EntreContos

Detox Literário.

Ruptura (Helô)

Queria dizer que mal conheço essa moça, mas seria mentira. Na verdade, eu a reconheço um pouco mais a cada dia. Acontece o tempo todo, como agora. 

Sim, já me falaram que somos parecidas. Não sei por que repetem tanto isso. 

Posso contar parte do que sei, e já digo que talvez seja demais. Tem tempo de ouvir? Então, apure os ouvidos. A história é longa, mas não há de cansar. 

Não, ela não é uma predestinada. Também não é uma alma de outro mundo. Nem anjo, nem demônio. Privilegiada? Por quem, meu senhor? Anote aí o que eu vou falar, ou melhor, grave, porque é história que só se conta uma vez. Ou corre-se o risco de virar lenda e ser recontada para sempre. 

Posso começar? Vai anotar tudo? O silêncio e todas as pausas da respiração? Estou brincando, ora, veja. Vou contar como se fosse uma narrativa qualquer, ficção sem compromisso com a verdade. Sem me preocupar com a tal verossimilhança…. Pode ser? Conto o que sei, mas do meu jeito. Combinado? 

A terapia foi ideia de Arthur, quase uma exigência para que continuassem juntos. Tudo porque ela costumava acordar chorando no meio da noite. Ele não achava normal alguém tão jovem odiar aniversários. E Arthur conhecia o tal Dr. Theo, que receitava calmantes se preciso fosse. Sugeriu sessões de psicanálise de verdade, não essa bobagem de autoconhecimento. 

E lá foi ela aventurar-se nos emaranhados da mente, só para agradar o namorado. Talvez porque gostasse mesmo dele, ou seria por causa daquele ar de segurança, de pessoa trabalhada no divã, analisada desde a infância até os fundilhos do aqui e agora? 

Precisava mesmo de terapia? E quem não precisa? Mas sim, ela é especial, não serve de parâmetro para ninguém. Por isso, fiquei com receio. Sempre soube que, um dia, tirariam dela muito mais do que lembranças. 

E assim foi. 

Muito cedo, talvez cedo demais, Heloísa descobriu o outro lado da vida, aquele que já nasce todo torto e remendado. Menina ainda, deixou de fazer o costumeiro pedido ao soprar as velinhas fincadas no bolo de aniversário. Foi assim, como um estalo, um repente, mas com data marcada. Mãe resolvera enfeitar o topo coberto de glacé com pimentas. Graúdas, vermelhas, explodindo em ardência.   Até que ficou bonito o contraste do branco com o vermelho, a neve e a lava. Mas não era flor, nem fruta de decoração culinária. Tinha cabimento aquilo? Pimenta! Onde Mãe estava com a cabeça?  

Aquilo ainda não carregava nome, nem ela desconfiava como se soletrava qualquer significado. Era sussurro em segredo de confissão. Mãe era mistério sem respostas. Mãe era estação de onde se parte uma única vez. 

Diziam que sofria dos nervos, tinha uns ataques de não se sabia lá o quê. Depressão? Maníaco depressiva? Palavras que se embolavam nos ouvidos. E os remédios na caixa de sapato debaixo da cama, pra que afinal serviam? Seria para espantar os monstros que Mãe via dançando pelo quarto? 

Helô não sabia o que era aquilo. Nunca soube explicar. 

Eu teria desistido na primeira sessão. Particularmente, não sigo esse caminho porque o desencontro de mim é certo. Ou talvez eu esteja enganada, talvez fosse exatamente isso que ela desejasse, se perder de si mesma. Sei lá. Cada doido com a sua valentia. 

Helô aceitou tentar mais um pouco. O doutor, o tal Dr. Theo, não era afobado e o seu silêncio a deixava confortável. Retornou várias vezes, até decorar o caminho, ida e volta, até soletrar cada paralelepípedo. Toda quarta-feira, às duas da tarde, com o estômago ainda desconstruindo o almoço, ela estava lá. 

Mas mexer em vespeiro de coisa perdida no tempo não é algo que se faça impunemente. Eu avisei. Ela me ouviu? Tanto quanto me ouve agora. 

Dr. Theo fez Helô descobrir muitas coisas, sobre os outros e sobre si mesma, que também lhe pareceriam muito malucas, garanto ao senhor. Puxaram para fora maletas esquecidas no fundo do subconsciente, que não eram espanadas há anos. Bocados de memórias que surgiam de repente, sem que ninguém perguntasse por elas. Ela apenas lembrava e falava. Às vezes, como se o relato não tivesse nada a ver com ela, outras, desmanchando-se em líquida convulsão. 

Vez ou outra, abria-se uma gaveta da memória, e de lá saíam borboletas de cristal. Eram belas e só causavam sorrisos. Mas tão delicadas que se quebravam em pleno voo como frágeis fantasias. Poeiras de diamante a completar o chão de poucas estrelas. E Helô logo se livrava delas. 

Helô esquecia. 

O doutorzinho insistia em abrir a torneira do que nunca havia sofrido registro. Como estancaria o pingar da tormenta?

Ela desvirava, uma a uma, as peças do jogo da memória. E cada caco de passado raspava-lhe a alma. Não sei se os diálogos são verdadeiros ou se agora recrio falas. Mas, vamos lá, apenas ouça. Depois, se quiser, monte o enredo como lhe der vontade.  

Quando Helô trilhava a instabilidade dos seus treze anos, ela soube de mais coisas. Soube demais. Como se um filme em preto e branco rodasse em câmera lenta no seu cérebro. A cena era esta que conto, não tão exata, mas perto disso. Estava a menina desenhando algo, o grafite tomando espaço no caderno sem pautas. Os traços ganhavam forma, insinuando a figura de uma garota em cenário praiano, de chapéu e bolsa de palha… Um dos joelhos dobrados, como se ensaiasse um pulo em direção ao mar. Uma cena divertida, de quadrinhos, sabe? 

Normal. 

Até Mãe chegar perto e soprar suas verdades. Disse então que nada era normal na família. Não naquela. Não na sua. Sem mais nem menos, despejou mais informações do que os ouvidos adolescentes eram capazes de apurar.

Havia tanta coisa que ela não sabia, pobre garota, dizia Mãe enquanto destrancava segredos.

─ Sabia que o seu avô Vinícius se matou? Pois é, se atirou de um viaduto…Lembro bem daquele dia, foi em um janeiro calorento, pouco antes de você nascer. 

Heloísa nada respondeu naquela hora, afinal tudo aquilo era história passada, que nem deveria ter sido assim repassada. Muito menos a ela. Ignorou o próprio espanto e deixou o lápis continuar a deslizar sobre o papel, de forma mecânica como se pudesse evitar qualquer outro tipo de atrito. E Mãe também continuou a deslizar a língua entre os vãos da sensatez. 

─ E você acha que foi só ele? Não! Sua tia Gilda e o seu tio… aquele mais novinho, o Thomas, também resolveu dar cabo da vida … Todos suicidas. Ela deu um tiro na cabeça com o seu primo Guilherme no colo… O rapaz carrega até hoje uma cicatriz no ombro. Herança da mãe. Thomas, eu não lembro bem o que escolheu, se foi veneno de rato ou comprimidos para dormir.   

Heloísa nem levantou os olhos do papel. Tudo bem que tudo aquilo havia acontecido antes do seu nascimento ou um pouco depois, mas ainda fazia parte do histórico de família. Ou não fazia? Quantas raízes apodrecidas se é capaz de arrancar sem danificar o tronco?

Não chorou. Nem ao menos suspirou ao ouvir aquele relato mórbido. Mas a velocidade com que Mãe disparava aquelas verdades a arrastava para um lugar em sua mente que ela até então desconhecia. Depois, Mãe ainda segredou que não gostava da tia Lúcia porque esta dissera em um dos velórios que a próxima vítima seria Alberto, o seu pai. Ele também seguiria o destino dos Assis. Tudo assim revelado, sem trégua na língua.  

O pai continua vivo. É aquele senhorzinho lá encostado na parede. Ele pensa que não vejo que está lá, mas eu vejo tudo, sabe?   

O desenho? Nunca ficou pronto. 

Quando completou dezessete anos, Heloísa voltou da escola e soube que Mãe havia sido internada. Era uma técnica nova de tratamento, a sonoterapia. Dormir para esquecer, a fim de apagar lembranças dolorosas e dar tempo ao cérebro para descansar. Aquela mente nunca tinha descanso, das pimentas ao hospital, nada parecia ter pausa. Cotidiano triturando tempo e espaço, a cabeça padecia, e quem merecia aquilo?

Mãe voltou para casa melhor. Mais aquietada, sem dizer palavras demais. Mas aí, a vida deu para perder as cores. Entardecia depressa demais. 

Era como se Mãe não tivesse mais forças para resgatar o avesso do que lhe fora um dia tomado. Sabia que nem todas as dores fenecem com o passar do tempo? Algumas pétalas transformam-se em espinhos e mantêm-se perenes, agarrados a uma certeza qualquer. O desconhecido sempre pode vir acompanhado de novos dissabores a serem guardados.

Parecia que Mãe escolhia os dias para contar segredos, mas agora todos desconexos, sem nomes ou enredos. Tinha engolido todos os enigmas de que precisava e decifrá-los já não parecia certo. O mistério deitava sob as cobertas do tempo. Seria ela a esfinge?

Heloísa descobriu que o medo não a visitaria no escuro, nem mesmo no oculto das suas lembranças, mas por meio dos olhos que enxergavam além da voragem. Não adiantava insistir na fuga. O abismo continuaria ali, esperando pelo derradeiro e provável apelo, a sua voz transformada em eco. E se Helô lhe desse poder, a queda se multiplicaria em infinitas jornadas ao caos. 

Por isso ela preferia o inconstante desafio do dia a dia, que a tirava do meio do labirinto de questionamentos. Não queria lidar com probabilidades, nem ter muito mais o que esperar do romper da sequência estabelecida. No espelho, só enxergava a mudança como constante presença.  

Quando veio a notícia, titubeou. Ficou vagando entre pensamentos e suposições. Algo descombinava da realidade. Não era a família do pai que se refugiava no abismo? Por que então Mãe correra naquela mesma direção? 

Se pudesse, ficaria ali onde estava naquele momento, eternizando a inércia acolhedora. Ali onde soubera do fim. Ficaria muda por horas, esperando um recomeçar que dificilmente lhe abraçaria. A espera não era martírio, não trazia novas tormentas nem peso a mais. Era mais uma recombinação das cores que colhia na falta de um possível escape. Seus últimos raios, antes do abismo. Experimentava vazios, com mãos recolhidas, sem pressa ou preces.

A morte. Sim, já havia acontecido outras vezes, mas aquela foi a definitiva. Mãe partiu sem paradeiro, sem jeito de reverter o desassossego, e a vida tornou-se deserto.

Não escolheu perder Mãe. Apesar de tudo (e só ela sabia o quão pesado era esse tudo), não estava preparada para cortar o laço. Nenhum filho está pronto, não é verdade? Mesmo que perder os pais seja a ordem natural das coisas. Heloísa era jovem demais, sem noção do que viria, e a realidade estapeou-lhe sem a menor cerimônia. 

Mãe não a deixou para viver um grande amor, nem fugiu para ser um pouco mais feliz em outro lugar. Ela apenas cortou os nós e queimou todas as pontes de regresso. Não foi atrás da felicidade, não foi embora por querer mais do destino que lhe cabia. Ela só se foi. Sem bilhete, nem adeus. Deixou apenas o silêncio a recitar sua ausência.

Imagina o caos, tudo aquilo acontecendo sem aviso. Parece que sempre há um episódio novo escondido nas mangas do destino. Acho injusto, mas é assim o jogo. Quem sou eu para mudar as regras? 

Se pudesse voltar atrás, ela o faria, mas já não podia. E de que adiantaria? Nada havia a ser feito.  Seguiria a vida como personagem secundário, sem direito a grandes falas. Jornada a sós. Nem o remorso a acolheu.

Helô já se esquecia de si.  Enlouquecia? 

Por muito tempo, a moça, essa aí de quem o senhor não tira os olhos, só conseguiu enxergar sombras. Pensava e imaginava remotas possibilidades. Se haveria uma chance, uma única chance de ser filha novamente. Se houvesse, o que aconteceria? Deixaria de lado as próprias vontades para pelo menos conhecer as da Mãe? Ouviria seus sonhos com mais atenção? Suportaria o mar de emoções desaguar pelos seus olhos? Ela amaria de verdade aquela mulher?

Os cortes não eram medalhas como sempre lhe disseram. Não passavam de meros lembretes do quanto já ela ainda precisava ser forte. Seguia só, sem saber se deixar consolar. Temia se perder no emaranhado de raízes que forravam o chão estrelado. 

Felizes são aqueles que ainda têm uma escolha. Helô nunca teve.

Falei do sonho? Do abismo? Então, ele continuava ali à espera e, embora impassível em sua imensidão solitária, parecia crescer em ecos como se rissem todos dela. Acordava aos prantos, apavorada, como se soubesse que terminaria se definhando em lágrimas. 

Helô enlouquecia, agora era fato. 

A terapia? Continuou. Dr. Theo não se cansava dela, nem de suas esquisitices. Depois de um tempo, não sei quanto, pois sou incapaz de medir a vida por meses ou anos, Heloísa passou a chegar ao consultório sempre com uma novidade, um novo enredo, um anseio que se desdobrava em planos. Dizia estar se interessando novamente pelos estudos e que pretendia se matricular em um cursinho pré-vestibular. Contava com o apoio do pai. Aquele sujeito ali, fingindo-se de invisível, sempre a incentivar a sua menina, implorando que fosse caminhar para longe do abismo. 

Helô reagiu com o tempo. Traçou planos para entrar em uma boa faculdade e decretou a si mesma ─ e ao mundo ─ que seria psicóloga, a melhor de todas. Contou a novidade para Arthur, que já nem era mais seu namorado, mas que merecia o compartilhar da alegria.  

Ao terapeuta, demonstrou empolgação ao falar do curso universitário. Recebeu como resposta um enigmático sorriso. Os dois se tornariam colegas. Um dia, seria ela a escutar. E talvez sorrisse também. 

O que se passou de verdade, não sei dizer, não, senhor. Tudo foi mais rápido do que a imaginação podia alcançar. Heloísa determinou-se a ser a melhor aluna da turma, talvez de toda a faculdade… Ah, não lembro o nome, mas quem se importa com isso? Estagiou atendendo quem não podia pagar pela consulta. Agia a favor dos outros, oferecendo terapia e abraços, tudo por conta própria. E nutria-se de verdades alheias, tentando amenizar as dores de quem a procurava. 

Talvez não fosse tão experiente como Dr. Theo, mas sabia ouvir. Sabia, sim. E ouvia… Dentro e fora de casas, nas ruas, longe dos consultórios. Ouvia quem lhe pedia ouvidos. Ouvia quem se rasgava e buscava o mesmo abismo por ela contornado. 

Quase me ouviu também. No momento mais impreciso, no vão dos acontecimentos mais dolorosos, ela estava aqui comigo. Não desgrudava. Era como se fossemos irmãs, ou mais do que isso. Sim, já sei que somos muito parecidas. Um espelho.  

Quando tudo era tragédia e dor, Helô espichou os ouvidos para mim. Mas não sei por que não conseguimos nos ouvir, afinal. Sabe me dizer? 

Ela ouve a todos. Ouve sem parar, com ouvidos e olhos a testemunhar imundices alheias. Aquele tipo de dor degradante, que fica apodrecendo por anos dentro da gente, sabe? Fede. Mas ela não liga. 

Olha lá como se esparrama em dedicação! Seja dia ou noite, madrugadas inteiras perdidas, ela só pensa em escutar. Mas nunca fica só. Ninguém deixa. Parece feliz só de ser assim, acolhimento e pausa para quem quiser desabafar. 

Pai já advertiu, não é saudável doar-se a quem não pode nem ao menos grato ficar. Mas Helô diz que é missão, que Mãe gostaria que continuasse … 

Assim, ela segue por aqui, ainda neste mundo. Psicóloga às vezes, amiga em todas as ocasiões. Parceira dos loucos, companheira dos deprimidos, apoio de desajustados. Não é mesmo bonito isso? 

Ela nunca se cansa. Ouve, ouve, até não poder mais. 

Pai olha e cuida. Às vezes, acho que ele está é olhando pra mim. Sinto pena. Fala pra ele, doutor, fala para desacostumar da tristeza. Heloísa é feliz assim. 

Parece doideira, eu sei. Juro que fico contente por ela. Fico, sim. Nem espero mais que tente me ouvir. É loucura, eu digo e repito. Mas se é assim que quer, assim será.  

Ela vai gostar de atender o senhor, também. Não julga, nem pede dinheiro. Pode acreditar, doutor, é sério.

Helô cura.

76 comentários em “Ruptura (Helô)

  1. Fil Felix
    23 de novembro de 2020

    Boa tarde!
    A história de Helô e seu relacionamento com a mãe, o namorado e sua terapia, que a faz superar certos problemas e até mesmo incentivando a tomar outro rumo na vida e no profissional.
    O conto tem uma narrativa muito boa, fluida e tranquila. O início possui um estilo de diálogo, como uma confissão, um desabafo. E logo (aparentemente) troca de narrador, achei meio estranho, mas entrei na magia. E esse narrador é misterioso, pois ele sabe de todas as personagens e fui tentando decifrar, mas acho que falhei (cheguei ao final sem certeza de quem era).
    A história em si eu consegui pegar o todo, como a mãe que sofre de problemas psicológicos. A filha, que acaba por ouvir diversas histórias trágicas (como a tendência familiar de se suicidar), entre outros motivos que a levam ao psicanalista. Aqui eu senti uma confusão (proposital ou não) em relação ao tempo, pois ao mesmo tempo parece que acontece após tudo isso e/ também antes de tudo isso, em sua adolescência. Também gostei do otimismo, que não ficou muito forçado, em relação a ela fazer psicologia e querer ajudar o próximo, deixando um final mais feliz, por assim dizer. No geral, gostei de como o conto foi narrado, mas acredito que eu deixei passar algumas coisas.

  2. Amana
    22 de novembro de 2020

    Obs.: A nota final não se dará simplesmente pela soma da pontuação dos critérios estabelecidos aqui.

    Resumo: Ficamos sabendo de Helô, seu transtorno e de quando ela finalmente vai ao psicólogo/psiquiatra para começar a se tratar, também ficamos sabendo de sua triste vida.

    Parágrafo inicial (1/2): Um pouco cansativo. Poderia ser melhor. Ainda bem que após ele o conto melhora bastante.

    Desenvolvimento (1,5/2): Gostei do desenvolvimento, embora tenha sentido um pouco de confusão em alguns momentos. Li apenas uma vez e acredito que ao ler a segunda e terceira terei percepções diferentes, não sei se haverá tempo para isso. Acho que gera certa confusão dizer que a terapia é com o Dr. Theo, a não ser que além de psicólogo ele seja também psiquiatra, pois receita remédio. Quero crer que é isso, mas seria bom que o autor/a autora mexesse nisso para não restar dúvidas. A linguagem em vários momentos é poética e melancólica, eu gostei disso. Também fiquei com dúvida a respeito do porquê não usar artigo antes de Mãe e Pai, e também letras maiúsculas. Não captei a mensagem, rs.

    Personagens (1,5/2): Gostei do conto, mas como acontece poucas vezes, não foi muito pelas personagens em si, foi mais pela narração. Achei as personagens pouco trabalhadas, dando a impressão de que o foco maior do trabalho do autor ou autora aqui tenha sido a narração, o lirismo da história contada por Helô/Heloísa, as outras personagens são bem figurativas. Entendi que a loucura da Heloísa/Helô já estaria em um nível bem complicado, avançado, seria isso? Ela não é uma narradora muito confiável, não é mesmo? Ao ler “Mãe” sempre me lembrava do filme do Aronofsky.

    Revisão (1/1): Não percebi nada de muito aparente. Posso não ter enxergado por estar atenta na narração, se houve erros me “distraí” com a história e nem percebi.
    Gosto (2,5/3): No geral, gostei. E gostaria de saber mais detalhes das outras personagens. Parabéns!

    • Helô
      22 de novembro de 2020

      Oi, Amanda, Amanhã, ahaaa como é que é? Amana,é isso?
      Muita gentileza da sua parte ter vindo aqui me visitar e dar pitaco na minha vida. Nem precisa me entender, minha linda, nem mesmo me amar. Prefiro te ouvir. Conte-me tudo, nada me esconda. Mesmo parecendo pouco confiável, saberei guardar segredo das suas loucurinhas…
      Beijos da Helô

      • Amana
        22 de novembro de 2020

        Está escrito ali, é Amana. Não dei pitaco, só comentei, depois de ler com atenção o seu texto. Boa sorte, Helô.

  3. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, Helô.
    Este conto narra a história de Heloísa, cujo namorado obriga a frequentar um psiquiatra ao estranhar que ela chorasse todas as noites. A terapia acaba por desfazer o tratamento ao qual ela, maníaco-depressiva, já tinha feito e o anterior estado psicótico regressa. O namoro desfaz-se e ela decide tornar-se psicóloga.
    O conto é extremamente longo e talvez desnecessariamente longo. Há diversas repetições que tornam a leitura um exercício de paciência. A história é-me familiar pelos piores motivos. Conheço dois casos que se encaixam neste relato e a vida só se torna suportável com o apoio da família.
    O facto de começar com um diálogo com o leitor, não me parece ter resultado neste caso. O narrador é a própria Heloísa, e ficamos com a ideia de que tudo é uma invenção – algo típico neste tipo de problema psiquiátrico.
    Em termos de linguagem parece-me bem, mas gostaria que tivesse mais fluidez e menos repetições. O próprio narrador diz isso mesmo, quando refere que “o conto é longo” (verdade) e mas que não há-de cansar (não tão verdade, pelo menos no meu caso).

    • Helô
      22 de novembro de 2020

      Jorginho, meu caro, como vai?
      Sinto muito se você se cansou tão rápido de mim. Talvez eu tenha falado demais mesmo. Mas não se preocupe, a partir de agora só vou ouvir. Quem sabe assim, você se sinta acolhido, goste da minha companhia e não pelos piores motivos.
      Abraço da Helô

  4. Helô
    20 de novembro de 2020

    Oi, Jojo, tudo bem por aí?
    Amiguinho, você deu tanta volta na minha história que me deixou tontinha. Comecei até a me perguntar quem sou eu. Mãe? Pai? Dr.THéo, Heloísa? Deu um nó de marinheiro na minha cabeça. Quando encontrar as tais nuances, passe um pouco pra cá. Enquanto isso, venha conversar comigo… vou te ouvir direitinho e quem sabe descubro quem você é.
    Abraço da Helô

  5. Helô
    20 de novembro de 2020

    Olá, Marquinho, tudo bem aí no parquinho?
    Fiquei contente por achar minha conversa sublime, mas vem cá, sua mulher não vai ficar com ciúmes de você ficar pensando em mim pelo resto da semana? Traz ela aqui, vou adorar ouvir vocês dois juntinhos. Terapia de casal em alto astral.
    Abraço da Helô

  6. Rubem Cabral
    19 de novembro de 2020

    Olá, Helô.
    Resumo do conto:
    Acompanhamos a história de Helô, moça que tem uma família complicada, com muitas pessoas com problemas depressivos/psiquiátricos. Helô descobriu através da mãe que muitas pessoas se suicidaram em sua família, o que a levou a sentir a presença do “abismo”. A morte da mãe de Helô poderia ter sido a gota d’água, mas felizmente, como a moça já fazia terapia, o quadro se inverteu e ela, que era paciente, passou a buscar a posição de psicóloga, que então finalmente conseguiu.
    Análise do conto:
    Gostei do narrador: ele/ela é bem estranho, parece onipresente e onisciente, tem uma forma interessante de narrar, etc. O texto está bem escrito e alguns personagens, a mãe, por exemplo, foram bem desenvolvidos. Contudo, achei que se havia algum problema psiquiátrico com Helô (com a mãe dela certamente havia) ela não deveria ter se tratado somente com um psicólogo, pois a terapia ajuda em muitos casos, mas não é tão eficiente se há um desiquilíbrio verdadeiro.
    Abraços e boa sorte no desafio!

    • Helô
      20 de novembro de 2020

      Olá, Rubão, tudo bem?
      Então, Dr. Theo já tentou me explicar a diferença entre psiquiatra e psicólogo. Ele disse que é médico e por isso pode me dar aqueles remedinhos mágicos. Eu sou psicóloga, ou queria ser, ou serei, ou sereia sou. Quem sabe? Só sei que nada sei, mas adoraria ouvir o que você acha que sabe de mim.
      Abraço da Helô

  7. jowilton
    19 de novembro de 2020

    O conto narra a história de Helô, uma menina/
    mulher com problemas psiquiátricos.

    O conto é bom e a escrita bem feita e fluida. O início, com o narrador falando com agente, é chato. Tirando isso, a narrativa é boa, com destaque para várias passagens inspiradas. A trama é um pouco problemática, ao meu ver, claro. No início, me pareceu que Mãe era uma voz escutada por Helô, muito por causa do nome está sempre escrito com letra maiscúla e também nunca estar acompanhada do artigo feminino. Depois me pareceu que Mãe era a mãe de Helô mesmo, quando ela morre. E aí, me pareceu sem sentido escrever o nome de Mãe com letra maíscula. Depois percebemos que a narradora é que é uma voz dentro de Helô, e que não tem nada haver com Mãe, só que ela não escuta. No final me pareceu que Helô é que era a voz, que havia dominado a mente de uma pessoa, e que falava por esta pessoa. Enfim, um conto bom, mas, que eu poderia ter achado melhor se tivesse captado os nuances que o autor queria mostrar. Boa sorte no desafio.

    • Helô
      20 de novembro de 2020

      Oi, Jojo, tudo bem por aí?
      Amiguinho, você deu tanta volta na minha história que me deixou tontinha. Comecei até a me perguntar quem sou eu. Mãe? Pai? Dr.THéo, Heloísa? Deu um nó de marinheiro na minha cabeça. Quando encontrar as tais nuances, passe um pouco pra cá. Enquanto isso, venha conversar comigo… vou te ouvir direitinho e quem sabe descubro quem você é.
      Abraço da Helô

  8. Marco Aurélio Saraiva
    17 de novembro de 2020

    Resumo: Heloísa cresceu em uma família com histórico de depressão que eventualmente levava ao suicídio. Descobriu cedo demais a dor da morte e foi atormentada pelo abismo de tirar sua própria vida. Sozinha, decidiu superar o ciclo familiar e tornar-se psicóloga, ajudando outros a superar o abismo que ela mesma havia superado.

    É difícil estipular quem é a narradora. A cena ficou um pouco confusa na minha cabeça, apesar de eu ter relido vários parágrafos. A narradora fala com um Doutor e, na mesma sala, o pai de Heloísa se encontra. A narradora fala de Heloísa na terceira pessoa, e do pai dela como alguém que, apesar de presente e próximo, ignora a conversa. O que me parece é que Heloísa, para superar o que parecia ser uma tendência genética na família para cometer suicídio, separou-se em duas (o que faz referência ao título do conto). Ela está na sala conversando com o Doutor (Théo, talvez?) sobre ela mesma em terceira pessoa – quem fala é sua versão alucinada, e fala sobre sua versão psicóloga, abnegada, desprovida de ambições, que ajuda de graça, que cura.
    Acho o conto extremamente relevante ao tema; na verdade, o primeiro conto que li até agora no desafio que realmente me fisgou e pareceu “inédito”. A narrativa traz uma série de questões profundas, que mexem com o leitor e que o levam na jornada não só de Heloísa mas de sua família e de como uma pessoa com depressão pode afetar toda uma estrutura familiar delicada, iniciando o que é uma verdadeira reação em cadeia.

    Sua escrita é sublime. Bem autoral, e quase sem falhas. Cada palavra parece ter sido escolhida a dedo e é muito bem colocada. As questões levantadas às vezes são tão simples e rápidas, mas que remetem a pensamentos que podem mergulhar o leitor em filosofias que duram o dia inteiro. É o tipo de conto que se lê e que te faz pensar nele pelo resto da semana. Alguns de seus parágrafos são quase poesia. Realmente, um texto muito bonito. A única ressalva que falo é que talvez o conto devesse terminar um pouco mais cedo. O conto tem uma “barriga”, repetindo ideias já trabalhadas e construindo a psique de Heloísa além do necessário. É um momento relativamente rápido na leitura, mas teve uma parte que eu estava me cansando, até ser fisgado novamente.

    De qualquer forma, com certeza um dos melhores que li até agora. Parabéns!

    • Helô
      20 de novembro de 2020

      Olá, Marquinho, tudo bem aí no parquinho?
      Fiquei contente por achar minha conversa sublime, mas vem cá, sua mulher não vai ficar com ciúmes de você ficar pensando em mim pelo resto da semana? Traz ela aqui, vou adorar ouvir vocês dois juntinhos. Terapia de casal em alto astral.
      Abraço da Helô

  9. jeff. (@JeeffLemos)
    10 de novembro de 2020

    Resumo: Uma mulher com uma vida sofrida conversa com uma paciente num hospital psiquiátrico e traz novas perspectivas para ela.
    Olá, cara autora!
    Achei seu conto muito leveza, uma leitura bem interessante e que flui sem muitos problemas. O conto precisa de um pouco de atenção na revisão, mas não fiquei muito incomodado enquanto lia. A narrativa foi bem conduzida, tratando de temas pesados, mas de uma forma descontraída em forma de diálogo. Gostei do uso do nome Nada, me remeteu às hqs de Sandman. E bem, eu entendo Nada, tô me formando em letras e talvez daqui a alguns anos eu encontre algum morto-vivo. Fato interessante é que eu pensei em falar sobre Cotard, mas desisti depois. Ainda bem, não sei se faria algo melhor do que você usando a mesma referência. Hahahhaha
    No geral, eu gostei da sua historia, escrita ágil e agradável.
    Parabéns e boa sorte!

    • Jefferson Lemos
      10 de novembro de 2020

      rapaz, eu não faço ideia de como esse comentário veio parar aqui, mas ALÔ ADM, apaga ai. É de outro conto! hahahahahaha

      • Helô
        11 de novembro de 2020

        Não sou um rapaz… Sou Helô. Espero pela sua (re)visita em breve. Beijos e abraços.

  10. Andre Brizola
    9 de novembro de 2020

    Olá, Helô.

    Garotinha, Helô, cresce em uma família com histórico de doenças e distúrbios mentais. A narração, efetuada por uma provável segunda personalidade da menina, conta como ela chegou muito próximo de ficar realmente louca, e como encontrou meios para voltar à “sanidade” e poder ajudar outros através da psicologia.

    Um texto de altíssimo nível e não tenho absolutamente nada a criticar, só a elogiar. Gostei muito do tom informal como a narração nos guia. Essa “facilidade” de compreensão que encontramos, sem ter que mergulhar nos dicionários e enciclopédias em busca dos termos e das referências, chega a ser reconfortante. E digo facilidade assim, entre aspas, pois o conto não é fácil, tendo escondido, em seu interior, uma complexidade que nos instiga a continuar e continuar. Helô é muito bem construída. De garotinha em uma festa de aniversário à universitária, estagiária, dona de uma vontade que a cura. Dona de uma vontade de querer curar os outros.

    Ah, e o trocadilho no final. Achei perfeito. Gosto de trocadilhos, mas achei que ali, naquele ponto, marca e delimita a personalidade da outra Helô, a narradora, aquela que acompanhou todo o desenrolar da história. E percebe-se que ela torce por Helô. Quase uma cheerleader, levando seu “time” adiante.

    É isso. Boa sorte no desafio!

    • Helô
      11 de novembro de 2020

      Por um instante, achei que você tinha me chamado de garotinha. Pai e Dr. Theo não aprovariam, sem falar no Dr. Freud…Mas fiquei feliz com a sua passagem por aqui, viu, Dedé?Volte sempre para trocarmos uns trocadilhos.
      Abraço da Helô

  11. Anna
    8 de novembro de 2020

    Resumo : O conto é sobre a triste historia de Heloisa. A jovem perdeu a mãe vítima de suicídio e o namorado lhe recomenda fazer terapia. A terapia gera bons frutos e Heloísa faz psicologia e se torna uma boa psicóloga.
    Comentário : O conto é tocante. Me leva a refletir sobre como um bom terapeuta pode fazer diferença na vida de alguém. Mas também me fez refletir sobre o lado ruim de Heloísa que negou atenção a própria mãe necessitada mas preciso levar em consideração a imaturidade da mesma.

    • Helô
      8 de novembro de 2020

      Olá, querida Anna, tudo bem?
      Dr. Theo ficou contente com a sua visita, mas pediu para você parar de alimentar minha fantasia. Ele acha que eu não sou uma psicóloga… pode Isso? Mas eu sou, não sou?
      Beijos da Helô

  12. Ana Maria Monteiro
    7 de novembro de 2020

    Resumo: Helô é simultaneamente narrador e narrada neste conto que relata, de acordo com as suas características mentais, a sua própria história entrelaçada com a de Heloísa, sua outra personalidade. O conto dá a aparência de terminar bem, mas não foi a ideia que me transmitiu.
    Comentário: Hello, Helô. Deixe-me começar pelo que fui pensando enquanto lia: sabe? Tenho alguma dificuldade em ler de forma sucessiva contos escritos em português BR, o uso da língua é de tal forma diferente que exige um grande esforço de concentração e acaba por cansar. No entanto, reconheço que a vossa riqueza de expressão é inigualável e, quando bem empregue, um verdadeiro deleite; vocês transformam o português em algo muito mais sensorial que o nosso, vocês dão cor, música, movimento e por vezes até quase transmitem odores e sensações físicas. Isso, para um português, chega a ser invejável, pois nós somos duma sobriedade linguística que beira o arcaísmo. Isso sucedeu-me enquanto lia o seu conto, foi uma delícia apenas “manchada” pelo uso de Pai e Mãe sem o artigo antecedente. Isso foi algo que você fez propositadamente e cumpre a função pretendida de exercer um certo distanciamento deles retirando-lhes o estatuto superior de pai e mãe e reduzindo-os a pessoas como as outras que têm um nome que no caso deles é Pai e Mãe (tanto que surge em maiúsculas, tal como um nome próprio), mas não chega a ser agradável. Aqui permita-me um reparo (picuinhice): uma vez que não usa o artigo, quando escreve a frase “… para pelo menos conhecer as da Mãe?”, teria sido mais adequado “as de Mãe”. Não tenho mais nenhum reparo a apontar.
    Heloísa/Helô sofre de transtorno dissociativo de personalidade, a sua doença está muito bem sustentada, pois é muito comum em pessoas que sofreram situações traumáticas opressivas numa idade em que o seu amadurecimento emocional ainda não tinha a capacidade suficiente para processar esses acontecimentos. No caso presente, essa situação está perfeitamente documentada. A personalidade dissociativa funciona como forma de preservar o eu original, criando uma outra que se encarregará de criar uma parede protetora e que normalmente acaba por assumir o protagonismo, enquanto a personalidade original se remete ao silêncio e se permite o alheamento e, por vezes, até o esquecimento. Ainda nesse sentido, a história está muito bem construída: por vezes a narrativa passa para as mãos de Heloísa, por vezes é também Heloísa quem visita o médico. Um mesmo corpo, duas personalidades o habitam e conduzem.
    O conto está muitíssimo bem escrito (já disse, uma delícia) e perfeitamente adequado ao tema. O início é um pouco arrastado, mas logo ganha um fôlego quase galopante que prende e fascina o leitor. O relato final da narradora não me convenceu quanto à autenticidade, creio que é apenas mais uma fantasia de Helô e o sorriso enigmático do Dr. Theo sustenta a minha suspeita. Mas isto é apenas a minha leitura, posso estar enganada.
    Enfim, parabéns pelo excelente trabalho e boa sorte no desafio.

    • Helô
      8 de novembro de 2020

      Hello da Helô para Aninha
      Acho que você conseguiu desvendar minha alma. O que acha que o sorriso enigmático do Dr. Theo quis dizer? Que sou doidinha e brinco de ser psicóloga? E não estamos todos brincando de ser algo?
      Adorei sua visita. Sua companhia é uma delícia.
      Beijos da Helô ❤

  13. Leandro Rodrigues dos Santos
    5 de novembro de 2020

    Sobre uma personagem narradora que relata suas experiências traumáticas aos leitores em paralelo ao divã.

    Tecnicamente tem poucos erros, uma ou outra colocação pronominal, um uso a mais de conectivos um ‘que’ e ‘e’ a mais aqui e acolá, mas ok. No geral está bom.

    Sobre o texto em si, o tom de repetição como chamativo da narradora a história não me agradou, pois o trava na minha visão e demonstra muita preocupação em agradar.
    Bem, apesar de abordar temas trágicos encontra suavidade, usa recurso da diversão, pois se demonstra bem resolvida ao longa das tragédias. Isso me chamou a atenção.

    • Helô
      8 de novembro de 2020

      Oi,Lelê, tudo bem por aí?
      Você acha que estou pensando só em agradar? Claro que não, bobinho. Só quero ouvir o que tem para me contar… e não me incomodo com repetições.
      Abraço da Helô

  14. Paula Giannini
    4 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo: Paciente narra sua própria vida em uma visão esquizofrênica do mundo e de si mesma.

    Meu ponto de vista:

    O ponto alto deste conto são as construções imagéticas e frasais. Casa sentença traz uma figura de linguagem mais linda que outra, fugindo sempre, ou de um modo geral, aos clichês linguísticos e jargões.

    Quanto à trama, para mim, com leitora, fica claro (ou quase) que a narradora fala de si mesma. Isso é fortemente confirmado pelo modo como ela se dirige ao pai e à mãe, sem o artigo no início, lembrando muito o modo de fala utilizado em parte do Nordeste e Norte do Brasil.

    Se a diagnostico como esquizofrênica, é porque percebo sintomas nela, como a visão do pai e a dissociação de si mesma ao contar a história. Não, não sou psicóloga, só curiosa, e, já convivi com alguns que sofrem com esse mal.

    Se posso fazer uma ressalva quanto à estrutura do texto é a de que a introdução me pareceu um pouquinho dissociada do resto da narrativa. A sensação que tive é a de que a protagonista promete algo maior, um assassinato, um suicídio, não sei. Algo que não se cumpre com o correr da trama. E, como a trama não necessita desse algo prometido, aquele início ficou meio deslocado (ao menos para mim).

    O trocadilho final, loucura, é loucura, Helô Cura, para mim, parece também fortalecer a teoria da esquizofrenia. Helô se acredita realmente médica.

    Aqui, estou dizendo a todos, estamos para aprender, então, se algo em minha análise não se encaixa em seu belo texto, desconsidere.

    Desejo sorte no desafio e dou os parabéns pela bela criação.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Helô
      4 de novembro de 2020

      Oi, Paulinha, tudo bem?
      Fiquei com a incômoda sensação de que você está com medo de mim. Por que, minha linda? Eu não mordo, só quero o seu bem, do vizinho, do mundo, até daquele lá que não sabe o que faz…
      Tudo o que você falou, e eu escutei como sempre, está bem encaixadinho. Jamais desconsidero o que ouço.
      Muito obrigada pela visita, querida. ❤
      Beijos da Helô

  15. Priscila Pereira
    4 de novembro de 2020

    Resumo: Monólogo de uma das partes da personalidade de Helô, sobre a outra.

    Olá, Helô!
    Espero ter entendido certo o seu conto, a sua história. O título já explica tudo, ruptura, Helô se rompeu, se duplicou, para poder sobreviver, uma parte se doa a ouvir tudo de todos, tentando não ouvir seus próprios medos e vozes e a outra parte assiste tudo, sem ação, reação, virou só expectadora, perdeu o contato com ela mesma.
    Bem, eu gostei muito da forma tão poética e profunda com que você escreveu. O enredo não fica claro, deixa dúvidas do que realmente está acontecendo, mas isso é o maior charme do conto. Os poucos vislumbres que temos da história já nos guiam. Ótimo conto! Seu estilo não me é estranho.. quase certeza que é uma das Contistas 😉
    Parabéns! Boa sorte!
    Até mais!

    • Helô
      4 de novembro de 2020

      Oi, Pri, tudo bem, menina?
      Você parece ser bem atenta…repara até no título das coisas, cuidado para não cair no conto do rótulo, tá?
      Quem são essas Contistas? Deve ser gente que gosta de contar… como eu gosto de ouvir, acho que nos daremos muito bem, não acha, Pri?
      Beijos da Helô

  16. Lara
    3 de novembro de 2020

    Resumo : Uma paciente conta a história de uma outra paciente Helo que perdeu a mãe vítima de suicídio e fez terapia, acabou melhorando tanto que fez curso de psicologia e se tornou uma ótima psicologa, tendo sempre em mente que isso deixaria a mãe feliz.
    Comentário : Na minha opinião Helo escuta a dor dos outros com tanto afinco como uma forma de compensar o fato de não ter escutado a própria mãe como devia.

    • Helô
      3 de novembro de 2020

      Oi, Lala, tudo bem contigo, menina?
      Eu escuto a dor dos outros, mas também não me privo de ouvir as alegrias de todos. Fique á vontade para me contar mais sobre você. Adoraria te ouvir durante horas. ❤
      Beijinhos da Helô

  17. Rafael Penha
    2 de novembro de 2020

    Olá, Helô

    RESUMO: Amiga (ou talvez uma parte consciente da própria Helô) narra a história de Heloísa, uma jovem traumatizada pelo passado trágico de sua família e da louca influencia da mãe que acha na psicologia uma forma de ajudar os outros e abafar a loucura que existe em si mesma.

    COMENTÁRIOS: O conto é muito bom, entretanto, começa chato, naquela coisa de vai não vai, conto ou não conto, quase perde a paciência do leitor aí, mas passado este momento, o texto brilha.

    A história de Helô é narrada com perfeição e os efeitos da exposição de uma criança à uma mãe louca são aqui mostrados com esmero, detalhamento e sentimento. Heloísa se tornar uma psicóloga e ouvir, ouvir, ouvir a todos me pareceu uma forma de ela não ouvir a si mesma, evita a própria loucura tratando da dos outros.

    O texto traz diversas formações frasais inteligentes, que dá gosto de ler.
    O enredo começa lento, engata, engasga de novo e pega no tranco quando heloísa se torna psicóloga. Me pareceu um pequeno problema de ritmo.

    A escrita é bonita, envolvente, simples e elegante, que incentiva o leitor a prosseguir na leitura. Em dado momento, eu jurei que Heloísa se mataria, o que seria um final previsível, mas gostei de ver um final mais esperançoso, apesaer de eu sentir uma atmosfera de perigo sempre à espreita.

    Muito bom!

    • Helô
      3 de novembro de 2020

      Oi, Rafa, tudo beleza, rapaz? Vai muito a Penha?
      Então, fique preocupada ao ler “começa chato, naquela coisa de vai não vai, conto ou não conto”, mas como acabei contando, acho que continuamos amigos, certo?
      Vamos conversar sobre um final mais esperançoso para a humanidade? Adoraria ouvir tua opinião a respeito.
      Abraço da Helô

  18. Bianca Cidreira Cammarota
    1 de novembro de 2020

    Oi, Helô
    O conto relata a história de Helo, orquestrada por uma narradora. Abrange toda a sua vida, até a atualidade, onde os fatos de família ocorridos em sua infância contribuíram para a personalidade instável da protagonista, com ênfase na Mãe. Helô, ja adulta, inicia terapia, que abre portas de fatos que a protagonista fez questão de manter guardados por serem sofríveis. Ela entra em contato com tais situações e, entre altos e baixos, toma rumo em sua vida, formando-se e trabalhando como psicóloga.
    A linguagem dança entre o informal e o lírico na voz da narradora, a qual, por muitas vezes, deixa a dúvida se não é ela a própria protagonista. Fiquei com a impressão que essa questão ficou meio aberta, até para o leitor ficar com uma pulga atrás da orelha.
    É interessante ver o final, que nem de longe é feliz, muito embora seja embrulhado como tal nos fatos. No entanto, a autora deixa claro nas entrelinhas que Helô, apesar de aparentemente ter tomado rumo na vida, não resolveu seus problemas e sim os abafou sob o manto de tornar-se uma psicóloga que não trabalha apenas, mas tornou toda a sua vida essa dedicação ao outro justamente para não pensar mais em si.
    Particularmente, não apreciei muito o estilo informal do começo, o chamamento da narradora, mas ADOREI o lirismo ao longo do texto (um dos meus favoritos estilos). Como é bom ler um fato em prosa poética que aprofunda os fatos justamente pelo tom poético.
    Também é muito chamativo para mim as personagens Mãe e Pai ( não há o artigo antes , como se esses títulos fossem efetivamente os nomes dos genitores da protagonista). Isso revela muito, ao meu ver,, o distanciamento pessoal de Helô com seus genitores, encarando-os pelo “cargo” em sua vida e não como pessoas em si, apesar de amá-los.
    A história é instigante e a linguagem é envolvente.
    Gostei MUITO mesmo do conto! Parabéns e agradeço a oportunidade de ler um texto tão poético, forte e lindo.
    Abraços!

    • Helô
      1 de novembro de 2020

      Oi, Bibi, tudo bem?
      Distanciamento pessoal dos meus genitores (parece até xingamento esta palavra)? Dr Theo tem uma visão bem diferente disso. Mas não sei bem o que é, porque eu me esqueço…
      Podemos nos encontrar para discutir esse seu gosto pela poesia? Vou adorar te ouvir, menina.
      Beijos da Helô

  19. Elisa Ribeiro
    31 de outubro de 2020

    Um fragmento da personalidade da protagonista narra sua trajetória de loucura e superação.

    Sua narrativa me envolveu a despeito da, digamos, tortuosidade e densidade, que soariam cansativas em mãos menos hábeis. Há ótimas imagens e passagens excelentes no seu texto, o que torna a leitura envolvente e prazerosa.

    Gostei muito da reviravolta que você deu no destino da sua personagem. Torná-la uma psicóloga soou como um subtexto a revelar que por baixo, ou pelo avesso, de cada psicólogo há um louco em busca de sanidade. Gostei do sorrisinho enigmático do terapeuta ao saber da intenção da paciente de tornar-se psicóloga. Achei sutil.

    Por outro lado, achei muito excessiva a coleção de desgraças na família da personagem. A mão pesada quase me fez rir causando uma quebra de ritmo, o que costumo em regra gostar, mas que por algum motivo não me agradou.

    Também não gostei do tom da narradora, como se estivesse contando um caso, e odiei o trocadilho no final. Ele até combina com a narradora, mas não combinou nem um pouco com essa leitora aqui.

    O pior: o trocadilho no final. Pelamor, retire na revisão, não vai fazer falta para quem gosta e exaspera quem não gosta.

    O melhor: a sua escrita. Gostei de verdade.

    Parabéns pelo texto. Um abraço.

    • Helô
      31 de outubro de 2020

      OI, Lisa Ri? Eita, esqueci (vou continuar esquecendo) que você não curte trocadilhos.
      Dr. Theo e eu sempre discutimos sobre o fato de que as pessoas no geral consideram pouco crível o que de fato acontece na vida de uma pessoa. Aceitam coisas fantasiosas, mas quando esfregamos a verdade nas nossas palavras, a maioria diz que é exagero. Desgraças na família? Aconteceram: avo, dois tios e Mãe sucumbiram ao abismo. Talvez eu devesse ter guardado o relato da Mãe só para a terapia. Desculpe se te assustei com as minhas verdades.
      Pai e Dr. Theo (aquele do sorrisinho enigmático) dizem aos sussurros que eu deveria parar com essa ideia de me dizer psicóloga… Pensam que eu não ouço suas insinuações de que tudo é fantasia minha, mas eu ouço melhor do que ninguém. E estou aqui para te ouvir também LisaRi, vamos rir juntas de muitas desgraças, com certeza.

  20. Fabio Monteiro
    30 de outubro de 2020

    Resumo: Heloisa tenta superar os conflitos causados pelos relatos de sua mãe. Busca entender o que aconteceu consigo, desvencilhar-se dos emaranhados de sua mente.

    Fatídico, no sentido positivo da palavra. Me pareceu angustiante a busca incessante pela herança negativa deixada pelos seus.
    Gostei muito das borboletas de cristal. Simbolizou bem a fragilidade da mente da personagem.
    Também achei interessante a frase: resgatar o avesso do que um dia lhe fora tomado. Muito perspicaz a forma como descreveu a sensação da personagem de tentar mudar os fatos vivenciados.

    De maneira geral é um conto maravilhoso. Gosto de finais onde o personagem se dá bem. Me pareceu que, além de entender o que houve, Helô passou a usar este conhecimento no auxilio a outros que vivenciam os mesmos problemas.

    • Helô
      31 de outubro de 2020

      Fabinho querido, tudo bem?
      Também prefiro finais felizes, não sei se cheguei ao fim, mas sou feliz assim. Eu e as borboletinhas de cristal esperamos você aqui para uma conversa. Pelo verso ou pelo avesso, queremos saber mais de você. Espero ouvir suas palavras… em breve.
      Beijos da Helô

  21. cicerochristino
    27 de outubro de 2020

    Resumo:
    Acompanhamos a saga da vida de Heloísa, desde a infância,com foco no que concerne à sua saúde mental e de seus parentes. Superando a perda da mãe e lutando contra suas próprias mazelas, a protagonista, após submeter-se a terapia analítica, se especializa em escutar os problemas dos outros e torna-se psicóloga, focando sua atenção nos problemas daqueles que a procuram.

    Comentário:
    O estilo da escrita lembra o empregado no romance A Ressurreição de Adam Stein, no qual se apresenta uma narrativa que, a princípio, é exercida na terceira pessoa, mas que suscita dúvidas a respeito de se quem estaria narrando não seria a própria protagonista em uma espécie de devaneio. Tais dúvidas, na verdade, não chegam a se consolidar por conta do pseudônimo com o qual o texto é assinado, mas justamente esse elemento amplia a curiosidade do leitor até o fim. Assim como o romance citado, o conto é confusamente delicioso. Traz figuras de linguagem líricas, de uma beleza impensável e tem a riqueza e a sensibilidade de brincar com o possível ponto de vista de alguém que sofre de algum distúrbio mental. É um trabalho muito lindo, que vou recomendar a amigos leitores.
    Meus parabéns e muito obrigado por compartilhar essa escrita tão sublime!

    • Helô
      27 de outubro de 2020

      Oi, Cici Chris, tudo bem?
      Você vem sempre aqui? Achei a sua conversa muito boa, aliás parece que você é uma pessoa muito boa…. e de gente eu entendo.
      Ainda não li o romance A Ressurreição de Adam Stein. Talvez nem consiga ler, meu tempo é todo dedicado a ouvir, ouvir, ouvir.
      Agradeço que me recomende aos amigos. Serei uma boa ouvinte para eles também (mesmo que Pai e Dr. Theo fiquem falando que eu não sou psicóloga, muito menos psiquiatra).
      Fique bem, querido. E para com essa história de distúrbio mental…tá tudo beleza.
      Abraço da Helô

  22. Fernanda Caleffi Barbetta
    26 de outubro de 2020

    Ruptura

    Resumo
    Narradora conta a história de Helô, uma mulher que enfrenta problemas com sua memória, com seu passado. Sua mãem que sofria de alguma demência, um dia foi embora sem aviso ou bilhete. Ela decide estudar e torna-se uma psicóloga que passa a tender até quem não podia pagar.

    Comentário
    O texto é bem escrito, divertido em alguns pontos, enigmático em outros. Fiquei pensando se a narradora não seria a própria Helô.
    Interessante a forma como resolveu abordar o tema loucura como algo hereditário, não necessariamente nos genes, mas a partir da convivência. Ao menos foi assim que entendi.

    O conto usa muito bem as metáforas, enriquecendo a narrativa e tornando o texto mais interessante e gostoso de ler. Destaco, como exmplos: “Puxaram para fora maletas esquecidas no fundo do subconsciente, que não eram espanadas há anos.” “Quantas raízes apodrecidas se é capaz de arrancar sem danificar o tronco?” “ O mistério deitava sob as cobertas do tempo”
    “Como estancaria o pingar da tormenta?” – muito bom isso.

    Achei legal a ideia de fazer a narradora conversar com o leitor. Só achei que ficou um pouco repetitiva a introdução, quando preparava o leitor para o que viria. Esta parte “Posso começar? Vai anotar tudo? O silêncio e todas as pausas da respiração? Estou brincando, ora, veja. Vou contar como se fosse uma narrativa qualquer, ficção sem compromisso com a verdade. Sem me preocupar com a tal verossimilhança…. Pode ser? Conto o que sei, mas do meu jeito. Combinado?” acho que ficou redundante e cansativa. Outra coisa é que em boa parte do conto, lá pelo meio, a narradora assumiu uma outra postura mais séria, inclusive não se referindo muito ao leitor, como fazia no início e voltou a fazer no final… não sei se foi proposital para mostrar a loucura e inconstância da própria narradora.

    Achei confusa esta parte: “ Tudo porque ela costumava acordar chorando no meio da noite. Ele não achava normal alguém tão jovem odiar aniversários.” – não entendi o porquê d éter colocado estas duas frases juntas… o que não gostar de aniversário tem a ver com chorar no meio da noite.

    Gostei do humor neste parágrafo: “E lá foi ela aventurar-se nos emaranhados da mente, só para agradar o namorado. Talvez porque gostasse mesmo dele, ou seria por causa daquele ar de segurança, de pessoa trabalhada no divã, analisada desde a infância até os fundilhos do aqui e agora?”

    O texto é muito bem escrito. Parabéns.

    • Helô
      26 de outubro de 2020

      Oi, Nandinha, tudo bem?
      Pai disse que você está mais confusa do que eu nesta história toda. Parece que a narradora sempre fui eu, Helô. Não sei nada dessa coisa de falar com o leitor… eu estava falando com aquele Doutor que tem vindo sempre me visitar aqui. O que eu faço mesmo é ouvir, ouvir, ouvir… e ouvi você, sempre ouvirei você, minha linda.
      Beijos da Helô

  23. Jefferson Lemos
    26 de outubro de 2020

    Resumo: Um fragmento de uma personalidade da personagem narra a história de sua vida, os desprazeres, angústiaS, inspirações e sua redenção.

    Olá, cara autora!

    Seu texto é bem potente, não é mesmo? Gostei de como conseguiu trabalhar sua escrita de forma minuciosa, com belas imagens mentais e metáforas muito bonitas. Sua escrita me parece bem carregada, o que pode ser cansativo para algumas pessoas, mas eu achei muito boa.
    Sobre a história, eu sinto que fiquei um pouco perdido, foram muitas idas e vindas e eu custei a me achar em determinados momentos. O artifício de conversar com o leitor foi bem empregado, apesar de não ter me agradado muito. Outro ponto que não me agradou foi o fato da personagem se referir à mãe com Mãe apenas. Isso me deixou com um sensação de repetição porque aparece muitas vezes no texto.
    No geral, eu gostei muito da sua escrita, apesar de não ter gostado muito da história. Mas ai é uma questão pessoal, pois quando se trata de qualidade o seu texto entrega isso muito bem. Gostei da reviravolta do final, quando ela estudou e cresceu na vida pra ajudar pessoas que precisavam da mesma ajuda que ela. Finais felizes são bem-vindos sempre!
    Boa sorte no desafio e parabéns pelo belo conto!

    • Helô
      26 de outubro de 2020

      Oi, Jeffinho, tudo bem?
      Nem me fale em reviravolta, minha vida é cheia dessa coisa aí. Já ouvi Pai falar que essa coisa de ser psicóloga foi invencionice minha. Será? Só sei que ouço quem quer ser ouvido… e assim vou seguindo. Esse é o meu final feliz.
      Abracinho da Helô

  24. opedropaulo
    25 de outubro de 2020

    RESUMO: Entre o abismo hereditário e a chance de uma melhora, Heloísa se encontra em escutar sem olhar quem. Devota a dar ouvidos, está segura.

    COMENTÁRIO: Separarei entre forma e conteúdo. O conto tem um imagético muito forte, com metáforas que ilustram perfeitamente a maneira como a personagem se sente e o impacto de se aprofundar em suas memórias, conferindo ao texto uma graciosidade poética. O jogo de palavras também é recorrente e bem feito, denotando engenhosidade de quem escreveu. Eu prefiro uma literatura mais direta, mas a minha preferência não me faria negar que é um texto prodigioso. A história contada como em uma conversa deu fluência à leitura, que soou orgânica.

    O conteúdo também traz uma abordagem interessantíssima. No filme de terror “Hereditário”, a trama se dá pela loucura passada de geração a geração, seguida de seitas. Aqui, é na imagem do abismo, representação certeira do suicídio, que se apresenta o conflito da trama, tensionando Helô entre a obscuridade de sua herança e a possibilidade de um futuro que só ela mesma pode garantir. Embora a estória fosse contada de um ponto de vista localizado no futuro, são dois passados apresentados na estória, um retroativo, que explica o histórico de Helô, e o outro que cuida de nos mostrar de sua superação, ambos bem equilibrados pela escrita competente e cada qual envolvendo o leitor ao informar o que houve e nos dizer o que se passou em seguida.

    Muito bom.

    • Helô
      25 de outubro de 2020

      Oi, Pepe, tudo bem?
      Não entendi muito bem essa coisa de abismo hereditário, estória retroativa, histórico de Helô… Heloísa te disse que quer estudar história? Capitanias hereditárias? Ou tem a ver com escutar os ecos do abismo? Entendi nadinha, mas tem vezes que nem eu mesma me entendo, sabe?
      O importante é que você veio e vamos conversar bastante. E vou até dizer o que se passou em seguida nos meus dois passados… mas pensando bem é melhor eu apenas ouvir. Fale-me de você, do que faz por aqui… Eu vou ouvir, ouvir, ouvir, sem julgar, prometo.
      Beijos da Helô

  25. Regina Ruth Rincon Caires
    25 de outubro de 2020

    Ruptura (Helô)

    Resumo:

    A história de Helô, uma conversa entre ela e ela, e que convida o leitor para ouvir…

    Comentário:

    Este é um texto daqueles em que a gente pensa de início: “senta que lá vem história”… E que história! O recurso de convidar o leitor para ser ouvinte, prazerosamente, aproxima. Aceitei o convite e me senti ao lado dela, na sala. A mescla de primeira e terceira pessoas foi a “pimenta do bolo”. Este recurso usado por poucos devido à lida complicada, aqui, foi brilhantemente aplicado.

    Temática densa, mãe pode ser um trem problemático. É muito difícil “moldar” uma pessoa normal quando a fôrma é anormal. Se bem que a dita normalidade já escapou de qualquer parâmetro. Acredito que o “anormal” tende a se multiplicar. Ninguém suporta aparar tantas arestas, não há sanidade que dê conta de ignorar avalanches de fantasmas.

    O texto é primoroso, a escrita é madura. Frases de conteúdo profundo, verdades dilacerantes. O autor brinca com verdades duras camufladas em metáforas carregadas de poesia. Há frases e parágrafos soberbos:

    “Aquilo ainda não carregava nome, nem ela desconfiava como se soletrava qualquer significado. Era sussurro em segredo de confissão. Mãe era mistério sem respostas. Mãe era estação de onde se parte uma única vez.“

    “Retornou várias vezes, até decorar o caminho, ida e volta, até soletrar cada paralelepípedo.”

    “Vez ou outra, abria-se uma gaveta da memória, e de lá saíam borboletas de cristal. Eram belas e só causavam sorrisos. Mas tão delicadas que se quebravam em pleno voo como frágeis fantasias. Poeiras de diamante a completar o chão de poucas estrelas.”

    “Quantas raízes apodrecidas se é capaz de arrancar sem danificar o tronco?”

    “Era como se Mãe não tivesse mais forças para resgatar o avesso do que lhe fora um dia tomado. Sabia que nem todas as dores fenecem com o passar do tempo? Algumas pétalas transformam-se em espinhos e mantêm-se perenes, agarrados a uma certeza qualquer. O desconhecido sempre pode vir acompanhado de novos dissabores a serem guardados.”

    “A espera não era martírio, não trazia novas tormentas nem peso a mais. Era mais uma recombinação das cores que colhia na falta de um possível escape. Seus últimos raios, antes do abismo. Experimentava vazios, com mãos recolhidas, sem pressa ou preces.”

    Helô, gostei muito do seu trabalho. Passei um dia refletindo sobre o conteúdo sofrido relatado aqui. Parabéns, você consegue falar sobre dores com poesia e leveza. Você é escritor(a) pronto(a). Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Helô
      25 de outubro de 2020

      Oi, querida Gininha, tudo bem?
      Que bom que você apareceu aqui para uma visita. Pena que acabou o café e não sobraram nem as broas de milho que Pai trouxe. Aceita um bolinho de pimenta?
      “A história de Helô, uma conversa entre ela e ela” = Menina, você não sabe a quantidade de gente que vem conversar aqui comigo. É tanta voz que eu ás vezes até me perco, viu. Mas sempre cabe mais uma, vem pra cá você também. Vai ser uma loucura. Te esperamos, tá, minha linda?
      Beijinhos da Helô

  26. José Leonardo
    25 de outubro de 2020

    Holô, elá.

    RESUMO: uma protagonista que conta a própria história em terceira pessoa (o que pode ser sinal de que rasga dinheiro) (ou uma agente destacada pelo Partido Interno do Grande Irmão que esteve diante da teletela do casal descrito), com uma bela imagem que lembra um pôster de Twin Peaks, cujo relato demora um pouco para começar (pois o leitor-terapeuta — leiterapeuta — vai aproveitar melhor qualquer história se primeiramente esquentar suas engrenagens), mas que se desenvolve e sabemos, de fato, que Helê Hélouca, com o bônus de um bolo apimentado na infância.

    COMENTÁRIO: começando pelo final, Hélouca, digo que me interessei por seu texto, embora haja algumas ressalvas (enquanto leitor). A pessoa relatada (a própria Hélouca — uma pessoa deprimida, na verdade) parece sempre presa num círculo inicial, cujos únicos movimentos servem para… prender-se ao próximo. Apesar de a pessoa relatada parecer por cima da carne seca no final do conto, segundo o que é dito por Hélouca (ela própria, portanto), sua infância e adolescência a tornaram uma vítima eterna (tipo um caniço que vai passar a vida inteira levando bordoada dos ventos, independentemente do lado de que estejam soprando). A inércia (ou passividade) da personagem relatada tirou um pouco do brilho do seu conto, a meu ver, se bem que serviu, talvez, ao propósito da narrativa.

    Grosso modo, creio que Helô só queria ouvir (um “alô” inicia uma ligação, não?), quem sabe usando (aplicando) sua experiência traumática para aconselhar outrém, embora esteja diante de um psicanalista. E seu fluxo era mais ou menos semelhante ao de Riobaldo: falar, falar, dando mínima ou nenhuma chance de intervenção do interlocutor.

    Helô sendo a pessoa relatada, obviamente teremos que considerar a problemática da confiabilidade do narrador; claramente ela não quer posar de salvadora, não quer ser messiânica, mas a impressão de ser uma laranja chupada durante o dia e esbagaçada ao fim da noite (ad aeternum), me deixou com três pulgas atrás da orelha.

    Você já leu o conto “A pessoa deprimida”, de David Foster Wallace? e não, recomendo. Já leu o romance “Uma vida pequena”, de Hanya Yanagihara? Se não… não tá perdendo muita coisa.

    Boa sorte no desafio.

    • José Leonardo
      25 de outubro de 2020

      “Você já leu o conto ‘A pessoa deprimida’, de David Foster Wallace? SE não, recomendo” *

      (É o mesmo cara desse comentário, só que estou apanhando da tecnologia, por isso, vai sem vínculo com Facebook)

      • Helô
        25 de outubro de 2020

        Oi, Zé Léo, tudo bem?
        Pois é, menino, ainda não li esses textos que você recomendou/não recomendou/recomendou. Tenho tempo pra isso não, meu lindo, minha missão é ouvir, ouvir, ouvir…. ler deve ficar para outra vida, se é que tem algo depois desta estação aqui. Sei lá, Dr. Theo diz para eu não ficar me atendo a esses detalhes existenciais.
        muito g pela sua visita. Se tiver tempo, gostaria de saber mais sobre essa coisa de você estar apanhando da tecnologia… Não me parece ser um relacionamento muito saudável. Reavalie suas escolas, meu lindo amigo.
        Abraço da Helô

  27. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    24 de outubro de 2020

    A história de uma mulher que trava um diálogo entre ego e alterego, nos surpreendendo na conclusão.

    A autora realiza um excelente começo de texto, agregando logo de cara uma aproximação com o leitor. Uma boa sacada usada com muito talento.

    O texto é ótimo, desenvolvido com capricho e atenção aos detalhes. Gostei muito. É inquietante em alguns momentos, sombrio em outros. A autora não perde a mão no desenvolvimento da ideia, é hábil e sabe conduzir o nosso interesse. Uma boa regente das palavras e do ritmo, sua orquestra funciona e nos seduz. Qualidade indiscutível.

    Acredito que estará no pódio. Sucesso e sorte.

    • Helô
      24 de outubro de 2020

      Oi, Alex, tudo bem?
      Não sei a que pódio você se refere, mas podemos nos encontrar lá para bater um papo e por o assunto em dia. Posso ficar horas ouvindo você falar, pois parece ter uma conversa muito agradável. E eu gosto de ouvir, ainda mais gente assim inteligente. Vamos marcar, tá?
      Abraço da Helô

  28. Almir Zarfeg
    24 de outubro de 2020

    Resumo:
    A narradora nos conta a história de Heloísa, uma moça especial, em todos os sentidos, por isso interessante.

    Comentário:
    A história da vida de Heloísa é longa, sim, mas está longe de cansar ou entediar o leitor. Eu não me cansei dela. Talvez tenha sentido um pouco de pena dela, porque, na busca de si mesma, ela acaba se perdendo… As sessões de análise ajudam? Ajudam sim, mas não fazem milagres. Enfim, Heloísa é uma personagem rica e a narradora, Helô, soube muito bem conduzir esse enredo de altos e baixos, traçando um perfil intrigante que norteia o aparente e o latente, num fluxo narrativo, de modo que o leitor atento possa se sentir bem servido. O texto flui, porque bem escrito; o enredo cativa, porque demasiado humano! Parabéns, Helô! (Ou posso dizer Heloísa?) (risos)

    • Helô
      24 de outubro de 2020

      Oi, Almy, tudo bem, querido?
      Depois desse comentário aí, você pode me chamar do que quiser, viu?
      E você tem razão, Heloísa é mesmo muito especial. Está convidado a tomar um café com a gente qualquer dia desses, seremos todas ouvidas e ouvidos!
      Abração da Helô (ou para você, Heloísa)

  29. Leda Spenassatto
    24 de outubro de 2020

    Resumo:
    Ruptura! Uma descrição das vírgulas dos pensamentos da mente humana e suas complexidades.

    Comentário:
    Ruptura tem um teor pisicologico rico na descrição e detalhes. Sua narrativa tem sequência lógica e contínua com parágrafos bem elaboradis, ricos em detalhes.
    Mas, para mim não há loucura no conteúdo e sim, uma pessoa com trastornos depressivo hereditário, os quais são agravados pela Mãe, também depressiva, que insiste em manter viva na memória da filha os sucessivos suicídios da família.
    Desejo muita sorte no desafio.

    • Helô
      24 de outubro de 2020

      Oi, Ledinha, tudo bem com o coração?
      “Ruptura! Uma descrição das vírgulas dos pensamentos da mente humana e suas complexidades.” = Nossa, você escreveu a sinopse de um romance que eu não escrevi, terá sido a Heloísa?
      “Não há loucura no conteúdo e sim, uma pessoa com transtornos depressivo hereditário” = eu também acho que não tem ninguém louco aqui não, é intriga da imposição. A pessoa não pode nem surtar, imaginar que está vendo outra mulher sem perceber que é ela mesma? Não pode delirar que viveu uma vida inteira, que se formou e é psicóloga, atende todos os doidos… sem ser tachada de maluca? Que coisa! Helô cura, mas não é louca não… eu acho… ah, sei lá, vamos perguntar pro Dr. Theo? Pai disse que ele é psiquiatra e entende melhor dessas coisas do que eu.
      Vem comigo? Assim podemos conversar no caminho e você me conta sobre essa sua compulsão por ler? Sem julgamentos!

  30. antoniosbatista
    23 de outubro de 2020

    Resumo: Mulher conversa com médico psiquiatra sobre Heloisa, conta a história dela e de como ela foi parar naquele hospital. No final do texto, percebe-se que é a própria Heloisa falando.

    Comentário: O argumento é bom. Achei algumas frases boas e outras nem tanto. No início, o colóquio é meio estranho com aquelas gírias. As metáforas foram demais, muita divagação da personagem que só deram extensão ao conto. Acho que esse tipo de narrativa fica bem numa história mais longa, com 30 mil ou mais palavras. Acho que o autor (a) tem capacidade de escrever não só contos, mas romances também. Tirando a “gordura” deste, que é uma história curta, o que resta? Um bom conto, Boa sorte.

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Olá, Toninho, tudo bem contigo?
      Fiquei até comovida com as suas palavras. Soltei frases boas, outras nem tanto, mas eu não sou boa mesmo em falar, sou boa mesmo é de ouvir.
      Passei dos limites com as metáforas? Mas qual é o limite?
      Achei fofo você dizendo que eu sou capaz de escrever um romance. Delírio seu, não escrevo nem vivo romances. Não tenho tempo para essas coisas. Só para ouvir, ouvir, ouvir…
      Abraço da Helô

  31. Luciana Merley
    23 de outubro de 2020

    RUPTURA

    Olá, autor.
    Farei um resumo e em seguida deixarei minhas impressões conforme os critérios CRI (Coesão, Ritmo e Impacto). O impacto é, na maioria das vezes, o critério definidor da nota final.

    Helô, uma mulher atormentada por traumas do passado e que dá a versão do seu próprio processo de enlouquecimento.

    Impressões iniciais – Um texto longo, muitíssimo fluido, sem qualquer necessidade de correção gramatical ou semântica. A leitura em voz alta (infalível) não tropeçou em nenhum pedregulho, comum em textos sem qualidade.

    Coesão – A narrativa faz com que todas as centenas de frases desemboquem num só núcleo – o pensamento fragmentado da personagem narrando de forma nada confiável a sua trajetória da infância até a idade adulta.

    Ritmo – Adequado à necessidade de encaixe que o leitor tem que fazer de todas essas peças tortas que a Helô coloca na mesa.

    Impacto – Muito bom. Tive a oportunidade de trabalhar com portadores de sofrimento mental em alguns momentos da minha carreira de Enfermeira. Seu texto reflete bem a distância que estamos de compreender o que acontece nos porões da mente, em especial quando não dispomos dos freios conscientes, das chaves que controlam as tronqueiras anteriores à formação do pensamento. A mente fragmentada e a não confiabilidade da narradora é o que marca seu belo texto, numa descrição perfeita do principal desafio que os profissionais da área enfrentam diariamente no cuidado para com essas pessoas. Destaco uma construção perfeita num parágrafo perfeito: “Mãe não a deixou para viver um grande amor, nem fugiu para ser um pouco mais feliz em outro lugar….”

    Excelente. Parabéns.

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Oi, Lu, tudo bem?
      Sua análise está tão completa que parece até coisa do Dr. Theo. Impressões, coesão, impacto! Eu é que estou impactada com você, minha flor de laranjeira.
      Fale-me mais sobre a sua carreira de Enfermeira. Foi traumática?
      Algo deve te acontecido, na sua infância, para que não confie na narradora. Não confia no que te dizem? Pode confiar em mim, eu não julgo.
      beijos da amiga Helô <3.

  32. Fheluany Nogueira
    23 de outubro de 2020

    Narradora se identifica com Heloísa e fala com o psiquiatra sobre ela e seu histórico familiar, possível causa de seus transtornos. Percebe-se, então que se trata de um caso de desdobramento de personalidades.

    Conto complexo, assim como o transtorno mental explorado. Muitas perguntas sem respostas, porque existem muitas dúvidas. Assim, prevalece a linguagem figurativa, jogos de palavras, ambiguidade.

    É um conto “aberto”. Descreve uma situação que, não necessariamente, tem que ser explicada. O objetivo do conto é explorar o personagem principal, em suas várias funções psíquicas, o aprisionamento na confusão mental, a ausência de perspectiva.

    A narrativa tem algumas pontas soltas (já citadas em comentários anteriores) e o ritmo ficou meio lento. Mas, no todo é um trabalho muito bom, com um assunto difícil, bem amarrado ao título.

    Boa sorte no desafio. Abraço.

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Oi, Fhe, tudo bem?
      Tao bom ler o que escrevem para mim, só não entendo essa coisa de transtorno … Depois que passei a ouvir os outros, nunca mais me preocupei com isso.
      Você diz que tem muitas muitas perguntas sem respostas. Podemos conversar e você me fala sobre as suas muitas dúvidas. Será um prazer ouvi-la.
      Só fico com medo dessa sua ideia de “bem amarrado”…Vamos deixar as pontas soltas, eu numa ponta, você na outra, tá?
      Podemos marcar um encontro? Ao vivo ou em sonho… como for melhor para você, querida.
      Beijinhos da Helô

  33. Angelo Rodrigues
    23 de outubro de 2020

    Resumo:
    Mulher que se fragmentou, narra uma história sobre parte de si. Por meio dessa divisão de si mesma, conta passagens familiares, com disfunções comportamentais, suicídios, desacordos e tal.

    Comentários:
    Conto interessante. Gostei do mergulho na divisão da personalidade: Helô, narradora, “senhor”. Creio que essa tenha sido a divisão.

    O autor opta por construir perguntas para as quais não há respostas. Umas são efetivamente perguntas, outras são perguntas que, a rigor, afirmam. Em ambos os casos, acredito, me soaram como as dúvidas que atravessam a narradora. Alguém como ela, tão dividida, certamente construiria seu arquétipo literário com base em suas próprias inseguranças. Não ficou mal perguntar tanto, ficaria melhor ser um pouco menos perguntasse, fosse mais assertiva.

    Esse fato, que embora possa ser correto sob o ponto de vista psicanalítico, acredito que uma dosagem menor, no texto, seria recomendável.

    A narrativa, por suposição um solilóquio, em alguns pontos se desequilibram, como por exemplo na frase “Por quem, meu senhor?”. A quem ela se dirige, exatamente? Mais adiante, o termo volta a surgir: “Dr. Theo fez Helô descobrir muitas coisas, sobre os outros e sobre si mesma, que também lhe pareceriam muito malucas, garanto ao senhor.”

    Tal fato me pôs a imaginar que Helô se dividia em três, e não e dois, pois há ela (a narradora), a Helô, que é narrada, e o “senhor”, um “silencioso” senhor – não acreditei que fosse real -, ao qual ela conta sua história dividida.

    Ressalto a boa escolha que fez o autor ao tratar a mãe como Mãe, com maiúscula inicial, tornando a mãe uma entidade, até porque, se assim não o fizesse, acabaria por revelar-se, quando teria de chamá-la muitas vezes de mamãe, ou a mãe de Helô, ou algo que afastasse a narradora do círculo da própria mãe. Um artifício que resolveu bastante bem o problema da ruptura da personalidade sob o ponto de vista narrativo.

    Esse artifício, entretanto, não funciona bem quando se trata de outros parentes, chamando-os de tia etc., revelando-se.

    Recuando até o “narrador”, a Helô do título, acho que houve um equívoco quando ela foi colocada como “autora” do texto, dado que ela é a personagem narrada. A “autora”, efetivamente, não tem nome – poderia ter?

    Como meio narrativo, acho que algumas coisas não devem ser colocadas, uma vez que fragilizam a credibilidade necessária ao autor, por exemplo:

    “… Vou contar como se fosse uma narrativa qualquer, ficção sem compromisso com a verdade. Sem me preocupar com a tal verossimilhança….”

    Acredito que, mesmo que se narre um absurdo, o autor deve jurar ao leitor que seu texto é real, factível, verdadeiro. Não sendo assim, algo de frágil se associa à narrativa.

    O texto, acredito, foi bem, embora, recomendaria, encurtaria um pouco as tantas voltas que foram dadas demonstrando as disfunções às quais a personagem/narradora se meteu.

    Não sei se entendi corretamente, mas, com ou sem propósito, o autor do conto transformou Helô em alguém que cura, certamente alguém que, no olhar da narradora, beatificou-se, ou, definitivamente, enlouqueceu ou tornou-se uma grande trapaceira.

    Boa sorte no desafio.

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Caríssimo Anjo, tudo bem?
      Estou um pouco confusa – não sou a Helô? Mas dizem que sou tão parecida com ela que posso até me passar por ela. O que acha? Quem sou afinal?
      Eu estava aqui falando com um senhor, o sujeito que veio me visitar, Pai diz que ele é doutor, mas sei não… Ele disse que se eu tomar um remédio, posso melhorar; mas melhorar do que?
      Obrigada por me ouvir, é raro isso acontecer. Prefiro ser toda ouvidos… Quer conversar?
      Abraço da Helô.

  34. CLAUDIA ROBERTA ANGST
    23 de outubro de 2020

    RESUMO:
    Narradora maluca fala com alguém sobre Heloísa. Conta sobre a vida de Helô, suas desaventuras diante da mãe desequilibrada e revelações pesadas sobre o histórico familiar. Aos poucos, revela-se que a narradora e Helô são a mesma pessoa, conversando com um psiquiatra.

    AVALIAÇÃO:
    O título Ruptura parece estar relacionado À fragmentação da personalidade de Helô. Talvez a personagem/narradora tenha criado uma persona a fim de conseguir lidar com a pesada realidade. Rompeu com os limites da normalidade.
    Parece que o(a) autor(a) utilizou o limite de palavras na sua totalidade. Poderia ter se alongado um pouco menos, mas mesmo assim não achei a leitura cansativa.
    Apesar do ritmo da narrativa ser pouco ágil, isso não me incomodou, talvez por se tratar de um tema denso que requer um mergulho em outra dimensão que não seja apenas ação, mas reflexão. (Quanta rima desnecessária!)
    Fiquei em dúvida quanto ao Dr. Theo. Se ele prescreve calmantes, tem que ser um psiquiatra, ou médico capacitado para isso. Mas em uma passagem, Helô diz que quer ser sua colega, quando fala para o terapeuta sobre seus planos de cursar Psicologia. Ficou um tanto incoerente. Se bem que não se pode confiar no que é dito por essa narradora…
    O conto está bem escrito, utilizando profusão de metáforas e trocadilhos, recurso que pode não agradar a todos os leitores, mas funcionou para mim. Também achei bem sacada a frase final, dando desfecho bem doido (o tema é esse mesmo, né?) .
    Boa sorte e que a loucura não te vença.

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Oi, Dona Angústia, tudo bem? Não sei por que, mas sinto uma certa familiaridade…angústia, medo, enfim…
      Obrigada por ler e comentar o meu relato. Quanto a ter usado todo o limite… O que significa limite?
      Dr. Theo diz ser psiquiatra e eu acredito nele, o Pai também, já a Mãe quando aparece diz que tem dúvidas…mas acho que é implicância dela, ciumes, talvez. Vou pedir para ele me mostrar o diploma, e aí, falo pra você, tá bem?
      Como voce está lidando com essa pandemia, minha linda? Difícil mesmo… mas toma lá um abraço (virtual e sem vírus), e saiba que estarei sempre aqui, pronta e disposta para te ouvir. Fique bem.
      Beijos da Helô

  35. Giselle F. Bohn
    23 de outubro de 2020

    Narradora conta a um interlocutor sobre Heloísa, que a princípio parece se tratar de uma amiga, mas que ao longo do conto descobrimos ser uma segunda personalidade ou um alter ego da própria Heloísa.
    O conto é impecável na linguagem, e faz uso de metáforas realmente marcantes. O ritmo é lento, mas senti ser proposital essa construção morosa, que vai ganhando camadas. Minha impressão foi bem positiva nesse aspecto.
    Minhas críticas:
    – Os trocadilhos – Helô esquecia, Helô cura. Não curto trocadilhos, a não ser em textos abertamente cômicos ou na vida real – aí adoro! Mas em um texto denso e sério como o seu achei meio forçado. A mim pareceu que você primeiro pensou nos trocadilhos e depois em uma história que os sustentassem, sei lá… mas pode ser bobagem minha, e, afinal, gosto é gosto.
    – As metáforas são legais, mas quando parei de contar já passava de dez. Aí o efeito se perde por causa do excesso. Até a melhor iguaria do mundo enjoa quando a gente come demais.
    – Achei que faltou impacto no final, sabe, aquele arremate que arrebata. Olha eu aqui fazendo trocadilho! 😉
    No geral, é um texto muito bonito, muito bem escrito, interessante e totalmente dentro do tema! Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Querida Giselle, tudo Bohn com você?
      Obrigada pelo seu comentário primoroso.
      […] pareceu que você primeiro pensou nos trocadilhos e depois em uma história que os sustentassem. Será? As ideias estão um pouco confusas agora, preciso da ajuda do Doutor…ou de um remedinho…
      Desculpe por ter te incomodado com os meus excessos, mas como minha amiga narradora disse – sou feliz assim.
      Se precisar conversar, estarei aqui para te ouvir. Lembre-se sempre disso… porque muitas vezes, eu esqueço…Beijinhos.
      Helô

      • Giselle F. Bohn
        23 de outubro de 2020

        Oi, Helô Prada!

        Tudo Bohn por aqui! Fico feliz de saber que vc está feliz!

        Vê se toma seus remedinhos direitinho, hein? Ninguém quer ver a Helô Botomizada!

        Beijos!

  36. Anderson Do Prado Silva
    23 de outubro de 2020

    Resumo:

    As diversas loucuras de uma família desaguam em uma única personagem, que encontra na psicologia uma forma de lidar com sua própria loucura.

    Comentário:

    Sei quem escreveu este texto! Reconheci o estilo! Helô, achei as críticas que o Thiago de Castro elaborou muito pertinentes. Amei esse seu texto, mas, se eu fosse reescrevê-lo, seria fazendo os reparos apontados pelo Thiago. De toda sorte, esse seu texto é, por enquanto, o meu favorito. Vamos aos motivos.

    Primeiro, gostei de você ter escrito um texto longo. Três mil palavras permitem apresentar muita coisa boa ao leitor. Assim, não é preciso escrever um texto minúsculo e apressado. Há méritos na síntese, mas ela seria melhor aproveitada em um desafio ou concurso que exigisse mil palavras. Ademais, escrever muito exige cabedal, repertório, o que você demonstrou fartamente.

    Helô, considero a literatura brasileira muito colonizada e, certamente, essa crítica não se aplica nenhum pouco a você. Seu texto é muito brasileiro. Você possui amor pela língua do povo. Você não escreve português. Escreve brasileiro! E eu amo isso.

    Não só. Além de muito nacional, seu texto possui muita poesia, mas não aquela importada e acadêmica, mas uma poesia do povo, que possui uma maneira muito peculiar tanto de ver o mundo quanto de musicá-lo.

    Seu texto, seu estilo, é recheado de excertos inteligentes, criativos, perspicazes, sensíveis, poéticos e de várias outras qualidades. E o desfecho do seu enredo, usando o nome da sua protagonista, foi fantástico.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Querido Anderson, você está bem? Espero que sim.
      Obrigada pelo seu comentário tão carinhoso, fico até sem palavras, mas o importante é que acolhi todas as suas.
      Que bom que você sabe quem eu sou, porque muitas vezes eu mesma não sei.
      Sou mesmo do povo, eu adoro o povo, quero ouvir todo mundo.
      E adoraria ouvir você também, moço. Cobro nada.
      Beijos da Helô

  37. Thiago de Castro
    23 de outubro de 2020

    Resumo: Uma narradora relata para alguém as semelhanças que tem com a amiga Heloísa e, aos poucos, revela que a loucura da personagem é fruto de sucessivos traumas familiares, principalmente ligados a mãe, além de certa morbidez nas histórias de suicídio da família. Após perder a mãe e ser coagida a fazer sessões de terapia, entende-se que narrador e personagem são a mesma pessoa elaborando os próprios traumas no divã.

    Comentário:

    Olá Helô, vou fazer algumas considerações gerais antes dos apontamentos. Achei um bom texto, com um bom léxico e que abordou o tema proposto pelo desafio. A loucura, aqui, é apresentada como uma herança familiar e a solução do enredo, que me parecia surreal com uma Helô super empoderada depois de sucessivos traumas se revela um jogo interessante de delírio da personagem, fazendo um elo com o início do texto. O conto possui muita oralidade ao mesmo tempo que apela para metáforas, o que agrega certa singeleza para a personagem, sem deixar de ter momentos mais “pé no chão.”

    Agora os apontamentos:

    1) A narradora autora objetiva trazer agilidade ao texto, mas há um excesso de perguntas que emperram a leitura. Uma vez ouvi um conselho numa oficina de escrita que as perguntas no texto, muitas vezes, é uma denuncia de que o escritor não sabe como descrever determinada situação, sentimento, como se entrasse no texto para se justificar, ou jogar a bucha para o leitor. Sei que no seu conto a narradora está falando com alguém, o que justificaria esse uso, mas mesmo assim fiquei com essa sensação.

    2) Psicanalista não receita remédio.

    3) Achei que as razões da loucura de Helô demoram um pouco para serem introduzidas no texto, você têm uma longa introdução que tenta criar um mistério, mas impacienta um pouco o leitor porque é preenchida de divagações e metáforas.

    3)Estranhei a mãe decidir falar tudo sobre a família num único momento, mas o fato dela ser apresentada como instável no início do conto justifica a explosão de revelações.

    4)O texto é recheado de metáforas para exemplificar o estado dos personagens, mas acho que em excesso, fica muito abstrato em determinados momentos, o que não impede que o texto contenha bonitas passagens, como disse acima. A morte da mãe é uma delas.

    5)Fiquei me perguntando como Helô conseguiu se relacionar e ser convencida a fazer terapia depois de tantos traumas, já num estado forte de loucura. Porém, toda resolução dita pela personagem passa pelo critério da dúvida, pois é ela mesmo reinventando a própria vida.

    6) Foi um bom trocadilho!

    • Helô
      23 de outubro de 2020

      Olá, Thiago, tudo certinho com você?
      Muito obrigada pelo comentário tão atencioso. Realmente, você me entendeu. Adorei os seus apontamentos, me fez lembrar do Dr. Theo.
      Quanto ao fato de Psicanalista não receita remédio, você tem razão. Na verdade, Dr. Theo é psiquiatra que faz psicanálise, faz até hipnose. Entendo a confusão que causei, pois sempre quis ser colega do doutor e achei que cursando Psicologia chegaria lá. Os caminhos se embaralharam um pouco…
      Quer um abraço? Se precisar desabafar, estou aqui, tá?
      Helô

      • Thiago de Castro
        23 de outubro de 2020

        Helô, com certeza! Todos precisam de terapia, como você afirmou muito bem. A Sessão sendo gratuita, estou aceitando! 🙂

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Informação

Publicado em 23 de outubro de 2020 por em Loucura.