EntreContos

Detox Literário.

Soterramento de Sísifo (Frederico Córdoba)

Cafeína é o elixir do erudito, substância que retarda os receptores de adenosina; no corpo, o estado de alerta se revigora. Já me faço diferente quando imagino se estarei falando do meu corpo, sendo que eu sou o corpo. Aqui está meu mote, mas voltemos à cafeína. Tenho doses diárias de cafeína; até aí acredito ser muito comum de seres que se aprazem em ficar alertas façam uso da substância. Vivo num tempo em que não vemos mais o senhor e o escravo andando como dois corpos na rua: a cidade agora se abarrota de escravos-senhores. Nós somos o capital, vendemo-nos como um produto; em qualquer situação! Para o parceiro sexual, para a amiga, para desconhecidos (os mais preciosos). Por que estou adiantando-me? A cafeína; todos os dias, principalmente no momento de leitura e escrita eu me embebedo de café: a fonte de energia, não? Os fracos ficariam num cházinho, ou como Cortázar, observariam o mundo junto de um mate. Mote, meu mote: pensar o que insano e o que é costume. Ah sim. Manea. Prazer, Frederico Córdoba, autor de Menos (2002), ensaio filosófico. Muitos leram e não entenderam nada, é fato; entretanto, por que três dos quinze que compreenderam hoje estão internados? O número dos que não leram é astronômico, inclui minha esposa, sogra e cunhado. Na verdade, a sogra até ouviu uns aforismos esparsos: Hmm, olha! Foi a resposta. A esposa pensa que filosofia é coisa chata. Se alguma vez ditei aforismos em seus ouvidos com certeza não se lembra, mal absorvia as palavras. Tenho 45 anos. Novo demais! Dirão. Não vou saber e que maravilha isso. A mudez eterna vem acompanhada da surdez eterna. Eis algo que os seres de meu tempo precisam: surdez. Escutam demais com os olhos, esquecem que é mais fácil amaldiçoar e difamar uma foto do que uma cara. Por que já cheguei aqui? Não não. A esposa não leu. Fiz um trabalho gráfico incrível na primeira edição, mas não, os três filhos necessitavam mais seus ouvidos, além das revistas e piadas. Melhor fazer um retrato efêmero da dita cuja. Assim vai parecer que não a amo, e é verdade. Em suma: idealizo-a. No meu livro escrito nos anos 2000 discuto se insanidade não é sinônimo de pensamento. Hoje, nos anos vinte, eu tenho a síntese de tudo isso. Bem, qualquer um que, na sociedade de hoje, por o pescoço para fora e olhar um Descartes ali, outro Nietzsche lá, sinal que já caiu da esteira na fábrica. Os brinquedos que se salvam são os que dão alguns passos para trás e observam os funcionários de ternos, manuseando os bilhões de produtos, moldando-os ao longo de oitenta a noventa anos. O medo integra-se ao racional, o desejo de nunca mais pisar na esteira reage. Conversei isso com a esposa um dia: sugeriu que eu facilitasse a linguagem pois as pessoas no Brasil nada entenderiam. Só os loucos, então. Poxa, a cafeína se esvaiu do meu copo, mas já me tornei uma inércia pura, hoje será o dia da pulverização, portanto seria mais fácil se eu for pegar o café. Entuchar até derreter os vasos sanguíneos. Mais uma vez adianto-me. Aforismos! Respiros! A esposa não leu. Nem vai ler depois de ver meu caixão. Pois só os insanos entenderiam. Não dá para ler Byung-Chul Han na esteira da fábrica. De vez em tanto faço solilóquios na cozinha explicando meu pensar: ouço elogios singulares. Eu sei que o filósofo parece um anêmico desenfreado. Os antigos alemães falavam da doença do erudito: visão horrenda a do homem cuja cervical salta da pele, os olhos fitando letras, o copo vazio, o chão feito de cinzeiro, cheio. Se fosse eu também uma esposa acharia horrível! A libido esparsa, a cabeça ocupada. Na cela de um manicômio veríamos fácil a mesma cena, não? Vou pegar o café… quantos minutos? São 15:17, veremos. Talvez segundos: vou deitar a caneta. Um só: um minuto, com um pão e um gole de cafeína. Energia dupla; o pensamento exige. Insanos falam sozinho, diz algum ditado, falaria sozinho o erudito? Mas, obviamente, sempre tem uma voz falando em sua cabeça quando ele escreve. Os que psicografam também as têm, imagino, mas por que eles não são vistos como loucos? O que faz o louco quando se vê certo em persistir na loucura? Os outros acham absurdo falar com rococó, não sentem sonoridade, nos solilóquios eu tinha de explicar as ironias. Queria saber da ciência se é comum de se enlouquecer aos quarenta e cinco, se bem que foi bem antes, acho que aos seis ou sete. Os coitados dos cientistas são insanos em tremendos níveis: quem perderia tempo investigando pedras? Luzes no céu? Eu disse a ela que (quis afirmar: o brinquedo que já pulou da esteira dificilmente acompanha o brinquedo que lá quer continuar) entender filosofia é algo bom! Respostas negativas, obviamente. O café já acabou. Mais um cigarro, na lata! Hoje é o dia finale, don’t forget. Solto a fumaça em direção ao muro, está carcomido como minha visão de mim mesmo…

   Decido por trazer a garrafa. Tenho muito a dizer e sei que tudo não vou conseguir. Teve um dia que a fábrica me interrogou; ela, desafio-me, ridicularizou citações nietzscheanas. As filosofias mainstream sempre dominarão, o famoso Platão, o carrancudo Aristóteles, sempre um será respectivo do outro; meu páthos é ter escrito um conceito por inteiro, ter vivido quatro décadas, fervilhando essas ideias, para decidir então amarrar a corda com um epitáfio. Minha mortalha é a efemeridade deste texto; pois, aquele que ler meus dizeres póstumos terão um resumo de tudo o que penso sobre a Moral do Enlouquecido. 

   Para mim ser louco é empreender no objetivo de existir, é defender a multiplicação de pessoas sãs, ter filhos à guisa de lago de Narciso. Loucura não é rasgar a cédula num lapso de lucidez, rasgar dinheiro, tal ato ocorre quando percebemos o quão ele é gigante perante nós; loucura é se rasgar pelo dinheiro. 

   Deixo minha mensagem finita ao mundo. Afligirei eu o cerne translúcido da moral dos filósofos? Acharão que o filósofo suicida é Sísifo que se deixa soterrar pela rocha esférica da vida?

    Visitar minha mãe na idade em que me encontro é a prova da morte da moral, de quando a moralidade vira um porta-retrato caído nas memórias do ascendente. Pois minha mãe é incrédula ante meu ateísmo. Tentou me evangelizar durante minha última visita, e ali, minha existência e escolha de vereda estavam decretadas entre nós; olhando minha mãe, enxergava Platão sentado no sofá oposto. 

    No trem, de volta para casa, tive uma entusiasta deste Platão maternal pregando-me antíteses. Determinou-me louco, insano de ver a vida como um nada, de serem nítido meus textos apenas na velhice de meus bisnetos, e acreditar nisso. Não, não posso pensar assim; eu, Frederico, um homem doente e corcunda, um mausoléu de pensamentos que ninguém explora; naquele banco de plástico eu era um calado filósofo que fitava as tecnologias de seu mundo. Apontei-lhe a caixa de emergência, é assim que vivo, pronto para a chuva e para o fracasso, para o sol e para a morte inexplicável; todos somos essa caixa de emergências, somos numerosos, seguimos a matemática do tempo: há caixas cujos rubros vidros nunca hão de ser quebrados,  vaguearão as ferrovias de um século e nunca serão utilizadas, e, há aquelas que no dia seguinte à sua acoplagem serão massacradas e terão cumprido seu destino cósmico. Aquilo é um objeto inanimado, Frederico, é ridículo isso de “alguns nascem póstumos”, replicou minha esposa. 

    Levanto minha cabeça, o café já acabou; guimbas duras se amontoam ao chão. O sol se foi, o céu é de gelo, o vento me lembra de que estou vivo. Hoje, este dia branco, esta cidade doente, serão partes do cenário de meu último filosofar. Esta carta não é de suicídio, não é o atestado de um louco; hoje sou Sócrates e este é meu adágio final. 

    Nos dias em que vivo, os costumes estão em uma nova era; temos um novo membro no corpo, uma droga para cerebelos, tecnológica e atada. Nesses espelhos mágicos todos querem se refletir, todos querem ser iguais. 

    Mas lembrem-se que todos somos loucos dentro de nossas mentes; a conversa entre nós mesmos é papo de doido; quantos de nós somos loucos e assassinos? Quantas as heresias por cabeça? A loucura em meus dias parece tão sã, que não a vemos. Falamos com cachorros como se eternamente ele fosse um filhote humano, não há resposta mas a inventamos; mas, não somos loucos por falar com cães. A mulher, resignada, vive com o homem mais imoral e moral que já vi, são decênios de imoralidades torpes para com a esposa e alvas e assépticas moralidades para com seus compadres. A dona-de-casa não é louca por resignar-se perante o muro sombrio que é seu casamento. 

    Meus anos são caóticos: gregos, romanos e ameríndios dividem uma só terra; bardos e orientais, o costume helênico, o costume ímpio, o costume cristão, o costume nenhum, podem viver num mesmo condomínio, numa mesma rua sem-saída. Quantos narcísicos assassinos de pensamentos não dividem o elevador com o niilista cético e estoico que não conhece a si mesmo. Quantos mundos há no mundo para dividirmos os seres entre os sãos e os loucos. 

   Sou condenado por ser filósofo; sou o Alberto Caeiro que casou com a filha de sua empregada: uma estátua fria que deu-me três filhos, que para mim não distinguem, nem me afetam; afinal, nada impede de eu ser são amanhã. Pois o mundo é pesado, uma hora precisamos ceder à máquina, viramos parafusos descartáveis. E o homem que se apraz em trabalhar não é, considerado louco. Em meus tempos, o humano saiu de vez da floresta; sente orgulho de tal ato. Ignoramos que na selva não duramos uma jornada de trabalho e, procuramos a selva, somos a selva em nosso íntimo, pois sentimos prazer nos cheiros, a boca saliva com as essências humanas, como se diante de um copo fresco na areia desértica estivéssemos; nossos desejos são loucura. Freud disse, já velho, que temos uma tríade de eus; qual deles é o louco? É loucura, o que sente o homem que rouba, a fim de brilhantes como os que vê em seu telefone?

   Por uma vida escrevi argumentando a loucura, foram janeiros e dezembros sem uma resposta. Talvez pois já seja, eu, um louco. Ao meu reforçar a tese neste mesmo instante, vejo alguém atuando de frente a câmeras, vejo alguém realizando gozos ocultos em seus quartos, vejo crianças comendo formigas, vejo andarilhos na sexta dose de aguardente. Vivo num hospício de tamanho continental. Uma terra de loucos felizes. Eu estou feliz neste meu último dia de vida. 

   Conheci a loucura de Afrodite. Senti e sinto o mesmo que Pigmaleão por sua estátua. Há dias conheci uma musa, justo nos tempos em que conclui que a loucura não existe. Me mato no dia de hoje para enterrar meu azar. Me faço um último copo pois falhei como filósofo. Aquela face de pêssego, os cachos amadeirados, o sorriso de brilhantes. Está mulher derrubou meus conceitos e aforismos como uma pilha de cartas. Essa é a maneira de um cético crer, do absurdista enlouquecer. Pois os impulsos que enlouqueceram Nietzsche vinham de uma multidão. Eu sou inúmeros. Todo esse processo é o amor; a máquina de gerar atitudes e, por vezes, das mais loucas. 

   Deve ter umas trinta gotas no vidro de remédios, viro o frasco e gotejo sem contar em meu copo de uísque. Acabou o café, acabaram os impulsos. 

   Amo uma mulher casada, há algo mais insano do que cutucar os ovos doutra ave de rapina? Se um franzino qualquer se jogar no mar das Maldivas, gritarão: Louco! Se eu me jogar na vida e nos beijos de minha amada, dirão: São? Teus dedos e pés são sãos, meu leitor?

   Um gole de cada vez me derrubará antes de achar um bom final de notas para este meu adágio. Deverei, pois, tomá-lo de uma só vez; ofereço um trago à mãe-terra para que se entorpeça antes de me receber entorpecido. Minha esposa, dela não escutarei os gritos, nem os gritos dos filhos ou o comparecimento de minha dezena de leitores. 

   E os pássaros não são como eu. Saem pelos nortes e suls pois devem fazê-lo para que sejam pássaros. Devo te amar e fazer mil loucuras pois é o que me fará ser humano. 

   Mas soterrarei-me nesta tarde. Este copo é o cálice, espera minha melodia se aperfeiçoar como esperou a de Sócrates. Estou me soterrando com esta terra que come. Defino-me louco por não ter visto nada de apraz nesta existência, pois não é bom amar essa mulher, não poderei tê-la como oxigênio pois a vida não permite. Defino-me o louco mais são de todos. Defino-me o Quixote dos filósofos, o covarde, o amante. 

   Acabo de tomar o gole e jogar o copo conta a parede, pois é o âmago do estômago em que direcionamos primeiro o pensamento, não sinto nada não pesa-me nada nem o arrependimento sinto o cimento em meu palmo esquerdo os olhos fecham em negro é costume rimar antes de nosso enterro? o céu escureceu mas não é noite a carta é sem sentido a carta não sente pois não sinto o pescoço está mole pesa quilos e a vida não tem sentido e a carta não tem sentido e o filósofo que chora não tem sentido e o papel que molha não tem sentido a … (ilegível) é meu sentido. 

 

* do acervo de Frederico Córdoba, Instituto Córdoba (SP-BR)

29 comentários em “Soterramento de Sísifo (Frederico Córdoba)

  1. Amanda Gomez
    25 de novembro de 2020

    Resumo📝 Filósofo cansado da vida e da sociedade escreve uma carta onde ele explica e divaga sobre sua vida e convicções além de críticas ao mundo atual.

    Gostei 😃👍Sempre aprecio um texto mais rebuscado, com trato e belas metáforas, eu realmente gosto. Acho que o conto é linear, as divagações conseguem expor as motivações do personagem e convida o leitor a refletir junto a ele. Gostei do destaque ao fato de que pessoas como ele, que vem de uma outra época e que se mantém fiel a isso são tidas como loucas. E eles próprios julgam o outro lado da mesma coisa.

    Não gostei 😐👎 O problema de textos densos e rebuscados e que a maioria traz um personagem sem carisma nenhum. Ficar dentro da cabeça desse personagem é muito difícil, ainda mais quando não se tem as referências, quando não se compra as frustrações os gostos, enfim quando não se identifica com o que ele está falando, e como fala! Acho que se fosse em terceira pessoa ganharia uns pontos comigo, mas entendo que a proposta do conto é essa e tudo bem. Esse texto é claramente questão de gosto e provavelmente vai sofrer nas avaliações por causa disso: não conseguir alcançar um público maior que aprecie esse tipo de escrita, na verdade não de escrita, mas sim de enredo. O tema aqui é dúbio, o homem claramente não é louco, apenas sobre de depressão e outros males. Mas, tudo bem.

    O conto em emoji : 📝🕴️

  2. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. Este foi um dos textos que me deu mais prazer ler. Identifico-me perfeitamente com ele. O mundo de hoje é uma loucura para pessoas minimamente inteligentes, de tal forma que essas mesmas pessoas inteligentes e eruditas são tomadas por loucas, de tão deslocadas que estão. Este é, grosso modo, o resumo do texto, que escorre como uma dissertação filosófica de um erudito. É um texto extremamente rico sem se tornar em algo estanque e ininteligível. Pelo menos para mim, que aceito a minha quota-parte de loucura erudita e me recuso a abandonar os meus princípios para me integrar melhor num mundo imediatista e superficial. Internem-me, porra, mas levem os meus CDs de Gregory Porter. Como único senão que encontro no conto é o facto de não ser um conto, mas uma dissertação. Só isso me impede de dar nota máxima.
    Parabéns.

  3. Fil Felix
    19 de novembro de 2020

    Boa noite!
    Um escritor desabafa sobre o cotidiano, sua carreira e vida amorosa, enquanto traça críticas a respeito da sociedade, culminando em seu suicídio. Tudo documentado.
    É um conto bastante denso e recheado de metáforas. Costumo dizer que os melhores contos são aqueles que podem ser lidos por camadas, desde as mais externas às mais internas. Claro, isso pode render toda uma discussão sobre público e até mesmo à leitura democrática (que talvez seu personagem adoraria discutir). E como seu conto é revestido por uma armadura de referências, muitos leitores não conseguirão chegar até seu íntimo, outros não passarão nem da armadura, por falta (ou diferença, melhor dizendo) de bagagem cultural/ intelectual. Mas é a sina que textos mais rebuscados e eruditos sofrerão, entretanto não achei a leitura travada ou difícil (diferente de outro conto do desafio, também bastante filosófico, que é quase incompreensível).
    Para o leitor que conseguir quebrar a armadura, irá encontrar um conto com ares de ensaio que traz uma simbologia muito forte. Seu autor protagonista lamenta, ao mesmo tempo em que desdém, da sua obra não chegar ao todo, das pessoas continuarem seguindo uma cartilha, de não saírem da “esteira” da fábrica. Ele não é compreendido e sua vaidade é maculada. Há uma crítica ao pensamento igual e de manada (ou até mesmo à industrialização/ capitalismo, já que usa uma fábrica), uma alusão a pensar fora da caixinha e sair desse destino. Como Sísifo, o protagonista se vê preso em sua rotina de altos e baixos, cansado. Também há outras figuras de linguagem boas e práticas, como Dom Quixote e a batalha contra o dragão, mas muitas passarão por citações (como Borges e Nietzsche, deixando o texto com ares blasé de ter a citação pela citação).
    O suicídio é o final trágico, porém bastante romântico, de muitos escritores. Na literatura o suicídio muitas vezes está associado a quase um ato narcísico ou apaixonado demais, à catarse do exagero emocional. Das personagens de Shakespeare à Virgínia Woolf, essa sim que sucumbiu à loucura. Particularmente, acho que em 90% dos meus contos eu mato o protagonista, soa até mais poético pra mim (e porque gosto do exagero tbm :D). E o protagonista-escritor desse conto é até bastante lúcido, não o taxaria como louco, ele só não se vê como peça na engrenagem social.
    O que é cômico, pois apesar dele desdenhar da sociedade, beber e fumar olhando por cima dos óculos para aqueles à sua volta, que não o compreendem, quase como aquele crítico de teatro/ cinema que paira no imaginário coletivo, ele ao mesmo tempo se sente vivo e ansioso quando justamente se rende ao quê? Ao amor, esse tema que é universal e explorado aos montes, quase como um crítico que se deixa levar por uma comédia romântica despretensiosa, por uma leitura blockbuster. Será que o protagonista deveria pegar leve no café e se abrir às coisas simples? Ou o autor deixar cair algumas peças da armadura? Não sei. Apesar de denso, gostei bastante por levantar tantas questões! (Ah, não estou romantizando o suicídio real, apenas o literário kkkk)

  4. Anna
    19 de novembro de 2020

    Resumo : Filósofo que se sente incompreendido por uma sociedade superficial enlouquece e se suicida para se livrar das pessoas medíocres.
    Comentário : O conto é muito erudito, cheguei a admirar o protagonista mas não é meu tipo de leitura favorito, a linguagem é muito rebuscada,Eu também penso que o mundo anda muito mal frequentado, fazendo um paralelo com a vida real Yoko Ono foi mais forte que seu filósofo, ela sempre lutou contra a superficialidade e ele simplesmente morre por conta dela após lutar um pouco e não obter sucesso.

  5. Giselle F. Bohn
    14 de novembro de 2020

    Homem faz considerações filosóficas sobre sua obra, seu casamento, sua vida. Por fim, opta pela morte.
    Tenho sempre dificuldade em comentar – e ainda mais em avaliar com notas! – contos que têm estilo ou temática às quais não estou nem um pouco acostumada. Este é um exemplo. É bom? Sim, posso afirmar que sim. Bem escrito, bem estruturado? Com exceção de pequenas falhas aqui e ali e que não comprometem a compreensão, sem dúvida. As divagações soam interessantes? Sim e não. Se por um lado eu quis saber mais sobre este homem, sobre como ele vê a si mesmo e aos outros, sobre sua opção pela morte, e se quis entender o que o afastava tanto das demais pessoas, por outro lado pareceu-me haver um excesso de questões abordadas: a obra incompreendida, as relações familiares vazias, a arte acima do dinheiro, a perda do amor real. Senti que faltou o tal do conflito único que é a marca do conto. Aqui houve muitos conflitos internos, mas a soma de todos não teve a dramaticidade que, acredito, o autor pretendia. Eu sou uma leitora que gosta de ser agarrada pela emoção – infelizmente, aqui, isso não aconteceu. Mas pode ser uma falha na minha leitura.
    Aliás, tudo isso que eu disse pode ser a maior besteira do mundo, e isso nem é tão improvável, dada minha pouca familiaridade com textos filosóficos como este.
    De qualquer maneira, foi uma experiência interessante. Só espero um dia ser plenamente capaz de apreciar um conto tão erudito como este!
    Parabéns e boa sorte no desafio! 🙂

  6. Andre Brizola
    14 de novembro de 2020

    Olá, Frederico.
    Conto em forma de carta de despedida, em que o autor, já determinado a suicidar-se, filosofa sobre sua situação enquanto autor, sobre as discordâncias com a mãe e sobre a paixão por uma mulher casada, entre outros assuntos.
    Eu gosto de textos com referências e acho que, esteticamente, isso dá uma certa cara de texto clássico à narrativa. Aqui as referências são dispostas durante o fluxo de pensamentos escritos pelo autor, que filosofa sobre diversos assuntos, enquanto vai narrando o seu momento pré-suicídio. Achei que as referências funcionaram e acrescentaram riqueza ao que poderia ser apenas uma reclamação densa.
    E, sim, densa. O texto é extremamente denso. A escolha lexical é muito interessante por sair do lugar comum, mas ela não permite adquirir ritmo na leitura. O primeiro parágrafo, bastante longo, contribuiu em muito para isso, acrescento. Depois que passamos por essa dificuldade, entretanto, o texto começa a fluir melhor.
    Este é mais um texto em que temos que encontrar a loucura, pois ela não é explícita. A opção do autor em deixar para o leitor encontrá-la permite uma interpretação diversa. Aqui, entretanto, entendo que o tema é latente. Está aqui, mas não abertamente. Acho que a soma de todos os detalhes configura, sim, como um conto sobre a loucura.
    No geral, gostei do conto. Provavelmente me darei uma nova oportunidade de leitura assim que acabar de ler os outros do desafio.
    É isso. Boa sorte no desafio!

  7. Leandro Rodrigues dos Santos
    11 de novembro de 2020

    Um aparente filósofo falando sobre sua vida.
    Tecnicamente tem erros diversos: pronominais, de conjugação, acentuação e muitas repetições de termos. Caso tenha interesse que eu pontua, diga aqui. Caso não, desconsidere.
    As implicações filosóficas não condizem com uma senhor de 45 anos, está mais para um adolescente. O texto não bate, precisa de amadurecimento.

  8. Paula Giannini
    11 de novembro de 2020

    Olá, Contista.

    Tudo bem?

    Resumo: Filósofo suicida em seu adeus.

    Meu ponto de Vista:

    Assim como Sócrates, o filósofo suicida-se com gotas de veneno. Seu suicídio, de modo contrário ao do filósofo clássico, não é imposto. Não. Aqui o protagonista dá cabo da própria vida por sentir-se, ele mesmo, um transgressor por amar uma mulher casada. Amor impossível, e, obviamente, não o motivo “real” do suicídio, mas sim, de certo modo, a mola propulsora ou a “gota que falta” para que o personagem justifique seu ato.

    Interessante notar que, quanto à estrutura do texto, um pretenso ensaio filosófico dentro de uma estrutura metalinguística (o texto real é um conto), ele tem início e segue durante boa parte como tal: como um ensaio escrito, fazendo digressões sobre a vida, a morte, a sociedade, enfim, filosofando. Ensaio que, ao final do conto, o leitor descobre fazer parte de um acervo igualmente ficcional. No entanto, em certo ponto do texto, o(a) autor(a) modifica a condução do modo narrativo e o protagonista passa a narrar no tempo presente, contando o passo a passo de seu suicídio, como pinga as gotas, busca a garrafa, enfim… Assim, para mim, o conto funciona melhor se pensarmos nele não como um documento encontrado no acervo de um instituto, mas, como a cadeia de reflexões deste homem que está prestes a tirar a própria vida.

    Como digo a todos por aqui: estas são somente as minhas impressões. Se algo do que digo está em dissonância com sua obra, desconsidere. Aqui estamos todos para aprender.

    Beijos e bia sorte no desafio.

    Paula Giannini

  9. Ana Maria Monteiro
    11 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: um filósofo que é também escritor (e incompreendido em ambas as situações) escreve a sua carta de suicídio, sem que isso seja de entendimento imediato. Após inúmeras reflexões sobre tudo, incluindo a própria família, acaba por envenenar o café (será com cicuta?) e morre escrevendo.

    Comentário: Não fosse uma tão necessária revisão no que toca a singulares/plurais, pontuação e alguma acentuação e diria que este é o melhor texto do desafio, mesmo ainda me faltando ler mais de metade. Infelizmente, num texto tão denso quanto este, tão carregado de significâncias e significados, é por demais importante que a leitura não sofra interrupções para adequação e arrumação das palavras.

    Ainda que você recorra a muitas referências externas (o que seria desnecessário, pois a sua linha de raciocínio vale por si mesma), consegue fazê-lo sem grandes ares de pompa e circunstância, antes de forma bastante comum. Isso é ótimo, pois não chega a assumir o tom pretensioso tão comum em textos de autores que se socorrem de inúmeras referências, mais parecendo que o que pretendem é demonstrar a sua cultura superior. Isso não sucede no seu texto e é que lhe confere riqueza, você tem ideias próprias e podia perfeitamente dispensar “muletas” (se é que as usou para esse efeito).

    Gostei muito de ler as suas reflexões, ainda que transpostas para Frederico, o qual continua a ser o autor. Desconfio que gosta de café. Eu também.

    PS: entre tantas e tão boas, está-me a ser difícil escolher a frase para destacar lá na nossa página.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Luciana Merley
    11 de novembro de 2020

    Soterramento de Sísifo

    Olá, autor.
    Um filósofo vaidoso e egoísta descrevendo sua “vã filosofia” em uma carta de despedida da vida.

    IMPRESSÕES INICIAIS – Não fique enraivecido com minha percepção sobre seu personagem. Tentarei detalhar minhas questões abaixo. Um bom texto. Denso e longo (por ser tão denso), com riqueza de reflexões filosóficas e de citações. Não o reconheci como um louco, a não ser que se considere essa famosa passagem de Paulo a Coríntios – 3 “Porquanto a sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus. Pois está escrito: “Ele apanha os sábios nas próprias artimanhas deles”.

    COESÃO – Considerarei como sendo um CONTO porque consegui identificar um personagem que deseja algo. O personagem é um filósofo, e como todo ser humano, vaidoso. No caso dele, a vaidade acentua-se porque acredita ter uma condição intelectual muito superior a todos à sua volta, o que o leva a sentir-se também “um injustiçado” e incompreendido. Quando ele decide se matar e deixar “esposa e filhos aos gritos” para que sua obra e sua indignação fossem finalmente reconhecidos, você constrói também um personagem egoísta. A parte da “vã filosofia” é um clichê para uma conclusão óbvia de que se a filosofia não ajuda a manter a coisa mais importante da vida, ela é vã. Então, o conto é sim coerente e coeso nesse sentido: um personagem que deseja ser reconhecido e que para isso decide morrer. O que ele deseja? Ser reconhecido. Como? Morrendo.

    RITMO – Um conto bastante denso, portanto o ritmo é arrastado e de leitura difícil. O início não me agradou muito. Apresentou mal o personagem e serviu para tirar o interesse pela leitura.

    IMPACTO – Foi muito bom. Penso que você trabalhou superfícies com uma carga grande de reflexões e citações, mas a riqueza está na profundeza da personalidade do seu suicida.

    Parabéns

  11. Elisa Ribeiro
    11 de novembro de 2020

    Digressões de um filósofo sobre temas filosóficos e existenciais que ao final se revela uma carta de suicídio.
    O tema do desafio é abordado nas reflexões que o filósofo tece acerca da loucura.
    É um texto desafiador pela estrutura – parágrafos longos e densos – e pelo conteúdo carregado de referências e citações filosóficas e tal. Não me desagrada embora o rebuscamento e a circularidade de alguns parágrafos tenham provocado a fuga da minha atenção em um ou dois momentos durante a leitura.
    Não sou de observar aspectos de revisão, mas aqui anotei alguma pequenas sugestões: pensar o que (é) insano; qualquer um que, na sociedade de hoje, por o pescoço para fora (problema na harmonização verbal); portanto seria mais fácil se eu for pegar o café (idem).
    No geral o texto me agradou, mas o impacto foi médio talvez porque as digressões tenham sido amplas e inconclusivas demais.
    O que não gostei: quem sou eu para falar isso, mas para um texto que soou tão erudito as falhas de revisão soaram um pouco como desleixo.
    O que gostei: alguns ótimos momentos fizeram a leitura valer a pena.
    Parabéns pelo trabalho. Sucesso do desafio. Um abraço.

  12. opedropaulo
    10 de novembro de 2020

    RESUMO: Um filósofo contempla a própria solidão enquanto contempla a inexistência de sentido na vida, então decidindo pela morte.
    COMENTÁRIO: É um conto que se assemelha a um monólogo, tudo filtrado pela perspectiva atormentada do personagem, que fica entre a resignação e um afastamento das pessoas que o cercam. Numa narrativa carregada de erudição, mistura-se filosofia e cotidiano enquanto se desenha um personagem cada vez mais apartado da vida que tem, em um nível espiritual e, cada vez mais, físico. As reflexões do personagem usufruem de um texto bem redigido, que dá em várias “tiradas” a forma como o protagonista enxerga a vida. Por outro lado, embora ainda se perceba algum “movimento” na narrativa; isto é: uma situação em que o personagem se mete, indo da solidão ao suicídio, a maior parte do texto se dedica à introspecção de Francisco, o que enfraquece a trama, principalmente pela narração em primeira pessoa privilegiar quase um fluxo de consciência, um pensamento levando a outro. O texto fica com um caráter de ensaio filosófico ao invés de ser um conto, confrontando o protagonista a outros filósofos clássicos, aparentando que a vida e os dilemas pessoais de Francisco nada mais são do que uma maneira de chegar às questões filosóficas visadas pelo autor. E isto pode ser, é claro; entretanto, perde força narrativa. A nível técnico, embora o vocabulário seja amplo e tenha muitos trechos dignos de nota, notei alguns erros, especialmente na colocação pronominal, ao que não estarei dando a atenção que dei à falta narrativa. Tematicamente, encaro que o texto não só esteja dentro do tema como também traz uma abordagem interessante, conceituando a loucura a partir da filosofia.
    Boa sorte.

  13. jeff. (@JeeffLemos)
    10 de novembro de 2020

    Resumo: Uma carta de suicídio de um filósofo que não vê sentido algum na vida.

    Olá, caro autor.

    Achei seu conto bem denso, rebuscado. No início achei que ficaria muito cansado da leitura, mas depois vi que não era apenas um bloco gigante de pensamentos e relaxei. Gostei de toda parte de imagens que foram criadas no conto, mas não consegui entender muito o propósito. No fim, as divagações ficaram muito soltas, e o enredo da trama parece não existir. Vi um comentário falando sobre funcionar em um romance, e concordo. Muita informação em pouco espaço.
    O conto precisa de uma revisão mais minuciosa também. Durante a leitura fiquei travado em alguns pontos com vírgulas fora de seus lugares e outras questões que foram assinaladas abaixo.
    É um texto com muita informação, mas que não faz muito o meu estilo e a falta de uma trama um pouco mais delineada meu deixou distante no resultado final.

    De qualquer forma, parabéns pelo conto e boa sorte!

  14. angst447
    8 de novembro de 2020

    RESUMO
    Escritor/Filósofo dialoga com o leitor através de uma carta. Divaga sobre a vida, a loucura, o entrelaçar das filosofias e a sua crise existencial. A carta é uma despedida, pois já se decidiu a cometer suicídio.

    AVALIAÇÃO
    Conto rebuscado, trazendo nomes de filósofos e outras referências culturais. Não me parece um texto fácil, condensado em um grande primeiro bloco e parágrafos menores, mas que apresentam a mesma densidade.
    A trajetória do narrador parece se assemelhar com o mito de Sísifo, condenado pelos deuses a rolar incessantemente uma rocha até o topo de uma montanha de onde a pedra rolava abaixo puxada pelo seu próprio peso.
    O narrador sente-se punido, fadado a uma vida inútil e sem esperança. Por fim, Frederico cede a avalanche do dia a dia e se deixa soterrar (daí o título do conto), pois nada tem sentido (como repete no final).
    Boa sorte e procure uma ajuda para conseguir essa rocha montanha acima ou, pelo amor dos deuses, desista disso.

  15. Misael Pulhes
    6 de novembro de 2020

    Olá, “Frederico Córdoba”.

    Resumo: um monólogo com divagações niilistas que incluem café, filosofia, um amor adúltero e constituem a carta de suicídio do narrador.

    Comentários: eu sou um cara melancólico. Então, tudo que ecoe Eliot, Dostoiévski, Alberto Caeiro, Eclesiastes, Drummond e etc costumam me agradar. Assim, gosto da estética e da atmosfera do texto.

    No entanto, acho que é um texto, em vários sentido, mal acabado. Primeiro, pela própria reiteração de erros gramaticais. Cito dois: “E o homem que se apraz em trabalhar não é, considerado louco” (essa vírgula não existe) e “Mas soterrarei-me nesta tarde” (não há ênclise com verbos no futuro).

    Segundo, pela divagação sem enredo, que, em geral, cabe muito bem num início de romance ou novela (por exemplo, as “Memórias do Subsolo”), mas não levou a um interesse aqui.

    Terceiro, pela reiteração de imagens e conceitos.

    Mas há trechos magníficos que até combinam com a personalidade do protagonista: esses aforismas, insights curtos, “Nietzscheanos”…

    Há muita coisa boa aqui. Mas não consegui me interessar tanto quanto gostaria. Boa sorte!!

  16. antoniosbatista
    5 de novembro de 2020

    Resumo: Homem desiludido com a vida, escreve uma carta antes de se suicidar, onde relata seus conflitos sentimentais.

    Comentário: O texto tem muitas divagações do personagem que, embora elaborados, chateia pelo excesso. Algumas frases muito bem construídas com seu sentido figurado dando estética ao texto. O personagem repete a mesma insatisfação, se torna um monólogo que dá sono. O argumento é muito bom, embora o mote tenha ficado nebuloso. Faltou melhores e maiores informações sobre a fábrica e o tal trabalho repetido. Acho que pecou pelo excesso de palavras que serviram apenas para dar extensão ao texto. Gostei do argumento, e acho que o conto merece ser reescrito. Parabéns e boa sorte.

  17. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    4 de novembro de 2020

    Um filósofo que filosofa enquanto arquiteta o suicídio.

    O conto começa com uma ode à cafeína e a palavra cafeína é repetida numa insistência sistêmica, o que fragiliza o começo do primeiro parágrafo e consequentemente compromete o interesse no conto. O primeiro parágrafo longo, cansativo, perde-se em citações de nomes e pesa empolado em alguns trechos. Para um conto sobre um filósofo suicida, o conteúdo foi envernizado de erudição, mas sua fragilidade o torna oco. O autor optou por uma abordagem muito arriscada e caiu em algumas armadilhas retóricas.

    Certamente, elogio o esforço de escrita do autor, a tentativa de manter o domínio e o interesse de quem lê. Repito aqui que parágrafos longos como o primeiro parágrafo deste conto já me causam uma certa repulsa logo de cara. Vivemos um tempo em que o texto não precisa ser pobre, mas necessita ser compactado. A Internet nos adestrou para amar o curto e correr do textão. Devemos fazer isso? Não. Mas devemos tentar nos adaptar as novas exigências da leitura, isso é inevitável.

    Parabéns a intenção do autor.

    Desejo sucesso.

  18. Fernanda Caleffi Barbetta
    2 de novembro de 2020

    Resumo
    Filósofo escreve uma carta antes de cometer o suicídio, filosofando sobre a vida e a loucura.

    Comentário
    Um texto muito bem escrito, cheio de referências filosóficas. Incomodam-se um pouco os contos onde parece mais que o autor deseja mostrar seus conhecimentos do que realmente passar uma mensagem. Senti um pouco disso neste texto. De qualquer maneira é um texto muito bem escrito.
    Encontrei vários trechos bastante inteligentes e interessantes, como este: “Loucura não é rasgar a cédula num lapso de lucidez, rasgar dinheiro, tal ato ocorre quando percebemos o quão ele é gigante perante nós; loucura é se rasgar pelo dinheiro. “
    No início, quando pula do assunto café para a relação escravo-senhor achei uma quebra um pouco brusca. Sei que é um texto de divagações, onde tudo pode ser citado sem ser realmente desenvolvido, mas, como foi colocado logo no início, entre um café e outro, achei que ganhou um destaque que não se justificou…cheguei a imaginar que este seria o tema central do texto, mas parou por ali.
    “Até aí acredito ser muito comum de (aos) seres que se aprazem em ficar alertas façam (fazerem) uso da substância.”
    Cházinho – chazinho
    por (puser) o pescoço para fora e olhar um Descartes ali
    seria mais fácil se eu for (fosse) pegar o café

  19. Mac Brava
    2 de novembro de 2020

    Resumo:

    Um relato filosófico, culto e etílico. Se apresenta com um copo de café e vai “destilando” suas reflexões e filosofia erudita, nos preparando para o seu fim.

    Caro autor,

    Um ensaio ou uma crônica, me parecem caracterizar melhor o texto, na minha modesta opinião. Mas a forma não me importa. O que tem “dentro da garrafa”, me pareceu muito mais interessante. Como disse você próprio: ‘vivo num hospicio tamanho continental” e eu acrescentaria, atemporal. Por amor a uma mulher casada, filosofa e se embriaga. “todo esse processo é o amor; a máquina que gera atitudes”. Às vezes, overdosis delas. Mas fundamentalmente, o que nos faz humano é o amor levado à loucura. Amei o seu ser- amor, a escolhas das bebidas,
    Sorvi tudo!
    Parabéns e boa sorte!

  20. Sábia
    2 de novembro de 2020

    Resumo : Um filósofo reflete sobre sua vida e conclui que o melhor que pode fazer é morrer porque a vida é um nada.
    Comentário : Concordo que a morte pode parecer atrativa em momentos de desilusão.Assim como o filósofo do texto penso várias vezed sobre a falta de sentido da vida.O filosofo sabe que saiu da esteira e não pode mais viver entre seus semelhantes iludidos.

  21. Almir Zarfeg
    2 de novembro de 2020

    Resumo:
    Um escritor-filósofo passa em revista sua vida, entregando-se a digressões filosóficas sobre atitudes que são loucas, para uns, e não loucas, para outros, as quais fazem parte de um tratado filosófico. As reflexões são alimentadas pelas renovadas doses de café (repetição sisífica?).

    Comentário:
    Se você quer defender uma ideia ou levantar uma bandeira, existem meios mais eficientes para fazê-lo, como o artigo, o ensaio ou mesmo a reportagem. Isso vale quando as intenções pedagógicas predominam sobre as literárias. O que, evidentemente, não é o caso do conto “Soterramento de Sísifo”, que nos apresenta uma situação bem interessante envolvendo o autor-filósofo, Frederico. No fundo, no fundo, seria um conto sobre um ensaio. Enfim, um exercício de metalinguagem. Mas também um monólogo filosófico bem instigante. Gostei muito e, por isso, dou os parabéns ao autor.

  22. Fabio Monteiro
    2 de novembro de 2020

    Resumo: Um filosofo? Um pensador apenas? Ou talvez uma pessoa que não foi capaz de dominar os seus próprios pensamentos.

    Vê se no personagem força no quo-eficiente intelectual. É tao determinante que chega a convence-lo de que deve tomar sua própria vida.

    Eu tentei entrar na neura do personagem. Viver o que ele viveu. Sentir sua fragilidade.
    Fica mais facil pensar estando do outro lado da historia.

    É nítido que o protagonista foi sendo aos poucos engolido pela sua poesia (forma) de vida.
    O sofrimento vem descrito nas cenas onde ele pareceu consumir sua vida através de impulsos.
    Nao vejo psicoses.
    Vejo neuroses esplanadas e exploradas com talento neste conto.
    Rasgar dinheiro autor(a) é o ultimo ato da loucura, a prova da insanidade.
    Rasgar-se pelo dinheiro é perder a própria identidade.

    Boa Sorte no desafio.

  23. Fheluany Nogueira
    1 de novembro de 2020

    O protagonista explana sobre uma rotina diária, sem sentido próprio, determinada por instâncias como a religião, o capitalismo e as ideologias dominantes e termina por se suicidar.

    Pareceu-me a história de um homem erudito, inteligente que não se adapta ao mundo da banalidade. Texto bem escrito, repleto de referências, citações, pensamentos filosóficos, mais próximo de um ensaio que de um conto propriamente dito.

    Sorte no desafio. Um abraço. 😮

  24. Leda
    31 de outubro de 2020

    Resumo:
    O grande conhecimento de um homem o faz tão infeliz ao ponto de desistir da vida.

    Comentário:
    A filosofia tem a capacidade de despertar o pensamento, de abrir caminhos para divisar novos rumos.
    Confesso que para mim, no início do seu texto, foi difícil de acompanhar seu raciocínio, mas depois , da metade em diante , tudo ficou mais claro.
    “Acabo de tomar o gole e jogar o copo conta a parede” Apenas um erro de digitação.
    Seu conto é daqueles que fazem a gente rever algumas atitudes.
    Belo trabalho!
    Sucessos.

  25. Bianca Cidreira Cammarota
    31 de outubro de 2020

    Olá, Frederico Córdoba!

    O conto disserta sobre as reflexões sobre a existência, o mundo, a família e o amor de um filósofo frustrado pouco antes de seu suicídio.

    Li seu conto três vezes antes de vir comentar porque o protagonista, em vez de o protagonista despertar empatia ou compaixão, me afastou. E como é um monólogo, a personagem e relato são um só, as palavras do narrador/protagonista também denotam seu pedantismo. Então quis dar um tempo e reler a história para eu entender a personagem e comentar sobre o conto.

    É óbvio que o filósofo, face ao seu vasto conhecimento, acabou se dissociando das pessoas que não pensavam sobre ele, acabando por se isolar em uma ilha de soberba e orgulho encoberto pelo conhecimento Porém, ao analisá-lo com mais apuro, acabei por descobrir que o que o levou ao suicídio não foi exclusivamente sua decepção com o mundo como um todo, mas que, apesar de todos os filósofos antigos e modernos estarem em sua mente, ele sucumbiu ao amor de uma mulher casada recentemente. Não, não estou dizendo que ele morreu de amor, não. Contudo, a descoberta dele em ser ainda vulnerável ao que ele tanto condena talvez tenha sido a gota d’água para seu ação de acabar com a própria vida.

    Esse traço de sua personalidade abriu um espaço de humanidade na casca dele para mim e pude realmente ter compaixão por um ser que se deixou engolir pelo conhecimento sem transformá-lo em sabedoria. Li a Sociedade do Cansaço de Byung-Chul Han e compreendi a agonia do protagonista.

    Frequentemente, vê-se gênios em vários setores, seja na ciência exata e humana, no esporte ou principalmente nas artes, levar uma vida desgarrada de várias formas. Sempre pensei: sua estrutura psiquíca não foi suficientemente forte para suportar a própria genialidade e eles acabam desabando. Alguns, morrendo.

    Creio que, de certa forma, foi o que aconteceu com o protagonista.

    Não gosto de relacionar conhecimento com loucura destrutiva, pois, caso contrário, não teríamos tantos gênios que, apesar de os rotularmos como estranhos ou excêntricos. Em uma das frases pessimistas de Freud, salvo engano, que seu trabalho era transformar o sofrimento neurótico em infelicidade comum. Então, os que são gênios, transmutam conhecimento em sabedoria e estão vivendo, encontraram uma forma, talvez diversa da nossa, em viver… o que não foi o caso do filósofo do conto.

    Frederico (autor), na minha opinião, faltou esse aspecto humano, mais humano em seu personagem/enredo para nos trazer aqui e criar empatia com ele. Mesmo em meio aos dramas dele, mesmo em meio ao conhecimento erudito e citações acadêmicas, o humano estaria ali e teríamos sofrido com ele.

    Todas os questionamentos do protagonista são mais do que relevantes: são inerentes ao ser humano! E gostaria que eles tivessem brilhado mais justamente na humanização do filósofo.

    Sua escrita é boa, tem construções muito interessantes e fluidas.

    Boa sorte e abraços

    • Bianca Cidreira Cammarota e
      31 de outubro de 2020

      Nossa, me envolvi tanto no comentário que terminei por publica-lo de pronto, sem corrigi-lo. Sorry, autor!

  26. Angelo Rodrigues
    29 de outubro de 2020

    Resumo:
    Homem tece suas considerações finais sobre a vida, a filosofia que ama e as filosofias gerais. Suicida-se com grande eloquência verbal.

    Comentários:
    Um conto que busca passar ao leitor seu personagem blasé, filosófico, sua crença na inconcretude da vida.

    O conto tomou um rumo curioso, como alguns que já li até agora neste certame: uma associação quase que direta entre filosofia e loucura, pensamento profundo e loucura. Curioso isso. Tenho a impressão que houve uma colagem arquetípica do clássico pensador envolvido com sua loucura, uma espécie de Einstein que se descabela e mergulha no poço negro da inexistência, aquela que apaga todos os sofrimentos.

    Este conto tomou um rumo parecido. Um homem inteligente, talvez dotado de algo além, mergulha na sua inadaptabilidade ao que a vida apresenta de comum. Clássico ninguém me compreende, ninguém compreende a minha profundidade.

    Abdico aqui de fazer qualquer associação entre personagem e autor. Falo apenas do personagem.

    Interessante este caminho, esta linha reta que se vale de todos os aspectos comuns, como o cigarro, o café, a leitura profunda, a incompreensão, a inadaptabilidade ao mundo que rola nas ruas, e que, ao final, propicia um mergulho desilusão, na loucura que leva ao suicídio.

    Fico um pouco desconfortado quando vejo pessoas (basicamente em peças teatrais, cinema, livros etc.) extremamente lúcidas se atribuindo um quê de loucura. Não consigo fazer uma associação linear entre conhecimento e loucura. Se tanto, diria da existência antecipada e prevalente de algum distúrbio, digamos… existente em antecipação.

    Uma espécie extrema do famoso ‘veja como eu sou louco/a’ – algo como ‘veja como eu sou descolado/a’ -, quando certamente se desconhece efetivamente o que a loucura de verdade significa.

    Isso me passa a impressão de um flerte com o abismo, e parece que o nosso personagem não só flertou com o abismo, mas o abraçou por inteiro.

    Boa sorte no desafio.

  27. Anderson Do Prado Silva
    29 de outubro de 2020

    Resumo:

    Escritor ressentido se suicida após se considerar a última luz do universo.

    Comentário:

    Texto extremamente inteligente, culto e profundo e, em igual medida, alienador. Por óbvio que o seu autor é tudo, menos alienado. Igualmente óbvio que este leitor aqui é tudo, menos não-alienado. Sim, isso mesmo, sou apenas mais um operário na esteira da fábrica e, cá estando, “não dá para ler Byung-Chul Han”. Aliás, não sabia quem era Byung-Chul Han, mas o Google e a Wikipédia (veja a superficialidade de minhas fontes de conhecimento) acabam de me ensinar que ele “é um filósofo e ensaísta sul-coreano”.

    Escrever textos alienadores (no sentido de excludentes de leitores incultos) é opção de cada um. Não há nisso qualquer demérito. Segundo ouvi dizer, Borges fazia isso. Por outro lado, não ler textos alienadores também é opção de cada um: haveria nisso algum demérito? Não ouso responder a pergunta, mas abandonei “A república”, de Platão, pela metade.

    Platão, por sua vez, foi invocado em boa hora, pois, neste conto, além dele (Platão), também me deparei com menções a Nietzsche (não li, embora tenha alguns nas prateleiras), Aristóteles (nunca li), Caeiro/Pessoa (posso ter lido – teria de pesquisar), Cervantes (li uma adaptação infanto-juvenil na adolescência) e, talvez, outros. A menção a todos esses escritores quase que exclui o deguste do presente conto por leitores incultos.

    Sou da opinião de que, em literatura, é possível falar de temas caros à filosofia, antropologia, sociologia e outras ciências, sem ter de, a todo tempo, ficar mencionando os nomes e os conceitos de outros intelectuais, tudo casado, a todo tempo, com um ótimo enredo. Não estou dizendo ou insinuando que, neste conto, não haja um bom enredo, pelo contrário, entendo que há sim. No entanto, me incomodou o excesso de menções, em um texto tão curto, a inúmeros outros intelectuais. Não podia o amigo entrecontista escrever ou reescrever, com suas próprias palavras, as ideias e conceitos que entendia caros? Precisava mesmo se socorrer desse amplo cabedal de menções? Confesso que, dentro do desafio, estou valorizando muito mais quem traz conceitos e ideias próprias (ainda que sejam apenas reescritas de ideias outras, passadas, no que eu poderia até socorrer-me, justamente, de Borges, afiançando que “o escritor é aman…” – nem vou me dar o trabalho de terminar).

    Cito, como bom exemplo de assuntos caros à filosofia, antropologia etc. presentes na literatura: Ensaio sobre a cegueira, Jangada de pedra, Os miseráveis, O estrangeiro, A peste, A revolução dos bichos, Sidarta, Cem anos de solidão etc.

    O presente conto beira o ensaio, o que, nesta minha perspectiva, é, simultaneamente, mérito e demérito. É mérito para quem gosta de ler Borges. É demérito para quem prefere uma literatura mais apetecível, ou que prefere sentir a pensar.

    Além das menções alienadoras a intelectuais, também me deparei com um vocabulário bastante excludente: mainstream, páthos, niilista, estoico etc. Eu poderia, aqui, me fingir o mais erudito dos intelectuais, poderia fingir que conheço todos aqueles termos e intelectuais, poderia passar por cima de tudo isso para dizer apenas que o seu texto é maravilhoso, que você é extremamente inteligente, extremamente culto, extremamente erudito; poderia dizer que o seu texto possui passagens belíssimas, profundas, complexas, eruditas, perspicazes, mas, sinceramente, tudo isso você já sabe e, certamente, se envaidece de tudo isso. Ademais, tenho certeza de que tudo isso será dito pelos demais comentarista. Então, se for para oferecer isso, se for apenas para amaciar seu ego, não conte com a minha amizade ou com a minha boa vontade. Agora, se você quiser opinião sincera de um leitor real ou hipotético, conte comigo.

    Faço um paralelo com o cinema… Imagine que você é um jovem amante, pelos seus vinte e cinco anos, indo ao cinema numa tarde de domingo, munido de pipoca, Coca-Cola e namoradinha! Enfim, você escolhe um filme! Um filme que seja bom! Premiado, vencedor do Oscar se possível. Enfim, você, sendo um ser humano normal, operário de esteira, escolheria assistir o cansativo “Moonlight: sob a luz do luar” ou empolgante “Quem quer ser um milionário”; fugindo do Oscar, você escolheria o incompreensível e absurdo “Estou Pensando em Acabar com Tudo” ou emocionante “Roma” ou, ainda, o impactante thriller “Rede de ódio”? Eu escolho os segundos. Gosto de juntar o útil ao agradável: prosa inteligente sim, mas tão inteligível quanto possível (e, aquilo que for impossível tornar inteligível, escondo em meio a um enredo impactante, emocionante ou perturbador). Assim, se eu pudesse escolher por você, escolheria simplificar sua prosa, diluindo um pouco melhor essa sua veia ensaística.

    Por fim, tenha em mente que há lugar para todos (como demonstrei com a analogia com o cinema)! Na literatura, Borges é prova disso. Você decide qual público você prefere. Aquele público em que eu estou (que deseja a filosofia etc. diluída no enredo) ou que prefere intelectualidade e erudição injetados direto na veia. Por fim, amigo entrecontista, não confunda opinião (que é tudo aquilo que eu trouxe até aqui) com erros. Ah, por falar em erros, vou encerrar por aqui este comentário, mas quero muito voltar para indicar alguns erros no seu texto (gramaticais, ortográficos, de revisão e digitação), mas não posso fazer isso agora. Talvez amanhã.

  28. Thiago de Castro
    29 de outubro de 2020

    Resumo: Frederico Córdoba, através de seus escritos, reflete sobre o absurdo da vida, a loucura, o mundo, suas amarguras e contradições como uma forma de registrar seus últimos pensamentos antes do suicídio.

    Comentário:

    Texto bastante filosófico, carregado de referências e narrado por um autor que entende do assunto, preenchido de divagações sobre a loucura. Tem um caráter reflexivo, de teor amargo e niilista, onde a loucura é, constantemente, colocada em cheque pelo narrador, que vê a verdadeira insanidade na normalidade, no absurdo do cotidiano, do trabalho assalariado, enfim, o conto é um grito abafado de quem, sozinho ( ou com sua dezena de leitores) enxerga esses antagonismos e sofre, de forma consciente, a ponto de entregar a própria vida.

    Não sou crítico, nem especialista, mas pareceu-me, mais do que qualquer conto deste certame, um ensaio sobre a loucura em formato de prosa, uma forma do autor apresentar o que pensa sobre o tema, trazendo suas ampla bagagem cultural. Pode gerar estranheza para quem não é muito ligado em assuntos filosóficos, e ser, erroneamente, taxado de elitista pelo seu caráter extremamente culto, o que acho um equívoco pois é um texto desafiador e com passagens que nos fazem parar a leitura, subir a cabeça e pensar. Ainda que as referências passem batidas ou sejam desconhecidas pelo leitor, há um fio compreensível na narrativa que chega num final bonito e bem orquestrado: toda a vida do filósofo, seu pensamento, seus conflitos se diluem no último parágrafo, que vai se esvaindo, perdendo as vírgulas, os sentidos até ser apenas um corpo inerte; o soterramento enfim, do árduo trabalho do filósofo.

    Seu texto é impecável, tecnicamente falando, e mesmo que eu não me apeteça pelo discurso niilista (adoro um materialismo histórico), vejo como um forte concorrente, coisa grande!

    Parabéns pelo belo trabalho! Destaco abaixo um dos meus trechos favoritos, entre tantos que colhi no seu conto.

    “Para mim ser louco é empreender no objetivo de existir, é defender a multiplicação de pessoas sãs, ter filhos à guisa de lago de Narciso. Loucura não é rasgar a cédula num lapso de lucidez, rasgar dinheiro, tal ato ocorre quando percebemos o quão ele é gigante perante nós; loucura é se rasgar pelo dinheiro.”

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Informação

Publicado em 29 de outubro de 2020 por em Loucura.