EntreContos

Detox Literário.

Olhos perdidos (Louca)

Por algum motivo indefinido, gosto de frequentar clubes de teatro, não participo de nenhum, eu, literalmente, só frequento. Gosto da interatividade, da gentileza das pessoas, da expressividade dos roteiros e das feições exageradamente marcadas durante as atuações. É um conforto bem vindo na monotonia dos meus dias, mas nunca frequento o mesmo clube mais de três vezes. 

Às vezes, me pergunto se as pessoas com quem interagir deram pela minha falta, mas não acredito que a minha presença tenha sido significativa ao ponto de ser memorável, é melhor assim de qualquer forma. O sistema três em três funciona bem para mim e me permite assegurar que o coordenador do clube que frequento no momento é, de todos os que já vi, o mais engraçado. Ele sobe dois ou três tons a cada palavra e faz bico o tempo todo, acho que é isso que faz ele tão engraçado para mim, o fato de que ele não tem pretensão de ser engraçado.

 Após uma divertida intercalação de gritos e bicos, ele diz para todos agirem como loucos e a sala explode em gritaria. Pessoas gritam, correm, puxam os cabelos e fazem piruetas. Fico dividida entre o riso e o espanto, opto pelo riso e meus olhos caem sobre uma garotinha sentada no canto da sala. Ela está simplesmente sentada enquanto todos os outros correm, gritam e dançam, vou até ela para perguntar se está bem e tropeço em seus olhos. 

Eles estão completamente perdidos, olham para frente, sem verdadeiramente ver o que está lá. O principal problema é que eles não estão vazios, mas, sim, cheios demais. São uma aglomeração de medos, alegrias, pensamentos desconexos e palavras não ditas. 

O coordenador encerra a atividade e a garotinha levanta tranquilamente, seus olhos perdidos acharam o caminho e foram para longe. Vou até ela e pergunto com mais ansiedade do que pretendia “Por que você não fez a atividade?” A menina me encara e a certeza imaculada de dúvidas em seus olhos me perturba  “Como assim?”  Respiro algumas vezes “ Por que não agiu como louca?” Ela sorri levemente “ Eu agi.” e vai conversar com outros, me deixando sozinha com os meus próprios olhos perdidos que não irão simplesmente sumir com um comando de gritos e bicos.

26 comentários em “Olhos perdidos (Louca)

  1. Elisa Ribeiro
    25 de novembro de 2020

    Narradora-personagem conta uma de suas experiências em um dos clubes de teatro por ela frequentado.
    Seu texto me pareceu uma reflexão sobre a dualidade loucura x sanidade.
    Sua narradora-personagem soou-me uma personalidade levemente esquizoide que busca os clubes de teatro como forma de colorir a monotonia de sua vida com alguma emoção. Interpretei a garotinha que reage com indiferença aos comandos do coordenador histriônico como um espelhamento dessa narradora, sendo sua atitude de não se comportar simulando loucura, análoga à da narradora em manter-se indiferente à loucura do mundo. Assim, a conclusão dada pelo fecho significaria que a verdadeira loucura seria a atitude de alheamento da narradora.
    A narrativa foi atraente para mim e com relação à revisão, notei apenas um
    pequeno engano, o “r” sobrando em “com quem interagi( r) “.
    Para mim, um texto interessante e intrigante que me deixou curiosa em saber um pouco mais sobre essa personagem.
    O que não gostei: queria mais.
    O que gostei: o argumento e as lacunas da história funcionaram como uma provocação para mim, me intrigaram e me fizeram pensar.
    Parabéns pela participação.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  2. Giselle F. Bohn
    22 de novembro de 2020

    Mulher que frequenta cursos de teatro tem um encontro inusitado que a faz tecer considerações sobre a loucura.
    Mas um da série “tamanho não é documento”! Bem fiel ao tema, com uma premissa muito interessante! O problema, na minha opinião, foi que a ideia é tão legal que poderia ter ido além. E quando digo “além”, digo apenas que poderia ser mais aprofundado, afinal, o personagem da menina é muito legal e renderia uma história e tanto! Talvez você tenha aí material para uma novela, autor!
    Gostei bastante! Parabéns e boa sorte no desafio!

  3. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. Gostei de mais um conto curto mas de uma riqueza absoluta. Uma mulher gosta de participar em grupos de teatro mas desaparece sempre ao fim de três sessões. Neste caso o formador pede para que se comportem como loucos e ela repara numa menina que continua sentada. Apenas o olhar mostra a sua verdadeira loucura. E a mulher descobre que ela própria é louca (aqui estou a estender a minha imaginação para lá do que li no texto).
    O conto fez-me lembrar do filme Fight Club e da parte inicial em que o protagonista frequenta grupos de auto-ajuda. Muito provavelmente essa foi a inspiração para este conto, porque também nesse filme a loucura está patente nas suas vertentes mais “explosivas”.
    Não encontrei problemas de linguagem e o texto flui bem. Gostaria que tivesse um maior desenvolvimento.

  4. Anna
    16 de novembro de 2020

    Resumo : A protagonista gosta de frequentar aulas de teatro. Em uma dessas aulas uma garota representa a loucura de forma diferente, fica sentada de forma apática .
    Comentário : Podemos fazer relação com o comportamento da loucura e a personagem. A protagonista só observava os outros agirem e a garota fez o mesmo.

  5. Andre Brizola
    15 de novembro de 2020

    Olá, Louca.
    Um conto curto sobre uma mulher que percorre grupos de teatro, em busca de algumas facetas do convívio social sem, embora, criar laços com outros frequentadores dos grupos.
    Achei interessante abordar o tema loucura através do viés “fazer-se de louco”. Trata-se de um aspecto que nos permite pensar que a loucura pode ser opcional, indo além da patologia. Como contraponto temos a personagem criança, expondo uma outra interpretação do “fazer-se de louco”. Interessante, uma vez que a loucura não se manifesta apenas através do comportamento expansivo, mas também em uma contração do ser.
    Mas achei o conto muito curto e teria ficado mais satisfeito com alguns caracteres a mais. O diálogo entre a garota, o ápice do enredo, ocorre muito rapidamente, deixando a impressão de que a protagonista se impressionou muito facilmente. É meu único senão.
    No geral achei que é aderente ao tema do desafio, mesmo que essa aderência seja bastante tênue. É bem escrito, bem desenvolvido (embora eu ache que o final pudesse subir uns degraus a mais nesse quesito) e carismático o suficiente para agradar a uma parcela bem grande de leitores.
    É isso, boa sorte no desafio!

  6. opedropaulo
    15 de novembro de 2020

    RESUMO: Uma entusiasta de clubes de teatro alterna suas passagens por vários grupos até estar nesse, em que se depara com uma atuação que a surpreende. É uma menina que, ao comando do coordenador, dá uma curiosa encenação para a loucura, intrigando a personagem ao ponto de fazê-la questionar a menina, pois a olhou nos olhos e os viu cheios, mas não sabia de quê.

    COMENTÁRIO: É uma abordagem interessante entregue em um conto conciso. Os parágrafos iniciais nos dão um pouco da personagem e do contexto em que se dá a estória, o tratamento do tema vindo sem aviso, mas se encaixando bem no enredo que vínhamos lendo. Venho tomando loucura como aquilo que se desvia do normal e, numa escolha inteligente do autor, escreveu que todos atores passaram a representar a loucura dentro do “esperado”, estabelecendo aí uma nova normalidade dentro do cenário. Com efeito, o comportamento da menina, além de intrigante, tornou-se desviante, assim se encaixando dentro do “louco” naquele salão de loucos fingidos. Para além de ser uma esperteza narrativa, tem um efeito metalinguístico que poderia ser lido até como uma crítica ao nosso certame. Afinal, enquanto eu vi muitos contos com abordagens interessantes, com certeza poderia ter ocorrido de um jeito em que todos os contos fossem praticamente “estórias de manicômio”. Felizmente, não foi o caso, mas a possibilidade de inferir isso neste texto dá a ele ainda mais valor. Outro aspecto positivo do texto é que há um final aberto, sem uma explicação plena do que a menina concebeu como loucura em sua performance. Assim, ficamos juntos à personagem, arrebatados e questionadores do que é mesmo ser são. Houve apenas um erro de revisão que apareceu no segundo parágrafo (seria “interagi”, não “interagir”), mas com certeza não atrapalhou a leitura. Um bom texto para o desafio.

  7. Paula Giannini
    15 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo – A loucura em confronto com a encenação.
    Minhas impressões:
    Confesso que seu conto me intrigou… Trabalho com teatro há 30 anos e nunca ouvi falar, no Brasil, em clubes de teatro. Por aqui temos cursos, oficinas, salas de espetáculo para assistir peças, teatro de rua, enfim. Clubes, entretanto, para que o público experimente a arte do encenar, não há. Talvez sessões de psicodrama com psicólogos, não sei. Isso pode significar duas coisas. Ou o autor não é brasileiro, ou criou o clube em sua ficção. O que é criativo e me deu umas ideias por aqui, assim que acabar a pandemia. 😉
    O conto é curto e interessante, propondo em sua premissa o mimetismo do louco, e desenvolvendo a trama no sentido de mostrar que a loucura é algo próprio de cada um. Não há como “fingí-la” à perfeição.
    Confesso também que, para mim, este texto soou como uma bela introdução. Quando o enredo estava pronto a alçar voo, aterrissou. Talvez, na ânsia de entregar o trabalho, o(a) contista tenha dado seu texto por terminado. Porém, se me permite uma sugestão é a de que volte após o desafio a seu texto e preencha as ideias que estão loucas para ser contadas neste enredo.
    Acredito que aqui o(a) autor(a) seja alguém jovem, e gostaria de ver mais de seu trabalho em outros desafios.
    Como digo a todos, se acaso minhas impressões divergem de seu trabalho, desconsidere. Aqui estamos todos para aprender.
    Beijos e sucesso no desafio.
    Paula Giannini

  8. angst447
    12 de novembro de 2020

    RESUMO
    Narradora aprecia frequentar clubes de teatro. Em uma ocasião, depara-se com um exercício de representação da loucura e é surpreendida por uma garota que ao contrário dos outros participantes, fica sentada com o olhar perdido.
    AVALIAÇÃO
    O conto é bastante curto, mas nem por isso perde a carga de significados. Parece-me que a chave da trama está no olhar, no que os olhos revelam dos outros e da própria narradora/protagonista. Enquanto os outros representam/interpretam a loucura estereotipada, ela repara em uma menina sentada,imóvel, com olhar perdido. E imagina que a garota tenha se negado como ela a participar do exercício. No entanto, ela diz ter feito o que foi pedido – e interpretou a loucura.
    Na minha particular interpretação, a menina copiou o comportamento que lhe pareceu mais próximo da verdadeira loucura – espelhou-se na narradora. Quem mais estava com o olhar perdido, olhando a tudo e a todos, mas alheia a si mesma?
    Sem dúvida, o conto faz o leitor refletir e revela-se bem impactante. Simples, conciso, e pronto.
    Boa sorte e me diga se fugi muito do exercício de interpretação.

  9. Amanda Gomez
    12 de novembro de 2020

    Resumo📝 Em um teatro uma mulher com manias particulares se vê em uma situação inusitada que lhe trás muitas percepções sobre o que é loucura.
    Gostei 😃👍 Um microconto bem montado, fecha muito bem e em poucas palavras nos diz muito sobre o que o autor pretendia. Gostei da personagem. É breve, mas tem carisma, desperta curiosidade de como é sua vida, como chegou até ali e porquê. A cena do teatro foi muito bem descrita, imagens claras. A figura da menina impassível diante do ” desafio” é interessante e nos faz pensar. Os esteriótipos, o que é loucura, como as pessoas lidam, como identificar. Simplesmente não é só sobre o que está na superfície, na verdade nunca é. Fica a pergunta se a menina estava interpretando, e se sim, como teve o discernimento de escolher esse personagem, inspirado em quem? Ou se, ela apenas é como é, sem precisar fingir. No fim, imaginei que a protagonista entendeu que o primeiro passo para dias melhores, é entender e aceitar quem ela é. Isso é normal.
    Não gostei 😐👎 Como falei, é um excelente microconto, não consigo pensar em nada que o desabone, mas entendo que para o certame ele esteja em desvantagem. Bem, ou não.
    O conto em um emoji : 🤯

  10. jeff. (@JeeffLemos)
    12 de novembro de 2020

    Resumo: uma mulher que visita teatros tem uma experiência inexplicável com uma menina em uma das peças.
    Olá, cara autora.
    Gostei do seu texto, é um pequeno recorte da vida da personagem, que descreve de forma rápida e interessante a loucura na arte e na vida, de certa forma. No entanto, achei que faltou. Foi muito rápido, um recorte que poderia ser bem trabalhado e expandido. Um pouco mais de acontecimentos e desenvolvimento na trama daria uma cara nova pra história. Comentei o mesmo no conto anterior, mas ele ainda foi mais longe e desenvolveu um pouco mais.
    Não achei seu texto ruim, sua escrita é boa e bem dinâmica, mas quanto ao desenrolar eu senti que deixou a desejar.
    De qualquer forma, eu desejo boa sorte no desafio.
    Parabéns pelo conto/1

  11. Ana Maria Monteiro
    12 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Relato, em primeira pessoa, duma frequentadora de clubes de teatro que nunca visita mais de três vezes. Na sessão documentada ela depara-se com uma garota que interpreta a loucura através do silêncio e quietude, do não-ser, o que leva a narradora a por em causa a sua própria lucidez.

    Comentário: um ótimo miniconto, que suscita inúmeras reflexões e coloca questões pertinentes quanto à natureza que a loucura pode assumir em cada um, pondo em causa a imagem estereotipada do louco tresloucado.

    Foi muito feliz a escolha de uma criança como contraponto. Senti falta de um parágrafo onde colocou um ponto final e, mais adiante, de um ponto final onde colocou um parágrafo. Isso e um “r” no final de interagi, que transforma o tempo em verbo e se limita a um erro de digitação, nada de especial a apontar.

    O tema foi perfeitamente abordado e o resultado excelente para tão poucas palavras.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. antoniosbatista
    11 de novembro de 2020

    Resumo: Mulher assiste ensaios de uma peça de teatro e conversa com uma menina que permanece sentada imóvel, enquanto os outros se agitam como loucos.

    Comentário: Um argumento onde podemos tirar conclusões diferentes, ou ter diferentes pontos de vista. Quem são os loucos? Aqueles que fazem caretas ou aqueles que assistem impassíveis? A loucura aparenta ser normal e a normalidade tem algo de loucura. Achei estranha essa frase: “(…) vou até ela para ver se está bem e tropeço em seus olhos”. Essa frase está no sentido figurado, é claro. A garota não está no chão nem a mulher tropeça na cabaça dela. Mesmo assim é difícil fazer uma interpretação lógica dessa frase. Enfim, podemos concluir que a protagonista/ narradora está num dilema em suas conclusões sobre o que vê, o que sente. Apesar das pequenas falhas, é um bom conto e uma boa ideia. Boa sorte.

  13. Fil Felix
    11 de novembro de 2020

    Bom dia!

    Uma estudante de teatro, que frequenta grupos de estudo mas não participa tanto, se surpreende com a atuação de “louca” de outra colega.

    Um conto bastante interessante. Uma tendência que vi nos contos curtos que li até agora (acho que uns 10) é a constante sensação de que faltou alguma coisa, as vezes porque quiseram encher de informação o conto e acabou por soar artificial demais. Já aqui a história é diferente, é mais conciso, bem escrito e não deixa aquele gostinho de quero mais (no bom sentido). E é um conto que traça até mesmo, ao meu ver, algumas críticas (tanto ao “teatrismo” quanto à visão de loucura). Os loucos não são aqueles que simplesmente saem por aí arrancando os cabelos e batendo a cabeça, o louco não é só aquele que sai correndo pelado na rua a ponto dos outros tacarem pedra.

    A outra atriz traz aquele quadro onde a pessoa nada diz, pode estar até mesmo catatônica, e quais mistérios ela guarda dentro de si e não deixa transparecer? Usar dos olhos, que são as janelas da alma nessa visão mais romântica, ajuda a contar que ali dentro existe um universo de desejos acontecendo. Outro ponto que gostei é quando diz que o professor é engraçado, principalmente por ser caricato e não forçar a barra em ser engraçado. Me lembrou do Umberto Eco em seu livro sobre a Feiura, que além de ser mais engraçada que a Beleza, ele cita um exemplo muito parecido com o que escreveu para citar a figura do “ridículo”.

  14. Regina Ruth Rincon Caires
    11 de novembro de 2020

    Olhos perdidos (Louca)

    Resumo:

    A história de uma frequentadora de clubes de teatro que narra uma cena presenciada na reunião em que o coordenador provoca uma atividade entre os presentes. A frequentadora/narradora se atém à figura da menina que estava presente.

    Comentário:

    Narrativa breve, encantadora. Acredito que o desfecho seja um trabalho para a imaginação do leitor. Há algumas possibilidades de dedução: a menina com algum transtorno, a menina apenas com a sua inocência, a menina impactada com a atitude nonsense dos adultos, a menina transmitindo que a loucura, nos tempos invertidos de hoje, pode “ser imputada”, pelos menos atentos, à serenidade de uma pessoa. Valores trocados, julgamentos inexatos. Quando enxergaremos tudo isso?

    Parabéns, Louca, se você procurou entender a reação da menina, parou para pensar sobre isso, você não está tão louca assim. Há salvação.

    Texto bem escrito, conciso e de conteúdo que transborda (e derrama muito) das poucas palavras. Falou muito mais do que eu diria em 3000 palavras.

    Parabéns, Louca, obrigada pela reflexão que me trouxe!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  15. Misael Pulhes
    7 de novembro de 2020

    Olá, “Louca”.

    Resumo: uma mulher – a protagonista do conto – vive em teatros e, certa vez, se depara com uma peça em que a loucura é instigada. Ela passará a rever o sentido da loucura ao se deparar com uma garotinha silenciosa sentada perto de si.

    Comentários: Um conto-insight, experimental no conteúdo, daqueles que deixam uma pulguinha atrás da orelha, com um final de impacto. A ideia é muitíssimo boa. Creio que precisaria de uma reescrita para lapidar. O texto é bem escrito. Só o impacto é que não me foi tão forte quanto poderia, não sei bem por quê.

    Mas tem muito valor.

    Parabéns e boa sorte!!

  16. Fabio Monteiro
    7 de novembro de 2020

    Resumo: Cenário de dinâmica teatral. Uma personagem se confunde ao entrar num enredo loucura e sanidade. Ela se espanta quando vê que uma garotinha destoa do momento compartilhado entre os presentes.

    Eu citei no resumo que a personagem se confunde por que foi essa a sensação que a narração me permitiu ter. A personagem entra na brincadeira feita no teatro, mas em dado momento se questiona se isto é o certo a fazer. Ela opta por sorrir. Não se faz de louca como os demais presentes. Mesmo assim, há de se notar sua inconstância por buscar lugares do tipo.

    Sobre a garotinha. O que pensar? Não vi nada que revelasse traços de insanidade. Ela até me pareceu bem ajustada. Prendeu-se nos seus pensamentos não contribuindo negativamente ou positivamente em nada com o todo.
    Talvez com uma maior riqueza de detalhes eu pudesse interpretá-la melhor. Mas o texto é relativamente curto, não explorando totalmente nem a dinâmica e nem a garotinha misteriosa. Essa é a minha percepção.

    No contexto de vida ela poderia ser vista como alguém que tem problemas comportamentais, dificuldade na socialização, enfim…mas ela responde de maneira crua a protagonista não dando motivos para tal conclusão.

    Pode ser que a intenção do(a) autor(a) fosse essa mesmo, despertar esse senso de percepção alterada. A imagem de capa do texto me dá uma boa ideia sobre isso. O olho bem aberto revela a imagem de uma mascara dividida entre sorrir e chorar. Eu diria que a protagonista sofre de um transtorno bipolar. Vive presa num ciclo interminável de inconstâncias. Uma dolorosa condição de vida.
    Se a garotinha então for a própria protagonista olhando para dentro de si, minhas hipóteses se confirmam.

    Boa Sorte autor(a)

    Vejamos no futuro o que sua historia nos revela.

  17. Fheluany Nogueira
    7 de novembro de 2020

    A protagonista visita clubes de teatro para observar. Em um deles, pergunta à menina por que estava inerte em meio a representações de loucura. Pela resposta, ela pode perceber que as duas sentiam a loucura da mesma forma.

    Um micro na medida certa, com boa dose de suspense e abrindo para o leitor imenso campo de recriação, através das sugestões apresentadas em um conjunto de tramas menores: procurar clubes de teatro de três em três, a performance do último organizador, a garota com os “olhos perdidos”, a contraposição às demais representações da loucura, os sentimentos da protagonista — um sintetismo simbólico do concreto.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte! Abraço.

  18. Priscila Pereira
    4 de novembro de 2020

    Resumo: Em uma atividade do clube de teatro da vez, a protagonista encontra uma menina que representa a verdadeira loucura.

    Olá, Louca!
    Seu conto é um exemplo de um micro bem feito. Nada falta e nada sobra. A menina que provavelmente é uma das atrizes mais promissoras do lugar sobe muito bem que a loucura não é exatamente o que demonstramos por fora e sim o que escondemos de dentro.
    Outra coisa que me chamou a atenção foi o final, onde a protagonista entende que a loucura representada pela menina era igual a sua, mas a menina podia parar de fingir, ou conseguia esconder, melhor do que ela.
    Gostei do conto. Parabéns!
    Boa sorte!
    Até mais!

  19. Fernanda Caleffi Barbetta
    4 de novembro de 2020

    Resumo
    Mulher frequenta clube de teatro apesar de não ter a intenção de representar. Em um deles, o que julga possuir o melhor organizador, encontra uma garotinha, que ao ser levada a agir como louca fica paralisada diante de todos os seus problemas.

    Comentário
    Um conto curto que em poucas palavras vai do divertido e rotineiro a uma situação inusitada e reflexiva.
    O conto traz várias pequenas tramas, o homem que frequenta o clube e não participa das peças teatrais, a falta que ela faz ou não, sua própria mania e loucura, o organizador que faz bicos, a atividade da loucura desenvolvida na classe, a menina com os olhos da loucura e o protagonista com os olhos perdidos. Você conseguiu colocar muita coisa em tão pouco espaço… e eu acho que foi este o seu maior pecado. Não sei qual a trama central, o foco principal do seu texto. A julgar pelo título e imagem, creio que seria a menina, mas nada no texto foi me direcionando para ela. Faltou amarrar um pouco mais as ideias e desenvolver um pouco mais a menina.
    De qualquer forma, o texto é interessante, gostoso de ler e divertido em alguns momentos.
    Gramaticalmente bem escrito, destaco apenas dois deslizes:
    com quem interagir (interagi) deram
    ao(a) ponto de ser memorável
    tropeço em seus olhos ? achei estranho
    “seus olhos perdidos acharam o caminho e foram para longe” – muito bom
    Flertamos com a loucura em algumas passagens, como na mania da protagonista, no desempenho da atividade teatral (apensar de ser apenas uma representação) mas ela aparece mais forte na menina, que ao representar a loucura, olha para dentro de si. Pelo menos foi o que entendi.

  20. Bianca Cidreira Cammarota
    3 de novembro de 2020

    Em suas idas a diferentes e sempre novos clubes de teatro, a protagonista encontra uma menina que a refletir sobre si mesma e suas dificuldades internas.

    Louca, tudo bom?

    Seu conto é pequeno, mas foi, para mim, o bastante para ser passada a tua história.
    Nos ditos que não foram ditos, nas entrelinhas, nos vazios deixados, percebemos que a protagonista, em suas idas e vindas ao teatro, sem se apegar a ninguém e aos lugares, com a finalidade de se distrair de sua vida monótona, é alguém perturbado. Imaginamos todo um mundo para ela…!

    Tudo é símbolo: os teatros, os shows, as pessoas, seus rituais a cada noite. Sua rotina é sua segurança. A repetição da mesma noite, mas com rostos diferentes é o que a mantém longe de si mesma.

    Então, ela encontra a criança. Adorei esta frase: “O principal problema é que eles não estão vazios, mas, sim, cheios demais. São uma aglomeração de medos, alegrias, pensamentos desconexos e palavras não ditas. ” E é na menina que a protagonista encontra seu próprio espelho, como se a criança rompesse o mundo ilusório e sua vida sem sentido. A atitude da garota ficar parada enquanto os outros se divertiam (não agiam como loucos…, na minha opinião) reflete exatamente o que a protagonista faz consigo mesma.

    Texto excelente!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      3 de novembro de 2020

      *….uma menina que a faz refletir sobre si mesma e suas dificuldades internas.

  21. Leandro Rodrigues dos Santos
    3 de novembro de 2020

    Um modo de diário, de relatos na atividade em observar pessoas e refletir sobre elas, em especial uma garotinha ao canto, a qual tem uma interpretação contida de loucura, que o faz sentir sua agonia silente;
    Está cheio de repetições (cuidado com elas , substitua por sinônimos, ou suavidades), uso da conjunção ‘e’ e o ‘que’ (substitua por vírgulas ou gerúndio), há pontos a melhorar, que assim siga.

  22. Angelo Rodrigues
    3 de novembro de 2020

    Resumo:
    Garota que frequenta grupos de teatro, em grupos de três, sem nunca voltar a eles, experimenta formas variadas de loucura.

    Comentários:
    Conto interessante. A nossa protagonista, estranha por princípio, nos leva a conhecer uma menina que, sob sua ótica, é ainda mais estranha que ela, pois, sem bicos ou caretas, representa a loucura dissimulada, o rosto tranquilo que guarda sua própria forma de enlouquecer.

    O autor, se me permite, usou em seu desenho ilustrativo uma série de figuras simbólicas: o olho que tudo vê, a imagem de Ouroboros, e, tratando-se de um ambiente teatral, a dupla face do riso e da alegria.

    Imaginei que, na imagem, teria a chave para penetrar no conto. O conflito psicanalítico do personagem, que passeia por mundos celeste e infernal por meio do Ouroboros, do riso e da alegria por meio da máscara teatral e, não menos significativo, o senso persecutório do olho que tudo vê.

    Nossa protagonista vive um mundo de conflitos quando, na própria figura de Ouroboros, busca fechar um ciclo quando evoca a sua conflituosa existência, buscando em ambientes teatrais a máscara certa que deverá usar. Sempre a procurá-la.

    Um conto com muitas possibilidades interpretativas, bem arrumado.

    Boa sorte no desafio.

  23. Anderson Do Prado Silva
    3 de novembro de 2020

    Resumo:

    Aula de teatro propicia reflexões sobre a natureza da loucura.

    Comentário:

    Que dia, senhores! Quarto texto lido, quarto texto genial! Estou aqui arrepiado de medo dessa garotinha! Sinto a presença dela em todos os cantos escuros do meu arredor! E que imagem é essa aí, essa máscara com toque tão pessoal? Também é assustadora e casa perfeitamente com o texto! Amei esse toque!

    De tudo, só lamento o texto ser tão curto em um desafio que permite 3000 palavras. 😔

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  24. Lara
    3 de novembro de 2020

    Resumo : A protagonista frequenta clubes de teatro para se divertir observando. Em uma atividade na qual todos deveriam fingir ser loucos uma garota fica sentada parada, quando a protagonista pergunta o motivo de ela não ter realizado a atividade, a mesma lhe responde que fez a atividade.
    Comentário : O texto me levou a pensar que a apatia é uma forma de loucura, quando chegamos em um estado que não temos reação para nada e ficamos simplesmente assistindo a vida passar.

  25. Thiago de Castro Souza
    3 de novembro de 2020

    Resumo: Uma garota frequenta clubes de teatro sem razões definidas para aplacar o tédio. No entanto, em uma das visitas onde todos os atores fingem ser loucos, gritando e berrando por aí, nota uma outra menina que atua parada, com o olhar perdido e sem muitas reações. Curiosa, ao perguntar o motivo daquela atuação, a resposta da menina deixa a narradora confusa sobre sua própria definição de loucura e como ela pode ser acometida desse mal.

    Comentário:

    Conto curto, mas que me gerou boas impressões. Loucura não é só histeria, violência ou caos o tempo todo, pode ser submersão, alienação e apagamento completo do que já se foi um dia ou pretendia ser. Você tratou a loucura desse aspecto internalizado e, me pareceu, que criou um pequeno enredo para defender o seu ponto de vista e se saiu muito bem. Sua protagonista me intrigou também, alguém que sem razão aparente tem manias de frequentar clubes de teatro, mas sem apego, transitando de um para outro. Não seria também um maníaco? Uma pessoa inquieta que estuda os tutores e se interessa pelos tipos humanos em cena? Ficou parecendo para mim, devido a perturbação final após a resposta da garota, que o comportamento irrequieto da narradora também é uma forma de loucura, constante, ainda ignorante na cabeça de quem conta o conto, mas que agora o perturbará indefinidamente.

    Encontrei um errinho de concordância verbal em “Às vezes, me pergunto se as pessoas com quem interagir *interagi* deram pela minha falta”.

    Curti a viagem. Parabéns e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado em 3 de novembro de 2020 por em Loucura.