio surrealista. E o tema foi abordado de maneira sutil…mas, cabe a cada um decidir o que é loucura nesse certame.

    O conto em um emoji : 🤨

  10. Leandro Rodrigues dos Santos
    12 de novembro de 2020

    A loucura do milagre.
    Tecnicamente, muitos erros, diversos: pronominal, acentuação, verbal. Se tiver interesse deixe comentário que os vemos.
    Bem, a construção do texto é confusa devido os erros. Fica um ponto positivo pela singela mensagem.

  11. Regina Ruth Rincon Caires
    12 de novembro de 2020

    Yolanda, a Louca (Pedro de Castro)

    Resumo:

    A história de amor de Artur e Yolanda em que mostra o empenho da amada em busca de uma planta que trará a cura para a paraplegia de Artur.

    Comentário:

    Texto lusitano, bem escrito. Narrativa breve, traz uma reflexão sobre o milagre, o poder da fé, positividade de pensamento. Não vejo loucura no ato de Yolanda conseguir o dinheiro, nada a recriminar. Cada um é dono da sua vida, do seu corpo, da sua decisão.

    A espera do milagre, a esperança, o acreditar na cura, essa força sustenta a narrativa. Leitura prazerosa.

    Parabéns, Pedro de Castro!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  12. Fil Felix
    11 de novembro de 2020

    Bom dia!

    Yolanda, muito apaixonada pelo seu amante, faz “loucuras” para encontrar uma planta capaz de curá-lo do acidente.

    O conto traz essa abordagem diferente para a “loucura”, que aqui é tida como os atos impensados da protagonista, uma loucura de amor. Não é algo patológico ou delirante (até porque se confirma ser real, a tal planta). E há bastante material para ser trabalhado, principalmente nas entrelinhas, como usar a ideia de milagre e da planta estar em São Tomé (o santo que só acredita vendo), ou da cura ter surgido num sonho. Então tem alguns ideais até mesmo religiosos aí no meio.

    Porém, também concordo com os amigos sobre a profundidade tanto da história quanto do tema, ficou um pouco “por cima”. Não conseguimos nos identificar tanto com a Yolanda porque não há muito material para isso, acredito que se desenvolvesse um pouco mais a protagonista e sua relação com o Artur, o leitor também compraria a ideia da cura e iria torcer por dar certo (já que todo mundo à sua volta estava agindo ao contrário e insensível). Mas como acontece tudo muito rápido e o final traz essa mensagem positiva, fica com cara de “moral da história”. Mas mesmo com a diferença na linguagem (pt-pt), não senti travas, a leitura fluiu bem e gostei dessas entrelinhas, só acho que poderia ser aprofundado mais.

  13. Giselle F. Bohn
    11 de novembro de 2020

    Mulher desesperada pelo restabelecimento de seu amado faz de tudo para conseguir um remédio milagroso.
    A conto é bonito, tem ritmo, um enredo interessante. Mas e a loucura? Está nas ações da personagem? No seu amor, que não se deixa abater? Pode ser. Quem sou eu para discordar? 🙂
    Está claro que este conto foi escrito por alguém de Portugal. No entanto, não foi isso que me causou estranhamento, e, sim, a maneira como a narrativa é construída, com suas orações curtas, sem conectivos, sem frases subordinadas, como, por exemplo, no trecho que destaco:

    “Estava atender uma senhora idosa, quando recebeu uma chamada de um número desconhecido. Teve um pressentimento. Pediu desculpa e escapou para o vestiário, logo ali ao lado, para atender. Era do hospital. Artur tinha caído de um andaime e estava agora hospitalizado. Queria vê-la. Yolanda falou com a gerente e saiu apressada. Entrou na enfermaria, Artur estava imobilizado da cintura para baixo. O diagnóstico era dramático, estava paraplégico.”

    Pensei que havia sido uma forma de abrir o conto, mas ele foi nessa toada até o fim. Não questiono a capacidade do autor, de modo algum, e não tenho dúvidas de que se trata de uma escolha estilística, mas uma que não é muito do meu agrado.

    Uma coisa que me incomodou foi o ponto de interrogação no seguinte trecho – não consigo entender isso como uma pergunta:

    “Acreditando, apenas. Não sei porque é que deixámos de acreditar nos milagres?”

    Mas é um conto gostoso de ler e ainda por cima com uma “moral da história”, então, como não curtir? Parabéns e boa sorte no desafio!

  14. Fabio Monteiro
    10 de novembro de 2020

    Resumo: Mulher é considerada louca por acreditar no poder de cura de uma planta. Ela busca desesperadamente uma forma de fazer seu grande amor voltar a andar novamente.

    Não vi loucuras na personagem do texto. Vi pessoas narcisistas, com conceitos errôneos e quase que completamente insensíveis com a angústia da protagonista. Triste realidade. Não muito diferente do que vemos mundo afora.

    Milagre e loucura são duas palavras que ficam muito bem juntas. Foi muito bem trabalhado no seu texto o uso destas palavras.
    Seria como descrever uma tempestade e, de-repente, a chegada de um arco íris.

    Durante uma tempestade violenta não nos lembramos mesmo da possibilidade da presença de um arco íris. No entanto, ele surge. Faz esquecer de parte do estrago causado. Devolve a luz e a esperança.

    A personagem me causou esta sensação. Não deixou a tempestade desabonar suas esperanças.

    Me desagradou um pouco ver a personagem se deitar com um homem por dinheiro. A atitude descompensa parte da comoção causada, ainda que por extrema necessidade.

    Boa Sorte.

  15. Misael Pulhes
    7 de novembro de 2020

    Olá, “Pedro de Castro”.

    Resumo: Yolanda é apaixonada por Artur. Quando este se acidenta e fica paraplégico, ela dará voz a um sussurro misterioso e irá até São Tomé em busca duma planta miraculosa.

    Comentários: O conto é bem escrito. Uma curiosidade: é fácil perceber que se trata de um texto de um colega da Península Ibérica quando lemos “rapariga” sem um sentido pejorativo. Nos tempos de Machado era assim também, né?! Então dá até nostalgia ver o tal substantivo…

    Indo ao que interessa: eu achei que o conto foi muito bem conduzido. Foi gerando uma tensão pela resolução, e flui muitíssimo bem. O problema, justamente, está – essa é só a minha percepção, claro – no final, que não dá o que promete. Sim, é uma bela lição, na qual eu também acredito, mas com menos força literária do que o final merecia, e do que o resto do texto.

    Me incomodou também a forma como se relatou a conquista do dinheiro para a viagem. Ver virtude no ato de Yolanda é uma coisa (cada um julgue como quiser). Mas Artur responder com um abraço, feliz da vida, me parece beeem inverossímil, uma cena pela qual talvez se tenha passado sem o devido aprofundamento.

    Mas fico eu aqui concluindo que tenho tanto a aprender com textos bem escritos como esse. Um abraço e boa sorte!!

  16. Fheluany Nogueira
    7 de novembro de 2020

    Mulher luta em busca da recuperação do seu amado que ficou paraplégico em acidente. Como milagre, ele se recupera.

    Narrativa curta, com elementos do fantástico e que proporciona ao leitor uma reflexão sobre a moral de forma quase que inconsciente, sem deixar de retratar a moral do homem contemporâneo e transmitir uma mensagem de persistência. Seria loucura ter esperança?

    Um trabalho interessante, fluido e leitura agradável.

    Boa sorte! Abraço.

  17. Fernanda Caleffi Barbetta
    4 de novembro de 2020

    Resumo
    Após um acidente, Artur fica paraplégico, e sua amada, ao ouvir uma voz misteriosa dizendo que uma planta seria capaz de regenerá-lo, faz de tudo para conseguir a tal planta. E consegue. Milagres existem.

    Comentário
    O texto é interessante. Muito boa a mensagem de que devemos acreditar no que parece impossível para lutarmos pelo que desejamos. As pessoas contrárias a Yolanda, que a consideravam louca por sua persistência, foram bem colocadas como peças fundamentais para a reflexão sobre o julgamento, a pouca vontade de entender o outro.

    “Yolanda era assediada por um homem mais velho, cliente do supermercado. Dormiu com ele a troco de 400 euros. Com mais algumas economias, comprou o bilhete. Falou ao Artur do esquema que arranjou para obter dinheiro. Ele comoveu-se e abraçou-a, segredando-lhe: “És louca.” – que loucura mesmo.

    Yolanda não conseguia explicar a si mesmo (mesma)
    produziu (produziram) nela aquelas palavras
    Acreditando, apenas. Não sei porque é que deixámos de acreditar nos milagres? (aqui não cabe o ponto de interrogação)

  18. Priscila Pereira
    3 de novembro de 2020

    Resumo: Mulher enfrenta vários obstáculos e vai em busca do que acha que pode fazer seu amado se recuperar de um acidente.

    Olá, Pedro!
    Seja bem vindo ao nosso certame! Imagino que seja sua primeira vez entre nós, espero ler mais textos seus.
    Então, o conto não é ruim, mas está raso. Não é um micro conto, mais parece o resumo de uma história maior. A ideia é muito boa, poderia ser melhor desenvolvida, aprofundada, entende?
    Yolanda poderia ser uma protagonista com mais voz, acreditar em uma coisa e ir contra tudo e toda para conseguir o que acredita é uma ótima premissa.
    Desejo sorte para você! Parabéns!
    Até mais!

  19. Bianca Cidreira Cammarota
    3 de novembro de 2020

    Yolanda parte em jornada para encontrar um remédio que supostamente pode curar seu companheiro Arthur da paraplegia.

    Pedro, seu conto me lembrou as fábulas de um livro antigo que eu tinha quando era criança, tais como A Polegarzinha, A Princesa e a Ervilha e outros não tão conhecidos. Faço essa comparação no sentido que, como um colega já citou aqui, transmite a lição moral. No seu caso, creio que seria: Acredite em algo maior que o mundo.

    Essa analogia não é um demérito; muito pelo contrário, ele tem o formato secular dessas fábulas, que sustentavam (e ainda sustentam) as crianças. As fábulas, embora geralmente destinadas aos pequeninos, alcança a todo aquele que ainda tem espírito.

    Sua escrita é impecável, a mão segura de um escritor ou escritora que há muito faz seus sonhos em palavras.

    Boa sorte!

  20. Leda Spenassatto
    3 de novembro de 2020

    Yolanda, uma atendente de supermercado, acredita que uma planta é capaz de curar o namorado que ficou paraplégico ao cair de um andaime.

    Milagres podem existir ou não, dependendo do ponto de vista de cada um.
    Todos os medicamentos, ou quase todos ( não tenho certeza) tem origem nas plantas. Portanto, porque não acreditar.

    Boa sorte, Pedro de Castro!

  21. Jania Marta
    3 de novembro de 2020

    História de uma moça apaixonada que vai atrás de uma possível cura milagrosa através de ervas para o seu amado. Família e sociedade a condenam, deve estar louca pois o rapaz está desenganado, melhor esquece-lo e seguir a vida. Cientistas renomados em tempos distintos escutaram o mesmo conselho e foram taxados de louco, se todos tivessem desistido ao aceitar um diagnóstico esquizofrênico …
    Pela conjugação verbal, moeda e geografia parece ser um conto português. Gostoso de ler.

  22. Lara
    3 de novembro de 2020

    Resumo : Yolanda é uma jovem apaixonada por Artur, este sofre um acidente que lhe deixa sem os movimentos. Ela escuta uma voz em sua mente lhe dizendo que uma planta que só se encontra em sua Terra Natal é capaz de o curar. Ela acredita na voz e faz a viagem. A planta acaba funcionando.
    Comentário : Amei o texto.Acredito em milagres.

  23. Anderson Do Prado Silva
    3 de novembro de 2020

    Resumo:

    Yolanda é considerada louca ao partir em busca de uma planta milagrosa.

    Comentário:

    Considerado isoladamente, o conto é digno de nota alta. Considerado comparativamente, perde uns poucos pontinhos por ser demasiado enxuto. Ainda assim, nota-se o domínio do léxico, a delicadeza e a criatividade de seu autor.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  24. Angelo Rodrigues
    3 de novembro de 2020

    Resumo:
    Mulher se apaixona por um homem – Artur –, e este sofre um acidente que o deixou paraplégico. Ouvindo vozes do “além”, ela sai em busca de algo que o regenere. Encontra e o cura, imaginando que não se deve deixar de acreditar em milagres.

    Comentários:
    Conto interessante. Deixou-me a impressão de seguir a linha dos contos exemplares, aqueles que, ao fim e ao cabo, desejam modelar o caráter do leitor. Falo do conto, não do autor. Tem uma mensagem clara: não desdenhe, não despreze os milagres, pois eles existem.

    Em outra mão, o conto tangencia o aspecto fabular da coisa milagrosa: o graal, a água da juventude etc.

    Imediatamente me lembrei de um filme pouco falado de Sean Connery, Medicine Man (O Curandeiro da Selva), passado na Floresta Amazônica, aqui no Brasil. Ele contracena com Lorraine Bracco e… José Wilker (Dr. Miguel Ornega), o Vadinho de Dona Flor… e tantos outros. O filme é de 1992, dirigido por John McTiernan.
    Nesse filmaço, o Dr. Robert Campbell – Sean Connery – vai ao fundo da Floresta Amazônica buscar, também ele, uma planta capaz de curar do câncer. Bem, não achou. Lembro de algo místico no filme, onde a Dra. Rae Crane retorna a Londres com uma tatuagem maneira bem na testa, feita por um indígena.

    É interessante a mensagem que foi passada no conto: a esperança, a persistência, a vontade de ajudar.

    Ouviu uma voz? Isso seria loucura? Não sei, mas aceito que seja, ou que tangencie alguma psicopatologia, particularmente pelo fato de que tudo se mostrou verdadeiro e, a partir daí, tudo se realizou a contento para o frágil Artur. A força do amor se sublevou.

    Boa sorte no desafio.

  25. Claudia Roberta Angst
    3 de novembro de 2020

    RESUMO
    Yolanda, funcionária de um pequeno supermercado, recebe um telefonema alarmante. Artur, seu namorado, havia sofrido um acidente e o prognóstico não era nada bom: imobilizado da cintura para baixo. Yolanda ouve um voz sussurrar que a solução para o problema estava em uma planta existente na Ilha do Príncipe. Tachada de louca pelos demais, a moça consegue o dinheiro para a passagem e obtém a planta milagrosa. E assim acontece o milagre, o médico confirma a melhora de Artur.

    AVALIAÇÃO
    O conto fala sobre a descrença quanto a soluções inesperadas, e que pessoas que ainda acreditam em milagres são vistas como malucas. Aí está a beleza do texto, o percurso de Yolanda para atender ao chamado da própria fé. Ela tenta conseguir o dinheiro com a família, mas acaba tendo de recorrer a um expediente não muito louvável, mas que no seu caso, nem pode ser julgado. Ela é firme, decidida, faria de tudo para conseguir a chance de ver o namorado andando de novo. Seria o amor ou a fé uma espécie de loucura?
    A linguagem é clara, direta e bastante acessível. Um leve sotaque lusitano, talvez. O tamanho do conto também favorece a fluidez da leitura.
    Um texto desenvolvido de forma despretensiosa, gostoso de ler e que ainda traz um final feliz. Como não apreciar?
    Boa sorte e que milagres sempre aconteçam em sua vida.

  26. Thiago de Castro
    3 de novembro de 2020

    Resumo: Yolanda está trabalhando no caixa de supermercado quando recebe a notícia de que o companheiro Arthur se feriu num acidente de trabalho e ficou paraplégico. Decidida a atender vozes misteriosas que lhe falaram sobre uma planta mágica existente na Ilha de Príncipe, vai até às últimas consequência para conseguir a passagem e pegar a erva benfazeja, sendo taxada, por isso, constantemente de louca.

    Comentário:

    Conto um tanto que fantástico. Num primeiro momento, achei o título genérico, definindo já logo de cara à quem a loucura pertenceria na história. No entanto, foi uma boa sacada, pois apesar das constantes acusações voltadas para Yolanda, sua planta funcionou e as vozes falavam a verdade, e eu me vi tapeado e tolo pelo ceticismo que compartilhei com os demais personagens incrédulos do seu conto.

    O texto é uma homenagem às tradições, a intuição, uma brincadeira com o fantástico, tudo isso ao mesmo tempo? O fato da personagem ir até às últimas consequências para fazer Arthur voltar a andar é um pouco perturbadora, ainda mais com todas as admoestações da família, da igreja, dos patrões, até do companheiro que é conivente com esse julgamento, ainda que seja para beneficiá-lo. Nesse ponto, fui levado pelo óbvio, achando que a história tomaria um rumo mais fatalista, mas não. A protagonista vai nas entranhas da tradição, num retorno para o místico, e se mostra, ao final, não tão louca assim, apenas perseverante.

    Na literatura, tudo é possível, inclusive o fantástico e o extraordinário. A loucura aqui, é aplacada por ambos, e deixa o leitor na dureza do mundo real, onde, infelizmente, os milagres nem sempre acontecem.

    Acho que mais uma revisão deixaria o texto mais enxuto e preciso. Há um parágrafo em que a palavra “estava” aparece 4 vezes, por exemplo.

    Ótimo conto! Parabéns e boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado em 3 de novembro de 2020 por em Loucura.