EntreContos

Detox Literário.

Alegria (Sr.)

Mulherzinha filha da puta. Trabalhar ninguém quer. Pega esse pessoal aí, tudo na rua pedindo dinheiro. Emprego todo mundo quer. Trabalho, ninguém. Tudo vagabundo. Eu falo mesmo, é vagabundo. Aquela vaca ainda defendia. Devia tar querendo dar o rabo pra vagabundo. Chupar rola de vagabundo. Filha da puta. Ordinária. Me chamou de bandido ainda. Vadia. Negócio dela é dinheiro, diz que não gosta de dinheiro, mas abre o cu pra dinheiro. Monte de merda! Monte de merda! Ela e a mãe dela. Outra velha vagabunda. Velha burra metida do caralho. Metida a besta. Gordona. Peixe-boi. Rárárá. Peixe-boi desgraçado. Mulher gorda assim morre sozinha. O cara sofre pra sustentar aquilo ali. Come pra caramba. Vaca velha. Lambe cu. Vive com aquele cuzão pro alto. Deve comer até pelo cu. E a filha é igual. Malandra do caralho. Não faz porra de nada. Falava de mim, idiota. Que eu não ganhava nada. Ela é que era uma passa-fome, vivia numa dureza, colava no cu da mãe que nem carrapato. Vivia enfiada naquele rabo de cavalo que era o inferno. Sujeirada. Eu trabalhava, rapaz! Trabalhava duro, carteira, tudo certinho. O cara que não trabalha, pra mim, é cara encostado. Cara que vive enfiado no cu dos outros, lambe-cu do cacete, sem-vergonha. Diz que tem dinheiro, aquela vaca. Vivem numa miséria danada. A língua é maior que o rabo. Contar vantagem elas contam, mas contam que contam. Vivem na dureza. Enche o rabo pra falar que é rico. Fala pelo cu, bando de desgraçada. Depois eu que sou culpado. Eu trabalhava duro. Chegava aí não tinha nem comida. Sujeira danada. Trabalhava… Trabalhava era nada. Filha da puta. Vagabunda. Só andava com mulher. Desgraçada. Vivia enfiada na casa de mulher, de certo que era pra beber. Vagabunda. Vivia sem nada. Quer me esfolar, a desgraçada. Ordenado. Ordenado é pouco, cara! Ordenado é miséria, é mixaria. Cara que tem família é fogo. Ordenado de nada. Miséria. E queriam que trabalhasse, hein?! Eles tiram o couro, rapaz! Tem que ficar quieto, trabalhar quieto. Amigo? Amigo. Amigo é aqui, ó. Amigo é o dinheiro. Não pode ser boca aberta. Boca aberta. Ela que era boca aberta. Falava tudo, a miserável. Fofocaiada. Gordona. Gordona boca aberta do caralho. Fala que é a desgraça. Peixe-boi. Puta velha. Eu trabalhava pra caramba. O chefe lá era linha dura, rapaz. Nervoso. Grita com a gente, faz pouco caso. Não tão nem aí pra ninguém. A empresa quer que você morra. Eles tão bem, rapaz. Têm carro zero, casa na praia. A gente não é nada. A gente é pior que merda. Tratam que nem cachorro. Emprego. É emprego, cara. Emprego é emprego. Tem que ter esperteza. Abaixar a cabeça. Tem que aguentar. Não pode dar um pio. Cara nervoso… Cara nervoso toma no rabo. Não pode mexer com eles. São uma raça do Diabo. Batuque. Amigo. Mulher. Eles não gostam. Manda embora. O cara sai com o cu desgraçado. Sem nada. A mulher. Mulher quer saber de nada. Chuta a bunda do cara ainda. Chuta o rabo! Rárárárá! O cara sai com o rabo maior que o cu da velha. Velha peixe-boi, cu de cavalo, capivara. Salafrários. Família de desgraçado. Não pode ver ninguém bem. Faz pouco caso. Só eles são grandes. Metido à besta, cara. São metido à besta. Não tem nem o que comer. Não tem nada lá. Miséria desgraçada. Boca aberta. Rabo cheio. Capivara. Rárárá! Capivara do Diabo. Viviam na praia. Sem dinheiro. Na praia. Mostrando. Rabão desgraçado. Cuzuda. Filha da puta. Cu cheio de areia pros outro ver. Na praia. Miséria… E na praia. Os grandes. Com o cu enfiado na praia. Não tiravam o cu da praia. A casa, uma sujeira lascada. Peixe-boi com aquele dentão dela. Dentadura deslavada. Dentadura. Dentão podre, nojeira. Fala pra Diabo. Lá é só ela que fala. Manda-chuva. Filha da puta. Sumi de lá, rapaz! Quero ver, agora. Precisar. Precisar de mim, dou isso aqui pra eles, ó! Banana! Banana! Rárárárá. Ela comia banana pra caramba. Um quilo de banana. Filha da puta. Gostava, rapaz. Enfiava banana pelo rabo. Banana. Banana é caro pra burro. Comer. Comer é pouquinho. Lá não sobra nada. Come que é uma desgraça. Banana, maçã, pêra, laranja. Eu que comprava tudo. Comia. Comia a desgraça. Não dá valor pra nada. Mulher monta em cima, rapaz. Cabeça… Tem que ter cabeça. Senão a vaca, o peixe-boi, monta em cima. Ordinária. Graças a Deus! Graças a Deus! Obrigado, meu Deus, obrigado. Obrigado. Graaaaaças a Deus. Obrigado, meu Senhor. Aleluia. Me arranquei de lá. Iam me matar. Quer acabar comigo… Miserável. Filha da puta. Aqui é bem melhor, rapaz! Uma paz danada! Tem mercado, farmácia, tudo aí. O lugar é bom pra caramba. Ônibus, farmácia, padaria. Lá não tem nada! Tudo longe. Sofrem que é a miséria. Rárá. Casa boa. Camão. Cama grande. Maior que a deles lá. Lá a cama é pequena. Dureza danada. Televisão. Imagem. Cinema. Cinema! Imagem boa, rapaz. Canal que dá medo. Canal pra Diabo. Televisão que é um cinema. Tem jogo, jornal, novela. Tudo. Aqui tem tudo. Lá não tem nada. Ano novo. Ano novo vem aí. Comida pra Diabo. Rojão. Maratona. Meu pai. Meu pai corria. Atleta. Corria pra dedéu, ele. Já morreu, rapaz! Falar disso? Falar disso aí pra quê? Isso aí já passou. O cara tem que ter alegria na vida. Vê eu, eu tenho alegria! Cara que não tem alegria não consegue nada! Fica que nem lá… Filhas da puta. Desgraçadas. O cu enfiado no buraco. O povo lá vive numa miséria que só, hein?

43 comentários em “Alegria (Sr.)

  1. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, Sr. Depois de 2 leituras e 17 repetições da palavra “cu” por leitura, continuo sem perceber completamente o texto. Reconheço ser uma crítica social. O trabalhador que ganha pouco crítica quem nem sequer trabalha e se dedica à prostituição, mas não consegui descortinar mais para além disto. Também não encontrei a adequação ao tema, a menos que a loucura seja tentar encontrar a alegria na vida de quem não tem nada. Achei o texto bastante repetitivo, sempre às voltas com o mesmo assunto, sem desfecho inesperado – poderia ter acabado a meio e a informação seria essencialmente a mesma.

  2. Anna
    19 de novembro de 2020

    Resumo : Um homem xinga a tudo e a todos de modo embaralhado.
    Comentário : Como senti pena desse homem. Para mim a loucura dele está em não ver mais beleza na vida. Admito que no começo achei que o autor estava zuando com a nossa cara postando um monte de xingamentos mas depois lembrei que todos os contos são revisados antes.O conto é marcante e único nesse belo desafio, desejo boa sorte. Até gostaria de ajudar o protagonista mas ele me xingaria também hehehhe.

  3. Rafael Penha
    18 de novembro de 2020

    Olá autor,
    Preciso iniciar dizendo que gostei bastante do conto. É enérgico, nos faz amar odiar o personagem principal, que é um boca suja, falastrão, mas sem dúvida reflete a realidade de MUITOS homens, especialmente brasileiros.
    O conto tem uma narrativa não tão fácil, é truncada, sem pausas. Uma torrente de palavras, verborragia e impropérios que não dá tempo do leitor respeitar, e esta é exatamente a intenção do autor: Imergir o leitor na mente do famigerado protagonista. É um longo desabafo consigo mesmo. E isso foi alcançado com sucesso.
    A história narrada é a típica história da vida de muitas pessoas no Brasil. É incrível ver semelhanças com exemplos reais, o que faz o conto ganhar muitos pontos em verossimilhança.
    O fato do texto ser curto, nesse formato, também ajuda a digeri-lo bem mais facilmente, o que não aconteceria caso o texto se estendesse muito mais.
    Entretanto, não posso deixar de mencionar que simplesmente não senti o tema loucura ser abordado aqui. Se o tema do certame fosse: Raiva, iria para as cabeças, mas… O desabafo do homem é normal e visto em muita gente que não é louca. As situações a que passa e suas reações à elas podem ser questionáveis e desaprováveis, mas estão longe da loucura, assim como tampouco é loucura a torrente de impropérios que sai de sua mente para adjetivar qualquer ser vivo que passe me sua vida.
    Em suma, gostei do conto, de sua intensidade, coragem e do personagem detestável, gostei da forma e da narrativa, mas não senti que se enquadra no tema.
    Grande abraço!

    • Rafael Penha
      18 de novembro de 2020

      Esqueci de pôr o resumo:

      Homem desgostoso com a vida faz um desabafo.

  4. Andre Brizola
    13 de novembro de 2020

    Olá, Sr.

    A porra de um conto do inferno sobre a droga de um homem boca suja de bosta que xinga e amaldiçoa a vagabunda da ex-esposa, dos desgraçados dos chefes, do cu sujo que é a própria vida e todo o resto da merda que ele conseguiu enfiar no cu do texto.

    A droga do ritmo cagado desse conto de bosta até que é empolgante pra caralho. As porcarias das frases curtas como pinto mole funcionam pra botar a gente lendo como uns retardados, sem parar pra respirar a merda de um segundo. O ritmo dessa bosta é muito bom.

    Mas cadê a porra da loucura nessa droga? Trata a gente como idiota, cacete? A gente tem cara de cu, por acaso? Tenho que achar que essa verborragia nojenta aí é a merda da loucura? Há quem vai achar assim, mas é uma droga duma linha tênue pra caralho. Pode funcionar pra alguns, mas achei meio mijo de gato. Fede pacas, mas é difícil de encontrar.

    Resumindo, gostei do conto pelo ritmo frenético. O texto está muito bem amarrado esteticamente, o que gera uma sensação legal ao acompanhar o fluxo de pensamento do personagem. Mas achei que faltou uma caracterização mais forte da loucura, pois fica ao critério do leitor achar que essa verborragia é loucura ou não.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  5. Fil Felix
    13 de novembro de 2020

    Um homem, ressentido com a vida (esposa, sogra, trabalho, etc) solta o verbo e sai xingando tudo e a todos.

    Bom, não gostei muito do conto. Apesar da escrita estar boa, leitura fluida e o fluxo de pensamento funcionar, com um caso puxando outro (como o pai dele no final), apresentando esse personagem-protagonista caricato e recalcado, comigo o conto não foi muito além dos xingamentos.

    E um dos motivos de não ter curtido muito foi justamente a loucura. Por conta de ser o tema do desafio, nós leitores meio que somos induzidos a acreditar que o cara é louco por conta disso. Que é esquizofrênico ou algo assim, graças à auto-sugestão. Mas não há muitos indícios disso. Se o conto estivesse numa categoria de “Ódio/ Raiva” ou “Separação/ Relacionamentos”, muito provavelmente ninguém cogitaria a ideia dele ser “louco”. A repetição dos xingamentos também não ajudaram muito na construção de uma história propriamente dita, de algo que vai de um lugar para o outro, ficando meio repetitivo. O formato adotado, porém, funcionou muito à proposta de ser verborrágico.

  6. Ana Maria Monteiro
    11 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Um homem enlouquecido faz um desabafo corrido e único apontando em todas as direções a mulher que deixou ou por quem foi abandonado, a sogra, o emprego que não também perdeu ou não quis mais, os patrões, o mundo, toda a gente. Parece que está internado num hospício, não se tem a certeza.

    Comentário: Não posso dizer que gostei deste conto que é cru e mais parece um instantâneo. Tampouco posso dizer que não gostei. Está bem construído e é bastante verosímil. Não faltam criaturas dessas por aí, umas em liberdade vagueando pelas ruas chateando tudo e todos, outras no sítio certo, como este aparenta estar. Pessoas completamente frustradas e que ao longo da vida vão engolindo sapo atrás de sapo, até que um dia perdem o juízo, começam a mandar tudo cá pra fora e nunca mais se calam.

    Faltou conto ao conto, como disse, é um flash sem antes nem depois, sendo certo que, na primeira pessoa, esses antes e depois seriam mais do mesmo. Talvez observado de fora se tornasse um conto, assim, na minha interpretação, ficou aquém.

    Quanto ao tema, atendeu perfeitamente.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Luciana Merley
    10 de novembro de 2020

    Alegria
    Olá, autor.
    Um louco xingando todo mundo, o tempo todo.
    COESÃO – Um louco monotemático. Os xingamentos são bem característicos em alguns tipos de esquizofrenia, mas o problema do texto é que ele não conta nenhuma história. A narrativa (não sei se posso considerar assim), não possui elementos suficientes para qualquer conexão de causa e efeito.
    RITMO – As frases curtas dão um ritmo alucinado como o fluxo de pensamento (e de xingamentos) dele.
    IMPACTO – Respeito a opção do autor por um monólogo em primeira pessoa, mas isso não permitiu que construíssemos nenhum ambiente, nenhuma história…Os xingamentos em excesso tornaram o texto bastante desagradável, apesar, repito, de ser característico em alguns transtornos mentais. Não é bom ficar sugerindo outro estilo, mas, nesse caso, uma narração em segunda ou terceira pessoa com a inserção de um interlocutor deixaria o texto mais palatável. Foi o que pensei…
    Um abraço

  8. Paula Giannini
    10 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo: Homem separa-se da mulher e “defende-se” contando suas mazelas a seu lado.
    Meu Ponto de Vista:
    Em forma de solilóquio, o personagem em primeira pessoa, aqui, fala com alguém que o leitor não identifica e que dentro da técnica acaba se realizando no próprio leitor. A voz escolhida pelo(a) escritor(a) é muito bem sucedida no que toca o linguajar e mesmo a credibilidade do personagem criado. Pode-se enxergar esse homem em uma mesa de bar, xingando e reclamando de sua mulher que, para ele é horrível.
    Interessante notar como quem escreve não julga seu personagem, o que é um grande trunfo para o texto. Ao tratar seu protagonista sem filtros o(a) contista permite que o público faça seu próprio juízo do mérito do homem. Se é um machista dizendo absurdos de sua mulher e sogra, ou mesmo uma vítima de duas megeras, é o leitor quem vai escolher, criando empatia ou, por outro lado, sentindo ojeriza ao homem.
    Outro ponto a se notar é o fluxo de verborragia de um só fôlego, algo, mais uma vez, extremamente coerente com o perfil do narrador.
    Um conto teatral e pronto para ser encenado.
    Ótimo conto. Parabéns.
    Como disse a todos, se acaso algo em minha análise não se encaixe em sua obra, desconsidere. Estamos todos aqui apenas para aprender.
    Beijos e boa sorte no desafio.
    Paula Giannini

  9. opedropaulo
    9 de novembro de 2020

    RESUMO: Homem ressentido amaldiçoa a esposa, a sogra, o emprego e aqueles que não têm alegria.
    COMENTÁRIO: O fluxo de consciência tem por sua natureza a falta de linearidade. Justamente por ser fluxo, um pensamento leva a outro, conferindo ao autor a liberdade para escrever de forma caótica e fora de cronologia. Não sugiro que essa forma de escrever tire do texto a possibilidade de ser um conto, mas argumento que este que li não é um. Mas isso é apenas parte da nota. Há mais uma premissa do que um enredo, que é a amargura de um indivíduo após, em algum momento, romper com a esposa. Como não vai para lugar nenhum a partir daí, girando em torno de um monólogo interno violento e recalcado, não só falta um enredo como também é extremamente cansativo. Não é longo, mas parece ser. Tematicamente, a intenção pareceu ter sido nos colocar dentro da cabeça do maluco em questão, mas, mais uma vez, da mesma forma que há mais premissa do que enredo, esse recurso de “olhar pelos olhos do personagem” ocupa o espaço de toda a leitura, o que em pouco aproveita do tema. Resta, então, a língua portuguesa, o que pela natureza estritamente oral da narração, dispensa uma averiguação mais preocupada com o domínio da norma culta.
    Boa sorte.

  10. Leandro Rodrigues dos Santos
    9 de novembro de 2020

    Confesso não conseguir terminá-lo de ler. Até aonde li é um cara desdenhando a vida, uma mulher e parece que a mãe dela também.

    Bem, o que a cena segrega também faz parte da cena, creio o uso do palavrão ser pontual, porém a maneira errônea, cheia de repetições, um texto fechado e curto (cansa e tira o propósito). O palavrão se expurga, se grita, quase sai do texto.

  11. Jefferson Lemos
    9 de novembro de 2020

    Resumo: um homem se ressente de ter deixado a ex-mulher e começa a diminuir ela e a mãe.

    Olá, caro autor!
    Sendo bem direto, o maior problema que eu vi no conto foi o que já foi relatado aqui: não tem um enredo. É uma enxurrada de pensamentos (que em alguns momentos eu também achei repetitivos demais), que acabam culminando numa repetição onde ele volta a falar da mulher. Não acho que seja mal escrito, eu até gostei de como a voz desse personagem soou na minha cabeça. A forma como ele xingava e tudo mais, parecia muito natural. Gostei disso.

    Acho que uma quebra no texto e uma reformulada com um direcionamento mais concreto, poderiam tornar o enredo mais forte, causando outras sensações no leitor.
    Parabéns e boa sorte!

  12. Elisa Ribeiro
    9 de novembro de 2020

    Em forma de desabafo, sujeito relata com ressentimento sua separação da mulher.

    Lá pelas tantas, quando entrei no clima, dei uma risada com seu texto que mimetiza bem a fala de um doido monotemático. É uma narrativa que prende a atenção e tem muitos méritos na representação dessa fala meio descompensada de um ser surtado, enraivecido e ressentido. Funcionou bem comigo.

    O problema maior aqui no desafio é que, para mim, o texto não se sustenta muito como conto por causa da falta de um enredo com desenvolvimento, clímax e tal.

    O que não gostei: entendo sua opção em escrever um texto corrido, sem parágrafos. Mas quando a gente abre o texto pra ler e não vê uma pausa, dá um desânimo. Sobretudo aqui nessa maratona do desafio. Uma quebradinha no início teria mitigado essa primeira impressão negativa. Fica a dica.

    O que gostei: nunca pensei que iria dizer isso na vida, mas você sabe usar palavras feias e sujas como ninguém. Uma aula para mim que sou incapaz de usar palavras proibidas quando escrevo.

    Sucesso no desafio. Um abraço.

  13. Misael Pulhes
    5 de novembro de 2020

    Olá, “Sr”.

    Resumo: um homem que deixa a mulher e a sogra desabafa sobre tal família e a antiga vida conjugal

    Comentários: eu gosto do estilo, apesar de não ter certeza se se encaixa no tema (o que nem cabe a mim). Só me parece quase forçado a repetição de determinados termos, por mais que verossímil num desabafo dum cara como esse que nos é apresentado. Mas como peça literária, talvez falte uma expansão vocabular.

    O ritmo e atmosfera são ótimos!

    Ainda sinto falta de um enredo mais bem delineado.

    Boa sorte, Sr!

  14. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    4 de novembro de 2020

    O conto é o desabafo, o monólogo de um personagem revoltado, que passou odiando a própria vida.

    Confesso que não gosto de textos escritos em bloco, num único e interminável parágrafo. É uma leitura que causa sensação de claustrofobia, o texto não respira em uma pausa mais longa, em uma transição para os olhos. O texto é competente, o autor exerceu a sua inteligência no desenvolvimento. Talvez, por uma questão de preferência pessoal na arquitetura formal do conto é que não tenha me conquistado. Como não fui seduzido, não me sinto apto para dizer muito sobre a obra.

    Repito, o autor tem mérito, o problema talvez esteja neste leitor.

    Sucesso.

  15. cicerochristino
    4 de novembro de 2020

    Resumo:
    Um homem desabafa, detalhando características negativas acerca de determinada mulher e da filha desta, vindo a se vangloriar acerca de uma mudança recente em sua vida, em relação à qual se orgulha.

    Comentário:
    Trata-se de um desabafo muito factível. Pude enxergar o discurso do protagonista em uma mesa de boteco, professando aos seus pares sobre sua realidade anterior. Não entendi muito bem algumas coisas que ele narrou, mas, de qualquer forma, tendo em vista o estilo casual adotado, é até interessante que a fala não seja inteligível de um todo. Não chego a enxergar o tema proposto pelo desafio de forma tão clara no texto, pois conheço muitas pessoas com discursos semelhantes que não são consideradas “loucas” nem nada assim. Entretanto, é um texto muito criativo e muito fluido.
    Parabéns e boa sorte no desafio, Sr.!

  16. Claudia Roberta Angst
    3 de novembro de 2020

    RESUMO
    Homem desabafa, fala, xinga mulher, sogra, a humanidade toda. Parece estar em um lugar que considera melhor do que a antiga moradia, será uma clínica para doidos?

    AVALIAÇÃO
    Conto escrito num fôlego só, um único parágrafo, sem pausas para pensar ou respirar. Gostei do ritmo imposto Às palavras, a fluidez destrambelhada que tornou a leitura breve e carregada de significados.
    Os muitos palavrões não me incomodaram porque estavam de acordo com o perfil do narrador, tudo muito adequado para o momento de tal peculiar personagem. E depois, cá entre nós, acho que ele nem sabe mais o que está dizendo… só solta os impropérios e segue na loucura da vida.
    Estrutura ousada para um conto, mas que o(a) autor(a) sabe muito bem dominar e sustentar. De fato, o texto me fez lembrar de um indivíduo que vi certa vez xingando governo, povo, tudo, a meia voz pelas ruas, mergulhado em si mesmo, talvez xingasse a si próprio também. Então também me vem a dúvida se o narrador estaria dialogando com si, construindo um monólogo.
    Boa sorte e que nada se perca naquele e neste c* de mundo.

    • angst447
      9 de novembro de 2020

      * dialogando consigo mesmo.

  17. Ana Cláudia Barros
    3 de novembro de 2020

    Resumo: Desabafo de um Zé Doidinho revoltado com o mundo.

    Iguais ao protagonista, conheço dois ou três. São carinhosamente apelidados pela minha melhor amiga de “Zé Doidinhos”.

    As sentenças curtas e sem intervalos passam a sensação de um monólogo rápido e com direito a muito cuspe. Você conseguiu canalizar a essência do seu personagem perfeitamente.
    Eu não sei o porquê, mas imaginei duas pessoas sentadas lado a lado no ônibus, uma delas é o seu protagonista e a outra é o pobre infeliz que teve o azar de sentar ao lado dele.

    Meus parabéns e boa sorte!

  18. antoniosbatista
    3 de novembro de 2020

    Resumo: Personagem/narrador, conta como era a sua vida anterior em outro lugar, um lugar inóspito onde não tinha nada, revelando sua indignidade com a antiga companheira e família.

    Comentário: Gostei bastante das frases curtas, dá uma certa dinâmica na mente com um raciocínio sintetizado. Antigamente era feio escrever palavrões num texto compartilhado, hoje parece que é normal. Parece que os palavrões passam a fazer parte da Arte Literária (loucura!). Achei um bom argumento, achei também, que os palavrões não deram nenhum valor a tal arte, porém, é aceito como parte fundamental do personagem, pois o autor o construiu assim e assim ele é. Confesso que pulei alguns trechos, em função das repetições, dos xingamentos que há lá em cima, que já haviam sido ditos. O texto sem parágrafos, sem pausas, nos dá uma leitura corrida ligeira, alvoroçada e louca e Loucura é o Tema. Boa sorte.

  19. Almir Zarfeg
    3 de novembro de 2020

    Resumo:
    O texto é um desabafo de um homem revoltado com uma mulher, a mãe dela, todo mundo.

    Comentário:
    Num único parágrafo, o texto apresenta um monólogo de um homem muito revoltado com uma mulher, supostamente sua amante ou ex-mulher. Ele não economiza nas palavras e nos palavrões. Manda todo mundo à merda. Por causa da linguagem desmedida e do ritmo do texto, a leitura flui em meio à grosseria da narrativa. Que loucura? Tudo é alegria!

  20. Mac Brava
    2 de novembro de 2020

    Resumo: O texto traz a indignação de um homem abandonado, supostamente honesto e trabalhador, rejeitado por sua companheira e pela mãe dela.

    Caro autor,

    A indignação em cada frase, parece até que te alivia mandando todos, toda hora para aquele lugar, Basta lembrar cada momento ora passado junto ou separado,
    a ira surge e a cachoeira deságua. Eu também tenho um texto escatológico : esgoto das palavras.
    Dentro de um certo contexto, elas não parecem xulas ou vazias. E no seu texto,
    entendi perfeitamente o seu drama. Está de parabéns pela ofensiva. Aqui no meu espaço, lhe concedo licença poética.

    Boa sorte!

  21. Sábia
    2 de novembro de 2020

    Resumo : O personagem principal fala muito nome feio e ofende as pessoas. Mas parece que no íntimo faz isso por ser infeliz e insatisfeito com a própria vida.
    Comentário : A loucura nesse texto parece estar no fato do protagonista se achar melhor que todos e ofender os outros . O preconceito contra as mulheres também parece ser loucura dele.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    2 de novembro de 2020

    Alegria (Sr.)

    Resumo:

    Não sei se “viajei”, mas vejo o conto como um interno do manicômio sendo ouvido por um terapeuta, fazendo um depoimento, ou falando sozinho. Há momentos em que parece que ele é instigado a falar sobre alguma coisa, parece que alguém o interroga. Eu entendi assim. O texto é um grito, um desabafo.

    Comentário:

    Um pudico, com todo respeito, deve ter lido esse texto com vários sinais da cruz. Parece desbocado, né? Mas o texto é o estopim de sapos engolidos por um longo caminho. A saúde psíquica só pode ser preservada se houver respiro ao longo da jornada. Ficar guardando insultos e ofensas de FDP (coisa que não falta na vida), é certeza de um futuro em camisa de força.

    Uma narrativa difícil de ser construída, o autor precisa ter mão certa para não tirar a mensagem do texto. Xingamento, uso de palavrão, calão de baixo nível, tudo isso exige dosagem terapêutica exata. Fugindo da medida, fica vulgar, enoja. E não foi o caso deste texto milimetricamente construído.

    Eu entendi o texto como um depoimento, uma conversa, uma sessão de terapia, ou mesmo o “falar” sozinho de um louco, de um paciente do manicômio. Quando ele comenta a boa vida que tem agora, ali, com comida, remédio, cama boa, TV, todos os zelos que recebe, acredito que esteja se referindo ao seu novo “alojamento”. Pode ser que eu tenha “viajado”, mas, se aconteceu isso, amei a “viagem”!

    Parabéns pelo trabalho, Sr.!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  23. Fabio Monteiro
    1 de novembro de 2020

    Resumo: Protagonista desbocado é a personificação típica de um brasileiro mal educado. Desfere palavras de baixo calão sem a menor preocupação. No seu intimo parece tentar atingir mulheres que não trabalham e pessoas que se aproveitam de outras para se dar bem.

    Por que o titulo Alegria?

    Seria pela satisfação do protagonista em poder falar o que pensa quando e a hora que bem entende?

    Acredito que todos já conhecemos um senhor Alegria assim. Tem na esquina, no mercado, no trabalho, na padaria. De vez em quando topamos com pessoas topetudas. Não me agradam.

    No passado pessoas assim eram submetidas a lobotomia, uma tentativa desesperada de ajustar os pensamentos confusos.

    O conto é uma pérola, característico do CID F. alguma coisa. Quem conhece um pouco sabe que pessoas diagnosticadas com CID F. possuem algum tipo de problema mental ou comportamental.
    Esse ser ai vai aos extremos. Poderia ser apenas uma pessoa distimica. Dessas que acordam com um mal humor aflorado e nada esta bom. Uma só palavra mal elaborada e desferem suas agulhas labiais sem dó nem piedade.
    Mas esse não é o caso. O comprometimento aqui vai além.
    Uma mente tão cheia de energia como a deste ser deve ter no mínimo uns quatro tipos de alterações significativas da saúde mental.

    Na minha opinião não são pessoas loucas. São pessoas que não conhecem limites.

    Bom, sobre o conto. Bem elaborado. Bem estruturado. Bem desenvolvido. Rezarei uns 20 Pai Nossos depois de desferir aqui meus comentários. Tinha Cú demais no texto. E, segundo minha mãe, cú é um baita palavrão. Digno de se pedir perdão por usar a palavra. srsrsrsrrs…

    Autor(a) de onde saiu tanta imaginação?

    Renovou meu repertorio de ofensas e injúrias. Vou anotar para o dia que precisar. Afinal, estamos todos fadados a nos tornar senhores Alegria. É só romper a barreira do limite.

    Boa Sorte!

  24. Bianca Cidreira Cammarota
    31 de outubro de 2020

    Alegria, alegria…rs!

    O conto é um monólogo de uma criatura infelizmente típica dos dias atuais, com sua mente tacanha, seus preconceitos e sua mediocridade, onde vê os problemas seus como responsabilidades dos outros, sempre senhor da razão, o fodão e com brios esfarelados, pois é, no fundo, um covarde. O autor não poderia ter melhor retratado literalmente a cabeça desses sem-noção.

    Não sei se a loucura está impressa no final, quando há uma sugestão bem oculta que a criatura esteja em hospício – pois na casa dele não se encontra, é tácito. A loucura, ao meu ver nesse conto, é justamente esse ser pensar dessa forma ridícula e ainda ser ratificado e normalizado por tantos outros que emergiram de nem sei de onde.

    É patente que o autor quis causar polêmica com o conto no sentido de expor cruamente essa realidade tão ignóbil que vemos hoje em dia. (quando a pandemia passar, quero te dar um beijo respeitoso na bochecha, senhor autor!) Nesse sentido, bato mais do que palmas!

    Quanto ao texto em si, não me incomodo com palavrões, mas acho que houve um excesso de repetições, o que, por um lado, é o que vemos nas ruas e, por outro, fica estranho em um escrito.

    Polêmico Alegria (sim, pois acho que você é XX e não XY) Polêmico é seu texto, polêmica será minha avaliação aqui com meus botões… ahahahha Muito embora, quem escreve ousadamente como você nesse conto não deve se importar com notas – fez o que quis. Está contente e curtindo e faz muito bem!

    Agradeço você ter arrancado risadas aqui de mim, ter expresso a idiotice atual andante em nossa sociedade e ter saído totalmente da curva!

    Abraços!

  25. Leda Spenassatto
    30 de outubro de 2020

    Resumo ;
    A designação de um homem com a mulher e o trabalho.

    comentário:
    Não consegui localizar onde a loucura se encaixa no texto, ainda que subtendinda nas entrelinhas.
    Me perdoe, mas não gostei muito do seu conto, apesar da sequência lógica. A repetição das palavras, ainda que proposital me incomodou bastante.

    Boa sorte!

  26. Fheluany Nogueira
    30 de outubro de 2020

    Um desabafo contra as pessoas com que o protagonista conviveu.

    Uma fala de rua é recriada em um linguajar típico. O texto é, no mínimo, crível e surpreendente.

    Um trabalho inteligente; talvez uma crítica social, com um só parágrafo, frases curtas e palavrões em excesso. 😮

    Sorte no desafio. Um abraço.

  27. Giselle F. Bohn
    30 de outubro de 2020

    Homem fala de maneira verborrágica sobre sua vida.
    Sinceramente? A-mei! É um puta conto fodástico, com uma trama mirabolante? Não, não é. Mas é muito corajoso pela forma, uma delícia de se ler, sonoro, ritmado, e deixa muita coisa implícita. Adoro isso. Quantas conversas dessas a gente já não ouviu? A vida como ela é.
    Agora, cadê a loucura? Sei lá. O cara me parece louco de ressentimento, então pra mim tá valendo! Quem sou eu pra dizer que uma loucura é válida e outra não? Já falaram por aqui até que a menina que enfiou a caneta na mão não fez nenhuma loucura! Oi?! Vai entender esse povo doido?!
    Enfim, mais um comentário de altíssimo nível meu hahaha… Chefinho deve fazer tsc tsc quando lê isso, mas eu repito: gostei muito!
    Parabéns, amigo-que-descobriu-que-cu-não-tem-acento!

    • Giselle F. Bohn
      30 de outubro de 2020

      O Anderson me abriu os olhos de que este conto pode ter sido escrito pelo Olavo de Carvalho hahaha…

      • Anderson Do Prado Silva
        30 de outubro de 2020

        😮

      • Sr.
        30 de outubro de 2020

        Falar isso pra mim? Um idiota daquele. Um monte de merda daquele. O cara me falar isso é uma coisa sem sentido. Um imbecil daquele, Abre o cu pro americano. Chupa cu de estrangeiro. Falar que eu sou ele? Isso é um negócio sem cabimento pra mim. Quem fala isso pra mim é gente acabada. É gente que quer o mal dos outros. Um filho da puta daquele, E eu. Eu? Não sou lambe cu de estrangeiro. Puta do americano. Pelo amor de Deus, rapaz!

      • Thiago de Castro
        30 de outubro de 2020

        Então ganha 100% no quesito loucura!

      • Anderson Do Prado Silva
        30 de outubro de 2020

        👀

      • Giselle F. Bohn
        30 de outubro de 2020

        Os comentários viraram thread de Facebook hahaha… perdão, Gustavo!

  28. Fernanda Caleffi Barbetta
    29 de outubro de 2020

    Resumo
    Homem puto da vida, provavelmente desempregado, abandonado pela esposa, xinga as pessoas com as quais está tremendamente irritado.

    Comentário
    Seu texto é interessante por ser divertido e angustiante ao mesmo tempo. Apesar de ser uma reunião de impróprios é muito sagaz e verossímil, pois retratou exatamente como uma pessoa muito irritada se comporta. Mesmo tendo sido escrito em apenas com parágrafo, recheado de palavrões e frases muito curtas, há uma história, um enredo, que vamos tentando pegar aqui e ali.
    Fico na dúvida se podemos enquadrar no tema loucura…
    O “tar” em lugar de estar não ficou bom porque foi utilizado quase que isoladamente.
    Obs: É alguém que já está há tempos no EC porque lembrou-se da aula da Claudia diante da recorrente dúvida sobre a acentuação da palavra cu rsrs. Ou é alguém, 1% da população (onde a Claudia está inserida) que sabia disso.

  29. Anderson Do Prado Silva
    28 de outubro de 2020

    Resumo:

    Homem pobre e trabalhador lamenta sua condição.

    Comentário:

    Vou direto ao que não gostei: uso abusivo do calão. Feriu minha sensibilidade, o que, em essência, é problema meu e, portanto, devo ir à merda.

    Enfrentado o obstáculo do excesso de calão e estando, já aí, com a sensibilidade ferida, deparei-me com o segundo obstáculo: os enunciados curtos ou curtíssimos, meio robóticos, o qual percorri aos tropeções. Já há um outro texto no desafio (“Sinapses”), em que os enunciados curtos foram ampla e competentemente utilizados. Aqui, porém, a competência, comparada com lá, apenas se insinuou. Não chegou a ficar ruim, na verdade, ficou bom até, mas, lá, ficou excelente.

    Achei o texto muito experimental para meu gosto. Sorte ter sido curto, muito curto, caso contrário, os enunciados enxutos, aliados aos palavrões abundantes, teriam cansado (isso para não dizer, enchido a porra do saco).

    Calma, estou abusando nos palavrões para brincar com você! Acho, mesmo, que você, autor, é algum amigo meu no EntreContos, extremamente inteligente e bastante engraçadinho, duas coisas das quais gosto muito, mas, aqui, está sendo avaliado na forma de texto. Aliás, sigamos com a análise, agora, com o que gostei.

    Paradoxalmente, gostei dessa sua coragem experimentalista de trazer para o desafio um texto recheado de palavrões, com um único parágrafo e enunciados extremamente curtos.

    Gostei da visão que você lançou sobre uma certa camada social e das consequentes críticas nascentes desse seu olhar (refiro-me à crítica à desigualdade).

    Você é um escritor evidentemente competente, com pleno domínio do léxico e uma inteligência aguçada.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  30. Angelo Rodrigues
    28 de outubro de 2020

    Resumo:
    Homem esbraveja contra o seu passado, contra as pessoas com as quais convivia. Todas eram cuzões, menos ele, claro, que era foda.

    Comentários:
    Alguém, pouco explicado, tem um longo fluxo de inconsciência, baixando o pau naqueles que dividiram a vida com ele em passado recente/longínquo.

    Loucura? Talvez por imaginar que só ele mantinha o passo certo na marcha da vida “familiar”.

    Há um outro conto, “Hereditário (Quaresma), que trata também, sob outra linguagem e aspecto, da pobreza extrema. Neste que leio agora, o autor optou por tratar a pobreza de maneira mais crua, um pouco de “vida real”, sob uma guerra familiar. O que provê, os que se valem desse provimento.

    Sob esse aspecto, volto a lembrar: será que há uma linearidade entre a pobreza e a loucura? Causa e efeito? Aqui, neste conto, mais uma vez essa premissa é utilizada.

    A despeito da linguagem com que o autor escolheu tratar o tema, num dado momento de sua escatologia terminal, ele (o personagem narrador), diz uma frase significativa

    “Aqui tem tudo. Lá não tem nada.”

    Esta frase de franca dissociação espacial, me passou a ideia de que o nosso querido palavrudo perdeu definitivamente as estribeiras, endoidou e foi parar num hospício.

    Bem, parece que deu sorte, uma vez que neste hospício tudo funciona bem, “tem tudo”. Sua saga está satisfeita.

    Sendo assim, todos de sua “família” (um bando de loucos) poderiam se dirigir ao mesmo hospício, que nada lhes faltaria.

    Boa sorte no desafio.

  31. britoroque
    28 de outubro de 2020

    Resumo: Personagem fala de sua vida, refletindo sobre o trabalho, conhecidos, dissabores e o seu destino.

    Comentário: Conto confuso e mal escrito. Não merece uma segunda olhada.

    • Thiago de Castro
      28 de outubro de 2020

      Você copiou o meu resumo, pode isso moderação? KKKKKKK

    • EntreContos
      28 de outubro de 2020

      Brito Roque, a moderação solicita que você refaça o comentário. Tanto o resumo (com suas próprias palavras) como a análise, que está muito aquém do necessário.

    • Sr.
      28 de outubro de 2020

      Rárárá! Já acabaram com ele. Só escreve besteira, rapaz! Vagabundo. Canetinha. O dia inteiro lá sentado. O cu no sofá. Tevê ligada. Gasta uma energia danada. Não faz porra de merda. Escrevendo. Quem escreve é advogado, juiz, esses caras é que escrevem pra Diabo. Pro cara escrever tem que saber das coisas. Rárá! Tiram sarro. Sem vergonha. Escrevendo. O dia inteiro nessa desgraça. Cara burro! Cara filha da puta. Encostado de uma figa. Eu vou ajudar? Ajudar um cara desse aí? Eu é que não!

  32. Thiago de Castro
    28 de outubro de 2020

    Resumo: Personagem fala de sua vida, refletindo sobre o trabalho, conhecidos, dissabores e o seu destino.

    Comentário:

    Cara Alegria, seu conto me parece o recolhimento de um depoimento, coisa de quem vai à rua captar uma história, crônica, registrar um diálogo. Não vi propriamente um enredo, apenas a verborragia de um personagem que saiu de um lugar que considerava medíocre, o que não é um problema, pois a proposta do desafio foi abordada. Quantas vezes não escutei diálogos como esse enquanto esperava um ônibus no ponto do centro da cidade. Fiquei esperando, talvez, um esclarecimento sobre o local que o personagem se encontra no final do texto, mas levando em consideração a ideia geral e toda construção que você planejou, acho que não soaria honesto se ele declarasse de forma clara sua atual moradia. Não combinaria com o personagem.

    Preciso repetir, me senti na rua com sua história, e acho que aí está o mérito, inclusive no uso das palavras chulas, palavrões e repetições, habituais para quem está num estado tão grande de alienação ou abandono que o pudor já deixou de existir há muito tempo, num ponto em que quem se constrange somos nós, leitores (ou passantes), que costumamos ignorar tais pessoas fora da normalidade.

    Aqui, você nos obrigou a não subir no ônibus, mas sentar e escutar.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado em 28 de outubro de 2020 por em Loucura.